Corona

7 Negro Azul


Notas iniciais
Hey nenês :3 Então gente, bem vindos a mais um capítulo ♥ Quero começar isso aqui deixando claro que ERO HIME EU TE AMO MULIER ♥ ♥ ♥ Gente, GENTE, nem DEZ capitulos e "Corona" já tem DUAS recomendações, CARALHA MANO EU TO URRANDO Ero Hime, essa linda, achou que minha história merecia esse carinho a mais e eu só posso agradecer muito, muito, MUITO mesmo ♥ Obrigada pelo carinho e obrigada por dar uma chance, espero que não se arrependa ♥ Gente, DE NOVO (rsrs) eu tô respondendo os comentários, tá? Os comentários do cap 6 vão ser respondidos todos ainda hoje, no MAIS TARDAR, amanhã, certo? Certo, amo vocês e sabem que eu respondo mesmo ♥ Falando em comentários, obrigada a Ella Branco (Bella ♥), Ero Hime, Caique Morningstar, Princess Rapunzel Sunny Spring, Luiza Avelino, Kristini, Asuna wonderland e Alice Prince (Alice ♥) pelos comentarios ♥ O cap é pra vocês ♥ Juro solenemente não fazer nada de bom ♥

Pansy Parkinson era insistente, mas eu era mais escorregadia. Depois de entregar meus rolos de pergaminhos já prontos quando professor Flitwick pediu que resumíssemos os primeiros capítulos do livro (pois eram os mais teóricos) e receber os devidos aplausos e elogios (além de cinco pontos para Sonserina), escapei dela até a aula de Herbologia nas estufas, onde professora Pomona Sprout, diretora da Lufa-Lufa, nos aguardava novamente com o pessoal da Corvinal.

— Bom dia, bom dia a todos! — A professora nos cumprimentou com um sorriso energético. Tinha cabelos grisalhos e rosto marcado pela idade, mas talvez passar tanto tempo, em meio as plantas, realmente rejuvenescesse o espírito, ou algo assim. Além de deixar suas roupas e unhas sujas de terra. — Vocês vão iniciar os estudos em Herbologia agora, que, como muitos é a matéria que estuda plantas mágicas e não-mágicas. Com esta é possível descobrir como esses seres mágicos e magníficos vivem no nosso planeta, além de aprendermos as distinguir as mágicas de não mágicas. Em seu primeiro ano, esperem técnicas de jardinagem que, não achem bobagem, necessitam de muita pratica e aperfeiçoamento. Por favor, copiem o que eu direi.

Agradeci por Sprout não ser adepta a quadros, apesar de haver, sim quadros negros nos fundos da estufa. Com a desculpa de estar copiando seu discurso sobre o que é Herbologia e sua história (que eu também já havia copiado antes das aulas), me mantive de costas para Parkinson durante toda a aula. Quando a professora pediu que entregássemos para a próxima aula um rolo de pergaminho de vinte linhas sobre como diferenciar plantas mágicas e não mágicas, a entreguei o meu já pronto de uma vez, sentindo que isso se repetiria bastante ao longo do dia. Com mais cinco pontos para a Sonserina, foi a vez de correr para Defesa Contra as Artes das Trevas, que foi a única grande decepção do dia.

O professor Quirrell era uma piada tão grande quanto sua aula. A sala, que também ficava no terceiro andar, fedia com alho e era escura e abafada. Quirrell era alto e magro, gago e aterrorizado com o próprio reflexo, além de usar um turbante enorme na cabeça. Logo no inicio ele disse que havia sido presente por derrotar um zumbi, mas não acreditei que o sujeito fosse capaz de derrotar uma barata.

Logo ficou muito claro que, se eu quisesse de fato aprender algo sobre Defesa Contra Artes das Trevas, eu deveria estudar sozinha. Então, de verdade, bloqueei a voz gaga e monótona do professor e dei continuidade ao meu pergaminho, pois já havia copiado a descrição da matéria, além de seus vestígios na história e relatos. Tive tempo de reler tudo que havia escrito e ainda acrescentar a forma como as criaturas eram classificadas em seu nível de perigo antes do relógio anunciar o almoço.

— Agora você não me escapa, Malorie — Pansy segurou no meu braço antes de me dar oportunidade para fugir. O contato me fez trincar os dentes, lembranças de outras mãos com quase tanta ignorância quanto essas me segurando. Felizmente para ela e seus dentes, me soltou quando viu que tinha minha atenção. — Precisamos conversar.

— Pode ser em um lugar que não cheire a tempero? — como ela não respondeu, forcei um sorriso. — Ótimo.

Enfiei minhas coisas na mochila e a joguei por cima do ombro, fazendo um floreio para que Pansy fosse na frente. Ela foi, com os olhos estreitos, mas com tanta pressa quanto eu de sair daquele lugar. Começamos a andar em direção ao Grande Salão para o almoço e eu estava esperando o momento em que ela abriria a boca. Um, dois, três...

— Não pode ficar fazendo isso, Lewis — disparou.

— E quais seriam meus crimes, se puder me esclarecer? — Devolvi para ela sem virar o rosto. Que assunto irritante.

— Não se faça de tonta! — Ela chiou. — Isso! Ficar conversando com grifinórios, sentando na mesa deles! E aquela garota, aquela dentuça de cabelo maior que a cabeça, ela é sangue ruim, não é? Tenho certeza que é. Não pode ficar se misturando com gente desse tipo, Malorie, você é uma elite e eles...

— Eles o que? — Para mim, já tinha chegado ao limite. Virei meus calcanhares para ficar na sua frente, obrigando-a parar de andar. Alguém insultar um amigo era algo que me deixava apenas um pouco menos enfurecida do que me insultar. E eu sequer sabia se eu e Hermione Granger éramos realmente amigas, mas a menina havia sido gentil e receptiva desde a plataforma. — Escute você uma coisa, Parkinson. Eu não poderia ligar menos para toda essa merda purista que vocês acham que é o que faz o mundo girar. Também estou pouco me lixando para qualquer rixa ridícula de escola sobre quem faz mais pontos ou sei lá o que. Gente mais velha, mais forte e mais ameaçadora do que você ou qualquer outro sonserino arrogante já tentaram me dizer o que fazer e tiveram suas expectativas completamente frustradas — sibilei para ela, estendo minha mão mutilada em frente ao seu rosto antes de a abaixar. — Eu até gostei de você, Pansy, e adoraria que tivéssemos um convívio agradável. Mas não vou receber ordens, nem de você e nem de ninguém, e vou me relacionar com quem eu quiser. Se achar que minha companhia vale mais do que toda essa merda, ótimo. Se não, a vida é sua e faça o que quiser.

Observei seus lábios apertados e olhos estreitos, o que a fazia ficar quase cômica pois seus olhos já eram naturalmente dessa forma. Não recuei o olhar até ela mesma fazer e continuei meu caminho para o Grande Salão. Em algum momento, percebi que ela estava atrás de mim, mas não permiti que virasse o rosto para ela. Me sentei na mesa ao lado de Sue e Daphne, que tinham sobrancelhas arqueadas e olhos curiosos. Quando Parkinson passou por nós e foi se sentar perto de Draco e seus asseclas, Daphy se inclinou para mim.

— Eu disse para ela que não adiantaria — me confessou. — A garota que faz chacota da meleca de Draco Malfoy não ia se abaixar para costumes que não eram dela, se não por princípios, por puro despeito.

— Não reclamando da sorte — comecei, apesar de estar com um pequeno sorriso. — Mas vocês não deviam estar do lado dela? Pelo que entendi, os Greengrass estão nesse grupinho também. E Hopkins é puro sangue, certo?

— Sou, sim — Sue respondeu. — E os Greengrass são, também, uma das famílias bruxas puro-sangue mais tradicionais.

— Mas eu não vivo em uma bolha, da mesma forma que Malfoy e ela — Daphy esclareceu. — Eu sequer concordo com tudo isso. Eu entendo que os trouxas são, de fato, estranhos. Somos de mundos diferentes e se é natural que fique cada um em um canto, mas os nascidos trouxas são bruxos, também, que podem escolher viver no mundo que quiserem. Se vieram para Hogwarts, então abraçaram a bruxaria. E quem não abraçaria? Não posso e não vou odiá-los apenas porque obviamente tomaram a decisão certa.

— E a minha família — Hopkins encolheu os ombros. — É puro sangue, mas não faz parte das Sagradas Vinte e Oito, pois temos mestiços na família, também. Não no meu galho da árvore, se não eu não seria considerada pura, mas existe. E se quer saber, nas deles também — ela inclinou a cabeça para Parkinson e Draco. — A família deles apenas finge que eles não existem e os cortam do ramo principal.

— Então tenho duas desertoras comigo — soltei um suspiro profundo ao jogar os braços por cima dos ombros delas. — Acho que posso aprender a conviver com tanta rebeldia.

As risadas que elas soltaram foram o bastante para atrair a atenção de Parkinson para nós, e, como todas as vezes que acontecia, eu não busquei ouvir, mas os sussurros eram gritos e ouvi sua voz dentro de mim, mesmo que seus lábios estivessem fechados, falando o quanto gostaria de estar conosco. Pansy Parkinson havia sido criada da forma errada e estava com seu orgulho ferido, mas talvez houvesse salvação para si mesma.

Como prometido, acompanhei Hermione até um dos corredores bem no primeiro andar e tinha os olhos brilhando ao me ver perder o fôlego diante da visão. Eu sei que um monte de livros pode parecer desinteressante para muitas pessoas, mas aquilo sim era magia. Dezenas de milhares de livros estavam empilhados e arrumados em milhares de prateleiras e estantes que chegavam a ir até o teto. Havia mesas baixas para se estudar e escrivaninhas, muitas delas, espalhadas aqui e ali. Meu coração bateu rápido e leve com toda a magia antiga e silenciosa que vibrava das capas e das páginas e passei o resto do almoço na melhor companhia de estudos que pude encontrar: Mione era silenciosa e concentrada enquanto fazia suas anotações enquanto eu mesma avançava em meus estudos sobre Defesa Contra Artes das Trevas e resumia os próximos capítulos das outras matérias que já tive.

Quando os sinos bateram duas horas, Granger saiu em disparada para sua aula me dando um abraço rápido e era minha vez de buscar, sozinha de novo, a sala de História da Magia. Consegui não chegar atrasada, mas justamente quando pensei que Hogwarts não poderia me surpreender mais, descobri que teria aulas com um fantasma. Professor Binns já devia ser bastante velho quando levantou de um cochilo na sala dos professores para ir dar aula e acabou deixando o corpo para trás.

Ele tinha uma voz arrastada e monótona e quase não olhava para a turma, olhando sempre para anotações (fantasmas podiam encostar em coisas assim?). Como esperado de uma aula tão entediante, mais da metade dos alunos estava de olhos fechados e a outra ressonava baixinho. Lutei com tudo que tinha para escrever cada palavra que o fantasma dizia, por mais enrolado e torturante que fosse, e fiz uma anotação mental de estudar essa matéria com a mesma intensidade de Defesa, pois ambos os professores não colaboravam.

Porém, no final do dia eu tinha um grande dilema em mãos sobre qual havia sido minha matéria preferida. Feitiços, apesar de ter sido puramente teórico em sua primeira aula, eu sabia que tinha uma extensão enorme de possibilidades. Mas professora Minerva McGonagall tinha seu próprio modo de cativar um aluno, mesmo que a parte teórica de sua matéria fosse onde se separavam criancinhas de alunos de Hogwarts.

— Já deixo claro que não vou tolerar qualquer bobagem ou enrolação. A Transfiguração é uma das matérias mais complexas e perigosas que podem aprender em Hogwarts. Qualquer um que sair da linha vai sair da minha sala e não vai voltar mais, estejam avisados.

No dia seguinte, descobri com Hermione que ela havia dito praticamente a mesma coisa para sua própria Casa, então acredito que seja um sermão rotineiro. O assunto da aula também foi o mesmo: depois de anotações complexas que complementaram as que eu já tinha, foi a vez de tentar transformar um fosforo em agulha. Na minha sala, me diverti ao ver Crabbe e Goyle sequer conseguirem que o fósforo se arredondasse, e descobri que, assim como eu, apenas Mione havia conseguido a proeza de ter a aprovação de McGonagall ao fazer o fósforo ficar todo pontudo e prateado.

Mas vou estar mentindo se disser que não estava ansiosa era para aula de Poções por vários motivos diferentes. Seria a primeira aula que teria com Hermione Granger e gostaria de me sentar ao seu lado, e a primeira vez que veria de novo Harry Potter e Ronald Weasley. Como Pansy ainda não estava falando comigo, eu poderia deixar Daphy e Sue um pouco sozinhas, já que fazíamos a praticamente todas as aulas em equipe.

A aula com o diretor da Sonserina aconteceu na sexta feira, logo nos dois primeiros horários. Foi nas masmorras e era frio e deprimente, muito diferente da Sala Comunal, sem falar nos vários animais embalsamados em potes aqui e ali. O ambiente fez os alunos das duas casas se sentarem em silêncio, e eu iria me sentar com Hermione, mas Hopkins agarrou minha capa e olhou de mim para o morcegão que era Snape, e muito a contragosto me sentei no lado sonserino da sala. Quando todos já estavam sentados, ele começou a fazer a chamada.

— Ah, sim — murmurou baixinho quando chegou no nome de Potter. — Harry Potter. A nossa nova celebridade.

Observei Malfoy e seus asseclas soltarem risadinhas, cobrindo as bocas com as mãos como se tivesse algo para rir. Mudei o peso de uma perna para outra, claramente desconfortável. Odiei Severo Snape com a mesma intensidade que ele não se preocupou em esconder que odiava Harry Potter. Aqueles olhos vazios e a voz venenosa me lembravam Greta de uma forma que Minerva sequer chegou perto. A forma como ele olhou para Harry, em uma deliciosa predação, imaginando mil formas de fazê-lo se arrepender por existir, era a forma exata como ela me olhava.

— Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções — a voz do homem era um pouco mais de sussurro, mas todos estavam quietos demais para não ouvir qualquer letra. — Como aqui não fazemos gestos tolos, muitos de vocês podem pensar que isto não é mágica. Não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a reluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos... posso ensinar-lhes a engarrafar a fama, a cozinhar a glória, até mesmo a zumbificar, se não forem o bando de cabeças-duras que geralmente me mandam ensinar.

Foi um belo discurso, eu tinha que admitir. Todos estavam prestando muita atenção, incluindo Malfoy. Tinha parado de rir e estava observando o professor com atenção como se realmente, pasmem, tivesse interesse na matéria. Eu disse a Hermione que o acertar com o livro havia sido um favor.

— Potter! — Todos os alunos pularam com a súbita chamada. Harry, então, ficou branco. — O que eu obteria se adicionasse raiz de asfódelo em pó a uma infusão de losna?

Lírio. Meus arrependimentos seguem você até o túmulo. Amargura. Tristeza. Cura para mordida de cobras. Artémis. Não faço ideia de a razão da minha mente ter buscado as informações de um antigo livro que li quando era criança no orfanato e não no que adquiri para a escola. Mais nova, eu havia me interessado por um titulo incomum, cujo nome era Linguagem das Flores. Uma antiga tradição que nasceu e morreu na era vitoriana, quando as pessoas não podiam se expressar com palavras e, por isso, enviavam flores. Lagrum havia me incentivado, de forma incrível, dizendo que esse era um conhecimento antigo e que poderia vir a ser útil. Mas na aula de poções?

— Não sei não, senhor — foi toda a resposta de Harry, também, o que o Capitão Gancho queria? A não ser Hermione (que tinha a mão se balançando no ar) e eu, alunos do primeiro ano não saberiam de coisas assim.

— Tsc, tsc, a fama pelo visto não é tudo — ele tinha um sorriso de desdém cretino no rosto. — Vamos tentar outra vez, Potter. Se eu lhe pedisse, onde você iria buscar bezoar?

No estômago de uma cabra, é claro. Mas não para Potter, que tinha o rosto tão confuso como no primeiro dia em que fiz Greta dar de cara com uma parede que não estava ali a alguns segundos. Na sala toda, Malfoy e seus dois gorilas já se sacudiam de rir, e Mione tentava separar seu braço do corpo com a força e insistência que o levantava.

— Não sei, não senhor.

— Achou que não precisaria abrir os livros antes de vir, hem, Potter? — pela primeira vez vi sinal de que o garoto não era um caso perdido. Um pouco da confusão encurralada tinha ido embora e a chama da raiva injustiçada apareceu, mas Snape gostava do som da própria voz. — Qual a diferença, Potter, entre acônito licoctono e acônito lapelo?

— Não sei — Harry Potter respondeu com a voz baixa e os olhos bem fixos nos negros frios do professor. — Mas acho que Hermione sabe, por que o senhor não pergunta para ela?

Várias risadinhas, incluindo do lado da Sonserina, se espalharam depois da notável presença de espírito do senhor Potter. Mas eu não ri. Não ri porque estava acostumada a ouvir risadas e manter meus olhos na ameaça de cara fechada: Snape não achou graça nenhuma, e nem mesmo Harry. Era um menino inteligente de não desviar a atenção. Eu diria para ele empurrar o caldeirão em cima do professor, mas talvez não fosse a melhor ideia academicamente falando.

— Sente-se — o tom de voz dele fez Mione se encolher de imediato, os olhos castanhos confusos e até magoados. Trinquei os dentes. — Para sua informação, Potter, asfódelo e losna produzem uma poção para adormecer tão forte que é conhecida como a Poção do Morto-Vivo. O bezoar é uma pedra tirada do estômago da cabra e pode salva-lo da maioria dos venenos. Quanto aos dois acônitos são plantas do mesmo gênero botânico. Então? Por que não estão copiando o que estou dizendo?

Meu desprazer por Severo Snape cresceu de modo incrível em míseros quarenta e cinco minutos de aula. Depois de descontar um ponto da Grifinória por Harry ter se defendido da humilhação gratuita que estava sendo obrigado a passar, ele dividiu toda a sala em pares para preparar uma simples poção para curar furúnculos. Acabei com Daphne enquanto Harry ficou com Weasley e Hermione com Neville. O cretino diretor da Sonserina andava por toda a sala com aquele nariz enorme em pé, torcido de desprezo, enquanto o enfiava em nossos caldeirões e criticava qualquer besteira que pudesse encontrar. Draco Malfoy estava fazendo dupla com Blásio Zabini e ostentava um ar de divindade por ter sido o único que não recebeu qualquer crítica, pelo contrário, havia sido elogiado, quando chegou a minha vez.

— Ora, ora, me parece que temos mais alguém que não é um completo desastre — seu tom seco mostrava o quão não queria que o elogio saísse. — Meus parabéns, srta. Lewis, a pesagem foi feita com precisão e a forma de cozinhar está perfeita.

— Obrigada, professor Snape — respondi da forma mais suave que pude. — Veja que sequer tive que ter conhecimentos avançados e detalhados sobre a matéria para a preparar, sem falar que aprendi tudo na teoria com Hermione Granger, a menina que ignorou de forma tão pouco profissional. A dela também deve estar acima da média, porque não dá uma olhada?

Senti Greengrass tencionar ao meu lado e a torção na boca de Snape ir para baixo de forma brusca. Mas encontrei o sorriso de Potter e o olhar agradecido de Granger e não me importei nem um pouco de ter acabado com minhas chances de ser uma boa aluna para o diretor da minha própria casa. Nunca daríamos certo, Severo e eu. Mas agradeço por ter sido salva momentaneamente por Neville Longbottom. O pobre menino conseguiu fazer com que o caldeirão derretesse, provocando uma fumaça acre e verde em todo lugar. Havia conseguido derreter o caldeirão do colega, Simas, e agora a poção vazava e furava qualquer sapato desavisado que encontrasse. Segundos depois, toda a sala havia trepado em seus bancos e me equilibrei o melhor que pude com Daphy agarrada em mim.

— Menino idiota! — Snape vociferou, fazendo o garoto se encolher. O ato me fez ter ainda mais prazer em responde-lo, pois Neville já estava miserável o suficiente sem que gritassem com ele, caído no chão e todo encharcado de poção, os braços e pernas cobertos de furúnculos vermelhos que o faziam gemer de dor. — Suponho que tenha adicionado as cerdas de porco-espinho antes de tirar o caldeirão do fogo? Levem-no para a ala hospitalar — ordenou para Simas e então, por razão nenhuma, se virou para Harry. — Você, Potter, por que não disse a ele para não adicionar as cerdas? Achou que você pareceria melhor se ele errasse, não foi? Mais um ponto que você perdeu para Grifinória.

Eu e Potter fomos simultaneamente impedidos de argumentar a injustiça (eu de uma forma muito menos educada do que ele, provável) já que Daphne fincou as unhas no meu braço e aquele movimento só poderia ter sido um pontapé de Ronald no calcanhar de Harry. Com toda a sala limpa por um aceno de varinha do professor, a aula continuou sem maiores acidentes, mas consegui fugir das mãos de Greengrass e ir em direção a dupla implacável que subia as escadas em direção a área social do castelo.

— Harry, espere — pedi quando os alcancei. Não conversava com eles desde o trem e tinha que admitir que ambos ficavam muito bem com o vermelho da Grifinória. — Rony, parabéns pela Casa. Vermelho realça seu cabelo. É tradição de família?

— É, sim — Weasley demorou um tempo para responder, me olhando com olhos estreitos, como se ponderasse se era uma gozação. Enfim, deve ter se lembrado que eu era a garota que havia achatado o nariz de Draco Malfoy. — Todos meus irmãos foram e são de lá, incluindo meus pais.

— E você tem muitos? — Arqueei uma sobrancelha. — Acho que já reconheci alguns... os gêmeos e o monitor?

— Eu sou o sexto — deu um sorriso pequeno. — Antes de mim são Fred e Jorge e, antes deles, Percy, o monitor. Mas ainda há Carlinhos e Gui, que já terminaram a escola. E Gina, minha irmãzinha, ela virá no próximo ano.

— E então a fabrica fechou? — Ri da sua cara fechada e lhe dei um encontrão. — É brincadeira, Weasley. Eu gostaria de ter tantos irmãos, ou não. Crescer em um orfanato é quase como se ter dezenas e já me fingi de doente algumas vezes para não ter que sair do quarto.

— Um orfanato? — Harry perguntou, os olhos muito verdes me analisando por trás das lentes redondas dos óculos. Deu um sorriso cansado para ele e esperei que ele tivesse visto a gratidão nos meus olhos quando não falou todas as frases de praxe. Acho que era por ele ser órfão também. — Estávamos indo ver um amigo, gostaria de vir?

— Adoraria — sorri enquanto ajeitava a mochila nos ombros. — Dessa forma, Ronald pode me contar melhor sobre a família dele. Disse que tem uma irmã?

Ginevra Weasley era o nome da sétima filha e a única menina de toda prole, mas todos a chamavam de Gina. Rony me explicou rapidamente que ter irmãos não era assim tão bom, se usava tudo que já estava mais do que usado: roupas, livros, varinhas. Harry ficou quieto enquanto o amigo reclamava, mas logo tiveram que ir para sua classe eu também. Para mim era Herbologia e agradeci por ter tempo de me limpar e comer um pouco antes de encontrar os meninos do lado de fora do castelo.

— Harry, diz, como conheceu o Hagrid? — perguntei enquanto atravessamos a propriedade. O menino deu um sorriso bonito com o assunto.

— Foi ele que me trouxe minha carta de Hogwarts — contou. — Meus tios, sabe, eles são trouxas e não gostam de magia, então estavam fugindo das cartas. Eles não sabiam que quando você não responde, alguém da escola vai te entregar pessoalmente. Bom, nem eu sabia, foi um baita susto quando ele apareceu.

— Foi a sra. Burbage que entregou a minha — franzi as sobrancelhas. — Talvez seja diferente para o famoso Potter.

— Ah, não — o sorriso dele caiu. — Você também não, Mal. Olhe, foi bem difícil a semana com todo mundo olhando e apontando e me seguindo...

— Ah, fique quieto, cicatriz — lhe dei um encontrão com o ombro, rindo, mesmo que nunca houvesse de fato visto a dita cuja. Ouvido falar, por outro lado... — Venha sentir um pouco de ar no rosto, está precisando!

Disparei na frente deles, e tenho que admitir, a vantagem inicial não adiantou de muita coisa. Harry era ágil e pequeno, Ronald era forte e alto. Quando Weasley chegou na minha frente por uma ponta de dedo, ele estava com o rosto vermelho e a respiração acelerada.

— Você... não sabe... o que é... a hora de jantar lá em casa — soltou em várias respirações entrecortadas, mas estava sorrindo. Isso fez com que soltássemos risadas altas e Harry, ainda com peito subindo e descendo, bateu na porta da cabana de madeira. No mesmo momento uma correria frenética foi ouvida, seguida de latidos altos e ferozes. Então, a voz de Hagrid dizendo:

Para trás, Canino. Atrás.

A cara barbuda e bondosa de Hagrid apareceu na fresta quando a porta se abriu.

— Esperem aí. Para trás, Canino.

Ele conseguiu que entrássemos, lutando para manter junto pela coleira a ele um enorme cão negro de caçar javalis. Toda a cabana era apenas um aposento. Havia um cheiro de tempero pois presuntos e faisões pendiam do teto e era quente porque havia uma chaleira acesa no fogão em um canto, além de, em outro, a maior cama que eu já vi, toda coberta por uma concha de retalhos.

Era maravilhoso. Todo o ambiente me fez querer me enrolar naquela concha e fingir que o mundo não existia. Era pequeno, confortável e caseiro o suficiente para isso.

— Estejam à vontade — o grande homem falou, soltando Canino, que avançou imediatamente no Weasley e começou a lhe lamber as orelhas. Isso me fez rir, pois obviamente a história de que um cão puxa o dono estava certíssima.

— Este é Rony — Harry disse, enquanto Hagrid despejava água fervendo num grande bule de chá e arrumava biscoitos em um prato. — E esta é Malorie.

— Mal — corrigi sorrindo para o guarda caça. — É um prazer.

— Ora, o prazer é meu — ele piscou os olhos negros, notavelmente surpreso de alguém de uniforme verde estar na sua cabana e lhe sendo gentil. — E, bom, mais um Weasley, hem? — Agora, estava olhando as sardas de Rony. — Passei metade da vida expulsando seus irmãos da floresta.

— Porque todos sabem que eu sou um Weasley logo de cara? — Rony murmurou, me fazendo encolher os ombros.

— Talvez seja os outros cinco que passaram antes de você, ou talvez uma maldição bem lançada. Algo como "serás eternamente reconhecido pelas tuas sardas".

— Cale a boca, Lewis.

Mas Ronald Weasley estava sorrindo de orelhas vermelhas, e eu soube que era sua forma de me dizer que não jogaria água quente na minha cara por causa da minha Casa, algo que, sinceramente, considerei uma vitória pessoal.

Notas finais
Então, gostaram? ♥ Deixem nos comentários, adoro falar com vocês ♥ ♥ LEMBRANDO que eu estou respondendo os comentários do cap 6 ♥ Malfeito, feito! ♥