Corona

26 Máscara Impecável


Notas iniciais
Hey nenês ♥ Cês tão muito frenéticos, bicho ♥ CORONA chegou a 30 favoritos, TRINTA ♥ Para alguns pode não parecer muito, mas a palavra "favorito" é muito forte. É aquilo que você gosta acima de outras coisas igualmente boas, sua primeira opção, seu querido. E saber que trinta pessoas tem esse carinho pela minha história, caramba, a sensação é de outro mundo ♥ COMO PROMETIDO, hoje será atualização D U P L A, SIM! E vamos, vamos lá para A QUARTA META: quando e se a história bater 5k de visualizações, teremos isso de DE NOVO ♥ Estamos em 4.943, pertinho! Não esqueçam de comentar nos DOIS capitulos que serão postados aqui, cada um deles foi escrito separadamente e gosto de receber feedbacks para cada um ♥ DE NOVO eu tô respondendo os comentários, sim? Os comentários do cap 25 vão ser respondidos todos ♥ VOLTANDO A PROGRAMAÇÃO NORMAL ♥ Obrigada a Caique Morningstar, Princess Rapunzel Sunny Spring, Elizabeth Black, Ella Branco (Bella ♥), Cni, Amanda Pêra pelos comentarios lindos, perfeitos, pedaços do céu, maravilhosos e perfeitos² ♥ O cap é pra vocês ♥ Sem mais delongas, juro solenemente não fazer nada de bom ♥

Potter entrou logo depois de mim.

O lábio ferido parava de sangrar aos poucos, mas a mancha na pele do rosto só piorava. Ele não estava nada inclinado a me poupar de assumir meu temperamento para Hermione, o que agradeci. Mesmo vendo os olhos arregalados de minha amiga e a boca aberta de Neville, Harry permaneceu em silêncio enquanto se sentava ao meu lado. Apesar de ter levado um murro, ele me parecia bastante calmo, mas era sua mente o importante. Ela não estava nem um pouco serena como seu rosto tentava expressar e odiei o que aquilo me fez sentir.

O café da manhã escondido dos olhares maldosos e do contador fez uma boa cor voltar ao rosto de Granger e um pouco do apetite também. O mesmo se podia dizer de Longbottom, muito mais inclinado a aproveitar a paz do que se preocupar no que fazer quando ela acabasse. Potter comia da melhor forma que podia, machucado como estava, o que fez Hermione perceber suas caretas e puxar a própria varinha.

— Aqui, Harry, episkey — ela murmurou o feitiço básico de cura, que servia para ossos quebrados e pequenos cortes. Imediatamente o lábio ferido se fechou e ela soltou um sorrisinho. — Pode melhorar um pouco, agora. Devo perguntar o que aconteceu?

— É melhor não — Harry respondeu. — Obrigada, Mione.

— Está melhor, Neville? — Arisquei perguntar para o garoto que, assim como Hermione, também havia chorado até a exaustão durante a noite. Ele se remexeu no banco da mesa onde havíamos sentado, nosso café da manhã particular servido com todo carinho pelos elfos, e me olhou com seus olhos escuros, de um tom castanho meigo.

— Tudo fica melhor com os amigos — havia um sorriso verdadeiro ali. — Eu precisava disso ou ficaria pensando na cara da professora McGonagall para sempre.

— Eu acho que nunca vou esquecer— o semblante de Mione desmoronou um pouco. — Foi horrível, eu mal conseguia levantar a cabeça de tanta vergonha. Ela ficou tão decepcionada...

— Bobagem — interrompi antes que ela se afundasse em auto depreciação de novo. Foi trabalhoso tira-la de lá.— Sabem como Minerva é, toda fissurada pelas regras e pela ordem, é claro que ela não iria ficar feliz. Nem como professora, nem como diretora da casa de vocês e nem como pessoa. Mas isso não é motivo para achar que estão na lista negra dela a partir de hoje, ela já é professora de Hogwarts há décadas, se fosse de fato guardar rancor por cada aluno infrator que já passou por aqui...

— Sem falar que a própria Malorie já cumpriu detenção com ela — Harry incrementou, olhando para mim com um uma sobrancelha arqueada. Meus dedos se fecharam debaixo da mesa, os ombros tensos. Malorie, não Mal. Era isso, então? — E, mesmo assim, ela ainda gosta de você, não gosta?

— Bastante, até — minha voz estava seca, mas puxei o canto dos lábios em um sorriso para Granger. — Minerva tem aquela pose toda, mas tem um coração mole, pode apostar. Continue a ser a brilhante sabe tudo que já é e logo ela vai deixar de lado toda essa situação.

Isso fez o humor de Hermione subir mais alguns níveis, o que foi muito bom considerando o que estava por vir. Até a hora do almoço a história se espalhou (pois sempre se espalha), e descobrimos que Potter era famoso e popular o suficiente para puxar os holofotes para si, até mesmo os negativos. Era o nome dele que as pessoas tinham na boca, mesmo que soubessem que não perdeu os pontos sozinho.

Isso fez com que ele rapidamente despencasse de aluno mais popular de Hogwarts, a estrela do Quadribol, para um odiado panaca do primeiro ano. Ele experimentou o exato oposto de mim: enquanto os alunos da Lufa Lufa e Corvinal me deram os parabéns, não demoraram nada para se virar contra o menino. As poucas vezes que conseguia avistar ele de longe não era difícil perceber como as pessoas apontavam o dedo e sequer abaixavam a voz para xinga-lo. A única casa que o parabenizava era a Sonserina, tanto os mais velhos como meus colegas de ano, abriam sorrisos enormes e aplaudiam quando Potter passava "Obrigada, Potter, ficamos lhe devendo essa!".

A situação estava beirando o ridículo de tal forma que até mesmo eu passei a sentir pena do rapaz, que além de lidar com o ódio generalizado em sua direção, tinha uma mancha no rosto que não passava despercebida pelos outros (e, mesmo assim, ele insistiu em não buscar alivio em Pomfrey). Weasley, que havia sido liberado da enfermaria depois do almoço, fazia bem seu papel de amigo fiel, confortando Harry da melhor forma que podia e eu esperava que houvesse algum resultado: vergonha e arrependimento exalavam com tanta força do menino que era quase enjoativo ficar perto dele.

Infelizmente, apesar de receber a maior parte da carga, ainda sim havia um bocado destinado a Longbottom e Granger. Não eram famosos, ninguém ia atrás deles, mas Hermione permaneceu de cabeça baixa, a vergonha maior do que sua vontade de provar que ainda era hábil, e Neville tremia de tempos em tempos. Tudo isso enquanto Malfoy, que havia perdido vinte pontos, tinha um sorriso largo no rosto ao liderar os agradecimentos a Harry – a falta dele era tão pequena em comparação que ninguém lhe deu importância, e pela primeira vez na vida ele estava mais do que feliz de ter sido nublado por Potter.

A boa notícia era que o tempo não parava e os exames finais se aproximavam sem nenhuma misericórdia. Isso serviu tanto para que Granger e Harry se distraíssem da hostilidade, tanto para os hostilizadores se concentrassem em suas próprias vidas. As coisas estavam cada vez mais apertadas e ficava na sala comunal da Sonserina até altas horas da noite, acompanhada de meu pequeno grupo de estudos, repetindo modo de preparo de poções, posições de varinha, postura e entonação para Feitiços e copiando pergaminhos e pergaminhos com nomes e datas importantes, com seus respectivos resumos.

Minha amizade com Potter demorou a parecer, ao menos, levemente com o que era. Por algum motivo ele decidiu o método trouxa de cura e esperou, com paciência e dor, até que a mancha em seu rosto clareasse completamente. Se eu tivesse que adivinhar seus motivos (e digo adivinhar mesmo, fiquei longe de sua mente) eu arriscaria dizer que algo em meu discursinho e a repercussão de suas ações fez ele escolher se punir, de alguma forma. Não falamos sobre o ocorrido e eu odiava ignorar o elefante na sala. Era obvio que o garoto ainda estava magoado, seu orgulho ferido. Queria que ele gritasse, que puxasse a varinha e apontasse para minha garganta, não que se sentasse plenamente ao meu lado como se nada tivesse acontecido. Maldita nobreza Grifinória.

No fim, tive de aceitar sua forma de lidar com as coisas: Potter acertaria suas contas comigo quando lhe fosse conveniente.

Faltando uma semana para as temidas chegarem, eu e Hermione já havíamos estabelecido uma divisão de tarefas solidas. Ela ensinada a Ronald na maior parte do tempo, se dedicando a ele e sua ignorância crônica. Weasley era um bom bruxo, mas talvez o medo de não passar o fazia se atrapalhar e perder a paciência. Harry, por outro lado, estava apenas nervoso enquanto Rony entrava em desespero, o que fazia frequentemente ser eu a ajuda-lo. Não raro o encontrava na biblioteca para tirar-lhe alguma dúvida ou reforçar algum ponto nublado em sua mente.

— Você não poderia, sabe, fixar isso em mim?— Ele perguntou um dia, bem baixinho para Madame Pince não nos expulsar. — Usar seus poderes para gravar a informação na minha mente de alguma forma.

— Não sei se isso é possível, Potter — minhas sobrancelhas se franziram ao abaixar minha pena. A distração era bem-vinda, sentia minhas juntas doerem. — Consigo invadir a mente de alguém e dizer algo no momento, mas gravar uma informação...

— Eu sei, é loucura— um sorriso sincero repuxou seus lábios. — Mas seria interessante.

— E quem disse eu o faria em você, mesmo se pudesse?

— Você não deixaria de ajudar um amigo, Mal— uma sobrancelha sua se levantou, os olhos verdes faiscando. — Deixaria?

— Não me teste, Potter.

Minha resposta fez com que ele risse, o que resultou em uma bibliotecária se materializando ao nosso lado de cara muito feia. Fomos enxotados e convidados a voltar apenas quando descobríssemos como nos comportar em um ambiente sagrado de silencio e estudo, se bem que eu acho que ela não queria que voltássemos nunca. De qualquer forma, estávamos com as mãos doendo o bastante para aceitar a ordem de cabeça baixa, recolhendo pergaminhos, tinteiros e penas antes de sair da biblioteca.

Harry me contava, de forma baixa e vergonhosa, como havia chegado até mesmo a pedir demissão do time de Quadribol com toda a confusão que se meteu, e lhe chamei de idiota por isso. Como iria recuperar os pontos se não colocasse a Grifinória novamente no topo ao vencer os jogos? Isso fez o menino dar um sorriso bonito, sincero e puro como apenas ele conseguia, antes de ajeitar os óculos.

— Wood disse a mesma coisa.

— Wood é um fanático que beira o perigoso, mas pelo menos...

Parei de falar e ele parou de ouvir, ao menos, parou de me ouvir. Um barulhinho havia chamado nossa atenção, algo como gasnar e soluços. Choro. Um choramingar, na verdade, pois a pessoa tentava em vão se fazer de abafado. Nossa audição nos guiou até uma sala de aula alguns passos à frente, apenas para sentirmos o estomago embrulhar ao ouvirmos Quirrell outra vez.

— Não... não... outra vez não, por favor...

Aquilo era claramente um pedido de misericórdia, mas para quem? Apertei mais minha orelha contra a madeira da porta, buscando ouvir qualquer sinal de outro ser humano ali dentro. Uma segunda respiração, uma voz, uma risada, qualquer coisa. Mas apenas ouvia o choro do professor e sua voz sem qualquer traço de gagueira.

— Está bem... está bem... — Quirrel soluçou uma ultima vez. Agarrei Potter pelo pulso e o tirei do caminho no mesmo segundo em que o homem disparava para fora da sala de aula vazia, tão pálido e patético como sempre, ajeitando seu turbante ridículo. Sequer deve ter reparado em dois alunos ao lado da porta, tamanho era seu estado confuso e quase histérico, mas o olhei com bastante atenção enquanto desaparecia de vista, sua voz limpa demais, sem guagueira demais...

— A porta está aberta— Harry murmurou ao se soltar de mim e entrar na sala. De fato, havia uma porta entreaberta na outra extremidade, o que alimentava a ideia de que, quem quer que fosse, havia saído por ali. Não precisava olhar para Potter para imaginar que sua mente colocava Severo em toda aquela cena, e segurei na gola de sua capa quando vi que o garoto andava em direção à porta.

— Você não prometeu ficar longe de confusão e se concentrar em cuidar da sua vida, Harry?

— Prometi — havia um tom claramente contrariado na forma como disse isso, e quase estendi a mão para alisar suas sobrancelhas franzidas. Quase. — Tem razão. Vamos, temos que avisar a Rony e Hermione.

Não via como isso era "cuidar da própria vida", mas segui o garoto em direção aos jardins do castelo, onde Weasley tentava guardar cada palavra de Mione dentro de si, enquanto ela discursava sobre os pontos de astronomia. Ele mal esperou chegar antes de colocar tudo para fora, claro, em seu ponto de vista. Não demorou a dizer que "Snape estava ameaçando Quirrell", mesmo que nunca tivéssemos visto ou ouvido o homem. Que implicância infantil e ridícula.

— Snape então conseguiu! — Rony exclamou, feliz em deixar de lado seus estudos quase totalmente infrutíferos. — Se Quirrell contou a ele como quebrar o feitiço antimagia negra...

— Mas ainda temos o Fofo — Mione lembrou, sensata como sempre.

— Talvez Snape tenha descoberto como passar pelo cachorro sem perguntar ao Rúbeo –- Weasley não se deu por vencido. — Já viu o tamanho da biblioteca? Aposto que tem um livro lá que ensine como passar por algo daquele tipo. Então, o que vamos fazer, Harry?

— Vamos procurar Dumbledore— Granger apagou o brilho aventureiro no olhar no ruivo sem qualquer piedade.— Isto é o que devíamos ter feito há séculos. Se tentarmos alguma coisa por conta própria, com certeza vamos ser expulsos.

— Mione, minha cara, levando em conta o nível do perigoso que enfrentaríamos para "tentar alguma coisa", expulsão seria o último dos nossos problemas— disparei, a derrubando de sua certeza assim como fez com Weasley. Já passava da hora dela começar a entender a gravidade da situação e em que decidimos enfiar o nariz. Não era algo para nosso bico e que, se desse errado, custaria muito mais do que uma expulsão.

— E não temos provas — Harry passou os dedos de forma nervosa pela cicatriz, coisa que fazia com frequência quando se sentia particularmente incomodado com alguma coisa.— Quirrell está apavorado demais para nos apoiar. Snape só precisa dizer que não sabe como foi que o trasgo entrou no Dia das Bruxas e que nem chegou perto do terceiro andar. Em quem vocês acham que eles vão acreditar, nele ou em nós? Não é bem segredo que nós o detestamos, Dumbledore vai pensar que inventamos isso para ele ser despedido. Filch não nos ajudaria nem que a vida dele dependesse disso, é muito amigo de Snape, e quanto mais alunos forem expulsos, tanto melhor, é o que ele pensa. E não se esqueçam, nós nem devíamos saber da Pedra nem de Fofo. O que vai exigir muita explicação.

— Muito bem colocado, Potter — flexionei meus dedos, sentindo a textura do couro de dragão de segunda com que fiz minhas luvas. — Mas Alvo estaria errado? Isso me parece perseguição contra o homem.

— Você estava lá — retrucou, fechando a cara. — Você ouviu...

— Ouvi Quirrell chorando e ouvi ele implorar compaixão, mas não ouvi nenhuma outra voz ou vimos qualquer outra pessoa. Nenhum de nós, aliás. Você apenas supôs que é Snape o grande vilão porque o detesta e, por o detestar, acha que ele se encaixa com muita facilidade no papel de traidor.

— Não o defenda, Mal — Hermione franziu as sobrancelhas. — Ou esqueceu que Snape tentou matar Harry no jogo de Quadribol?

— Não esqueci — resmunguei, sem vontade nenhuma de compartilhar com aquelas mentes fechadas algo que elas desprezariam de qualquer forma: o modo sincero e bruto como o homem havia dito que nunca faria mal a Harry. — Só estou dizendo que algo está muito errado nessa história, e acho que vocês estão tão concentrados no vilão que acham que já encontraram que sequer estão prestando atenção para outras possibilidades.

— E que outras possibilidades?— Uma sobrancelha vermelha de Ronald se arqueou, a voz impaciente do turrão que era.

— Quirrell — retruquei. — Não confio nele, Weasley, não confio mesmo. Reparou que ele não estava gaguejando, Potter? Apesar do choro, tinha uma dicção muito boa, ou não ouviu isso?

— Ouvi — a pose certeira do garoto terminou um pouco. — Ouvi, mas mesmo assim... ele pode não ser gago o tempo inteiro, não é? Ele pode falar uma ou duas frases sem gaguejar, não pode? Não deve ser sempre.

— E o que isso teria de importante? — Rony me olhava através de seu nariz cumprido, pensando coisas grosseiras sobre "uma cobra defendendo outra". Travei o maxilar, controlando o impulso de encher seu estomago de grama.

— A importância estaria Quirrell, talvez, estar fingindo ser quem não é — sibilei, agora sem mais paciência alguma. — Alguém que esconde a própria voz pode esconder outras coisas, também.

— De qualquer jeito — Weasley encolheu os ombros, nada convencido da minha tentativa de fazê-los enxergar outro suspeito. — Se déssemos apenas uma espiadinha, para ter certeza...

— Não — Potter, por outro lado, havia recuado o suficiente para se sentar, o rosto decidido. — Já demos muitas espiadinhas.

E puxou um mapa de Júpiter para perto, se concentrando em suas luas. Não fiquei com eles, pois ainda não confiava em minhas mãos perto do rosto sardento de Weasley. O garoto era tão obtuso e preconceituoso quanto Malfoy, se agarrando a estigmas e crenças populares antes de pensar com a própria cabeça. Claro que para ele, eu era da Sonserina, no final das contas. Mas quem liga? Tinha coisas mais importantes para fazer.

Minhas pernas me levaram até o terceiro andar, a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, e entrei sem bater. A sala estava tão escura e abafada como sempre, aquele cheiro de alho passando os limites de qualquer convite para sentir fome, se tornando enjoativo. Olhei ao redor, pelas mesas espalhadas até a escada que levava ao escritório do homem, mas não cheguei a ir até lá. Lagrum ficaria orgulhoso pela forma que me virei e dei de cara com Quirrell, perto demais de mim, o rosto branco e duro demais. Acho que ele se assustou quando não conseguiu chegar perto de mim e deu alguns passos para trás, o rosto se transformando em placidez e medo, como sempre, mas ali também...

— Boa tarde, professor — cumprimentei na voz mais suave que consegui. Não confiava nele, não confiava nem um pouco. O olhar concentrado que costumava me lançar durante as aulas estava ali, ao mesmo tempo que desfocado. Era como se estivesse se esforçando para se concentrar em mim e em alguma outra coisa. — Eu queria tirar uma dúvida sobre a matéria, se não estiver incomodando.

— Logo você, senhorita Lewis? — Sua gagueira voltou com toda a força que não existia enquanto estava choramingando na sala avulsa. — É uma aluna tão dedicada, tão talentosa... nunca tirou menos que um ótimo, pelo menos na minha matéria...

— E em toda as outras, também — refutei, deixando um pequeno sorriso aparecer no meu rosto. — Mas acredito que uma pequena esclarecida com alguém formado na matéria não seja desprezável. Podemos?

Indiquei sua mesa na frente da sala e andei na sua frente, deliberadamente o guiando em seu próprio território. Quirrell me seguiu e, quando me sentei na cadeira em frente a sua mesa, observei seu rosto torturado e a forma com que apertava as mãos de nervosismo, os lábios tremendo. Ou ainda estava sob o efeito do que quer havia o ameaçado ou eu era mais intimidante do que imaginava. E considerar que faria um homem adulto se sentir ameaçado era demais até mesmo para minha arrogância.

— E qual seria sua dúvida, senhorita Lewis?

Consegui enrolar ele bem, fazendo-o se arrastar em uma narrativa torturante naquela gagueira sobre kappas e pogrebins, até decidir que meus ouvidos já haviam sido maltratados o suficiente. Bati com meus dedos na madeira da mesa, chamando sua atenção e fazendo-o parar de falar, então arqueei uma sobrancelha.

— Desculpe, professor, mas queria perguntar algo pessoal, se não for muita intromissão — vi os lábios deles se apertarem, mas não esperei resposta. — Só queria saber... o senhor sempre foi gago?

Quirrell não respondeu na hora. Na verdade, como se algum botão houvesse sido apertado, os olhos castanhos do homem ficarão tão escuros que quase me lembravam de Severo. Seus lábios pararam de tremer e suas mãos ficaram firmes uma na outra, parando de se contorcer. Sem perceber muito bem o que fazia, levou uma das mãos até o turbante, o tocando com a ponta dos dedos, um olhar perdido.

— Não, senhorita, nem sempre — e, como prova, não gaguejou ao falar essa frase. Sua voz mudava muito quando não se picotava, ganhando um tom mais grave, mais forte, mesmo que baixo, agora. Eu me lembrava dessa voz e fiz força para manter meus ombros relaxados. Traidor. — Aconteceu depois de uma viagem minha logo depois de me formar em Hogwarts, eu...

— Aprendeu a invocar trasgos lá? — Ronronei, sentindo prazer em sua expressão horrorizada. O homem inteiro se encolheu e fungou como se alguém houvesse o batido com violência, as mãos indo até a cabeça e segurando o turbante com tanta força que seus dedos ficaram brancos. Senti minha própria mente doer, meu sangue correndo rápido pela ameaça no ar. Não minha, não dele, mas de alguém. Era como se estivesse outra pessoa ali conosco, uma pessoa cansada de esconder a própria presença – uma particularmente medonha.

— Eu... eu não sei do que está falando, senhorita Lewis — como magica, sua gagueira havia voltado. — Acho que é melhor a senhorita ir e parar de ter ideias absurdas, sim?

— Absurdas... — repeti a palavra devagar, saboreando o sabor enquanto me levantava. — Tem razão, Quirrell, é absurdo demais.

Ele não respondeu, mas não queria que fizesse. Ajeitei minha mochila no ombro e olhei para seu rosto uma última vez, aqueles olhos fundos e a flacidez doentia de sua pele. Não confie, era o que meu instinto me mandava fazer e ele havia me deixado viva até agora. Foi o mesmo instinto que não me permitiu dar as costas para Quirrell enquanto saia de sua sala, me dando mais uma confirmação de que eu estava certa: ele, tampouco, ousou piscar até eu fechar a porta outra vez.

Com o coração ainda batendo rápido e a sensação de estar sendo invadida correndo por baixo de minha pele, fiz minhas pernas irem até as masmorras. Snape acreditaria em mim? Eu só podia esperar que sim, afinal, eu podia mostrar que era verdade. Diferente da prepotência que mostrei com o falso gago, realmente bati na porta da sala de poções, ruminando minha impaciência. Ele estava lá dentro, podia sentir suas emoções e seus pensamentos mais rasos, como a irritação de quem quer o tivesse interrompido. Então, por algum motivo, abriu a porta com um aceno de varinha quando me reconheceu.

— É bom que seja um excelente motivo, Lewis –- resmungou sem olhar para mim, muito concentrado na poção que fazia em sua mesa. Poção do Morto Vivo, reconheci. Dificílima e perigosa, não era uma boa ideia se distrair. Mesmo assim, pela minha demora em entrar na sala, obriguei Severo a levantar o olhar, uma sobrancelha escura arqueada. — O que foi? De repente foi apresentada ao decoro?

— Eu sei sobre a Pedra Filosofal — interrompi seu sarcasmo no meio do caminho, uma parte de mim rindo pela expressão confusa e quase insultada de seu rosto antes de ser puxada em sua direção pela varinha. O gancho magico teria me feito cair se eu não tivesse pés rápidos e me equilibrasse outra vez enquanto ouvia a porta se fechar. — Não só eu, mas Potter, Weasley e Granger também. Sabemos que alguém quer rouba-la. Na verdade, eles têm certeza que é você.

Muitas emoções atravessaram a mente do professor, mais raro ainda, atravessaram seu rosto. Raiva, indignação, surpresa, até um pouco de admiração muito, muito hesitante por quatro crianças do primeiro ano terem descobertos segredos guardados à sete chaves (ou três cabeças). A boca de Severo se contorceu tanto que achei que nunca mais iria se separar, mas o fez, a voz mais seca do que o normal.

— E você não concorda seus amiguinhos?

— Não — respondi, franzindo as sobrancelhas. — Você é mal-humorado, sem nenhuma imparcialidade, rude, um pé no saco e canalha na maioria das vezes. Mas foi sincero quando disse que nunca machucaria o Harry e não faz sentido você arriscar tudo por uma promessa de dinheiro e vida eterna, até porque você parece odiar bastante o fato de estar vivo.

— Preste atenção, fedelha — seus olhos faiscaram e eu não sabia se havia ou não ignorado tudo que eu disse. — Não sei como vocês quatro, enxeridos, ficaram sabendo de coisas desse tipo, mas não é assunto para crianças, então seria melhor gastar sua energia com coisas mais proveitosas, como estudar para as provas finais.

Foi minha vez de ignorar e observei uma veia latejar em sua testa. Essa era toda a confirmação que eu precisava, mas ainda queria ouvir. Infelizmente, Severo não estava nada disposto a dividir suas informações comigo, até mesmo sua mente superficial estava fechada.

— Fique longe dessa história, garota atrevida — suas palavras vieram pausadas, lentas, como se ditas para uma criança muito burro ou muito malcriada. Revirei os olhos para ele, arqueando uma sobrancelha enquanto desenhava um sorriso nos lábios.

— Sinto muito, Capitão Gancho, não vai acontecer.

Notas finais
Então, gostaram? ♥ Deixem nos comentários, adoro falar com vocês ♥ ♥ LEMBRANDO que eu estou respondendo os comentários do cap 25 ♥ Malfeito, feito! ♥