Corona

32 Derrota de Quem Vê


Notas iniciais
Hey nenês ♥ E aqui estamos nós ♥ Eu pedi mais cinco comentários, você me deram trinta e nove. TRINTA E NOVE. Com isso, vocês ganharam o direito de uma atualização dupla e, sabemos, não é qualquer atualização dupla. Esse é o último dia de postagem de CORONA I. Os dois últimos capítulos serão postados hoje e, depois disso, haverá apenas mais dois. Vocês irão saber quais quando for a hora. Não esqueçam de comentar nos DOIS capítulos - eles são a finalização dessa história e gostaria muito de saber o que acharam de cada parte ♥ DE NOVO eu tô respondendo os comentários, sim? Os comentários do cap 31 vão ser respondidos todos ♥ Obrigada a Princess Rapunzel Sunny Spring, Luiza Avelino, Caique Morningstar, Ella Branco (Bella ♥), NathyMarinho, Liyith, Amanda Pêra e Lily Salvaterre pelos comentarios lindos, perfeitos, pedaços do céu, maravilhosos e perfeitos² ♥ O cap é pra vocês ♥ Sem mais delongas, juro solenemente não fazer nada de bom ♥

Dumbledore chegou tão rápido que quase achei que estava esperando do lado de fora. Snape havia ido chama-lo já que, aparentemente, o diretor de Hogwarts estava preocupadíssimo com minha recuperação. Justo, considerando que foi ele quem me jogou no meio de toda confusão. Pomfrey estava em cima de mim, certificando de que eu estava realmente viva e acordada. Acho que ninguém estava mais aliviada que ela, afinal, se eu ficasse mais um dia sequer em coma teria que ser encaminhada para o St. Mungus, o hospital bruxo mais famoso da Inglaterra.

— Ah, Mal, bom dia! — O rosto sorridente de Alvo apareceu na porta e, logo em seguida, seu corpo esguio. O velho parecia genuíno em sua alegria e alivio, o que me fez relaxar um pouco. — Poderia me dar uns minutos com ela, Papoula?

— Está bem — como todos, a mulher sabia que os pedidos do velho quase nunca eram realmente pedidos. — Mas rápido. Ela acabou de acordar de um trauma e precisa de descanso.

Observei a mulher recuar até sua sala enquanto o homem avançava até mim. Ele se sentou na cama ao lado, virado para mim, ainda sorrindo e com os óculos meio caídos no nariz torto. Seu olhar caiu sobre meu criado mudo, lotado do que pareciam ser doces e presentes caros, seu sorriso se alargando.

— Preocupou bastante gente, Mal — esclareceu brandamente. — Assim como disse ao senhor Potter, aquilo que aconteceu nas masmorras entre vocês e Quirrell foi oficializado como um segredo absoluto. Então, logico, não há alguém nesse castelo que não saiba. A srta. Granger vinha visita-la bastante, assim como o sr. Weasley, todos eles, e o sr. Longbottom. Igualmente a srta. Parkinson, Hopkins e Greengrass. Creio ter ouvido Papoula expulsar o sr. Zabini várias vezes, então ele era obrigado a sair e deixar o sr. Malfoy sozinho em sua visita.

— Harry — lembrei, mesmo que um sorriso teimoso estivesse nos meus lábios. — Quando ele acordou?

— Ontem mesmo — seus olhos cintilaram. — Essa enfermaria andou tão cheia e movimentada que Madame Pomfrey estava um pouco histérica. Pensou que com menos um o fluxo diminuiria, mas ele apenas se juntou aos outros. Foi muita sorte não ter acordado com um deles por aqui.

— De todos os rostos para me receber, acabei com o narigudo — debochei, mas nem todo deboche do mundo era capaz de esconder meu coração leve. Queria vê-los. Todos eles. E matar quem me comprou qualquer coisa estupidamente cara. — Mas antes de me emocionar, pode explicar o que aconteceu lá embaixo?

— Gostaria muito de fazer isso, se eu mesmo tivesse uma resposta certa. Tive um palpite naquela noite e o segui. Estava certo, apesar das consequências terem fugido um pouco do controle.

— Não se intimide — gracejei, arrancando mais um sorriso do diretor.

— Deve conhecer a história de Harry, não? Por certas razões bastante peculiares, eu tinha certa ideia do que iria encontrar lá embaixo. O confronto entre Voldemort e ele, intermediado pelo professor Quirrell, iria ser mais que debilitante para sua alma, mente e corpo — Dumbledore parou por um segundo, me olhando por cima dos óculos, e continuou — Harry, protegido pelas ações da noite em que perdeu os pais, possui uma barreira de magia antiga nele que alguém tão mesquinho e guiado pelo ódio, dividindo o corpo com o próprio Voldemort, foi incapaz de encostá-lo. Quando chegamos, Harry havia se dado conta disso e estava tentando com o máximo de esforço incapacitar o professor.

— E onde eu entro na história?

— Uma excelente pergunta — seus olhos brilharam daquele jeito poderoso e particularmente sábio. — Eu tinha ideia de que Harry incapacitaria Quirrell, mas talvez fosse necessário alguém para desconcentrar o próprio Voldemort. Assim que ele lhe viu, se desconcentrou o suficiente para que eu tirasse o antigo professor de cima de Harry. Essa é uma explicação boa para você?

— O que?! Não! — Quase gaguejei, inconformada. — Você não explicou nada! Por que minha presença distrairia Voldemort? Ele invadiu minha mente, eu senti! Tive que coloca-lo para fora, mas não antes de... — me calei, idiota, tinha falado demais. O diretor não sabia dos acontecimentos da minha parte, pois não foi nada visual. Sob o escrutínio de seus olhos, continuei quase de má vontade. — Ele me fez lembrar de algumas coisas, e falou na língua...

— Das cobras, sim, e você compreendeu — sua voz estava tão baixa e calma como sempre. — Eu arriscava que Lorde Voldemort se concentraria instantemente em você, Mal, mas não tinha ideia de que ele ainda teria forças para tal invasão. Deve se orgulhar, muitos bruxos mais velhos e mais experientes sucumbiram a uma invasão feita por ele, e quase nenhum conseguiu expulsá-lo. O professor Snape ficará feliz em saber que suas aulas não foram em vão.

— Desde quando sabe que falo a língua delas? — Resmunguei devagar, observando seu rosto velho se abrindo em outro sorriso.

— Não sabia, era um outro palpite — piscou um olho para mim. — Ofidioglota é o nome que se dá a quem tem a habilidade de falar a língua das cobras. Não tinha certeza quanto a você, mas Voldemort foi o último Ofidioglota conhecido, além de um legilimênte natural muito poderoso, um dos maiores. Agora, Mal, quanto suas outras perguntas, eu tenho sim certos palpites que poderiam as responder. As similaridades entre você e ele, físicas e mágicas, sei que notou, e a razão da sua importância para Voldemort. Mas a verdade é algo cruel e engraçado. Posso te contar tudo, mas está pronta para arcar com o preço do conhecimento?

Grudei meus lábios e fiquei em silêncio. Estava? Eu sabia que não. Por mais que eu soubesse que precisava saber, não queria. Minha própria inteligência berrava que eu não iria gostar nada do que viria. Não queria me equilibrar sobre nova realidade nenhuma, não queria me adaptar ou tentar entender. Não agora. Alguns segredos devem permanecer como estão, então balancei a cabeça de um lado para o outro, me afastando daquela sombra que iria sim desabar sobre mim em algum momento. Mas não hoje.

Quando Dumbledore sorriu e me desejou melhoras, observei enquanto ele saia, meu coração batendo com força o suficiente para ele ouvir de seu lugar quase à porta. Estava cansada, de novo. Pomfrey me daria algo para apagar outra vez, mas ainda tinha uma coisa bastante entalada na minha garganta.

— Professor? — Chamei, fazendo-o se virar para mim. — Ele disse... Voldemort disse que o sangue sempre retorna a origem. O que isso significa?

— Que Voldemort não é capaz de compreender sobre a real profundidade do que diz, e se não compreende, suas falácias devem ser apenas dignas de pena — e então sorriu como se não estivéssemos falando do pior bruxo das trevas que já existiu. — Tenha um bom dia, Mal, torço para que Pomfrey lhe deixe comparecer ao banquete de despedida amanhã.

Falando nela, não estava errada ao imaginar que enfiaria uma poção na minha boca para dormir, ainda reclamando sobre a demora do diretor comigo. Uma parte de mim ficou curiosa para descobrir o quanto ela ficaria frustrada se descobrisse que só deu meio certo. Meu corpo desligou como ela queria, mas minha mente foi resgatada antes de cair no escuro. Não era uma lembrança, era apenas uma troca de consciência e eu sabia para onde estava indo – para onde queria ir desde que abri os olhos.

A mente de Lagrum era um lugar muito parecido com o meu. Um pouco escuro, cheio de curvas e com um centro onde as coisas realmente importantes se guardavam. O terreno imaterial se transformou em um mais familiar e eu estava sentada no galho da árvore de Lagrum, com ele mesmo enrolado nela, a cabeça na minha frente e o sangue gelado como a cobra que era.

Nada a declarar?

— Me chamou até aqui para dar sermão? — Devolvi com acidez. — Estou viva, não estou?

Não foi por falta de tentativa. Suas presas apareceram, irritadas. Não sabe o quanto quis entrar naquele lugar, arrancar a cabeça de quem lhe fez mal...

— Que bom então que você é uma cobra e não qualquer outra criatura burra e impulsiva — cortei. — Eu estava com Dumbledore, ia ficar bem.

Foi Dumbledore quem te levou para lá!

— Por isso mesmo, nada bom se ainda por cima morresse — devolvi. Lagrum sibilou outra vez, impaciente e desgostoso, mas não falou mais nada. Não havia sido para isso que havia me chamado, sempre soube que eu estava bem e fora de perigo. — Você ficou cantando.

Achei que poderia te ajudar a melhorar. Uma pausa e então ele deslizou sobre mim, se enrolando em meu tronco. Não imaginava que seria uma espécie de trilha sonora.

— Também não — respondi com minha voz tão, tão malditamente fraca. Depois do corpo e da mente, ela era a única que ainda não havia quebrado. Ainda. Lagrum me apertou um pouco mais e eu senti meus ombros tremerem, mas seria justo? Tanto tempo, tantas situações... e a ultima vez que eu havia chorado foi quando recebi a carta de Hogwarts. Mas daquela vez havia sido de alegria, de uma felicidade tão grande que não coube no peito e foi para os olhos.

Eu não me lembrava da última vez que tinha chorado por algo negativo – vergonha, culpa, remorso, dor, medo. Fiz uma promessa de nunca dar esse gosto a Greta, e quando ela se foi, eu já estava resistente demais para chorar por qualquer coisinha. O sentimento de falha e de desapontamento segurou o embargo na minha garganta, chorar seria pior. Eu conseguiria mais essa, passaria por mais esse Inferno.

Se não enjoou da música...

— Nunca — sussurrei, meus olhos fechados. — Por favor.

Lagrum me acomodou entre suas dobras, sua voz soando em minha cabeça. Um silvo grosso, gelado, mas eu ouvia a voz por trás. Ele até que cantava bem, mas essa não era a questão. Para essa música, a letra era muito mais importante do que a voz por trás. E eu não me cansaria dela, nem se a ouvisse mil vezes – o que acho que já fiz.

Silva, Silva...

Os últimos versos não rimavam, mas não precisavam rimar. Era um final tão bruto e desarmonioso como tinha que ser, como a ideia de alguém devorar algo seu deve aparentar. Lagrum nunca me disse onde havia aprendido aquela música, talvez nem ele saiba. Saiu e depois voltou, poucos dias depois de nos conhecermos, e tinha ela na ponta da língua bifurcada. Ele nunca explicou e eu nunca insisti. Haviam coisas na vida que devem ficar enterradas, e a origem da minha canção de ninar era uma delas.

— Acha que morreu?

— Cale a maldita boca, Parkinson, ela não morreu!

— E se for pior? Se tiver ficado doida?

Quem trouxe ela?!

— Conhecendo-a, ninguém, mas ela veio mesmo assim — resmunguei antes de abrir os olhos. Tive sorte dessa vez, acordei em pleno horário de visitas e, dessa vez, estava com os sonserinos. Daphne e Pansy discutiam sobre minha recuperação, enquanto Sue e Blás estavam mais perto da minha cama. Minha surpresa foi ver Draco Malfoy ali, mais afastado, mas com os olhos bem presos em mim, muito claros e muito vivos. Não tive tempo de ler o que sua expressão significava, fui pega em um abraço grupal não requisitado. — Greengrass! Isso foi ideia sua!

— Não obriguei ninguém a te apertar, Mal — ela riu. — Até porque Blás parece gostar muito para precisar ser obrigado.

— Um homem deve amar sua noiva, não é mesmo, amor? — Zabini se sentou ao meu lado, os braços ainda passados à minha volta, e eu ri dele enquanto Draco vinha imediatamente para mais perto da cama, a cara fechada e os braços cruzados.

— Solte-a, Blásio, ou quer que Pomfrey nos expulse? — O pequeno lorde chiou, os olhos se tornando gelados.

— É verdade, é verdade — o garoto negro soltou um suspiro e tirou seus braços da minha cintura, mas não se afastou da cama. Enquanto Draco rangia os dentes, Blás me olhou com seu sorriso lindo. — Ela é um pouco exagerada, não é?

— Precavida, talvez — brinquei, me sentando melhor na cama. — Chega disso. Quais de vocês me deu aquilo?

Eu apontava para a caixa grande ao lado do criado mudo, de aparência ostensiva de tão cara. Olhei nos rostos de cada um, fincando em Daphne, mas ela deu de ombros com um sorriso muito parecido com o de Pansy.

— Não olhe para mim, Mal, aquela cobra cobre presentes até seu trigésimo aniversário.

— Então quem...?

— Estou profundamente magoado, minha paixão — Blás riu perto de mim, mostrando que não estava coisa nenhuma. — Eu te disse que te daria um presente.

— E abra logo — Pansy ordenou ao fazer a caixa flutuar até meu colo.

— Estamos todos curiosos — Sue concordou, os olhos brilhantes me fazendo rir outra vez. Segurei a caixa com as duas mãos, balançando-a de leve, com medo de quebrar algo ali. Tinha certo peso, ainda não fazia ideia do que era, então a abri. O gritinho que soltei fez Lagrum, em algum lugar da floresta, regurgitar a comida de tão agudo enquanto minhas mãos ansiosas mergulhavam lá dentro, tirando o embrulho dos papeis de seda.

— Não são as estrelas do céu, mas acho que serve — Zabini cantou ao meu lado, me fazendo querer beija-lo enquanto tirava a câmera de dentro da caixa. Estava novinha, lentes, poções e rolos de filme, tudo completo.

— Blás, seu louco, eu imaginava alguma lembrança do povoado, não isso! — Sorria enquanto colocava os rolos necessários na câmera, sabia que a poção vinha apenas depois, na hora de revelar.

— Eu disse que ela tinha ficado doida — Parkinson gracejou. — Realmente achou, pessoal, que ia receber uma lembrancinha pobretona de algum de nós.

— De você, talvez, Pansy — alfinetei de volta, ganhando suas bochechas coradas de volta. — Uma pergunta, como souberam que eu estava aqui?

— Snape — Sue respondeu. — Veio falar com a gente no café da manhã. Disse que você tinha passados por dificuldades e estava na ala hospitalar, depois não deu mais detalhes.

— Enquanto andávamos para cá as fofocas já começaram. Devem ter saído daquele Weasley. Ele não fez cerimonia em contar o que aconteceu lá embaixo para os irmãos, que não fizeram cerimonia em repassar para toda Grifinória e assim por diante — Daphne desenrolou o assunto. — Não se fala de outra coisa na escola inteira. Quando Potter acordou, passaram a falar ainda mais. Diziam que você ia ter que ser levada para o St. Mungus.

— Foi quase, Greengrass — resmunguei, meus dedos passando pela câmera nova, meus olhos correndo pelo cobertor. — A escola está falando o que, exatamente?

— Que você passou tanto tempo com os Grifinórios que contraiu a síndrome do herói deles — Malfoy falou, chamando minha atenção de fato. Tinha as mãos nos bolsos das vestes e os olhos gelados. Estava com raiva por eu ter sido tão irresponsável. Por ter me arriscado dessa forma. O ódio maior era feito ele ficar preocupado.

— Não necessariamente nessas palavras — Blás interrompeu, franzindo a testa para Draco. — Dizem que Quirrell era um bruxo das trevas que estava tentando roubar a escola e você mais aqueles três foram impedir, e Quirrell morreu depois de enfrentar Potter, não roubou nada.

— É verdade tudo isso, Mal? — Greengrass perguntou devagar, os olhos claros me estudando quase com cautela. — Foi o que Weasley e Granger disseram, e Potter também. Mas eles não são um dos nossos.

Apertei os lábios em uma linha bastante fina, ora, era tão verdade quanto poderia ser. Como a maioria dos boatos, a história tinha partes gigantescas em falta. Nada de dar nome ao possível roubo ou dizer quem, de fato, estava atrás dele. Se o nome de Voldemort fosse popularmente associado a todo drama, será que todos estariam tão extasiados assim? Tão excitados e ávidos pela aventura? Não. Estariam com medo. Medo pelo Lorde das Trevas ter chegado tão perto de se reerguer outra vez, de ter uma nova chance de destruir o mundo bruxo como conhecíamos e o reconstruir de acordo com sua mente doentia e cruel.

E escura.

Eu sabia dessa parte.

— Sim, é sim.

Isso não ajudou a acalmar os ânimos, mas obriguei que sim. Eles apenas queriam confirmações de tudo que tinham ouvido até então. Ronald Weasley venceu um jogo de xadrez da McGonagall? Hermione Granger passou pela prova de logica de Snape? Harry de fato duelou contra um bruxo das trevas adulto e venceu? Sim, sim e sim. Sequer me dei ao trabalho de corrigir a última parte. Mesmo que Potter tenha desmaiado e quem terminou o serviço foi Dumbledore, ele merecia créditos por ter ficado vivo até o adulto chegar.

Quando Pomfrey apareceu para expulsá-los dali uma boa parte do meu estoque de doces tinha acabado e pedi para que ela inaugurasse minha câmera, tirando uma foto de todos nós. Malfoy fechou a cara mais ainda, mas seus braços não venciam dos de Zabini e ele se contentou a ficar parado ao lado da minha cama, tão sério como se fosse algum retrato oficial de família. A ideia me fez sorrir enquanto eles saiam e Papoula se debruçava sobre mim, olhei para ela.

— Poppy, posso ir para o banquete de despedida?

— Você vai fugir da enfermaria se eu disser que não — não foi uma pergunta e isso me fez rir alto ao mesmo tempo que batiam na porta. A curandeira olhou para ela e então para mim, sua coluna se alongando ainda mais. — Sem mais visitas.

— Justo — concordei com um pequeno sorriso. Reconheci os protestos dos leões, mas não falei ou me mexi para me juntar a eles. Não por falta de vontade, mas por honrar meus acordos. Permaneci em um repouso inabalável durante o dia inteiro, como madame Pomfrey exigiu, e cheguei até mesmo a cochilar em certos momentos. Quando acontecia, Lagrum estava sempre lá para tirar com minha cara por qualquer coisa que seja – estava usando muito Blás para isso agora, o que era horrível, pois também acabava falando asneiras de Draco e Potter e me fazia querer arrancar seu couro para fazer botas.

De noite, já em cima da hora para o banquete, Papoula me atrasou ainda mais para uma ultima conferida. Não estava nada feliz em ter me liberado, talvez ainda quisesse me manter por ali mais uns dois dias, só por precaução. Mas eu era escorregadia e escapei pela porta na primeira oportunidade. Eu estava bem. Meu corpo recuperado e minha mente estável, eu só tinha que me concentrar em uma coisa por vez para não perder o rumo. Desci sozinha as escadas para o Grande Salão, ignorando as espichadas de pescoço dos quadros nas paredes o melhor que podia.

O Banquete de Despedidas, assim como o Banquete de Boas Vindas, era um evento oficial da escola. Dessa forma, todo o castelo estava reunido no Grande Salão – alunos, professores e fantasmas. Todos vestidos com seus uniformes ou com vestes longas e bonitas para o encerramento do ano letivo. Não era da minha intenção fazer qualquer grande entrada, mas o silêncio que engoliu todo o barulho quando cheguei e pessoas se levantavam completamente para me enxergar melhor. Imaginei se com Harry havia sido a mesma coisa e busquei seus olhos e sua mente enquanto andava até minha mesa – o alivio e felicidade genuínos dentro dele me fizeram sorrir e acenar ao me sentar entre Blás e Daphy.

— Mais um ano que passou! — Dumbledore chegou instantes depois que sentei, interrompendo a inspeção nada discreta que os alunos faziam em mim. Sua voz alegre e o sorriso largo, era fácil esquecer o bruxo poderoso que desfez os encantamentos como brincadeira de criança. — E preciso incomodar vocês com a falação asmática de um velho antes de cairmos de boca nesse delicioso banquete. E que ano tivemos! Espero que suas cabeças estejam um pouquinho menos ocas do que antes... vocês têm o verão inteiro para esvaziá-las muito bem, antes do próximo ano letivo. Agora, pelo que entendi, a taça das casas deve ser entregue e a contagem de pontos é a seguinte: em quarto lugar, Grifinória, com trezentos e doze pontos; em terceiro, Lufa-lufa, com trezentos e cinquenta e dois pontos; Corvinal, com quatrocentos e vinte e seis; e Sonserina com quatrocentos e setenta e dois pontos.

Minha mesa verde e prata irrompeu de aplausos e pés batendo, eufóricos. Não me juntei a eles. Dumbledore ainda tinha um sorriso no rosto, então sustentei seu olhar. O velho piscou para mim, sem vergonha como um menino, e continuou.

— Sim, senhores, Sonserina está de parabéns. No entanto, temos de levar em conta os recentes acontecimentos — nunca vi pessoas pararem de comemorar tão rápido. Mordi a língua para não rir. Velho safado. — Tenho alguns pontos de última hora para conferir. Vejamos. Sim... Primeiro: ao Sr. Ronald Weasley pelo melhor jogo de xadrez presenciado por Hogwarts em muitos anos, eu confiro à Grifinória cinquenta pontos.

Os rugidos dos leões balançaram as estrelas do teto encantado. Rony, que tinha o rosto mais vermelho do que havia visto até hoje, parecia meio petrificado, meio extasiado. Demorou para seus ânimos acalmarem outra vez, com até mesmo Percy Weasley gritando e batendo no peito, orgulhoso do caçula.

— Segundo: à Senhorita Hermione Granger... pelo uso de lógica inabalável diante do fogo, concedo à Grifinória cinquenta pontos.

Mione, do outro lado do salão, escondeu o rosto nos braços. Estava chorando. Não me levantei para defende-la, chorava de alegria. A casa dos leões tinha subido cem pontos, subido para o terceiro lugar, e todos urravam por isso a medida que meus colegas amarravam cada vez mais a cara, imaginando o que poderia vir pela frente.

— Terceiro: ao Sr. Harry Potter — ninguém ousou respirar nesse momento. — Pela frieza e excecional coragem, concedo a Grifinória sessenta pontos.

As portas do Inferno tinham se aberto com tanto barulho. Mas era justo: não apenas os grifinórios enlouqueciam, mas Corvinal e Lufa-lufa também. Estavam cansados que as serpentes ganhassem a taça anos após anos, e agora estávamos empatados com os leões. Eu sequer sabia como proceder nessas situações – sorteariam a taça? O velho bem podia dar mais algum ponto para eles ou para nós, não deixar as coisas ao acaso. Quando Dumbledore ergueu a mão, mostrando que não tinha acabado, o salão foi lentamente se calando.

— Existe todo tipo de coragem — o diretor disse sorrindo. — É preciso muita audácia para enfrentarmos nossos inimigos, mas igual audácia para defendermos nossos amigos. Portanto, concedo dez pontos ao Sr. Neville Longbottom.

Acho que toda a Escócia seria capaz de ouvir a explosão de sons que se originou ali. E, não se engane, mais da metade da potencia vocal vinha da mesa vermelha e dourada. Observei enquanto meus três leões pulavam em cima da mesa, se abraçando e dando vivas. Neville, pobre coitado, estava mais branco que um fantasma ao ser soterrado por alunos lhe abraçando e desejando parabéns – nunca tinha ganhado qualquer pontinho. Pela minha mesa, os rostos eram bem menos entusiasmados: Pansy parecia ter chupado limão ao encarar os grifinórios com os olhos fervendo de raiva e Malfoy tinha a boca tão aberta que um trem passaria por ali. Hopkins e Daphne tinham os ombros caídos, mostrando mais chateação do que raiva, mas Blás... alguma coisa o irritava?

— O que significa — Alvo continuou fazendo sua voz se sobressair, com esforço, do estrondo do salão. — Que precisamos fazer uma pequena mudança na decoração.

E, batendo palmas, os panos verdes no salão se tornaram vermelhos, e os prateados se tornaram dourados. A magnifica e nobre serpente da Sonserina foi substituída pelo imponente e orgulhoso leão da Grifinória. Enquanto Parkinson ainda xingava o diretor e os leões, vi Capitão Gancho apertar a mão da Profa. Minerva com um sorriso de quem tinha se cagado inteiro e espera que não fedesse.

Alguma duvida sobre a distribuição de pontos, Mal?

A voz de Dumbledore dentro da minha cabeça não me pegou de surpresa, mas foi novidade. Busquei seus olhos azuis na confusão, ainda prostrados no palanque, e sorri. Nenhum ato heroico para mim, mas era necessário que contasse? Sonserina era ganhadora a anos da taça das casas, não morreríamos por perder um ano. Eu não morreria.

De forma alguma, Gandalf.

Me levantei da mesa e fiz o que sabia melhor: ignorei os olhares de acusação que fincaram minhas costas com a força de uma chibatada. E eu sabia bem qual era. Atravessei o salão e, como se tivesse gravida própria, fui sugada quando me aproximei muito da mesa dos leões. Quando vi, estava no colo de Fred Weasley, com Mione na minha frente e Harry ao lado, gritando e comemorando demais. Preferia ficar ali do que junto aos sentimentos amargurados dos meus colegas de casa, e fiquei. Como o costume, não me arrependi nem um pouquinho.

Notas finais
Então, gostaram? ♥ Deixem nos comentários, adoro falar com vocês ♥ ♥ LEMBRANDO que eu estou respondendo os comentários do cap 31 ♥ Malfeito, feito! ♥