Coroas e destinos

2 O Conselho das Terras do Litoral



​A léguas dali, a brisa salgada e fria do oceano castigava as paredes da fortaleza de madeira e pedra de La Push. O café da manhã na corte dos Black tinha um ar consideravelmente mais rústico e vibrante. Grandes travessas de peixe defumado, pães caseiros e jarras de hidromel cobriam a mesa central.

​O antigo Rei Billy Black, agora ostentando o título de Conselheiro Ancião, permanecia sentado na cabeceira, apoiando os braços musculosos sobre a mesa. A sua frente estavam seus dois filhos gêmeos: o recém-coroado Rei Jacob Black, de ombros largos, cabelos negros e uma aura incrivelmente arrogante, e o Príncipe Taylor, de feições mais suaves, porém com o mesmo olhar atento.

​Billy bateu com a caneca de madeira na mesa, chamando a atenção dos dois rapazes que discutiam sobre o treino de espadas daquela manhã.

​— Deixem as espadas de lado por um instante — ordenou Billy, a voz grave e rouca de quem já governara por décadas. — Temos assuntos mais urgentes do que o treino no pátio.

​Jacob serviu-se de mais uma porção de carne, dando um sorriso descontraído.

​— Se for sobre a arrecadação das aldeias do sul, meu pai, já enviei os guardas. Não há com o que se preocupar.

​— Não é sobre impostos, Jacob — respondeu Billy, encarando o filho diretamente. — É sobre o seu trono. Você usou a coroa de rei, mas a sua coroa continuará instável enquanto você continuar agindo como um jovem solteiro libertino. Seus casos pela corte e suas escapadas pelo vilarejo já são assunto de fofoca entre os lordes. O povo precisa de um rei casado. E você, Taylor, precisa de uma aliança sólida para apoiar o seu irmão.

​Jacob soltou uma risada debochada, encostando-se na grande cadeira de couro.

​— As mulheres da corte parecem bastante satisfeitas com o jeito que me comporto, pai. Para que me prender a um único altar se posso ter todas à minha disposição?

​— Porque uma concubina não traz alianças militares nem estabilidade política — desferiu Billy, sem paciência para a frivolidade do filho. — Você é o Rei de La Push agora. Acabe com essa fama de galinha e aja como o monarca que prometeu ser.

​Taylor, que escutava tudo em silêncio enquanto descascava uma fruta, ergueu a cabeça.

​— E o senhor já tem em mente de onde virá essa "estabilidade", meu pai?

​— Tenho — confirmou Billy, um sorriso astuto surgindo em suas feições marcadas pelo tempo. — Troquei mensagens com a dinastia de Forks. O Rei Edward Cullen possui duas filhas gêmeas, em idade de casamento. Princesas de sangue nobre, educadas na opulência e com o respaldo de um exército poderoso.

​Jacob ergueu a sobrancelha, demonstrando o primeiro sinal de interesse genuíno.

​— As filhas do Rei Cullen? Ouvir dizer que a beleza das princesas de Forks é comentada até nos reinos do leste.

​— Não apenas beleza, mas poder — corrigiu Billy. — Enviei um mensageiro propondo uma visita formal. O Rei Edward concordou em nos receber no palácio. Vocês dois irão a Forks. Vão conhecer as princesas e selar uma união que unirá as nossas terras para sempre.

​Taylor olhou para o irmão e depois para o pai, ponderando a proposta.

​— Uma aliança com a Casa Cullen mudaria completamente as forças da região. Seria tolice recusar.

​— Exatamente — disse Billy, apontando o dedo na direção de Jacob. — Portanto, prepare suas melhores vestes e guarde sua arrogância na bainha, Jacob. Você não vai a Forks para seduzir mais uma camponesa. Vai para conquistar uma rainha.

​Jacob deu um sorriso de lado, o olhar brilhando com o desafio que se desenhava à sua frente.

​— Um convite para o palácio dos Cullen... Muito bem, meu pai. Vamos ver se as princesas de Forks correspondem à fama que têm. Pretendo escolher a mais bela para sentar-se ao meu lado.