Coroas e destinos

3 O Desembarque das Coroas



​O ar úmido e perfumado com o entrelaço de névoa e carvalho anunciava a grandiosidade de Forks. As pesadas carruagens do Reino de La Push, escoltadas por guardas com os brasões de lobo fundidos em ferro escuro, atravessaram os portões de ferro batido do palácio. Jacob Black ajeitou o pesado gibão de veludo escuro e bordados dourados, soltando um suspiro impaciente enquanto o veículo balançava. Ao seu lado, seu irmão gêmeo, Taylor, mantinha uma postura impecável, ajustando as luvas de couro macio com extrema calma.

​— Lembre-se, meu estimado rei — ironizou Taylor, com um sorriso de canto —, não estamos aqui para desafiar os guardas da corte para uma briga de taverna. Trata-se da Casa Cullen. Tente manter o seu charminho barato sob controle por ao menos cinco minutos.

​Jacob soltou uma risada grave, ajeitando o colar real sobre o peito.

​— Relaxe, Taylor. Se as histórias sobre a beleza das princesas forem metade do que dizem os bardos, garanto que serei o homem mais polido e encantador que este palácio já presenciou. Afinal, uma rainha exige um certo esforço.

​Quando as grandes portas de carvalho e bronze do Salão Nobre se abriram, o eco dos clarins anunciou a entrada dos monarcas de La Push. O salão era uma obra-prima de arquitetura: vitrais coloridos projetavam luzes suaves sobre o piso de mármore polido, enquanto o Rei Edward Cullen e a Rainha Isabella aguardavam no plano elevado do trono.

​Edward trajava uma túnica cerimonial em tom bordô com detalhes em prata, a postura régia transmitindo uma autoridade serena. Ao seu lado, Isabella irradiava elegância em um vestido de seda esmeralda, os cabelos escuros caindo em ondas perfeitas sobre os ombros.

​— Rei Jacob, Príncipe Taylor — saudou Edward, a voz firme ecoando com simpatia calculada. — Seja bem-vinda a dinastia dos Black às nossas terras. Que esta visita sele um tempo de prosperidade para os nossos povos.

​Jacob deu um passo à frente e inclinou a cabeça com uma reverência fluida, porém com o olhar altivo de um jovem monarca.

​— Agradecemos a hospitalidade, Rei Edward, Rainha Isabella — declarou Jacob, a voz profunda ressoando no salão. — As lendas sobre a grandeza de Forks não fazem justiça à opulência deste castelo. É uma honra pisar em seu domínio.

​Isabella sorriu com cordialidade, observando o porte dos dois irmãos.

​— Esperamos que se sintam em casa. A viagem desde o litoral costuma ser árdua, mas preparamos o palácio para recebê-los como merece a vossa linhagem.

​Edward fez um leve gesto com a mão para um dos guardas da guarda real posicionados junto às grandes portas laterais.

​— Guardas, chamem minhas filhas. É hora de apresentar as princesas da Casa Cullen aos nossos convidados.

​Um silêncio curioso assentou-se sobre o salão por alguns instantes. Logo, o som sutil de tecidos nobres roçando contra o mármore anunciou a chegada das irmãs gêmeas.

​Carlie foi a primeira a passar pelo portal. Vestindo um vestido lilás de mangas bufantes e bordados delicados em prata, com seus longos cabelos loiros caindo em caracóis perfeitos, ela parecia ter saído diretamente de um quadro real. Sua expressão era suave, demonstrando a perfeita etiqueta exigida de uma princesa, embora um leve rubor cobrisse suas bochechas ao notar a presença dos visitantes.

​No segundo seguinte, Renesmee cruzou o salão. O contraste não poderia ser mais evidente. Ela vestia um suntuoso traje azul-profundo, mas seu caminhar não tinha nada de submisso; os passos eram firmes, quase desafiadores. Seus volumosos cabelos acobreados emolduravam um rosto de feições marcantes, e seus olhos faiscavam com uma mistura indisfarçável de orgulho e desconfiança.

​Ao verem as jovens, os dois irmãos mudaram instantaneamente de postura.

​Taylor deu um meio passo involuntário à frente, fixando os olhos em Carlie. A graciosidade da jovem princesa parecia ter congelado o ar ao redor do príncipe de La Push. Carlie ergueu o olhar timidamente e encontrou os olhos de Taylor, retribuindo o olhar com um sorriso discreto que fez o príncipe inclinar a cabeça em uma reverência quase hipnotizada.

​— Esta é a Princesa Carlie — apresentou Edward, percebendo a reação imediata do jovem príncipe.

​— Um verdadeiro privilégio conhecê-la, Princesa Carlie — disse Taylor, a voz perdendo o tom brincalhão e assumindo uma modulação suave e genuinamente fascinada. — As histórias sobre a luz de Forks claramente se referiam à sua presença.

​— O privilégio é meu, Príncipe Taylor — respondeu Carlie com doçura, abaixando o olhar por um segundo para disfarçar o encantamento. — Espero que nossa casa lhe traga boas lembranças.

​Jacob, por sua vez, deu dois passos na direção de Renesmee, abrindo um sorriso largo e cheio de autoconfiança — o mesmo sorriso que costumava arrancar suspiros pelas tavernas e cortes do sul.

​— E esta — continuou Edward, cruzando os braços com um brilho divertido no olhar — é a Princesa Renesmee.

​— Princesa Renesmee... — Jacob curvou-se levemente, pegando a mão da jovem com uma elegância ensaiada e levando-a em direção aos lábios. — Devo confessar que a beleza da futura rainha de La Push supera qualquer expetativa que os mensageiros tentaram descrever.

​Antes que os lábios de Jacob pudessem tocar a pele de sua mão, Renesmee puxou o braço com uma rapidez seca, cruzando as mãos atrás das costas com um estalo de postura rígida.

​— Economize suas lisonjas de taverna para quem se impressiona com palavras vazias, Rei Jacob — desferiu Renesmee, a voz clara e afiada como uma lâmina. — Não sou sua "futura rainha", sou uma princesa da Casa Cullen. E garanto que minhas virtudes não estão à venda por um punhado de elogios baratos.

​Um silêncio constrangedor se instalou por um milissegundo no grande salão. Isabella levou a mão ao peito com um leve sobressalto, enquanto Edward cobriu a boca com a palma, tossindo de forma suspeita para disfarçar um sorriso de canto.

​Taylor cobriu o próprio rosto com a mão, soltando uma risadinha abafada ao ver o irmão ser sumariamente rejeitado na frente de toda a guarda real.

​Jacob congelou por um segundo, piscando surpreso com o golpe direto, mas logo o seu sorriso arrogante se transformou em um brilho de puro fascínio e desafio. Ele ergueu as sobrancelhas, ajeitando a postura.

​— Uma mulher de temperamento forte... — comentou Jacob, sustentando o olhar chispante de Renesmee sem recuar um milímetro. — Admito que prefiro as roseiras que possuem espinhos afiados. A colheita se torna muito mais interessante.

​— Cuidado ao tentar colher, Vossa Majestade — rebateu Renesmee, dando um passo à frente e encarando-o bem de perto, a voz baixa e impregnada de uma promessa perigosa. — Ladrões desavisados costumam sair com as mãos sangrando.

​— Uma ameaça vindo de uma princesa tão delicada? — provovou Jacob, dando uma risada curta e acolhedora, encarando o desafio nos olhos dela. — Terei o maior prazer em correr esse risco.

​— Chega de provocações por hoje, Renesmee — interveio Edward, avançando um passo com um tom divertido na voz, embora mantendo a autoridade. — O Rei Jacob e o Príncipe Taylor são nossos convidados de honra. Iremos servir o banquete de boas-vindas no jardim de inverno ao pôr do sol.

​— Se me dão licença — disse Renesmee, fazendo uma mesura rápida e impecavelmente formal para o pai e a mãe, ignorando completamente a presença de Jacob —, preciso me recolher para garantir que meus "espinhos" estejam bem afiados para o jantar.

​Ela se virou com imponência, a barra do vestido azul desferindo um farfalhar altivo contra o chão enquanto caminhava a passos largos para fora do salão.

​Jacob acompanhou cada movimento da jovem até que ela desaparecesse pelo grande corredor. Ele passou a mão pelo queixo, soltando um assobio baixo. Taylor se aproximou do irmão, dando um leve tapinha em seu ombro.

​— Parece que o grande sedutor de La Push acabou de encontrar o seu castigo em forma de princesa — sussurrou Taylor, sem conter o deboche.

​Jacob deu um sorriso de lado, os olhos brilhando com uma determinação renovada.

​— Pelo contrário, Taylor... Essa brincadeira acabou de ficar muito mais divertida.