Coroas e destinos
1 O Banquete dos Votivos
O sol nascia com lentidão sobre as imponentes torres de pedra do Palácio de Forks, atravessando as pesadas cortinas de veludo vermelho do salão de banquetes. A mesa monumental de carvalho escuro exibia a fartura do reino: taças de prata trabalhada com vinho temperado, pães recém-assados, frutas cristalizadas e assados perfumados com ervas da floresta.
À cabeceira, o Rei Edward Cullen mantinha uma postura impecável, trajando um gibão de cetim escuro com bordados em fio de ouro. Ao seu lado, a Rainha Isabella, radiante em um vestido de veludo azul-profundo, ajustava com delicadeza o broche com o brasão da família.
À direita do rei, a Princesa Carlie observava o prato com modéstia, enquanto, do lado oposto, sua irmã gêmea, a Princesa Renesmee, cortava uma fatia de pão com uma força desnecessária, fazendo a faca de prata ressonar contra a porcelana.
Edward ergueu a taça, tomando um curto gole antes de quebrar o silêncio que reinava na sala.
— O outono se aproxima e traz consigo o momento de consolidações — declarou a voz pausada e firme de Edward, ecoando pelas paredes de pedra. — O reino de Forks prosperou sob nossa coroa, mas as fronteiras exigem alianças sólidas. Não podemos nos dar ao luxo de ignorar os ventos que sopram do litoral.
Isabella olhou de relance para as filhas, suavizando a expressão rígida com um sorriso contido.
— Seu pai trabalhou duramente para garantir que o futuro desta casa estivesse assegurado, minhas filhas — pontuou a rainha. — E a segurança do reino repousa, agora, na continuidade de nossa linhagem.
Renesmee ergueu o olhar abruptamente, a faca ainda presa entre os dedos.
— Continuidade? — interrompeu Renesmee, o tom de voz carregado de desconfiança. — Fale sem meias palavras, meu pai. O que o senhor quer dizer com "consolidações"?
Edward não se abalou com a audácia da filha mais nova. Ele pousou o cálice e entrelaçou os dedos sobre a mesa, fixando o olhar dourado no dela.
— Digo que chegou o momento de arranjar o casamento das duas. Vocês já não são mais crianças que correm pelos jardins do palácio. São princesas da Casa Cullen. Mensageiros já foram enviados e os termos para as negociações matrimoniais foram iniciados.
Carlie abaixou o olhar, as bochechas corando levemente, embora mantivesse a postura serena. Renesmee, contudo, soltou o talher, que caiu com um estalo metálico contra a mesa.
— Casamento? — Renesmee levantou-se de golpe, fazendo a cadeira ranger contra o piso de madeira refinada. — O senhor pretende nos negociar como se fôssemos gado ou terras a serem anexadas? Sem ao menos nos consultar?
— Renesmee, controle o seu tom — repreendeu Isabella, embora a doçura na voz revelasse a preocupação materna. — Seu pai busca a paz. O reino precisa de estabilidade.
— A paz do reino não deveria ser comprada com a minha liberdade! — esbravejou a jovem princesa, os olhos faiscando de raiva. — Eu não nasci para ser um ornamento no trono de homem nenhum, seja ele um duque, um príncipe ou um rei!
— Você nasceu para servir a este reino, Renesmee! — a voz de Edward ressoou com a autoridade inquestionável de um monarca, fazendo o silêncio retornar ao salão. — O Rei de La Push aceitou o convite. O Rei Jacob Black e seu irmão gêmeo, o Príncipe Taylor, virão a este palácio. A decisão está tomada.
Renesmee encarou o pai com o peito arfando de indignação. Olhou para a irmã, buscando apoio, mas Carlie apenas mantinha os olhos fixos na mesa, resignada com o seu destino.
— Eles podem vir — disse Renesmee, a voz agora baixa, mas afiada como uma lâmina. — Mas se acham que vou me curvar docilmente a um contrato assinado por mensageiros, vocês não me conhecem.
Sem esperar pela permissão do rei, a princesa virou-se e deixou o salão de banquetes, os passos firmes ecoando pelo corredor enquanto as portas duplas se fechavam pesadamente atrás dela.
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