Coroas de Ferro e Veludo
11 Alianças de Sangue e Sedução
Enquanto Aethelgard estremecia com a revolução de Dhorwack, o Reino de Valerius sufocava em seu próprio silêncio de mármore. Nos aposentos reais, o vidro de um vaso caríssimo estilhaçou-se contra a parede, logo acima da cabeça de Richard MacKenzie.
— Você é um covarde, Richard! — gritou Catarina Lioncurt, a voz embargada por uma fúria que escondia anos de solidão. — Prefere se perder em casas de prazer a encarar a mulher que está diante de você todos os dias! Você me despreza porque sou o lembrete constante do seu dever!
Richard avançou, os olhos faiscando. Ele a imprensou contra a tapeçaria da parede, as mãos firmes nos ombros dela.
— Eu te desprezo porque você é perfeita demais, Catarina! — ele rugiu, o rosto a centímetros do dela. — Porque você é uma estátua de gelo que nunca me deixou ver o que há por baixo dessa coroa! Você me olha como se eu fosse um erro administrativo, não um homem!
— Talvez porque você nunca tenha agido como um! — ela rebateu, mas sua respiração estava falha, os lábios tremendo não apenas de raiva, mas de uma necessidade desesperada de ser notada.
O desafio pairou no ar, carregado e elétrico. A discussão, que deveria ter terminado em mais uma noite de silêncio, colapsou. Richard, em um impulso que desafiava toda a sua lógica, calou a resposta dela com um beijo. Não foi um beijo de protocolo, mas um choque de línguas e dentes, uma explosão de sentimentos reprimidos por anos de um casamento arranjado.
Catarina, em vez de recuar, agarrou os cabelos dele, puxando-o para mais perto, soltando um soluço que se transformou em um gemido de entrega. Naquele caos de fúria e desejo, a barreira de gelo derreteu. Eles se entenderam sem palavras: o ódio era apenas o avesso de um amor que nenhum dos dois tivera coragem de admitir. Entre as roupas rasgadas com urgência e a entrega absoluta sobre o tapete real, o Rei e a Rainha de Valerius finalmente deixaram de ser estranhos para se tornarem um só.
O Conselheiro e a Princesa
Longe do drama dos reis, Gaspar Heraldrick cavalgara dias até as fronteiras de Aethelgard. Ele não fora enviado por Richard; ele viera por si mesmo. Encontrou Claire MacKenzie nos jardins do castelo, observando o pôr do sol com sua habitual expressão de quem planeja derrubar um império.
— Conselheiro Gaspar? — Claire virou-se, erguendo uma sobrancelha. — Se veio me trazer mais documentos sobre rotas comerciais, aviso que pretendo usá-los para acender a lareira.
Gaspar desmontou, o cansaço da viagem evidente em seus trajes, mas o olhar fixo nela.
— Eu deixei minha pasta de documentos em Valerius, Princesa. E, para ser sincero, também deixei minha compostura em algum lugar no meio do caminho.
Claire soltou uma risada melodiosa, aproximando-se dele com passos lentos.
— Um conselheiro sem compostura é como um cavaleiro sem espada. O que pretende fazer para se defender agora?
— Não vim me defender — Gaspar disse, a voz subitamente séria, encurtando a distância entre eles. — Vim admitir que minha mente, que sempre foi meu maior orgulho, tornou-se minha maior traidora. Ela não para de repetir o som da sua risada e a maneira como você desafia o mundo com um olhar.
Claire parou, o sorriso brincando nos lábios, mas os olhos brilhando.
— Palavras bonitas, Gaspar. Para um homem que vive de números, você é um poeta perigoso. Mas o que um homem sério como você faria com uma mulher que prefere causar tempestades a viver em águas calmas?
— Eu aprenderia a navegar na tempestade — ele respondeu, segurando a mão dela e levando-a aos lábios. — Porque a calmaria, depois de conhecer você, parece apenas uma forma elegante de estar morto.
Claire puxou-o pela gola da túnica, unindo o humor MacKenzie à entrega que seu coração já pedia.
— Então seja bem-vindo ao naufrágio, Gaspar. Eu prometo que a vista será inesquecível.
E sob o céu púrpura de Aethelgard, o conselheiro calculista e a princesa indomável selaram sua própria aliança, provando que, para os MacKenzie, o amor era a conquista mais difícil e a única que realmente importava.
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