Coroas de Ferro e Veludo
12 A Trindade de Ferro e Sela
As chamas das lareiras de Aethelgard rugiam naquela noite, mas, pela primeira vez, o calor não vinha apenas da lenha queimada. No grande salão circular, a mesa que outrora servia para decretos de guerra agora sustentava o peso de uma aliança improvável. Seis cadeiras, seis destinos e três casais que haviam desafiado as convenções de seus mundos para encontrar a própria verdade.
Dhorwack ocupava a cabeceira, mas seus olhos não estavam nos documentos à sua frente, e sim em Elowen. Ela, trajando um vestido de seda esmeralda que contrastava com o diamante em seu pescoço, não parecia mais uma intrusa. Ao lado deles, Richard e Catarina compartilhavam um vinho e, mais importante, olhares que antes eram evitados. A Rainha de Valerius possuía agora uma suavidade nova em seus gestos, uma luz que só o afeto real poderia acender. E, fechando o círculo, Claire e Gaspar trocavam sussurros cúmplices, a inteligência afiada de ambos finalmente encontrando um propósito comum.
— Olhem para nós — começou Dhorwack, erguendo sua taça de prata. — Um rei que se apaixonou pela sua salvação, um irmão que encontrou sua rainha no meio de uma tempestade, e uma princesa que capturou a mente mais brilhante de Valerius. O mundo lá fora nos chama de loucos, escandalosos e perigosos.
— Eles nos chamam assim porque têm medo — interrompeu Elowen, sua voz calma e segura. — Eles têm medo de quem não pode ser comprado ou controlado pelo dever vazio. Eles sabem que, sozinhos, somos alvos. Mas juntos...
Catarina inclinou-se para a frente, a elegância Lioncurt agora aliada à força MacKenzie.
— Juntos, somos intocáveis. Richard e eu garantiremos que Valerius nunca se volte contra Aethelgard. Nossas moedas e nossos exércitos protegerão este segredo.
— E eu — Gaspar tomou a palavra, apertando a mão de Claire por baixo da mesa — me encarregarei de que as leis e a burocracia trabalhem a nosso favor. Para cada parlamentar que tentar usar o passado de Elowen contra o trono, eu encontrarei uma verdade que os fará preferir o silêncio.
Claire sorriu, aquele sorriso audacioso que era sua marca registrada.
— E se a política e o ouro falharem, eles terão que lidar comigo. Eu não deixarei que ninguém toque na felicidade que finalmente entrou nestas paredes.
O banquete seguiu entre risadas e planos. Não era apenas uma celebração de amor, era uma estratégia de sobrevivência. Entre um prato e outro, eles selaram o pacto: cada casal seria o escudo do outro. Se um caísse, todos lutariam para erguê-lo. Richard e Catarina representavam a legitimidade e a ordem; Claire e Gaspar eram o intelecto e a proteção interna; Dhorwack e Elowen eram o coração pulsante e a coragem de ser quem se é.
Ao final da noite, os três casais se levantaram em uníssono. O tilintar das taças selou o juramento silencioso. Naquele momento, no coração de Aethelgard, nasceu uma nova ordem. Não era baseada em linhagens ou castas, mas em uma lealdade feroz que nenhuma coroa de ferro ou seda poderia dobrar. Eles eram os MacKenzie e seus aliados, e o mundo estava prestes a descobrir que, quando o amor se torna uma arma de proteção, nenhum império é grande o suficiente para detê-lo.
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