A menina de tirou uma mecha loura da frente de seus olhos, amaldiçoando seu cabeleireiro pela milésima vez desde que ele cortara seu cabelo. Ela sabia que ele podia ter feito um corte muito melhor, como havia das vezes anteriores. Era um jovem talentoso, poderia ter feito o melhor corte de todos. Mas ainda era imaturo quando começou a repicar as pontas, não tendo pensado devidamente o corte antes de começá-lo; e, por isso, ela estava com cabelo por toda sua face até que os fios resolvessem a crescer.

Ela lembrou-se, então, que não podia culpar o cabeleireiro. Ele era um artista, e isso acontecia com artistas. O cabelo era para ele o que a palavra era para ela, um instrumento sagrado mas ainda novo em suas mãos, e os dois haviam cometido erros de principiante.

Um pigarro a tirou de seu devaneio. Ela não soube identificar de onde vinha ou quem o fizera — talvez tivesse simplesmente o imaginado -, mas soube de imediato o que ele significava: era sua vez de entrar no palco.

Ela entrou, ficando em pé fronte à pequena plateia. Era um grupo de menos de dez meninas, morenas em sua maioria, todas parecendo ansiosas. Ela suspirou, o peso da consciência de seus atos caindo sobre si mais uma vez. Ela tinha plena noção do que estava prestes a fazer e de quão ruim aquilo era, mas ainda faria. Ela tinha de fazê-lo, ou não poderia viver consigo mesma.

Pigarreou. "Hey, vocês", disse, e então suspirou. "Não acho que preciso dizer quem eu sou. Se você está aqui, as chances que você não me conheça são mínimas. E, bem, eu tenho um recado para vocês."

"Não é novidade para ninguém que Coroada tem me dado trabalho. Eu comecei essa história com muita animação, como pequena gafanhota de treze anos que eu era, mas infelizmente com pouca maturidade e pouco planejamento. Hoje, eu faria praticamente tudo de maneira diferente — desde a apresentação das personagens até o plot. Coroada é muito importante para mim, e escrevê-la foi uma enorme aprendizado, mas, infelizmente, não vou conseguir chegar ao final dela.

"Não finjam surpresa. Vocês não a tem. Não é segredo para nenhuma de vocês, leitoras, que eu estive tendo muito trabalho com essa fic, nem que ela só tem me trazido mais e mais frustração a cada vez que coloco meus dedos gordos no teclado e tento escrever para ela. Eu queria muito dizer que é passageiro, só mais um bloqueio, e que em breve volto a todo vapor; mas seria uma mentira. E que autora seria eu se construísse uma relação com minhas leitoras baseada em mentiras?

"Um péssima, com certeza. Pior do que já sou.

“Mas, lembrem-se, eu estou fazendo isso para o bem dessa fic e desses personagens. Porque eu amo muito eles para estragá-los como fiz no capítulo 76. E, como eu amo muito eles, não vou abandonar eles aqui e deixar seus futuros abertos. Além da segunda temporada dessa história (que está com um planejamento, um plot, um tudo, muito melhor), que deve ser postada daqui uma semana ou duas, eu vou postar aqui mesmo, em Coroada, alguns capítulos que tenho prontos – provavelmente antes do fim da noite.

“Não se animem muito, de qualquer maneira. Como vou juntar os pequenos excertos que tenho escritos, vai dar mais ou menos uns dois capítulos de três mil palavras mais o de anúncio da Coroada dessa edição e o casamento dela com o príncipe. Nada demais, só o fechamento definitivo dessa história.”

Ela ouviu o pigarro de novo. Mais uma vez, não foi capaz de identificar sua origem, mas seus olhos foram de encontro à um relógio na parede oposta. Ela ainda tinha várias coisas a fazer, e, se quisesse terminá-las, precisava acabar com aquilo logo.

“Então, bom, eu acho que é tudo. Podem me xingar se quiserem, mas, depois de muito tempo pensando, essa foi a única decisão à qual pude chegar. Eu me comprometo a avisar toda e qualquer uma que pedir por isso nos comentários quando a nova temporada for lançada, embora eu não saiba se vocês vão querer ler.

“Obrigada à você que acompanhou Coroada até aqui. Eu espero que tenha sido tão divertido ler a fic quanto foi escrevê-la, e espero que vocês tenham gostado e aprendido como eu gostei e aprendi.”

Ela queria dizer algo a mais, mas nada saía por seus lábios. Então, ela sorriu melancolicamente, deixando uma única lágrima cair enquanto ela saía do palco.

Notas finais
don't kill me please DISCLAIMER: esse jeito de dar um aviso não me pertence, todos os créditos por ele vão para Just Juuh