Notas iniciais
Heeeeyoooo! Não vou pedir desculpas, até porque só a Cat comentou no último capítulo e eu realmente estou tendo de fazer das tripas cérebro pra conseguir acabar essa fic. Por isso, não se espantem (muito) com a falta de nexo desse capítulo. Ok, não tá TÃO ruim assim. Na verdade, eu gostei bastante dele, e tem certa continuidade com o anterior. O problema, eu acho, é que me perdi no final dele, então o final deve ter ficado meio ???, mas a gente releva. Com certeza tem um tom diferente dos outros, mas isso é culpa de umas fics que eu li no wattpad, então é. A música desse capítulo é Mad World, do Gary Jules, e ele é total e completamente dedicado à m a r a v i l h o s a da LadyDark, que fez uma capa nova pra fic *0* Diz se essa mina não arrasa? Bom, é. Até não sei quando, bunnies ♥

Arthur estava ficando louco.

Uma semana depois da festa que fora dada para os italianos, ele ainda não conseguia parar de pensar no quê havia acontecido. Ele pensava e pensava, tentando conectar as coisas em sua cabeça, mas nada fazia sentido. Por que raios Delancy Lewis e Alasca Young haviam se atracado?

Arthur se sentia louco.

É claro que ele conhecia as especulações. Conhecia o fato de que Alasca era apaixonada por ele, conhecia as teorias sobre Delancy ter se apaixonado durante A Seleção, mas não se encaixava em sua cabeça. Alasca não esbofetearia outra menina por estar apaixonada por ele também, e Delancy não estava. Delancy mal parecia sentir qualquer coisa, que dirá amar uma pessoa. Então por que raios Delancy Lewis e Alasca Young haviam se atracado?

Arthur devia estar ficando louco.

Ou os tabloides estavam certos. Mas eles não poderiam estar, poderiam? Eles não conheciam Delancy bem o suficiente para saber que ela não o amava ou jamais amaria, nem Alasca o bastante para entender que ela não bateria em alguém que compartilhasse de sua paixão. Não poderiam. Mas, até aí, quão bem ele mesmo conhecia as duas? Arthur não sabia.

Então ele só poderia estar ficando louco.

Mas, ainda assim... Por que raios Delancy Lewis e Alasca Young haviam se atracado? Elas certamente não podiam estar loucas como ele. Poderiam?

Arthur não sabia dizer. Ele temia nunca saber. Temia que os tabloides estivessem certos ainda mais do que temia que eles estivessem errados. Se eles estivessem certos, porém, ele entendia que tinha uma decisão muito mais difícil do que pensara que realmente tinha.

E essa decisão estava o enlouquecendo.

Era difícil escolher uma menina entre cinco, mas, se só uma te amava e tinha certeza daquilo, era um pouco menos difícil. Se duas te amavam, porém, era mais complicado. Ele não sabia o que fazer. Se ele apenas soubesse quem ele amava... Mas ele não sabia. E também não sabia o porquê de Delancy Lewis e Alasca Young terem se atracado.

Mas por que ele se importava? Só um louco se importaria.

A menos, é claro, que ele fosse o louco da história. O que ele muito provavelmente era, segundo sua própria concepção.

Por que raios Delancy Lewis e Alasca Young haviam se atracado?

Ele não sabia. Ele só sabia que, se continuasse se saber, enlouqueceria. Ele sabia que precisava saber. Illéa não poderia ter outro Rei louco.

Sua melhor chance em descobrir não estava em Delancy ou Alasca — por que elas haviam se atracado? –, mas sim em outra Selecionada. Uma que não havia se atracado com qualquer outra. Ela nunca faria isso. Não, ela não era como Delancy ou Alasca.

Ou somos todos nós?

Não, não somos. Não poderíamos ser. Ela não era.

Mas... Ele se importava com Delancy e Alasca. Muito. Isso queria dizer que ele não se importava com ela?

Não. Ele se importava. Não poderia não se importar. A menos, é claro, que ele fosse louco.

E, mais uma vez, ele não sabia. Não sabia se era louco, se estava enlouquecendo. Não sabia porquê Delancy Lewis e Alasca Young haviam se atracado. E isso, isso sim, estava o enlouquecendo.

“Arthur?”, a garota que abriu a porta perguntou, parecendo preocupada. “Você parece mal. Está pálido. Está bem?”

“Eu acho que estou enlouquecendo”, ele disse de uma vez, e a garota lhe ofereceu um sorriso melancólico.

“Suponho então que você queira conversar sobre isso comigo.”

“É como você já disse. Pessoas têm essa tendência esquisita a te procurar quando querem conversar sobre alguma coisa(*), Calliope.”

A morena saiu da frente da porta e fez sinal para que ele entrasse. Seu quarto estava impecavelmente arrumado, mas não havia sinal algum das criadas. Ele notou que ela estava sem luvas – o que ele só havia visto uma vez em todo o tempo que ela passara no Palácio –, mas só entendeu o porquê quando eles chegaram na mesinha em sua sacada. Ela sentou-se primeiro, perto de uma pequena tigela com um líquido levemente amarelado e um pacote de algodões ao lado da mesma. Arthur sentou-se na outra cadeira disponível, observando enquanto a Selecionada limpava suas cicatrizes.

“Então”, disse Calliope, olhando para seus dedos. “Você disse que acha que está enlouquecendo.”

“Acho que estou.”

“Por quê?”

“Porque não me sinto normal. Não penso coisas que uma pessoa normal pensa.”

Ela deixou o silêncio como estava por alguns segundos antes de quebrá-lo. Arthur sabia que Calliope era uma garota de palavras comedidas. Ela com certeza não era louca. “E o quê é que uma pessoa normal pensa, Arthur?”

Ele deu de ombros. “Coisas normais, eu acho.”

Ela balançou a cabeça. “Você não pode dizer que não pensa coisas que uma pessoa normal pensa se não sabe o que uma pessoa pensa. O quê é que você pensa?”

“Nada que faça sentido.”

“Alguma pergunta te aflige?”

“Várias.”

“Como..?”

Por que raios Delancy Lewis e Alasca Young haviam se atracado?, foi o que ele pensou em dizer, mas não disse.

“Várias”, respondeu, em vez disso. Ele só poderia estar louco.

Ela soltou uma risada baixa. “Não foi isso que eu perguntei.”

“Mas você já chegou à uma conclusão.”

“Eu não disse isso.”

“Mas é verdade. Fale.”

“Você pode não querer ouvir.”

“Não ouço algo que quero ouvir faz muito tempo. Vale a tentativa.”

“Não sou psicóloga nem nada, mas temos um diagnóstico.”

“Eu estou louco?”

“Ninguém está louco, Arthur. A loucura não é um estado. Você não pode estar louco, só pode ser louco.”

“E eu sou louco, então?”

Calliope suspirou antes de responder, repousando o algodão na mesa e levantando sua cabeça para encarar Arthur. “Depois de dezoito anos, eu cheguei à uma conclusão. Você é louco. Eu sou. Todos somos.”

“Mas, se todos somos-“

“Então ninguém de fato é”, ela concluiu o pensamento, voltando para seu algodão.

Então ele era louco. Como todos. Ele pensara que ser louco era algo ruim, algo prejudicial. Mas, se Calliope era louca também, assim como ele, quão ruim ser louco poderia ser?

o — o — o

sim, eu vou continuar fazendo isso

Notas finais
* Sim, ela disse isso, no capítulo 54 ~.~ E sim, eu voltei lá pra checar.