Coroada - A Seleção Interativa
14 Breakfast- Part II
Notas iniciais
"Senhorita Timber Davis.", ele beijou a mão da garota, Isla Timber Davis. A garota da Sala de Música, pensou.
"Alteza."
"Pra você, pode ser Arthur mesmo."
"Então, Arthur, é um prazer conhecê-lo. Me chame de Isla."
"Isla. É um nome... Exótico."
"Pode-se dizer que combina comigo."
Ele riu. "Então, Isla, como está passando?"
"Bem, eu acho."
"Nada de estranho?"
"Fora estar morando em um Castelo com mais de 1000 cômodos? Não, nada demais."
"1258, pra falar a verdade.", ele murmurou, mais para si mesmo do que para a garota à sua frente.
"Tanto faz.", ela deu de ombros.
"Não se você não quiser se perder. Mas não aconteceu nada de estranho, mesmo para os padrões do Castelo?"
"Beem... Você já sabe, não é mesmo?"
"Claro que sei. Nada escapa aos meus ouvidos. Eu tenho olhos por todo o Palácio. E nisso, eu incluo a guarda real, não é mesmo? Mas por quê você foi para a Sala de Música no meio da noite?"
"É que eu moro com minha tia e minha prima, certo? E elas sempre me tratam mal. E, uma vez, as moças que trabalham lá, me contaram que eu cantava como mamãe, e tocava piano como papai."
"Sim?"
"Então, às vezes eu tenho saudade deles. E, naquela noite, eu fiquei com muita saudade. E saí pelo Castelo. Por coincidência, achei aquela sala. Eu nem tinha entrado, quando ouvi um violão e uma bela voz. Fiquei parada por um tempo, ouvindo."
"Era de homem ou de mulher?"
"Homem, eu acho.", Anthony, Arthur concluiu em pensamento. Seu irmão tinha uma belíssima voz. "Enfim, eu devo ter feito algum barulho, e quem quer que fosse saiu. Então eu fui espiar, e vi aquela sala. Pianos, violões, tudo... Um paraíso. Eu estava experimentando uma partitura no piano e um guarda entrou. Acho que estava escrito Felt em seu crachá. Enfim, ele me levou de volta para o quarto, enquanto eu gritava. E é isso."
"Bem, relaxe, porque eu não vou te punir ou algo do gênero.", ele disse, e a tensão que Isla nem percebera em seus ombros se desfez. "Quer dizer, não exatamente."
"O que é que você vai...?"
"Vê o guarda ali na porta?", ele apontou discretamente, e ela assentiu. "Ele é o cara que te levou pro quarto. Kolton Felt."
"É. Eu sei.", ela o fuzilou, e Arthur conteve uma risada.
"Bem, eu sugiro que desamarre essa cara. Você ainda vai conviver com ele por um booom tempo."
"Você não quer dizer quê-"
"Quero sim."
"Não é possível."
"Até demais."
"Então-"
"Kolton Felt vigiará sua porta."
"Ai, Deus."
"Ele impedirá que você faça as coisas no meio da noite. No meio da noite, qualquer coisa-"
"O quê?!"
"Ora, não é normal sair andando pelo castelo no meio da noite."
"Então por que o senhor o faz?"
"Senhor é a avó.", ele disse, ignorando a pergunta. "Como eu ia dizendo, durante o dia, só o que não se deve fazer."
"E o quê não se deve fazer durante o dia?"
"Várias coisas, acredite."
"Então está bem. Acho que eu não tenho escolha mesmo."
"Todos têm escolhas. Você só tem que escolher a melhor."
"Qual é a outra escolha?"
"Me desobedecer. Aí, eu sou obrigado a te chutar."
"Sutil, você, não?"
"É um dom. Você é quem sabe."
"Fico com a primeira opção."
"Então está bem. Foi um prazer conversar com você, Isla."
Depois de Isla veio Juliet Grace, que era um diamante bruto. Parecia ser doce, mas ele teria que lapidá-la. Então, sua mãe o chamou.
"Arthur.", sussurrou. "Pulamos uma menina."
"Opa."
"Peça desculpas e chame Emy Mary Hellfield."
"Está bem, mãe.", ele saiu andando, mas Tony o puxou.
"Pisou no tomate."
"Eu vírgula, Tony. Só estou seguindo a lista. Mamãe pisou no tomate."
"Mas quem vai levar o crédito?"
"Eu."
"Quebre a perna, Jimmy.", Tony brincou, ajeitando a postura.
"Muito obrigado, Charlie.", Arthur replicou, e saiu.
Ele se pôs de pé em frente ao sofá. Vasculhou a sala e achou Emy, que estava particularmente emburrada. Ele viu que agora, estava ferrado.
"Senhorita Hellfield? Poderia me acompanhar?"
"Depois de ter sido pulada? Claro que posso, Alteza.", ela ironizou e foi até o sofá.
Arthur a olhou. Parecia delicada demais para aquele mini-escândalo, mas, é claro, nunca julgue um livro pela capa. Delancy Lewis parecera uma bonequinha, mas era fria como gelo. Emy Mary era um mistério.
"Então, Senhorita, peço desculpas."
"Não, não. Esquece. Eu já me vinguei."
"O quê?", falou Arthur, um pouco alto demais.
"Me vinguei. E, aliás, me chame de Emy. Ou Mary."
"O quê?!", ele tentou baixar a voz, num sussurro rouco.
"Me vinguei. Eu sou assim. Se me fez algo, eu me vingo."
"Meus Deuses! Nunca vou entender as mulheres!"
"Nem tente, Alteza."
"Arthur."
"Então, James."
"Não, James não."
"Por quê?"
"Porquê meu nome é Arthur."
"Arthur James.", ela o lembrou.
"Arthur."
"James."
"Arthur."
"James. E isso é totalmente inútil."
"Argh! Eu sei!"
"Então pare de discutir comigo, poxa."
"Está bem. Só não em público."
"Está o.k., James. Eu não sou esse tipo de garota."
"Tem certeza? Aquele escândalo ali disse o contrário."
"Bobagem."
"Você é estranha."
"Fazer o quê? Sou assim. Ou você aceita, ou você respeita."
"Está certa."
"Sei que estou.", ela colocou as mãos nos joelhos, e sorriu, vitoriosa.
"Está bem, Emy.", ele meio que bufou, chateado. "O que está achando do Palácio?"
"É lindo, é claro. Mas eu tenho que dizer que, até agora, o melhor foi a comida."
"Ainda bem que gostou.", ele riu. "Ei. Você é chef de cozinha, não é?"
"Na verdade, sim. E tenho que dizer que minha comida é magnifique."
"Nada bate Dona Maria."
"É sua cozinheira?"
"Sim. Ela é uma deusa da cozinha."
"Eu que o diga. Eu tenho que conhecê-la. Por favoooor, Jamees!"
"Não. Me chame. De. James. Nunca."
"Tá bem. Vou continuar te chamando de James, claro. Mas, por favoor. Eu necessito de conhecer essa mulher."
Apesar de Emy tê-lo irritado, meio que tentado humilhá-lo, e tê-lo chamado de James (ninguém o chama de James. Ninguém.), Arthur, como o pai, não conseguia negar presentes ou favores. Ele era sensível demais para isso.
"Está bem. É mais ou menos contra as regras, mas eu vou tentar dar um jeito. Mas, de qualquer forma, não conte a ninguém."
"É uma promessa, Arthur.", ela estendeu o dedo mindinho, e ele o apertou.
"E eu, não sinto em dizer que nosso tempo acabou."
"Aah. Que pena. De qualquer forma, vou indo. Tchau, James."
"Tchau, Emy."
Vieram então Karen Padley, com seu jeito tristonho e doce; Katrin Viana, a escritora renomadíssima e feliz; e Liliam Marie Salvatore.
"Alteza.", ela o reverenciou.
"Senhorita Salvatore.", ele beijou sua mão. "Me chame de Arthur."
"Está bem, Arthur.", ela disse, meio irônica, enquanto eles se sentavam.
"Então, o que está achando do Palácio?"
"Bonito, é claro. Quer dizer, você já deve estar cansado de ouvir que o Palácio é bonito, não é mesmo?"
"Você nem imagina."
"Imaginei. Quer dizer, você sabe que é bonito, não sabe?"
"Sei, é claro. Mas eu já me enjoei."
"Realmente. Eu nem consigo imaginar se fosse eu. Pensa só: Acordar todos os dias numa cama mais que macia, ver um nascer do sol perfeito, olhar para um jardim maravilhoso, ser imensamente almofadado pelas minhas criadas...", ela falou, e só então Arthur reparou que Liliam tirava hora de sua cara.
"Me desculpe a importuna pergunta, Senhorita, mas de que Casta você é?"
"Senhorita é a sua avó. Meu nome é Liliam."
"Na verdade-"
"Sou da Três."
"Estranho. Parecia que você estava... Reclamando da sua vida."
"Por que acha que estou aqui, Arthur?"
"Na verdade, eu queria que você me dissesse."
"Minha família toda segue uma profissão. Eu quero seguir outra. Eles me ignoram. E eu fujo."
"Então, temos uma Três que reclama de sua vida."
"Sim, vocês têm. Quer dizer, sem ofensa aos Quatro, Cinco, Seis e Sete, pois já não existem mais Oito. A vida deles também deve ser uma droga."
"Infelizmente, não sei te dizer."
"E esse é o início da provavelmente gigantesca lista de coisas que você não sabe?"
"Muito engraçada."
"Eu me esforço.", ela deu de ombros.
"Está bem então, Liliam. Peço que se sente novamente, pois devo conversar com as outras garotas ainda hoje. Foi um prazer."
"Igualmente.", ela fez uma reverência, e se foi.
Foi alegremente seguida por May Cooper, que tinha uma história realmente engraçada de como chegara ali. Assim que ela se foi, Melissa Onuki fez uma reverência meio exagerada.
"Alteza.", ela disse, a voz oscilante. Melissa era uma garota de emocional fraco.
"Senhorita Onuki.", ele disse, olhando preocupado a garota. "A senhorita está bem?"
"Não muito, Alteza."
"Há algo que eu possa fazer?", ele segurou suas mãos, e ela negou com a cabeça. "Tem certeza? Temos ótimos médicos aqui."
"Acho que meu problema não é exatamente algo que um médico possa resolver.", ela choramingou, e Arthur sentiu pena da menina. Viu que ela andara chorando, embora suas criadas tivessem disfarçado muito bem. "É algo... Pessoal, Alteza."
Melissa, na realidade, pensava em como sua irmã mais nova, Lyesel, gostaria de estar ali. Lembrou-se, atomaticamente, de todo o resto da família... e de como eles a odiava. E isso a fragilizava.
"A senhorita já comeu?"
"Sim, eu comi."
"Gostaria de retornar ao quarto, para descansar?"
"Eu... Eu... Adoraria, Alteza."
"Está bem, então. Sabe chegar lá?", ele perguntou-sem reparar que ela o chamará de Alteza-, e ela negou. "Soldado Felt!", ele chamou o guarda que estava na porta. "Você poderia me fazer o favor de levar a senhorita Onuki para seu quarto?"
"Seria um prazer, Alteza."
"Muitíssimo obrigado, Kolton.", e se virando para Melissa, "Espero que esteja melhor para o almoço, senhorita. Foi um prazer."
"Igualmente."
Ele teve que segurar o impulso de ir atrás dela, para verificar se o trabalho seria bem-feito. Mas não teve tempo para tal, pois Melissa foi seguida rapidamente por Piper Signoretti, que, apesar de um pouco arrogante, foi gentil ao Príncipe. Então, veio Sarah Campbell Chase, a garota que antes tinha várias mechas coloridas.
"Senhorit-"
"Sem formalidades, se me permite, Alteza.", a garota cortou o Príncipe, num ato um pouco atrevido.
"Se é assim, eu sou Arthur.", respondeu, se sentando ao lado da garota.
"Não me diga.", ela ironizou.
"Como?"
"Eu e toda Illéa sabemos disso. Dã."
"Ha, ha.", fingiu uma risada. "Muito engraçada, Sarah."
"Sei que sou, nem precisa falar."
Sarah começou a falar deliberadamente, contando algum caso a Arthur. Mas o Príncipe não ouviu. Fixara seu olhar no pulso de Sarah, onde uma tatuagem coloria a homogeneidade de sua pele morena. 'Uma borboleta', pensou ele, 'Curioso...'
"Arthur? Arthur, está me ouvindo?", ela viu que ele não prestava atenção.
"Na verdade, não. Me perdoe.", ele disse. "Mas, me diga, qual é a dessa tatuagem?"
"Ah. A borboleta.", ela segurou o próprio pulso.
"Sim, ela mesma. Por que uma borboleta?"
"É que meus pais querem me fazer prisioneira da vida que eles imaginaram para mim. Mas eu só quero ser livre. Como essa borboleta.", disse, meio acanhada.
"Sei como é. Às vezes, ser o Príncipe herdeiro enche o saco."
"Pelo menos seus pais não fazem pressão para que você seja, nem ignoram sua opinião."
"Ou é isso que você acha.", Arthur retrucou, sombriamente. A expressão da menina se tornou assustada. "Não, não desse jeito. Mas, pense bem: eu tenho que dar o exemplo, ajudar meu pai, passar por testes que nem sei quais são, ser irmão exemplar, e, ainda por cima, receber 35 garotas e escolher uma para ficar comigo para toda a vida."
"Uau. Realmente, minhas condolências.", ela meio que ironizou, e Arthur sorriu, desafiador.
"Nah. Eu não me importo muito, para ser sincero."
Fez-se um silêncio desconfortável.
"Bom, Sarah, creio que nosso tempo não seja infindável. Foi um prazer."
"Igualmente, Arthur."
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