Coroada - A Seleção Interativa
15 Breakfast- Part III
Notas iniciais
"Senhorita Sarah Deveraux.", disse Arthur, beijando a mão da garota de longos cabelos castanhos e belos olhos azuis. "É um prazer."
"Ora, Vossa Alteza,", ela fez uma reverência, se sentando. "o prazer é todo meu."
"Se quiser, pode me chamar de Arthur."
"Acho que, por enquanto, prefiro continuar com o Vossa Alteza.", ela sorriu, como que em desafio.
"Tem certeza?", ela assentiu. "Vou conseguir te convencer?", ela balançou a cabeça, negando. "Então está bem. Fale-me sobre você, Srta. Deveraux."
"Bom, meu nome é Sarah. Dã. Tenho 18 anos, sou da província de Paloma. Sou escritora, mas ainda não publiquei nada."
"Bom, muito bom. Mas me fale sobre você, não os fatos sobre você."
"Você quer dizer a minha história? Bom, eu sou filha adotiva. É, meus pais biológicos eram Oito, mas não sei seus nomes."
"Hm. Interessante, Sarah. Mas me fale sobre você.", o príncipe sorria com o embaraço da menina. "Você não me entendeu? Ah, mil desculpas. Devia ter sido mais claro, e..."
"Ei! Você está rindo da minha cara! Maldito!", ela deu um tapinha de brincadeira na perna dele, também sorrindo.
"Ai. Sem violência às crianças, menina.", ele riu de volta.
"Crianças? Você tem 20 anos!"
"Ou essa é a idade física dele. A mental é tipo, 10 vezes menor.", Tony sussurrou às suas costas, e Sarah riu discretamente. Então, seu estômago roncou. Ela se pôs de pé.
"Então, Vossa Alteza, eu estou morrendo de fome.", brincou, como que num desafio ao príncipe que também estava de pé.
"Eu também. Mas ainda assim tenho que falar com vocês, garotas complicadas e irritantes.", ele cruzou os braços, entrando no jogo de Sarah.
"Se me dá licença...", ela fez uma reverência e saiu andando, num ato de pura ousadia.
"Se quer jogar, tem que respeitar as regras, garota.", ele falou enquanto ela ainda podia ouvir. Mas que atrevida.
Após ela veio mais uma Sara, a famosa cantora Sara Reynolds. Ela e Arthur já se conheciam e ela tinha a voz carregada de admiração. Ele riu um pouco depois que ela saiu, então veio Skyler Smith.
"Vossa Alteza.", a garota o reverenciou, sorridente. Tropeçou, porém, em seu próprio sapato de salto, e Arthur teve de ampará-la para que ela não se espatifasse.
"Muito obrigada.", ela disse, meio envergonhada, mas ele sorriu de volta.
"Senhorita Smith. Não há de quê.", ele beijou a mão da garota. "Peço que me trate por Arthur. Sentemo-nos. Conte-me sobre você.", ele apoiou os cotovelos nos joelhos, e a face nas mãos.
"Bom, Arthur.", ela deu ênfase ao nome dele, e ele riu um pouco. Skyler mantinha um sorriso travesso. "Me chame de Skyler. Eu sou uma Três, tenho 16 anos. Sou veterinária -"
"Calma, veterinária?", Arthur pareceu desesperado de súbito.
"Sim, acabei meu curso no ano passado. Algo de errado, Alt-Arthur?"
"Não exatamente. Será que você se importaria em me acompanhar aos estábulos qualquer dia desses, Skyler? É que a minha égua..."
"Sua égua? Ah, não, o que houve?"
"Ela, ela está meio velhinha, sabe... E os veterinários não querem dar muita atenção a ela. Falam que é a velhice."
"Não se preocupe, Arthur. Tenho certeza de que você pode fazer alguma coisa. Afinal, você é o Príncipe."
"Sou, não é mesmo? E que poder eu tenho? Que poder eu tenho diante do meu pai? Que poder eu tenho diante da fragilidade da vida?", ele perguntou, triste. Sky o entendeu, apesar de achar um pouco dramático. Se ele experimentasse um pouquinho o inferno que a vida dela era...
"Ora, não se minimize, a menos que você queira que eu coloque quais são as reais injustiças.", ela meio que brincou, tentando colocar o Príncipe para cima.
"Bom, então acho que é melhor mudarmos de assunto.", ele sorriu para a garota, ainda meio deprimido. Olhou para os lados, e viu que sua mãe o fuzilava, com aquela cara de 'Olha a hora'. Ele torceu o nariz de brincadeira, e voltou a olhar para Sky. "Bem, Sky, parece que estamos numa corrida contra o tempo, não é mesmo?"
"Estamos?", ela perguntou, confusa.
"É o que minha mãe acha."
"Sua m... Ah, claro. A rainha. É estranho ouvir alguém chamá-la de mãe."
"Tecnicamente, não, não é. De qualquer forma, tenho que falar com as outras garotas. Foi um prazer, Sky."
"Um prazer, Arthur.", ela se levantou e fez uma reverência, antes de deixá-lo.
Logo após ela, veio Sofia Delacour, a Oito. Ela era magra demais, Arthur reparou, com a pele meio morena e os cabelos negros cacheados.
"Alteza.", ela fez uma reverência.
"Senhorita Delacour.", ele respondeu, beijando a mão da garota. Se sentaram.
"Como vai?"
"Bem, eu acho. Quer dizer, sem dúvida estou melhor que da última vez que chequei."
"Quando?"
"Quando eu estava dentro de uma Igreja, assistindo o Jornal Oficial, oras.", ela brincou, mas Arthur percebeu que ela parecia preocupada.
"Há algo lhe perturbando, Sofia? Isto é, posso te chamar de Sofia?"
"Só se eu puder te chamar de Arthur."
"Fechado. O que lhe aflige?"
"É... Eu não estou certa se devo dizer isso, mas, sabe, eu tenho uma irmã. O nome dela é Bianca. Nós duas somos órfãs, e eu não sei como ela está se virando sem mim."
"Ah, relaxa. Ela vai ficar bem."
"Ficar bem? Ficar bem? Ela só tem 9 anos! Como você espera que ela fique bem? Ela mal consegue arranjar comida sem mim! Como raios...", ela fez um mini-escândalo, mas Arthur tapou sua boca. Sofia estava vermelha de raiva, como assim eles não se importavam com Bianca? Ela era tudo o que importava.
"Ei, calma, okay? O Governo não é tão incompetente quanto vocês pensam."
Sofia ficou um pouco sem-graça ao perceber que o Príncipe ficara um pouco chateado.
"Sou Oito. Eu acho o Governo incompetente."
"É Oito porque quer. Caso a Senhorita não saiba, a Oito foi destruída há uns 20 anos.", ele olhou para a menina e viu que ela não fizera de propósito. Respirou fundo e contou até dez. "Em todo caso, já cuidamos de sua irmã. Ela está num internato em Allens."
"Bianca? Num internato? Allens? Não temos dinheiro e somos de Sumner."
"Foi o que você escutou. Quando foram à sua casa e viram Bianca lá, pensaram no que fazer com ela. Ela fez uma prova e ganhou uma vaga nesse internato. Todo o dinheiro que você ganha vai para a mensalidade, e o que sobra, para Bianca."
"Oh, Deus. Muito, muito obrigada.", Sofia colocou aos mãos em frente à boca, comovida. "Você não sabe o que isso significa para nós duas. Nossa vida é uma loucura depois que mamãe e papai... Bem. Você entendeu.
"De qualquer forma, ela parece estar bem. Eu mesmo estou recebendo relatórios diários sobre-"
"Posso ver?"
"O quê?!"
"Posso ver? É que eu sinto falta dela."
"Olha... E-eu... Contra... Regulamento... Não, sinto muito. Seria injusto com as outras garotas, Sofia. Perdão."
"Ah. Está bem.
"Olha, eu..."
"Não, é sério. Está tudo bem. Eu... Eu acho que consigo ficar algum tempo sem ter notícias da Bi.", ela sorriu minimamente, pensativa. "Desculpa pelo escândalo."
"Nah, você não fez de propósito."
"Não, sério. Eu não queria te deixar zangado."
"Está bem, está bem. Desculpas aceitas. Agora, Sofia, é quando nossa breve conversa chega ao final."
"Foi um prazer, Arthur. Te vejo depois?", ela disse, se pondo de pé.
"Sem dúvida, Sofia."
Vieram então Sylby Du Barry, uma escritora que Arthur achou meio ingênua; Taylor McLean, uma das jogadoras de basquete preferidas de Arthur; e Vênus Petrov, uma ex-bailarina do Ballet de Illéa. Mal está última foi embora, um furacão de cabelos carmesim chegou e fez uma reverência ao Príncipe.
"Vossa Alteza.", ela disse.
"Senhorita Young, eu presumo.", ele devolveu, beijando a mão da garota. Assim que se levantou viu a roupa da garota: um vestido azul, comum. Ou quase: o vestido era extremamente apertado no busto, desafiando Arthur a não olhar para aquele volume. Ele, como a pessoa politicamente correta que não era, tentou não olhar. Mas, Meu Deus, o que era aquilo? "Posso chamá-la de Victoria?"
"Só se quiser que eu cave seu túmulo.", ela respondeu, mal-humorada. "Me chame de Alasca."
"Alasca? Como o antigo estado?"
"Exato. Meus pais acharam que era um nome legal."
"Alguma história por trás dele?"
"Não. Minha vida é bem comum."
"Comum de que forma?"
"Sou uma garota feliz, que está aprendendo para ser médica. Acordo todos os dias, vou trabalhar, volto, descanso um pouco e durmo. Normal desse jeito."
"Tem certeza, Alasca? Deve ter algo especial. Todo mundo tem."
"Como já diz minha mãe, eu não sou todo mundo. Eu sou eu, Victoria Alasca Young. Uma garota perfeitamente normal."
"Ninguém é normal. Muito menos ruivas. Ruivas são, geralmente, irritadas."
"Você é ruivo."
"E você também. Dã. Vamos continuar a falar coisas óbvias?"
"De que tipo?"
"Do tipo, 'você está de mal-humor'."
"Não estou não."
"E eu sou loiro."
"Não, você é ruivo como eu. E eu estou de bom humor, está bem?"
"Se é pra ser mal-humorada desse jeito, seja menos óbvia."
"O que você quer dizer com isso?"
"Quero dizer que meu irmão, logo atrás de mim, está rindo.", ele apontou Tony, cínico, e Alasca verificou: o loiro estava tentando não rir. Como estamos falando de obviedades, é claro que ele não conseguia. A Rainha deu um tapa de brincadeira no braço-musculoso- dele, e ele se aprumou, lançando um olhar de desculpas à Alasca. Ela levantou as sobrancelhas, duvidosa. "Vê agora? Você está de mau-humor. E eu pararia de negar, ou minha mãe vai espancar o meu irmão ali atrás."
"Sua mãe não espancaria ninguém. Ela é muito bondosa."
"Bondosa, vírgula. Ela é geniosa. Toda ruiva é geniosa."
"Até sua irmã Louise?"
"Principalmente a Lou. Não lê revista, não?"
"Pra quê? Revistas são uma perda de tempo. Mas, é claro, sei que ela é meio irresponsável."
"Toda Illéa sabe disso, Alasca. Aliás, sinto muito em dizer que nossa conversa terminou. Te vejo a qualquer hora?"
"Sem dúvidas.", ela falou, e se foi.
Arthur conversou, então, com a feliz Victoria Gardner. Como Celina, ela era risonha e falante. Muito falante.
Se sentou à mesa principal e beliscou alguma coisa, ao final da conversa com Gardner. Ele pensou um pouco nas garotas, e tomou algumas decisões. Essa Seleção seria um pouco diferente.
"Senhoritas, gostaria de dizer que foi um prazer lhes falar durante essa manhã. A partir de nossas conversas, tomei algumas decisões, e gostaria de lhes comunicá-las agora.", disse, e olhou de canto para o pai. O Rei assentiu em aprovação. Suspirou. "Em primeiro lugar, digo-lhes que, às segundas, quartas e sextas, as senhoritas poderão ter acesso ao imenso acervo existente em nossa biblioteca. Tenho certeza de que algumas ficarão bastante felizes com isso. Em segundo, digo que, às quintas e domingos, as senhoritas poderão usar a Sala de Música, se Vossa Majestade lhes permitir.", ele olhou para a mãe, que pareceu meio surpresa de início. Então, ela assentiu. Ele pode ver Isla Timber Davis sorrindo triunfante para o soldado Felt, que estava à porta do Salão. "Dito isso, gostaria de lhes pedir licença: tenho alguns assuntos à resolver."
Com isso, se retirou. Viu, com o canto do olho, Tony se atrapalhar ao levantar-se da mesa para seguí-lo. Assim que saiu, viu que estava tremendo violentamente. A Seleção começara. De verdade. Agora, pensou, é pra valer.
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