Coroada - A Seleção Interativa
57 New Romantics
Notas iniciais
Era um belo dia de início de outono em Angeles, embora qualquer um de fora fosse dizer que ainda era verão na cidade – embora com razão considerável. Louise poderia considerar que estava fazendo quase trinta graus sem esforço, e considerava agradecer imensamente à Arthur e Anthony por terem planejado uma festa na piscina em vez de usar o salão abafado. Quando se lembrava de quem eles eram, porém, a ideia ia embora num piscar de olhos.
O fato de que estava tudo perfeito, porém, era indiscutível. A piscina não estava fria demais, só o bastante para refrescar, os coolers não deixavam as bebidas ficarem quentes demais, as tendas estavam nos melhores pontos possíveis e as espreguiçadeiras haviam sido perfeitamente dispostas. Para a princesa, a única coisa que estava além da conta era o sol. Os Schreave eram todos brancos por demais, e ela sozinha com certeza usaria um pote inteiro de protetor para não ficar vermelha como o cabelo de sua mãe.
Quando Arthur apareceu, só com a bermuda de malha azul dos Singer Schreave, ela teve de dar uma risadinha. Seu irmão, fazendo uma careta de dúvida, foi até ela.
“O que foi?”, ele perguntou.
“Nada”, ela disse, embora ainda estivesse rindo enquanto passava mais protetor nos braços. “Passa nas minhas costas?”
“Que seja”, Arthur pegou o pote. “Mas nem eu sou idiota o bastante, Louise.”
“É só que... Algumas pessoas podem achar peculiar ver o príncipe somente em uma bermuda azul.”
“Como?”
“Você me ouviu.”
“Preferia não tê-lo feito.”
“Você é meio bobo, Archie.”
“Diz Louise Schreave.”
“Só passa o protetor logo.”
Arthur revirou os olhos. Louise era tão previsível que poderia surpreendê-lo às vezes. Ele acabou de espalhar o branco nas costas da irmã em algo como dois minutos, o que foi a conta perfeita para Anthony chegar, acompanhado de Aurora e Sofia. Aurora quase que imediatamente começou a rir do príncipe, que fez outra cara de desentendimento.
“Arthur, faz quanto tempo desde sua última vez no sol?”, a italiana perguntou, ainda rindo.
“Claro, Aurora. Porque o seu bronzeado está simplesmente maravilhoso.”
“Pelo menos eu não preciso de usar um pote inteiro de protetor para passar um dia na piscina.”
“Isso é ofensivo e uma mentira”, a ruiva devolveu, enquanto se colocava de pé. “Eu consigo ver você encarando o meu pote enquanto se pergunta por quê eu não trouxe um cem em vez de sessenta.”
“Peraí, Aurora, cem?”, Tony perguntou. “Quais veias nós não conseguimos ver através da sua pele?”
“Não fale as da barriga, eu consigo vê-las sob a blusa”, Arthur apontou.
“Nós podemos só entrar na piscina de uma vez?”, Aurora perguntou, desistindo da discussão,
“Você talvez queira deixar sua toalha no chão e tirar os chinelos”, Anthony advertiu.
“Por q-ah, não. Quantos anos você tem, Schreave?”, a italiana devolveu, irritada.
“Ou correr. Mas eu me lembro de ser mais rápido”, Arthur continuou.
“Para com isso, ruivo”, ela colocou a toalha disfarçadamente sobre uma espreguiçadeira. “Eu não quero te envergonhar.”
“Gente?”, Sofia indagou, sem entender. “O que tá acontecendo?”
“Corre, Sofia! Só corre!”, Aurora gritou, já o fazendo.
E, segundos depois, Anthony e Arthur já tinham colocado as três na piscina.
“Ora, mas que dupla eficiente", eles ouviram uma voz e se viraram para a porta. Skyler era quem havia dito, e Alyssa Swan vinha em seus calcanhares. Alasca caminhava, passando protetor pelos braços, um pouco atrás delas, enquanto Calliope (pela primeira vez em muito tempo) não precisava de arrastar Delancy para fora. “Alteza, que tal colocar esses dois dentro d’água?”
“Com prazer, senhorita Smith”, Louise sorriu diabolicamente, e se pôs de pé num pulo. Sky e Alyssa só tiveram tempo de largar suas coisas em cima da mesa antes de sair correndo atrás dos príncipes, que já estavam do outro lado da piscine. Na correria e no calor do momento, os jovens mal viram o Rei e a Rainha se aproximando.
“Por quê nós não tivemos uma festa na piscina, querido?”, America olhou para o marido enquanto carregava Kaden no colo. Maxon parou de olhar para Karen e observou a esposa com ceticismo.
“Não tínhamos uma piscina, America”, o Rei disse, e voltou a brincar com a filhinha. “E, se tivéssemos, imagina só o que Celeste teria vestido?”
“Algo chocante”, a Rainha concordou, e então fez uma cara de melancholia. Lembrar a morte de Celeste ainda lhe doía. “E vermelho, provavelmente.”
“Vermelho nunca caiu muito bem nela.”
“Concordo, fica bem melhor em mim.”
“Convencida”, Maxon brincou, mas a mulher o ignorou.
“Menos para Kriss. Ela ainda me acha vulgar sempre que jogo qualquer coisinha vermelha com fendas no corpo.”
“Discordo.”
“Marlee também. Ela gosta de vermelho. Principalmente se for em mim.”
“Estou com MArlee”, o Rei se ofereceu prontamente, mas foi ignorado de novo.
“Ah, foram tantas as vezes que minha mãe veio me passar lição de moral”, a Rainha se lembrou com felicidade do início de seu reinado. Então imitou afetadamente a voz da mãe. “Você é Rainha agora, America. Tente se portar como uma. Use, sei lá, algo azul ou verde. E com pompo. Não se esqueça da postura, e seja graciosa.”
O Rei riu baixinho, e passou o braço livre pela cintura da esposa. “Bom, eu gosto da minha America vermelha, petulante e corcunda.”
“Tem certeza? Isso significa ir contra Dona Magda Singer.”
“Tá. Talvez eu deva reconsiderar.”
Ela empurrou o marido de leve, rindo, o que fez com que ele sorrisse largamente. “Bobo.”
“Você ama esse bobo.”
“Infelizmente, sim”, ela confirmou, e encostou seus lábios nos dele por dois segundos. “Mas, sério, por que não tivemos uma festa na piscina? Eu realmente queria uma. Piscinas são legais.”
“Você fica vermelha que nem seu cabelo depois de meia hora na piscina sem protetor, America. Não seria nem um pouco saudável pra você. E, meu Deus, nem tínhamos uma piscina na época!”, Maxon argumentou. “Além do mais, eu não permitiria se fossem em circunstâncias normais. Arthur e Anthony só me contaram onde seria a festa depois de tudo pronto. Não tive como dizer não, ao menos não no aniversário do nosso filho.”
“Ok, ok (N/A: já acabou, Jéssica?). Que sej-“, ela teria continuado a implicar com o marido, mas quase trombou em uma selecionada o que implicou na quase queda de Kaden. A garota, embora pequena e de aparência frágil, era consideravelmente forte, e segurou o bebê antes que ele pudesse tocar o chão. America reconheceu Delancy Lewis, obviamente uma das da Elite.”
“Ah, Vossa Majestade”, Delancy cuidadosamente o recolocou nos braços da Rainha. “Não foi minha intenção.”
America sorriu, mas não exatamente para a garota. Delancy tinha traços finos e bons modos, mas America se lembrava de ver em sua ficha que era uma Seis antes do Palácio. Além do mais, sabia dos contos de Arthur que ela era fechada e triste, principalmente depois da morte da Selecionada de Hudson no aniversário de Hannie. Ela via, porém, um brilho de diversão nos olhos da garota, que, por causa do acidente, era trocado pelo pânico.
“Delancy! Venha c-“, Arthur começou a chamá-la, mas reparou que estava com a mãe. Saiu da piscina, completamente encharcado, e ficou em pé logo atrás dela. “Hey, mãe. O que houve?”
“Tenho certeza que não foi”, America sorriu largamente pela garota. “Nada. Volte para a água.”
“Eu tenho vinte e um anos, não doze.”
“Eu ainda sou sua mãe e você ainda é meu bebê”, America brincou, e Delancy teve a certeza de que Arthur estava corando. Deu uma risadinha baixa, o que deixou o sorriso da Rainha ainda maior. “Agora vai pra piscina.”
“Odeio esse argumento”, Arthur resmungou.
“É a vida, Arthur. Aceita que dói menos”, Delancy se virou para o príncipe, não antes de fazer uma rápida reverência na direção da Rainha, e o empurrou na direção da piscina. “Agora anda. Vamos, vamos, que tá calor.”
America riu enquanto via o filho ser empurrado na piscina enquanto puxava a garota junto. Depois de lá dentro, tão molhada quanto a própria água, ela lembrou à Arthur que não sabia nadar. Arthur mergulhou para emergiu por baixo dela, a tendo nos ombros para uma briga de galo; e em dois segundos Aurora já havia subido nos ombros de Anthony. A Rainha somente observava os jovens se divertindo, jogando água para absolutamente todos os lados, e às vezes brincava com Kaden.
Algumas horas depois, quando o sol já começava a baixar, alguns criados trouxeram um carrinho com um pequeno bolo marrom em cima. Vários pratinhos vinham ao lado dele, acompanhados de garfinhos de sobremesa. No momento em que o viu chegando, Hannie apontou e gritou: “Bolo!”
Louise a mirou com sarcasmo e ceticismo. “Não, Han. Sério?”
“Olha”, a princesa disse, saindo da água e torcendo seu cabelo longo e loiro cabelo, “, se você não quiser, eu como seu pedaço.”
Louise colocou língua enquanto os irmãos riram. Uma vez todos for a da piscina e devidamente entoalhados, os parabéns foram entoados pelas sete garotas, a família real e o Quarteto Dourado. No final da música, com a repartição do bolo, Arthur foi colocado entr a cruz e a espada: pra quem iria o primeiro pedaço?
Havia, desde sempre, uma grande discussão dentro da família par aver quem levava o primeiro pedaço no aniversário de Arthur. Louise e Anthony discutiam entre si, quase gritando praticamente o tempo todo; e Maxon e America conversavam com relativamente calma (relativa só no caso de você já ter ouvido eles discutindo de fato) sobre quem ficaria com o primeiro pedaço. E, todo ano, essa era Hannie – principalmente porquê ela nunca ficava gritando no ouvido do irmão. Antes de ela nascer, ele tentava escaper com um amigo convidado ou Marcus.
Naquele dia, porém, Hannie ironicamente acabou não querendo o bolo (o que gerou uma grande confusão entre ela e a mais velha), o que deixou Arthur numa situação não só complicada como estranha. O ruivo instintivamente olhou para Anthony, que se surpreendeu e parou de gritar com a irmã.
Arthur estendeu o prato. “Considere isso um pedaço de bom-senso”, o mais velho brincou, bagunçando os cabelos do irmão.
“Inesperado”, Anthony pegou o prato. “Mas de um jeito bom.”
“Injusto”, Louise opinou.
“O bolo é dele, ele que decide.”
“Só fala isso porque foi você quem ganhou o primeiro pedaço.”
“Duh.”
“Louise e Anthony”, o pai chamou a atenção dos dois. “Espero não ter de mandar vocês para os seus quartos como se tivessem a idade de Phillip.”
Arthur riu ao ver os irmãos se calarem, e então das garotas comendo bolo, conversando e se lambuzando com ele. Por mais incomum que sua vida fosse, ainda era boa. Muito.
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