Coroada - A Seleção Interativa

68 Love Is Easy - Special POV


Notas iniciais
Estou forçando pra dentro da minha cabeça que não demorei, o que é a plena verdade, mas não tá dando certo. Por favor, me ajudem a tirar o peso dos meus ombros. A questão é que estou lendo Instrumentos Mortais, e estou absorta no universo e dispersa e sem muita inspiração para escrever coisas que não sejam disso. Então é por isso que esse cap ficou menor, mas eu juro juradinho que vou tentar fazer o outro maior e melhor ;) A música é Love Is Easy, do McFly, uma música que eu tava sentindo muita falta até hoje. Enfim. Boa leitura!

POV Victoria Alasca Young

Acordei de bom-humor naquele dia – o quê, como Aurora faz questão de me lembrar, é significativamente raro em meu caso. Mas, bom, que seja.

O dia anterior havia sido divertido, com o jogo de baseball e tudo mais. Acho que é o tipo de coisa que uma pessoa de verdade faz, o tipo de coisa que faz você se sentir mais humano. Acho que, depois de jogar com dois príncipes, um guarda, um político e uma celebridade, um pouco da aura mágica que rondava os cinco caiu um pouco – mais que na hora, por assim dizer. Antes, eles eram pessoas fantásticas e perfeitas, num mundo completamente diferente do meu. Agora? Só cinco adolescentes com trabalhos importantes.

Era nisso que eu ainda pensava, quando, naquela tarde, fomos todas alertadas de que devíamos ir para o estúdio logo; ou o Jornal atrasaria. Eu ajeitei minha saia mais uma vez antes de sair, com a cabeça levantada. Naquele dia, minhas criadas haviam decidido me deixar especialmente estonteante. Elas haviam costurado esse vestido branco, para fazer contraste com os meus cabelos especialmente vivos naquela noite, depois de uma boa hidratação, e os roxos e vermelhos vibrantes do estúdio, o que daria destaque à minha silhueta. O único detalhe que o vestido tinha era um trançado prateado grosso na altura da cintura, e a maquiagem leve assumia esse tom também. Meus lábios haviam sido contornados de vermelho, mais ou menos da cor dos meus fios, e eu usava um bracelete um pouco abaixo do ombro esquerdo, além de um anel na mão direita. Eu me sentia linda.

E, pelo olhar do maquiador que me designaram naquela noite, eu devia estar mesmo.

“Menina!”, ele disse, assim que chegou à minha cadeira. “Você está absolutamente di-vi-na! Quem são suas criadas, hein? Tenho de me lembrar de conversar com elas mais tarde!”

“Ahn, obrigada”, eu disse, agradecida mas sem jeito, e coloquei uma mecha atrás da orelha.

“É uma pena que você esteja indo filmar agora, sabe?”, ele continuou falando, ao passo que pegava pó e algumas outras coisas. “Porque sua maquiagem está perfeita para um dia, mas no estúdio? Não vai ser o bastante. Vamos ter que dar uma reforçada em tudo, então vai ficar um estilo leve de estúdio.”

“Eu tenho escolha?”, perguntei, meio que fazendo careta.

“Não”, ele confessou. “Aliás, meu nome é Bernard, mas todo mundo me chama de Baby B.”

“Não engana a garota, Bernard”, alguém disse, e uma mulher ruiva apareceu no meu campo de visão. “Todo mundo te chama de Bernard.”

“Você me chama de B”, Bernard argumentou, ainda focado na minha maquiagem.

“Tá. Mas ninguém te chama de Baby B”, ela falou com a voz afetada. “Você seria a primeira, senhorita Alasca.”

“Acho que vou ficar com o B”, sorri, mas ele fechou meus lábios na mesma hora.

“Quietinha, senhorita. Não queremos que eu sem querer passe blush nos seus dentes, queremos?”

Arregalei os olhos. “Com certeza não.”

“Também não arregale os olhos, vai manchar suas sobrancelhas e testa”, Mallory me repreendeu, e eu me esforcei para não fazer uma careta.

“Tem alguma coisa que eu possa fazer com o rosto?”, perguntei, resistindo ao impulso de levantar uma sobrancelha.

“Não”, os dois disseram, em uníssono, e eu quis rir.

Minutos depois, eles me liberaram e eu me dirigi às cadeiras reservadas para as Selecionadas, sentando-me na que ficava mais à direita da tela. Sofia já estava na cadeira ao lado, sorrindo para si mesma enquanto mexia na saia do vestido. Ela parecia meio extasiada, o que despertou minha curiosidade.

“Ei”, eu chamei, ao que ela levantou a cabeça e sorriu. “Aconteceu algo?”

A garota inclinou a cabeça para o lado, ainda sorrindo um pouco, e piscou. “Por que teria acontecido?”

“Ah, é que você parece substancialmente alegre”, eu devolvi, dando de ombros. “Aconteceu algo?”

Ela comprimiu os lábios, embora os cantos deles ainda indicassem um sorriso. “Ah, claro. Não é nada.”

“Eu não acredito e não espero que você ache que acredito”, repliquei, curvando as sobrancelhas em descrença.

Ela revirou os olhos. “Você é sempre assim?”

“Quando estou de bom humor?”, perguntei, mexendo na saia do meu vestido. “Na maior parte das vezes. O que é?”

“Só uma carta”, Sofia sorriu largamente ao dizer, embora tenha reprimido a reação segundos depois.

“Pensei que você e sua irmã trocassem cartas o tempo todo e nunca te vi feliz assim.”

“Ahn, hm. Não é de Bianca.”

Levantei as sobrancelhas. “Não disse que não tinha ninguém fora do Palácio?”

“Só Bianca”, ela me completou, meio sem-graça. “É de um amigo. Eu conheci-o aqui.”

“Então por que estão trocando cartas?”

“Ué. Porque pessoas se comunicam assim, não?”

“Você não o conheceu aqui?”

“Nunca disse que ele estava aqui dentro. Você concluiu isso.”

“Que seja”, eu disse, e ela se virou para o lado justo no momento em que alguém pegou o megafone e gritou um audível dois minutos.

Mais ou menos uma hora depois, fomos liberadas para a sala de jantar. A família real e nós seis seguíamos o mesmo caminho, eles sempre na frente e nós um pouco atrás, batendo papo no percurso. Por estarem todos na mesma formação naquele início de noite, eu me surpreendi bastante quando ouvi alguém ao pé de meu ouvido.

"Olá", a voz disse, e eu tentei não estremecer ao constatar que era de Arthur.

"Olá", disse de volta, simplesmente, enquanto ele se emparelhava comigo. "Como vamos, Alteza?"

Ele entrou na pompa. "Muito bem, de fato, senhorita Young."

"Permita-me perguntar: vossa Alteza não deveria estar ao lado de sua família durante o percurso?", provoquei, embora meu rosto parecesse calmo e impassível.

Arthur parecer considerar, as medalhas tilintando em seu uniforme que ele sempre usava no Jornal. "Bom, senhorita, devido à minha condição de Príncipe, creio que possa realizar este percurso na companhia de quem eu quiser e que isto está acima de seu julgamento."

"Oh, perdão, Alteza. Eu achei que fosse Arthur Schreave, não a versão masculina de Charlotte Brochère", revidei, com falsa inocência. "Um engano terrível, de fato. Mil perdões."

"De qualquer maneira,", ele me ignorou, "eu só gostaria de informar que a senhorita está angelical esta noite."

Corei, contra a minha vontade. E droga, ele estava olhando para mim. Por que ele não podia olhar para o chão, como fizera no resto do percurso?

"Muito obrigada, Alteza", murmurei, envergonhada, encarando o piso cor de marfim.

"Não há de quê, senhorita Young", Arthur disse, antes de começar a se afastar e tentar alcançar seus pais. "Não há de quê."

Eu não prestei atenção em nada à minha volta durante o Jantar inteiro, me sentindo nas nuvens. Quando cheguei no quarto, minhas criadas se entreolharam e riram baixinho antes de ajudar a colocar a camisola de seda e tirar a maquiagem para dormir. Eu já havia dormido de tanto chorar severas vezes quando menor, mas aquela foi uma das raras noites em que fiquei acordada até tarde por não conseguir parar de sorrir.