Notas iniciais
ADIVINHA QUEM COMPROU UM PC? EUZINHO WOOOHOOO ADIVINHA QUEM ENTROU EM E TEVE BLOQUEIO? EU TAMBÉM YAAY ADIVINHA QUEM AINDA TÁ FRUSTRADA COM O DESENVOLVIMENTO E COGITOU DESISTIR? EU DE NOVO TUMTS TUMTS TUMTS TUMTS ADIVINHA QUEM CANSOU DE ADIVINHAS? Eu também, então já deu. Não vou me desculpar porque já é um milagre que eu tenha decidido ir até o final com essa fic. E, vejam bem, são duas mil freaking palavras. Eu ia fazer um excert do capítulo no início, com algumas cenas pra estimular a leitura, mas tô com sono e quero me livrar disso logo. Por nenhum motivo além do meu amor total e completo por essa música, é Girls/Girls/Boys do PANIC! At The Disco. Eu tô ouvindo demais essas criaturas geez. Enfim. Boa leitura, e espero todas nos comments!

Alasca ainda não estava pronta quando uma batida impaciente soou à sua porta. Presumindo que fosse Aurora, gritou um ‘calma aí, desesperada!’ e continuou a tentar colocar o brinco. A risada que ela ouviu depois disso, porém, não soava como a de Aurora nem seria característica dela naquele momento. Em outra mão, ela conhecia, sim, aquela risada. Ela conhecia aquela risada assim como ela respirava. Aquela risada, sarcástica e doce... Só havia uma risada como aquela.

Era a risada de Arthur.

Ela mal teve tempo de se checar no espelho, desesperada, só saiu para abrir a porta. Encontrou, do outro lado, um Arthur que parecia muito tentado a cair na gargalhada, mas que parou bruscamente e encarou algo em seu rosto.

“O que foi?”, perguntou, subitamente preocupada. Ela queria estar perfeita naquela noite.

“Nada”, ele disse, a voz um pouco mais fina do que o normal, o que lhe rendeu um pigarro antes da próxima fala. “É só que... Você está sem brincos.”

A mão esquerda de Alasca subiu imediatamente à sua orelha, como num reflexo, e ela reparou que havia deixado os chamativos brilhantes em cima da penteadeira. Sentiu-se muito nervosa. O comentário de Arthur não deixava transparecer nada, mas bijuteria costumava impressionar.

“Ah, isso”, disse, sorrindo amarelo. “Se puder esperar mais um minuto, eu estava colocando eles agora.”

Ela não sabia o que esperava, mas definitivamente não era o sorriso que ele abriu. Quase se esqueceu de respirar quando ele disse: “Não precisa. Está ótima assim.”

Alasca teve vontade de dizer algo, mas só corou e apertou os lábios em agradecimento. Ele ofereceu o braço segundo depois, as sobrancelhas levantadas, e ela enlaçou seu próprio no dele antes de eles se porem a andar. Tinham uma festa para ir, afinal.

***

Delancy não se colocou de pé quando Calliope entrou em seu quarto. Elas haviam combinado de ir juntas, como faziam às vezes por causa da proximidade de seus quartos, mas ela não se sentia no espírito. Calliope estava tão distante ultimamente, e Delancy tinha certeza de que tinha algo a ver com as luvas.

Então, em vez disso, ela continuou sentada no sofá ao pé de sua cama, a morena de pé à sua frente. “Vamos?”, Calliope perguntou, tentando sorrir.

“Eu não me sinto no espírito”, Delancy respondeu. Já não era novidade para ninguém que ela era sincera até demais. “Vá você. Eu lhe vejo lá mais tarde.”

Calliope suspirou, e Delancy quase se esqueceu de quão perceptiva ela era. “Isso é sobre as luvas?”

Delancy levantou suas sobrancelhas. “Obviamente.”

“Delancy, eu já lhe dis-“

“Você me disse um monte de baboseiras”, Delancy se pôs de pé, um dedo acusatório apontado para sua amiga. “Você é minha única amiga aqui dentro, Calliope. Eu só tenho a você. É o mais próximo que eu jamais tive de uma melhor amiga. Nem Skyler está mais aqui, Alasca não gosta de mim e Aurora é instável. Eu não consigo fazer isso se você continuar guardando um segredo de mim.”

Calliope engoliu em seco, e Delancy pôde ver o efeito da dose de honestidade que havia lhe dado. Ela parecia ter levado um tapa. “Delancy-“

“Nada de Delancy”, ela cortou sua amiga. “Ou você me diz, ou sai do meu quarto agora. Eu não posso passar por isso de novo, Calliope. Não posso.”

“Parece que você também tem um segredo.”

“Não se desvie do assunto.”

Delancy observou sua amiga encarar as mãos, impotente, e quase teve vontade de voltar atrás. Exceto, é claro, que ela nunca voltaria. Calliope olhou para cima, os olhos inundados pela melancolia. “Eu vou lhe mostrar”, disse, e começou a escorregar o fino tecido para fora de suas mãos.

Quando estendeu a palma para Delancy, a loira observou cautelosamente a superfície. Era cheia de falhas e cicatrizes, algumas brancas como uma cicatriz curada e outras vermelhas como uma infecção. Ela pôde distinguir o relevo de alguns vergalhões com os olhos, mas seu bom-senso lhe disse que um toque iria doer demais. Levantou os olhos para o rosto de Calliope. “Pipe”, ela chamou-a pelo apelido. “O que é isso? Parecem marcas de chicote.”

“São.”

“Mas eu achei que você não tivesse ficha policial.”

“Não tenho”, Calliope explicou, com calma absurda. “Você deve se lembrar que eu mencionei que sou adotada, sim? Então, acontece que meu pai se casou com uma mulher quando eu era pequena. Ela virou minha madrasta, mas me odeia até hoje. Meu pai era cego para isso, claro, e eu não queria estragar seu casamento”, dizia cada palavra como se fosse uma banana de dinamite saindo de sua boca, com uma cautela tão absurda quanto sua calma. Delancy sentiu que agora viria a parte triste. “Ela é muito religiosa, sabe? Sempre disse que eu era a encarnação do demônio, e que, como católica, era seu dever me exorcizar. Então, quando meu pai viajava – o que sempre foi frequente – ela pegava um chicote e batia nas minhas palmas até sangrarem. Quando meu pai morreu, eu fui para longe, mas não adiantou. Elas ainda infeccionam às vezes, dói muito para limpar”, suspirou ao final, como se tivesse tirado um peso de seus ombros, então olhou dentro dos olhos de Dya. Ela sentia como se Calliope pudesse ver sua alma. “Não consigo escrever ou desenhar. Segurar um garfo é difícil. Eu estou marcada para sempre, Delancy. Feliz agora?”

Dez segundos ou mais se passaram antes de uma resposta vir. “Sim. Quero dizer, não. Isso é horrível, e, no dia em que eu conhecer sua madrasta, a minha mão vai ficar marcada na cara dela; e eu não estou nem aí se não é com violência que você quer compensar. Mas eu estou feliz que você tenha me contado. É muito importante para mim.”

Calliope sorriu quando Delancy a abraçou. “Acho que estraguei a noite”, admitiu.

“Saberemos isso amaná de manhã”, Dya sorriu, piscando e ajudando Pipe a ficar de pé para que pudessem sair do quarto.

***

“Espera”, Sofia disse, colocando ambas suas mãos para frente na tentativa de enfatizar sua fala. “Então você conhece M-o Príncipe Marius?”

Carlo sorriu para ela, abaixando sua taça para falar. “Si, si, eu e Marius nos conhecemos desde bambinos. Como nossos países são vizinhos, sempre foi mais fácil do que vir a Illéa.”

“Imagino que sim”, Sofia respondeu. “Ele e sua família estiveram aqui faz um tempo, sabe? Tiveram uma festa de recepção também, mas esta aqui... Está enorme.”

O italiano sorriu, provavelmente era verdade. Desde que America havia assumido o trono, Illéa e a Itália haviam se aproximado mais e mais, e as visitas de um ao outro e vice-versa eram os maiores motivos de comemoração nos palácios de respectivos países. Ele se lembrava com clareza das festas na piscina que aconteciam no mínimo uma vez por semestre, quando pouco, e o pensamento fez com que ele risse baixinho. Ele pôde ver de canto de olho Sofia pedindo licença e saindo para a pista de dança, acenando a cabeça, vez que o lugar estava começando a encher de verdade. No momento em que ela se foi, o assento à sua frente foi ocupado por Aurora, sua prima de algum grau, que parecia preferir estar dormindo. Carlo soltou outra risada.

“Que foi?”, ela perguntou em italiano, mal-humorada, o que só fez Carlo rir mais. “Para, criatura. Eu sei que sou ótima, mas nem comecei a falar.”

“Ótima e modesta, sim?”, ele devolveu, ainda em sua língua natal. “O que está havendo, Aurie? Você parece não querer estar aqui.”

“E não quero.”

“Faça-me rir. Você é Aurora Bocchi. Você nunca rejeita uma festa.”

“Rejeitaria essa sem sequer considerar.”

“Ainda vai pagar sua língua.”

“Aceita cartão de crédito?”, a menina devolveu, o que aumentou as risadas de Carlo e quase o fez derramar um pouco do conteúdo em sua taça.

“Mas algo aconteceu parar você não querer ficar, eu suponho”, disse, com seu melhor ar de intelectual, mas ela só rolou os olhos.

“Algo? Três meses aconteceram. Essa maledetta Seleção aconteceu. Eu era feliz e não sabia, primo.”

“Você não era feliz e sabia.”

“Que seja. Era melhor antes.”

“Você está exagerando. Que houve, foi dispensada?”

“Digamos que eu dispensei.”

“Você é confusa.”

“Somos família, primo”, ela sorriu antes de levantar sua taça, e ele fez o mesmo enquanto assistia à ela andar em direção à alguma outra parte do salão.

***

Calliope não conseguia relaxar. Ela se considerava tranquila, e realmente era, mas era como se ela pudesse sentir um receio no ar depois do que houvera durante a festa de Hannie. Como se, a qualquer segundo, um tijolo fosse estourar os vitrais que quase cheiravam à novos e o caos fosse se instalar mais uma vez. O mais surpreendente de tudo, porém, é que Delancy não parecia carregar tensão alguma depois da conversa que elas haviam estado em mais cedo.

A certo ponto, ela decidiu sentar-se um pouco enquanto Delancy disse que iria pegar um drinque. Ela observou sua amiga cruzar o salão, sorridente e confiante em seus saltos, até chegar ao bar. Sem tirar seus olhos dela, pôde ver Alasca se aproximando, como ela já havia feito mais cedo, embora Dya não lhe dissesse o que tinha acontecido (N/A: e isso pode ser achado no meu polyvore para fics, ou clicando aqui. Leiam agora e tudo fará mais sentido) nem paga. Ela sentiu o estofamento do sofá descer quando alguém sentou-se ao seu lado, mas só brevemente bateu o olhar sem reconhecer quem era. A situação no bar drenava sua atenção completamente.

“Você parece compenetrada”, a garota, como ela já havia constatado, disse acidamente. “O que acontece? Alguém vai brigar?”

“Talvez”, Calliope respondeu, contida.

“Bom, eu mal posso esperar para ver. Um pouco de entretenimento de verdade seria muito apreciado agora.”

Ela virou a cabeça e conseguiu analisá-la melhor. Era branca, os cabelos pretos como a noite cascateando, e tinha uma expressão sarcástica. Havia um quê de estrangeiro em sua voz, o que levou Calliope à uma única conclusão. Era a princesa Bianca.

“Ah, Alteza, mil perdões. Eu não lhe reconheci”, se desculpou educadamente, mas Bianca só levantou uma sobrancelha e revirou os olhos como se estivesse pensando algo depreciativo antes de se levantar e rebolar para outro lado. Calliope a observou partir, lembrando-se dos inúmeros rumores sobre a princesa, mas então decidiu que não valia a pena. Se ela realmente era tão ruim, qual era o ponto em insistir?

Quando voltou os olhos para o bar, porém, viu que era tarde demais. Alasca havia cerrado os punhos e observava Delancy com uma expressão homicida, embora ninguém parecesse notar. Dya, por sua vez, parecia indiferente como de praxe, embora um brilho de diversão e medo brilhasse em seus olhos. Seus olhos encontraram o de Aurora, que, à alguns passos de si, mimicou a palavra ‘suicida’ com os lábios, claramente se referindo à Delancy. Em resposta, Calliope fez um ‘estressada’ e as duas se puseram de pé juntas. Mas, não importava quão rápidas elas pudessem ser, nunca alcançariam suas amigas antes de começarem a se estapear.

***

Quem não estivera prestando atenção mal pôde reparar no primeiro tapa. Celina, porém, estava somente à algumas cadeiras de distância, conversando com Skyler já que Austin se atrasara, e viu nitidamente os dedos de Alasca marcando a bochecha pálida de Delancy. Ela se pôs de pé, os olhos arregalados, e fez com que Skyler visse também. Um fino filete de sangue manchava o canto esquerdo da boca de Delancy, mas ela parecia quase satisfeita quando seu punho percorreu o caminho até o maxilar de Alasca. Após se recuperar dessa, Alasca deu dois passo para ficar bem próxima dela e agarrou o pulso de Delancy, que pegou o cabelo da ruiva. Celina não saberia dizer até onde teria ido se Calliope e Aurora não tivessem, com a ajuda de Arthur e Marcus, o guarda, apartado as duas. As duas foram enviadas à enfermaria e então aos seus quartos, ela ouviu, e como houve ação e reação nenhuma seria eliminada. Todos, porém, tinham uma certeza: o jogo estava esquentando.

Notas finais
Eu ia falar qualquer coisinha mas esqueci, então who cares huh?