Coroada - A Seleção Interativa
44 Fallen
Notas iniciais
POV Louise Schreave
Eu estava em pé ao lado de Tony, que quase cochilava em meu ombro. Arthur andava para lá e para cá enquanto Hannie contava uma história para Phill-que se recusava a aceitar o fato de não ser mais o caçula.
Não, esse posto agora era de Karen.
Os gêmeos haviam nascido havia quase uma hora, mas ainda não nos deixavam entrar. Nesse meio tempo, as criadas- graças por isso -haviam pego roupas confortáveis para substituir os trajes de festa; então eu vestia uma confortável calça jeans com um moletom Singer por cima de uma blusa de meia-estação-assim como todos os meus irmãos.
O moletom Singer foi um caso. Eu devia ter uns dez anos. Papai queria uma blusa de moletom roxa com dois S's entrelaçados, para comemorar o aniversário de casamento deles. Porém, só ele, mamãezinha e nós usaríamos, já que somos os únicos Singer Schreave's. Mamãe levou isso para o lado pessoal, e quis fazer um azul céu com somente um S, para dar à todos os nossos parentes.
Foi a única vez em toda a minha vida de Singer Schreave mais velha que eu vi o papai não ceder completamente para a mamãe sobre algo banal. Era como se aquilo fosse crucial.
Acabou que o moletom ficou com um S só mesmo- o argumento dela era válido -, mas ele é de um púrpura profundo em vez do azul que mamãe queria. O S fica por cima de nosso peito, costurado em dourado, com um bolsinho para os garotos.
Eu tenho meio guarda-roupa só deles. Sério: vocês não calculam quão confortável a coisa é até vestí-la.
O primeiro que Hannie teve é agora de Phil. Claro que ele tem outros, os seus próprios, mas temos essa mania de passar. Os meus foram para Tony, os de Tony vão ir para Hannie quando ela crescer. O único que não faz isso é- adivinha -o Arthur. Ele doa todos, mas é por pura teimosia.
Não é porque ele é o garotinho de ouro que suas motivações tem que ser dignas. Não sempre.
"Archie, para. Vai fazer um buraco no chão", eu digo, irritada com sua aquietação.
"Não dá", ele responde, o cara de pau.
"Dá sim."
"Hunf", Tony resmunga, sonolento. "Até parece que não conhece o Arthur."
"Está me irritando."
"Melhor falar isso para alguém que de importe."
"Esperava que você tivesse tato o suficiente."
"Você é a princesa e irmã mais velha. Eu é quem esperava isso de você."
Tony solta uma risadinha, e eu o tiro de meu ombro.
"Escuta aqui, ruivo..."
"Xiii, provoquei ela num dia ruim..."
"Só se todos forem ruins, porque a Louise que eu conheço é sempre assim", Tony se recompõe.
"Diga isso para quem se importa."
"Como o mundo gira, não é mesmo?", Arthur brinca, ainda andando. Enfio a mão em sua frente, e ele para, alarmado.
"Para."
"Qual é, Lou?", ele diz. "Eu mando você parar de discutir com mamãe? Mando você parar de entrar sem bater? Mando você parar de cantarolar? Não. E isso me irrita muito."
"Na verdade...", Anthony e Hannie começam, mas nós dois os cortamos com um sonoro calem a boca.
"Você ganhou essa", recuo, e ele continua. "Mas vai ter volta."
"Isso é uma declaração da Tricks War X?", os olhos de Tony brilham ao perguntar.
"Pode crer."
"Ah, as mesmas regras?"
"Sem chance", Arthur se impôs.
"O que vai mudar?", perguntei, provocadora.
"Nada de tricks que firam nossos... Órgãos genitais."
Eu gargalhei alto. "Você é quem sabe...", devolvi, ainda rindo.
A porta atrás de mim se abriu bruscamente depois disso, de forma que eu tropecei e caí em Archie. Ele me segurou, levantando as sobrancelhas, e me pôs de pé. Olhei para a porta, onde meu pai nos encarava, duvidoso.
"Falem mais baixo!", ele deu um gritinho sussurrado. "Eles acabaram de dormir!"
"E nós poderíamos entrar?", perguntei, meio arrogante. "A gente está esperando faz uns quarenta minutos."
"Pare de reclamar, Louise", meu pai devolveu. Hannie, então se pôs de pé.
"Paiêêêê!", exclamou, com cara de sofrimento. "A gente quer ver a Karen e o Kaden!"
Ele suspirou. Hannie era o conceito de fofura física do papai, e ele nunca resistiria-fora que ela era bem mais sutil que eu. "Tá, vamos. Mas silêncio absoluto", ele fuzilou a mim e Arthur.
Entrar naquele quarto me fez lembrar do dia em que Hannie nasceu. Havia sido em uma viagem à França, uma das piores: Marius estava cheio de afazeres, e nossa única companhia foi Charlotte.
Eu. Odeio. Charlotte. Brocherè.
E, sim, Han é tecnicamente francesa.
Eu, Tony e Archie fomos obrigados pela nossa querida rainha Daphne a fazer companhia à sua maravilhosa filhinha Charlotte. Eu devia ter uns dez anos ou por aí, e a cobrinha tinha sete. Foi a primeira vez que brigamos de verdade.
Sempre que meus irmãos estão prestes a nascer eu fico ansiosa e explosiva, porque eu amo eles demais. E, justo naquele dia, a menina resolve que quer tentar ser irônica e fazer alusões distorcidas e horríveis a meu lindíssimo país.
Ninguém fala mal de Illéa ou de minha família. Só eu.
Imagine uma pessoa muito zangada, quase caindo em cima de outra vários anos mais nova. Mas a pessoa mais nova conhece melhor o lugar, e se esconde. A mais velha acorda seu irmão para a vida e os dois começam a procurá-la. Acham-na, finalmente, mas o irmão do meio impede que eles façam mais do que lhe desferir um tapa na cara. Eles ainda a esculacham, e ela conta à seus pais.
Consegue imaginar? Já sabe o que houve.
Graças a Deus, a maldita cobrinha não está aqui. Deve vir prestigiar a Seleção de Arthur daqui a pouco com a família- e seu primo, vulgo meu noivo, Lucas, viria junto.
Argh. Eu não conseguia pensar em meu casamento sem ter ânsia de vômito. Quero dizer, a questão não é Lucas. Nunca foi. Na verdade, eu até gosto dele. O problema está na imposição. Se casar por obrigação é errado, minha mãe me ensina isso desde cedo. Mesmo assim, vou precisar me casar por casamento arranjado com alguém que não amo, por pura aliança política.
Eu até meio que entendo meus pais. Quero dizer, Daphne Brocherè nunca foi com a cara de nenhum Singer-Schreave por motivos que permanecem um mistério para qualquer membro da família que não mamãe e papai. Então, quando a França quis romper as alianças com Illéa, meu pai não pôde apelar para o lado pessoal. Ele precisava de uma promessa, e Antoine nunca foi burro de aceitar promessas vazias. Então meu pai prometeu o que, quando ele me explicou tudo, seria um de seus bens mais precioso: sua filhinha mais velha de nove anos.
Eu não liguei no início. Afinal, eu tinha nove anos. Uma menina de nove ano não se importa com isso.
Conforme o tempo passou, eu entendi o significado daquilo. Tammy já tinha tido vários namorados, Safira e Daniel entravam nessa fase, e Astra sonhava em encontrar seu verdadeiro amor. Eu, no entanto, era uma garota compromissada. Deveria me manter intacta para meu noivo, diziam.
Uma ova. Vou casar obrigada e ainda querem que eu me comporte bem em relação à isso?
O choro de uma coisinha pequena e careca me desperta dos devaneios. Bom, isso e Arthur sussurrando ao pé da minha orelha.
"Ah, com certeza, ela é linda", eu digo, concordando.
"Lou, você está viajando", ele brincou. "Você me ouviu?"
"Claro que sim."
"Eu disse que ele tem cara de joelho", ele sussurrou, e eu reparei o que tinha feito. Ops.
Papai olhou para nós. "Quando forem os seus, vocês vão entender."
Arthur deu de ombros e eu fiz que não era comigo. Papai voltou a olhar para meu mais novo irmão, agora nos braços de mamãe. Me aproximei do berço quieto no canto do quarto, onde Hannie segurava Phillip para ver alguém.
Era uma coisa pequena, enrolada em vários mantos roxos e dourados. A única parte do corpo que não estava coberta era o pequeno rosto, já que as mãozinhas estavam enluvadas. Karen, entendi. De súbito, ela abriu seus olhinhos verdes- como assim, produção? -e bocejou. Olhou para eu e Hannie acima dela- Phil estava com mamãe -e começou a rir banguelamente e balançar os bracinhos em minha direção.
"Ela quer que a pegue", minha irmã disse, ao meu lado. Com cuidado, eu coloquei minhas mãos por debaixo dela e a levantei do berço.
Karen era delicada. Quer dizer, Hannie também havia sido, e Phil um pouco; mas a mais nova era diferente. Hannie era serena e tranquila, não brincava conosco muito no início. Phil, bom, ele nunca parou quieto. Karen delicadamente colocava as mãos em meu rosto, rindo sua gostosa risada de bebê. Hannie chegou mais perto, querendo ver direito a pequena.
"Ela é uma graça", comentou.
"É mesmo", eu devolvi, e ela tentou enfiar a mãozinha enluvada na minha boca. Tirei-a de lá. "Mas olhe os olhos dela."
Minha irmãzinha se esticou toda para ver. "São verdes."
"São."
"Ninguém na nossa família tem olhos verdes."
Meneei a cabeça. "Ninguém tinha. Ela tem. Vá entender a genética."
"Vovó Amb tem olhos verdes?"
"Não, Han, ela tem olhos castanhos."
"Ah, sim. Mas eles parecem verde-musgo", conjecturou.
"Só aos seus olhos de pintora, querida", minha avó nos abraçou por trás, e mirou Karen. "Eu não sei de onde a pequena puxou esses olhos, mas são lindos."
"Eu ouvi olhos de pintora?", minha madrinha perguntou, brotando do chão ao meu lado. "E, aliás, Majestade, seus olhos são verde-musgo."
Minha avó Amberly riu. "May Singer... Dezenove anos e ainda me chama de Majestade?"
Minha tia se curvou antes de responder. "Estarei sempre a seus serviços."
"Mas é sua irmã que é Rainha agora."
"Ha! Só me curvaria perante Ames obrigada."
Hannie sorriu. "Tia May..."
"Olá, querida Hannie", ela cumprimentou, com um beijo na testa de minha irmã. "Diga-me, com que se parecem os olhos de Karen?"
"É como se alguém tivesse pego o verde-limão, o verde-grama e o marrom claro, daí jogado um pote inteiro de anil", minha irmã devolveu, maravilhada. "São lindos."
"Ah, deixe-me ver", ela se voltou para mim. "Ué, Louise. Não vai tomar benção?"
"Madrinha, eu te vi faz dez minut-"
"Deus te abençoe, garota", ela me cortou, se aproximando para ver Karen, enquanto eu murmurava um 'benção'. "Ela é a cara do seu avô."
"Não acho que se pareça com Clarkson", vovó Amberly inclinou a cabeça.
"Eu falava de meu pai, Majestade", tia May se explicou. "O nariz, os olhos... É meu pai Shalom cortadinho."
"Ela vai ser uma cabeça-vermelha, então?", Hannie perguntou.
"Uma Singer quase por inteiro, eu arrisco", tia May brincou. "Se não fosse por esses olhos..."
"De quem são esses raios de olhos?", Tony brotou, perguntando.
"Sabe, pessoal, não é assim que a genética funciona", Daniel Tunys, gêmeo de Safira, se aproximou com aquela cara de sabe-tudo que sempre me divide entre estapear ou apertar as bochechas de meu 'primo'.
"E como é, senhor sabe-tudo?", perguntei, desafiadora, mas ainda com vontade de apertar suas bochechas.
"Bom, só pra começar, os genes podem se misturar", ele deu de ombros. Provavelmente não esperava essa pergunta. "Conheço essa garota de pais morenos e família de olhos escuros, mas ela ainda é loura dos olhos verdes."
"Só não me diz que Karen vai ter cabelos castanhos, Dan", Tony disse, sensível como uma pedra.
"Anthony!", minha mãe o repreendeu.
"Qual é, mãe? Ela ficaria parecendo ser de outra família", meu irmão alegou, e eu tive de concordar. "Não que isso fizesse dela menos que uma Singer-Schreave, mas seria engraçado..."
"Isso está a mercê do destino", Daniel afirmou, brincando com ela. "Se tiver, de qualquer forma, se assemelhará com sua avó Amberly, não?"
Vovó Am sorriu, e bagunçou os cabelos do garoto. Eu me voltei para Karen, que, novamente, tentava enfiar suas mãozinhas em minha boca. "Ela será linda de qualquer jeito", anunciei.
🏻🏻🏻
POV Narrador
Alyssa realmente não esperava que Arthur de fato viesse visitá-la-de novo. Pela segunda vez em um período de dois meses, o Príncipe Herdeiro de Illéa a pegava só com o robe no quarto.
Pior: dessa vez, era ela e Alasca.
As reações de Alasca entregavam várias coisas para qualquer um que quisesse ver. Ah, bem, para qualquer um com tato que quisesse ver.
Quando Arthur bateu à porta e a criada de Alasca atendeu- já que estava desocupada -Alasca corou e quase derreteu. Bom, não que Alyssa não tivesse corado. Ambas fecharam seus robes rapidamente, mas Alasca pareceu se embolar com as cordas roxas. Quase em sincronia, elas se puseram lado a lado entre as camas e reverenciaram o príncipe. Em uníssono: "Alteza."
Ele pareceu meio surpreso, talvez desconcertado. Bom, Alasca com certeza estava mais. "Senhoritas."
Os três ficaram parados por alguns segundos; ele as observando estupefato, Alyssa olhando para a parede atrás de Arthur, tensa, e Alasca encarando os próprios pés, vermelha de vergonha. Então Arthur balançou a cabeça, como que para se trazer de volta à realidade. "Hã... Vocês estão estonteantes."
"Estamos inchadas, e meia sujas de maquiagem", Alyssa retrucou, e Alasca quase riu-mas, Aly sabia, ela estava acanhada demais.
"Okay. Você ganhou", ele admitiu.
"O que você quer, Alteza?", perguntou Alasca, recuperando a voz meio vacilante. Se nós ficamos assim quando estamos apaixonados, eu nunca quero me apaixonar., Alyssa pensou consigo mesma.
"Na verdade", disse Arthur, mudando o peso de um pé para o outro. ", eu queria falar com a senhorita Swan", ele estendeu a mão, na esperança de que ela o acompanhasse. "Você vem?"
"Mas de robe?", Alyssa se surpreendeu. "Quer que uma das suas Selecionadas vire picolé ou o quê?"
"Ou o que, obviamente. Não vamos lá fora, duh", ele brincou, sorridente. Uma de suas mãos permanecia atrás das costas, como que escondendo algo. "Você vem?", repetiu, então.
Ela calçou suas sapatilhas e olhou para Alasca de relance, antes de sair. Podia ver no rosto da garota raiva, e raiva puramente. Raiva de Alyssa, de Arthur, daquele jogo. Raiva dela mesma. E, naquele momento, entendeu que levaria um ou dois dias até Alasca lhe dirigir a palavra novamente. Obrigada, Arthur., pensou, quase chateada.
Aly estava mais que disposta a correr aquele risco.
Arthur tomou seu braço de imediato, ou quase. Ele começou a gentilmente conduzi-la pelo corredor. "Teve um dia bom?", perguntou-lhe, como quem não queria nada.
"Tive um dia ótimo", ela devolveu, lembrando-se de tudo o que acontecera. Fora, provavelmente, um de seus melhores dias desde o início da Seleção. "E você?"
"Melhor do que eu imaginava", ele revelou. "Havia quase me esquecido de quão bom fica o ar entre minha família quando alguém novo nasce."
"Ah! Desculpe-me!", sentiu-se mal por ter esquecido do nascimento dos gêmeos. "Como estão?"
"Ótimos."
"E como são?"
"Lindos", Arthur revelou, meio fora de órbita. Como todo mundo na sua família? Ah, entendo., pensou Aly. "A garota, Karen, tem esses olhos verdes maravilhosos."
"Genética e seus mistérios", Alyssa comentou, e ele soltou uma risadinha. Quando ela se deu por si, haviam entrado uma sala ampla e confortável, com uma lareira e poltronas.
"Eu só...", Aly pôde ler o embaraço nos seus olhos quando, junto à lareira, ele coçou a orelha. "Queria te dar os parabéns de novo. Sério. Tudo do bom e do melhor para você."
"Obrigada", ela sorriu, agradecida, embora estivesse começando a compreender que talvez não precisasse do bom e do melhor. Talvez...
Ele finalmente tirou a mão das costas. "E queria, hm, te dar isso."
Ela baixou os olhos para sua palma, uma caixinha pequena, decorada por cisnes sobre um fundo vermelho, esperava por ser aberta. Duvidosa, ela pegou o presente, balbuciando outro 'obrigada'. Desfez cuidadosamente o laço, e colocou a corda de lado. Então, tirou o papel tentando não fazer barulho.
Uma caixinha simples e azul foi aberta antes de ela finalmente chegar ao presente. Um colar prateado, com pingente de cisne vermelho transparente, estava depositado entre brincos de sapatilhas de ballet. Lindos como os Singer, Alyssa pensou.
Levantou seu olhar para Arthur, e depositou um beijo em sua bochecha enquanto o abraçava. Aquilo pareceu pegar Arthur de surpresa, mas ela não ligou. "Obrigada, Arthur. De verdade. Embora o cisne tenha sido meio que sacanagem, eu adorei."
"Que bom que gostou", ele disse, meio sem jeito. "Imaginei que, ou gostaria, ou me bateria de novo."
"Não sou tão arredia assim."
"É."
"Não sou."
"É."
"Não sou."
"É."
"Não sou, poxa."
"É."
"Então prove."
"Posso te beijar?"
"Não."
"Vê? Você é!", ele riu, triunfante. "Por que não posso?"
"Porque você pediu."
"Normalmente funciona ao contrário", ele murmurou.
"As pessoas não devem pedir para beijar as outras", Alyssa se defendeu, se pondo de pé.
"Ah, claro: elas devem fazer sem pedir e levar tapas fortes na cara", ele resmungou. "Um: teoricamente, eu posso fazer o que bem entender com vocês; e dois: sou eu quem põe fim aos encontros."
"Bom, eu estou dizendo que este acabou", ela disse, se impondo.
"E insiste em dizer que não é arredia. Garotas", ele se pôs de pé, contra sua vontade. "Posso ao menos colocar o colar?"
"Lizzie fará isso com prazer, obrigada", ela disse, e os dois se encaminharam novamente para fora.
"Lizzie?"
"Elizabeth. Uma de minhas criadas", Alyssa se explicou. "Não a conhece?"
"Não é fácil assim conhecer todos no Palácio", Arthur se sentiu envergonhado, e entrou na defensiva. "São muitos. E invisíveis."
"Mas eu já conheço um punhado de gente em dois meses. Você realmente-"
"Só as assessoras", ele a cortou, ansioso por mudar de assunto. "Podemos falar de outra coisa, hm?"
"Acho que não", ela disse, e parou à uma porta. Arthur reconheceu como a do quarto dela e de Alasca. "Mas não pense que se safou: nós ainda não acabamos."
"Pode apostar que não."
"Boa noite, Archie. E, hm, obrigada pelos presentes", ela depositou outro beijo em sua bochecha, e girou para entrar pela porta.
Ele nem teve tempo de dizer 'não há de quê'. O cheiro de sabonete que, esmaecido após dois meses, Alyssa conservava, o deixou meio- muito -tonto. Mais do que já estava.
Pela primeira vez desde o nascimento dos irmãos, ficou preocupado de novo. Era como uma nuvem negra insistente: a Elite não iria embora enquanto não chovesse por ali.
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