Notas iniciais
Heyo, girls! Como vão? Bem? Espero que sim. Então, demorou um pouco mais do que eu planejava. Duas semanas, só. Eu realmente peço perdão, mas, acreditem, não tenho tido tempo de verdade. Verdade mesmo. Agradeçam, então, ao Kings of Leon por ter me aparecido com Use Somebody na hora que estava totalmente desenspirada. Pois é. Até mais!

Calliope tinha acabado de sair do quarto de Delancy quando relanceou a cabeleira ruiva virando a próxima esquina. 'Eu não deveria fazer isso. Deveria ir dormir, ou ficar mais um pouco com Dya. Ela precisa de mim', disse para si mesma.

Não funcionou. Quando deu por si, estava furtivamente seguindo Arthur pelos corredores mal-iluminados do hotel. Ela pôde reparar, mesmo com ele de costas, que o Príncipe provavelmente não penteava o cabelo desde a hora em que acordou. Quis rir, mas se lembrou de que precisava ser furtiva se não quisesse ser notada.

Alguns minutos depois, percebeu que estava rodando em círculos. E, quando parou para constatar isso, Arthur soltou uma alta gargalhada. "Sabia que ia te pegar", ele disse, já de frente para ela.

"Pois bem, estava certo", ela disse, se recuperando do susto da gargalhada. "Quando reparou que eu estava atrás de você?"

"Na terceira esquina que virei. Se quisesse passar despercebida, as pantufas fariam melhor que as sapatilhas", ele se aproximou, estendendo o braço, enquanto ela encarava os próprios pés. As sapatilhas na madeira realmente faziam um notável e irritante barulhinho.

"Comprometo-me a ser mais discreta da próxima vez", ela sorriu, divertida.

"O que quer dizer que pretende me seguir às escuras novamente?", ele brincou, e Calliope corou violentamente. Arthur riu de novo, agora mais controlado.

"N-n-não foi isso q-"

"Senhorita Calliope", ele a interrompeu delicadamente, parando a caminhada. "Eu sei que não foi isso que quis dizer. Foi uma brincadeira."

"Não sou muito adepta das brincadeiras, Alteza", ela murmurou.

"Por favor, Alteza não", ele disse. "Tenho nome, e é Arthur."

"Como queira."

"Sabe o que isso prova, senhorita?"

"Não, Alt-Arthur. O quê?"

"Que eu estava certo em pensar que preciso conhecê-las melhor", ele afirmou, meio triste. "Quer começar agora?"

"O que tem em mente, Arthur?"

Ele sorriu. "Vocês, garotas, ficam muito enfurnadas aqui dentro. Se recusam a aproveitar esse lugar como deveriam."

"Que seria..?"

"Do lado de fora."

"Mas, Arthur, não está muito frio para ir até lá?"

"Não pensei que a garota de Carolina fosse reclamar de frio", ele fez soar como um desafio.

"Certo. Lá fora, então", concordou Calliope, e mudou a direção na qual andavam. "Mas, primeiro, roupas adequadas para o frio."

Ele concordou, e andaram até seu quarto. Ela entrou, encontrando uma sonolenta Celina, que murmurou em seu sono, e a criada da amiga dormindo. Sua própria estava de pé e, com uma troca de olhares rápida, entendeu exatamente do que a garota precisava.

Quando Calliope saiu novamente, Arthur estava encostado na parede e profundamente concentrado em algo. Ele olhou para a Selecionada. Agora vestida com jeans quentinhos, um grande e grosso casaco azul, botas UGG, cachecol e luvas. Calliope estava sempre de luvas.

"Uau. É incrível como vocês, meninas, conseguem ficar deslumbrantes até em roupas de neve", ele comentou, sorrindo galantemente enquanto lhe tomava o braço.

"Obrigada, Arthur", ela disse, delicada, e sorriu. Arthur sentiu seu cérebro mais uma vez escorrer pelas orelhas depois daquele sorriso. "Agora, o que vamos fazer?"

"Suponho que não vá querer pular nas folhas de outono, certo?", ele brincou, e ela riu educadamente. "Então eu pensei que poderíamos caminhar."

"Mas está escuro e frio", Calliope constatou, ao passo que o príncipe levantou um par de lanternas.

"Vim preparado para isso."

***

Calliope arfava em busca de ar. Arthur havia caído em um riacho, ao pisar em uma pedra escorregadia, e a garota teve de içá-lo de volta para o chão depois do susto. O casaco era impermeável, então ele não se molhou muito no tronco, mas seu jeans estava irremediavelmente encharcado. A lanterna também não pode ser salva, Calliope vira ela cair com um barulho alto e se desmontar no chão.

Eles estavam de pé lado a lado, ela arfando e ele tremendo de frio. "Eu lhe ofereceria o braço para que voltemos, mas creio que isso só lhe renda calafrios."
Ela deu uma risadinha educada. "De fato. Aprecio o concernimento. Devemos ir, suponho."

Arthur assentiu, mas se deteve antes mesmo de começar a andar. "Ah, Callio-posso te chamar assim?", ela concordou. "Então, Calliope. Suas luvas não estão molhadas?"

Ela respondeu com simplicidade, distraída pelo cansaço. "Um pouco. Nada demais."

"Deveria tirar. Está frio aqui fora, não quero que se resfrie.", ele devolveu, já voltando a andar.

Calliope, surpresa pelo que esteve prestes a fazer, quase estancou de supetão. Mas se forçou a disfarçar a andar. Arthur não fizera por mal. "É-é melhor não. Ruim com, elas, mas pior sem."

Ele levantou as sobrancelhas e a olhou nos olhos. "Tem certeza? A última coisa que eu quero é que adoeça por minha culpa."

Ela assentiu. Não poderia tirar as luvas, não mesmo. Isso significaria expor as cicatrizes que sua madrasta havia feito não só ao príncipe como ao frio. E Calliope não estava disposta a passar por nenhum dos dois, ainda não. "Tenho. Não se preocupe, vou ficar perfeitamente bem", garantiu.

"Como queira", ele concordou, enfiando as mãos nos bolsos da blusa.

"Então, Calliope... É um belo nome. Mas exótico. Alguma história por trás?"

"Bem, sim. De certa forma", concordou, pensando lentamente suas palavras. Como faria isso? "Como deve saber, eu passei alguns anos na Itália."

"De fato. Conversamos sobre isso, se lembra?"

"Depois que voltei, quis mostrar que era uma nova pessoa. Não a garotinha imatura que foi, mas uma mulher que está voltando. O melhor jeito que achei de fazer isso foi, bem, mudando meu primeiro nome", explicou, constatando que não havia falado demais.

"Que era..?"

"Claire", falou. "Mas não era esperado que soubesse?"

"Vocês eram 35, no início. Nunca foi esperado que eu soubesse todos os nomes de todas vocês", o príncipe deu de ombros. "O primeiro e o último? Até vai. Mas todos? Sem chance."

"Ah, lhe entendo", ela sorriu, educada.

"Não me parece que tenha problema com datas."

"Você mal me conhece direito, Alte-Arthur", Calliope devolveu. "Tenho vários problemas dos quais não sabe."

"Foram dois meses, Calliope. E, se você fosse mais aberta, talvez eu pudesse saber."

"Vossa Alteza não tem disposto de tanto tempo com as Selecionadas para que nos abramos."

"Só o bastante para decidir quem vai e quem fica, não é mesmo?"
"Ah, então já decidiu?", ela o pegou. "Por que não anuncia?"

"Porque não é assim que as coisas funcionam, senhorita", eles entraram no hotel, e duas criadas mais uma assessora rapidamente correram até onde estavam.

"Alteza, senhorita!", Amandla, que 'tomava conta' do grupo de Calliope, parecia desesperada. "O que aconteceu? Vossa Alteza, está encharcado!"

Arthur deu uma risadinha. "Amandla, não?"

"Amandla Garfield", concordou.

"Bom, senhorita Garfield, eu e a senhorita Rosier estávamos fazendo uma caminhada."

"Caminhada no riacho, Alteza?", ela brincou, se referindo às calças molhadas.

"Ah, isso. Eu caí, senhorita", ele se explicou. "Agora, a senhorita Rosier precisa que alguém lhe acompanhe até o quarto."

"Decerto, Alteza. Eu mesma o farei. Quer que alguma das criadas lhe arranje um roupão ou-"

"Agradeço, senhorita Garfield, mas tudo de que preciso é de uma ducha quente e meus pijamas. Especialmente agora", ele a cortou, com um quê de educação, e Amandla assentiu.

"Certo. Algo mais?"

"Bem, sim. Posso saber onde estariam meus pais e irmãos?"

"As Majestades estão em seu quarto, junto à princesas Hannie e ao príncipe Phillip. A princesa Louise e o príncipe Anthony pediram que lhe avisassem que estão na sala de música", Amandla rapidamente informou.

"Ótimo. Tenha uma boa noite, senhorita Garfield. Senhorita Evans Rosier", ele as cumprimentou, antes de sair andando.

Arthur suspirou profundamente. Nunca fora tão sincero com alguém antes até falar que não era tão simples assim.

Notas finais
E então? Outro encontro, eu sei, mas menos romance. O que acham? Sinceramente? Espero que respondam nos comments, hm. Beijinhos :*