Notas iniciais
Hey, pípous! Então, bateu a inspiração e eu decidi escrever um beautiful capítulo pra vocês! E aqui estamos! Bom, voltamos à saga dos encontros #2. É, de novo. Mas dessa vez vão ser só dois encontros e surprise: eu vou escolher as garotas! Não vai durar mais que dois capítulos. Aí, sim, a história esquenta. A música é Don't Want To Be Alone- Doo Wop Shop. Esses caras são muito toptásticos, para não falar outra coisa. É um grupo de A Capella, o melhor ever. Hope you enjoy! P.S: O loirinho fofo da gravata verde, Geoff, e o moreno que tem os vocais principais, Jake, são meuuus!

“Senhorita Lewis?”, Delancy ouviu a voz meio debochada de Aurora à sua porta, acompanhada por uma risadinha de Caroline. “Poderíamos entrar?”

Ela revirou os olhos. “Andem logo.”

Carol entrou, acompanhada por suas amigas muletas, e Aurora a seguiu. Sofia se escondia timidamente atrás das duas. As duas primeiras se jogaram na cama junto de Delancy, enquanto Sofia se sentou no sofá ao pé da cama. Aurora olhou criticamente para a peça de pano em que Delancy trabalhava- um simples pano prateado, em formato de borboleta, que ela bordava. Delancy era costureira, e fez de sua obrigação seu passatempo.

“Costurando novamente, Del?”, Aurora levantou uma sobrancelha.

“Sim, eu estou.”, ela devolveu, fria. “E, à propósito, não me chame de Del nunca mais.”

“Delancy, suas mãos vão ficar marcadas.”, Carol balançou a cabeça em reprovação. “Deve parar.”

“Para de fazer o que eu amo, Carol?”, ela tornou, suspirando. “Não, obrigada.”

Sofia mirava as mãos realmente calejadas de Delancy. “As melhores pessoas têm cicatrizes.”

Delancy sorriu. “Carol tem o pé quebrado, você tem os arranhões...”

“E eu?”, Aurora brincou de indignada.

“Ela disse boas pessoas, Aurora.”, Delancy brincou, e Aurora botou língua.

“Alguém está aprendendo a brincar.”, Carol sorriu, olhando pela janela.

Delancy deu de ombros, se repreendendo mentalmente. Sabia que em breve deixaria as meninas. Só não sabia quando. Não podia se tornar amiga delas, não sabendo que elas se separariam.

Por outro lado, ela começava a se apegar à elas. Estava se soltando, voltando a ser a garota que era há cinco anos: feliz, doce e sorridente. Delancy gostava daquela garota, mas o mundo real não. Tanto que o mundo real enterrara aquela versão de Delancy tão fundo que ela pensou que nunca mais a veria ali, à flor da pele.

No entanto, lá estava ela, tirando uma com a cara de Aurora.

“Ei, relaxe.”, Sofia disse, fraternal. “Não tem ninguém aqui que vá te machucar.”

E Delancy percebeu do que Sofia falava: as ruas. Delancy, porém, nunca tivera vocação para ser do tipo coitadinha. E via que Sofia não tinha também, mas era tudo novo demais para ela.

“Eu sei.”, Delancy devolveu, e pensava no que acrescentar quando uma batida soou na porta.

“Quem bate?”, Aurora perguntou antes que Delancy sequer piscasse.

“Aurie?”, o Príncipe Tony perguntou, e Aurora pôs a língua de lado. “Aqui não é o quarta de Delancy Lewis?”

Aurora pulou até a porta, enquanto Carol pegou suas muletas e Sofia ajeitou seu vestido. “Sim, este é o quarto dela.”, ela disse, abrindo a porta. Obviamente, ela não esperava ver ambos os príncipes ali.

“Altezas.”, de pé num salto, Delancy fez uma reverência.

Arthur as cumprimentou com a cabeça, somente. “Senhoritas.”

“Senhoritas, se me permitem”, Anthony declarou. “, têm visita no Salão das Mulheres.”

“Quem?”, Aurora perguntou.

“Amberly Schreave e Magda Singer gostariam de lhes falar.”, foi Arthur a responder.

“Se pudessem me acompanhar...”, Anthony disse, e as garotas o acompanharam- Aurora andando alegremente ao seu lado, conversando, Sofia e Carol um pouco atrás, por causa das muletas.

Quando Delancy ia atrás delas, Arthur colocou o corpo na frente da porta.

E a Delancy do mundo real voltou.

Ela podia até fazer amigas, mas não se apaixonaria. Isso seria pedir demais.

“Alteza, se me permite...”, ela tentou, mas ele balançou a cabeça.

“Gostaria de conversar com a senhorita.”, ele deu de ombros. “Não vou lhe tomar muito tempo.”

“Como Vossa Alteza desejar.”, tornou, irritada.

“Chame-me de Arthur.”, ele piscou, e a tomou pelo braço. Delancy se segurou para não revirar os olhos.

“Onde vamos, Arthur?”, ela deu ênfase irônica no nome dele, que riu seco.

“Ao jardim, senhorita.”, disse, por fim.

“Me chame de Delancy, se é assim.”

“Como queira.”

“Vamos ao jardim mesmo à noite?”, Delancy indagou, confusa, enquanto eles desciam as escadas.

“É o meu momento preferido para ir ao jardim.”, ele confirmou, com um aceno de cabeça.

“E por que está me levando?”, ela o desafiou.

Ele riu, vendo o joguinho da garota. Decidiu jogar. “Por que eu não lhe levaria?”

“Porque pode levar Caroline, Aurora, Sofia, Calliope e todas as outras 28.”, ela levantou uma sobrancelha.

Arthur sorriu. “É, eu podia. Mas, veja bem, não posso sair com todas ao mesmo tempo. Devo escolher uma a cada vez.”

“E por que vim a ser eu esta?”, Delancy perguntou, e eles passaram pela porta.

O jardim, fora uns lampiões, ficava na escuridão durante a noite. De propósito, é claro: a Família Real adorava ver as estrelas. Delancy se segurou para não soltar um arquejo de admiração.

Arthur deu de ombros. “Sei lá. Deu na telha.”

“Príncipes não costumam chamar meninas para ir ao jardim porque dá na telha.”

“Tá, tá. Você venceu.”, ele se rendeu, e Delancy soltou um resquício de risada. “Chamei você porque você ainda é um mistério pra mim.”

“Um mistério?”, a graça se foi, dando lugar ao ceticismo.

“Sim, um mistério. Que eu pretendo resolver.”, ele confirmou, e levou ela para uma parte específica do jardim: um círculo limpo de plantas, com um parquinho pequeno. Delancy pareceu meio maravilhada.

“Vocês têm um parquinho.”

“Temos.”

“De verdade.”

“Dã.”

“Só pra vocês.”

“Hm, Delancy, você está sendo irônica?”

“Eu nunca brinquei num desses.”, ela disse, enquanto Arthur a conduzia aos balanços. “Mamãe dizia que não podíamos. Que parquinho era coisa de criança rica. Que eles iam nos expulsar.”

“Sério?”

“Mais que sério.”, Delancy confirmou. “Minhas irmãs, Gwen, Kyra e Pietra, te perguntariam pra que serve um.”

“Quer sentar no balanço?”, ele perguntou, e Delancy teve de aceitar. “Posso te empurrar.”

“Não, obrigada.”, ela disse, fria. Arthur quase riu, mas se sentou ao lado dela. Ela deu um pequeno impulso, somente o bastante para se manter em movimento. “Você falava do mistério.”

“Ah, claro.”, ele sorriu, a acompanhando com o balanço. “O mistério. VocÊ, senhorita Lewis, deixou toda a minha família intrigada. Por que raios aquela menina é tão fria?”

“A vida ensina.”, ela murmurou, mas ele continuou.

“E eu, Delancy, ainda não perdi minha fé humanidade.”

“Falou o cara que trouxe 35 garotas pra competir por sua mão.”

“Certas coisas são necessárias, senhorita.”, ele suspirou. Delancy era mesmo difícil. “Como eu ainda acredito nessa nossa bela raça, decidi que você não poderia estar sendo assim de propósito. Algo lhe aconteceu, algo que lhe tornou assim.”

“O mundo real me fez assim.”, ela tornou. “E adivinhe: ele não é cor-de-rosa. Na verdade, é cinza, bem cinza.”

Arthur a encorajou a continuar. Delancy engoliu em seco.

“E o amor, tão prezado amor. O amor que constrói famílias, levanta lares, muda a vida das pessoas. Ele, que trouxe as 35 de nós até aqui, é uma maldição. Ele nos destrói. Nos afunda. É bom enquanto a ilusão é suficientemente sólida. Depois que a máscara cai, ele se mostra um bandido. Um assassino. O pior de todos.”

“É um pensamento frio.”, ele disse.

“É um pensamento realista.”, ela corrigiu.

Eles ficaram ali, balançando em silêncio por um tempo. Depois, Arthur indicou a Delancy suas constelações preferidas, como fizera com Alyssa. E eles voltaram para dentro.

Delancy não queria ter ido, mas lhe fez bem. Ela tinha de admitir, por mais que não quisesse: a Delancy versão 1.2(N/A: Doze anos, a de cinco atrás.) era boa; e quando ela vinha, vinha com tudo.

Somente para ir embora logo, logo, como um tapa de mundo real.

Notas finais
O que pensam, eh?