Notas iniciais
Oiieee! Tudo bem, galerinha do barulho - ou será que do silêncio seria mais apropriado? Na moral, gente, onde foram parar minhas cinco leitoras ativas? Por favor, voltem pra mim. Só constando que a música do cap é C'mon, do Panic! At The Disco feat Fun. Go ahead and have some Brendon Urie & Nate Ruess aka melhores vozes masculinas do mercado.

Carlo chegou em Illéa morto de cansaço.

O voo não era tão longo assim, só em torno de cinco horas, mas viajar com suas irmãs sempre era o inferno. Ele lamentava-se a cada segundo, xingando a si próprio por não ter insistido que Alicia, sua noiva, viesse junto. Por esse pequeno erro, ele tinha de aguentar Bianca a viagem inteira.

É claro que ela não estava ao seu lado, ela nunca estava. Ele fizera a viagem sentado com Mirella, sua outra gêmea, que graças à Deus era muito mais afável que Bianca. Os dois se puseram a assistir um filme com a internet do jatinho, e ocasionalmente comentavam ele entre si. Bianca havia sentado-se no par de cadeiras logo atrás e parecia ler um livro, sua mãe sentada ao seu lado tentando dormir, já que o pai estava com seu Conselheiro-Chefe. A gêmea do meio, porém, estava espreitando o filme dos outros dois, e não deixava nenhum comentário oportuno passar em branco. Mirella a ignorava, nunca havia sido do tipo que briga, mas Carlo estava realmente começando a se estressar com a irmã. Os dois estavam prestes a iniciar uma enorme discussão que duraria horas se sua mãe não tivesse interrompido.

"Vocês dois! Parem agora!", a Rainha Nicoletta disse, cansada da atitude dos filhos. "Bianca, você é a filha do meio e não a herdeira, encher a paciência de seus irmãos não mudará isso", ela disse, ao passo que Bianca discretamente rolou os olhos, e então virou-se para Carlo. "Carlo, você é o herdeiro e um adulto! Porte-se como tal!"

"Desculpa, mãe", o menino balbuciou, mas a Rainha suspirou.

"Será que vocês dois nunca vão superar essa briguinha? Por favor, meus queridos, vocês já tem quase vinte e um anos. É hora de começarem a agirem como irmãos e adultos", ela disse, olhando para cada um deles, e Carlo levantou as mãos.

"Eu não tenho nada contra Bianca, ela é que fica agindo como uma idiota", o príncipe apontou, o que fez Bianca bufar.

"Eu não aceito isso. Carlo não tem o que se é preciso para um rei, vai acabar com o país. Estou te falando, mamãe, eu daria uma soberana muito melhor", sua irmã disse, o que fez Mirella suspirar algo sobre a sutileza (ou aparente falta dela) de sua irmã.

"Bianca, nós já tivemos essa conversa", sua mãe advertiu.

"E daí? Não muda o fato de que ele é um incompetente, muda?", ela devolveu, ácida, e o semblante de seu irmão fechou.

"O incompetente aqui passou em todos os testes do papai e te aturou por vinte anos", Carlo fuzilou sua irmã. "Sem contar, irmãzinha, que ele nasceu primeiro."

"E eu ligo?"

"Deveria. Afinal, não é isso que supostamente", ele imitou a irmã afetadamente: "arruinou sua vida?"

"Você é um sem-noção imaturo."

"Se você é quem diz", Carlo deu de ombros, e ela se desencostou da cadeira.

"Ora, seu filh-"

"Ei, pessoal!", Mirella chamou, interrompendo a irmã. Ela apontava a janela. "Olhem! Chegamos em Angeles!"

Eles trocaram mais um olhar ácido antes de olharem para suas janelas. Mirella estava certa: abaixo de si, eles conseguiam ver os verdes morros de Angeles, e a capital de Illéa estava visível, seus prédios e o Palácio brilhando no sol da tarde. Carlo sorriu. Ele sempre gostara da visão da terra dos Schreave.

Em alguns minutos eles pousaram, estando os três irmãos Schreave mais velhos na pista lhes esperando. Arthur e Louise conversavam animadamente e sorriram largo para ele quando eles desceram, mas Carlo pôde reparar que Anthony estava cabisbaixo e melancólico, o que era muito inusual. Tony sempre fora o mais extrovertido e animado dentre os três. O que haveria acontecido?

Carlo resolveu que perguntaria depois, vendo que Nicoletta já havia passado à sua frente e estava abraçando os três. Ela abraçara Louise bem forte, beijando o ar ao lado de suas duas bochechas, o que pareceu deixá-la tonta, e segurou Arthur pelos ombros antes de realmente abraça-lo. O italiano riu, se aproximando.

"Carlo!", Louise sorriu, lhe abraçando. Então, em tom mais baixo: "Eu me esqueço toda vez de como vocês, italianos, podem ser calorosos."

"Ora, Louise, vocês illeanos nunca ficaram muito atrás", ele argumentou e sorriu, antes de cumprimentar Arthur com um abraço mais rápido e fazer o mesmo com Anthony.

Suas irmãs os alcançaram logo, assim como seu pai, embora tenham só brevemente se cumprimentado. Carlo sabia que Mirella poderia ser meio tímida, até com amigos próximos feito os Schreave, além do que o Rei estava com a cabeça em outras coisas. Bianca, bom, Bianca era só um pé no saco o tempo todo. Depois disso, se puseram a andar pela pista, em direção à uma limusine preta que lhes esperava. Carlo se mantinha entre Arthur e Anthony, lançando-lhes intermináveis perguntas sobre A Seleção.

"Mas então você já tem sua favorita?", o italiano perguntou ao ruivo pela quarta vez, já que ele sempre achava um jeito de desviar-se da resposta. Dessa vez, ele deu de ombros.

"Mais ou menos", admitiu. "Eu sei com quem eu não vou me casar. Eu sei com quem eu poderia me casar. Eu sei com quem eu me casaria sem pestanejar."

"E essas são?", Carlo puxou.

"E é por isso que eu não queria falar", Arthur sorriu. "Você é assim, Carlo: a gente te dá a mão e você já quer o corpo inteiro."

"Ma che!", Carlo exclamou, fingindo indignação, enquanto eles realmente embarcavam na limusine. "Está falando sandices, Arthur."

"Carlo, cara, sandices? Quem usa a palavra sandices?", Anthony lhe perguntou, se pronunciando pela segunda ou terceira vez durante toda a conversa, o que voltou a atenção de Carlo para ele.

"E você, bambino? O que se passa contigo?", perguntou, observando-o atentamente.

Anthony tentou sorrir de lado, mas seu lábio tremeu e fez com que o sorriso caísse numa cara de tristeza. Desistindo da tentativa, ele deu de ombros e suspirou, como se ele não conseguisse responder. Carlo se virou para o ruivo então, em busca de respostas, mas Arthur meneou a cabeça discretamente para Mirella, que olhava pela janela e cantarolava alguma coisa em italiano ao lado do irmão. Carlo inspirou e expirou audivelmente antes de relaxar-se no banco, a cabeça para trás do resto do corpo.

"Ah, sim, eu me esqueci de dizer", Arthur disse de súbito, fazendo com que o moreno levantasse a cabeça para encará-lo. "Daqui três dias será dada uma festa em sua honra. Eu disse para minha mãe que já seria cansativo o bastante para vocês sem isso, mas ela insistiu que uma visita de Nicoletta — não me olhe assim, foi ela que falou só sua mãe — sem uma festa digna, não é uma visita de Nicoletta."

Carlo soltou uma risada alta, sabendo exatamente o que America havia querido dizer. Sua mãe sempre fora famosa por ser festeira, e é claro que haveria uma festa em sua honra. Bom, olhando pelo lado bom, pelo menos a viagem não seria tão estrita quanto ele achou que fosse.

Lamentou mais uma vez que Alicia não estivesse ali: ele pagaria para ver a cara de sua noiva diante das festas illeanas.

—x-x-x-

Delancy já teria saído do Salão há algumas horas se não estivesse sendo obrigada a permanecer. Ela sabia que todas tinham de ficar ali naquele dia, o que incluía os membros da Família Real que ainda estavam no Palácio e metade dos funcionários, e sabia que era importante: era a chegada da Família Real Italiana, grandes aliados illeanos. E, ainda assim, queria só ir para seu quarto e jogar cartas com as criadas, ou quem sabe dormir. Os italianos haviam escolhido um péssimo dia para chegar — a menos, é claro, que fosse a chegada deles que causasse isso. Então, ela já tinha certa antipatia por eles.

Mas o dia estava realmente insuportável. Alasca havia acordado de mau-humor, como em setenta por cento das vezes, e parecia ter tirado o dia para provocar Delancy e Calliope. Ela mandava alfinetadas a cada frase que saía de sua boca, e, quando falou de sua família, Delancy ficou muito, mas muito, tentada a criar barraco. Ela provavelmente teria o feito, gritando com a menina sobre o quão falsa e insuportável ela estava sendo, mas não valia a pena. Afinal, se ela queria continuar no Palácio, ela sabia que educação e nobreza eram fundamentais, mesmo que não fossem mútuas.

Aurora, ela observou, parecia diferente. Ela havia andado mais quieta e mal-humorada nos últimos dias, como se algo terrível houvesse acontecido, mas estava bastante feliz quando o dia começou. Ela esfregara suas mãos por horas a fio, e não conseguia parar de tagarelar sobre a Itália por um segundo que fosse; de modo que nem Calliope, que havia morado no país e tinha grande carinho pela terra, conseguia aguentar mais. Para a sorte das Selecionadas, aquilo mudou quando a família de Aurora apareceu no Palácio — o que foi uma surpresa para todos. Parecia que o pai de Aurora era primo do rei italiano, então fazia sentido que eles estivessem ali. No minuto em que eles entraram, seu pai lhe chamou, e Aurora despediu-se das garotas enquanto resmungava. No presente momento, ela estava no meio de uma acalorada discussão em italiano com sua irmã mais velha, Nicole, de maneira que elas tinham de parar e lembrar uma à outra de não gritar por vezes. Delancy não entendia uma palavra, mas Calliope disse que estavam falando sobre garotos, o que fez Dya estranhar. Aurora nunca fora dessas, mas, até aí, ela nunca fora próxima de Aurora mesmo.

Skyler, mais afastada das outras, parecia radiante. Ela andava pelo Salão, ocasionalmente parando para conversar com os criados ou a banda, sempre acompanhando a certa distância as câmeras e Dade Fadaye, que fazia entrevistas com alguns dos presentes. Em uma das vezes, parou ao lado dos bebês para fazer graça por um minuto antes de voltar a rodar. Delancy não sabia exatamente o porquê, mas, na última semana, ela estivera dessa mesma maneira. Como se tivesse recebido uma notícia muito boa que não podia compartilhar, então guardava para si e drenava toda a alegria por aquela notícia em suas ações. Deus sabe o que seria.

Sofia e Calliope, por fim, conversavam calmamente nos sofás, sobre alguns boatos que corriam sobre a princesa Bianca, da Itália. Calliope mantinha suas mãos enluvadas recolhidas ao seu colo, cuidadosamente colocadas uma sobre a outra, e Delancy se viu precisando se segurar para não rolar os olhos. Agora mais do que nunca, ela sabia que tinha algo de errado, principalmente depois de que Arthur deixou escapar algo sobre as luvas e depois disse à ela que esquecesse, já que Calliope não havia falado nada. Ela ainda estava a evitando, e a antiga Seis estava realmente tentando fazê-la se abrir. Então tentou prestar atenção no quê as duas conversavam, mas, no momento em que conseguiu se focar no assunto, alguém começou a anunciar os italianos.

Ela suspirou enquanto se punha de pé e ajeitava sua saia, Skyler — que havia brotado do chão, como sempre fazia — tocando sua coluna na milésima tentativa de tirar a postura de costureira dela. Delancy revirou os olhos com a ação, ela nunca conseguiria ficar ereta. 'É como dizem por aí: a pessoa muda da profissão, mas a profissão nunca muda da pessoa.', ela riu consigo mesma, mas fez o seu melhor para parecer uma senhorita fina. Afinal, ela não quereria que Arth-a realeza italiana a visse daquele jeito, quereria?

Notas finais
Só constando que, se continuarem agindo como os Irmãos Silenciosos de Instrumentos Mortais, eu viro Irmã de Ferro e me ver vai ser raridade. (Sei que estou sendo meio dura, mas tô meio chateadinha com vocês. I mean, de três caps pra cá, só a Cat comenta e ninguém comentou o cap 72 mesmo que ele tenha 10 acessos. Se não podem comentar, meninas, avisem por MP, porque achar que as minhas poucas garotas sumiram me deixa lá no fundo do poço)