Coroada - A Seleção Interativa

74 I Write Sins Not Tragedies


Notas iniciais
Oieee! Então, gente, tentem entender que esse é um daqueles capítulos frutos do bloqueio. Algumas partes dele vieram naturalmente, outras eu fiquei debruçada no teclado pra ver se letras aleatórias ficariam boas na história. Eu acho que, no mas, ficou legal, mas nem tanto. Porém, há um motivo para esse bloqueio. Vamos lá, então. Seguinte: recentemente, eu fiz diversas alterações no planejamento, diminuindo de 114 capítulos pra 97 porque a fic estava se prolongando muito. Mas enquanto 114 capítulos são muitos e muita coisa, se não for isso (e eu não vou escrever isso), o desenvolvimento pode ser um pouquinho atropelado. I mean, a parte que deveria ser a maior, quando ficam só quatro garotas, vão durar mais ou menos 15 capítulos. Eu estou frustrada por não ter conseguido planejar isso melhor, e muito muito muito tentada a dar a essa fic uma finalização bem mais rápida, só pra falar quem fica com quem, quem ganha a Seleção e pronto; partiu segunda temporada. MAS, se eu fizer isso, vou estar atropelando ainda mais meu desenvolvimento e ficar com um peso enorme na consciência, embora a questão do planejamento esteja me dando uma dor de cabeça danada e um peso nas costas i n s u p o r t á v e l. Em outras palavras, migas, eu estou em uma encruzilhada e meio que me inclino para ambos os lados, o que só dificulta ainda mais minha situação. O que vocês, leitoras, honestamente acham que eu deveria fazer. Meanwhile, a música do capítulo é I Write Sins Not Tragedies do Panic! At The Disco. Eu me descobri parte da Sagrada Trindade Emo (My Chemical Romance, Fall Out Boy & Panic! At The Disco [ e, se tu for dos reformistas, twenty one pilots, mas a maior parte do fandom usa só a trindade porque top (como faço aquele troço no pc em alemão damn) é mais novo e as outras começaram todas mais ou menos namesma época e pá]), e agora a vida faz muito mais sentido hauhsuahush. Mas não pensem que isso me livrou do outro problema. Emonizar as coisas só piora tudo. Enfim. Aproveitem o capítulo, porque, de uma maneira ou outra, ele é um dos últimos!

Arthur respirou fundo antes de se acomodar na cadeira ao lado de Austin. Ele sabia o quão importante aquela reunião era, e queria que tudo saísse perfeito. Havia escolhido seu melhor terno, deixado sua barba conforme a etiqueta demandava, penteado o cabelo rebelde e até mesmo acordado mais cedo para checar alguns documentos antes de descer para o Conselho e chegar um pouco antes da hora. Seu primo inclusive levantou as sobrancelhas em surpresa e reconhecimento, mas logo depois entrou numa narrativa sobre a pauta daquela reunião, embora Arthur já soubesse mais que bem do que se tratava. Arthur teria o interrompido, mas sabia que o jeito de Austin de demonstrar nervosismo era falar sem parar sobre o assunto — o que era bom, já que ele parecia se manter distraído com isso.

Arthur deixou seus olhos viajarem pela sala enquanto ouvia o loiro dizer tudo o que ele já sabia, e pôde reparar que os lugares que normalmente seriam reservados ao representante da guarda e outra presença representativa estavam adereçados ao monarca italiano, o rei Giovanni, e a Carlo, o herdeiro do trono, logo à sua frente. Alguém que deveria ser o secretário do rei ou algo do tipo estava de pé atrás dos assentos, separando alguns papéis de outros, até o momento em que os dois chegaram. Estando todos dentro da sala, foi dado início à reunião.

Yoren passou a pauta em voz alta novamente, embora todos já soubessem do que se trataria. Arthur suspirou, ajeitando seu paletó, quando o Conselheiro-Chefe finalmente passou a palavra ao seu pai, que alinhou o terno da mesma maneira que ele mesmo sempre fazia antes de exibir um sorriso caloroso para todos na sala. “Muito obrigado, Yoren”, disse, e o conselheiro murmurou um ‘sempre um prazer, Majestade’ que era parte do protocolo antes do Rei se voltar para as visitas. “Bom, como é de conhecimento de todos os presentes, Illéa está engajada de maneira irreversível na guerra Neozelandeza-Illeana, e, assim como os outros países da Nova Aliança Ocidental, precisa de apoio de algum outro país para que possamos, juntos, acabar com esta disputa. Enquanto o Reino Unido e a França, principais países ativos além da própria Illéa e da Nova Zelândia, já não podem oferecer esta ajuda ao nosso país por se encontrarem nas mesmas condições; os monarcas italianos parecem dispostos a ajudar-nos no momento. Rei Giovanni?”

O rei italiano não abriu um sorriso como o illeano, mas fez um meneio de cabeça em agradecimento à Maxon antes de inspirar profundamente e começar a falar. “Bom dia à todos, ou assim espero. A Itália está disposta a oferecer apoio, sim, Maxon, mas nossa população mostrou grande desaprovação quanto à levar nossas tropas para a Nova Zelândia. Devem se lembrar de que, na época da guerra Neoasiática, a Itália sofreu sérias baixas e o povo parece ainda não ter – com razão – conseguido superá-las. Em favor disso, até que a situação fique mais grave, buscaremos intervir de maneira mais grave, como os orçamentos feitos por meu filho mostram. Carlo?”

O Príncipe Italiano, ao contrário do que Arthur estava acostumado, se mostrava extremamente sério e com uma dicção para além de perfeita do inglês. “Foi decidido que, por hora, a Itália proverá os mantimentos requisitados por ambos illeanos e ingleses, levando-os por aviões com containers equipados por paraquedas até ambos os lados da ilha. Quantidades exatas e coordenadas podem ser encontradas no documento que nosso secretário-geral, o senhor Zanardi”, ele apontou o homem atrás de si, “e ele entregará eles com prazer aos interessados, só levantem as mãos. No futuro, caso seja estritamente necessário, será reconsiderada uma entrada realmente militar de nosso país na guerra, mas, no momento, gostaríamos de restringir nosso apoio aos suprimentos e apoio médico.”

Arthur voltou seu olhar para seu próprio pai. Quem não o conhecia muito bem mal conseguiria reparar na leve preocupação que tomava seus olhos. Ele sentiu urgência em dizer algo que melhorasse um pouco a situação, mas sabia que o mais sábio seria ficar calado mesmo. Os italianos já estavam saindo de sua zona de conforto só por meramente estarem oferecendo ajuda, a mera expressão de Carlo enquanto ele falava sinalizava que aquela era a decisão final. Aquietou a compulsão de dizer qualquer coisa, sabendo que seu pai valorizaria aquilo mais do que palavras. Como o rei mesmo sempre dizia, a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro.Em vez disso, resolveu dizer algo que soaria bom aos ouvidos de todos – em outras palavras, fazer política: “Illéa decerto aprecia tal esforço, e tenham certeza que o apoio, ainda que não militar, é extremamente valorizado nestes tempos”, sorriu, e, passando os olhos sobre seu pai, viu que ele parecia aprovar. Continuou, então. “Eu e meu pai estaremos fazendo uma viagem à Rússia dentro de menos de um mês para que possamos negociar com o Tsarevich, além do que as condições para um apoio militar de peso por parte da Nova Ásia continuam sendo discutidos.”

“Bem, dito isso, creio que possamos prosseguir para a parte burocrática, sim?”, Austin sugeriu, de leve, ao que houve um burburinho de assentamento. Arthur sorriu tristemente e suspirou, abrindo a pasta. Agora, sim, vinha a parte dura de ser da realeza.

— x – x – x –

Mais tarde naquele dia, Skyler ouviu batidas à sua porta enquanto suas criadas batiam o laquê em seu cabelo, finalizando de uma vez por todas o visual para o Jornal. Ela sabia que cada um de seus dias em frente às câmeras poderia ser o último, e, embora não se importasse de deixar essa vida de uma vez por todas, queria que sua saída fosse triunfal. Ela gritou um já vai, então, e pediu que uma de suas criadas abrisse a porta enquanto ela colocava os saltos. Ela olhava para o chão, mas um assobio distraído denunciou Arthur.

“Que bela garota”, admitiu, num tom brincalhão. “É uma pena que já esteja comprometida, não?”

Ela riu, se colocando de pé e fazendo uma cara travessa. “Pra você, ruivo, estamos sempre aqui.”

Os dois compartilharam uma gargalhada. “Me acompanha até o estúdio?”

Skyler deu de ombros. “Claro. Algum motivo em especial?”

Ele levantou as sobrancelhas. “Tenho notícias para você.”

Ela esfregou as mãos em nervosismo, se sentindo subitamente inquieta e agradecendo aos céus por suas criadas usarem batom que só saía com demaquilante específico para ele. “Boas ou ruins?”

“Bom, acho que você vai ter de vir comigo para saber, não é?”

“Você é cruel.”

“As meninas se amarram”, Arthur lhe jogou um sorriso, ao passo que Sky revirou os olhos.

“Que seja.”

Ele lhe ofereceu o braço de maneira excessivamente cortês e pomposa, e ela segurou a risada na hora de ser ainda mais polida para aceitar. Os dois se puseram a caminhar pelo corredor, ela se corroendo em ansiedade e lhe dirigindo um olhar arregalado enquanto ele parecia a encarnação da calma e da paciência. Skyler subitamente teve uma ideia de onde ele poderia enfiar toda aquela calma e paciência, mas sabia o suficiente para ter certeza que esperar era o melhor que ela faria. Quando os dois saíram da ala dos quartos de visita, tomando um caminho desconhecido para Skyler que deveria lhes levar até alguma entrada escondida do estúdio. Quando ela definitivamente não saberia mais como voltar, o príncipe resolveu dizer algo.

“Eu realmente achei que você não fosse aguentar.”

“Tenho minhas cartas na manga”, admitiu, sorrindo. “Agora anda, o quê é?”

“As seguintes duas ou três horas, Skyler”, ele disse, calmamente, pronunciando sílaba por sílaba no intuito de deixá-la mais ansiosa. “, são oficialmente suas últimas horas como Selecionada.”

Sky sabia que deveria ser errado, mas seus olhos brilharam. “Arthur, eu não-“

“Não diga nada”, ele a interrompeu, parecendo urgente mas calmo. “Tudo a partir do momento em que você sair do estúdio até depois do jantar, quando você for deixar o Palácio, foi meticulosamente articulado. Ninguém, Skyler, absolutamente ninguém pode saber do quê esteve acontecendo. Se alguém tomar conhecimento disso, eles podem fazer uma denúncia que vai me abrigar a punir vocês dois.”

A menina assentiu. “Certo. O que eu devo fazer então? Nós estávamos planejando...”

“E vocês vão”, Arthur a cortou de novo, e sorriu em desculpas. “Perdoe-me, é a urgência da coisa toda. Vocês vão se casar, Skyler. Dentro de três semanas, assim que os italianos forem embora. Mas isso não importa, várias Selecionadas de concursos anteriores se casaram menos de uma semana após sua saída. Foque-se no agora.”

“Okay. O que eu devo fazer quando deixar o Palácio? Não vou ter de voltar para a casa do meu pai, vou?”, Skyler devolveu, tentando conter sua aflição. A última coisa que ela queria era ver aquele lugar de novo.

“Não. Eu tomei a liberdade de reservar um quarto de hotel para você, e em vez do motorista padrão que leva as eliminadas ao aeroporto, você irá numa limusine dirigida por alguns guardas que eu e Dade escolhemos a dedo. Eles já sabem que você fica no hotel, mas quem não sabe disso são seus irmãos. Por isso, também tomei a liberdade de lhes comprar passagens para a cidade. Eles chegam daqui dois dias, e vão ficar no mesmo hotel que você. Então sim, eles já sabem da eliminação.”

“Você realmente pensa em tudo”, a garota sorriu, feliz e admirada. “Até quando vou ter de ficar no hotel com meus irmãos? Porque Dade tinha dito que estaria tudo bem se ficasse em sua casa, já que só ele e o pai moram lá mesmo.”

“É parte de ser príncipe. Como alguém que não pensa nos mínimos detalhes vira Rei?”, Arthur brincou. “Eu indico que você fiquei pelo menos quatro dias no hotel. Uma semana pode ser aconselhável. Depois disso, sinta-se livre para ir onde desejar.”

Skyler lhe estalou um beijo na bochecha. “Muito, mas muito obrigada, Arthur. Agora, mais uma pergunta.”

“Eu não deixei nada de fora. Deixei?”

“Não é isso. Eu quero saber onde estamos indo, idiota.”

“Ah, claro. Isso”, Arthur falou, sorrindo. “Mais uma entrada do estúdio. É por aqui que-“

“Eu entro e saio do palco”, uma voz disse, e os dois se viraram para ver Dade. “Ninguém sabe desse lugar. É por isso que falam por aí que eu apareço do nada. É tecnicamente verdade.”

Skyler mordeu seu lábio inferior na tentativa de conter um sorriso. “Então estamos no nada?”

“O exato meio entre lugar nenhum e nenhum lugar.”, o loiro confirmou.

“Vocês dois são adoráveis”, Arthur interrompeu, e Skyler não pôde conter o pensamento de que ele estava no clima para interrupções naquela noite. “Estamos alguns minutos adiantados, então vou deixar vocês. Skyler, dê a volta e pegue o corredor paralelo para uma entrada comum. Entrando por aqui, você literalmente brota no chão do palco. Estamos procurando afastar suspeitas.”

“Pode deixar, Alteza”, ela brincou, levantando uma sobrancelha para ele.

“E, hm”, Arthur fez uma careta antes de deixar o corredor. “Tentem se comportar pelo menos um pouquinho.”