Notas iniciais
Heey! Eu me empolguei nesse capítulo, né? Quase 5.000 palavras! Yay! Enfim, nem todas realmente conversam com ele, porque as únicas que o fazem são as que não tiveram um capítulo para elas e talz... Espero que gooosteeem!

05/08, Sala de Jantar, Palácio de Illéa. 8:34p.m.

As garotas se entreolhavam. Ninguém dizia uma palavra, principalmente por causa das assessoras ali presentes. Sete mesas haviam sido distribuídas, em um U, e havia a mesa principal, a da família real. Tanto as meninas quanto as assessoras estavam reparando, principalmente, as mudanças nas garotas. A mais mudada era, sem sombra de dúvida, Sarah Campbell. Na verdade, ela era a única que realmente precisava de mudanças. Meio à força, as mechas coloridas haviam sido retiradas, junto aos piercings. Quanto às várias tatuagens espalhadas pelo corpo... a menina discutiu muito com sua assessora, Lux. Lux, apesar de entender perfeitamente a garota, insistiu muito para que ela ao menos desfizesse as mais visíveis, sob promessa de serem refeitas quando ela fosse deixar o Palácio. Sarah, contra a sua natureza, concordou. Mas só as mais visíveis. E, ainda assim, conseguiu que deixassem uma totalmente à vista. A borboleta em seu pulso. Essa era especial, pois ela queria viver como aquela borboleta: ser livre, viver aventuras. Algo que seus pais nunca a permitiram. Lux estava visivelmente satisfeita, triunfante. Ela e Sarah haviam se tornado amigas.

Nenhuma das outras havia realmente mudado, como Campbell teve que fazer. Quer dizer, Aurora fizera alguns cachos no final de seu cabelo, e todas receberam hidratação e cuidado com unhas e pele. Essa mudança fez diferença principalmente nas garotas de Castas mais baixas, pois elas eram completamente desnutridas e malcuidadas. Sofia Delacour, por exemplo, havia tido total mudança em seus negros cabelos cacheados. O cabelo sofrera uma lavagem total, hidratação e um corte repicado. Suas sardas haviam se tornado mais marcantes, e mais claras. Os pêlos da perna haviam sido depilados, e ela gritara. E como gritara. As garotas que estavam a arrumando estranharam, pois ela não conseguia ver as coisas direito, mas também não usava óculos. Então, numa rápida visita ao oftalmologista real, ela recebera óculos e lentes de contato.

Todas as garotas haviam sido orientadas a usar todas as jóias que quisessem, fazer os penteados e maquiagens que desejassem; mas deveriam usar vestidos. Muitas, mas muitas mesmo, resistiram a essa medida. Mas era preciso, até qualquer pronunciamento do Príncipe.

"Garotas.", disse Monday, de um dos cantos da sala. A assessora não estava achando normal o que acontecia ali. "Conversem. Ajam naturalmente. Não é nenhum crime se socializar."

As outras assessoras assentiram, sorrindo, e os murmúrios começaram nas mesas. Com exceção, é claro, de algumas poucas.

A mesa que estava sob a responsabilidade de Amandla era uma verdadeira festa. Victoria(a que não é a Alasca) e Celina haviam se dado bem de uma tacada só. As duas vinham da fazenda, e tinham muito em comum. Conversavam em voz um pouco alta demais, animadamente. Riam a todo momento. Aurora as olhava, e ria de vez em quando. Fazia algumas piadas com o que conseguia, quando conseguia falar dentro da conversa das duas. Os italianos são animados, mas Victoria e Celina batem todos os recordes., ela pensava. Charlotte observava a porta, mas não como se quisesse que alguém entrasse: como se quisesse sair. E isso era verdade. Queria acabar com aquela palhaçada, e ir ficar com seu pai e Kaio. Por isso, por vezes era grossa na tentativa das outras garotas de trazê-la para a conversa. Calliope Claire era um pouco mais reservada, mas observava as garotas com um sorriso. As meninas estranharam ela, mesmo no calor do verão de Angeles, estar usando luvas brancas. Mas, é claro, ninguém perguntou nada.

A mesa de Monday, por sua vez, era um bocado dividida. Carol Hudson e Sylby Du Barry conversavam alegremente, porém calmamente, sobre o sistema de Castas, já que Carol lidava com todas e Sylby era renomada por escrever sobre elas. Sarah Deveraux e Katrin Viana conversavam amigavelmente, e as duas tinham a mesma profissão. Sarah contar a Katrin que ela fora sua principal inspiração para começar sua carreira, e Katrin agradecia. Está última, porém, também elogiava a garota, dizendo que lera alguns de seus livros, como Amor de Oito, seu maior sucesso. Ela contava o que achava que teria sido a história de amor de seus pais, uma vez que era adotada. Ao ouvir a palavra adoção, Sylby se confraternizou com a garota. Não muito tempo antes da Seleção, seu "pai" a contara que ela era adotada. Ela se chocou, mas prosseguiu com tudo. O show tem que continuar. Delancy Lewis observava, fria. Em todos os seus 17 anos, ela aprendera a desconfiar de tudo e de todos. E, antes de ser Selecionada, era a garota de Casta mais baixa naquela mesa, a única Seis, a única que não era Três antes de entrar. As outras, na tentativa de fazer amizade com ela, receberam algumas respostas um pouco duras, mas não muitas. Ela pensava que ninguém ali entendia o que era ser Seis. Como estava enganada.

Já a mesa da "Ala das Ruivas" não ia tão bem. Alasca havia acordado com um humor particularmente ruim nesse dia, e nada conseguia fazê-la sorrir. Nada no mundo. Ela era assim, tinha dias ruins e bons. Esse, sem dúvida, era um ruim. Péssimo, na verdade. Fora grossa por vezes com as outras, mas todas eram. Garotas daqueles dias já tinham um gênio forte, ruivas então... Para provar isso estavam ali todas as outras, claro. Audrey Lancaster estava ali pela necessidade, mesmo gostando do Palácio. Só se chateava realmente por duas coisas: 1. Vênus Petrov, sua "companheira" do Ballet de Illéa, estava ali. E elas simplesmente se odiavam; e 2. Pessoas. Metidas. São. Um. Pé. No. Calo. Em sua companhia tinha Liliam Marie, que era a mais indisposta ali, só perdendo para Vic Alasca. A ruiva sempre fora estressada, mas aquele tititi todo, acrescentado ao tempo sem livros, estava cansando sua beleza. Apoiava os cotovelos na mesa, e a cabeça nas mãos,apesar de saber que isso era errado. Juliet e Alyssa Swan trocavam murmúrios, agora não lá muito amigáveis. Juliet fizera uma pequena piada sobre o sobrenome de Alyssa, e ela quase se estressara. Juliet deu à outra um apelido, totalmente novo: Red Swan. A ruiva disse que preferia que não a chamasse assim, mas Juliet respondeu: Agora é que vai ser Red Swan mesmo.

Clariance observava sua mesa, contemplando sua ídola. Na mesa de Clary, Sofia Delacour, a suposta Oito, estava instalada. Todas as outras garotas a enchiam de perguntas, querendo saber como era sua vida. Danica a olhava com certa curiosidade, um pouco mais quieta que Skyler e Melissa. Sofia trazia à Danica certa nostalgia: ela sentia falta de seu antigo amigo Luke, um Sete que fora recrutado. Pensava consigo mesma se ele estaria ali no Palácio, então olhava para os lados o tempo todo. Melissa estava feliz em ver gente que sabia o que era ser a ovelha negra, feliz por ser tratada bem uma vez na vida. Se sentia... Ela mesma. Melissa Onuki. Skyler Smith estava como Melissa, sentindo que poderia voar. Estava livre do gelo de seu pai, que não podia mais ignorá-la ou tratá-la mau. Ela estava longe demais. E pretendia não voltar a morar com ele, seja lá qual fosse o final da Seleção. Sara Reynolds, a pop star, estranhou um pouco: ela não era o centro das atenções. Na verdade, o centro das atenções era uma Oito. Ela simplesmente não acreditava. Era uma sensação estranha, uma felicidade por não ter olhos sobre si contorcida e embaçada pela inveja e arrogância.

Na mesa de Lux, Karen Padley e Demetria Morgan permaneciam em silêncio. Enquanto a loura tinha medo do que as pessoas pensariam dela assim que soubessem de sua história, e não queria ouvir "sinto muito"'s; Demi simplesmente não conversava por não conversar. Ela achava aquela ideia da Seleção ridícula, tudo ali era ridículo. Mesmo assim, não pretendia sair tão cedo. Isla Timber Davis, a garota da Sala de Música, conversava calmamente com Emy Mary Hellfield. Elas falavam uma pra outra de suas vidas, e Isla ficou encantada quando Emy descreveu seu restaurante. Sarah Campbell chamara Lux e conversava tranquilamente com ela, sem se importar com todo o resto. A mesa de Annia, a cabelos cor de bronze, era ainda menos sociável. Hilda Crane ficara encantada com Vênus, pois ela dançava no Ballet de Illéa. Era o sonho de Hilda. Ela fazia perguntas à morena, que respondia vagamente. Tentava manter seu olhar em Hilda, mas ele frequentemente passava por cima do ombro da loura e se dirigia à odiosa criatura chamada Audrey Lancaster. Só podia ser uma brincadeira mesmo! E de muito mau gosto. Helena Sobrine queria conversar com Ashley ou Amberly, mas elas pareciam amigáveis demais. E o destino não fora bom para Hell, ele fizera ela aprender a desconfiar de tudo e de todos. Afinal, ela trabalhava como streeper ilegalmente, e sabia que havia maldade no fundo das pessoas. Todos são maus. Alguns só não têm a necessidade de esconder isso. Ashley parecia fofa, e era. Amberly tinha um ar nobre e inteligente, e parecia amigável. Ashley remexia seu anel. Era a única jóia que ela usava, uma que a patrona de sua família, vulgo, sua madrinha lhe dera. Era de prata, e havia uma safira incrustada. Ela havia se enjoado de jóias depois de 17 anos como joalheira, mas aquele anel era especial. Amberly observava tudo a sua volta, pensando no quão esplendoroso era aquilo. Ela queria que seus alunos tivessem a oportunidade de algum dia ver ou viver aquele luxo todo. O que ela sabia que não deveria acontecer, mas ela tinha que crer. Acreditar no futuro é o que nos leva para frente. O que nos impede de parar de viver. Ela queria sair do labirinto. E pensava em como seria quando saísse. Queria que sua turma saísse, e acreditava que sairiam. E pensava em todo o prazer de do lado de fora do labirinto. E isso a tocava pra frente.

Sobre a mesa de Carmen, pairava um ar tenso. Piper havia criticado Beatrice, por ela ter gritado com o governador de Sota. Bea tentou fazer que não era com ela, principalmente por Piper não saber que ela estava bem ali. Então, quando não suportou mais, perguntou: Você não tem mais o que falar não, Signoretti? Piper então, percebeu que estava na presença de Winchester, e se calou por alguns momentos. Anne Elizabeth e May Cooper estavam conversando sobre algo não tão relevante- algo como porque português era melhor que matemática, uma típica conversa entre arquiteta e professora de literatura- quando Bea resolveu se manifestar. As duas pararam instantaneamente, May observando sem dizer uma palavra, uma cara de espanto estampada na face; e Anne meio que tentando entender. Ao entender, começou a fuzilar Piper com o olhar-odiava gente arrogante e injustiças. Taylor McLean estava servindo de ouvidos para Piper, embora não concordasse totalmente com ela. Portanto, a partir daí, ela ficou conhecida como a vassala de Piper Signoretti.

No momento que Bea falou com Piper, a sala inteira gelou. Ninguém falava nenhuma palavra, só observavam a mesa da extrema esquerda. Nem mesmo Celina e Victoria ousavam se pronunciar. E as duas garotas ficaram se encarando.

Alguns guardas entraram na sala, com alguns clarins em mãos. O objetivo era tocá-los para chamar a atenção, mas eles não acharam necessário. Em vez disso, um deles, Kolton Felt, somente limpou a garganta. Se arrependeu de fazê-lo, pois todas as garotas instantaneamente se voltaram para ele. Até mesmo Beatrice e Piper pararam de se encarar, ainda faiscando por dentro. Ele ficou meio estático com tudo aquilo, pois até mesmo Demetria olhava para ele. Isla Timber Davis, a garota da Sala de Música, o fuzilava com raiva: ele era o guarda que a pusera no quarto. Se lembrou porque estava ali, então. "Senhoritas, gostaria de pedir sua atenção. A Família Real está prestes a entrar, e gostaria de pedir para que seguissem o protocolo e realizassem uma reverência à sua entrada.", ao final de suas palavras, as grandes portas foram abertas, e a Família entrou."Vossas Majestades Rei Maxon e Rainha America; e Vossas Altezas Princesa Louise, Príncipe...", ele vacilou, ao se lembrar que Arthur não estava ali. Retomou. "Anthony, Princesa Hannie e Príncipe Phillip."

As garotas se levantaram e fizeram uma reverência nem um pouco sincronizada. America resistiu ao riso enquanto observava. A Família se dirigiu à mesa principal, mas Maxon e America continuaram de pé, o que meio que obrigava as garotas a permanecerem como estavam. E elas permaneceram.

"Senhoritas, peço que se sentem.", disse o Rei, e as garotas se sentaram. "O Príncipe Arthur sofreu alguns imprevistos, mas já deve estar a caminho." Com isso, Maxon se sentou, mas America permaneceu de pé. O que raios ela está fazendo?, pensou o Rei.

"Acima de tudo, Senhoritas, desejo à vocês muita sorte e paciência. Houve momentos em minha própria Seleção que eu mesma quase desisti. Arthur pode ser um pouco complicado, mas é uma ótima pessoa. Sejam vocês mesmas, e tudo vai acabar bem. Agora, bom apetite.", ela finalmente se sentou ao lado do marido, e o café foi servido.

💭💭💭

05/08, Palácio de Illéa. 8:28a.m., Príncipe Arthur.

Arthur acordou com alguém praticamente esmurrando a porta de seu quarto: "Arthur! Arthur, meu filho, destranque a porcaria da porta!", gritava quem aparentava ser America. Ele esfregou os olhos, meio sonso. Ele não havia trancado a porta. "Arthur, você está atrasado! Abra a porta!"

"Mãe, é você?", ele saiu de choque, se sentando na cama. "Não, Arthur, é o seu avô Shalom!", ela ironizou, e sussurrou um 'Que Deus o tenha'. O pai da Rainha falecera antes mesmo do fim de sua Seleção. "Droga, Arthur, estamos atrasados! Abra! A! Porta!"

"Eu não tranquei a porta.", ele respondeu, saindo em busca da chave.

"O quê?!", ela se espantou. "Não trancou?"

"Não, e não sei onde está a chave."

"Ah, que beleza. Isso quer dizer que você não trancou a porta para fazer besteira depois do banho. Que bom."

"Que banho, mãe?"

"O que você deveria ter tomado! Arthur, para o chuveiro! Vou dar um jeito de abrirem essa porta!", ela se zangou, e o Príncipe, que dormira somente de cuecas, foi para o banheiro, frustrado.

Ele começou a se esfregar, lavou o cabelo e o corpo. Queria um banho de rosas, mas suas criadas não estavam ali para preparar um para ele, ele não sabia como preparar e nem tinha tempo para um. Então, tomou a tradicional chuveirada. Estava se enxugando quando ouviu a porta ir ao chão, uns cinco minutos depois de ter entrado. Tinha que ser rápido, afinal. Mas, graças à Deus, a porta do banheiro estava fechada.

"Arthur? Você tá aí, cara?", perguntou Marcus, seu melhor amigo.

"No banheiro!", ele gritou em resposta.

"Claro. Não faço questão nenhuma de te ver pelado de novo, então o que devo fazer?"

"Hm, tá bem. Mesmo eu tendo um corpão, não faço questão que você me veja nu. Então... chame Candice e Traty, diga para trazerem a roupa de hoje. E avise meus pais que vou me atrasar, tá bem?"

"Captei. Sério que Candy Crush e Traty vão te ver nu? Nuzinho da Silva?"

"Não, seu retardado. Eu vou estar de roupão."

"Ah, me desculpe, Sir Traseiro Mole! Não sabia que sua realeza precisava de tamanho mimo!"

"Meu traseiro não é mole, Marc! E eu não preciso de mimo, só sou obrigado a suportar! E vai logo, ou minha mãe vai surtar!"

"Falous!", Marcus gritou, colocando a porta de lado e saindo do quarto.

"Falous."

Arthur colocou uma cueca e seu roupão, e em um piscar de olhos, suas criadas trouxeram a roupa. Um uniforme azul-marinho cheio de medalhas, com uma calça branca e sapatos sociais. Argh., ele pensou, Como papai consegue usar isso?. Murmurou um obrigado às garotas, apesar de não estar nem um pouco agradecido. Elas se retiraram, e ele saiu correndo do quarto assim que ajeitou aquela coisa.

Desceu as escadas correndo, trombando com algumas criadas por aí. Chegou, aos trancos e barrancos, às portas da Sala de Jantar. Agradeceu pelo espelho posto do lado das grandes portas de mogno, pois, pela primeira vez, precisava dele. Se ajeitou, e piscou para si próprio. Respire, Arthur. Vai dar tudo certo., ele se lembrou de seu pai falando da primeira vez que foi andar à cavalo, Não tenha medo, e nada vai te parar. O Rei estava certo. Não que Arthur não tenha caído de costas no chão, e quase fraturado uma das vértebras numa pedra; mas nada podia pará-lo se ele não tivesse medo.

Abriu as portas, e Kolton Felt o anunciou. Ele meio que sorriu de lado para as garotas que começavam a se levantar, então se lembrou de um dica de seu pai: Dispensar as formalidades pode ser uma boa ideia.

"Senhoritas, peço que se mantenham sentadas. Não é necessário que se levantem. Continuem comendo.", disse, e elas o fizeram, estranhando. Ele pensava em prosseguir para a Mesa Principal, mas Kolton o cutucou. Ele se virou para o guarda.

"Alteza,", o louro disse. "ontem à noite, encontrei a Srta. Timber Davis na Sala de Música. Como sua mãe me instruíra, tirei ela de lá, e a deixei no quarto."

"Fez bem, soldado Felt.", Arthur respondeu. "Tomarei algumas providências sobre esta Senhorita em especial, e irei pedir para que lhe notifiquem. Agora, de volta ao posto."

"Sim, Alteza.", ele fez uma pequena reverência, e Arthur seguiu caminho. Ao chegar na mesa, seu pai o cutucou.

"Sinto dizer, mas você tem que conversar com elas durante o café."

"Só pode estar brincando."

"Quem dera."

"Ah, claro. 'E o Arthur? Ah, pode deixar ele morrer de fome.'"

"Menos, filho. Muito menos. Quase nada.", disse America. "Tem um sofá ali, vê? Vá para lá, e chame por...", ela olhou numa lista, e estranhou. "Alyssa America Swan. America? Descubra por quê raios America, Arthur."

"Está bem, está bem.", ele se levantou. "Senhorita Swan?", uma ruiva o olhou. Tinha belos olhos azuis, feições delicadas e cílios longos. Muito longos. Um burburinho percorreu a sala. 'Swan? Cisne'. "Poderia me acompanhar?"

Ela assentiu, se levantando, assim que ele saiu andando. Ele se sentou e viu ela se aproximar. Quando ela estava sentada, não havia como ver muito bem, mas agora... Ela tinha um belo corpo. Um corpão. Ele podia ver, pelo canto do olho, Tony olhando a garota. Aí está o lado bom da Seleção, pensou. Se levantou quando ela se aproximou. Ela fez uma reverência. E ele, beijou sua mão.

"Senhorita Swan."

"Alteza."

"Só Arthur, por favor."

"Continuo no Alteza."

"Ao menos Príncipe, então?"

"Príncipe. Pode ser."

"Então, Alyssa? O que está achando do Palácio?", apoiou os cotovelos nos joelhos, e a cabeça nas mãos.

"Lindo, de fato. Nunca tive muito luxo. É impressionante."

"Nunca teve luxo? Qual era a sua Casta?"

"Eu era uma Seis. Mas porque isso importa exatamente?", ela faiscou de raiva. Casta? Sério?

"É que eu estou para desvendar um mistério..."

"Mistério?"

"Sim. Por que diabos seu segundo nome é America?"

"Ah, claro. Sempre se perguntam isso."

"Não vai me falar mesmo?"

"Acho que vou. É que minha mãe era fanática pela Seleção, sempre quis que eu estivesse aqui. Então colocou o meu nome de America, nome da última vencedora da Seleção."

"Mais simples do que eu imaginei."

"É claro. Muitas coisas são simples, Alteza."

"Arthur."

"Como eu dizia, muitas coisas são simples, Príncipe. Vocês, da realeza, é que insistem em complicar."

"Ah, sim. Minha tia Georgia me falou isso uma vez: A vida é bela, nóis é que peteca ela."

"Falou desse jeito?"

"É, mas é claro que ela estava brincando."

Depois daquela, Alyssa revisou suas opiniões. Arthur parecia ser legal, mas não. Ele era só um garoto mimado, que estava se aproveitando das 35 garotas que estavam ali. Ela vira como ele e seu irmão olharam para seu corpo. Aquilo não podia estar certo. Eles não poderiam ser alguma coisa senão mimados.

"Gostaria de falar mais, Alyssa-", ele a tirou de seu devaneio.

"Mas eu não. Na verdade, nem queria estar aqui.", sussurrou, alto o bastante para Archie ouvir.

"Eu ouvi isso."

"Perdão. Não queria ofender."

"Na verdade, eu entendo. Nem todas vocês precisam gostar de mim. Só uma precisa, de qualquer forma. Mas eu exijo respeito."

"Claro, claro. 'Xá comigo."

"Bem, não temos o dia todo. Tenho que falar com mais trinta e quatro garotas ainda. Foi um prazer."

"Claro, Alteza. Foi um desprazer.", ela brincou, se levantando e fazendo uma reverência. E se foi.

Depois dela veio Amberly Payne, uma professora com um nome de sua avó. Tiveram uma boa conversa, e ele gostou dela. Ela passou a chamá-lo de Arthur, e ele insistiu em chamá-la de Am. Ficaram amigos bem rápido. Então veio Anne Elizabeth Cairstairs. A primeira coisa que ele pensou foi 'baixinha'. E ela era, somente 1.60. Seus olhos eram verde-amendoados, e seus cabelos eram castanhos e compridos. Ela fez uma reverência.

"Alteza."

"Somente Arthur, Srta. Cairstairs." Eles se sentaram.

"Então, somente Arthur.", ela brincou. "Me fale sobre você."

"Na verdade, Anne Elizabeth, você é quem deveria me falar sobre você. Não há nada que você deva saber que eu não revelarei. Na hora certa."

"Bem, eu? Eu sou uma Três, professora de inglês e literatura, que sonha em se tornar escritora."

"Professora de literatura? Rápido: Qual seu autor antigo preferido?"

"Fico entre Tolkien e George Martin. E quanto à você, Arthur?"

"Gosto de Tolkien também. E Rick Riordan. Todos os meus irmãos gostam de Rick Riordan."

"Sim, Riordan é bom. Está vendo? Já descobri algo sobre você."

"Mas é só. E autores atuais?"

"Sou muito fã de Ashley Brouilette."

"Brouilette. Ela foi uma Selecionada do papai. Minha mãe gostava dela.", sussurrou Arthur.

"Perdão?

"Não, não foi nada. Estava pensando alto.", parou, e um clima estranho se formou. "Rápido: um trecho de um livro muito bom!"

"'Me apaixonei como alguém cai no sono: de repente e gradativamente.'"

"John Green! A Culpa é Das Estrelas! Eu simplesmente amo esse livro!" Ele olhou para o lado em meio a sua empolgação, e viu a mãe batendo no relógio. 'Primeiro, me obrigam a ficar aqui, batendo papo. Depois, mandam eu parar'. "Senhorita-" "

Anne. Só Anne."

"Foi um imenso prazer conversar com você, mas o tempo urge. Peço que se sente de volta."

"Claro, Arthur. Até mais." Fez uma reverência e se sentou novamente.

Vieram Ashley Spinelli, com seu jeito doce e tímido de falar; Audrey Lancaster, que era um pouco menos rebuscada, como Alyssa; Aurora Bocchi, sua conhecida nem tão cordial(mas que ao menos já o tratava por Archie); Beatrice Winchester, doce mas nem um pouco tímida; até que chegou Calliope Claire.

"Senhorita Claire.", ele beijou sua mão.

"Na verdade, Alteza, meu nome é Claire, meu sobrenome é Evans.", ela respondeu, fazendo uma reverência.

"Somente Arthur, por favor."

"Está bem. Arthur. Se é assim, me chame de Claire."

"Claire? É assim que seus amigos te chamam?"

"Na verdade, sim."

"Seu primeiro nome é Calliope, não é?", ela assente. "Então vai ser Calliope."

"É... diferente."

"Eu gosto de diferente."

"Diferente é bom."

"Então, Calliope... O que está achando do castelo?"

"Bem, é bonito. Me lembra o tempo que passei na Itália."

"Itália? Você já foi à Itália?"

"Sim. Eu morei lá por alguns anos."

"Então você fala o idioma, certo?"

"Dã."

"Que bom. Não estou certo de que minhas 'primas' Lara e Bianca falam inglês."

"Lara e Bianca? Lara e Bianca Cambianni? As Princesas da Itália?"

"Sim. A família real italiana virá passar alguns dias aqui."

"Toda a família?"

"Sim. Tia Nicoleta, Tio Lucca, Lara, Bianca e Carlo."

"Meu Deus! Vamos enlouquecer! Trinta e cinco meninas barulhentas e nove pessoas da realeza? Mais os trabalhadores? Não, não, não...", ela disse, bem baixinho.

"Ei! Eu é que tenho que aturar todas vocês! Eu devia estar reclamando!"

"Devia, mas não está. Portanto, eu estou. Muito embora eu realmente não me importe.", ela sorriu, um sorriso tenro e simplório. Arthur achou-o encantador.

"E, está vendo aquela garota, Aurora?", ele a apontou, discretamente. Ela assentiu.

"Já tentou fazer amizade com ela? Ela adoraria ouvir sua língua natal."

"Eu não sou de falar muito."

"Não é o que parece..."

"Sou só meio... reservada."

"Hm, está bem. Não acredito, mas está bem." Ela suspirou. "Calliope, eu adoraria continuar nossa conversa, mas, infelizmente, não podemos. Se importaria em se sentar novamente?"

"Até a vista, Arthur."

"Foi um prazer, Calliope."

Logo após ela, chegou Caroline Hudson, que estava feliz e conversou tranquilamente com Arthur; Celina Blanco, com toda a felicidade e glitter(como diria Hannie); e então Charlotte Duncan, com seu jeito distante e curto, mesmo enquanto ela parecia ser doce e fofa. Foi seguida por Danica Pleasant.

"Alteza.", ela o reverenciou.

"Senhorita Pleasant.", ele disse. "Parece nostálgica. Há algo de errado?" Sensível, ela pensou, Somente os príncipes dos livros são sensíveis.

"Na verdade, Alteza-"

"Arthur."

"Na verdade, Arthur,", ela se corrigiu. "um amigo meu se voluntariou e foi recrutado para o exército. Queria saber se voss... Se você sabe onde ele está. Seu nome é Luke Potts."

"Luke Potts. Vou ver o que posso fazer pela senhorita.", ele disse, olhando para o fundo da sala. Um garoto alto, forte e louro, com belos olhos azuis. Antes de chegar ao Palácio era um Sete. Luke Potts, pensou Arthur, No que é que você se meteu?

"Sou imensamente grata."

"Só tenha em mente que ele pode tanto estar aqui do nosso lado quanto apodrecendo nos campos da Nova Zelândia. (N/A: Não, eu não errei. Vou explicar depois.)", ele brincou, e ela forçou uma risada.

"RA-RA, Arthur. Muito engraçado."

"É algo natural.", ele deu de ombros, brincando. Ela sacudiu os ombros, numa risada. "Mas, então, o que está achando do Palácio?"

"Muito mais bonito quando você não está no meu campo de vista.", ela ironizou, e ele se boquiabriu. "Brincadeirinha."

"Certo. Li em sua ficha que você é bibliotecária."

"Seu stalker!"

"Sou o mestre dos stalkers, sweet her. Mas, enfim, você deve amar livros."

"Amar é pouco! Livros são vida, meu caro Arthur. E nunca, nunca me chame de sweet her."

"Está bem, sweet her.", ela revirou os olhos. "Mas duvido que ame mais que eu ou Tony. Ou Hannie. Hannie vive enfiada na biblioteca."

"Vocês têm uma biblioteca?", ela perguntou, um pouco alto demais. As pessoas se viraram. "Perdão.", sorriu timidamente. "Por que ninguém nos disse? Quero ir pra lá!"

"Terá que esperar até o fim das conversas para que possa saber. Muahahahahah. Mas receio que nossa conversa tenha chegado ao fim."

"Foi um desprazer.", ela falou, e saiu andando.

Delancy Lewis, que o respeitou apesar de ter sido um bocado distante (Ela me trata como se eu fosse como ela. Mas eu sou. Gostei, pensou Arthur.), veio assim que ela saiu. Foi um pouco fria, mas todo o gelo derrete no verão. Demetria Elizabeth Morgan veio logo após.

"Senhorita Morgan."

"Alteza. E não fale para eu te chamar de outro modo."

"Sério isso?"

"Mais que sério. Só apelido as pessoas após conhecê-las. E olhe lá. Fora que eu não te conheço."

"E eu? Posso te chamar de Demetria?", ironizou. Ele a chamaria assim de qualquer forma.

"Por enquanto, você deve manter o Senhorita. Vamos trabalhar isso com o tempo."

"Está bem, Demetria."

"Senhorita Demetria."

"Então, o que está achando do Palácio? E da estadia aqui?"

` "Parece uma jaula. E nós somos as presidiárias. Não, as empregadas. ‘Faça isso. Faça aquilo. Vá pra lá.’ "

"Minha mãe disse a mesma coisa pro meu pai."

"É. Mas eu não sou sua mãe, e você não é seu pai. Então corta esse papo, que ele tá mais furado que ralo."

"Ai. Que estresse."

"Não é estresse."

"Isso não é estresse e eu sou moreno. E tenho olhos azuis."

"E vai me chamar de senhorita e me tratar formalmente."

"Vá sonhando."

"Sonhar é bom. Fazer acontecer é melhor ainda."

"Está bem, Senhorita Demetria. Agora chega. Poderia se sentar?"

"Claro, Alteza."

"Foi um desprazer.", ele sussurrou quando ela saiu.

Ele não pode deixar de observar com desejo o corpo da próxima selecionada. Helena Sobrine, pensou, Eu. Você. Cama. Já.

"Alteza."

"Senhorita Sobrine.", ele beijou sua mão, resistindo a Tonytação de olhar para suas curvas. "Pra você, é só Arthur."

"Arthur. Claro. Me chame de Hell.", ela respondeu, fria demais.

"Hell. Hell como... inferno?"

"Exatamente."

"Por quê?", ele perguntou, pensando que ela era um pedaço de mau caminho, realmente.

"Bem... é que, na verdade, Hell é meu nome de guerra."

"Guerra?"

"Sou streeper.", disse simplesmente. Arthur se boquiabriu. Streeper? Ele parecia querer falar, mas Hell viu que ele não conseguiria. "A vida não é boa pra todos não, amiguinho."

"Certo. Então você não é virgem?"

"Sou streeper, não prostituta."

"Sabe que esses cabarés são ilegais, né?"

"Olha, Arthur. Se você pudesse escolher entre estar fora da lei para alimentar seu irmão ou estar na lei mas deixar seu irmão morrer esfomeado, o que você escolheria?" Ele somente ponderou o que ela disse, sem responder. "Ótimo."

"Perdão?"

"Claro. Eu sei que não foi de propósito."

"Não, sério. Eu te entendo. Nunca fiz exatamente com isso, mas... bem, eu acho que entendo, mas não sei se realmente entendo. O que você acha?"

"No fundo, todos entendem."

"Okay. Do que gosta, Hell?"

"Livros. E... desenhar."

"Acho que gostaria da biblioteca ou do ateliê, então..."

"Biblioteca?"

"Sim, enorme."

"Onde fica?"

"Por enquanto, não posso falar."

"Sério?"

"Sinto muito." "Não sinta."

"Então está bem. Senhorita Hell, foi um prazer enorme."

"Foi um prazer, Arthur.", com ênfase no Arthur.

Arthur suspirou. Seria um looongo dia.

Notas finais
E aí? Comentem o que acharam! Tem post novo no blog da fic! Link nas notas da história! E olhem o meu Polyvore a partir de 12/07, pois vou começar a me ocupar com os looks das suas gatas (di-angelo-payne.polyvore.com)! Beijuuz