Cores do Meu Coração

3 Teme 2.1 - O Fantasma do Natal Passado


Notas iniciais
DiAngelo: Hello pessoas, voltamos com mais um capitulo para o divertimento de vocês. E tenho que dizer, tem sido uma experiência muito boa trabalhar com a Nonna. Vocês não imaginam como é legal escrever um diálogo em tempo real com ela. E a torcida sempre que acontece algo que esperamos desde a sinopse da fic. É tão emocionante como se fosse eu mesma lendo, nem parece que eu que estou escrevendo. Enfim... ** Detalhe: Hoje será capítulo duplo pq acabei o achando muito pequeno, aí juntei com o próximo.

Como eu esperava, Itachi e Shisui se encontraram e trocaram olhares sedentos de carinho como os eternos amantes que seriam. Ver suas mãos cobertas pelas luvas típicas dos Uchihas era quase uma tortura de ansiedade, pois eu sabia que eles queriam, mais do que tudo, se tocar e mandar a merda toda essa coisa de primo não ficar com primo. Quanto a mim, eu fui para outro local da sala, deixando os dois pombinhos conversarem e afogarem a mágoa que a saudade deixara, depois que Shisui viajou para a Indonésia para começar a sua tour. De longe eu via aquele garoto de cabelos brancos e de olhos brilhantes, que alternava em me encarar furiosamente e conversar animadamente com Konan.

Minha vontade? Sinceramente falando? Do fundo mais âmago do meu coração? Pegar uma shotgun calibre 12 e mandar para os infernos aquela pessoa. Sim, você tem razão, eu a odeio.

– Eu te disse que você poderia ver surpresas por aqui. — falei imitando toscamente a voz do meu irmão — Foi o que ele disse…! — eu resmunguei para mim mesmo caminhando na direção do bar — Itachi só pode estar querendo me sacanear da pior forma que existe. — bati meu punho com força no vidro que piscava parecido com neón, ou algo assim, assustando as duas pessoas que estavam ao meu lado — Eu devia tê-lo matado quando tive a oportunidade. Tsc.

Aproximei-me do barman e pedi o que ele tivesse de mais forte no menu. Só uma dose bem concentrada de vodka para diminuir a minha raiva. Eu queria que um milagre me tirasse daquela festa maldita, pois eu simplesmente sair, sem dizer nada ou motivo algum, seria falta de cortesia para com o meu irmão apaixonado. Eu não poderia abandonar Itachi em seu momento especial, mas eu também não quero ficar aqui na presença daquele cara. Senti uma mão em meu ombro me tirando dos meus devaneios e me fazendo fitar minhas costas.

– Se divertindo, Sasuke? — eu podia ler bem em seus olhos a palavra “vingança” por causa do meu divertimento anterior, dentro do carro. Joguei a cabeça para trás e tomei de vez o drink — Vejo que não. Pelo menos a bebida está boa?

– Por que você não volta para Shisui e faz o que veio fazer de uma vez? — falei quase rosnando de tanta raiva. Itachi se recostou na bancada, porém com as costas viradas para o barman, exatamente o contrário de como eu estava e suspirou.

– Não posso.

– É o quê? — voltei-me para ele, minha paciência está indo para a puta que pariu. — Eu deixei de resolver problemas sérios da filial da Rebú em Suna para ser arrastado para cá contra a minha vontade só para você não pagar pau sozinho nessa merda de festa e agora me diz que não pode?! — sim, eu estou muito puto e a culpa é de Itachi por me fazer rever uma pessoa que eu preferia ver morta.

– Sasuke… Não é tão simples… — Eu sorri de forma doentia, assustando ele, agarrei seu bíceps esquerdo, por cima do casaco grosso de Itachi, e praticamente o arrastei pelo meio da multidão, como uma mãe faz com um filho que fez ruindade. Eu o ouvi argumentar que eu estava ficando louco, que não devia interferir, mas que se dane porque eu quero sair logo daqui. Meus olhos encontraram Shisui no meio de uma roda de mulheres animadas e eu vi seu semblante corar quando eu comecei a empurrar Itachi naquela direção, sem me preocupar com os olhares dos outros convidados.

– Mas agora é simples. — falei gravemente — É só abrir a maldita boca e dizer a verdade. Você passou dois anos se preparando para isso, não pode voltar atrás agora!
Itachi tentava discretamente me frear com os pés, mas o piso liso não estava ajudando. Deixei meu irmão ali e mergulhei na multidão, camuflando-me entre as roupas pretas das outras pessoas, antes que o “acompanhante” especial de Shisui me visse de novo. Segui pelo outro lado, fitando pelo canto do olho o rosto do meu irmão corar sutilmente, eu vi um leve sombreamento de suas bochechas, indicativo que ele estava envergonhado. Parei a marcha e arfei, movendo meu pescoço para os lados. Pelo menos alguém vai ter um final feliz.

– Uchiha Sasuke! — pisquei de sobressalto e virei-me para frente, lá estava quem? Quem? Ela mesma. Konan. — Não pense que vai fugir de mim assim tão fácil. Eu ainda quero conversar com você sobre a nossa futura sociedade.

– Futura sociedade? — essa mulher pensa que as coisas são fáceis assim — É verdade… Eu disse que ia ouvir o que você tinha a propor e se não ficasse de saco cheio, continuaria ouvindo.

– Isso! — ela bateu palmas e pegou dois drinks em uma bandeja que passou por nós — Nossos pesquisadores descobriram que sua mãe apelidou carinhosamente a Rede Bancária Uchiha de Rebú e a nossa proposta é explorar justamente esse lado mais provocante que esse nome insinua para todos aqueles que desejam usufruir dos serviços.

– Sei… — comentei desviando meu olhar para as pessoas. A sala parecia mais lotada e a música ficara mais caótica com a quantidade de pessoas conversando aos berros.
– Rebú, segundo alguns especialistas, é um tom de vermelho bastante intenso. — ela falava de um jeito tão animado. Franzi as sobrancelhas e suspirei. Até parece que eu sei como é a cor vermelha, avalie intensa. — E o vermelho excita, anima as pessoas que o veem, então achamos que…

Ergui uma mão interrompendo o discurso apaixonado dela.

– Me explica como vão explorar uma cor que só prováveis cinco por cento da humanidade podem ver? Como isso vai fazer mais pessoas se sentirem estimuladas a usar os serviços da Rebú se todo mundo só enxerga preto e branco? — falei num tom reprovador.

– É… Ehm… Bom… — estreitei meu olhar e sorri. Se você é mesmo boa, contorne a situação, Konan, vamos lá mulher! — Essa é a ideia! — ela quase gritou — Vamos despertar o imaginário dos usuários, estimulá-los pela mente, como os antigos serviços de sexo pelo telefone faziam!
Tomei meu drink, coloquei o copo numa mesa e meneei a cabeça.

– Bela comparação. — falei sem acreditar que ela fizera aquilo. Konan sorriu e mexeu garbosamente nos cabelos, jogando-os para trás — Parece interessante sua ideia. — comentei indiferentemente, apesar de estar me divertindo com sua batalha interna de tentar me convencer.

– Então temos um acordo?

– Mande na segunda para o meu escritório e vou pensar. — afastei-me quase rindo de sua explosão contida de alegria. É muito fácil manipular as pessoas. Eu sou muito bom.

Caminhei um pouco mais, terrivelmente entediado e cansado das bebidas que estavam oferecendo, que não mudava nem um pouco o cardápio. Resolvi voltar para perto de Itachi, saber como andavam as coisas entre ele e Shisui, e por sorte o outro não estava lá. Aproximei-me dos dois, pigarrei e fitei-os. Parece que os dois ainda não deram nenhum passo a frente. Esse meu irmão, o que ele tem de incrível tem de bobo quando está apaixonado, eu nem consigo imaginar como é que as coisas podem ser assim com um Uchiha que virou médico.

Ouvi-os falar de tempos antigos, tempos de meninez e de escola, recordando de momentos divertidos entre os dois primos que eram mais velhos do que eu. Por incrível que pareça, por mais que ninguém na face da Terra acredite, Itachi tem 41 anos e Shisui 40, pois é, conviva com isso agora. Falaram de coisas que me fariam vergonha se eu tivesse quinze anos de novo, acabei elogiando um pouco o trabalho dele.

– Então, por que escolheu esse nome? — perguntei — Sério, não entendi essa de “Sou o que sou”.

– Bom, eu acho que as pessoas devem aceitar ser quem elas são e se mostrarem. — Shisui comentou e eu vi o brilho apaixonado nos olhos escuros do meu irmão. — Minha ideia nessa coleção é que as pessoas possam explorar seu próprio estilo e por isso que eu…

– Acho melhor você não falar. — Itachi interrompeu.

– Falar o quê? — perguntei arqueando uma sobrancelha.

– Não é nada! — Shisui deu de ombros e sorriu — Esqueça.

– Agora vai falar. — falei sorrindo de lado — Começou tem que terminar. Que raça de Uchiha é você? Nunca foi de esconder nada. Pode falar.

Os dois se entreolharam e assentiram.

– Por isso que Uzumaki Naruto foi a estrela do meu desfile, dessa coleção aliás. Ele é praticamente a representação de “Sou o que sou”, Naruto sempre é ele mesmo em cada momento da sua vida, sem medo nem hesitação.

Revirei os olhos. Tinha que ser o moleque maravilha. Itachi deu uma olhada para Shisui como se o repreendesse de ter dito aquilo, porque ele sabe a profundidade do meu desprezo e ódio por essa pessoa, esse tal de Uzumaki Naruto, que eu achava que tinha morrido ou explodido, ou qualquer outra coisa ruim que pode acontecer com alguém.

– Se é para falar de mim, fala na cara! — o tom de gracejo e a voz alta demais anunciaram a sua chegada a nossa roda de conversa.

Um arrepio estranho percorreu meu corpo.

Virei-me para trás e percebi que justamente o capeta se aproximava. Quinze anos depois e essa cara de idiota não mudou absolutamente nada, apenas esticou vários centímetros para o alto, apesar de não ter ficado mais alto que eu. Os olhos altivos, as cicatrizes na cara que eu ouvira mulheres dizendo que era o charme pessoal dele, o cabelo numa bagunça tremenda, andando como se fosse o homem mais desejado do mundo e sorrindo como se com isso fosse curar alguém de cancêr. Eu devo ter jogado pedras na cruz de Cristo.

– Naruto! — Shisui sorriu — Só faltava você.

– Não falta mais! — ele gargalhou bobamente.

Eu me virei para sair de perto de novo do grupo. Não sou obrigado por lei nenhuma a ficar aturando esse tipo de pessoa. Eu até me disponho a acompanhar o romance platônico entre meu irmão e meu primo, mas ficar perto dessa criança? Nem pensar.

– Já vai? — era ele com seu tom ousado — Agora que a festa começou!

– Eu preciso de outra bebida. — falei com alguma calma para não dizer o que eu realmente queria.

– As sexys maids vão trazer! Não precisa fugir de mim assim.

Abri meus olhos e me voltei para ele. Fugir? Esse moleque não sabe onde está pisando.

Notas finais
DiAngelo: Corram pro próximo, pq a treta vai começar... :3