Cores do Meu Coração

4 Teme 2.2 - Trágico como o fim de Romeu e Julieta


Notas iniciais
DiAngelo: Sintam o gostinho de treta no ar! Daqui em diante, o bonde só desce ladeira a baixo. ;P Ah sim, nesse capítulo vai apareceu uma pessoa muito especial, criação da Nonna! :3 Nonna: Meu nome é Treta! ,,/ Ò_Ó ,,/ Segue o outro capítulo, esperem que gostem porque ele foi feito daquele jeito. E como DiAngelo disse: o buraco só tende a ser mais baixo. Quem conhece os nossos estilos de escrever, sabe que a guerra começou!

Pendi minha cabeça um pouco de lado, olhando-o do alto, depois fitei Itachi e depois Shisui. Meu primo estava com uma cara de “desculpa por essa” que eu me recusava engolir. Naruto se virou para mim e cruzou os braços, fechando a cara. Mantive-me inexpressivo. Não vou me deixar abalar de novo por esse cara depois de tantos anos. Já superei isso.

– Não estou fugindo. — falei calmamente.

– Então está muito tímido! — sua mão descoberta pousou pesadamente em meu ombro, amassando aquela parte do meu paletó — Não fique assim! Muita gente fica meio…

– Quem você pensa que é para falar isso de mim? — falei devagar afastando sua mão de meu corpo com dois dedos. Por sorte eu estava usando minhas luvas de couro negro. Eu vi Naruto arregalar os olhos ao ver o brilho lustroso das luvas. — Acha que eu sou alguma garota virgem idiota que gosta de ficar vendo um babaca ir e voltar em alguns metros?

Ele engoliu em seco e seu rosto escureceu. Acho que ele deve estar, como diz aquela expressão, “vermelho de raiva”. Naruto deu um passo para trás e cruzou os braços.

– Não precisa falar assim, Sasuke, ele só estava tentando descontrair um pouco. — Shisui e sua eterna habilidade apaziguadora de ânimos, tão conveniente quanto um canivete suíço — Não precisa ser tão ranzinza assim. Hoje é um dia de festa, tente se divertir.

Soltei o ar como um touro bravo e peguei um drink. Percebi que Naruto também pegara um, mas diferentemente de mim, ele não bebera.

– Esse não é o tipo de diversão que eu curto, Shisui, não é o tipo de lugar com o tipo de pessoas — fitei furiosamente Naruto pelo canto dos olhos — Que eu gosto de frequentar.

Itachi se colocou entre mim e Naruto, pousando gentilmente uma mão em meu ombro, onde Naruto tocara, e num movimento único desamassou aquela parte. Respirei fundo e sorri para Itachi, dando de ombros, como se eu dissesse que estava tudo bem, que ele não precisava se preocupar com absolutamente nada, que eu não perderia o controle. Fitei Shisui, depois meu irmão, e então empurrei levemente ele para perto do meu primo. Eles tinham que fazer algo ainda e eu não queria ser o culpado de tudo dar errado.

– Vai nessa. — sussurrei. — Fala de uma vez, antes que seja tarde demais.

– Falando assim, até parece que eu vou morrer.

Nós rimos e Itachi se virou, aproximando-se novamente de Shisui. Naruto ainda me encarava com a cara fechada, era evidente o quanto ele estava incomodado comigo. Levantei uma sobrancelha e fiquei sem saber exatamente como proceder, não que eu me sentisse intimidado por seus olhos enormes me encarando quase sem piscar. Ele ainda sustentava o copo de bebida em sua mão e eu notei que havia um leve tremor em seu corpo.

– Que foi? Perdeu alguma coisa na minha cara?

Eu o vi sorri de lado, um sorriso estranho, como de alguém que faz um plano do mal.

– Sua cara está meio suja.

– Como é? — ele está planejando algo.

– Deixa eu limpar ela para você.

E então, fugindo de todas as expectativas e de todas as regras de etiqueta e de convivência em festa de alta classe, eu fui atingido por uma quantidade mínima de bebida. Fechei meus olhos e passei a mão no rosto, lambi os lábios e entendi que minha cara fora molhada pela bebida que estava no copo de Naruto. Fitei-o. O mundo parara, a música cessara, Shisui segurou sua respiração e Itachi meneou negativamente sua cabeça.

Todo mundo estava nos observando agora, apreensivos e preocupados com a minha reação. Um milhão de flashes me encadearam e me fizeram fechar os olhos de novo. Uma garçonete me trouxe um lenço e enquanto eu limpava o meu rosto, eu ouvia alguns repórteres noticiarem o ocorrido, expeculavam os motivos que provocara aquela reação em Naruto e indagavam como eu iria “devolver o favor”. Itachi veio para perto de mim, sugerindo que nós fôssemos embora antes que as emissoras começassem a me bombardear de comentários e perguntas, mas eu neguei sorrindo simplesmente.

– Agora que a festa está ficando boa? — rebati, deixando Itachi ainda mais preocupado — Agora que eu iria começar a me divertir de verdade? Ir embora? Não, Itachi, não sem eu pelo menos — eu fitei Naruto me aproximando dele com os punhos fechados — Agradecer a Naruto.

Eu o vi se afastar alguns passos.

– Fugindo? — indaguei. Naruto parou e nós ficamos frente a frente, nos encarando de perto, quase nos tocando de tão próximos que estávamos — Obrigado por me limpar, Naruto.

– De nada. — ele falou com desdém.

– Um dia eu vou retribuir o favor. — falei piscando um dos olhos e passando por ele, chocando meu ombro com o dele com toda a força que me era permitida. Eu fui para a saída, sem dá a mínima atenção para as pessoas ao meu redor. Todos ainda estavam quietos, preocupados e constrangidos com a situação. Parei na porta, depois de apertar o botão para abrir a porta, e fitei Naruto de novo — Só para constar. — falei em bom tom e de maneira sádica — Eu nunca fico devendo um favor.

A porta se abriu e eu saí furiosamente. Ouvi Itachi se despedir brevemente de Shisui e vir correndo atrás de mim. Essa semana está prometendo, escrevam as minhas palavras. Desci de escadas, eu estava tão furioso que nem me dei ao luxo de ir de elevador e esperar aqueles breves segundos para chegar ao estacionamento. Assim que me deparei com o concreto frio do subsolo do Banco, segui para o meu carro. Me deparei com meu irmão recostado no veículo, de braços cruzados e um semblante entristecido que tentava não demonstrar.

Parei na frente dele, retirando a chave do carro do bolso e fiz sinal com a cabeça para que ele se afastasse da frente da porta. Itachi suspirou e contornou o veículo, entrando ao mesmo tempo que eu e voltando a cruzar os braços, uma vez sentado.

– Fala logo. — eu disse apoiando minhas mãos no volante.

– Falar o quê? — ele perguntou desviando os olhos.

– Oe. Oe! — nos fitamos — Eu sou o cara que vira a cara quando não quer falar de algo, lembra? Eu sou o cara que não quer falar dos próprios problemas, não você. Fala logo!

Itachi suspirou.

– Vamos indo que eu vou contando.

– Bom garoto. — comentei sorrindo e girando a ignição com a chave. Saímos do estacionamento e tomamos a pista expressa. Konoha estava tão vazia e silenciosa, à medida que nos afastávamos do centro da cidade, que até parecia uma cidade de interior, tranquila, e ao mesmo tempo perigosa por não ter movimento algum. — Então, você está puto porque...

– Perdi minha chance, Sasuke, perdi de vez.

Fui diminuindo a velocidade, para dar tempo para nós dois conversarmos.

– Não diga isso, Itachi, você sempre me disse que só podemos desistir de uma pessoa depois que o coração parar de bater por quatro horas seguidas. — ele sorriu concordando comigo — Eu acho que ele vai ficar um tempo aqui.

– Não sei…

– Ora, homem, não desista ainda! — bradei de forma a motivá-lo — Não desista sem lutar! Eu sei que eu atrapalhei sua chance, devia ter me afastado, mas eu achei que se eu estivesse lá para despistar qualquer pessoa de vocês, talvez você ficasse mais a vontade e...

Ouvi Itachi rir cansadamente e de relance eu o vi se recostar na porta do carro.

– Quem diria que eu viveria tempo suficiente para ver meu irmãozinho ser meu cupido pessoal… — comentou ainda fitando a estrada — De toda forma, obrigado pela atitude. Provavelmente não era para ser, não era para ser hoje o dia.

– Nisso eu concordo. Mas, preciso te dizer… — virei numa rua e segui até virar numa esquina a direita, indo para a casa onde meu irmão morava — Eu sinto que não vou me livrar completamente daquela coisa ruim e que por causa dele você ainda vai ter a sua chance.

– Acha mesmo? — ele indagou quando eu finalmente parei de frente ao prédio onde Itachi mora. Nos encaramos e me admirei com a sua reação surpresa, assenti — É por isso que você é banqueiro. Faz palpites e apostas que outros não ousariam.

– É por isso que você é médico e entende de precisões e coisas certas. — nós sorrimos e ele fechou a porta do carro. Só quando ele entrou no prédio eu fui para casa. Olhei a hora no meu Rolex — Eita ferro, aposto como ela ainda está acordada.

Continuei costurando pelos bairros de Konoha, as pessoas começavam a retornar e eu bocejei um pouco de sono, pensando na minha enorme cama macia com travesseiros de pena de ganso, que me proporcionavam as melhores noites de sono da minha vida. Alguns minutos depois, finalmente cheguei em casa, no condomínio residencial que eu nem sei o nome e nem me importa porque a ideia é só morar e não fazer propaganda.

Estacionei o carro debaixo de uma árvore que ficava no jardim de frente a varanda da minha casa, liguei o alarme do veículo e dei uma olhada no lugar. Tranquilo, como sempre, até o segundo seguinte, quando todo mundo começou a chegar no condomínio. Dei de ombros e entrei em casa, pendurando meu casaco no hall. Retirei as luvas de couro, coloquei-as em cima de uma mesinha, onde deixei as chaves do carro e da casa, e os sapatos deixei embaixo da mesa. Olhei para o interior da casa escura e fria, estava silenciosa, mas eu apenas sorri e continuei andando, indo para a cozinha, buscar um copo de água e uma aspirina.

Ouvi barulho de passos apressados pelo andar de cima. Sorri de lado e suspirei, bebendo a aspirina e indo para a escada, me dirigindo para o meu quarto. Subi e observei o andar, ouvindo um risinho baixo. Entrei no meu quarto e deixei a porta entreaberta. Fui despindo-me, colocando minhas roupas numa poltrona, ficando apenas de calças e parei de frente a cama. A porta se abriu lentamente, os passos correram até mim e eu senti meu corpo ser derrubado contra a cama. Rolei por cima do colchão e só parei quando fiquei de barriga para cima.

– Não devia estar acordada a essa hora. — falei me sentando.

– Eu queria esperar você, papai. — a menina sorriu. Esta pequena pessoinha, de cabelos longos e lisos negros, olhos amendoados de fartos cílios com finas linhas abaixo das pálpebras, sorriso cativante e corpo esguio de bailarina é minha adorável filha Maiko de sete anos.

– Mai-chan, é tarde, são duas da manhã.

– Mas eu estou de férias! — ela retrucou fazendo um bico fofo. Suspirei e meneei a cabeça negativamente, sorrindo para ela. Não tem como eu me irritar com Maiko.

– Certo, certo. Vá buscar Puppy que eu vou me trocar para dormir. Você pode passar a noite comigo. — ela sorriu, falta um dos dentes da frente, e saiu de cima de mim, correndo para o seu quarto no intento de buscar sua pelúcia preferida.

Tomei um rápido banho, vesti um short e estiquei-me sobre o colchão. Liguei a central de ar em 18 graus e fechei os olhos, esperando. Não demorou. Senti o colchão se mover e virei meu rosto de lado, abrindo lentamente meus olhos. Lá estava ela, usando sua camisola cinza bem claro, quase branco, abraçada ao seu leão de pelúcia quase sem juba e me fitando com um carinho digno de uma filha. Afaguei seu rosto levemente, puxei-a para perto do meu peito e me coloquei de lado, acolhendo-a completamente em meu colo. Não me importo de ser tocado por essa menina, de todas as pessoas do mundo, Maiko é a única que eu realmente quero que me toque, pois ela tem um calor suave, gentil, gracioso, que nos abraça.

Beijei sua testa e suspirei. Tenho certeza que uma noite de sono ao lado de Maiko vai recuperar todas as minhas forças e a paciência que eu perdi com aquele traste. Adormeci bem e acordei melhor ainda. Pelo menos até o meu segundo cochilo, porque eu acabei relembrando coisas que fizeram meu corpo ficar tenso e meu mau humor retornar das profundezas do inferno.

– Está bem, papai? — Maiko me perguntou enquanto girava sua colher dentro da tigela de cereal com leite. Fitei-a e logo desfiz minha carranca. Usando uma legging clara, botinhas e suéter um pouco mais escuro que a leggie, ela estava linda demais para a minha irritação.

– Tive um sonho ruim, só isso. — levei minha xícara de café e as torradas para perto dela, sentei-me ao seu lado e beijei o alto de sua cabeça.

– Foi o bicho-papão?

– Quase isso. — sorri de lado — Não quero falar sobre isso. Deixa para lá. Tome seu café, porque hoje eu tenho que estar cedo na empresa. E você quer me ajudar, não quer?

– Quero sim! — ela riu exibindo sua arcada sem alguns dentes de leite — Mas não se esqueça que você prometeu ir ver o meu ensaio hoje!

– Sim, não esqueci, por isso quero ir mais cedo.

Ela riu e nós terminamos o café da manhã. Que bom que eu vou ter a companhia da minha pequena para aguentar esse dia de merda, cheio de paparazzi e todas as outras coisas que acontecem depois de um escândalo com gente famosa. Mas esse cara não perde por esperar, não vou deixar barato, porque um Uchiha nunca deve favores.

Notas finais
DiAngelo: Contem-nos o que acharam. Tirem suas dúvidas. Comentem. Mandem oi, sas coisa! :* Nonna: Quem achou que Naruto foi louco ergue a mão aê o/