Cores do Meu Coração
18 Dobe 9.2 - Perco minha alma
Notas iniciais
— Estou pronto. O que eu tenho que fazer? — ele sentou-se numa banqueta e ficou me olhando de modo concentrado.
— O de sempre, mostrar superioridade, competência e… bem, você tem que seduzir os clientes. Acredito que você saiba fazer isso. — fiz uma careta para ele.
— Isso é difícil. — ele disse penteando a franja para trás — Imaginar eu seduzindo uma porrada gente. Não tem um jeito mais fácil de fazer isso?
— Se tivesse você não estaria aqui. Deixe de fazer charme! — argh, ele está fazendo isso de propósito. É óbvio que qualquer coisa que ele faça vai ficar ótima na foto.
— Ok então… Se você diz… Com essa roupa mesmo? — ele se levantou abrindo os braços.
— Claro que não. Shisui, faz alguma coisa. Você não vai deixar ele estragar a campanha com essa roupa, não é? – fitei meu chefe, pedindo socorro com o olhar.
Shisui sorriu de lado, daquele maldito jeito Uchiha e foi até o closet onde as roupas mais on top ficavam. É isso mesmo. Shisui vai apelar para o imaginário das pessoas. Lembro-me de ter feito uma sessão de fotos usando roupas daquele closet: foi o que garantiu a minha fama. Respirei fundo e meditei em silêncio. Meu chefe chamou Sasuke e ele foi. Quinze minutos depois os dois retornaram e eu e todas as mulheres do estúdio suspiramos ao vermos Sasuke pronto para ser fotografado. Notei que até o fotógrafo ficara abalado com sua presença.
Terno preto fosco altamente ajustado ao seu corpo, e só naquele momento eu vi o quanto ele era forte e imponente, camisa pulôver também preta por dentro com a gola alta, porém de um tecido mais brilhoso, destacando seu peitoral, sapatos tão bem engraxados que eu poderia me ver neles e assim Uchiha Sasuke parou perto de mim. Para arrematar o look, ele usava duas pulseiras de pérolas negras no pulso esquerdo.
Ele ajustava as mangas, arregaçando-as pelo antebraço enquanto Shisui trocava o tecido do cenário por um vermelho quente. Ele veio e os dois conversaram.
— Você precisa mostrar-se. — Shisui disse, me deixando confuso — Surte! Deixe todos de joelhos. — ele falou convictamente. Sasuke apenas assentiu e foi para o meio do tecido.
O fotógrafo aproveitou que ele ainda ajustava a manga e tirou sua foto. Notei um brilho vermelho intenso nas sombras de seu rosto naquela foto. Olhei para Sasuke. Seus olhos vermelhos me fizeram sentir aquele mesmo arrepio de quase um mês atrás. Não posso olhar, eu não posso me deixar levar por esses olhos de novo. Ele ajustou seu paletó na lapela, erguendo um pouco o rosto e no movimento fez seus olhos aparecerem, de um vermelho imoral.
Mais fotos. Eu estou achando que esse fotógrafo está tirando fotos demais dele.
Sasuke colocou as mãos nos bolsos da calça, esperando por algo, e mais fotos. Todos ao meu redor estavam nervosos com a sua presença, seja por ele estar bonito, seja por ele emanar uma áurea diabolicamente sexy. Ele me encarou.
— Posso fumar?
— Não! — minha voz saiu quase desesperada. — Quer tocar fogo em tudo e matar todo mundo asfixiado? — ele negou e deu de ombros.
— Então… Qual é a minha motivação? — falou suspirando e ainda me fitando com aqueles olhos do diabo. Ele é o diabo, claro que os olhos são dele!
Confesso: ternos lhe caem muito bem.
Ele ficou parado, esperando a minha resposta, meu direcionamento. Shisui me olhou e fez um movimento com o rosto para que eu seguisse adiante. Ele moveu os lábios e eu entendi que dissera “É só mais um trabalho”. Ele tem razão, é só mais um trabalho. Eu já vi vários homens bonitos de terno, inclusive eu fico um deus grego de terno, não tem para que todo esse alarde com Sasuke só porque é… o Sasuke.
— Bom… Er… Você é o dono da Rebú. O que você quer conseguir com essa publicidade toda? – perguntei, tentando disfarçar o quanto eu estava sendo afetado.
— Clientes e dinheiro. — ele falou francamente. — Mas isso não é motivo suficiente, é?
— Segundo você, a Konan queria utilizar do vermelho. Pense em algo como “Tradição e inovação: pois o vermelho te faz querer mais.” — sinto que até minha fala em relação a motivação dele era influenciada pelo vermelho de seus olhos hipnóticos.
Sasuke assentiu e colocou-se pensativo por alguns instantes, depois cruzou os braços de forma firme ante o peito e olhou seriamente para o fotógrafo, como se fosse demiti-lo, e depois para as pessoas, como se obrigasse com o olhar que cada uma se tornasse seu cliente. Os modelos estavam inquietos, nem sei definir o que eles estão sentindo direito, mas eu sei que eu estou quase para sair correndo pela porta.
Apertei minhas mãos nos bolsos enquanto os cliques ficavam mais frenéticos. Sasuke abriu o paletó, empurrou parte da roupa para trás e enfiou as mãos dentro dos bolsos, depois deixou só uma na cintura. Senti que seus olhos pousaram em mim quando uma de suas sobrancelhas arqueou. Eu disse que o vermelho te faz querer mais. Seus olhos pareciam me querer.
Para que eu fui dizer uma coisa dessas? Engoli em seco.
Alguns minutos depois, aquela tortura pessoal silenciosa encerrou-se e todo mundo resolveu lanchar enquanto os técnicos davam uma olhada nas fotos. Sasuke foi para fora, com a desculpa de fumar um pouco, mas ele levou consigo o seu colete.
Shisui foi atrás com uma câmera. Pera, ele vai tirar fotos do Sasuke fumando? Isso eu quero ver! Fui atrás discretamente, mas assim que saí eu só vi o diabo Uchiha.
— E aí? — ele falou enquanto retirava o paletó.
— Tranquilo? — quase gaguejei.
— Pode segurar para mim? — ele apontou para o paletó e eu assenti. Peguei-o. Sasuke começou a colocar o colete com alguma dificuldade, depois apertou as fivelas do acessório e fez uma careta de dor — Eu odeio essa merda.
— Mas é preciso, não é?
— Pior que é. — ele colocou um cigarro na boca, mas parou antes de acender.
Ele me fitou, de cima a baixo e desistiu de fumar. Guardou tudo de volta e esticou a mão para receber o paletó de volta. Entreguei-o e ele o colocou com dificuldade. Sasuke arfou e se recostou nas grades da varanda do estúdio.
— Diz. — ele comentou com a voz baixa — Sua visão está bem?
— Oscila bastante. — resolvi ser sincero com ele. — Algumas horas vejo tudo perfeitamente colorido, em outras de repente as coisas começam a ficar desbotadas. — dei de ombros.
— Você prefere o mundo com cores ou sem cores, Naruto? — nos fitamos.
— Colorido claro, principalmente porque já tenho cores favoritas. — não sei onde ele quer chegar com isso.
Sasuke assentiu, não sei se era concordando comigo ou com algum pensamento em sua cabeça, então virou o rosto. Parecia pensar seriamente em algo. Ele me fitou de novo e num reflexo rápido segurou o meu pulso como se fosse a garra de uma águia. Senti meu corpo ser puxado para perto do seu. O quê? Lá vamos de novo? Não, Kami-sama, não deixa.
Eu fui sendo puxado e envolvido por seu braços.
Não começou na boca, ele foi direto para o meu pescoço, desabotoando dois botões da minha camisa e se ocupando da pele exposta. Droga, não, não, não, não! Por Kami, não! Sasuke estava chupando a minha pele igual a um vampiro faminto. Afundei meus dedos em seus cabelos e inspirei o cheiro delicioso de seu perfume, dando mais do meu pescoço para ele fazer o que quisesse inconscientemente. Ele succionava aquela região de tal forma que eu estava quase me contorcendo de pé. Finalmente ele me soltou e agarrou meus dois pulsos, girando nossos corpos e me empurrando para a parede que havia atrás de mim.
Sasuke afastou um pouco as minhas pernas, nada muito escandaloso, puxou minha cintura para perto de sua pélvis e arfou no meu ouvido. Nos chocamos e então ele me imprensou contra a parede, recostando sua testa na minha, com um olhar intenso. Droga, eu não posso ter uma ereção, não aqui no meu local de trabalho.
— Eu imagino… — ele sussurrou rouco, lambendo o meu queixo só com a ponta da língua e subindo para os meus lábios — Que vermelho seja umas das cores que você mais goste.
— Laranja… Gosto de laranja. — o diabo não deixa nada passar, mas claro que eu não admitiria aquilo.
— Que pena, Naruto… — não fala meu nome desse jeito, rouco e baixo no meu ouvido. Ah Incúbus do inferno!
Sasuke sorriu de lado e foi me soltando.
Oi? Pera! Parou! Parei! Não, calma! É o quê?
Ele se afastou caminhando de costas, algo como dois passos, sorrindo minimamente. Ele deu de ombros num suspiro e se virou, seguindo pela varanda para outro local do estúdio. Só dedicou um breve olhar para mim, seguido de uma piscadela sacana e de um largo sorriso safado.
Recuperei meu fôlego e sacudi minha cabeça. Como assim ele simplesmente vai embora depois de fazer o que fez? E eu nem sei ainda a proporção do “estrago”. Abotoei minha camisa e fui atrás dele, com passos largos. Tão logo o encontrei, sentando num confortável sofá, sozinho, numa sala que dá acesso a varanda do estúdio pelo outro lado. Ele lia sem interesse uma revista, com as pernas cruzadas e o rosto apoiado no braço.
— Que ideia foi essa? — falei alto. Sasuke me fitou e arqueou uma sobrancelha — Por que você foi embora assim, do nada, ainda mais depois do que fez?
— E qual é o problema? — ele fechou a revista e colocou-a sobre a mesinha ao lado do sofá — Você deveria estar feliz que eu te deixei em paz. Afinal, você me odeia, não tem nenhum interesse em mim e eu estou praticamente te assediando.
— Eu poderia até não te odiar, mas você não colabora. Afinal, o que é que você quer? Onde quer chegar com tudo isso? — eu precisava de uma explicação para aquelas mudanças repentinas.
Ele sorriu de lado, agarrou meu pulso de novo e quando eu entendi o que acontecera, eu havia sido puxado para baixo e caído em cima de seu colo, deitado, com um de seus braços por trás dos meus ombros e o outro pousado sobre minhas pernas. Como ele ainda consegue ter forças com o corpo ainda debilitado?
— Não acho que esteja pronto para saber o que eu quero… — seu rosto estava bem perto do meu. Se eu desse só um empurrãozinho para cima, nós nos beijaríamos. — Porque o que eu quero de você, com certeza, você nunca vai me dar.
— Não deveria ser eu a decidir se estou pronto ou não para saber o que o diabo quer? Será minha alma? — ironizei. Mas mesmo assim, estava assustado, pois eu quase acreditava que era exatamente isso que ele queria.
Seu sorriso característico confirmou os meus medos.
— Desde aquela época em que você era só um moleque, que eu quero a sua alma. — ele disse com a voz malignamente sexy — Mas agora que cresceu, eu quero muito mais.
Nos beijamos com furor, novamente meus lábios sendo sugados pela sua boca faminta, quente, perigosa. Sua língua cheia de veneno encheu a minha boca e eu já não sabia mais o que pensar, completamente infectado por seu veneno. Sasuke apertou com possessão a minha coxa, agarrou meus cabelos e num giro rápido, eu estava montado em seu colo.
— Eu quero seu corpo, eu quero a sua alma e só vou estar satisfeito quando os tiver! — ele sussurrou ferozmente no meu ouvido, insinuando que iria tocar o meu traseiro, mas não fez, me deixando só na expectativa. Sasuke mordeu a minha orelha e eu gemi de pura luxúria. — Mas você não vai me dar, você não quer me dar, você não pode me dar, porque se uma vez isso acontecer… — ele agarrou outra vez meus cabelos e me fez fitá-lo.
Não sei se o demônio existe de verdade, mas esse daqui, esse que estava fazendo meu corpo arder em brasa só com sua voz, com seus olhos, é lindo, terrivelmente lindo.
— Se acontecer, Naruto, nunca mais você vai ver o paraíso. — ele sentenciou e me deu um beijo suave, gentil, quase que me consolando.
Ficamos ali, eu recostado em seu corpo, que afundava no sofá, trocando beijos leves por alguns segundos, quando o celular dele tocou. Sasuke me fitou e buscou o aparelho. Saí de cima dele meio contrariado e fiquei no sofá, sentado, vendo-o em toda sua imponência atender a uma simples chamada. Toquei meus lábios, sentindo uma estranha falta dos seus.
Ele desligou e me fitou do alto.
— Fuja enquanto puder, Naruto, não me provoque mais. — ele disse com ares sombrios — Não queira mais me ver. Vá embora para outro lugar, qualquer coisa assim… Porque se isso continuar… — ele veio, levantou-me de supetão e me encarou de perto — Eu não vou parar de te atormentar.
Como se Kami-sama tivesse planejado algo, a voz de Shisui nos fez sair daquela situação. Sasuke me soltou devagar, deu um último beijo em minha boca e saiu. Caí quase desfalecido no sofá quando Shisui entrou na sala pelo mesmo lugar que ele saíra.
— Naruto?! — ele veio até mim — Você está pálido! O que houve? — ele tocou a minha testa e buscou no frigobar uma garrafa de água — Toma, bebe.
Eu bebi apressadamente a água, mas continuava sentindo aquela secura na minha garganta.
— Me diz, Naruto, o que aconteceu? Você brigou com o Sasuke de novo?
— Não… É que… Bom… Iruka disse que ninguém vai ser tão perfeito para mim quanto ele. Não entendo suas motivações. Não quero me envolver… Mas o vazio some quando ele está por perto… — eu o olhava como se esperasse uma resposta que fizesse sentido, pois me sentia tão confuso quanto o meu discurso.
Shisui sorriu gentilmente para mim e me abraçou com força, afagando as minhas costas.
— Infelizmente, Naruto… — ele suspirou e nos fitamos — É exatamente assim que eu me sinto em relação ao Itachi. — como é? Igual a mim? — Esse medo de perder, esse medo de se deixar levar, esse medo de enfrentar os obstáculos, mas esse desejo impetuoso de querer tê-lo. — ele afagou meu rosto – Infelizmente, Naruto, você está apaixonado por Sasuke.
— Eu não estou apaixonado pelo bastardo! — respondi irritado. — Como posso sequer gostar dele? Ele nem sabe respeitar as pessoas!
— Não consegue enxergar além da imagem que você criou dele no passado, não é? — Shisui se levantou e suspirou — Tudo bem, Naruto. É melhor mesmo que você pense que não sente nada por ele, exceto sentimentos negativos. Vai ser mais fácil. — ele deu de ombros, era como se ele sofresse por mim — Talvez seja até melhor você desistir das cores para não ter que sofrer mais. Sasuke é intenso demais para você, aliás, para qualquer pessoa no mundo. — ele caminhou para a saída — Vou dar um jeito de você nunca mais ter que entrar em contato com ele. Não quero ver você sofrer mais.
— Como uma pessoa que já é completa se envolveria com outra? — perguntei antes que ele saísse. — A única pessoa para qual ele se abriu foi sua filha. Ele sequer me explica o que está tentando. Ele afasta as pessoas.
Shisui parou no ato, demorou-se pensando um pouco e me fitou. Seu olhar sério o fez ficar mais parecido com Itachi.
— Vou te dar um conselho de amigo, pois só quero o seu bem: não adianta perguntar porque ele faz isso ou aquilo, se tudo o que sente é ódio e nada mais. — sua voz me soou repreensiva — Pare de querer saber sobre Sasuke se não está disposto a seguir ao lado dele! É um caminho sem volta! — ele suspirou.
— Você chegou atrasado. Ele acabou de me dar o mesmo aviso. — suspirei derrotado. Está sendo um longo dia de suspiros, pensei.
— Como pode achar, então, que ele não respeita ninguém? Acha mesmo que se Sasuke não se importasse, ele diria esse tipo de coisa a você? Só isso que eu te peço, Naruto, se não estiver pronto para arcar com as consequências, afaste-se dele.
— Não posso tomar decisões precipitadamente, Shisui. Estamos falando de mais de duas vidas envolvidas. Só… Não faça nada. Prometo que vou levar em consideração tudo que você me disse e os recentes acontecimentos. — falei muito sério para ele.
Ele fechou a cara de vez e aí que ele ficou mesmo parecido com Itachi.
— Deixa só eu te avisar uma coisa: se está fazendo isso por vingança pelo o que aconteceu entre vocês no passado, saiba que vai se ferrar muito.
— Kami-sama, ele é minha soulmate e eu sou a dele, não estou tentando o prejudicar. Além de que, Iruka me disse coisas muito sérias, que eu não poderia escapar por mais que tentasse.
— Você é senhor do seu destino, Naruto. Nós, Uchihas, deixamos de ser uma grande família porque decidimos criar o nosso próprio destino. Por isso somos tratados com tanto medo e tanto respeito. Sasuke, acima de qualquer um de nós, praticamente começou uma guerra contra os deuses por causa de seu destino. Por isso ele é negro, por isso ele é completo, ele viveu coisas, ele carrega sombras que ninguém deveria carregar, sombras que não são dele.
— Não me fale em sombras. A dele me persegue! — dei um riso sem graça.
Shisui arregalou os olhos imensamente e fez seus olhos ficarem vermelhos. Deu uma olhada em volta e tomou um susto tão grande que caiu sentado no sofá, quase em cima de mim. Ele sacudiu sua cabeça com força e me encarou com os olhos negros.
— Vou falar com Itachi. Ele vai dar um jeito nessa situação. Você não precisa passar por isso, não precisa de uma coisa tão ruim no seu pé. Não se preocupe, Naruto, eu vou cuidar de você!
— NÃO! Ela me protege. E eu nem consigo ver mesmo. — tentei me justificar e acabei corando com isso.
— Por Kami! Você está mesmo apaixonado por ele! — Shisui esfregou os cabelos — Se você diz que ela te protege, é porque você a quer por perto. Ela é a sombra de Sasuke, e quanto mais você pensar nele, mais forte e intensa ela fica. — ele agarrou os meus ombros — Naruto, por favor, lembre-se de todas as razões pelas quais você odeia Sasuke e agarre-se a isso! Não deixe que ele te tome. Pelo seu próprio bem, meu amigo!
Ele abriu a boca para dizer mais, porém a cara de espanto que eu demonstrei o fez parar e fitar as costas. Era o próprio diabo, de braços cruzados, nos encarando com frieza.
— Você fala demais, Shisui. — ele disse simplesmente.
— Eu não vou deixar que estrague a vida de Naruto! — Shisui levantou-se e ficou na minha frente. Mas o que está acontecendo?
— Eu não quero estragar a vida dele. — ele arqueou uma sobrancelha — Por isso vim te avisar que Maiko e eu estamos viajando hoje para Nova York. Tenho assuntos para resolver por lá e não sei quando retorno.
Ouvi Shisui respirar de modo mais aliviado.
— O QUE? — me dirigi ao diabo.
Não acredito nisso, as pessoas estão decidindo a minha vida por mim.
— Qual é o problema agora, Naruto? Vai surtar porque estou viajando a negócios? — ele falou, colocando as mãos na cintura.
— Você está fugindo, seu imbecil! — eu estava tão irritado que cheguei a trincar os dentes.
— De quê? De você? — ele franziu o cenho e deu um peteleco de leve na minha testa com dois dedos — Por que eu fugiria de você? Deveria agradecer aos deuses por eu estar indo embora contra a minha vontade.
— Contra a sua vontade? — indaguei suavemente, me sentindo mais aliviado com essa informação. Então ele não queria ir embora. Puta merda, o diabo conseguiu o que queria. Minha alma! Eu não era mais meu.
— Sim. — ele disse com calma — Não tem porque fazer alarde, Naruto, você tentou me matar duas vezes e… — Sasuke sorriu meio dolorosamente — Realmente eu não queria ir, mas é preciso. De toda forma, foi um prazer revê-lo depois de tanto tempo.
— Quando você vai? — perguntei chateado.
— Agora. — ele apontou para o alto do estúdio e eu ouvi um barulho de motor, provavelmente um helicóptero. — É uma questão emergencial. Maiko vai hoje a noite, de avião.
— Tudo bem… — e me aproximei dele como se não tivesse controle nenhum sobre meu corpo. Peguei seu rosto em minhas mãos, nossos olhos se conectaram de novo, eu senti aquele vazio, aquele aperto de novo. Não, eu não quero me sentir assim. Beijei-o brevemente. — Faça uma boa viagem.
Sasuke ficou me olhando, atônito, perdido em um milhão de pensamentos revoltosos. Ele mergulhou seus dedos em meus cabelos e tomou meus lábios de novo, num beijo feroz. Nos abraçamos como se aquele fosse o último adeus. Por que ele faz eu me sentir assim? Por que eu não consigo mais odiá-lo com tanta força como antes?
Ouvi um clique e um estalo. Sasuke arfou e me fitou, seu rosto enrijecendo, enquanto ele tateava a pele do meu rosto, deixando-me em chamas.
— Você me deu sua alma, Naruto… — ele sorriu diabolicamente — Eu vou voltar e tomar o seu corpo. Vou te fazer meu e mandarei para o inferno quem te disser o contrário. É como Iruka disse: não há como você escapar de mim.
Ele me soltou e se encaminhou para dentro do estúdio, mas antes de sumir das minhas vistas, ele parou e se virou, me mostrando um semblante sério.
— Mas… Caso você me esqueça, caso você desista e deseje tê-la de volta para seguir em frente com a sua vida, caso acredite que merece viver ao lado de quem realmente te ama, eu devolvo o que for seu. — disse simplesmente e sumiu dentro do lugar.
Minutos depois, ouvi o helicóptero decolar.
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