Cores do Meu Coração

12 Dobe 6 - O diabo é meu parceiro de leito


Notas iniciais
DiAngelo: Aêê, voltamos! Gente, que capítulo foi esse último? To no chão ainda! :O Esse é mais tranquilo, para o coração de vcs voltar a bater. Agora o drama é o seguinte: como se comportar sabendo que sua soulmate é o diabo? Como lidar com essa realidade? Isso porque vcs não sabem o que acontece mais na frente! muahahahahahaha Mia gente, se liga na interação do casal trouxisse, eles são demais ♥ E quem volta pra dar um olá? A fofa da Maiko! *-* Enfim... Corram pro cap. Nonna: para quem sobreviveu, aê!!! Voltamos com outro capítulo e esse é mais comédia devo dizer. Aviso também que, a partir desse, os capítulos foram feitos a base de fermento, madrugadas em claro e momentos icônicos entre os personagens, então "Prepared youserlves" que o negócio vai ficar massa. O que significa, Nonna? Significa que os capítulos serão grandes e alguns serão bem densos, mas vai dar tudo certo! Eu particularmente espero que gostem! Vejo vocês lá embaixo! "Porque a zuera não tem fim" Ass - Nonna.

Me mexi desconfortavelmente e puta que pariu! Tudo doía. Absolutamente tudo.

Senti meu toráx se contrair com minha tentativa de fazer algum movimento mais elaborado. Olhei para baixo e vi que minha perna direita estava engessada e sendo sustentada por um suporte de ferro preso ao teto. Tentei mexer os braços, doíam, mas até que estavam bons comparados ao resto. Eu passei a mão na cabeça e senti meu couro cabeludo, junto com a testa reclamarem de dor. No automático, eu me lembrei dos vários golpes que eu recebera de Sasuke ali. Parece que ele queria me apagar mesmo.

Mas que merda, parece que os tempos não mudaram tanto assim. To muito fudido. Que surra da bobônica foi essa?

Desde a hora que senti o impacto do carro sobre mim, eu não lembro de mais nada. Desmaiei no mesmo instante. E só acordei quando já estava no hospital, quer dizer, tudo branco, só podia ser um hospital. Olhei para a frente, logo no fim da cama, e vi uma cortina branca, assim que me virei para o outro lado, vi uma enfermeira passando pela porta… Kami-sama, esqueci completamente que meu mundo é colorido agora. E não sei se rio de felicidade ou se tento cortar meus pulsos, porque os deuses não poderiam ter escolhido uma soulmate pior.

Voltando ao foco, essa enfermeira tinha um cabelo muito bonito, era curto e de uma cor vibrante. Ela percebeu que eu tinha acordado e sorriu com pena, não sei por que, estou vivo não é?

— Da última vez que te vi, seu rosto não tinha essas nuances de roxo e azul. — Ela tentou se explicar.

— Hein? Mas eu nunca te vi na minha vida. — Vish, será que eu estava com amnésia?

— Uzumaki Naruto, não? Acredito que meio mundo te conheça. — ela deu uma risadinha engraçada.

— Ah tá… — Fiz cara de bobo. Não me julguem! Eu fui atropelado! Pelo carro e pelo Sasuke, é claro que eu não iria assimilar bem as coisas.

— Como está a perna? — ela perguntou.

— Bem eu garanto que ela não está, mas levando em consideração os recentes acontecimentos, eu estou quase perfeito. — falei marotamente.

— Vou aplicar um pouco de anestésico no seu soro, ok? Caso precise de algo, aperte o botão ao lado da cama. — ela apontou o local e logo depois foi para trás da cortina, conversando com alguém, ou podia estar louca, porque a outra pessoa não respondia nada. Enfim…

Olhei em volta e senti que vou passar muito tempo entediado aqui, suspirei com essa constatação. O único tipo de entretenimento era uma TV de tela plana na lateral da minha cama, em cima da janela que estava fechada. Eu vi que o controle estava no criado mudo ao meu lado, peguei-o e liguei a TV. Passava um programa de show de talentos, não era meu tipo de programa favorito, mas era o que tínhamos para hoje.

— Enfermeira! — chamei, assim que ela passou por mim.

— Sakura, é esse o meu nome. — ela informou gentilmente.

— Certo, Sakura. Que cor é essa… Do seu cabelo? É muito bonita. — Tenho certeza que meus olhos deveriam estar brilhando.

— Rosa. Hum… Parece que alguém aqui encontrou sua alma gêmea. — ela sorriu. Se ela sabe a cor do cabelo dela, significa que ela também tem a sua soulmate. Nossa, esse mundo está ficando cada vez mais interessante, apesar de...

— Infelizmente, devo dizer. — senti meu corpo ficar tenso. Vi que ela franziu as sobrancelhas, certamente achando minha atitude estranha.

— Er… bem, desculpa, mas tenho que ir. — ela se apressou em falar.

Assisti por um tempo o programa, que estava até engraçadinho. Mas comecei a me sentir desconfortável… Não, mentira! Eu não preciso de uma bexiga cheia agora. Eu me recuso a apertar esse botãozinho para chamar uma pessoa para me levar no banheiro, estou com uma perna engessada, a outra ainda funciona. Quer saber? Vou sozinho mesmo.

Me sentei na cama, com muito esforço devo dizer, não senti mais tanta dor devido ao remédio. Depois de conseguir sentar, tirei minha perna do suporte com o auxílio de minhas mãos, a depositando na cama, junto a outra. Fui me virando lentamente, colocando as pernas para fora da cama e estava tudo indo bem, até consegui me levantar e dar um passo, mas esqueci de uma coisa muito importante, eu tinha levado um chute muito poderoso nas coxas, logo, meus músculos não estavam em condições de me sustentar… É, você já sabe. Meti a fuça no chão.

E só pude ouvir uma gargalhada horrenda, olhei para porta e vi Kiba e credo que horror! Seu nariz estava envolto em gazes e seus olhos estavam escuros, não pretos, de uma cor mais suave, acho que roxo.

— Cara, que porra é isso na sua cara? — perguntei, estatelado no chão.

— Estou fantasiado para o Halloween, não percebeu? — ele ironizou. — Seu idiota, esqueceu que meu nariz foi quebrado durante sua possessão? — ele falou irritado. — E posso saber o que diabos você pensa que está fazendo?

— Eu tava tentando ir no banheiro… — olhei para o chão, que estava muito próximo do meu rosto, devo dizer. — Você vai passar o dia aí olhando ou vai me ajudar a levantar? — revirei os olhos para ele.

Ele veio até mim e colocou um dos meus braços em volta dos seus ombros. Fiz força na perna boa e me levantei com muito esforço, mesmo com a ajuda de Kiba. E diante do que meus olhos estavam vendo, era muito preferível ter permanecido no chão. Sasuke estava deitado na cama EM FRENTE a minha, tudo o que nos separava era provável meio metro e a cortina branca que fora afastada. Comparado a mim, ele estava com o pé na cova: a parte inferior do seu rosto estava muito inchada, sua cabeça estava toda envolta de umas coisas que eu nem sei para que serviam, mas estava muito engraçado, parecia aquelas faxineiras que coloca um lenço nos cabelos para proteger da sujeira.

Tinha uma faixa no meio da sua testa e outra na vertical, parecendo um daqueles protetores de luta, seus cabelos negros caiam sobre seu rosto de uma estranha forma desorganizadamente sensual, cobrindo seus olhos. Meu, por que eu pensei isso? Seu peito estava descoberto de roupas, mas completamente enfaixado e em alguns pontos havia umas placas brancas estranhas. Sua perna estava no mesmo suporte que a minha estava, ela estava engessada na altura do joelho até perto do tornozelo e Sasuke tinha um imobilizador no pescoço.

Ele e uma múmia usando calças pretas é a mesma coisa. Deve ser Halloween mesmo. Para completar o look bizarro, ele tinha fones no ouvidos e bebia de canudinho um suco de uma cor que não sei o nome.

— Pelo amor de Kami-sama, Kiba, me leva logo no banheiro. Antes que eu me jogue daquela janela!

— Qual o proble…? — Kiba se virou para onde eu estava olhando e deu um salto para trás de susto — AH! — ele gritou — Como assim esse cara está aqui, Naruto?! — ele sussurrou desesperadamente para não chamar a atenção do diabo.

— Olha, eu não sei, não quero saber e com toda certeza, tenho raiva de quem sabe! Agora, cuida! — falei enquanto cutucava o ombro de Kiba, logo que vi que Sasuke já olhava para a gente. Seu olha sério dizia “Porra é isso?”.

— Sim, senhor! — Kiba veio até mim, transpassou um braço por baixo de minhas axilas e lá fui eu pulando que nem um saci idiota para o banheiro, que por sorte, ficava perto da minha cama e bem longe da dele.

Dei meu jeito, porque é óbvio que eu não ia fazer xixi com Kiba pendurado em mim, falando coisas como: “Você viu como o capeta olhou para você?”, sem falar que eu não queria nem saber da treta do ex-cliente dele, vulgo, Lúcifer. Ele me esperou na porta, e não posso deixar de comentar que quase caio no banheiro de novo. Mas consegui sair de lá ileso.

Chamei-o assim que terminei. Agora que imagino, devo estar tão sexy quanto um tijolo de 8 furos com a cara roxa e aquela camisola de hospital. Me olhei no espelho assim que Kiba entrou no banheiro… Fiquei pasmo. Era aquilo amarelo? Uma cor muito chamativa, devo dizer. Mas o azul brilhante dos meus olhos era magnífico. Certo certo, eu sou meio colorido, principalmente com esses hematomas escuros nas bochechas e olhos.

— Sabia que você está a quase dois dias desmaiado? — Kiba falou como se fosse a coisa mais normal do mundo, sentando-se na poltrona ao lado da minha cama, aquela para visitantes. Percebi que a cortina não separava mais minha cama da de Sasuke, provavelmente foi alguma enfermeira que a afastou, porque eu duvido que tenha sido ele, nas suas atuais condições.

— Uau! Nunca dormi tanto assim. Deveria fazer isso mais vezes! — ri alto. Quero que Sasuke ouça que eu não estou dando a mínima para ele

— Seu idiota! — tinha lágrimas nos olhos de Kiba — Nunca mais faça isso ou termino de te matar, ouviu?! — ele fez um bico chorão.

— Desculpa… — sussurrei, olhando para baixo, envergonhado. Não por ter me atracado com Sasuke, mas por ter preocupado Kiba e Shisui.

— Só aceito suas desculpas… — ele enxugou as lágrimas e aproximou o rosto de mim, colocando a mão em concha no meu ouvido e sussurrando com uma voz de bruxa má — Porque me disseram que você quebrou, literalmente, o queixo dele! — ele apontou para Sasuke.

— Sério?! — lambi os lábios, me deliciando com aquela informação. — Que lindo, o que mais?

— Mais nada, só sei disso. — ele esfregou os cabelos e deu um grito — AH! LEMBREI!

Eu estremeci com aquele grito do nada. Fitamos discretamente Sasuke e tudo o que ele fez foi mexer os olhos, nos encarando e depois voltou a fitar a tela do celular. Encarei Kiba e nós começamos a rir feito dois idiotas. Bem, isso é uma meia-verdade. Somos meio idiotas. Ele aproximou de novo de mim, colocando a mão em concha ao lado do meu ouvido.

— Eu ouvi os médicos comentando que acharam cacos de vidro com quase três centímetros perfurando o fígado dele. — ele deu um risinho maldoso — Disseram que era de garrafa de cerveja, por causa da espessura do vidro!

— Eu faria qualquer coisa para ter visto isso! — continuei rindo como um idiota. Minha barriga chegou a doer de tanto que ri.

— Mas foi você que fez isso nele, esqueceu? — ele fez o movimento de enfiar a garrafa na barriga e depois fez uma careta dramática de morte — Todo mundo achou que Uchiha Sasuke teria batido as botas naquele momento!

— Você não entendeu caro amigo, queria ver os cacos ensaguentados enquanto eram retirados… — abri os olhos de forma insana.

— Ah sim!

De repente nós ouvimos um suspiro risonho. Fitamos a cama do diabo e vimos ele relaxado, recostado com um braço apoiado na perna boa, que estava dobrada, seus dedos tamborilavam sobre joelho e eu tive a impressão que sua cabeça se movia em algum ritmo. Seus lábios se mexiam num murmúrio incompreensível, até que um súbito de emoção se apossou do corpo dele e ele sorriu. Pera aê, o diabo sorrir? O que eu estou vendo? Alocka, ele está cantando!

Hatuna Matata — Rei Leão

— Hatuna matata, hatuna matata, hatuna matata! Os seus problemas...! — ele cantava melodiosamente. Não acredito, ele leva jeito! Sacudi a minha cabeça e pisquei. É isso mesmo. Uchiha Sasuke, o diabo, o capeta, o bicho do mal, está cantando — Você deve esquecer... Isso é viver! É aprender! — ele cantava com alegria. Nossa, agora eu vi de tudo nessa vida — Hatuna Matata! Hatuna Matata! Hatuna Matata! Hatuuuuna Matata! — ele começou a fazer barulhos imitando trompetes.

Kiba bateu palmas inconscientemente assim que Sasuke parou de cantar. Para a porra do mundo que eu já estou tonto! O que significa isso? Sasuke respirou fundo e mostrou uma cara quase chorosa de dor, temendo tocar o maxilar com a mão. Eu quebrei mesmo a cara dele. Mas por que é que ele estava cantando se não podia falar? Cara estranho.

Quando pensei em fazer uma piada sobre ele cantar o telefone dele tocou.

— Alô. — disse como se não tivesse feito o que acabara de fazer — Certo. — e desligou.

Ele ficou com a cara amarrada de dor, respirando profundamente feito um touro. Esse cara é mesmo maluco. Não pode nem mover a boca e fica cantando feito um babaca.

E eu que sou o idiota.

— Ei, acho melhor você não falar muito, seu maxilar tá ficando vermelho… — ri debochadamente.

Ele me fitou e virou a cabeça na minha direção. Com as mãos fez dois legais, depois fez um coraçãozinho e no fim me mostrou os dois dedos médios. Tudo isso sorrindo. Esse é o Sasuke que eu conheço, não um maluco cantor.

— Cara, eu sabia que você não ia conseguir se segurar por muito tempo, mal descobre a verdade e já está caidinho por mim. Mas por favor, não crie expectativas, o sentimento não é recíproco. — dei de ombros.

Sasuke teclou algo em seu aparelho e me mostrou o visor, com uma cara tranquila e sorridente. O texto dizia “FUCK S2 U”, depois apareceu “MY LITTLE BITCH”.

— Esse é o melhor que você pode fazer? Tsc Tsc… Esperava mais de você, querido! — fiz um cara de falsa tristeza.

Ele suspirou e revirou os olhos. Digitou rapidamente de novo no teclado e ergueu o celular.

— "Eu não posso falar, animal." — era a voz da mulher do Google Tradutor — "Você fez o favor de deslocar a minha mandíbula. Muito obrigado."

— Bem, isso é o de menos, você nos jogou na frente de um caminhão. Que tipo de idiota tenta matar alguém cometendo suicídio ao mesmo tempo?! — estranhamente, eu estava me divertindo com aquela situação.

Eu vi que Kiba só olhava para a gente como se fôssemos loucos.

De novo ele digitou e ergueu o celular.

— "Vaso ruim não quebra. Sou a prova viva disso. E você deveria me agradecer." — essa voz é muito escrota.

— Odeio isso, mas tenho que concordar com você. Já é a segunda vez que estamos nessa situação e você continua vivo… Desse jeito vou ter que acabar desistindo. — falei fingindo tristeza. Mas de repente fiquei confuso. Ele disse agradecer? — Oi? Agradecer? Pelo que? Por tentar me matar?

Ele negou. Seu rosto parecia tranquilo. Sasuke digitou de novo e deixou tocar.

— "Se está vivo, é por minha causa, little bitch."

— Acho que você bateu a cabeça com muita força, porque não está falando nada com nada… — olhei desconfiado para ele.

— "Olhe o que os jornais dizem." — ele trocou o canal da TV, até a CBB, depois de guardar o celular e apareceu uma mulher anunciando uma notícia.

A cara que Sasuke fez, seu sorriso de diabo me fitando, enquanto eu lia a notícia, assustaria qualquer um. A mulher anunciava um acidente ocorrido na madrugada anterior. Um caminhão perdera o controle e atropelara dois homens em frente ao bar Bola 7. Diziam que ambos estavam alcoolizados e por isso foram “pegos de surpresa”. Para piorar tudo, tinha o vídeo. Claramente era Sasuke me empurrando contra a frente do caminhão, porém só ele foi atingido, pois eu fora mais além, e o carro que desviara da caçamba do caminhão me acertou em cheio.

Tudo foi tão rápido que o jornal repetiu o vídeo e em câmera lenta. Sasuke fora jogado contra o meio fio e eu iria parar contra outro carro se, de repente e me fazendo arregalar os olhos, o diabo não tivesse se levantando misteriosamente e corrido. Ele praticamente me aparou no ar e se agarrara em meu corpo, rolando para debaixo do carro estacionado que eu iria me chocar.

Era praticamente uma cena de cinema.

Um zoom mostrou eu magicamente saindo de debaixo do carro e ele vindo logo em seguida, rolando outra vez comigo até pararmos contra a parede do prédio em frente e escapando da bagaceira de carros se batendo com um caminhão no meio.

Para terminar a humilhação, a mulher disse em bom tom: “Além de um benfeitor para Konoha, Uchiha Sasuke será conhecido por salvar o filho mais aclamado dessa terra, Uzumaki Naruto”.

— Sério Sasuke, como você joga uma pessoa na frente de um caminhão para depois a salvar? Sanidade mandou lembranças e não, não vou agradecer, porque você não precisaria me salvar se ANTES não tivesse me jogado na frente de um automóvel, seu imbecil!!! — falei com o rosto quente de raiva.

— De nada.— a mulher do Google disse e ele riu enquanto tocava a música Bitch I’m Madonna, mesmo agonizando de dor em cima da cama.

— Faz um favor para mim, volta para as profundezas do inferno, de onde você nunca deveria ter saído! — ignorei-o depois disso. Cansei daquela brincadeira.

Sasuke se aquietou quando a porta se abriu e por ela passou Itachi, com uma cara de poucos amigos, de quem iria degolar o primeiro que suas mãos alcançassem. Que não seja eu, Kami-sama! Atrás dele veio Shisui, que a primeira coisa que fez foi correr até a minha cama e tentar me abraçar sem me machucar. Finalmente, afeto pelo acidentado!

Ouvi Itachi dá uma bronca em Sasuke que eu juro, se Shisui não estivesse ali, eu teria rido até ter mudado de cor e desmaiado sem ar. A cara que o diabo fez valeu toda a humilhação que eu passei durante esses minutos, mas todo esse clima, de afetividade comigo e hostilidade com Sasuke, foi quebrado por um grito agudo vindo do lado de fora. Parecia ser um grito de criança.

Todo mundo fitou a porta e ela foi aberta devagar. Por ela passou Hinata, em seus saltos perfeitos, segurando pela mão uma menina. Uma criança? Será filha de Itachi? Parece com ele.

Eu vi um brilho amoroso surgir nos olhos de Shisui. A menina, eu não daria mais do que oito anos, estava usando um vestido cor de rosa — graças a Sakura eu sei que cor é essa — uma meia-calça branca e sapatilhas de boneca pretas bem envernizadas. Ela estava parada na frente da cama de Sasuke, o corpo trêmulo e o rosto apertado, como se fosse chorar, mas a todo custo quisesse evitar isso. Uma linda menina de longos cabelos negros com as pontas rebeldes que nem os cabelos de Sasuke, olhos expressivos e longos cílios, uma boca pequena e o corpo bem alongado, esguio, como de uma modelo mirim.

Eu pensei que já tinha visto de tudo. Mas não vi.

Sasuke abriu os braços e a menina deu um jeito de subir na cama, abraçando o pescoço de Sasuke ao deitar-se por cima de seus ferimentos. Ele conseguiu disfarçar magistralmente a dor e a agonia, mas sua pele assumiu uma coloração e uma rigidez que denunciavam o quanto aquilo era doloroso. A menina desatinou a chorar, soluçando copiosamente.

— Papai!!! — ela gritou desesperadamente — Papai!!! Papai!!!

WHAT THE FUCKING HELL!!! O capiroto é pai! Eu estou alucinando foda! Puta merda, eu morri!!! É isso, eu morri, porque é impossível que esteja acontecendo o que meus olhos estão visualizando. Esse doce de menina, filha do caramunhão? Simplesmente inacreditável.

— Shisui? — sussurrei. — Quem é essa menina? — continuei falando baixo, para só ele ouvir.

Ele baixou o olhar e sorriu. Sentou-se na beirada da cama e cruzou as pernas, recostando o corpo no travesseiro enorme em que eu estava encostado.

— É a filha dele. — disse num tom brincalhão. Eu ri.

— Que engraçado, pensei ter ouvido você falar que a linda menininha era filha do capiroto. Acho que estão exagerando na minha dose de remédios.

Ele riu também, porém contido. Só nesse momento eu percebi que os olhos de Kiba brilhavam de curiosidade de saber quem era aquela menina. É que ele simplesmente ama crianças.

— Aquela é a filha de Sasuke, de verdade. Foi um… — ele suspirou — A mãe disse que foi um deslize, um erro, Sasuke diz que é um tesouro enviado do céu. O bem mais precioso que ele tem na vida. — ele me fitou com um olhar repreendedor — Aquela é Uchiha Maiko.

— Puta merda! — falei baixo, por ter uma criança no ressinto. — Por favor Shisui, me diz que eu não disse aquilo! — falei desesperado. Meus pais devem estar furiosos neste exato momento, não foi essa educação que recebi. Xingar crianças? Isso nunca!

— QUE?! — gritou Kiba chamando a atenção de todos para si — Aquela é Maiko?!

Sasuke nos fitou, aliás, me encarou. A menina estava aconchegada em seu peito ferido e simplesmente parecia que nunca mais ia largá-lo. Ele discretamente baixou o lençol que cobria sua cintura e eu vi a mancha vermelha de sangue que aparecera em sua barriga. Parece que o esforço de acolher sua menina num abraço de “Calma, eu estou vivo” foi demais para seu corpo debilitado. Sasuke piscou um olho para mim, sorrindo, e cobriu a cintura de novo.

— Sim, essa é Maiko, filha do meu irmão. — Itachi falou, claramente irritado — E você, quem é? — ele encarava Kiba.

— Este é Inuzuka Kiba, Itachi, meu melhor amigo. Não se preocupe, Sasuke o conhece. — falei sem malícia nenhuma. Resolvi dar uma trégua temporária.

— Sei… — ele falou mais calmo, depois se virou para Sasuke — Dá para me dizer por que você tentou matar Naruto?! — ele bradou. Eu notei que o diabo tapara o ouvido da menina.

— Itachi, sinto muito, mas a culpa foi minha, falei coisas que não deveria. E não posso nem culpar o álcool. — eu estava TÃO envergonhado.

Shisui colocou uma mão em meu ombro e eu o fitei. Ele meneou a cabeça negativamente.

— Naruto. — Itachi disse — Foi claro. As câmeras de seguranças flagraram ele te jogando contra o caminhão. Pode processá-lo se quiser. — eu quis falar, mas a mão erguida de Sasuke não me permitiu. O que ele está fazendo? — Eu já cansei dos seus surtos, Sasuke! Eu pensei que tinha se curado disso! O que porra deu em você?

— Itachi! Maiko está aqui. Você pode ter essa conversa com o seu irmão depois. — falou Shisui seriamente e cara! O homem abaixou a crista na hora.

Maiko olhava para todos de maneira preocupada, mas ao voltar o olhar para o rosto do pai, parece que uma mágica aconteceu: o semblante dela se acalmou e ela sorriu, exibindo um lindo sorriso sem alguns dentes da frente. Sasuke estava com uma face tão paternal que eu me senti um merda por ter chamado Maiko de puta.

Mas como eu ia saber que era a filha dele e não a mulher? Que merda! Eu quero um buraco para me enfiar dentro. A ideia de pular da janela voltou a minha mente.

Depois de algumas horas, o momento de visitas se encerrou e eu fiquei, para minha angústia pessoal, sozinho com Sasuke no quarto. Ele tinha acabado de receber morfina para a dor no corpo e algumas enfermeiras refizeram o curativo em sua barriga. Os médicos disseram que por sorte o ferimento interno não se abrira e começara uma hemorragia. E ele, como sempre, apenas sorriu e deu um aceno de cabeça, como se isso fosse normal.

Talvez o pior do dia fosse ver Sasuke dar adeus a Maiko. O rosto dela de choro, de medo de nunca mais ver o pai, era muito angustiante. Depois ver o Uchiha gritar de dor quando teve certeza que não tinha mais ninguém por perto foi ainda pior. Resolvi aproveitar a oportunidade antes que ele dormisse. Porque vi que seus olhos já estavam piscando de forma mais demorada.

Joguei minhas pernas para fora da cama e com muita dificuldade, consegui sentar na cadeira de rodas que a enfermeira tinha deixado do lado da minha cama.

Fui até ele, com os olhos baixos de vergonha, e toquei sua mão esquerda.

— Sasuke? — chamei baixinho.

— Não ouse. — ele resmungou e lentamente virou o rosto para mim — Você não sabia que eu tinha uma filha… Eu faço de tudo para que os lobos da mídia não cheguem até ela, então não tinha… — ele bocejou — Como você saber.

— Não me importo que você não queira ouvir. Quero pedir desculpas porque não posso olhar para você sabendo que falei aquilo. — falei angustiado.

— Eu nunca disse isso, idiota. — outro bocejo — Eu nunca disse que não queria ouvir suas desculpas… Só disse que não precisava… Mas já que disse… Eu aceito. — ele retirou a mão de debaixo da minha e pousou em meu ombro — Esqueça… Não é primeira vez que você faz merda por não me conhecer e nem… — bocejou novamente — Será a última.

Sasuke tirou a mão do meu ombro e cruzou-a sobre a outra, em cima de sua barriga. De certa forma, eu sorri. Eu pensei que iria ouvir um merecido sermão, ou que ele iria tentar me matar de algum jeito escroto, mas ele simplesmente disse que aceita as minhas desculpas.

— Cara, você é um anormal, acho que você é ninja ou algo do tipo. — ri baixinho.

— Por quê?

— Não sou um expert em artes marciais, mesmo que meu pai tenha sido muito insistente em me levar até onde ele praticava um tipo de luta, não lembro o nome porque não é um estilo nativo daqui, mas eu SEI me defender. Acredite nisso, se não, seu maxilar estaria perfeito agora. — falei e percebi que logo ele não estaria nem mais ouvindo. Então comecei a me afastar, para voltar para minha cama.

— Vai por mim, Naruto. — sua voz grave me provocou um arrepio indecente. Tem alguma coisa errada aqui, produção. — Se eu estivesse lutando a sério, depois de dez anos… — ele bocejou — Me preparando para te matar… — seus olhos me fitaram vermelhos. Só uma brecha no meio dos seus cabelos, pois sua cabeça já pendia por cima do travesseiro. Outro maldito arrepio — O carro seria o menor dos seus problemas...

E finalmente a morfina fez seu efeito, somada aos analgésicos que ele tomara. Sasuke adormeceu, respirando com dificuldade. Shisui me dissera que um de seus pulmões fora perfurado pelas costelas quebradas.

Finalmente voltei para minha cama e fiquei encarando o teto, enquanto nossa pequena conversa passava em reprises na minha mente. Tenho um leve pressentimento que estou andando em círculos, que independente do que eu faça ou das decisões que tome, vou chegar ao mesmo lugar… O problema é, que lugar é esse? Acho que a resposta não me vai me agradar nenhum pouco. Recordei-me do sonho que eu tivera.

Os lábios e os olhos. Eram de Sasuke, agora eu tenho certeza. Kami-sama, por favor, não permita que eu continue desse jeito ou eu irei me ferrar mais do que já estou.

Notas finais
DiAngelo: E esse final gostosinho? Fofurinha! Se peguem logo seus gota! kkkkkkkk E aí, o que acharam? Gostaram? Comenta aí povo! o/ Nonna: Minha gente, e Maiko? Num dá vontade de pegar e criar?! Quem achava que Sasuke era um mal amado, pode pegar o beco, porque ele vai provar que não tem uma alma completa a toa. Comentem, favoritem, recomendem, mandem beijo, presentes, dinheiro, o que quiser! Té!