Cores do Meu Coração
13 Teme 6 - Reconstituindo a máquina
Notas iniciais
— Sasuke. — uma voz grave de fúria me chamou.
Ergui lentamente meus olhos para o lado e encarei a cara carrancuda de Itachi. É por isso que eu prefiro admitir logo que a porra da culpa é minha porque não passou na cabeça de ninguém, absolutamente ninguém, que eu estava na minha, bebendo, quando repentinamente o Furacão Naruto passou por mim e me deixou no atual estado em que estou. Quero dizer, foda-se que Uchiha Sasuke quase morreu, a menina dos olhos de Konoha não pode sofrer nenhum arranhão ou o apocalipse vai começar antes do tempo.
— O advogado de Naruto está lhe processando em dez milhões por tentativa de assassinato. — ele esfregou as têmporas — Seria menos, mas por a mídia ter divulgado que você é um herói, ele está se apoiando nisso para conseguir mais dinheiro.
Fiz uma cara de “Você quer que eu faça o quê?”. Fitei a cama vazia. Naruto fora levado para o andar de baixo, para a fisioterapia, e fora acompanhado por sua “enfermeira do coração”, Haruno Sakura, e por Shisui. Revirei os olhos e olhei para Itachi de novo. Só estávamos tendo essa conversa porque ele não está aqui.
— Temos que fazer alguma coisa. — ele disse de maneira preocupada — Se esse escândalo vier a tona, vai ser horrível para os seus negócios. — viram o que eu falei?
Quem se importa com a tentativa de assassinato por parte dele? Eu, dramático? Nem pensar, na verdade eu não estou nem aí para isso, eu ainda estou com o meu fígado, inclusive meus médicos me disseram que o órgão está se reconstituindo muito bem. Brevemente estarei voltando ao Bola 7 para comemorar a vida maravilhosa que não me foi tirada, com tantas bebidas quanto eu puder beber.
— Está me ouvindo Sasuke? — meu irmão está meio impaciente hoje.
— Estou.— meu celular falou por mim — Não se preocupe. Darei um jeito.
— Como? — ele arqueou uma sobrancelha.
— Não pagando.— eu quis ter rido da cara de confusão que meu irmão fez — É meio óbvio, não acha?
Itachi piscou e se colocou pensativo. Levantou-se e ficou andando para lá e para cá, com as mãos atrás de seu corpo. Pode parecer estranho, mas depois que o mundo “se abriu para os meus olhos”, eu descobri que tem uma franquia mundial de roupas e acessórios voltada exclusivamente para as soulmates, enquanto todas as outras lojas de roupas só vendem peças preto, branca e cinza. Interessante, não? Por isso que meu irmão está usando um terno preto simples com uma camisa branca social por dentro.
Ele parou de andar e me fitou, com os olhos abertos numa cara de iluminação. Parece que ele entendeu os meus planos. Rapidamente Itachi voltou para a poltrona e sentou-se.
— Dizemos a Naruto. — ele começou e eu só assentia — Caso ele não saiba do processo, vamos pedir que ele cancele isso. Se ele não for de acordo…
— Nós apelamos para a comoção popular.— meu celular disse — Vamos fazer as pessoas obrigarem-no a cancelar, colocando sua carreira em jogo.
Itachi recostou-se na poltrona e arfou.
— Você é bem pior do que fora nosso pai, sabia? — ele comentou isso sorrindo — Eu nunca teria essa frieza para agir dessa forma. — dei de ombros — Eu sei, eu sei… Ele tentou te matar e deixar sua filha orfã. Eu sei, ele merece um susto desses.
Como eu disse: só tem diabo enrustido nessa família. Eu sou o único de cara mesmo. Itachi anotou tudo em sua agenda e disse que iria se reunir com Kakashi essa tarde para tratar do assunto. Ele retornaria para o seu trabalho, que inclusive é nesse hospital onde estou internado, ao que parece, para sempre, e depois da reunião com Kakashi falaria com Hiashi.
Foi só ele sair e o dito cujo apareceu de muletas. A cara dele estava normalizando. Shisui não estava com ele, na verdade quem o trazia era a tal enfermeira de cabelos coloridos que insistia que ele usasse a cadeira de rodas para se locomover. Como ele é uma mula, Naruto só respondia que não e que não precisava mais de cadeira de rodas. Isso apenas duas semanas depois do suposto acidente.
Fitei meu celular. Ele vibrara por causa de uma mensagem. Era Maiko dizendo que acabara de sair da escola e estava me trazendo o almoço. A “tia” Hinata estava levando-a para o restaurante para comprar a comida. Observei Naruto sentar-se na cama e comentar como fora emocionante voltar a andar com as próprias pernas para a enfermeira. Me peguei sorrindo discretamente. É como uma criança mesmo.
Enviei uma mensagem para Maiko. Mandei-a comprar um segundo almoço. Ela respondeu perguntando para quem era. Eu disse que era para uma pessoa famosa.
Sakura saiu depois de rever o meu soro e dar uma olhada nas minhas ataduras. Notei uma animação anormal nele que foi logo sendo suprimida por um estranho constrangimento em seu rosto e leve corar em suas bochechas. Arqueei uma sobrancelha, sem entender qual o motivo disso. Até parece que ele nunca viu um homem enfaixado na vida.
— Como foi a fisioterapia? — perguntei, aliás, meu celular perguntou, mesmo que eu tivesse ouvido toda a conversa emocionada dele com Sakura. Eu ainda tenho vontade de matá-lo, mas eu preciso me manter relaxado para a recuperação física ser perfeita, então: sem estresse.
— Como sempre, você sabe, forçam minha perna, mandam eu relaxar, depois refazem tudo umas 500 vezes. Sakura não parou de brigar comigo, só porque tentei andar sem as muletas! — ele fez um cara emburrada.
Fiz uma cara de quem estava de acordo com suas palavras. Não que eu estivesse de verdade, é só que eu estou aceitando a trégua que ele criou mentalmente entre nós em respeito a uma série de coisas. É muito fácil entender esse cara, ele é muito simplório.
— Não sei como são as fisioterapias, mas é chato quando nos impedem de fazer o que queremos.— o celular disse e eu dei de ombros.
— Enfim… é uma chatice. Shisui que disse que preciso me recuperar depressa, porque logo logo os eventos de fim de ano terão início.
— Vai para fora?— fiz o aparelho falar, apesar de eu estar olhando algumas mensagens em meu celular enviadas por meu computador, a célula central do sistema de funcionamento da minha empresa. Parece que as cotações estão ótimas para comprar ações esse fim de ano.
— Não. Vai acontecer tudo por aqui mesmo. Shisui não quer sair da cidade… e você deve imaginar o motivo. — ele deu uma piscadela.
Sorri de lado e assenti. É claro que eu sei. Inclusive eu fiz meu papel de patrocinador para garantir que os eventos ocorram por aqui. Ainda movi alguns pauzinhos para dar maior motivação para meu primo, como catálogos natalinos, propagandas e outras coisas relacionadas a esse mundo que eu não entendendo absolutamente nada. Meu negócio é, literalmente, negócios.
— A propósito Sasuke, porque esses dois estão nessa enrolação toda, já tentei convencer Shisui a se jogar logo, mas ele é mais teimoso que eu e olha, isso não é pouca coisa!
— Só um Uchiha convence outro, infelizmente.— coloquei o celular para falar sem olhar para Naruto, porque eu estava resolvendo um assunto urgente no celular. Uma filial estava me dando prejuízo e me cheirava a desvio de verba. Eu ainda termino esse ano matando um. — Não vai convencê-lo de nada. Shisui pode parecer gente boa, aliás, ele é gente boa, mas ele só faz o que quer e ai daquele que o contrariar. Aquele jeito gentil dele é só para disfarçar sua personalidade exigente e egocêntrica.
— Você acha que não sei disso? Como você acha que entrei no eixo? — ele fez uma careta de quem diz uma coisa óbvia.
Assenti. Fitei a outra mensagem que eu recebera e no súbito de raiva que se apossara de mim, eu joguei o celular contra a parede da janela, estraçalhando o objeto. Minhas especulações foram confirmadas: o problema era realmente o desvio de verba.
— Cara, é melhor você respirar fundo, seja o que for. Você possuído não é uma coisa legal de se ver. — ele tinha os olhos arregalados, provavelmente por causa do susto.
Sorri de lado e pisquei um dos olhos para ele. Observei a tela do aparelho piscar algumas vezes e então finalmente queimar. Deu até um estralo e saiu uma fumacinha. Nada mal para o celular do diabo. Eu vi Naruto encarar os restos mortais com uma cara cômica de espanto e depois me fitar com preocupação. Acho que ele pensava que o meu celular era uma bomba. Na verdade é um mecanismo que eu mesmo criei em meus tempos de faculdade que serve para destruir toda e qualquer informação que o celular tenha, fundindo todos os chips internos de funcionamento.
— Sério, você ‘tá bem? — acho que a qualquer momento ele sairia correndo do quarto.
Assenti rapidamente e dei de ombros. Apontei para sua perna. Estar mudo é muito divertido, se querem saber, ver as pessoas tentando adivinhar o que você está pensando é uma atividade estimulante e muito criativa.
— Hum… posso saber o que aconteceu? Quer dizer, não que seja do meu interesse… — ele parecia confuso.
Franzi o cenho, perguntando-me se ele estava mesmo só sendo curioso ou se tinha algum interesse secundário ao me fazer aquela pergunta. Olhei em volta atrás de alguma coisa que me servisse para responder a pergunta, mas não havia nada ao meu alcance. Fitei-o e apontei para o meu protetor de pescoço, que me impedira de vez de mover os lábios. Eu só o retirava para comer, isso pense em toda classe de sopa que existir no cardápio do mundo e eu a tomando com o auxílio de um canudinho. Eu já devo ter perdido dois quilos nessa brincadeira.
— Desculpa, esqueci que você não pode falar. — ele parecia chateado com algo.
Movi minha mão como se dissesse que está tudo bem. A porta se abriu e por ela passou Iruka, olhando para trás, conversando com alguém e então apareceu minha menina, carregando com habilidade duas “marmitas” de isopor nas mãos. Ela ria do que Iruka dizia. Logo depois entrou Hinata, ela deixou a mochila dela na poltrona de visitantes, entregou-me um envelope de papel madeira e saiu dizendo ser seu horário de almoço.
Assim que ela saiu e Iruka se sentou na poltrona perto da cama de Naruto, Maiko veio até meu colo, sentando na minha perna boa e colocando as “marmitas” sobre a mesinha que tem nessas camas de hospital.
— Papai! Trouxe sopa de carne com cenoura! — tão linda sorrindo sem um dos dentes da frente — É para ficar mais forte! Está tudo como o médico mandou, triturado e líquido!
Assenti. Ouvi uns murmurinhos vindo do outro lado do quarto. Olhei discretamente para a cama de Naruto enquanto Maiko colocava cuidadosamente a minha sopa no copo que eu uso para beber. Ele conversava com Iruka e eu notei um leve desespero no… Que cor é essa do cabelo dele? É a mesma do sol, não é?
— Kami-sama, me diz que você não veio fazer mais previsões acerca da minha vida amorosa, porque se for, não quero saber. ‘Tá tudo errado… Por que você está com esse sorrisinho na cara? Peraí! Você sabia desde o início que era ele não é? Eu não acredito!!! — ouvi aquele idiota tentar sussurrar uma conversa com Iruka, mas estamos falando de Naruto, ele não sabe sussurrar. E não vou mentir, aquilo me interessou, até porque eu estava envolvido na história.
Quero dizer, Iruka tivera uma conversa parecida comigo, mesmo que eu não quisesse.
— Eu não sabia de nada… — Iruka respondeu com uma cara de quem sabia sim — Os deuses sabiam da verdade. — ele sim sussurrava. — Se bem… Que eu suspeitava....
— E porque diabos não me disse?! Você sabia da nossa rixa, estava passando em todo os canais de TV! — ele parecia muito irritado.
— Eu não podia. — ele deu de ombros.
— Tenho impressão que é inútil discutir isso, mas também sinto que você não veio só para olhar a minha cara bonita. — ele fazia uma cara calculista.
— Não, não vim. Eu vim presenciar você se surpreender absurdamente. — Iruka falou com uma voz profética que parecia brincar com a cara de Naruto.
Sério, isso está muito divertido, eu queria poder rir agora.
Maiko me entregou o copo e sorriu quando tomei um gole da sopa. Pisquei um olho para ela e fiz uma cara de que gostei. Realmente, a sopa estava boa.
— Papai? — ela chamou — Para quem é o outro almoço? — Maiko estava com a “marmita” nas mãos. Fitei Naruto indignado com a cara que Iruka fazia. Peguei o celular na bolsa dela, digitei algo rapidamente no Google, e coloquei o celular colorido de Maiko para falar.
— Sabe quem é aquele na cama?
Ela me encarou e depois fitou Naruto. Maiko fez uma cara muito fofa de pensamento, apertando os olhinhos e mordendo os lábios. Depois me encarou com os olhos bem abertos. Parece que ela descobriu quem é ele.
— É aquele cara famoso? Que você salvou? — eu assenti enquanto sorria com o rosto levemente corado de Naruto. — É o modelo do tio Shisui! Aquele bonito! — ele ficou ainda mais corado, apesar de sorrir feito um bobo para ela. — Sei quem é!
Digitei de novo.
— O almoço é para ele, Maiko. Vá deixar, por favor.
Iruka conteve-se para não rir da cara de espanto que Naruto fez ao receber a “marmita” das mãos da minha filha. Ela ficou ao lado da cama, esperando alguma coisa. Hoje Maiko estava com seu uniforme escolar, saia e camisa polo, da escola própria para soulmates que existem em Konoha. Interessante. A blusa dela é da cor dos olhos de Naruto, mas a saia é branca.
— Obrigado, Maiko. — ele sorriu envergonhado.
— De nada! — ela sorriu — Qual é o seu nome, moço?
— Uzumaki Naruto e você é muito linda, sabia disso? — agora ele dava aquele sorriso enorme.
— Obrigada! — ela corou e me fitou, suas bochechas estavam vermelhas. Parece que a única cor que eu conheço é essa. — Você também é! Ainda mais com esses olhos azuis!
Então é azul o nome dessa cor? Valeu por essa Maiko. Então o céu, o mar, a blusa de Maiko e os olhos de Naruto são azuis, interessante. Vou anotar mentalmente essa. Notei o rosto de Naruto ficar claramente pálido e depois um semblante de espanto lhe devolveu o sangue. Iruka só se segurava para não rir.
— Você consegue ver as cores? Mas como?!
— Eu tenho uma… Uma… — ela me fitou e eu assenti — Não sei como chama, mas eu tenho!
Eu acho que o cérebro de alguém vai explodir. É bom que poupa um trabalho. No fim das contas, Maiko realmente é uma Uchiha. Ela estava mexendo o corpo para lá e para cá, fazendo a saia rodar, com as mãos cruzadas atrás do corpo, de vez em quando olhando para Iruka, observando o estranho terno branco que ele estava trajando. Qualquer um o confundiria com um médico, se ele não fosse mundialmente conhecido como Gurú.
— Uma soulmate? — ele riu. — Mas tão jovem? Como seu pai reagiu? Imagino que ele tenha ameaçado de morte a pobre pessoa. — ele olhou para mim com os olhos brilhando de divertimento.
Ela negou sorrindo.
— Seria estranho se papai se olhasse no espelho e dissesse “Eu vou matar você!” — ela respondeu imitando uma engraçada voz masculina.
Mais uma vez as previsões de Iruka acertaram em cheio. A cara que Naruto fez de assombro foi tão impagável que eu acabei tirando uma foto com o celular de Maiko. Observei-a e comecei a rir da cara de idiota que ele fizera. Vou guardar para posteridade, nunca se sabe quando um momento constrangedor poderá servir de barganha na resolução de um problema. Maiko começou a gargalhar alto da cara de Naruto.
— Você devia ter visto a sua cara! — ela disse voltando para o meu colo. Eu estava só bebendo sopa de canudinho, me divertindo com toda a situação.
Iruka usou um dedo para fechar a boca de Naruto.
— Pergunte. — o Gurú falou calmamente virando o rosto dele para si.
— Alguém pode me explicar como isso é possível? Achei que eu fosse sua soulmate, Sasuke. — ele não sabia para quem olhava, para mim ou Iruka. Coitado. Isso o que eu estou vendo é ciúme ou apenas surpresa? Difícil dizer.
— E é, Naruto, e fico feliz que tenha aceitado isso! — respondeu Iruka por mim. Naruto estava com o rosto corado, acho que ele finalmente percebeu o que tinha falado. Se ele corou, então não era curiosidade. Sentindo ciúme de uma criança? Isso é meio infantil, não?
Maiko se remexeu no meu colo e desceu da cama. Parou entre nossas camas, colocou as mãos na cintura e eu não sei que cara ela fez, porque ficou de costas para mim.
— Você é a alma gêmea do meu papai?! — sua voz soou indignada. Eita ferro, aí vem a possessividade Uchiha — Não aceito! Você não é mais bonito, você é feio agora! — ela se virou para mim, cruzando os braços, fazendo um bico fofo de raiva — Eu não quero! Ele não pode ser a alma gêmea do papai! Eu sou!!!
Digitei rapidamente e fitei-o, quase alfinetando-o.
— Eu sempre vou ser sua alma gêmea, Mai-chan.— ela sorriu triunfante e encarou Naruto com desdém, como se acabasse de vencer uma guerra.
— Tudo bem Maiko, pode ficar com ele todo para você, seria um enorme favor que você estaria me fazendo. — percebi que ele falava suavemente, para não ser rude com ela. Mas eu percebia em seu olhar algo diferente de suas palavras. Não sei dizer bem o que era.
— Você não devia dizer isso! — ela falou ainda indignada.
Agora o confuso sou eu. Ela não estava com raiva por que eu sou a soulmate de outra pessoa, porque ela está com raiva do que Naruto disse? A não ser que… Eu já devo ter mencionado que nessa família só tem demônio enrustido, certo? Maiko não foge a regra por ser criança. Ela é altamente manipuladora com os desavisados. Ela provavelmente quer conseguir alguma coisa de Naruto para ter dito isso.
— Era para você ter dito que não importa! Que você era a alma gêmea do meu pai e ponto final, aí eu ia dizer “Você é ousado! Gosto disso!” — ela fez teatralmente uma voz grave — “Pois eu deixo você ser a alma gêmea dele”. Mas você é burro!
Aí eu não me aguentei. Comecei a rir rasgadamente por causa das minhas cordas vocais feridas, ri tanto que comecei a tossir e a perder as forças. Maiko riu comigo, semelhante a Iruka que batia palmas para a representação dela.
— Cara, ela é mesmo sua filha! Desculpa te decepcionar Maiko, mas eu e o seu pai não nos damos muito bem… Talvez um dia você entenda. — ele deu de ombros enquanto puxava um lado do lábio para baixo.
— Eu sei que você não gosta do meu papai. — ela falou com convicção. — Tá na cara, seu bobo. — Maiko ia começar um demorado discurso sobre o quanto ela é esperta para perceber as coisas só com o olhar, mas foi interrompida por Hinata dizendo que viera buscá-la, pois Itachi iria almoçar e a levaria.
Minha filha assentiu, deu adeus a Naruto e a Iruka, veio até mim, me abraçou, beijou a minha testa e saiu correndo, levando o celular e a mochila. Acenei para ela e a porta foi fechada. Fitei Naruto. Ele parecia um rádio fora do ar. Tomei outro gole da sopa, terminando de vez e coloquei o imobilizador de novo no pescoço. Esse idiota ainda não tocou na comida. Deve ser por isso que Shisui pega tanto no pé dele, porque se não for assim, ele se esquece até de comer.
Estalei os dedos no ar e ele piscou, tornando a si. Apontei para a “marmita” em seu colo e de repente Naruto recordou-se de que tinha fome. Parece que as notícias o chocaram tanto que ele ficou anestesiado, meio fora de órbita, sem acreditar. Quando eu digo que esse mundo é estranho, as pessoas riem e dão de ombros, mas aí acontecem essas coisas e elas me dão razão. Ele abriu o recipiente de isopor e sorriu. Não sei o que Maiko trouxe para ele comer.
— E dizem que eu sou vidente! — Iruka estava de certo impressionado com algo. Agora até eu quero saber o que foi que essa menina trouxe para ele.
— RÁMEN! — seus olhos brilhavam como se fosse manhã de natal.
Eu estremeci com o grito repentino que ele deu, erguendo os braços para o alto e babando pelo canto da boca. Ele gosta disso? Que simplório. Não me admiro de mais nada.
— Foi ideia sua, não foi Sasuke? — Iruka perguntou levantando o olhar para mim, eu assenti sem grande interesse e liguei a televisão. Quero dizer, não foi grande coisa oferecer almoço para outra pessoa, pois Shisui já me dissera que Naruto não tem família. Então eu pensei, quem vai dar de comer a essa criança? Pelo menos hoje eu posso fazer isso. — Muito gentil de sua parte se preocupar com ele. — dei de ombros. — Você devia agradecer, Naruto.
— Valeu Sasuke, foi muito legal da sua parte pedir para Maiko trazer essa maravilha para mim! — juro que coraçõezinhos saiam dos seus olhos.
Só pisquei um olho para ele, sorrindo de lado, e voltei a assistir televisão. Nem vi qual foi a sua reação, aliás, nem me importava tanto assim. Esse moleque vai se surpreender tanto daqui para frente comigo que se ele vai morrer de um infarto.
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