Cores do Meu Coração

55 Dobe 22 - Amor de Soulmate é…


Notas iniciais
DiAngelo: *seca as lágrimas*, Boa noite, saspeste maravilhosa! Gente, acabamos de receber nossa DÉCIMA recomendação! Pqp, eu to tão feliz q num sei nem o q fazer! :''''') Olha, esse é, mas ñ é o último cap, e eu já to no clima de despedida, pq sério, ñ sei como agradecer todo o carinho q recebi de vcs! Nunca me senti tão reconhecida e tão bem acolhida como aqui no nyah! ♥ Obrigado a TODOS, até vcs fantasminhas, por nos acompanhar durante essa longa jornada q foi NMD! Enfim, sobre esse cap ñ sei o q dizer, até por medo de dar algum spoiler, só posso dizer q tem novamente de tudo um pouco, treta, zuera e muitas surpresas. Não sei se é o q muitos acharam ou esperavam, mas sinto, q vcs vão gostar! :) Então, corram e nos falamos nas notas finais! :* PS: se liguem nas datas: dia 22 de junho: filler comemorativo dia 29 de junho: epílogo de NMD (SURPRESAS! muahahahahaha) dia 2 de julho: entrevista com as autoras (curtam a page, saspestes, pq é lá q a zuera vai rolar!!!) https://www.facebook.com/sociedadeprovadoresgaspacho/?ref=bookmarks Nonna: Sooooooooooooooooooooooolta negada!!!! Minha gente, hoje é, em tese, o último capítulo. Pq? Pq eu, Nonna, não considero o epílogo e vcs em breve saberão porque. Então respira fundo, ajeita a pipoca, se sentem em locais confortáveis e, de preferencia, sozinhos pq esse cap simplesmente PROMETE. Esse troço aqui tem de tudo que é para fechar com chave de diamante sabagaça. Negada, dez recomendações, negada. DEEEEEZ. É a primeira vez que consigo chegar ao segundo dígito. To emocionada. :'''''') Eu não teria alcançado essa proeza maravilhosa sem vocês, povo tretoso lindo que eu gosto tanto, e sem minha amiga e parceira de treta, zuera, conversas, putarias e outras coisas da vida, DiAngelo. Agradeço demais o dia que ela me fez a proposta de escrever essa bagaça e eu aceitei. Enfim, o capítulo de hoje vai para....... Kitsu-chan!!! Pq? Pq vc, amiga, não desistiu! Vc teve fé! Vc acreditou! Vc perseverou e vc sabe do que eu to falando, então esse capítulo é todo seu! Aproveita! E eu so queria dizer aos phantons, que se manifestem lá no grupo pq em breve terá o "Pergunta que nóis Responde" e todas suas angustias sobre a fic, os fillers, os projetos que fizemos em dupla, as zueras, as tretas, as bagaças, o futuro, enfim... Lá vcs poderão perguntar e a gente responder! Num é demais?! Pois aproveitem esse último cap e segurem as calças, pq elas vão cair. Agora, as palavras mágicas: Vamo q vamo.

Meu coração acelerou como se eu descesse por aquela tirolesa de novo, meus olhos se arregalando gradualmente. Vocês entenderam? CORES! Eu estou vendo cores! Por que eu estou vendo cores? Isso não faz o menor sentido!

— Maiko, vem cá! — falei apressadamente. — Rápido!

Ela se levantou e veio correndo, espalhando neve para todo lado.

— Que foi, pai? — ela segurou a ponta do meu cachecol.

— Aquela árvore, Maiko! Olhe! — apontei para o local freneticamente.

Maiko olhou, olhou, olhou, e foi franzindo as sobrancelhas, depois arregalou os olhos, pendendo a cabeça de um lado para o outro e depois me fitou com uma cara de assombro inexplicavelmente fofa.

— Pai… — ela apontou para a árvore, o dedo tremia.

— Não me pergunte, não sei o que está acontecendo! — voltei a olhar em volta, atrás de alguma explicação. Atrás dele.

Os arbustos se mexeram. A expectativa cresceu, minha respiração acelerou, meu corpo tremia de leve, meu coração bateu mais forte. Engoli em seco. Mas não apareceu o que meu coração queria. O que veio era horrendo, como se tivesse saído do próprio inferno, feroz, cheio de dentes e babando pela boca escancarada, o corpo magro, eu podia contar suas costelas. Ele era enorme. Um lobo faminto das montanhas.

Maiko gritou assim que a fera começou a caminhar. Ele não olhava para mim, eu podia ver em seus olhos escuros, sem vida, era ela a sua vítima. O alvo menor, mais fraco, frágil e que manifestou o primeiro sinal de medo.

— PAPAI!!! — ela gritou desesperadamente. — PAPAI!!! PAPAI!!! SOCORRO!!! — largou-se de mim, chorando com muito medo. — SOCORRO!!! PAPAI!!!

Antes que eu pudesse pensar, Maiko disparou para a mata, perdendo-se lá dentro, gritando cada vez mais alto, porém seu grito se diminuindo, se perdendo, desaparecendo. O lobo correu loucamente atrás dela, como se eu fosse invisível. Seus latidos infernais, mesclado aos rosnados roucos, doentes, fez minha alma gelar e meu corpo se mover.

Corri atrás de Maiko e do lobo, ensandecido, não me importando com nada que não fosse a segurança de minha filha. Gritei por seu nome repetidamente, tentando a localizar, temendo que algo acontecesse com ela. Agora entendo o que Sasuke sentiu da última vez que estivemos nessa montanha, parece um déjà vu infernal.

Parei de correr, eu não sabia onde eu estava e nem onde estava Maiko. Olhei para aquela brancura de árvores sem fim. Kami-sama, Maiko! De repente um grito alto de criança e a visão de Lady me indicando a direção. Disparei atrás da loba. Não, por Kami, Maiko não, tudo menos Maiko! Ela continuava gritando alto, chorosa, desesperada, até que cessou.

Cheguei em uma clareira. Olhei para todos os cantos daquela área, procurando por um sinal de Maiko, mas nada e Lady também parecia atordoada, sem saber exatamente para onde ir.

— MAIKO!!! MAIKO, POR KAMI, RESPONDA!!! — gritei a plenos pulmões. Mais uivos. Será que os outros lobos de Sasuke acharam a minha menina?

Ouvi barulhos na mata. Aproximei-me daquela direção e Verão apareceu, latindo aos saltos, Lady correu para lá e eu fui também. Mais gritos de criança. Kami, que o lobo não tenha pegado Maiko!!! Corri como louco sem olhar para onde ia, só pensando nela. Eu senti a gravidade me puxar para baixo e então entendi que eu estava caindo por um barranco, rolando contra as pedras e galhos do chão. Quando parei, eu vi o lobo tentando alcançar Maiko, que estava entre duas pedras, numa tentativa de se proteger.

Não, Kami, NÃO!!!!

— EI, SEU BABÃO! AQUI! — peguei uma pedra no chão e joguei no lobo, que teve sua cabeça atingida. — Eu sou bem mais gostoso! — me sacudi, chamando mais sua atenção.

Ele me fitou, rosnando baixo, se virando lentamente para mim. E finalmente parece que o lobo entendeu a minha presença ali e veio devagar, mostrando seus dentes amarelados e suas garras enormes, que afundavam na neve. Seu pelo marrom era escasso, como se ele tivesse lutado a pouco tempo contra alguma criatura, alguma coisa muito mais feroz que ele. As feridas em seu corpo estavam abertas, mas não sangrava mais.

Eu tremia de medo, porém mantive-me firme. Faria o que fosse preciso para proteger Maiko, para dar uma chance de salvá-la. Respirei fundo e fui me arrastando para trás, tentando ficar de pé, mas o medo roubara as minhas forças.

— Fuja, Maiko!!! — ordenei, vendo-a sair lentamente de perto das pedras.

O lobo girou a cabeça e a viu. Não, Kami, não!!! Se virou completamente em uma carreira louca para atacá-la, rosnando e latindo, com movimentos loucos e ferozes. Mexi-me numa tentativa de salvá-la, mas algo empurrou o lobo antes que ele chegasse nela. Era Kuro! Oh, Kami, muito obrigado por os lobos de Sasuke ainda estarem vivos!

Kuro rosnava, colocando-se em posição de defesa de Maiko. Então outro ser apareceu, vestido todo de preto, casaco longo, calça e blusa pulôver. Os cabelos negros repicados e rebeldes. Sasuke. Era Sasuke. Quer dizer, a sombra dele. O ser se atracou com o lobo infernal e começou a lutar com ele, usando um galho de árvore como arma. O lobo conseguiu quebrar o galho e começou a atacar a sombra de Sasuke, mas ela conseguia se defender.

— Kuro!!! — ordenou alto, ao afastar o “lobo mau” de cima de si com as pernas e rolar para trás. — Leve Maiko daqui, agora!!! — o animal negro catou a menina com a boca, lançou-a sobre seus ombros e disparou mata adentro, desaparecendo com ela. A sombra encarou o lobo. — Ninguém toca na minha família, seu filho da puta! Eu vou matar você!

O lobo saltou para mordê-lo, mas um chute certeiro na altura do pescoço, forte e preciso, lançou-o contra uma pedra próxima. A sombra se levantou, segurando uma pedra menor na mão direita, e esmagou o crânio do lobo antes que ele pudesse fazer algo. Morto. O ser se virou para mim, e não era o borrão que eu vira no centro de Mestre Zé. Era nítido, perfeito.

Era como se eu visse Sasuke em carne e osso. A sombra largou a pedra no chão, suas luvas negras estavam manchadas pelo sangue da fera morta, e caminhou até mim, lentamente, como se não acreditasse que estivesse me vendo. Ficou bem em minha frente. Assombroso como sua sombra estava exatamente igual a Sasuke. Geralmente ela é sem foco, escura, negra e sem nitidez.

— Por que você parece tão real? — perguntei a única coisa que passava pela minha mente naquele momento, o fitando com a cabeça de lado, curioso.

— O que… — a sombra pegou em meus ombros e me ergueu com cuidado da neve, meu corpo reagindo involuntariamente ao seu toque. — Naruto. Sou eu, eu mesmo. — segurou a minha mão e colocou em seu peito, eu senti um… Coração bater? — Ei. — franziu as sobrancelhas. — Naruto, você está bem? Não se machucou, não é?

Não pode ser, não pode ser, eu devo ter enlouquecido. Sim, enlouquecido. Ou provavelmente estou deitado na minha cama, dormindo, ainda em Konoha. Um sonho. Pode ser um sonho. Só em sonho Sasuke estaria na minha frente, lindo como sempre.

— Isso não pode ser verdade. — olhei para Sasuke como se ele fosse uma assombração. — Você morreu em meus braços… Morreu de verdade! — senti a pontada daquela dor, me cercando, se aproximando, prestes a me tomar.

Sasuke negou, empurrando minha mão com mais força contra seu peito, eu senti seu coração bater ainda mais forte contra a minha palma. Ele respirou fundo, seus pulmões fazendo a minha mão subir e descer devagar. Continuou negando enquanto pouco a pouco seus braços iam contornando o meu corpo trêmulo. Paralisado, eu me sentia um animal encurralado.

Como assim ele não morreu? Não estou entendendo nada. Mas ele não me enganaria a esse ponto. Sasuke não brincaria com algo tão sério. Não comigo. Eu acho...

— Eu estou tão vivo quanto você, Naruto. Entende isso? — seu rosto se aproximou do meu, sua respiração forte aquecendo o meu rosto. — Vivo. — sussurrou lentamente.

Olhei para Sasuke intensamente por um tempo, procurando algo que provasse que ele estivesse mentindo. Não encontrei nada. Era o mesmo, embora um pouco mais rígido. Mas eu não me convenceria tão facilmente, eu precisava de uma prova.

— Okay… É o que veremos! Licença. — falei isso já descendo o casaco por seus ombros, ignorando a cara de espanto que Sasuke fazia. Os olhos arregalados, a boca e os braços meio abertos, sem entender a minha ação.

— Mas o que é que você está fazendo, Naruto? — voltando-se para mim depois que obriguei-o a girar no próprio eixo ao retirar seu casaco.

— Cala a boca! — continuei o ignorando, enquanto desabotoei dois botões de sua blusa e puxei apressadamente a gola para o lado, expondo seu ombro direito.

— Que porra é essa? — ele segurou as minhas mãos, mas estava lá. Em perfeito estado, tal como eu me lembrava de nossa última noite juntos. A nossa cicatriz.

Sasuke se afastou de mim, estremecendo completamente por causa de um vento frio que soprara de repente. Ele abotoou rapidamente a camisa e pegou o casaco no chão, vestindo-o, para então esfregar os braços, numa tentativa de se esquentar. Ouvi-o grunhir, eu não sei se é de dor ou de frio, ou do que porra fosse. Sasuke me fitou com as mãos na cintura.

Tampei a boca, em choque. Meus olhos arregalados.

— Eu esperava tudo… — ele falou, erguendo o indicador. — Menos isso. — suspirou.

Era como se Sasuke quisesse dizer algo, mas não tivesse palavras para isso. Seu olhar não encontrava o meu. Não era vergonha, ou medo, era um estranho misto de confusão com receio de dizer algo errado, talvez. Ele penteou os cabelos para trás e tentou me fitar, mas logo seu olhar perdeu as forças e fitou o chão. Realmente, Sasuke parecia confuso.

Ele suspirou cansadamente.

— Que bom que está bem. — falou, sorrindo minimamente, o olhar um pouco entristecido, ainda que negro brilhante. — Pensei que… Aquele lobo tivesse te ferido… Quando eu ouvi os gritos de Maiko, eu tive certeza que você estava aqui e vim o mais rápido que pude.

PUTA QUE PARIU! É o bastardo mesmo! Vocês entendem a gravidade da situação? Eu passei QUATRO MESES de sofrimento, pensando que esse retardado morreu e ele estava brincando de casinha com os lobos? O que tem na cabeça dele? Minhoca? Titica de galinha? O QUE PORRA ELE TEM NA CABEÇA?

— Você está vivo… — falei lentamente, arqueando a sobrancelha e o encarando com fúria. Meus braços estavam cruzados sobre o peito, numa linguagem corporal clara: “Vai dar merda!”

Sasuke me olhou de cima a baixo, meio sério, mas suas sobrancelhas franziram em claro sinal de estranhamento em relação a minha postura.

— Quatro meses, Sasuke. A PORRA DE QUATRO MESES! — fitei-o indignado. Ele abriu a boca para falar algo, mas levantei meu indicador, numa forma de mostrar que era a minha vez de falar. — NÃO! Eu não acredito nisso!!! — balancei minha cabeça negativamente enquanto andava de um lado para outro. — Foi um inferno! UM INFERNO! — trinquei meus dentes, passando as mãos nervosamente sobre os cabelos.

Ele esticou as mãos para tentar me alcançar, me abraçar, mas eu me afastei vários passos. Seus olhos me analisaram de cima a baixo, então Sasuke veio atrás de mim, os braços querendo me tocar, mas eu continuei me afastando, fitando-o com ódio pleno. Se fosse possível, eu o mataria com o olhar, fuzilaria-o com os meus olhos. Ele continuava vindo.

Continuei caminhando para trás, porém uma árvore me impediu de seguir adiante. Foi nesse meu deslize que Sasuke me alcançou e me envolveu em seus braços, puxando-me para si, apertou-me carinhosamente, mas forte. Nossos rostos estavam próximos de novo, suas mãos mantendo a minha cabeça ali.

Olhei para ele, implorando com meus olhos: “Por favor, não. Isso não. Não faça isso comigo...”. Minhas mãos em seu peito o impediam de se aproximar mais. Eu me sentia como um animal acuado. Mas Sasuke estava pouco se importando para isso, pelo jeito, porque o bastardo tentou me beijar. Não tive dúvidas, acertei meu punho em sua cara, desejando que ele tivesse quebrado pelo menos uns dois dentes.

Sasuke recebeu o impacto em cheio e seu corpo foi lançado ao chão, rolando pela neve até parar de barriga para cima. Ele sentou-se, a mão encostada na bochecha que eu acertara. Pegou um punhado de neve, massageou o local rapidamente e moveu um pouco a cabeça. Ele moveu o maxilar e cuspiu sangue ao se colocar de pé.

Visualmente falando, Sasuke parecia mais magro, não absurdamente magro, mas parecia ter perdido uns dez quilos de sua aparência normal. Seu corpo inteiro parecia mais fino, com menos massa muscular. Uma palavra: abatido.

— Por que fez isso? — falou baixo, a voz grave. Não havia mais confusão, hesitação, ou qualquer outra coisa em seu olhar, apenas uma certeza assassina. — Depois de quatro meses longe de você, é assim que sou recebido? Com um soco de me tirar sangue?

Caminhou até perto de mim e ficou parado, de pé, na minha frente. Só deu mais uma cuspida de sangue na neve antes de me fitar. Ele parecia sentir raiva, mas nada nessa terra se equiparava ao ódio que se apossara do meu coração, como um demônio do sétimo círculo do inferno. O vento ficou forte. Ele não sorria, estava sério, a cara semelhante a que ele fez quando lutamos no bar. Devo dizer que a minha estava pior, pois eu não era influenciado pelo álcool.

— Não fui eu que estava me fingindo de morto! — devolvi. — E não fui eu que tentei te beijar à força! — respirei fundo, tentando me acalmar, mas meu ódio só aumentava.

— É claro que eu ia te beijar, seu retardado! — ele abriu os braços. — Eu estou sem você a quatro meses! Isso seria o mínimo a se fazer! — deu dois passos a frente. — E eu não estava fingindo que morri! Está de sacanagem comigo?! Eu levei dois tiros de espingarda calibre 12!!! Por que você me bateu, Naruto?! — ele falou mais alto.

— PORQUE EU ESTOU COM ÓDIO DE VOCÊ! SERÁ QUE É POR ISSO? — arranquei meu cachecol do pescoço e o joguei no chão.

Ele fitou a peça e depois me encarou.

— O que pensa que vai fazer? — perguntou, franzindo o cenho, ainda sério, meio irritado.

— Dar na sua cara! É isso que vou fazer! — falei e parti para cima dele, com o punho em riste.

Sasuke não reagiu, então não tive dificuldades nenhuma de o acertar de novo, dessa vez no queixo. Ele caiu no chão, deitado, o rosto na neve. Eu dei uma risada sinistra, me sentindo poderoso de repente. Parece que o jogo virou, não é mesmo?! Ele foi se erguendo devagar, limpando a neve do corpo e se virou. Olhos ardendo em chamas. Daí Sasuke me deu um soco no estômago com força, me fazendo curvar e perder o fôlego por segundos.

Segurou minha camisa e me empurrou para o chão, tirando-me de perto dele.

— Você ficou louco, Naruto?! — ele falou baixo. — Que porra é essa?! Eu pensei que… — não continuou, na verdade ficou em silêncio pelo tempo que eu estava no chão.

— Essa porra sou eu descontando minha raiva! — rosnei de volta.

Peguei um punhado de neve e joguei no rosto dele, numa tentativa de distração, depois me levantei apressadamente. Me lancei sobre ele e chutei seu peito e pasmem! Pois o diabo não bloqueou o ataque. O que achei estranho de certa forma. Era impressão minha ou Sasuke estava de fato mais lento? Ele cambaleou até apoiar-se numa árvore. Respirou fundo e me fitou, tentando recuperar o fôlego.

— Por que é que eu sempre me fodo com você? — falou lentamente, vindo até mim, caminhando devagar, seus olhos vermelhos e sua face irritada. — Depois de tudo o que eu fiz por você… — Sasuke chutou a neve, fazendo-a subir.

Eu entendi que era para me distrair e dei só um passo para trás. Mas, porque ele ainda é o diabo, eu me enganei e assim que a neve caiu seu punho veio e desviei no susto. Sasuke tentou me acertar com uma cotovelada, mas eu desviei de novo. Realmente, ele está mais lento. Seu pé tentou me chutar, mas novamente desviei. Ele estreitou o olhar, agarrou a minha camisa e puxou-me para perto de si, acertando uma cabeçada na minha.

Doeu. Sasuke tem a cabeça dura, literalmente. Quando tentei me afastar, seu pé pisou no meu, aplicando muita força e segurando-me ali, e então um soco forte na minha cara, bem na bochecha. E ao contrário da minha expectativa, caímos os dois no chão. Eu deitado, ele sentado.

Por que ele caiu também? Fitei-o mais atentamente quando tentei me sentar. Era óbvio. Dois tiros de calibre 12, um certeiro nas costas e outro no braço, que quase o arrancou fora. Puta que pariu! Eu sou mesmo uma anta! Sasuke ainda deve estar em recuperação.

— Que merda! — resmunguei, enquanto engatinhava até ele. — Você ainda não está bem, não é? — perguntei, em tom desesperado, preocupado que eu tivesse piorado seu estado.

Ele me impediu de me aproximar com seu pé em meu peito. Sua mão esquerda, apoiada em sua barriga, tremia, mesmo que a direita a segurasse. Recordei-me que fora aquele braço que recebera o segundo disparo da espingarda de Hiashi. Eu tentei chegar mais perto, mas sua perna não deixava. Seu rosto estava abaixado, mas eu vi lágrimas caindo.

— Eu sei… — disse. — Eu vi tudo, Naruto. Vi seu sofrimento, eu senti a sua dor, eu ouvi cada pensamento nefasto seu… Sua mente estava na minha… — ele enxugou as poucas lágrimas que caíram e engoliu em seco. — Eu estava em coma, mas podia ver tudo através da minha sombra. — me fitou, baixando a perna, ajustando sua postura sentado. — Eu falei com você várias e várias vezes, não lembra?

— Por Kami, o que eu fiz? — senti um aperto na garganta, as lágrimas já banhando meu rosto. — Desculpe, meu amor! Desculpe... — mordi o lábio para conter o soluço que subia pela minha garganta. — Sasuke… — gemi, em um tom sofrido.

Me impulsionei para frente, torcendo que dessa vez ele deixasse eu me aproximar. Ele me fitou e recebeu-me em seu colo, abraçando-me como podia. Seu corpo é quente, agradavelmente quente e acolhedor. Beijou meu rosto repetidas vezes e sorriu gentil.

— Tudo bem, Naruto. Eu entendo sua raiva. Não precisa se desculpar. — afagou meus cabelos e apertou os olhos. — Não é isso que os maridos fazem? Apanham e perdoam os esposos? — beijou-me a testa. — Apesar de que me surpreendeu. Você está notavelmente mais forte, Naruto.

— Eu senti tanto a sua falta! — continuei a chorar e a soluçar. Não sabia mais porque, se de arrependimento ou felicidade. Era tão bom estar em seus braços de novo. — Foi tão horrível, Sasuke! Se não fosse Maiko, não sei o que seria de mim...

Ele me fitou intensamente. Seus lábios me chamavam. Nos beijamos. Saudade, tristeza, felicidade, amor, surpresa, desejo, paixão, angústia, medo, toda classe de sentimento foi transmitido de mim para ele através dos nossos beijos.

As línguas como uma serpente no acasalamento, lábios famintos, vorazes, com uma sede insaciável, olhos de fogo, que queimavam a minha alma sempre que eu olhava aquele calor, aquela densidade intensa, aquele sentimento de que tudo fazia sentido, que tudo estava em seu devido lugar.

As mãos afagavam o meu corpo, sentindo-me, procurando algo em mim, reconhecendo-me, sem pressa, sem malícia, enchendo-me de carinhos. Nossas bocas estalavam a cada movimento que fazíamos, meus lábios foram sugados com saudade e só consegui reagir aos estímulos. Me peguei produzindo sons: um misto de gemidos com arfar, eu não sei dizer o que eram.

Por fim nos soltamos, buscando por ar.

— Perdoe-me, meu amor… — ele sussurrou, beijando os meus olhos, limpando minhas lágrimas. Oh, Kami, isso é real? Ele me chamou de “meu amor” mesmo? — Eu quis ser mais forte para te tocar, te fazer sentir que eu estava ali, contigo, todos os dias, que eu não te deixara sozinho… Mas era pesado demais, Naruto. — Sasuke chorou contidamente. — A morte queria-me, era um fardo pesado demais… Se não fosse por Maiko e por você, eu não teria retornado, eu sei que não teria! — ele engoliu em seco, talvez tentando desfazer o nó em sua garganta. — Perdoe-me, Naruto, por ter sido fraco quando você mais precisou de forças. — seus olhos negros brilhavam para mim, seja pelas lágrimas, seja pela dor que ele sentia.

— Shhh… Está tudo bem. — o abracei com um pouco de força, temendo o machucar mais, e esfreguei meu rosto em seu pescoço. — Você está aqui agora. É isso que importa. Não se desculpe por algo que não foi culpa sua, por favor. — o fitei e sorri calorosamente.

Sasuke devolveu o sorriso e levou dois dedos a boca. Assobiou alto. Ouvi barulho de patas vindas da floresta e então seus lobos apareceram. Ele se ergueu com dificuldade, mas eu o ajudei e quando ficou de pé, imprensou-me contra a árvore de novo, beijando-me com furor. Não era só saudade, mas desejo claro por mim.

Sasuke apertou com suas poucas forças os braços ao redor das minhas costelas e aprofundou o nosso beijo, sua língua investigando cada canto da minha boca. Suas mãos foram subindo pela minha coluna até os meus cabelos, afagou-me e depois escorregou pelo mesmo caminho, me arrepiando completamente, seus dedos tateando o meu corpo até chegar as minhas pernas e me apalpar ali. As velhas sensações começaram a retornar ao meu corpo.

— Acha mesmo que eu morreria depois de encontrar o que passei a vida inteira esperando? — afagou meu rosto com a mão esquerda, pois a direita mantinha-me perto de si. — Acha mesmo que eu iria te deixar? — segurou o meu queixo. — Eu falei sério, quando te enviei o primeiro bilhete. Amor de soulmate é para sempre e eu sempre estarei contigo. — fez meu rosto pousar em seu peito. — Não esqueça disso, por favor, meu amor.

De novo ele me chamou assim, dessa forma gentil, que fez meu peito arder de tanta felicidade que enchia o meu coração. Quanto tempo esperei para ser amado? Quanto tempo esperei para ter alguém que cuidasse de mim mesmo estando longe? Que pensasse em mim com tanto amor e sinceridade assim? Que eu fosse aquela pessoa que ocupasse seus pensamentos? Quantas vezes, Kami, eu busquei por esse amor? Oh, Kami, é… Não sei explicar.

— Vamos para casa. — sussurrou. — Tem algo que tenho que lhe dar. — beijou minha bochecha e me soltou, indo para perto dos lobos.

Seguimos para a casa e eu peguei meu cachecol no caminho. Sasuke ia na frente, indicando a trilha, e eu nem conseguia conter meu sorriso. Provavelmente eu parecia um idiota com a boca tão aberta daquele jeito, os dentes a mostra para qualquer um ver. Por fim chegamos. Sasuke me fitou antes de entrarmos, como se pensasse em um milhão de coisas ao mesmo tempo.

— Que pena… — suspirou, chateado, ao retirar suas botas com uma mão e abrir a porta para mim. Ele parou na sala, retirando seu casaco. — É realmente uma pena...

— O que é uma pena? — perguntei, assim que repeti sua ação de tirar as botas, o acompanhando em seguida.

— Eu não tenho forças para te levar nos braços para dentro de casa, como vi num sonho que tive essa semana. — bufou. — Mas tudo bem… Terei outras chances. Bom, vamos ao que eu tenho que lhe dar.

Caminhou até a lareira da sala e abriu um pequeno baú. Retirou algo de lá de dentro e veio para perto de mim. Indicou-me o sofá, nos sentamos e ele abriu a mão. Dois anéis um pouco largos feitos de ouro branco, muito bem polidos. Não, não simples anéis. Duas… Alianças.

O encarei boquiaberto, não acreditando no que meus olhos viam. De repente me senti muito envergonhado e baixei os olhos, com minhas bochechas quentes, provavelmente coradas.

— Eu vi você assinando aquele documento. — habilmente colocou a aliança em meu dedo, em frente ao anel de noivado e me beijou. Eu senti novamente aquela corrente elétrica percorrer cada centímetro do meu corpo, me enchendo de vida. — Quando descobri que eu te amo, Naruto, eu decidi oficializar. — eu fitei-o, completamente abobalhado. — O fato de ser meu submisso não precisa vir ao mundo, mas ser meu esposo… — beijou-me, levantando meu rosto. — Ser o meu amor, a pessoa que eu quero para ficar comigo para sempre… Isso o mundo inteiro tinha que saber. — sorriu, me fitando.

Estendi minha palma aberta para ele, sorrindo de volta. Sasuke entendeu e depositou a outra aliança em minha mão. Sorriu do seu jeito especial, olhando-me com intimidade. Meu coração pulava de pura alegria em meu peito. Tomei com cuidado sua mão esquerda, enquanto sua outra afagava as minhas costas, pois ele acabara me colocando em seu colo, como fazíamos quando queríamos conversar de modo mais íntimo.

— Uchiha “El Diablo” Sasuke, você aceita Uzumaki “Little Bitch” Naruto como seu esposo, para amar e para respeitar até o fim de seus dias? — perguntei, tentando conter a risada que já estava quase escapando dos meus lábios junto com as palavras. — E tem que ser daquele jeito, na saúde, na doença, na riqueza, na pobreza, quer dizer, essa parte é meio impossível já que nossa conta bancária é quase equivalente a economia de um país pequeno...

Ele colocou uma mão na minha boca e me calou, me olhando com um semblante sagaz, sorrindo para mim. Ele desatinou a rir, afastando seus dedos de meus lábios e me fitou, meneando a cabeça negativamente.

— A minha conta bancária tem a economia de um país pequeno. A nossa ainda não é nada comparada a ela. — disse-me, olhando para meu rosto. — Eu aceito, se você mudar esse final. Esperei tempo demais, para a morte tirar algo de mim. Eu quero ser seu marido até quando o meu amor de soulmate por você acabar. — sussurrou, depois de beijar o meu rosto. — E você? Uzumaki “Little Bitch” Naruto, aceita Uchiha “El Diablo” Sasuke como seu marido até o dia que o seu amor acabar?

— Aceito sim… — respondi, num sussurro apaixonado. — É claro que eu aceito.

Ele abriu largamente seu sorriso, daquele jeito que eu vira no desenho de Shisui. Me curvei e beijei o meu, finalmente, marido com carinho. Ele grunhiu quando tentou aprofundar o nosso beijo e se afastou de mim, levando uma mão ao rosto.

— Tsc… — resmungou, afagando a bochecha levemente avermelhada. — Eu vou descontar essa, Sr. Uchiha Uzumaki Naruto. — ele estreitou o olhar. — Doeu, sabia? Não sou de reclamar por causa de dor, mas doeu! — ele apertou os olhos e deixou o corpo pender para trás, sobre o estofado do sofá, suspirando cansadamente, enquanto cobria o rosto com a mão boa.

Acabei rindo baixinho.

— Se eu não te conhecesse, diria que você está fazendo manha. — disse, sorrindo, aproximando novamente nossos rostos para beijar sua bochecha machucada, tirando sua mão delicadamente do caminho. — Eu vou cuidar de você, meu amor.

— Eu não sou manhoso, você que é. Eu sou um homem condenado! — rebateu, rindo de si mesmo. — Eu não sinto dor, eu sou a dor. — ele riu mais e suspirou. — Eu só queria entender essa minha sina… Mas tudo bem, minhas dores valem a pena. — olhou-me, ainda sorrindo, de forma carinhosa. — Você está bem agora?

Abracei-o e escondi meu rosto em seu pescoço, que eu senti tanta falta. Principalmente de seu cheiro… Ele deixou um arrepio escapar, se é que é possível isso, e suspirou, satisfeito com a minha atitude. Sua mão veio para meus cabelos e seus lábios para o meu pescoço, onde um beijo suave foi deixado.

— Agora está tudo no lugar. — eu disse, como se isso explicasse tudo. E realmente explica. — Você aguenta colocar gelo nesse hematoma? — perguntei, afastando-me minimamente para ver seu rosto marcado.

— Eu sei lá… Tem hora que sinto tanta dor que meu corpo adormece. Acho que aguento, por quê? — Sasuke moveu a cabeça para os lados e fez seu pescoço estalar, mania sua.

— Então fica quietinho aí. — me levantei de seu colo e fui até a cozinha para pegar alguns cubos de gelo (para que gelo nesse frio?) e voltei até Sasuke, com estes envoltos no meu cachecol. — Aqui… — encostei lentamente o pano em seu rosto.

Ele fechou os olhos, deixando-se ser tocado livremente pelo gelo, e suspirou.

— Obrigado. — disse, tirando o pano de minhas mãos e me fazendo voltar ao seu colo. Ele apoiou o braço ao meu redor e tornou a encostar o gelo em seu rosto. — Senti tanto a sua falta, Naruto, desse carinho todo que você tem por mim… Senti falta de cada pedaço seu… — falou, de olhos fechados. — Eu sei como é o vazio, Naruto, eu o senti de novo, mas agora não sinto mais. Nunca mais. — murmurou, apoiando o rosto no gelo.

— Eu também senti… — acariciei o outro lado de sua face antes de beijar sua testa. — Muita mesmo, mas já passou… — fitei-o, sorrindo, provavelmente que nem o bobo apaixonado que eu sou perto de Sasuke. — Você está aqui, meu amor. Agora você está aqui.

Por uma mão está ocupada com o gelo e a outra está dolorida demais para qualquer coisa, Sasuke encostou sua testa na minha e esfregou de leve sua pele na minha. Ele me olhou intimamente, seus olhos negros brilhantes dando lugar ao rubro intenso, deu-me um selinho e suspirou.

— Eu te amo, Naruto, te amo muito. — sussurrou para que só eu ouvisse, apesar de estarmos sozinhos na sala. — Nunca se esqueça disso. Vivo ou morto, eu sempre vou te amar e estar com você, a cada amanhecer e a cada anoitecer. Sempre. — deu-me mais um selinho e então beijou a minha testa, para então beijar a minha boca de novo.

— Eu sei e foi isso que me manteve em pé todo esse tempo… — admiti, sem vergonha nenhuma. — Eu também te amo, Sasuke, muito... Muito… Muito. — pontuei cada palavra com um beijo breve em seus lábios, tão feliz que me senti tonto, ao ponto de explodir a qualquer momento.

Sasuke, como sempre passando por cima de suas limitações, apertou-me firmemente entre seus braços, num forte e quente abraço, como se me dissesse que ele me seguraria se fosse preciso. No fim das contas, ele sempre me segurou e me ergueu quando eu caía. Se eu fosse contabilizar meu débito para com ele, eu diria que é eterno e só o amando indefinidamente para pagá-lo. Era real. Eu não estava sonhando, como acontecera tantas vezes. Eu estava mesmo nos braços de Sasuke e ele estava nos meus, estávamos juntos de verdade, ele não foi tirado de mim. Foi apenas mais uma provação que os deuses nos fizeram passar para saber se aguentaríamos.

Nos fitamos e eu senti meu corpo ser repentinamente lançado sobre o sofá. Sasuke saiu de cima de mim e foi até o tal baú de onde vieram as alianças. Eu o vi retirar uma injeção e aplicá-la em seu braço. Sasuke suspirou, apertando os olhos, e moveu os dedos da mão esquerda. Ele me fitou e voltou para mim, deitando-se sobre meu corpo, fazendo minhas pernas irem para sua cintura e meus braços para seus ombros. Sua boca feroz veio para a minha e meu fôlego foi roubado por seu beijo arrebatador.

— Eu sou mais forte que qualquer dor no mundo… Não vou deixar que isso fique em meu caminho de te ter de volta. — sussurrou, descendo por meu pescoço e sugando fortemente a pele dali, quase rasgando a minha camisa para ter mais acesso.

— Você não está pensando o que eu acho que você está pensando, né? — perguntei, preocupado.

Sasuke se ajoelhou e retirou rapidamente o seu casaco, me olhando com um semblante sacana estampado em seus olhos rubros. Arregalei meus olhos quase que automaticamente. Ele sorriu ainda mais, se deliciando com meu repentino desespero.

— Sasuke, não! — sentei-me bruscamente abaixo dele. — Você ainda está em recuperação. — tentei alertar, mas eu já suspeitava que ele não me daria ouvidos.

— Devia ter pensado nisso antes de me socar quando eu tentei te beijar. Arrependimento dói, né? — falou, cravando suas mãos em minha blusa e me aproximando mais de si.

— Mas, Sasuke… — interrompi a fala porque, sinceramente, eu não tenho outro argumento.

E como ele é o tipo de homem que te surpreende sempre, Sasuke me fez virar no sofá, num movimento único e veloz, sem nem me dar tempo de questionar qualquer coisa. Minha bunda se chocou contra a sua virilha e eu senti algo que me fez arrepiar cada pelo e cada fio de cabelo do meu corpo. Mordi o lábio para não deixar um gemido escapar, mas não consegui evitar de me esfregar nele. Ele arfou gravemente, puxando-me mais para perto de si, buscando mais contato.

— Casamos, certo? Vai me negar minhas núpcias depois de quatro meses, Sr. Uzumaki? — ele sussurrou gravemente no meu ouvido, para dar uma tapa estalada nas minhas nádegas.

— Se você diz que está em condições, quem sou eu para negar algo para você, Sr. Uchiha. — falei, em um tom manhoso.

— Não é questão de condições, é questão de controle e eu estou sem! — ele lambeu a minha nuca e cheirou meus cabelos. — Droga, Naruto… Quatro meses… É mais do que posso suportar… — sua boca foi para meu pescoço, me enchendo de beijos e mordiscadas leves.

— Bem, quem precisa de controle nessas horas, não é? — relaxei sobre o sofá, me sentindo acolhido. — A não ser, claro, que sua babá esteja escondida em algum lugar por aqui. — ri baixinho.

Ele riu tenebrosamente no meu ouvido e começou a se esfregar em mim, simulando uma penetração. Suas mãos vieram para dentro da minha camisa e eu senti seus dedos frios brincarem com meus mamilos. Fechei os olhos, enquanto meu corpo estremeceu violentamente, respirando de forma descompassada.

— O trauma é dela, não meu. — sua língua lambeu a minha orelha e seus lábios sugaram o lóbulo, para descer em beijos lentos até a minha nuca. — Eu sinceramente só quero pensar em uma coisa agora… — sussurrou.

Fui abraçado por dentro e eu me senti ser puxado. Sentei bem em cima de sua ereção, que roçava a minha bunda com os seus movimentos contra mim. Sasuke me fitou e capturou meus lábios num beijo cheio de sentimentos saudosistas. Senti os dedos dele escorregarem por minha barriga e chegarem a minha calça, me desfivelando rapidamente, para então abrir o botão da minha calça. Nossos olhos se encontraram e ele me deu mais beijos. Fui afastado de seu colo e colocado sentado no sofá, ele ficou ao meu lado e eu senti seus dedos entrarem dentro de minhas roupas, buscando minha excitação. Sasuke lambia e beijava o meu pescoço e o meu rosto com muito carinho e saudade, enquanto seus dedos tateavam-me por dentro de minhas roupas, sua mão indo cada vez mais para dentro, buscando mais contato.

— Sasuke… — arfei baixinho. — Você é tão bom nisso. — abri mais minhas pernas, tentando ajudá-lo no acesso ao meu corpo.

Ele arfou grave no meu ouvido, seu hálito quente percorrendo a minha pele, aquecendo o meu corpo e o formigamento que senti a partir daquele ponto se espalhou por toda parte. Seus dedos aproveitaram a folga e me expuseram, massageando lentamente a minha extensão. Na ponta, ele apertava de leve e devagar, na base ele ia mais rápido e mais forte. Sua outra mão foi para os meus cabelos e os puxou de leve, fazendo meu rosto pender sobre seu ombro, me fazendo assistir aquela preliminar à luz da lareira. Seu olhar me queimava, eu podia sentir, mesmo que não o visse ainda.

— Eu faço como você gosta, não é? — sussurrou, ainda com a voz rouca e forte. — O seu prazer me dá prazer, Naruto. E eu sei como te dar o que gosta… Porque sou seu homem. — disse-me mergulhando seus dedos mais para dentro e afagando os meus testículos daquele jeito que ele bem sabe que me faz gemer.

Meu estômago revirou com essas simples palavras: “sou” e “homem”. Nunca vou me acostumar com isso, Sasuke afirmar que é meu tanto quanto eu sou dele.

Sua boca veio para o meu pescoço, para a frente, chupando e me marcando devagar.

— E eu a sua pequena vadia. — resmunguei, numa voz arrastada. — Só sua...

— Só minha… — repetiu, sibilante. — Só meu… Diga-me o que quer… Preciso ouvir a sua voz, entender que isso tudo não é o meu estado de paranoia… — Sasuke soltou meu membro e deslizou os dedos para cima, por dentro da minha camisa, lambuzando os meus mamilos com o meu pré-gozo.

Ele beijou lentamente o meu rosto e então capturou os meus lábios num beijo sôfrego. Sua mão fez minha perna subir para cima da sua e seus dedos arranharam a minha coxa por cima do jeans, apertando minha ereção também por cima da calça, numa massagem dolorida e deliciosa. Nos beijávamos com mais vontade, mais furor, mais desejo, sua outra mão me fazia ficar mais perto e seus dedos buscavam de alguma forma entrar dentro de minhas roupas, mas por trás. Sasuke me fitou intensamente, olhando-me com aquelas duas pedras vermelhas ardendo sob as chamas da lareira, de forma quase poética. Eu o vi se colocar mais para trás e se curvar, devagar, por cima da minha virilha, então senti meu membro ser carinhosamente beijado.

— Não, meu amor. — segurei seu rosto com ambas as mãos, voltando-o para o meu, fazendo-o olhar em meus olhos. — Eu realmente preciso de você agora… — beijei seus lábios carinhosamente. — Faz amor comigo, Sasuke, por favor.

— É só em você que eu penso, Naruto. — sussurrou. Suas mãos vieram para a minha cintura e eu fui deitado sobre o sofá, com meu rosto sobre as almofadas. — Desculpa… Mas ainda não tenho o movimento todo da mão… — ele olhou para o meu jeans, que devo dizer agora, era desnecessariamente apertado.

Com a outra, ele foi abrindo as próprias roupas, enquanto me fitava e respirava forte. Não é por uma questão de desejo, agora eu vejo por seu olhar. Ele ficou em coma e ainda teve delírios, só Kami sabe o que meu marido passou, misturando a realidade com a loucura. Mais do que isso, não é só mostrar a si mesmo que eu estou aqui, mas me fazer acreditar que ele está aqui e que isso tudo não é um sonho no qual irei acordar e me deparar com uma cama vazia, num mundo vazio. Ele está me dizendo “Eu estou vivo!” e eu estou lhe dizendo “Eu sou real!”. Enfim eu o vi livre, tocando-se para mim, posicionando-se entre minhas pernas. Sasuke vai me fazer sentir sua vida como só ele sabe: me amando, sendo o meu homem.

Acordei do meu momento de deslumbramento e finalmente comecei a retirar minhas próprias roupas, quase de forma ansiosa demais, mas tenho orgulho de dizer que fiz isso sem machucar Sasuke com meu jeito desastrado. Ele se apoiou no recosto do sofá e roçou sua glande em mim. Olhou-me, como se buscasse em meu rosto a certeza de que eu estava pronto. Sua mão veio para a minha boca e eu o senti entrar de uma vez, se curvando sobre mim, apertando com força os músculos faciais. Não sei se foi a dor do corpo voltando a Sasuke ou a brutalidade da investida, mas de repente, mesmo sentindo dor, eu vi os olhos dele se encherem de lágrimas.

Kami-sama… Sasuke se curvou sobre o meu peito, como se não quisesse que eu visse seu estado e investiu mais uma vez, fazendo o calor se espalhar por todo o meu baixo ventre. Ele ia e vinha devagar, me dando tempo de me acostumar. Sua mão saiu lentamente de meus lábios e foi para o braço do sofá, aplicando sua força ali. Kami-sama… Ele está chorando… Sasuke chorando! Abraçou-me e deixou o rosto ao lado do meu. Eu enfim ouvi seu choro penoso, ao mesmo tempo que sentia seus beijos em meu rosto.

— Está tudo bem, meu amor. — falei, num tom de voz baixo, acariciando seus cabelos. — Eu estou mesmo aqui. — puxei delicadamente sua mão que estava apoiada no sofá e a pressionei sobre meu peito. — Sente isso? Ele bate assim somente por você. — suspirei e beijei sua face.

Ele ergueu lentamente o rosto, fitando sua mão sobre meu peito e então me fitou. Parecia meio desorientado, meio incrédulo, como se tivesse acabado de acordar de um sonho. Sasuke me abraçou e quando dei por conta, eu estava em seu colo e nos beijávamos com furor. Suas mãos afagavam as minhas coxas e as minhas nádegas, me fazendo mexer sobre seu membro. Gemi em sua boca, com as mãos em sua nuca puxando delicadamente seus cabelos, e ajudei-o nos movimentos, ondulando meus quadris.

— Eu tive medo de tudo isso não ser real… — ele beijou-me mais, abraçando-me, se aferrando mais a mim, deixando meus movimentos mais lentos, porém profundos. — Eu não queria ter te abandonado… Eu não queria te fazer sofrer… Eu não… — ele engoliu em seco.

— Shhh… — coloquei um dedo sobre seus lábios. — Você não me abandonou, meu amor, eu sabia que você estava lá o tempo todo. — baixei o dedo e apertei seu queixo, trazendo-o para mais um beijo. — A única coisa que você pode fazer agora é me amar. — fitei-o atentamente. — Pode fazer isso?

Sasuke não me respondeu, apenas me fez deitar, dessa vez mais cuidadoso, no sofá. Olhou-me fixamente e começou a investir forte em mim, sem mal piscar, abrindo os lábios apenas para gemer daquela forma que me enlouquece. Num único movimento, eu o senti acertar aquele ponto que me faz perder o fôlego. Ele investiu de novo ali e eu estremeci novamente. Sasuke se curvou, para me abraçar, e começou a estocar com vontade, queimando minha alma com seu olhar intenso. Sua mão foi para o meu membro e o masturbou na mesma velocidade que ele me penetrava. Sua testa se encostou na minha e eu senti aquela corrente elétrica passar por cada osso, cada músculo, cada poro meu, me fazendo entender que estávamos juntos de novo, de corpo e de alma.

Seus dedos mergulharam em meus cabelos enquanto a outra mão esmagava o meu traseiro com firmeza. Sasuke me beijou e acabou sorrindo para mim depois que eu lambi suas lágrimas.

— Naruto… — ele arfou gravemente, fazendo meu ego ir para as estrelas. — Você é perfeito, você é tudo o que eu preciso… A pessoa perfeita para mim. — beijou-me mais, sua língua investigando cada centímetro da minha boca. — Ah, Naruto… Você é o Uzumaki perfeito, o homem perfeito, a alma perfeita para mim…! — ele estremeceu com meus músculos se contraindo em reação às suas palavras. — E tem o cu perfeito…! — riu de forma safada no meu ouvido.

Sasuke investiu com mais vontade dentro de mim, castigando minha zona erógena, me fazendo abafar meus gemidos em seu ombro.

— Sasuke… Sasuke… — chamei, meio desesperado, com meus olhos praticamente virando nas órbitas.

— Estou aqui, meu amor…! — falou, beijando o meu corpo. — Finalmente seu marido, finalmente juntos, finalmente aqui! — olhou-me intensamente. — Eu te amo, Naruto. Talvez eu nunca consiga te mostrar o quanto eu te amo… — sussurrou, em meu ouvido.

O corpo dele está absurdamente quente, ele está indo tão fundo em mim que eu acho que vai tocar meu coração. Nos abraçamos com mais força e eu senti meu baixo ventre formigar com urgência, meus músculos começarem a se contrair mais, reagindo às investidas intensas de Sasuke. Sua voz soava cada mais rouca no meu ouvido, sendo praticamente um afrodisíaco poderoso para mim.

Fitei-o com olhos semicerrados, sentindo meu próprio corpo esquentar drasticamente enquanto meu membro pulsava com força. Para não gemer alto e acabar chamando atenção de quem não devia, mordi meu lábio com força ao mesmo tempo que o orgasmo me atingia violentamente e antes que eu “perdesse” os sentidos momentaneamente, ainda senti uma lágrima solitária escorrer por minha bochecha. Para terminar minha loucura pessoal, eu senti os jatos fortes e quentes de Sasuke me preencherem completamente. Ele teve que quase morder o estofado das almofadas para não urrar de prazer. Foi assim, recebendo um beijo ofegante de Sasuke, que apaguei, mas tão logo despertei, por sorte.

Eu estava perto da lareira, envolvido pelo casaco de Sasuke, porém deitado sobre seu corpo, já vestido e limpo, acredito eu. Sasuke está aqui ainda. Não fora nenhum sonho desesperado meu. A aliança estava em meu dedo e eu era oficialmente casado, com direito a núpcias e tudo. Ele estava com as pernas esticadas, comigo aconchegado sobre elas, e com a mão de sua aliança entrelaçada a minha. Juntos, Kami-sama, enfim juntos. Ele abriu lentamente os olhos e me fitou, me presenteando com a visão de um sorriso apaixonado.

— Boa noite, meu esposo. — ele disse, com uma felicidade que só cabia em seu sorriso e em seus olhos negros. Ele ergueu a mão da aliança, ainda entrelaçada a minha, e depositou um beijo em meu dedo anelar, sorrindo ainda mais.

— Boa noite, amor. — falei, num suspiro. Eu só posso ter ido para o céu e ter ficado por lá mesmo.

— Tudo bem? — ele passou devagar a mão por minha cintura. Sempre preocupado com os outros. Sempre protetor. — Está com dor?

— Não mais. — respondi, sorrindo. — E você?

— Vou ficar bem. Se nada te acontece, eu fico bem. Não se preocupe. — falou de modo brando, como se sua voz me abraçasse. — A dor física não é nada perto da felicidade de te ter em meus braços.

Ele se curvou um pouco e nós trocamos um beijo carinhoso, lento, saboreado. Parece que Sasuke parafusou o sorriso na cara, porque ele não para de me sorrir lindamente. Como ele é lindo sorrindo e como senti falta dessa preciosidade que é o seu sorriso, tão difícil de acontecer.

— Você é lindo… — falei, debilmente.

— Não mais que você… — murmurou, encostando a testa na minha.

Repentinamente, ouvi um gemido baixo. Franzi o cenho e instintivamente olhei para o corredor que levava ao interior da casa.

— Pai! — era Maiko me chamando. — Pai! — gemeu, chorosamente.

Me levantei do colo de Sasuke apressadamente, mesmo com ele me olhando de modo confuso, e já estava pronto para ir até minha filha, mas aí lembrei do pedido de Maiko, da última vez que falamos de seus pesadelos.

— Vem comigo! — o chamei, atônito.

— O que foi? — falou, se levantando e me acompanhando. Guiava-me para o quarto onde Maiko estava.

— Ela anda tendo pesadelos desde que você “morreu”. — fiz aspas com os dedos.

— Pesadelos? — ele empurrou a porta e nós vimos Maiko encolhida, chorando de olhos fechados, ainda dormindo, porém tremendo. — Oh merda...

— Maiko me contou que são pessoas que vem levá-la para um lugar ruim, ela sempre foge correndo, mas só quando me chama e eu “apareço” é que ela é salva. — suspirei, indo até a cama e a pegando no colo. — Na última vez, ela me pediu para que, se caso acontecesse de novo, eu te chamasse para me ajudar a salvá-la.

Sasuke assentiu e ficou perto de mim.

— Mai-chan… — sussurrou, afagando os cabelos dela.

— Papai… — ela suspirou e abriu os olhos, me fitando. — Pai? — ela piscou algumas vezes.

— Oi, meu amor. Estou aqui. — sorri carinhosamente para ela, a embalando em meu colo. — Olha quem eu trouxe dessa vez. — apontei para Sasuke com o queixo.

Maiko arregalou tanto os olhos que eu pensei que sairiam das órbitas. Ela foi para o colo dele e tateou o seu rosto, como se tentasse saber se era de verdade. Suas mãozinhas trêmulas afagaram o rosto dele e eu vi Sasuke chorar feito criança ao abraçar a filha com toda a saudade que um pai pode sentir.

— Papai!!! — ela chorou, aconchegada em seu peito. Sasuke apenas fez o que seu corpo permitia para dizer a Maiko que ele estava vivo e com ela.

— Pronto, meu amor, pronto… — ele chorava, apesar de tentar acalmar a menina. — Já passou, papai está aqui agora… Nunca mais os homens maus vão te tirar de mim. — os dois se fitaram. — Seus pais vão te proteger deles.

Ela apertou o rostinho numa face chorosa de felicidade e o abraçou com força. O amor de um pai por seus filhos também é para sempre. Os dois ficaram assim, abraçados, por mais de dez minutos. Acredito que não tinham o que dizer porque tudo já fora dito antes da tentativa de assassinato de Sasuke. Maiko me dissera que os dois conversaram naquela manhã que ela chamou de “a mais ruim de todas”. Só se abraçaram.

Naquele momento, vendo Sasuke embalar Maiko, murmurando uma canção de ninar, eu pude “reparar nele”. Quero dizer, era visivelmente claro que Sasuke não era o mesmo homem de antes. Definitivamente ele estava mais magro, ele tinha perdido massa muscular, acredito que devido aos três meses de coma, apesar de seu rosto ainda ter aquela aparência severa e determinada, seu corpo não era mais o que fora há quatro meses atrás. Seu braço esquerdo está envolto em uma prótese de um tipo de plástico rígido com umas tiras e um ferro, que o mantinha imóvel. Provavelmente ele havia ganhado novas cicatrizes, mas eu ainda não havia visto… Por enquanto.

Passamos uma semana ainda no Monte Uchiha, eu continuava cuidando de Sasuke, sendo seu enfermeiro particular, e não só tinha me acostumado com isso, como adorava cuidar do meu marido. Maiko finalmente foi apresentada a Mikoto. Foi um momento lindo para todos nós, mas sabe o que não foi lindo? A surra que levei de Chiyo por ter feito Sasuke se esforçar na nossa “forma de se entender”. Ela me obrigou a pedir desculpas a ele, como se ele se importasse em sangrar mais um pouco, e o bastardo só fazia rir da minha desgraça.

Depois desse tempo, concordamos que já estava mais que na hora de Sasuke voltar para casa. Não seria um maluco mal amado que o impediria de seguir com sua vida, afinal, ele era o diabo. Sasuke que aterrorizava as pessoas, não o contrário.

O primeiro a quase infartar foi Juugo, o seu piloto e motorista de confiança, que trabalhava para a família desde que Sasuke era adolescente. O homem ruivo chorou continente ao ver o patrão vivo, trocaram um aperto de mão cheio de significados e voltamos para nossa cidade. Eu senti uma felicidade do tamanho do universo por voltar para Konoha CASADO. Isso mesmo, eu devo ser o único homem do mundo que saí de uma cidade viúvo e retorna casado, e com a mesma pessoa.

Liguei para Shisui quando chegamos a Konoha, para saber onde ele estava e se estava com Itachi. Sasuke me pedira para fazer uma surpresa para seu irmão e seu primo. E claro que eu ajudaria, porque eu queria ver a cara de Itachi ao ver o irmão vivo. A verdade é que Itachi passara mal, desmaiara, quando soube que Sasuke “morrera”, só não ficara vegetando como eu porque Shisui não permitiu, foi forte pelos dois. Segundo porque eu queria ver a reação pública ao ver o diabo reaparecer, principalmente a reação de Hyuuga Hizashi.

Estavam no Ichiraku almoçando. Sasuke e eu fomos de carro e, como meu marido não é nem um pouco extravagante, chegou diante do restaurante de Gipsy, fazendo o motor roncar alto. Eu me sentia mais animado que criança esperando presente no Natal. Eu era seu apoio, não saia de perto dele um só segundo. Demoramo-nos na entrada do restaurante.

— Eles estão aí? — Sasuke perguntou-me, passando um braço pela minha cintura, deixando-me mais perto de si.

— Sim. Olha, é melhor você ter cuidado com Itachi, ele passou muito mal quando soube da sua “morte”. — entrelacei meus dedos na mão dele que estava envolta de mim.

Sasuke assentiu e beijou meu pescoço de leve. Entramos devagar no restaurante e eu senti a mão dele estremecer de emoção. Ele sorriu ao ver o irmão conversando com Shisui.

— Acha que eu devo ser eu mesmo ou me conter? — sussurrou no meu ouvido, me olhando de cima. — O que seria melhor para Itachi?

Refleti um pouco antes de responder.

— Quer saber, seja você mesmo, senão ele vai achar que está alucinando ou algo do tipo. — acabei dando uma risadinha, o mais baixo possível, para não chamar a atenção do casal

Trocamos um beijo carinhoso. Desde que eu me reencontrei com Sasuke, ele simplesmente me beija a cada cinco segundos. Ainda não sei dizer quem estava com mais saudade do outro. Meu marido fitou o restaurante e sorriu de lado.

— Boa tarde a todos! — ele falou alto. Todos no restaurante nos fitaram. — Eu gostaria de dizer que eu voltei do inferno para a felicidade de vocês. — várias pessoas começaram a tirar fotos e a filmarem o momento. Itachi se levantou em câmera lenta, olhando com estranheza para nós. — Se eu morri? Fui morto, mas eu sou o diabo! — sorriu. — A única forma de se livrar de mim é me exorcizando. — Itachi arregalou os olhos. — E para aqueles que realmente sofreram com a minha morte, estou aqui buscando por perdão.

Foi uma loucura de silêncio contido. Era visível que todas as pessoas queriam fazer milhões de perguntas, tocarem em Sasuke, ou algo do tipo, parece que essa coisa de diabo faz realmente efeito sobre as pessoas. Itachi veio caminhando em câmera lenta, extasiado, inerte, os olhos arregalados, as mãos trêmulas, como se ele flutuasse no ar. Shisui levantou-se, engolindo em seco e veio até mim, preocupado, assustado, temeroso.

— Como? — ele perguntou, enquanto levantava a mão, claramente com medo de tocar Sasuke e ver que era uma miragem.

Sasuke ergueu seu braço bom, pois o “ruim” estava na minha cintura, como uma forma de garantir que nada prejudicasse mais o membro, e pegou a mão de Shisui, encostando-a em seu peito, fazendo-o sentir seu coração batendo forte. Recostei minha cabeça no ombro de Sasuke, sorrindo com a cena. Shisui se afastou assim que teve sua mão solta.

— Como eu tenho sobrevivido durante todos esses anos a todas as tentativas da morte de me levar. — falou brando, sorrindo, seus olhos negros brilhando.

— Mocinho! É melhor você ter uma boa justificativa para ter me deixado ficar quase viúvo! — dito isso, Shisui simplesmente deu um cascudo em Sasuke, e eu olhei para ele espantado. Cadê o Shisui da paz? Alocka!

Sasuke esfregou a cabeça, sentindo um pouco de dor. A verdade é que desde o retorno do coma, dores de cabeça ou a cabeça sensível tem se tornado sintomas comuns, de modo que ele tinha que tomar analgésicos. O médico me avisara que o sono dele deveria ser feito em pleno repouso silencioso para que sua recuperação fosse feita sem sequelas. Aí vem o cara e bate na cabeça dele?! Como assim?!

— Ei, ei! Calma aê. Ele ainda está em recuperação! — falei isso me sentindo um idiota, eu tinha feito coisa bem pior. Belo hipócrita, não? — Você não ficou viúvo, então deixe de drama! No lugar de bater em Sasuke, porque você não o abraça. O que acha da ideia? — Shisui só fez cara de tédio, mas depois seu rosto corou com intensidade.

Alguns segundos depois, ele já estava chorando e eu me soltei de Sasuke, já imaginando que Sui ia o espremer em um abraço. Eles colaram as testas, de olhos fechados. Um dia eu vou entender profundamente o significado desse ato, por enquanto, só o acho lindo. Os dois se fitaram e sorriram.

— Desculpa… Não tive a intenção… — Sasuke falou, se soltando de Sui.

— Sério. Não faz mais isso. Você não sabe como é difícil aguentar Naruto e Itachi chorando pelos cantos! — ele brincava, mas sabíamos que aquilo era a mais pura verdade. Depois enxugou as lágrimas, sorrindo.

— Pode acreditar, eu sei. Sei bem. — Sasuke afagou a minha cintura e eu entendi a referência de sua fala. Ele nos vigiara durante o coma usando sua capacidade de projeção, semelhante ao que sua sombra faz.

Fitamos Itachi. Sasuke me empurrou de leve e então, o mais velho abraçou de supetão o corpo de Sasuke, os dois recostaram as testas e então os vi chorar. Não disseram uma única palavra, apenas ficaram abraçados, os rosto próximos, chorando de modo silencioso, como se conversassem telepaticamente.

Sasuke me contou a história das duas maiores cicatrizes de seu corpo: foram golpes da katana de Fugaku contra Itachi, que Sasuke recebera para proteger o irmão, na última tentativa que Itachi fez de se reconciliar com a família. Com muita sorte, meu marido conseguiu tornar a andar e daquele dia em diante, o “Sasuke Imaginário” fez parte da vida de Itachi, orientando-o, aconselhando-o, protegendo-o de perto, como um espírito gentil. Aqueles dois tinham tudo para ser soulmates, essa que é a verdade, pois além de irmãos, eram parceiros, amigos, um era o apoio do outro.

— Tadaima, Itachi-aniki… Dômo sumimasen onegaishimasu…¹ — ele sussurrou.

— Yôkoso…² Sasuke-nii… — os dois se soltaram e enxugaram as lágrimas. — Por que todo mundo quer te matar? — foi o que ele disse, sorrindo.

Sasuke só pode dar de ombros, sem saber o que dizer. Acho que essa pergunta jamais terá resposta, eu realmente não sei porque as pessoas querem matar Sasuke. Ele não é mal, então por que?

— Desculpa interromper o momento felicidade, mas esse cheiro maravilhoso me chama! — inspirei com força, fechando os olhos. — O quê?! — falei para Shisui, que me olhava com uma cara feia. — Eu ‘to com fome!

Sasuke me fitou e piscou um olho.

— Eu também estou faminto. — completou, voltando a circundar a minha cintura com o braço ferido. — Voltar a vida dá fome.

O almoço foi mais lágrimas do que comida. Sasuke teve que mandar isolar a área para que nenhum repórter, ou o que quer que fosse, interrompesse o momento especial. Comemos, choramos de novo, conversamos, nós quatro, como uma família de verdade. No fim do almoço, Itachi levou o carro de Sasuke embora e nos deixou a pé. Ele me disse que queria caminhar um pouco, sentir os ares, sentir-se vivo de novo. Fico imaginando por que ele teve que passar por tudo isso. Será que foi pelo fato de ele não se deixar dominar por esses tais deuses de quem tanto fala? Talvez seja por isso. Sasuke caminhava ao meu lado, curtindo um cigarro com toda a elegância que um homem da sua estirpe permite. Ele me fitou e sorriu de lado. Isso me faz pensar sobre algo. Sasuke me disse que ficou em coma por três meses e mais um em recuperação, o mesmo tempo do seu testamento provisório, que não permitia que ninguém se aproximasse. Quer dizer que ele planejou a própria morte também? Mas isso não faz o menor sentido!

— Você está muito quieto, Naruto. — sua voz grave me puxou bruscamente de meu devaneio. — Em que está pensando?

Caminhávamos por um parque que havia ali perto, íamos de mãos dadas e Sasuke sempre virava o rosto quando ia soltar o trago. Caminhávamos devagar, sem destino e, se tivesse algum, sem a mínima pressa de chegar. Ele apertava forte a minha mão, não para me machucar, apenas como uma forma própria de me conduzir. Quem nos visse assim, nem pensaria o tormento vivido e deixado para o passado.

— Como você ficou sabendo de tudo? Aliás, como você soube o que fazer? — perguntei logo o que estava queimando os meus neurônios.

Ele parou de andar e me segurou. Sorriu, daquele jeito misterioso, e me soltou, terminando o cigarro e jogando a ponta no lixo. Sasuke foi até uma barraquinha e comprou dois sorvetes, retornou e me entregou um. Eram sorvetes de frutas. Ele me indicou um caminho por entre árvores, com poucas pessoas passando, e seguimos por ali.

— Iruka me disse que eu seria assassinado. — começou. — Se eu tivesse sido pego de surpresa, com certeza eu teria morrido, mas não fui. — me olhou e sorriu. — Quando Iruka me disse em enigma o que me aconteceria, eu entendi na hora que Hiashi tentaria me matar com uma espingarda e que você pularia para me proteger. Eu só precisava sobreviver ao primeiro tiro e manter a farsa para que os Hyuugas me deixassem em paz de uma vez. Só não contei de quase ter pedido o braço esquerdo e ter entrado em coma por causa do que fiz para me salvar. Eu, sabendo o que me aconteceria, só tive que me preparar para caso meu plano desse certo ou não… — deu de ombros e tomou o sorvete, me olhando.

— Você podia pelo menos não ter tentado nos matar de preocupação no processo… — falei, ainda num tom emburrado. O que posso fazer? É impossível não se chatear com a situação.

Sasuke me olhou de forma carinhosa e passou o braço em recuperação por minha cintura, me aproximando mais de si.

— Eu passei quatro meses te dando sinais de que eu estava vivo. — ele beijou o meu rosto e suspirou. — Eu também não queria que as coisas tivessem procedido daquela maneira, mas… Não contava com aquele segundo disparo. — beijou de novo meu rosto. — Pelo menos você não pode dizer que não tentei te avisar que eu estava vivo. Maiko é testemunha disso, apesar de também não ter entendido direito. — ele riu baixo, depois tomou mais sorvete.

— Ah, isso é culpa sua por não saber passar direito um recado, seu idiota! — falei, brincando e para o espanto do meu marido, passei um dedo no meu sorvete e esfreguei na ponta de seu nariz. — E é assim que se passa um recado. — gargalhei.

Sasuke ficou vesgo para olhar para o próprio nariz e depois me encarou, estreitando o olhar. Ele lambeu o próprio sorvete e depois limpou o nariz com os dedos. Continuou me encarando seriamente, os olhos estreitos, e começou a andar, lentamente, sem tirar os olhos de mim. Então, feito o ninja que ele é, seus dedos lambuzados de sorvete sujaram a minha testa e ele, como o diabo que é, saiu correndo e rindo tenebrosamente de perto de mim.

— Recebeu meu recado agora?! — ele gritou de cima de um banco, bem longe.

— ‘Tá vendo! Você ainda tem jeito. — resmunguei, antes de fazer a maior loucura da minha vida. Peguei a bola de sorvete e joguei em Sasuke e pasmem, porque eu consegui acertar.

Sasuke arregalou os olhos e encarou a camisa suja. Ele me fitou, ainda boquiaberto, abandonou seu próprio sorvete, e saltou do banco, começando a dar passos lentos em minha direção.

— Agora tu corre, Uzumaki Naruto, corre como nunca correu na sua vida! Corre, mas corra mesmo!!! — ele me avisou, vindo até mim com passos rápidos.

— Correr para que? — arqueei a sobrancelha. — Você vai me pegar de qualquer jeito. — dei de ombros, parado no mesmo lugar, só esperando o momento que ele me alcançaria.

Ele diminuiu a velocidade dos passos e foi desabotoando devagar sua camisa, me olhando de forma muito inapropriada para o lugar e a hora. Devagar, seu corpo lindo e cicatrizado me foi aparecendo, a cada botão aberto. Quando ele finalmente estava perto de mim, tirou completamente a camisa, revelando um corpo que, pasmem, só eu posso ver, e jogou a peça na minha cara, sujando meu rosto de novo. Ouvi-o se afastar e andar por aí, mostrando o que é meu, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— Sasuke, volta aqui! — segui-o, já de cara fechada, enquanto limpava meu rosto com a parte limpa de sua camisa. — Você não pode sair assim! — reclamei, sacudindo a blusa para ele. — ‘Tá muito gostosin pro meu gosto! ³

Ele se voltou para mim, tirou um cigarro do bolso e o acendeu, sem mal piscar, deu de ombros e continuou caminhando, praticamente desfilando, atraindo atenção de todo mundo que passava ali. Eu não sei quem é mais descarado: ele ou o povo que fica olhando para ele.

— Quem mandou sujar a minha blusa. Vou para casa agora. Desse jeito. — falou como se fosse normal.

— Então é assim, né?! — “sem querer” esfreguei a camisa suja dele na minha. — Eita! Como eu sou desastrado! — olhei tristemente para a roupa lambuzada, meneando negativamente a cabeça. — Acho que vou ter que tirar a minha também...

Sasuke parou e me fitou, com uma sobrancelha arqueada, exibindo com orgulho suas bandagens no braço esquerdo. Ele veio até mim, ainda caminhando daquele jeito que o deixava ainda mais gostoso, me olhou de cima a baixo e tocou a barra da minha camisa, puxando devagar para cima, retirando-a. Seu sorriso safado se agigantou em seus lábios assim que a peça saiu.

— Eu nem gosto de ser capa de jornal e notícia no mundo. E eu nem gosto de olhar para o seu corpo e eu me incomodo muito com as pessoas olhando para nós. — falou, sendo muito sarcástico.

Sasuke pegou sua camisa e amarrou na cintura, deixando a mancha de sorvete para fora. Colocou as mãos nos bolsos e saiu andando de novo, fumando sem se importar com as mulheres que praticamente lhe comiam com os olhos. Ele caminhava devagar, provavelmente para eu acompanhá-lo.

— Você nunca faz o esperado, não é? — ri baixinho e segui-o, para pedir sua mão com a minha assim que me pus ao seu lado. — Tenho certeza que nunca vou me acostumar com isso.

Sasuke entrelaçou sua mão na minha, deixou um beijo nas costas e sorriu para mim.

— Espero que nunca se acostume. Quero te surpreender a cada dia da minha vida. E você sabe que sou seu extremo oposto, meu amor. — ah não! Aí é golpe baixo! Eu chamá-lo de meu amor é aceitável, mas ele… É muito… Nem sei o que dizer!

— Vem… — puxei-o de leve, sentindo meu rosto quente. — Vamos embora logo, porque desses lobos eu não gosto. — olhei em volta, fazendo uma cara feia. Por que não podem ser mais discretas?

— Sua sorte é que eu não estou armado. — Sasuke deu uma tapa estalada na minha bunda e apressou os passos, puxando-me para mais perto. — Eu já estaria preso uma hora dessas. — falou sagaz.

Só tenho uma prece, Kami, e se puder realizá-la, serei o homem mais feliz do mundo: que seja eterno, o amor que nutrimos um pelo o outro, que seja eterno.

Notas finais
DiAngelo: AAAAAAAHHHHHHHHHH!!! Q coisa mais linda! *-* Eu vou morder eles! :3 Sério, o q foi esse cap, mia gente? Sasuke surgindo do nada, depois Naruto batendo no mozão (O.o), para depois eles se casarem (nem chorei nessa cena, só me tremi toda), fazerem amor, salvarem a filha dos pesadelos e por último, depois de um cascudo do rei (O.O), o reencontro emocionante dos irmãos :''''') Vou nem comentar dessa cena final, se ñ eu volto a rolar de rir no chão! '-' Mas e então, vcs esperavam por essa? Kitsu chan, dando uma de vidente, quase acerta... '-' NOS CONTEM! E para os fantasmas, ainda tá em tempo de dizer um oi! :3 Até quarta, com o filler! :* ¹ Estou de volta, Itachi-aniki, me perdoe por tudo... (de forma muito respeitosa) ² Bem-vindo de volta... ³ Gente, essa frase é de autoria de uma personagem das tirinhas da page "Eu no Mundo da Lua" q eu ri como se ñ houvesse amanhã, então decidi fazer uma homenagem, já q a frase serviu perfeitamente para essa cena! :3 Nonna: Eu só queria dizer o seguinte... QUANTAS VEZES SASUKE DISSE QUE ELE NÃO MORRIA, ERA EXORCIZADO? Cês deviam prestar atenção no que os personagens dizem, mas enfim... '-' Tá vivo, negada, VIVO!!!! Quero ouvir os gritos nos comentários, por favor. Minha gente, e esses dois brincando com sorvete? Eu quero sorvete... :3 Fala aí gente, esse cap teve tudo, teve não? Terror, suspense, ação, romance, muuuuuuito romance, lemon, comédia, drama, lição de moral, comédia, bagaça... Sorvete *-* E esse parágrafo final? O mais lindo de toda a fic, na minha opinião. Enfim... Acabou... aaaaaaaahhhhh, MAS! Tem o epílogo, que tem uma bomba do tamanho da de Hiroshima pra acabar com o cérebro de vcs, só digo isso. '-' E tem o filler, que está de passar por baixo da mesa da Ana Maria Braga, de tão delicioso. Té negada o/