Cores do Meu Coração
56 Epílogo - 13 Encarnações
Notas iniciais
Meu nome é Uzumaki Naruto Sétimo. Tenho 32 anos de idade e sou presidente da Multinacional Konoha’s Enterprises, eu não sei quando ela foi criada ou quem é seu criador, apenas existe e é mantida por um fundo monetário tão antigo quanto a empresa. Eu sei que eu herdei do meu avô e ganhei o direito de presidir porque curiosamente eu sou a 13ª encarnação de um homem que existiu há muito tempo. Recebi o nome dele ao nascer. Sou o sétimo homem que é “Uzumaki Naruto”, se entenderem, bem, se não, bem também.
As pessoas, os meus empregados e os meus parentes, me chamam de Sétimo. Diferentemente do “primeiro” Uzumaki Naruto, meus pais estão vivos, não sou modelo e nem estilista, eu sou um executivo, do ramo automobilístico, solteiro e não encontrei a minha soulmate. O que temos em comum é que eu sou a primeira encarnação do Primeiro que é igual a ele. Isso mesmo. Se pegar uma foto do Naruto modelo vai ver que eu sou como um irmão gêmeo dele.
Na minha mansão, perto dos meus quadrinhos e dos meus filmes, está o único livro que eu li. Por que estou mencionando ele? Porque esse livro foi escrito pelo lendário Gurú Umino Iruka, o único gurú que “encontrou” a única alma do mundo que era completa, perfeita, cristalizada. O livro chama-se “Raridades da Alma” e contam os casos mais raros de soulmates que existiram naquela época. Tem um caso mais incrível do que o outro, como, por exemplo, o “Tripla Soulmate: o caso do homem de duas mulheres” e a “Soulmate de Via Única: o caso Pai e Filha”. Mas o meu favorito, por motivos óbvios, é o “Soulmate Mestra — o caso Preto e Branco”.
Esse caso conta a história de meu antepassado, Uzumaki Naruto, o primeiro, e todo o seu sofrimento pessoal para encontrar a sua soulmate — a minha soulmate, no caso — que era a única alma do mundo que não precisava de alma gêmea. Não é curioso? Como é que a metade da sua alma é justamente aquela que é completa por si só? O nome do homem era Uchiha Sasuke, conhecido como Diabo ou El Diablo, por causa do seu caráter, sua personalidade, seus “hobbies” e as coisas que fazia.
E o que esse livro tem haver comigo, além do fato de contar a história da primeira vida da minha alma? Porque há uma semana meus pais me aconselharam a visitar o atual gurú em busca da minha soulmate, pois segundos eles, já era hora de eu me casar para ter herdeiros para empresa, enquanto eu ainda sou jovem. Ontem a tarde eu me consultei com o gurú.
Ele me disse que minha soulmate jamais mudou, pois a minha alma era a mesma há 13 encarnações, o que significa que é pouco provável que eu encontre-a. O gurú me falou que “misteriosamente, a única alma naturalmente negra que já caminhou por essa terra desapareceu dos mapas atrais e espirituais conhecidos”. Isso quer dizer que, atualmente, eu não tenho soulmate.
Tenho que admitir que fiquei triste.
Quero dizer, no livro “Raridades da Alma”, a soulmate do meu antepassado era incrível, eu adoraria conhecê-la, por mais que eu não ficasse com ela. É uma pena, realmente é uma pena, seria uma experiência inexplicável.
Continuei achando que eu seria um sem-soulmate até a minha próxima vida, quando, nessa manhã, eu fui acordado com o barulho infernal de máquinas funcionando na frente da minha casa. Levantei-me furioso, sem me importar estar só de calças de pijamas e uma camiseta cavada, caminhando pelos corredores frios.
— O INFERNO POR ACASO SE MUDOU PARA A FRENTE DA MINHA CASA? — gritei, grito esse que ecoou pela casa inteira, elevando-se acima do barulho das máquinas.
Desci as escadas e chutei as portas para saber quem eu iria matar por me acordar oito horas de uma manhã de domingo. Eu vi meu mordomo correr para tentar me impedir de cometer um assassinato, mas não deu tempo, pois sou rápido quando estou furioso. Fui para o jardim, passando pelo meu Camaro reluzindo lindamente a luz do sol, e me deparei com um moleque cortando grama. Cadê um pedaço de meio-fio quando a gente precisa?!
Era um carinha usando jeans cinza, tênis surrado preto, camisa preta e um boné da cor da calça na cabeça, ouvindo música com fones no ouvido. Estava de óculos escuros, bem concentrado no que fazia e em seu bolso traseiro estava pendurada uma tesoura de podar. Ele ia e voltava, ia e voltava, fazendo aquela barulheira de estourar cérebros.
— POR ACASO É DOMINGO SÓ PARA MIM? QUE BARULHEIRA INFERNAL É ESSA?! PORRA!!! SERÁ QUE NÃO SE PODE DORMIR NEM NO DOMINGO?!
Parou, finalmente. Girou lentamente a cabeça para me fitar. O moleque moveu a aba do boné para cima e ajustou os óculos no rosto, para então se apoiar no cortador de grama e colocar uma mão no bolso. Olhava-me com indiferença.
— Desculpa. — disse por fim, ainda com aquela cara de “Não estou nem aí”. Moleque insolente! — Quem é você?
— Quem sou eu?! — estreitei meus olhos, falando baixinho, e me aproximei lentamente do encosto. — Você por acaso usa drogas?! Ou só tirou o dia para infernizar as pessoas?
Ele deu de ombros e puxou os lábios para baixo.
— Eu fumo maconha as vezes, mas isso não importa. — falou simplesmente. — Na verdade, eu estou só trabalhando. Me contrataram há duas semanas para cortar a grama do dono dessa casa. — ele suspirou. — Me avisaram que não teria ninguém. — deu de ombros de novo. — Desculpa interromper seu sono. Posso voltar outro dia, só preciso falar com o dono.
Já foi se abaixando para desligar o aparelho que só roncava, como um carro velho querendo pegar, tirou a tesoura do bolso e as luvas que usava, e desligou o aparelho de vez.
— Você já está falando com ele! — arqueei uma sobrancelha enquanto cruzava os braços.
O moleque foi se levantando e me encarando.
— Sério? — ele se aproximou de uma bicicleta parada perto da minha fonte de jardim. Guardou a tesoura e as luvas dentro de uma mochila escura. — Me contaram que era um velho rabugento, barrigudo, com um bigode gigante e careca. — falou, retornando ao aparelho. — Foi um tal de… Não lembro o nome do cara, mas era o responsável pela casa.
Ele pegou o cortador e levou para o local onde deixavam aquela aparelhagem. Curioso. Por alguma razão, as palavras do gurú ecoaram na minha cabeça. “Mesmo que você nunca encontre, se um dia isso chegar a acontecer, você saberá quem é a sua soulmate só de olhar para ela”. Eu posso estar enganado, mas esse cara não me é estranho.
O rapaz retornou limpando as mãos e no ato retirou o seu boné. Foi como se eu tivesse saltado de costas de bungee jump. Aquela sensação da gravidade agindo sobre seu corpo, lhe puxando, o coração acelerando e a respiração descompassando. Estremeci da cabeça aos pés ao ver aqueles cabelos, pois uma torrente de imagens que eu nunca tinha visto, não com os meus olhos carnais, se apossou da minha mente. Eu vi aquele cabelo em inúmeras situações diferentes, mas em nenhuma delas eu vi o rosto nitidamente. Era sempre o homem de costas, sempre imperioso, grande, quase inalcançável. O mesmo cabelo de corvo.
Pisquei várias vezes, tornando a mim daquele devaneio. O rapaz já montara na bicicleta, retirara os óculos escuros, mas pusera de volta o boné na cabeça. Ele mexia em seu celular.
— Então, senhor… — falou, sem me olhar, pois buscava um caderno em sua mochila para fazer alguma anotação, preparou a caneta e esperou. — Que dia devo vir para cortar a sua grama? Ou não devo vir mais?
— Uzumaki Naruto Sétimo. — esperei alguma reação, mas não veio nenhuma. — Pode ser no sábado. — ele anotou calmamente o que eu dizia e eu o ouvia murmurar meu nome e o dia para cortar a grama. — A propósito, qual o seu nome, moleque?
Ele ergueu o olhar, parando de escrever e me senti perfurado na alma. Olhos brilhantes, intensos, de um profundo negro que eu me senti tragado só de olhar. Tinha ares… Diabólicos em seu olhar. Sua sutil face de desgosto desapareceu, dando lugar a uma de indiferença. Seu rosto ficou bem as minhas vistas quando ele o ergueu, levantando um pouco a aba do boné.
De novo a minha mente foi metralhada por inúmeras memórias do Primeiro, em que ele via o rosto daquele mesmo jeito de sua soulmate. Esse moleque é a minha soulmate? Esse moleque é o famosíssimo diabo? Aquele cara assustador e incrível? Não é possível. Esse moleque não tem nada haver com o que apareceu na minha mente.
— Moleque é o seu passado. — falou gravemente. — Só porque sou um estudante do ensino médio que corta grama para custear os estudos não quer dizer que uma peste como você é melhor do que eu, velhote. — oi?! OI?! OOOOOIIIII?! Mas é o mesmo jeito de falar, é como se eu fosse “aquele” Naruto ouvindo a sua soulmate “naquele” tempo. — Meu nome é Uchiha Sasuke Terceiro.
Meneou a cabeça negativamente, guardou o caderno dentro da mochila e se preparou para ir.
— Sasuke?! — ri escandalosamente. — É brincadeira isso?
O rapaz virou furiosamente o rosto e me fuzilou com o olhar.
— Vai fazer caso até do meu nome? — perguntou, ainda com aquele tom baixo. — Eu já pedi desculpa por ter te acordado.
— Calma, rapaz. Só achei muita coincidência. Conheci alguém com esse mesmo nome há um tempo… — prestei atenção a sua reação, cuidadosamente.
Ele suspirou profundamente.
— É um nome bem comum… Tem um velho que mora lá perto de casa que também se chama Sasuke, e eu conheci um cara no meu antigo colégio que se chamava Sasuke também. — sua cara era de indignação cansada. — As pessoas colocam esse nome por causa de um Sasuke muito rico e poderoso que viveu há muito tempo. — revirou os olhos.
— O Diabo. Parece que você já ouviu falar dele… — tentei de novo. Será que ele realmente não lembrava? Ou eu que posso estar me precipitando?
— Senhor Uzumaki — ele suspirou. — Quem não conhece Raridade da Alma? — o meu livro favorito. — Todo adolescente já leu esse livro. Eu tive que ler por causa de um trabalho na escola. É, talvez, o mais famoso livro do mundo. — meneou a cabeça, sorrindo de lado, e pedalou, se afastando lentamente da fonte.
Ele balançou a mão em sinal de adeus e desapareceu na curva da entrada da minha casa. Kami-sama, é o Diabo, pelo menos em questão de aparência é ele, só que mais novo. Será que eu encontrei a minha soulmate desaparecida? Por que ela me apareceu depois de tanto tempo e, mais importante, por que desapareceu?
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