Cores do Meu Coração
50 Dobe 19 - Quando a paz reina
Notas iniciais
Sabe quando você tem a sensação de que seu maior sonho está se realizando todos os dias? A cada amanhecer? Acho que deve ser isso que estou vivendo agora. Enfim a paz e a plena felicidade. Finalmente as coisas estão dando certo. Não era sem tempo, né? Depois de muitos altos e baixos, acho que Sasuke e eu encontramos o devido equilíbrio do nosso relacionamento. E o problema era tão simples que chega a ser ridículo termos demorado tanto para perceber: falta de diálogo.
Eu tenho essa mania de achar que ele entende exatamente o que eu quero dizer e ele tem uma tendência a sempre interpretar as coisas de forma negativa. Complexo, mas não impossível de ser resolvido. Ultimamente nós temos conversado mais, principalmente agora que eu sei que Sasuke está apaixonado também. E isso é tão, tão estranho. Quer dizer, eu tinha esperanças que isso pudesse acontecer um dia, mas quando nossos anseios são atendidos, a ficha demora a cair. E, Kami-sama, como Sasuke é… Indescritível ao estar apaixonado. Ele tem um brilho diferente no olhar, um sorriso especial só para mim, eu sinto que sou um dos poucos a ser tratado dessa maneira tão única. Mesmo que ele morra e não admita, Sasuke é tão romântico quanto Shisui e Itachi juntos, claro, à maneira dele.
Sabe quando você olha para alguém e sente que seu coração está fazendo cosplay de escola de samba? Essa sensação sempre volta com força dobrada desde aquela noite em Roma. E quando Sasuke olha para mim, com seu olhar intenso, tenho certeza que minhas pernas estão virando gelatina. E eu sinto do fundo de meu coração que agora tomamos jeito, porque ele está se dedicando ao nosso namoro tanto quanto eu e, dessa vez, de forma plenamente livre e sincera.
Falando nele, Sasuke está me ligando agora. Sorri bobamente, sentindo aquele costumeiro revirar do meu estômago, quando olhei para o celular e vi a foto que aparecia sempre que ele me ligava. Sasuke tinha um olhar carinhoso e um sorriso pequeno no rosto. Muito bonito. Irresistivelmente apaixonante, eu diria.
— Pensei que não ia me atender, admirando a foto do meu contato. — ele falou, um pouco ofegante, em meio ao som de música animada ao fundo.
— Eu realmente nunca vou entender como você consegue fazer mil coisas enquanto me “vigia” ao mesmo tempo. — respondi, rindo de leve, ignorando de propósito o rubor em meu rosto.
— Não seja tão convencido. Eu também vigio Maiko e… Já devia saber que sou multitarefa. Meu trabalho é fazer mil coisas, inclusive cuidar de você. — ele parecia estar se afastando, pois a música parecia cada vez mais baixa.
Mesmo ofegante, sua voz sustentava um tom manso e alegre para comigo, eu praticamente o podia ver sorrir, daquele jeito dele, discreto e muito tranquilo.
— Não estou sendo convencido, você que faz esses comentários e se entrega. — ri mais um pouco. — E então? O que posso fazer por você, Sasuke? — falei, em tom de brincadeira.
— Nada… Só aproveitei a pausa do meu treino para ligar para você, só isso. Daqui a pouco vou voltar e quando terminar vou trabalhar. Estou interrompendo algo? — perguntou como quem não quer nada, dando uma de “João-sem-braço”.
— Você sabe o que eu estava fazendo… — revirei os olhos e olhei para o caderno, que eu fazia alguns rabiscos, em meus braços. — Acha que ficou bom?
Ouvi-o afastar o aparelho para mandar alguém parar de importuná-lo, pois ele estava muito ocupado com alguém importante ao telefone. Ouvi-o bufar, como um cavalo, de indignação, por ter sido interrompido e então voltou a falar.
— Desculpe. É que tem uns idiotas aqui que me enchem o saco por eu ser bissexual. — suspirou. — Fala dos rabiscos? Como o crítico conceituado de moda que eu sou, aclamado por todas as revistas fashion do universo, eu acho que seu rabisco está muito estiloso. — falou, se segurando para não começar a gargalhar da própria bobagem.
— Não entendo como uma pessoa que diz não entender nada de moda se veste tão bem… — neguei, sorrindo.
— Nem eu. — agora ele ria. — Desculpa, eu estava ocupado demais olhando para você ao invés desse desenho. — outro suspiro, mas esse eu estou aprendendo a conhecer. Um suspiro apaixonado. — Você fica… Peculiar de meias e calças.
— Você acha? — baixei meu rosto corado. — Não tem nada demais...
Ele riu baixo, sem deboche.
— Não tem mesmo. — falou, ainda manso. — Bom, vou voltar para o meu treino, em meia hora eu termino e então vou trabalhar. Nós vemos mais tarde? — perguntou, enquanto a música ia pouco a pouco aumentando.
— Tudo bem. — resmunguei, ainda um pouco envergonhado. — Tenta não aterrorizar demais por aí. — brinquei, rindo baixinho.
— Agora é tarde. — ele gargalhou alto enquanto desligava.
Me inclinei sobre o sofá e deixei o celular em cima do criado mudo, suspirando que nem um retardado. O amor deixa as pessoas patéticas, né? Mas quer saber? Gosto de ser/estar patético. Sabe o que mais é patético? Sinto falta de Sasuke e detalhe: o vi ontem. Não faz nem um dia completo, mas sinto tantas saudades que chega a ser absurdo. Não quero vê-lo mais tarde. Quero vê-lo agora. Nesse exato momento. E é o que farei.
Joguei meu caderno no sofá, de qualquer jeito, e me levantei, indo até o meu quarto para trocar de roupa. Pus um short branco, acima dos joelhos, dobrado nas barras, uma camisa de listras pretas e brancas e um blazer vermelho, que puxei as mangas até os cotovelos, deixando o tecido enrugado. Por fim, coloquei um mocassim vinho nos pés e olhei-me no espelho de meu closet, ficando muito satisfeito com o resultado. Passei as mãos nos cabelos, tentando deixá-los mais comportados, peguei um óculos escuros e fui dar uma olhada em Kurama.
O gato dormia em um travesseiro, ronronando de satisfação. O por quê? Era aquele travesseiro que geralmente Sasuke usava quando dormia comigo. Não sei porque Kurama de repente começou a amar tanto assim meu namorado, mas eu que não vou reclamar. É um sossego não ter que ficar me preocupando em ficar de olho nas intenções assassinas do meu gato para com Sasuke.
Acariciei o pelo dele e sai do quarto, rindo baixinho. No caminho até o carro peguei a carteira, as chaves, fechei a porta da frente e pus os óculos no rosto. Já no carro, comecei a fuçar o rádio, procurando uma música que estivesse de acordo com meu humor e encontrei a perfeita: “Freedom Song” do Jason Mraz.
Suspirei, satisfeito, e dei marcha ré no carro, tirando-o da garagem, acompanhando a música mentalmente, mas assim que o refrão chegou, eu já estava cantando junto com o cantor.
— And when I feel good, I sing… ¹ — sorri, batucando o volante com os dedos. — And the joy it brings makes me feel good... ²
Continuei nesse bom humor durante todo o percurso até o centro policial, onde eu sabia que Sasuke estaria terminando seu treino. Estacionei o carro quase em frente do lugar, tirei meus óculos, guardei-os no porta luvas, desci do veículo e acionei o alarme enquanto me dirigia até a entrada do estabelecimento.
Era enorme, como um galpão ou um ginásio, e bem no alto havia o brasão de Konoha ao lado dos dizeres “Batalhão de Operações Especiais de Konoha”. Ocupava quase um quarteirão inteiro. Ali a polícia de Konoha era treinada e formada. Algumas pessoas treinavam em circuitos que ficavam do lado de fora, mas dentro das cercas de divisão, berrando canções para manter o pique da carreira. Haviam postos de vigia em locais estratégicos e de vez em quando grupos de três soldados passavam. E pensar que alguém como Sasuke treina num lugar como esse.
— Boa tarde! — me cumprimentou, sorrindo, a moça da recepção. — Posso ajudá-lo, senhor Uzumaki? — ser um ex-modelo famoso tem suas vantagens.
— Sabe me informar se o Sr. Uchiha já terminou o treino? — perguntei, e sorri de volta.
Ela me fitou com curiosidade e sorriu discretamente.
— Ainda não, senhor. É só seguir o corredor à direita até chegar um lance de escadas à esquerda. Basta subir e vai estar na sala de treino. — indicou um mapa do complexo que havia na parede, perto de si. — O Sr. Uchiha vai estar lá ainda.
— Obrigado. — falei, acenando com a cabeça antes de seguir o caminho indicado.
Não demorei a encontrar. Mal estava chegando, terminando de subir os últimos degraus, e eu já conseguia ouvir os gritos de diferentes tipos dos homens que ali treinavam. Aproximei-me devagar. Não que eu nunca tivesse entrado numa academia antes, mas com certeza era a primeira vez que eu entrava numa academia militar. Havia soldados para todos os lados, obedecendo as ordens de seus instrutores durante os exercícios, além de homens malhando nos poucos aparelhos que ali havia. Era como Sasuke me contara uma vez, quando o questionei sobre onde ele treinava: era um local para briga, não para ganhar corpo ou perder peso.
Não pude evitar um susto quando vi uma mulher com talvez menos peso do que eu derrubando um homem com o dobro do meu tamanho. Olhei para frente e vi diferentes tatames, onde grupos mistos de pessoas treinavam vários estilos de combate. Parei de andar. Cadê Sasuke?
— Oi? — falou uma moça comigo, até porque os homens sempre me olhavam ou como se eu fosse uma criança perdida ou como um alienígena. — Está procurando alguém, moço?
Era uma jovem, usando apenas top, short, protetores de joelho e luvas. Só agora eu percebi que sem querer pisei no tatame onde um grupo de jovens treinavam, moças e rapazes. Eu vi que alguns riam, cochichando entre si e vi também o quanto isso incomodou a moça que acabara de falar comigo.
— Quietos! — ela bradou e todos ficaram em postura de “sentido”. — Que falta de respeito é essa com o rapaz?! Isso é o tipo de tratamento que damos aos civis de Konoha?!
— Não, senhora! — gritaram o grupo.
— Estão me devendo 20 flexões por isso! Agora!!! — e todos se puseram no chão e começaram a contar aos berros as flexões que faziam.
A moça meneou a cabeça negativamente e me fitou, com aquele semblante de mãe que se desculpa pelo mal comportamento dos filhos.
— Desculpe-me por essa cena deplorável. Esses novatos ainda não aprenderam que respeito é algo que vem de Deus e, portanto, todos devem merecer. — suspirou e sorriu. — Sou a capitã Silvia Morales, em que posso ajudá-lo?
Sorri de volta, agradecido pela gentileza.
— Estou procurando o Sr. Uchiha. — respondi, estendendo a mão para ela. — Uzumaki Naruto, prazer.
Ela sorriu enquanto apertava a minha mão e, logo em seguida, me guiava por uma determinada direção. Sorrindo assim a moça nem parecia ter mais que 25 anos, mas pela sua patente, ela deve ter mais. Eu acho.
— Então é você? Que honra conhecer o namorado do diabo! Nossa, você é bem mais bonito do que ele conta. — ela me levou por entre tatames até uma porta dupla de ferro. — Você era modelo, certo?
Que diferente conversar com alguém que vagamente lhe conhece. É estranho, mas é bom. Não preciso ficar acanhado, nem preciso pensar em desculpas para driblar determinados assuntos. Ela empurrou as portas e eu me vi em outra sala, com um ringue de luta igual aos que vemos na televisão nos combates do UFC.
Havia homens e mulheres por toda parte, gritando, assobiando e batendo palmas. Alguns sentados na parte mais alta do ringue, com as pernas para o lado de fora, outros estavam quase que pendurados na rede de proteção, todos olhando para dentro. Uma luta acontecia naquele momento. E adivinha quem lutava? Isso mesmo que você pensou: O diabo.
— Me aposentei recentemente, mas sim, eu era. — falei, distraidamente, observando com muito interesse o meu namorado. — Trabalhava para o primo de Sasuke, Uchiha Shisui.
— Desculpa, dos Uchihas eu só conheço o diabo. — ela riu, meio envergonhada. — Bem, ele está ali, lutando contra o coronel. Preciso voltar para a minha turma. — ela sorriu. — Só não te dou um abraço porque sujaria as suas roupas e você está tão bem vestido para ver Sasuke… — ela deu de ombros, soltando um risinho esperto. — Até mais ver, Naruto.
Saiu, me deixando ali, vendo a luta que se seguia. Sasuke usava calça preta, camiseta azul, por cima de uma camisa preta de mangas longas e coladas em seu corpo, estava de luvas vermelhas, para diferenciar das pretas do tal coronel, descalço e nenhum dos dois usava protetor de rosto. Mal pensei nisso e vi Sasuke levar um soco do coronel que o fez cambalear até se chocar na rede de proteção. As pessoas gritaram como loucas.
— Onde está seu espírito de luta, Sasuke? Com medo de bater sério em mim? — ele gargalhou. Eu sinceramente acho que o coronel não deveria provocá-lo assim. — Me bata feito homem!
Sasuke limpou a boca, mas não sei se era sangue, sacudiu a cabeça e se aproximou, em posição de ataque. O coronel partiu para o ataque, mas meu namorado desviou e no ato chutou com força as costas do outro, enquanto gritava. O coronel voltou a tentar atacá-lo, mas Sasuke desviou e, como o ninja que só ele é, subiu velozmente no corpo do homem, cruzou as pernas entre um braço e o corpo, imobilizando assim o coronel, e com um giro assombroso fez o homem ir ao chão, num estrondo horrível de alto. Preso ali, o tal coronel recebeu mais socos antes de conseguir se desvencilhar de Sasuke e ficar de pé. As pessoas aplaudiam e gritavam incontrolavelmente, comocionados pelo calor da briga.
O coronel, atordoado, tentou um ataque cego, acertando o corpo do meu namorado com alguns socos e alguns chutes, mas Sasuke defendera a maioria e “gingava” para um novo contra ataque. Uma sequência de socos no abdômen, seguida por um chute giratório no ar fez o homem cair e as pessoas gritarem ainda mais alto, enlouquecidas de felicidade. Sasuke começou a rir enquanto ajudava o homem a se levantar.
— Doeu? — perguntou cinicamente. O coronel riu gravemente, apesar de intercalar gemidos de dor.
Alguns desceram da parte alta e foram conversar com Sasuke. Ele parecia solto e contente pela vitória, as vezes gesticulava alguns movimentos, como se ensinasse algum ataque ou alguma defesa para seus ouvintes. De repente, um homem percebeu a minha presença e se aproximou de mim devagar, me observando.
— Olha só. Um passarinho perdido pousou por aqui. — comentou, me contornando e me olhando de cima a baixo. — Veio participar da luta ou só assistir, princesa?
Ouvi a risada característica de Sasuke e fitei o ringue, ignorando momentaneamente o ser que falara perto de mim. Agora eu vi que na verdade isso que ele veste não é uma camiseta, mas algum tipo de camisa com zíper, pois estava aberta, deixando visível seu “abs” suado e seu peitoral perfeito. Kami, como uma pessoa nasce uma vez só e nasce deliciosa desse jeito?
Sasuke se apoiara na rede de proteção e me olhava com carinho, claramente feliz em me ver. Ele moveu os lábios, sem emitir som, dizendo “oi” e sorrindo gentil para mim. Sorri de volta para ele, respondendo o “oi” da mesma forma. Ignorei o homem perto de mim e comecei a me aproximar de Sasuke lentamente. Ele, por sua vez, veio de lá, sem parar de me olhar, subindo o zíper de sua camisa um pouco, até que se encontrou comigo e envolveu a minha cintura com um braço, puxando-me para o seu regaço. Sasuke beijou-me os lábios, sem se importar com quem olhava, mas não foi o “meu beijo”. Ele olhou-me e depois dedicou um olhar severo para quem estava ao nosso redor.
Não preciso ser um gênio para saber para quem foi esse olhar levemente feroz. Sasuke tornou a me fitar e saímos juntos dali, seguindo, talvez, para o vestiário. Por nenhum momento ele tirou a mão da minha cintura, mesmo que ouvíssemos comentários inoportunos.
— Lembra o que eu te disse? — ele comentou, suspirando cansadamente. — Pois é. O coronel soube que tenho um namorado, ao invés de uma namorada. Me desafiou para uma luta, achando que por eu ser bicha, ia me ganhar. — Sasuke baixou a cabeça. — E Itachi pensa que sofreu por causa da sexualidade. — murmurou, quase que para si. Nós entramos no vestiário. — Só queria poder socar cada pessoa que me trata assim. Eu me sentiria bem melhor.
Fitei-o, sorrindo e apertei a mão dele que me envolvia, tentando fazer o mesmo que Sasuke sempre faz por mim: confortar e dar forças.
O lugar estava vazio e imagino o motivo. Talvez ele tenha ajustado seu horário para não ter que lidar com homens questionando a sua masculinidade. Sasuke pode ser muito cordial e paciente, mas “tocar nos calos” pode tirar a cordialidade e a tranquilidade de qualquer um. Eu me sentei no banco, perto do armário de ferro onde estavam suas coisas e de dentro dele, Sasuke buscou seus pertences para tomar banho. Ele seguiu para os boxes, que eram, de certa forma, as minhas vistas, e se fechou atrás de uma das portas de madeira escura. Eu só conseguia ver seus pés e parte de seus ombros, além da sua cabeça de costas para mim, sendo lentamente enxaguada pela água do chuveiro, depois que ele se despiu ali dentro e pendurou as roupas na porta.
— Você luta tão bem quanto eu me lembro. — comentei, voltando a observar o lugar. Na verdade não tinha muito o que ver, eu só não queria ficar literalmente parecendo um idiota enquanto observava Sasuke, então eu só podia me focar em outras coisas. — Quer dizer, dá para perceber melhor quando não sou eu que estou apanhando. — ri baixinho.
Ouvi-o rir largamente de lá. Sasuke passava lentamente as mãos nos cabelos, fazendo a espuma e água escorrerem por suas costas na velocidade que seus dedos trabalhavam. Até nisso esse homem é elegante. Ele virou um pouco o rosto, de olhos fechados, ainda sorrindo.
— Você aprendeu a lutar nas ruas, com Yahiko. — ele comentou, lavando o rosto. — Eu aprendi a lutar com a vida e treino todos os dias. É meio óbvio que eu esteja melhor que há um ano atrás. — ele sacudiu a cabeça e abriu os olhos, fitando-me. — Prefiro confiar em mim do que em seguranças que podem ser subornados com qualquer coisa, até mesmo uma noite de sexo com qualquer vadia ou coisa pior...
Sasuke se virou de novo de costas e continuou a se lavar. Eu vi as pontas das penas da asa mais “acima” do corvo que habita as costas de Sasuke. Ouvi-o rir de novo, porém mais baixo, mais contido.
— Isso é verdade. — baixei o olhar e comecei a cutucar as unhas. Qualquer coisa é válida para distração, o que posso fazer? — Sabe… — mordi o polegar e voltei a fitá-lo rapidamente. — Esse lugar parece combinar bem com você.
— Naruto… Está se ouvindo? — ele desligou o chuveiro, mas ainda sustentava um sorriso de gracejo nos lábios, como se uma piada se repetisse constantemente em sua mente. — Como posso combinar com um lugar onde sou chamado de bicha? — ele se virou e apoiou os braços cruzados na porta. — Prefere esperar lá fora? Você parece desconfortável aí.
Ainda o mesmo sorriso. Um sorriso divertido, acompanhando de um olhar atento, para mim. Se fosse para Kami me dar um poder, eu queria o de ler mentes, para saber o que se passa na cabeça de Sasuke.
— Eu me referia a aparente felicidade que você parece sentir lutando. — franzi o cenho. — E desde quando você se importa com a opinião alheia? — soltei meu dedo e arqueei uma sobrancelha. — Você melhor que ninguém sabe que gostar de outro homem não te faz menos homem. — dei de ombros. — Se as pessoas que te amam não se importa com esse mero detalhe, porque você deveria dar bola para a opinião desse monte de idiota?
Sasuke transformou seu sorriso e seu olhar. Saiu da expressão risonha para uma analítica, sem deixar de estar feliz. Ele se virou por um momento, buscando uma toalha e começou a se enxugar.
— Sempre me importei. Desde que entendi em que mundo vivo. — comentou por alto, depois suspirou. — A gente cansa de ser julgado, dia após dia, por mais que se faça de cego, ainda dá para se ver… — deu de ombros, se curvando um pouco e sumindo do meu campo de visão. — Mas não importa, como você disse, não importa. É só que… — ele se ergueu e me fitou. — Faz muito tempo que estou lutando… — meneou a cabeça negativamente. — Enfim. Você resolveu adiantar o nosso encontro, certo?
— Bem, você não precisa mais lutar sozinho. — voltei a dar de ombros, sorrindo. — Achei que fosse querer uma carona… Geralmente é Juugo que te traz, não?
Ele assentiu e notei que agora ele se vestia. Parece que realmente Sasuke tem algum problema com sua própria nudez. Pelo menos em mostrar para as outras pessoas. Mas não vou pensar nisso agora. Não hoje, talvez no futuro.
— Ele treina comigo, quando pode. Juugo tem família, sabe? Além de ser meu piloto e motorista, ele cuida da avó, da irmã e de um sobrinho. De um jeito meio bruto, mas cuida. Ele tem suas obrigações comigo, mas hoje eu dei folga a ele, então vim de táxi. — Sasuke falou, depois de vestir sua camisa, abotoando os botões.
— Então fiz bem em vim te buscar. — comentei, feliz.
Ele assentiu novamente, sorrindo e então saiu de dentro do box, de jeans preto e camisa branca social. Sasuke veio até mim, sentou-se ao meu lado, colocou a roupa de treino dentro de um saco, guardando-a dentro de sua mochila e de lá retirou os sapatos, as luvas e as meias. Parou, por um momento, observando seus pés, mexendo os dedos devagar e suspirou, negando mentalmente algo. Sasuke colocou as meias, calçou os sapatos, ajustou as luvas nas mãos e se levantou para ir ao armário, buscar seu blazer de couro sintético e por fim me fitou.
— Sabia que Shisui adora pentear os cabelos de Itachi? — disse, enquanto pegava uma escova e ajeitava os seus. — Ele sempre me disse que uma de suas maiores vontades era de sentir a textura do cabelo de Itachi. — suspirou e guardou a escova em sua mochila. Buscou perfume e aplicou em si. — Sempre achei isso muito interessante. — ele estreitou o olhar. — Que foi? Você está quieto demais.
— Nada. — sorri cordialmente. — Só estou te observando. — e estava mesmo. Cada mínimo movimento que ele fazia.
Ele sentou-se de novo, com a mochila aos seus pés, perto de mim, e começou a observar algumas coisas em seu celular.
— E eu posso fazer isso? — perguntei de forma tímida. — Pentear seus cabelos? — continuei minha observação.
Sasuke parou de mexer no celular e me olhou. Ouvimos barulho de pessoas entrando, homens no caso e eles nos viram. Mas Sasuke continuou me olhando. Sorriu minimamente enquanto se curvava para pegar a escova e colocá-la em minha mão. Devagar ele se colocou de costas para mim e esperou, quieto, como sempre, que eu fizesse o que eu queria. Alguns soldados, ou sejam lá o que forem passaram por perto de nós, e me olharam com surpresa, como se fosse algo de outro mundo um homem pentear o cabelo de outro. Sasuke continuava ali, alheio, só esperando.
Me ajeitei melhor, fazendo o mesmo que Sasuke e não dando a mínima para o mundo, e comecei a pentear seus cabelos para trás, em movimentos suaves e rítmicos. Quando achei que estava desembaraçado o suficiente, me levantei e fui para a frente dele, ajeitar sua franja.
— Lembro de mamãe fazer o mesmo comigo. — falei distraidamente, com um sorriso nostálgico no rosto. — Mas eu gostava mesmo era de pentear os dela… Eram tão lindos. — suspirei.
— Eu lembro. Longos, ruivos, brilhantes. Eu penteava os da minha, quando ela já não podia fazer por si mesma. — comentou, cruzando as mãos e suspirando, tão nostálgico quanto eu. Ele segurou levemente a minha mão e me fitou. — Vamos embora daqui?
Assenti, sorrindo e devolvi a escova para ele.
Sasuke guardou seus pertences, tomou a minha mão e me deixou guiá-lo até meu carro. Finalmente deixamos o centro policial, com sua mulheres educadas e seus homens idiotas.
— Preciso trabalhar agora. — ele falou como para me recordar. — Poderia me deixar no parque central? — fitou-me, do banco do carona, com uma expressão tranquila.
— Claro. — respondi, sorrindo. Peguei meus óculos escuros no porta luvas, os coloquei no rosto de novo, e girei a chave na ignição. — Achei que você fosse para a Rebú.
Tirei o carro do meio-fio e segui caminho em direção ao parque. Por sorte, era um pouco distante do centro, de modo que eu poderia curtir mais a presença tranquila de Sasuke. São difíceis os momentos que seu humor está na fase da paz.
— Hoje não. Hoje vou trabalhar fora do meu habitat natural. — ele afundou no banco e fechou os olhos, por um momento. — E você, vai fazer o que hoje?
— Na verdade, nada de importante. — resmunguei, feliz. — Depois do lançamento da coleção, temos mais sessões de fotos, mas hoje, Shisui e eu nos demos folga.
— Que patrões mais chiques. — ele riu, ainda de olhos fechados, provavelmente descansando. — Se dando folga… Eu queria ter um patrão assim. — riu mais um pouco.
Ficamos assim, em silêncio, pelos minutos seguintes, com Sasuke cochilando no banco do carona enquanto eu me dirigia para o parque sem tanta pressa. Ele parece que precisa realmente de um cochilo, um bom cochilo. Mas mesmo que eu quisesse rodar a cidade inteira, logo estávamos chegando e Sasuke acordara, olhando pela janela se estávamos perto de seu destino. Ele bocejou longamente e ficou inexpressivo pelos minutos que faltavam para chegarmos ao parque.
Mas chegamos. Estacionei numa vaga e vi Sasuke sair, não depois de me dar um demorado beijo enquanto afagava carinhosamente os meus cabelos. Saiu sorrindo para mim, com a sua mochila nas costas, caminhando com as mãos nos bolsos e com passos decididos. Olhando-o andar assim, vestido dessa forma, ele daria um modelo de atitude sem problemas. Mas ele é bem melhor como banqueiro, de fato. Fiquei ali, vendo onde ele ficaria. Sasuke seguiu até um enorme carvalho, sentou-se entre suas raízes, retirou de sua mochila o computador e outras coisas que não pude definir pela distância. Parece que até fones ele colocou nos ouvidos para se concentrar melhor.
Joguei novamente meus óculos no porta-luvas, sai do carro e fui até Sasuke. Sentei-me do lado dele, nem me importei com o fato do meu short ser branco, me escorei na árvore e fechei os olhos, ficando quietinho por um momento. Sei lá, só de ficar do lado dele já me sinto tranquilo.
Senti sua mão em meu ombro e quando percebi, ele me deitara em seu colo, de barriga para cima, sobre seu blazer, apoiando minha cabeça em sua coxa, enquanto a outra fora ocupada por seu computador. Ele me fitou e sorriu, piscando um olho, tornando a fitar o aparelho.
— Segura para mim, por favor? — ele me mostrou sua agenda preta aberta e eu automaticamente a peguei exatamente como ele me entregara. — Me conta… Por que está mais manhoso que os outros dias? Tem alguma coisa haver com o que fizemos ontem?
Ora ele digitava algo no computador, ora ele fazia alguma anotação na agenda, mas entre olhar de um objeto ao outro, Sasuke me dedicava longos segundos de um olhar carinhoso, apesar de não estar sorrindo.
Ontem à noite Sasuke me “ensinou algo novo”. Prendeu-me no teto de meu quarto com algemas especiais e me vendou. Não fiquei necessariamente pendurado no teto, ele apenas me prendeu pelos pulsos a um suporte especial com algemas diferenciadas, que não me machucavam, me deixando com os pés no chão. Ontem ele me tocou apenas com diferentes tipos de penas. Ele me disse que me daria prazer sem me penetrar e assim se foi a noite passada. Não transamos propriamente, mas eu posso dizer que eu me senti tão bem quanto se o ato tivesse acontecido. Acho que ontem foi a primeira vez, depois daquela viagem que ele fez para Nova York, há um ano, que não senti Sasuke me tocar enquanto eu chegava ao clímax, extasiado por sua voz e por suas palavras.
— Vamos fazer um ano de namoro. — respondi, sorrindo. — Deve ser por isso… Sei lá.
Ele parou e me fitou, como se tentasse lembrar de algo. Sua mão, segurando a caneta entre os dedos, descansou sobre meu peito. Sasuke estreitou o olhar e o desviou por um momento.
— É verdade… Faz um ano que te pedi em namoro… Foi nessa mesma época que fiquei morando em Nova York. — ele se recostou na árvore e suspirou, sorrindo. — Para mim parece que faz uns dez anos que eu te namoro, sabe? — ele se curvou e me beijou de leve, doces selinhos.
— Dez anos? — ri de leve. — Acho que devemos comemorar. — falei, entre os beijos. — Afinal, não é todo dia que isso acontece.
— Se você diz, eu acredito. — ele afagou os meus cabelos e me deu um beijo mais carinhoso, mais demorado. — E no que está pensando, Naruto?
— Eu estava pensando em você fazer o itinerário dessa vez… — fitei-o, meio preocupado. — Não deu muito certo da última vez que eu tentei. — suspirei.
Ele voltou a digitar no computador, com um semblante pensativo e eu não sei se ele pensava no que eu disse ou no que a tela do aparelho exibia. Sasuke suspirou e me fitou de novo.
— Se bem que não foi sua culpa, mas deu no que deu. — ele sorriu. — Desta vez você quer ter um encontro a la El Diablo para comemorar? — perguntou.
— Seria perfeito. — não sei porque, mas senti meu rosto esquentando.
Ele sorriu mais e me deu outro beijo.
— Um passeio de carro, uma festa, talvez um jantar tranquilo… Parece bom, não acha? — Sasuke virou algumas páginas da agenda e eu vi ele começar a anotar o nosso encontro no sábado. Vi que no domingo havia uma festa beneficente já marcada. — Está bom para você, ou quer algo mais?
— Parece ótimo. — me sentei, assim que Sasuke terminou suas anotações. — Posso fazer uma pergunta? — baixei meu olhar e comecei a brincar com as páginas da agenda, repentinamente ansioso.
— Claro. Pergunte. — ele desviou por um momento os olhos do computador, para me fitar ao responder.
— Hum… O que você quis dizer quando disse que eu não estava pronto para conhecer seu quarto? — fiz um esforço descomunal para conseguir levantar meu olhar para seu rosto, querendo ver sua reação. — Quero dizer, eu já dormi com você várias vezes nele…
Essa pergunta pode parecer repentina, mas ela com toda certeza tem um propósito. Tenho minhas suspeitas acerca desse assunto, entretanto não quero me precipitar, por isso preciso confirmar minha teoria e somente meu namorado pode sanar essa dúvida. Ele me disse, uma vez, que não transávamos em seu quarto do apartamento porque Maiko costumava dormir com ele, de modo que ele não queria ofender a menina de alguma forma privando-a de sua companhia durante a noite. As noites que dormi lá, eu tive a companhia da menina tal como Sasuke me dissera.
Pouco a pouco ele foi abrindo um sorriso de lado para mim.
— Eu falava de um dos meus quartos que tenho na minha mansão. — ele colocou o computador de lado e aproveitou que uma brisa soprou os nossos cabelos, Sasuke puxou um isqueiro e cigarros da mochila, para começar a fumar, a fumaça sendo levada pelo vento para longe de mim. — Quando eu disse que você não estava pronto, eu me referia ao BDSM. Por quê?
Sorri, me sentindo orgulhoso de mim mesmo, mas isso não quer dizer que eu esteja certo.
— Então você tem um quarto para essas práticas? — perguntei, interessado.
— Naturalmente. Todo dominador tem um quarto ou uma sala para isso. — comentou de forma normal, antes de dar um trago.
— E você pode me mostrar? — perguntei ansiosamente, me aproximando mais, de repente, de Sasuke.
Ele arqueou uma sobrancelha, sorrindo de lado enquanto expelia a fumaça.
— Não sei… Acha que está pronto para isso? — ele pegou a minha mão com a livre e acariciou-a com o polegar.
Fitei-o, pensando sobre isso. Era o que eu queria? Eu queria muito satisfazer e agradar Sasuke, mas não é isso que ele está me perguntando. Ele quer saber se eu realmente tenho certeza se estou pronto para essa “nova” realidade. Nunca menti para Sasuke e não vai ser hoje que o farei.
— Não tenho certeza, Sasuke… — franzi o cenho e suspirei. — Como eu posso saber se estou? — talvez isso não seja novidade para ninguém: meu maior medo é decepcioná-lo.
— Se confia plenamente em mim, então pode-se dizer que você está pronto para... — ele sorriu de lado de novo. — Mim. — sua mão soltou a minha e veio para o meu rosto. — Quer saber o que eu acho? — assenti, sorrindo, me sentindo mais calmo. — Eu já te ensinei muitas coisas sobre o meu mundo, sobre mim, sobre o que eu sou e o que eu faço. Você já me marcou como nenhum outro submisso fez e não falo das mordidas. — sua mão pegou a minha de novo. — Sabe bem do que estou falando, não sabe?
Assenti novamente, enquanto levantava minha outra mão, que tremia de leve, e a colocava sobre seu coração. Perdi o fôlego momentaneamente e encarei Sasuke diretamente nos olhos, de forma intensa. Pode parecer um gesto simples, mas seu significado é tão grande que sinto uma leve tontura só em pensar sobre. Meu.
Sua mão soltou a minha e puxou meu rosto para perto do seu, encostando nossas testas.
— Exato. — foi o que ele disse. — Naruto, você já se entregou para mim como ninguém jamais fez… — ele sussurrava para que somente eu ouvisse. — Aquele quarto… Aquele lugar… Vai ser como se eu estivesse te mostrando um pedaço da minha alma. — seu olhar ficou firme, vermelho, mas não de excitação, mas de confiança. Confiança em mim. — Você está pronto, Naruto, para mergulhar ainda mais nessa escuridão que eu sou?
— Estou. — devolvi, com a voz rouca de emoção. — Eu quero ser somente seu, Sasuke… De todas as formas que você quiser e me permitir ser… — arfei, novamente perdendo o fôlego.
Sasuke me pegou pelas costelas e me puxou para seu colo, abraçando-me com firmeza, deitando meu rosto em seu ombro e respirando calmamente, como se me dissesse que eu não preciso me desesperar. Senti seus beijos por meu rosto, depois em meus lábios e mais carinhos pelo corpo.
— Você é meu, Naruto, não tenha nunca dúvidas disso. — ele afastou os cabelos de meu rosto, num gesto carinhoso. — Eu não… — ele engoliu em seco, respirou fundo e sorriu. — Eu não imagino mais ninguém além de você dentro daquele lugar. — ele me aconchegou melhor em seu colo e pegou novamente as minhas mãos, com as duas dessa vez, pois o cigarro fora abandonado. — Olha… Vai ser assustador, eu sei que vai, porque nada do que tenhamos feito até agora, juntos, entre quatro paredes ou não, se compara com o que gosto de fazer lá… Mas da mesma forma que não quero namorar mais ninguém, além de você, eu não me imagino mais como dominador se você não for meu submisso.
Respirei fundo, aliviado, soltei minhas mãos das suas e enlacei seu pescoço, olhando para Sasuke de forma carinhosa. Suas mãos vieram para a minha cintura e se entrelaçaram atrás de mim. Ele me olhava e seus olhos já não eram vermelhos, mas não menos intensos.
— Tudo bem, meu amor. — sussurrei. — Eu sei que posso fazer isso. — encostei nossos lábios de leve e continuei a falar em um tom baixo, agora abafado por nossa proximidade. — Eu quero. Eu confio em você.
Nem tentei mais me segurar. Beijei-o. Com amor, com paixão, com devoção. E isso parecia tão, tão certo que acabei gemendo baixinho. Eu o amo tanto que as vezes me pergunto como cabe todo esse sentimento dentro de mim.
— Ei, calma… — sussurrou, olhando-me. — Calma, estamos no parque… — beijou-me de leve. — Eu quero que Shisui se exploda, mas hoje você não sai de perto de mim. Você está com uma manha linda, que eu não posso ignorar. — ele riu, se encostando na árvore e folgando nosso abraço. — Sábado é só daqui a três dias… Vai se comportar direito a partir de amanhã? — porque hoje eu estou de custódia obrigada do Sr. Uchiha, como se eu achasse isso ruim.
— Desculpe… — resmunguei, sentindo meu rosto quente, por isso o escondi no pescoço de Sasuke. — As vezes esqueço que não vivemos em uma bolha… — minha voz foi abafada por sua pele. — Prometo que vou me esforçar e serei o mais comportado possível. — sorri e beijei a pele sob meus lábios.
Ele riu, afagando os meus cabelos e depois de me dar mais alguns beijos, me fez voltar a posição inicial, deitado sobre seu blazer, com a cabeça descansando em sua coxa, enquanto ele recomeçava seu trabalho. Shisui até ligou procurando por mim, mas quando Sasuke atendeu e disse que estava resolvendo algo sério comigo, ele desistiu. Tenho certeza que Sui sorria de satisfação por finalmente estarmos em paz e bem juntos.
Isso me fez pensar em algo, aliás, as mãos de Sasuke me fizeram pensar em algo. Ele, com toda certeza, está me dando essa abertura como um presente de namoro. É algo especial, para ele, que Sasuke está me dando. Eu tenho que dar algo significativo para ele também, mas o quê?
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