Cores do Meu Coração

49 Teme 20 - Nem eu esperava


Notas iniciais
DiAngelo: Boa noite, pessoas! Então, tivemos alguns probleminhas hoje, mas como prometido, vou postar o cap! Ñ é mais quarta, mas vc fingem q é, ok? :) Gente, como eu disse na page, Nonna está doente e por isso ela ñ vai aparecer por aqui, mandem energias positivas para ela melhorar logo, tá? Bem, vamos ao cap: hoje teremos um diálogo básico, onde Naruto vai contar um pouquinho dele para Sasuke, zuera com Kurama, capeta sendo fofo e para finalizar, limão! Hummmmm... *aquela carinha* Enfim, o cap de hoje é dedicado a DUDA KITSUNE, leitora nova ou fantasma (?) q resolveu dar as caras e ainda favoritou a fic e a Erikitty, q voltou para a luz e deixou um review lindo cap passado! Espero q gostem, suas lindas! :* PS: Nonna e eu criamos uma page no facebook para atualizar vcs das novidades das fanfics e para q vcs pudessem interagir com os outros leitores! CURTAM, pessoas! Tem fanart, prévia dos próximos caps e diálogos entre os personagens: https://www.facebook.com/sociedadeprovadoresgaspacho/?ref=bookmarks

Havíamos voltado para Konoha. Nem eu, nem Naruto, nem o meu motorista/piloto, comentamos sobre o acontecido, isto é, minha quase morte. Depois de eu ter feito uma bateria de exames fora da cidade, com médicos de minha confiança, mas não conhecidos de Itachi, descobri que estava tudo bem com os velhos ossos, o velho coração e a velha cabeça. Aproveitei as madrugadas e as tardes que Naruto ficara ocupado, com coletivas de imprensa, para treinar defesa pessoal. Eu estava no centro policial, juntamente com Juugo, treinando alguns golpes de imobilização.

— Tem certeza, sir, que não devemos dizer nada ao seu irmão? — ele me perguntou, enquanto eu lhe dava uma chave com os braços, sem pressionar, apenas para entender o movimento.

— Tenho, Juugo. Não se preocupe. — eu o soltei e nós nos levantamos do tatame. Havíamos acabado o treino de imobilização. — Quando eu morrer de verdade, pode ter certeza, vai ser um escândalo! — eu ri da minha própria besteira.

Fomos para a parte externa do centro de treinamento. Observei o mundo. Chovia. Mas não era um chuva normal. Eu tive a ligeira sensação que o teto do mundo, vulgo céu, ia se partir ao meio a cada raio e desabar na cabeça das pessoas. Fitei Juugo e nós dois começamos a rir enquanto nos alongávamos. Deu um relâmpago tão sinistro que apagou todas as luzes da academia e a crise de riso foi comunitária.

Os policiais começaram a “brincar de Star Wars” usando as lanternas. Juugo entrou na brincadeira e eu fiquei só olhando, enquanto os trovões ficavam mais altos a cada minuto. Entre um estrondo e outro, ouvi meu celular tocar. Busquei-o em minha mochila. Naruto.

— Diz. — atendi e acabei rindo da brincadeira dos policiais. Outro relâmpago e as luzes voltaram, encandeando os desprevenidos, vulgo eu.

— Ei, teme. — risadinha. Franzi meu cenho. Sério que ele não entendeu que eu não sou muito a favor desse apelido, para eu não dizer que odeio. — Eu sei que você ‘tá fazendo uma careta agora, mas eu não ligo. — outra risadinha. — Então deixe de ser rabugento e venha para cá!

Estreitei meu olhar, tirei o celular do ouvido, encarei a foto de Naruto com sua costumeira cara de idiota, que sempre aparece quando ele liga, e senti uma imensa vontade de esmagar o aparelho.

— Quem disse que eu aceito ordens suas? — eu falei, aproximando-o de volta ao meu ouvido. — Está achando que porque eu estou apaixonado por você, perdi meu bom senso e a minha compostura? Eu até estava pensando de passar aí, para uma surpresa, mas depois dessa sua suposta forma de me pedir… — desliguei.

Joguei o celular dentro da bolsa, coloquei-a nas costas e fui para o vestiário tomar banho. Passei todo o banho ao som de “Hideho”, de Tropkillaz, que é o toque do meu celular. Dez minutos depois, fui olhar o estado do aparelho. Sete ligações e duas mensagens. Primeira: “Vc não sabe brincar! :/”. Segunda: “Desculpa! É sério, quero conversar!!! Me liga, por favor :(“.

Eu sorri de lado, satisfeito com a reação “nem um pouco esperada”, disquei rapidamente o número dele e esperei ele fazer o mesmo que eu: ignorar. Mas, estamos falando de quem?

Pois é. Atendeu no primeiro toque. Aí nego acha ruim porque eu fico rindo.

— Eu estava tomando banho. — disse logo, antes que ele se desesperasse. — Sabe que não gosto de andar fedendo por aí, apesar de ter certa pessoa que ama o meu suor. — falei, olhando para as minhas unhas. — Diz, Naruto.

— Você vem? — perguntou, desconfiado.

Eu ri baixo.

— Só um minuto. — coloquei o aparelho de lado e vesti rapidamente a minha pulôver de gola V cinza chumbo. — Vou sim, seu idiota. — falei mais carinhoso e ele suspirou de alívio. — Eu me dei folga, porque sou o funcionário do ano e simplesmente mereço folga. Além de que, sempre que chove, eu me dou folga. — na minha cabeça faz sentido. — Quer que eu leve algo?

— Só se você quiser beber algo para acompanhar o jantar. — respondeu mais animado. — Vai demorar?

Fitei a chuva pela janela e depois Juugo.

— Mais ou menos. Acho que uns quinze minutos. — falei, sorrindo com a ideia que eu tivera. Fazia bem um século que eu não fazia uma coisa em dias de chuva.

— Ótimo! Vou desligar. Tchau! — falou, apressado.

Nem disse nada, simplesmente joguei o aparelho de volta na bolsa e dei de ombros. Pensei um pouco e troquei rapidamente de roupa, guardando meu jeans e meu pulôver na bolsa. Vesti o short de treino e saí. Avisei a Juugo que iria a pé e que depois eu ligaria avisando para me buscar na casa de Naruto. Ele só assentiu. Amarrei os cadarços e eu disparei chuva adentro.

Corri, rindo e saltando em toda poça de água que eu via. Simplesmente amo chuva. Uma das minhas maiores diversões quando eu era moleque era brincar na chuva com os meus cães. Eu nem me importava com o cheiro de murraça e de cachorro molhado que ficava depois em mim, menos ainda com a lama, eu só queria brincar. Dei uma rápida passada num supermercado e comprei uvas e uma barra de chocolate. Para quê? Saberão em breve. Segui correndo e pisando em poças até chegar ao bairro de Naruto.

Fui andando, tranquilo, observando meu short quase colado em meu corpo, de tão ensopado que estava e meus tênis que mudaram de cor de tanta lama. Minha sorte, e da minha mochila, era a capa de chuva que eu amarrara em volta dela para protegê-la. Cheguei na porta e toquei a campainha, enquanto eu esperava ele atender, fui retirando meus tênis, para não deixar pegadas desnecessárias pela casa dos outros.

Não tive que esperar muito, logo Naruto apareceu na porta esfregando os cabelos com uma toalha. Aproveitei a deixa e peguei a toalha, colocando-a em minha cabeça, enquanto deixava os tênis num canto de parede, em cima dos jornais velhos. Entrei, segurei a mochila com uma mão e fiquei parado, olhando-o de dentro daquela estranha fenda que a toalha faz quando fica completamente sobre sua cabeça.

Cara de retardado é pouco para definir a cara que Naruto fez ao me ver. Ele estava vestido numa bermuda vermelha saruel e usando uma blusa de manga longa branca, além de descalço. Ouvi um miado baixo e virei meu rosto. Kurama me olhava, de cima do sofá, as orelhas erguidas e o olhar atento aos meus movimentos. Acenei para ele e ele miou de volta.

— Por que você não veio de carro? — Naruto perguntou, com as sobrancelhas franzidas, em evidente confusão.

— Porque está chovendo. — coloquei a mochila no chão e escorreguei a toalha para o pescoço. — Eu jamais iria sujar a pintura dos meus bebês. — falei, indo até o degrau de entrada e me sentando ali para enxugar meus pés, antes de entrar completamente na casa. Ele fechou a porta e continuou me olhando.

Acho que depois “daquela tarde” eu tenho que evitar andar de peito molhado amostra pela casa desse idiota, porque ele simplesmente não consegue se controlar. Apoiei meus braços nos joelhos e ri da cara de admiração dele. Estalei os dedos no ar.

— Ei, você está babando, cara. — disse, me colocando de pé. — Terra para Naruto. — estalei os dedos na frente da cara dele e fechei sua boca, que levemente se abrira. — Sério, você está babando.

Entrei levando minha mochila e enxuguei minha mão para poder tocar Kurama, o rei do sofá. Eu esperei ele deixar eu tocá-lo e então afaguei-lhe atrás das orelhas. Naruto que me disse que ele gosta de carinho nessa região. O gato ronronou, satisfeito e se esfregou em minha mão.

— Ele não parava de olhar para a porta, acho que estava te esperando e não vou nem mencionar o quanto isso é estranho. Talvez ele esteja começando a gostar de você. — Naruto deu de ombros, depois me encarou, nervoso e esfregou o rosto com as mãos. — Você pode, por favor, vestir uma roupa seca? Tipo, agora?!

Aproximei-me dele e beijei lentamente os seus lábios. Nos fitamos e eu sorri de lado.

— Vou me trocar. — pisquei um olho e fui para o banheiro.

Adivinha o que aconteceu. Nem vi que uma certa coisa laranja me seguiu. Assim que fechei a porta do banheiro, ouvi um arranhado e um miado alto. Vê se pode? Da mesma forma que eu ignorei Naruto enquanto tomava banho, ignorei o gato enquanto vestia meu jeans e meu pulôver. Descalço e pronto, deixei minha mochila no quarto de Naruto e fui para a sala. Depois que eu dormi na casa de meu namorado, Kurama adquiriu o hábito de me seguir.

Por quê? Não sei. Voltei a sala e fitei Naruto.

— Quer ver um truque? — perguntei, enquanto colocava a barra de chocolate na mesa e as uvas na geladeira. — Que eu ensinei ao seu gato?

— Como é? — falou, espantado. — Você está falando desse Kurama? — apontou para o gato. — Não acredito!

— Sim. Vou mostrar.

Fiquei parado no meio da sala, encarei-o e ergui uma mão aberta no ar. Kurama arrodeou o meu corpo e sentou-se de frente para mim, balançando a cauda. Bati minhas mãos no meu peito e ele saltou, subiu em meu ombro direito e eu me curvei para frente, girando no eixo, enquanto ele andava pelas minhas costas. Endireitei minha postura e ele saltou para o chão pelo ombro esquerdo. Bati de novo no meu peito e o gato pulou de volta.

Segurei-o com um braço e afaguei sua cabeça com a mão livre. Encarei Naruto, sorrindo, triunfante. Ele repetiu a cara de retardado.

— Viu? — pisquei um olho. — Não existe ser arisco que eu não domine. — fitei Kurama ronronando no meu braço. — Nem esse escapou dos meus dons. — o gato filho da mãe até estava de olhos fechados, todo faceiro e satisfeito.

— Você ‘tá me trocando por ele?! — Naruto falou indignado para o gato enquanto apontava para mim. — Depois fica se esfregando em mim na hora de dormir, né?! Falso!!! — bufou.

Coloquei Kurama sobre minha cabeça e cruzei os braços. O gato apoiou as patas dianteiras na minha cabeça e as traseiras na minha nuca. Fiquei equilibrando-o ali enquanto me aproximava da pia para ver o que Naruto estava aprontando.

— Ele se esfrega em você por causa do meu cheiro. — pisquei um olho, rindo zombeteiramente. — Eu te disse. — abri os braços. — Primeiro me odeiam para depois me amar! Certo, Kurama?

O gato miou e recostou a cabeça entre as patas.

— Com licença, mas o gato é meu! — se aproximou e tirou o gato cuidadosamente da minha cabeça. Depois o abraçou de forma possessiva.

Sacudi meus cabelos e ri da cara que Kurama fez ao se ver nos braços de Naruto.

— Relaxa, little bitch. — lavei minhas mãos e busquei as uvas na geladeira. — Não quero seu gato. Eu já expliquei a Kurama que prefiro os canídeos, mas ele não entende. Acho que ele pensa que eu sou um sofá ou uma almofada por causa da sua mania de dormir por cima de mim. — comecei a comer as uvas, cuspindo os caroços na minha mão.

— Você lembra o que vivo te falando? Você é ridículo! — cochichou para o gato, que se se eriçou. — Ui, não gostou. A verdade dói, né? — riu e colocou o bichano no chão. — É um falso mesmo!

No automático, o gato veio, subiu em cima da pia e se apoiou em meus ombros, sem ao menos pedir licença. Encarei-o e joguei um caroço em seu nariz. Ele tentou pegar o caroço no ar, mas não conseguiu, aconchegou-se e ficou ronronando perto do meu ouvido.

— Erh… — estalei a língua. — Eu lembro que você disse que eu sou pai desse gato, certo?

— Acho que ele acreditou. — revirou os olhos.

Assenti e fechei a cara num suspiro.

— Kurama. — disse firme. O gato se mexeu. — Saí. Agora. — encarei-o ainda sério.

Ele foi se encolhendo, se esfregando em mim.

— Não está testando a minha paciência, está, Kurama? — o gato miou e saltou dos meus ombros para o chão, ficando perto de Naruto. Se esse gato pudesse sorrir, ele estaria sorrindo, porque sua cauda balançava que nem a de um cachorro feliz. — Tal dono, tal gato. — tornei a comer as minhas uvas.

A chuva ficava mais forte a cada minuto, se é que isso era possível. Quando terminei de comer, peguei uma panela, coloquei um pouco de leite e coloquei a barra quebrada em pedaços dentro, mexendo a mistura com uma colher de pau. Chocolate quente combina com clima frio.

— Então. — falei, sem tirar os olhos da panela. — Você disse que queria conversar. — sorri minimamente. — E eu tenho certeza que não era sobre Kurama. — provei para saber se havia doce suficiente. Sacudi a cabeça. Melhor deixar “açúcar a gosto”.

— Antes preciso saber de algo muito importante. — falou, risonho. — O que você quer jantar?

— Estou fazendo chocolate quente. — comentei e parei por um instante de mexer a panela, pensando na pergunta. — Não sei… O que você fizer, eu posso pensar em comer. — disse, rindo. Naruto me deu um soquinho no ombro e riu também. Ele sabe que de nós dois, o homem prendado sou eu. Abri um dos armários e vi massa de bolo. — Já fez panqueca de massa de bolo?

— Isso nem existe! — riu. — Ou existe?

Eu ri e peguei um dos aventais. Entreguei o outro a ele. Apaguei o fogo e coloquei a panela em outra boca. Busquei uma vasilha, peguei o pacote e despejei o conteúdo dentro.

— Vou te ensinar. — peguei o resto do leite que eu usara e coloquei dentro. Pouco, só o suficiente para a massa pegar consistência.

Lá pelas tantas, pois eu não direi a minha receita de panqueca de massa de bolo, enquanto eu e Naruto empurrávamos a massa sobre o balcão, como se fôssemos fazer pizza, encarei-o e ri de sua cara parcialmente suja de farinha.

— Vai falar agora? — tentei conter meu riso enquanto separava as porções, dava-as a Naruto, que as deixava em forma de bolas e as esmagava, para que elas tivessem forma de panqueca. Eu as recebia e colocava na frigideira para dourá-las.

De vez em quando eu fazia flips. Sabe? Mexer a frigideira, jogar a panqueca para o alto para virá-la? Depois que aprendi a fazer, eu não consigo fazer panqueca sem flips. Sério.

— Acabei lembrando de uma coisa mais cedo. — eu disse apenas “Hn.” para que ele soubesse que eu estava ouvindo. — Logo depois que você foi para Nova York, Shisui e Itachi vieram falar comigo, a propósito tenho umas fotos bem interessantes ali. — fitei-o e vi que seu rosto estava tingido de um rosa claro.

— Eu sei. — interrompi-o. — Shisui me falou por telefone que te deu fotos minhas. Depois de brigar com ele, afinal eu não gostava de você na época, eu deixei para lá. — terminei de fritar as massas que preparamos e fui ajudá-lo com as que ainda faltava. — Então foram eles que te influenciaram a ligar para mim de madrugada? — beijei sua bochecha suja de farinha. — Depois me lembra de agradecer a eles. — ele sorriu e nós voltamos a esmagar a massa.

— De certa forma, foi. Mas claro que antes insistiram que eu deveria me afastar e afins, coisa que eu frisei que você mesmo havia me avisado. — bufou e depois riu. — Bem, eu estava irredutível sobre isso e vou te explicar o porque logo logo. Só me responde uma pergunta. — ele soltou a massa e se encostou no balcão, para me encarar. — O que Iruka te falou? Quer dizer, o propósito de sermos soulmates.

Fitei-o e me lembrei da conversa que eu tive com ele.

— Que eu iria ajudar a minha soulmate. — a essa altura do campeonato, não tem para que ficar de arrodeios. — Por a minha alma ser completa e perfeita, eu ajudaria a minha soulmate. Só não me disse em que, apesar de eu meio que suspeitava do que fosse.

Naruto arqueou as sobrancelhas.

— Faz tanto sentido que chega a ser ridículo. Eu deveria ter me dado conta disso. — riu. — Eu sempre senti que me faltava algo… — ele olhou para baixo e franziu os lábios. — Não me pergunte porque, eu não sei, mas parecia que tinha um buraco em meu peito que me fazia perder as forças quando eu menos esperava.

— Um buraco? — peguei as massas de suas mãos e as levei para a frigideira. Eram as últimas.

— Uhum… — resmungou. — Bem, pelo menos tinha papai e mamãe para amenizar a dor. Você sabe, a aura deles envolvia todo mundo. — suspirou e sorriu de forma carinhosa. — E óbvio que eu não seria exceção. O verdadeiro problema surgiu depois da morte deles… — mudou o apoio do pé, claramente desconfortável.

Desliguei o fogo quando finalmente terminei e encarei-o, encostando-me na pia.

— É, eu sei como seus pais eram envolventes. — suspirei. — Era típico deles. Mas…. — franzi o cenho. — Como assim o verdadeiro problema?

Naruto se virou e se encostou no balcão, ficando quase na mesma posição que a minha.

— A sensação era horrorosa, parecia que minha alma estava sendo sugada para dentro do meu peito. — estremeceu. — Era previsível, sem eles, não tinha mais aquele calor aquecendo meu coração. — deu de ombros. Enquanto eu ouvia, fui retirando o meu avental e colocando-o de lado, para então lavar as mãos. — Eu tive que ignorar e aprender a conviver com aquela dor. Mas não era tão fácil assim quando você volta para casa e ninguém te espera. — respirou fundo, pois sua voz já estava levemente embargada.

Saí da pia e fui até ele, abraçando-o. Aproveitei para desamarrar seu avental e pôr de lado. Sentei-o em uma das banquetas que tem embaixo do balcão e fui buscar o chocolate quente. Algo me diz que hoje Naruto está se abrindo como nunca fez antes, de modo que eu não posso ser menos do que eu realmente sou. Servi-o e depois me servi, empilhei as panquecas em um prato e sentei-me perto dele, nossas pernas meio que encaixadas, as dele entre as minhas.

— Eu sei como é, Naruto. — falei, pegando um pedaço de panqueca para comer. — Depois que minha mãe morreu, eu tinha catorze anos, eu fiquei sozinho com meu pai. — mordisquei o pedaço. — Itachi morava em outro lugar e meu pai me odiava. Praticamente vivia no trabalho. Eu pensei que tudo ficaria bem quando me casasse com Karin, mas aí… — suspirei. — Eu me enganei e quando nos separamos, me vi sozinho numa casa gigante… Só eu e meus pensamentos. É horrível. — fitei-o e ele assentiu. — Principalmente quando se tem… Coisas te vigiando em cada canto. — sacudi minha cabeça, afastando os pensamentos. — Enfim… — afaguei seu rosto, limpando o resto de farinha. — Quer falar sobre isso? Sobre essa dor?

— Sabe qual foi minha última atitude drástica? — riu. — Adotei a pestinha, acredita nisso?!

Fitei Kurama. O gato miou e eu joguei um pedacinho de panqueca para ele. Tornei a olhar para Naruto e a comer.

— E resolveu? — perguntei, tomando um gole de chocolate.

— Infelizmente não, mas pelo menos ficou mais suportável. Não sei como, mas Kurama sempre soube do que eu precisava. Ele cuida de mim. Sempre foi assim. — sorriu para o gato. — Minha vida profissional era basicamente a minha única fonte de prazer, sempre fui muito feliz e realizado trabalhando para Shisui, mas a vida pessoal… Era isso, enganar as pessoas e a mim mesmo. — suspirou e começou a comer, se demorando mais que o necessário mastigando.

— É o seu filho, não é? — ele assentiu. — Agora que tudo faz muito sentido mesmo. — eu comi outro pedaço. — Sua vida virou uma zona depois que seus pais se foram e parece que alguém que estivesse na mesma situação que a sua, porém superado, poderia te ajudar. — afaguei seu joelho com a ponta dos dedos. — Esse Iruka… Podia ter dito logo de cara. — meneei a cabeça negativamente. — Por isso que você era tão aficcionado com esse negócio de cores, não é?

— Talvez eu achasse que era isso que faltava e de certa forma era. — riu e tomou um gole de chocolate. — Você apareceu. — me encarou intensamente. — Era isso que faltava. A parte de mim que estava perdida. — agarrou minha mão e entrelaçou nossos dedos. — Eu não sei como você fazia isso, Sasuke, mas só em estar perto de você, toda dor ia embora.

Sorri de lado e resolvi mostrar a ele. Vendei os olhos de Naruto com um pano de prato e peguei velas na gaveta. Se Naruto quer tanto saber como funciona, acho que posso mostrar a ele. Fui apagar as luzes do lugar depois de acender as velas, busquei um espelho de mão no quarto dele, coloquei-o sobre o balcão, perto da vela e retirei o pano do rosto dele.

— É porque eu sou sua soulmate. — disse, passando a palma da minha mão sobre a chama da vela. O fio de fumaça da vela dançou ao redor da minha mão e eu sorri. — Deixa eu te mostrar. Pega o seu pingente e olhe-se no espelho através da chama da vela. — apontei para o espelho que havia ali perto.

Ele o fez e franziu o cenho. Eu só pude sorrir mais. Naruto me fitou.

— Quanto mais perto de você eu estou, mais a minha alma se apega a sua. Se molda, te envolve, preenchendo o que for preciso, completando o que estiver faltando. — apontei para o seu peito. — É bem aqui onde a ligação é tênue, mas é aqui. — apontei para sua testa — Que ela se torna forte. Cada vez que eu encosto minha testa na sua. — eu aproximei-me e recostei nossas testas. — Parte de você vem para mim, a parte quebrada, calejada, e eu alivio para você. — beijei seus lábios.

Levantei-me para acender as luzes, levando um pedaço de panqueca comigo.

— Por isso que quando você fica confuso, ou longe de mim, eu praticamente consigo ver sua alma ir se quebrando, se abrindo. — parei no meio da sala e fitei-o. Ele fica tão lindo a luz de velas. — Por isso que minha sombra está onde você estiver. Se ela não existisse… — pisquei e sacudi minha cabeça, engolindo a minha fala. Voltei-me para os interruptores.

— A dor voltaria pior, não é? — perguntou.

— Não sei. — falei, sem me virar. — Mas provavelmente eu não conseguiria te… — pensei sobre qual palavra eu deveria usar para definir o que poderia acontecer. — Alcançar. — disse, acendendo as luzes da sala. Franzi o cenho, de olhos fechados. — Eu não conseguiria cumprir minha promessa de estar com você, mesmo distante… Talvez fosse isso. — fitei-o. — Talvez a dor se tornasse imensamente pior porque você já teria entrado em contato com a minha alma… Seria como uma crise de abstinência de um drogado. — eu não sei se estou me fazendo ser entendido aqui.

— Hum… — resmungou. — Acho que faz sentido. Mas acho que não precisamos nos preocupar com isso. — franziu o nariz e me fitou. — Ou precisamos?

Voltei a me sentar na banqueta, lambi dois dedos meus e apaguei a vela.

— Você não. — eu disse, pegando outro pedaço de panqueca e mergulhando no chocolate. — Minha sombra, e não estou sendo arrogante com você, não é problema seu. — fitei-o.

— Eu nunca diria que você está sendo arrogante! — falou sério, me deu uma olhadinha com o canto do olho e começou a gargalhar. — Desculpa, não consegui evitar. — respirou fundo. — Mas não terminei de falar.

— Desculpa. — tomei um gole. — Prossiga, por favor. Você dizia que ao ficar perto de mim, toda a dor ia embora. — relembrei. — Acredito que constatou isso no hospital.

— O que?! Virou adivinho agora? — revirou os olhos e soltou uns resmungos de indignação. — Uchihas…

Arqueei uma sobrancelha.

— Por qual outra razão você se envolveria com uma pessoa que odeia, Uzumaki Naruto? — arregalei meus olhos, esperando sua resposta. — Vingança, talvez?

— Porque você é bonitinho e importante, além de ser primo do meu chefe… — tentou fingir um tom de desdém. — Argh! De fato, você não deixa nada passar, não é?

Revirei os olhos.

— Eu, ao contrário de todos os Uzumakis da face da Terra, presto atenção no que as pessoas fazem e no que as pessoas dizem. — meneei a cabeça negativamente. — Você é um clone loiro da sua mãe… Enfim, continue. Disse que não terminou.

— Tá bom. — voltou a ficar sério. — Era disso que eu falava em Roma, Sasuke. Eu entendo porque você é minha soulmate. Eu preciso de você! — sorriu, olhando-me de forma carinhosa e envergonhada. — Em toda minha vida, nunca me senti tão feliz e completo como me sinto com você, nem meus pais conseguiram isso. — ele olhou para o prato e pegou um pedaço de panqueca para mordiscar, com uma concentração de fazer inveja.

— Obrigado. — foi o que eu disse e ele me fitou, sem entender. — Obrigado, de verdade. — repeti.

— Pelo que? — franziu as sobrancelhas.

Tomei suas mãos e entrelacei nossos dedos.

— Por mais que você me irrite, me faça perder as estribeiras com suas infantilidades, com você eu me sinto em paz, Naruto. — soltei o ar, como se um peso saísse de meus ombros. — Eu sempre achei que por ter uma alma completa, perfeita, eu não precisaria de nada… E realmente não preciso, antes que ache que direi o mesmo que você. — sorri de modo sagaz. — A verdade é que eu me acostumei a essa calmaria que você provoca no meu espírito, essa mansidão preenchida pela luz que há em seus olhos. Eu posso viver num mundo sem cores, Naruto, mas acho que… — franzi o cenho e olhei para as nossas mãos. — Acho não. Eu tenho certeza que não quero voltar a viver no caos que era antes de descobrir que você é minha soulmate.

Apoiei minha mão em sua nuca e o trouxe para perto de mim, beijando-o com carinho. Afaguei seus cabelos macios enquanto meus lábios tocavam os seus e meus olhos abertos acompanhavam sua expressão doce de satisfação. Nos fitamos e eu senti meu rosto esquentar. Eu devo estar corando. Suspirei, ainda sorrindo, peguei os pratos sujos, a minha caneca e fui para a pia. Arregacei as mangas da blusa e comecei a lavá-los.

— A minha completude não está mais em mim, Naruto, agora está em você. — sorri, sem ele ver.

Talvez essa seja a forma mais fácil de eu dizer “Eu te amo” para ele. Não é que eu seja incapaz de dizer essas três palavras para alguém, é só que eu tenho que ter muita certeza para abrir minha boca e dizer algo que eu reservei somente para os mais especiais que ocupam o meu coração. Aos poucos Naruto tem tomado seu lugar, se um dia ele “fincar a barraca” de vez, eu direi sem medo e nem vergonha o que ele merecer ouvir.

Senti meu rosto esquentar ainda mais e uma crise de riso idiota se apossou do meu peito. É, Sasuke, meu velho, você passou do fim da linha faz tempo. Agora é sem volta. Senti Kurama se esfregar em minhas pernas e eu acabei deixando escapar o meu riso “sem motivo”.

— O que foi isso? — Naruto perguntou, rindo também. — É uma daquelas coisas que eu deveria entender, mas não faço a menor ideia do que seja?

— Não, seu bobo. — fitei-o por cima do meu ombro. — Não reconhece quando um homem está deveras feliz? — tornei a rir com Kurama quase se enroscando nos meus pés. Esse gato deve estar profundamente me amando, só pode. Peguei um pano e comecei a secar as louças.

— Hum… Disso eu gosto. — ele me abraçou por trás e esfregou o rosto em minhas costas. — Você vai dormir aqui ou Maiko está sozinha em casa? — apoiou o rosto em meu ombro e cheirou meu pescoço. Fitei-o quando terminei e desatinei a rir de novo.

Apoiei-me na pia para não perder as forças. Deixa eu explicar porque eu estou rindo. Um: tem um gato enroscado nas minhas pernas, ronronando e arranhando-as, pedindo carinho. Dois: tem um cara enroscado na minha cintura, esfregando a cara nas minhas costas e “farejando” o meu pescoço. Ou seja, eu estou amarrado e encurralado! É ou não é engraçado?

— Acho que mãe passou mel no meu pescoço. — comentei baixo, enquanto pensava num jeito de desatar esses seres de mim.

— A culpa não é minha se você tem um cheiro gostoso! — defendeu-se Naruto, manhoso.

Tentei controlar meu riso, mas está difícil. Um ser manhoso de cada vez. Vamos pelo mais fácil.

— Kurama, sofá. — eu disse, fitando o gato e ele disparou para o móvel. Peguei as mãos de Naruto, agora é o mais difícil, afastei-as e me soltei. Dei uma de ninja, antes que ele me agarrasse de novo, e fui para o sofá. Pelo menos aqui eu estou mais confortável. — Maiko está na casa de Itachi, eu pedi a ele que ficasse com ela por esta noite e Shisui, com todo seu poder e glória de Uchiha superior, disse: — ergui um dedo e Kurama pulou no meu colo, como se eu tivesse chamado ele. — “Claro, Sasuke, vá descansar! Levaremos Maiko para o cinema, não é, Itachi?” Aí, meu irmão colocou o rabo entre as pernas e só concordou. — eu ri da minha fala.

— Deuses! Itachi não pode ser seu irmão, Sasuke! — ele olhou para o gato com os olhos cerrados e o afastou um pouco, para conseguir se enfiar entre mim e o animal, agarrando meu pescoço com os braços. — Shisui realmente manda e desmanda naquela casa, não é? — riu.

Apenas assenti e, de novo, eu comecei a rir. Por quê? Porque Naruto está disputando o meu colo com o gato dele. Mais infantil do que isso, só ele disputando colo com Maiko, só. Eu apoiei meu braço no recosto, encostei minha cara na mão e fiquei assistindo Kurama sibilar para Naruto, enquanto buscava colocar-se em meus ombros, mas sem sucesso, porque Naruto abraçara o meu pescoço. E dizem que eu sou possessivo, que eu sou dominador, que eu sou ciumento, que eu sou doido, que eu sou tarado. Eu podia filmar isso para a posteridade.

— Sai, Kurama! — Naruto tentou espantar o gato com a mão, também sem sucesso. — O namorado é meu! — rosnou para o animal e Kurama correu para o quarto.

Cinco segundos depois, antes mesmo de Naruto se acomodar melhor em meu colo, o gato voltava sibilando furiosamente e olhando para o dono com ódio. Eu olhei para Naruto e vejo que ele está de igual furioso. Eita ferro, esses dois vão já se engalfinhar aqui. E eu vou ficar só olhando, num lugar seguro.

— Sabe aquela sardinha que você adora, Kurama? Tem ali. — Naruto apontou para a cozinha, com um sorriso convencido de vitória. — Mas acho que você não merece e o gato do vizinho de baixo é tão bonzinho… — Kurama oscilou por um momento, confuso, mas se decidiu por inflar mais sua postura. — Eu não estou brincando! — devolveu Naruto, mais irritado que antes. — Se você vim para cima de mim de novo, vou mandar arrancar suas unhas dessa vez! — falou firme e o gato se encolheu na hora. Acuado, correu para o quarto do dono.

— Pobre bichano… — comentei e fitei Naruto, que, finalmente, conseguiu sentar-se como queria em meu colo e colocar o rosto na curva do meu pescoço. Ele deve ter fetiche pelo meu pescoço, só pode, tipo aquelas taras sexuais. — Mas eu não duvido que ele vá tentar de novo mais tarde. — comentei de novo, mas num tom mais baixo.

— Pobre de mim! — falou, indignado. — Seu “filho” pode ser tão demoníaco quanto você! — bufou.

Sorri de lado, passei um braço por entre suas pernas, minha mão indo até a sua bunda, apertei o tecido, o outro braço foi lentamente afagando seu abdômen até o seu peito, apertei o tecido de sua camisa e lambi meus lábios. Naruto deu um gemidinho de satisfação e se empinou sobre minhas pernas, sorrindo descaradamente. Estalei minha língua em reprovação, apesar de sorrir.

Num movimento rápido, repentino e súbito, virei Naruto sobre o sofá, impulsionando minha mão em sua bunda para cima e empurrando a do seu peito para baixo. Ele ficou abaixo do meu corpo, com a cara atarantada, tentando entender o que se passara. Sentei em sua barriga, apoiando meus calcanhares na borda do sofá e cruzando minhas mãos sobre os joelhos. Arqueei uma sobrancelha e esperei sua explosão de indignação.

— Ei! Isso não é justo! — pendurou um bico nos lábios.

Revirei meus olhos, levantando-me. Olhei pela janela a chuva afinando. Cocei meus cabelos e suspirei, pensando em Maiko. Ela não gosta de chuva, puxou isso de Itachi. Minha mente divagou por alguns instantes, eu me recordando de quando Maiko era só uma menininha de três anos e gritava desesperadamente sempre que um trovão ecoava pelo mundo. Será que ela está bem? Meneei a cabeça negativamente: é claro que está, afinal é o meu irmão e o meu primo.

Virei-me para Naruto e num piscar de olhos eu estava no chão. Ele saltara contra a minha cintura, aproveitando o meu descuido, e me derrubara ao chão, sobre o tapete da sala. Senti minhas costas estralarem com a queda, minha perna, sem querer, claro, ficou por cima da mesa de centro e derrubou alguma coisa de vidro que eu não sei o que é, pois o fato de ter Naruto em meu colo me impediu de ver qualquer coisa. Ele sorria de modo triunfante. Suas mãos prenderam os meus pulsos na posição em que eu caíra e seu corpo fazia peso contra o meu.

— Te peguei! — brincou, sorrindo bobamente.

Olhei para seus braços e depois fitei-o.

— Certo. — disse, relaxando as minhas pernas e as minhas mãos. — E agora? O que acontece?

— Você arranca minhas roupas e eu tento te convencer a me deixar arrancar as suas… — me encarou com um olhar divertido e mordeu o lábio inferior. — Ou não. Você que sabe.

Eu não tenho pudor e ele já está em meu colo mesmo, então: foda-se.

— Você já quer transar? — perguntei na maior naturalidade, olhando-o sem expressar nada, com aquela mesma cara que você pergunta as horas para a sua mãe.

— Desde a hora que você apareceu todo molhado na minha porta. — confessou, mordendo o polegar distraidamente.

Cruzei meus braços atrás da minha cabeça e depois cruzei as pernas de modo tranquilo.

— Bem que você estava se contendo, não é? — estreitei meu olhar. — Mas o gato começou a se esfregar e isso atiçou o fogo no teu rabo. É um gato demoníaco mesmo. — e pensei, “tal pai, tal filho”, desatinando a rir silenciosamente.

— Bem, eu queria conversar, então tentei não me distrair com tudo isso. — fez um gesto apontando para meu corpo e riu.

Olhei para o meu corpo coberto pelo pulôver e depois encarei Naruto.

— Nem eu fico tão na seca assim. — falei, segurando o riso.

— Claro que não! Você seduz, nunca o contrário. — revirou os olhos.

Meneei minha cabeça negativamente.

— Será que eu vou ter que tatuar na sua testa o óbvio, Naruto? — fui me sentando e ele foi ficando de joelhos, minhas mãos foram para suas coxas e subindo para sua bunda, que parecia mais empinada que o de costume por causa da bermuda. — Ou você gosta de se fazer de idiota só para que eu repita? — fui subindo-as, apertando seu corpo, sentindo-o com vontade até que minhas mãos chegaram a sua nuca, curvando-o para perto de mim.

— É difícil acreditar quando eu pareço um boneco em suas mãos, tremendo que nem vara verde e você continua aí, poderoso, imperioso. — deu de ombros, sorrindo, culposo.

Suspirei e tirei minhas mãos de seu corpo, apoiando-as em meus joelhos.

— Vai em frente, então, Naruto. — beijei rapidamente seus lábios. — Me seduza e me faça querer transar com você hoje. — arqueei uma sobrancelha e esperei com alguma expectativa.

Ele ficou pensativo por alguns segundos e depois me fitou com um pequeno sorriso nos lábios.

— Acho que posso tentar. O máximo que pode acontecer é eu provar que não estou tão errado assim, não é mesmo? Hum… — me analisou por um momento. — Mas algo que eu precise saber, além da roupa permanecer em você? — fez uma careta de desgosto.

Sorri de lado, apoiando o peso do meu corpo nos braços colocados para trás.

— Continuo sem entender sua lógica, mas você só saberá se me convencer. — pisquei um olho.

Naruto se aconchegou melhor em meu colo e passou as mãos lentamente pelo meu pescoço, entrelaçando seus dedos em meus cabelos. Sorriu, aproximando o rosto do meu, sua respiração esquentou meus lábios antes dele passar a língua sobre eles e me beijar. Vamos ver se eu vou acabar “quebrando as pernas” dele mais uma vez. Sua língua curiosa fez um tour pela minha boca enquanto seus dedos massageavam minha nuca e puxava meus cabelos de leve. Ele fechou as pernas em volta da minha cintura e continuou a me beijar por um longo tempo, ao mesmo tempo que suas mãos desceram para minhas costas e massagearam o local que eu senti o impacto da queda.

Nos fitamos e eu arfei, satisfeito com seus toques em minhas costas. Ele é sempre muito carinhoso e sincero, esse comportamento é o que me faz não mandar tudo pelos ares e desistir de vez desse relacionamento. Só Maiko age dessa forma comigo e, para quem não sabe, e pode acreditar, isso me cativa. Esse jeito de Naruto foi uma das coisas pelas quais eu me apaixonei, essa que é verdade.

— Melhorou? — perguntou, ainda apertando minhas costas atingidas.

Só acenei de leve, de forma positiva e ele sorriu. Naruto voltou a me beijar, mas dessa vez de forma mais faminta e seus quadris se moviam de vez em quando sobre meu colo. Suas mãos escorregaram de minhas costas para meu abdômen, onde ele enfiou as mãos por baixo da roupa e arranhou de leve a minha pele, não pude evitar o arrepio que seus dedos provocaram em mim, levando a boca até meu ouvido e soltando um gemido baixinho.

Estreitei meu olhar, observando seu rosto quase deitado sobre meu ombro. Deslizei meus dedos por sua coluna, partindo de sua nuca, até eu espalmar em minha mão a sua nádega. Apertei-a por cima do tecido, vendo ele empinar ainda mais.

— O que foi isso? — perguntei, usando um tom baixo, acariciando onde antes eu apertara.

— Isso o que? — franziu as sobrancelhas.

De todas as reações que eu poderia ter, deixar de lado a desatenção dele foi a que eu escolhi. Tornei a apertar com mais força sua bunda e ele gemeu outra vez, arranhando as minhas costas por dentro da minha roupa.

— Isso… — sussurrei em seu ouvido.

— Isso é você fazendo o que sempre faz, coisa que eu que deveria estar fazendo… — falou, manhoso.

— Ok. — tirei as mãos de seu corpo, voltando a minha posição original. — A la vontè, signore.

Ele respirou fundo, tentando se recompor, e subiu uma de suas mãos até meu pescoço, o apoiando de um lado enquanto beijava o outro. Cheirou a pele e deu uma lambida, para assoprar em seguida. Respirei fundo e soltei o ar devagar, sem abrir a boca, observando seu corpo mexendo-se sobre o meu.

— Eu gosto do seu tom de pele… — outro beijo. — Pede para ser marcada… — me encarou, meio ansioso, mas desejoso. — Posso? — perguntou humildemente.

Puxei a gola da camisa mais para baixo e pisquei um olho para ele, exibindo minha clavícula direita para o seu deleite. Mesmo sem ver, eu sei que a marca da mordida apareceu bem as suas vistas e, como era de se esperar, seus dedos tatearam gentilmente a superfície. Mantive-me em silêncio, para evitar que as posições fossem trocadas como quase ocorreu.

Ele suspirou, satisfeito e beijou a pele, deu umas mordiscadas enquanto apertava os dedos em minha cintura e chupou a pele debaixo de seus lábios com força, seus quadris se moviam com mais frequência e a mão que antes estava no meu pescoço voltaram aos meus cabelos, que foram puxados com mais firmeza que antes. Revirei meus olhos de prazer ao sentir a dor de ser praticamente mordido de novo naquela região. Após longos segundos, ele soltou os lábios e lambeu a pele de forma faminta.

Naruto estava ofegante e me encarando com seriedade. Peguei meu celular e usei o reflexo para dar uma olhada na obra de arte. Fora exatamente em cima da mordida, a marca chegava a ser roxa de tanta sucção que fora aplicada, a cicatriz ficara vermelha e o resto da pele mais pálida, pela falta de sangue. Fitei lentamente meu namorado, arqueando uma sobrancelha.

— Eu achei bonita. — Naruto resmungou baixinho, sorrindo de forma tímida.

Empurrei-o de lado e me levantei do chão. Ele ficou com uma cara de confusão. Fui lentamente desamarrando o meu melhor sorriso sacana e agarrei os braços dele, puxando-o para cima dos meus ombros. Girei nos calcanhares e fui na direção do seu quarto.

— Me convenceu. — eu disse simplesmente.

— Sério? — perguntou, espantado.

Abri a porta e ouvi um miado baixo.

— Sai. — mandei e o gato disparou quarto afora. Fechei a porta e coloquei Naruto no chão. — Eu já menti alguma vez para você? — fui retirando meu pulôver.

— Você sabe que eu falo demais. Só… Ignora! — deu uma risadinha sem graça.

Cruzei meus braços e fitei-o, arqueando uma sobrancelha e sorrindo de lado. Ele sempre se esquece de suas obrigações. Desloquei o peso de uma perna para a outra, peguei minha camisa do chão e fiquei passando minha língua nos dentes.

— Naruto. — eu disse, numa tentativa de lembrá-lo.

— Ah! Desculpa… — esfregou a nuca, meio sem graça.

Revirei meus olhos, assistindo-o despir-se. Uma vez nu, eu lhe entreguei meu pulôver. Ele ficou sem entender, enquanto se ajoelhava.

— Hoje você vai usar o meu pulôver e nada mais enquanto transamos. — fui dizendo enquanto retirava o cinto da minha calça e ele vestia a peça. — Eu quero que fique impregnado do seu cheiro até a nossa próxima transa. — pisquei um olho. — Vai me ajudar quando eu estiver longe de você. — ele ofegou audivelmente e seus lábios tremeram.

Peguei-o em meus braços e fui caminhando para a cama.

— Qual vai ser o pedido dessa noite, Naruto, que não seja o de sempre. — ajoelhei-me sobre a cama, eu dei dois passos sobre o colchão e o deitei, com as pernas ao redor da minha cintura.

— Ainda tem chocolate? — ele perguntou, com um olhar divertido, enquanto mordia o lábio.

Saí da cama e voltei para a cozinha. Ainda ouvi os resmungos de felicidade dele antes de sair do quarto. Observei a panela onde eu prepara o chocolate quente. Cocei meus cabelos, decidindo qual seria a forma mais apropriada de usar a guloseima. Mil e uma formas, que difícil decisão, mas, as vezes, a forma mais simples é a mais apropriada. Olhei os utensílios de cozinha de Naruto, atrás de algo que pudesse me ajudar. Nada.

— Só tem um jeito. — por sorte, era bem pouco chocolate, enquanto o estrago não seria tanto assim, de modo que voltei para o quarto literalmente lambendo os dedos. Entrei e coloquei-me de frente a cama, esperando a reação de Naruto. — Eu me sujei, little bitch. — baixei sensualmente meu olhar para o meu peitoral “sujo acidentalmente” de chocolate. Como ainda estava quente quando apliquei, um pouco escorreu por minha barriga até o meu umbigo.

Encaixei meus indicadores no cós da calça, mostrando um pouco da minha cueca sem querer para Naruto. Arqueei uma sobrancelha e sorri de modo sacana, sentindo meus olhos arderem. Seu rosto estava de um tom de vermelho imoral, seu corpo tremia de pura ansiedade e êxtase. Parece que a voz dele desapareceu junto com o fôlego.

— Vem me limpar. — chamei-o com um aceno de cabeça.

Ele assentiu freneticamente e veio engatinhando, lambendo os lábios numa ânsia palpável. Eu estiquei minha mão para frente, para recebê-lo e não desviei meus olhos dos seus. Naruto se ajoelhou na ponta da cama, sentando sobre os calcanhares e segurou minha cintura enquanto lambia o chocolate da minha pele. Toquei seus braços, empurrando as mangas para trás, para não sujar a roupa. Sua língua começou a investir pelo meu umbigo e ia demoradamente subindo, pois Naruto fazia questão de não deixar nenhuma “sujeira” para trás.

Ele sorria a todo tempo, parecendo criança no parque de diversões. Afaguei seus cabelos, sem me importar com os meus suspiros excitados que escapavam de minha boca sempre que Naruto raspava os dentes para retirar o chocolate resfriado da minha pele. Não tenho vergonha nenhuma em admitir que estou adorando.

Aos poucos, ele estava se aproximando do meu peito, gemendo de satisfação, arranhando as minhas costas ou apertando a minha pele com uma possessão inexplicável. Sua boca estava incorporando uma frenesi e uma loucura que eu não sabia o motivo. Puxei seus cabelos para trás, afastando sua boca de mim e interrompendo-o. Encarei-o.

Naruto ofegava, as mãos afastadas do meu corpo, como se estivesse em modo de defesa.

— Quer ficar de castigo? Só chupando dedo? — perguntei seriamente.

— Desculpe, Sr. Uchiha. — falou, com um olhar desconfiado.

— Eu não vou embora daqui tão cedo e eu te mandei me limpar, então não tenha pressa. — soltei seu rosto e ele se abraçou a mim, beijando a parte já livre do chocolate e indo para a região que ainda faltava. — Aproveite, desfrute, little bitch.

Por fim ele estava de joelhos no colchão, tentando lamber o chocolate do meu peito sem sujar o pulôver e sem parecer tão esfomeado de novo. Tateei suas coxas levemente até chegar a sua virilha, coberta pela barra da camisa, e iniciei uma sensual massagem em seus testículos. Senti suas mãos apertarem os meus ombros, enquanto sua cara afundada em meu peito, na parte limpa, se contorcendo. Notei um leve abalo em seu corpo.

— Por que parou? — subi para seu pênis negligenciado, que já estava encharcado. Subi e desci cuidadosamente a minha mão, apenas para ouvi-lo gemer.

— Está me distraindo, Sr Uchiha. — arfou.

Sorri e ergui seu rosto com a outra mão.

— Eu estou te distraindo? — perguntei cinicamente. Aumentei um pouco a velocidade da felação e senti suas unhas arranharem meus ombros. — Você deve se concentrar, independente do que acontecer. — parei de mover minha mão, apertando a base de seu pênis com dois dedos. — Não vai continuar, little bitch?

— Vou, Sr. Uchiha.

Ele foi se curvando para recomeçar.

— Termine. — ordenei e peguei uma de suas mãos, guiando-a até a minha virilha. Naruto arregalou os olhos ao me sentir endurecido. — Eu preciso estar dentro de você logo. — falei firme. Soltei sua mão e vi seu corpo estremecer completamente. Seu pau ficou mais quente e pulsante. Só pude sorrir e assistir ao seu desespero de lamber o meu peito.

Ao fim de poucos instantes, meu corpo estava devidamente limpo, mas totalmente babado. Eu sorri em aprovação e Naruto foi se arrastando para trás, me dando espaço em sua frente, enquanto eu chupava dois dedos. Assim que ele se recostou sobre os travesseiros, ansiosíssimo, eu empurrei os dedos em seu interior.

— O que que é isso, little bitch? — meus dedos escorregavam fácil para o seu interior. Ele já estava completamente pronto, por assim dizer. — Você me quer muito, é? — beijei seu pescoço, enquanto minha outra mão beliscava um de seus mamilos por dentro do pulôver.

— Desesperadamente, Sr. Uchiha. — choramingou.

Retirei meus dedos e provei de seu sabor. Abri minha calça e baixei um pouco a minha cueca, assistindo a Naruto quase arrancar fora um pedaço de seu polegar com os dentes, libertando o que ele tanto queria. Puxei sua cintura para mim e já entrei todo de uma vez, fazendo Naruto gritar e quase rasgar os lençóis no ato.

Apertei meu olhar e soltei um quase rugido, sentindo seus músculos me estrangularem. Muito quente, muito macio, muito necessitado. Fitei-o e agarrei meu pulôver, fazendo-o se sentar. Virei-o de quatro sobre a cama, saindo de dentro dele, estapeei duas vezes cada lado de sua bunda e entrei de novo. Rosnei enquanto ele gritava agudamente. Fiquei parado, sentindo aquele aperto delicioso ao meu redor e então comecei a me mover devagar, indo fundo e bem contra o seu ponto sensível. Minhas mãos seguravam sua cintura perto de mim e mantinha-na na altura certa para eu poder meter.

Estiquei meu braço e agarrei seus cabelos, puxando-o para trás. Naruto gemia alto a cada estocada, completamente enlouquecido. Empurrei sua cabeça contra o colchão, permitindo-me ver seu rosto corado e banhando por lágrimas contínuas de puro prazer e continuei metendo, acertando sua próstata. Apesar de seu comportamento estranho, ele está absurdamente delicioso essa noite.

— Por que é que você está tão desesperado hoje? — perguntei, abraçando seu torso, fazendo-o sentar-se montado em minhas coxas. Apossei-me de seu pescoço. Minha vez de marcá-lo. Chupei avidamente a pele suada de sua nuca e fui contornando, distribuindo chupões em seu pescoço. Naruto quicava cada vez mais forte em meu membro.

— O que você disse mais cedo me deixou ansioso. — suspirou. — Não sei lidar muito bem com esse seu lado romântico… — gemeu alto e respirou fundo. — É sempre tão chocante, sabe?

Resolvi deixar de lado o seu deslize quanto a forma de falar comigo, haja vista as circunstâncias. Coloquei-o de quatro e acelerei. Eu não sei porque é que estou tão faminto. Deve ser por causa de Naruto, só pode.

— Não esperava isso de mim, não é, Naruto? — deixei uma mão em sua nuca, mantendo-o de cabeça baixa para mim e a outra batia em sua nádega, de vez em quando.

— Tento não esperar… É só que… — estremeceu e se engasgou em meio a um gemido. — É difícil de acreditar.

Parei de me mover. Soltei sua nuca e puxei-o para meu colo de novo, abraçando-o. Virei seu rosto choroso para mim e beijei-o com vontade, roubando-lhe o fôlego. Nos fitamos. Sorri. Comecei a masturbá-lo, enquanto tornava a estocar, bem lento e profundo.

— Eu já menti alguma vez para você, Naruto? — beijei-o de novo, sentindo seu coração bater mais rápido quando minha mão livre afagou seu peito por dentro da camisa. Naruto negou enquanto gemia chorosamente no meu ouvido. — Não tenho porque mentir para você. Eu estou apaixonado de verdade por você. Seu sorriso e seus olhos não saem da minha mente. — fitamo-nos. — Você faz parte de mim, Naruto.

Seu interior estava mais quente, mais contraído, reagindo mais as minhas palavras do que ao meu corpo. Beijei seu pescoço e afaguei sua cintura, diminuindo a tensão em seu corpo. Movi-nos mais para frente, permitindo que Naruto apoiasse as mãos na cabeceira da cama.

— Eu amo você, Sasuke. — falou, gemendo. — Amo tanto… — ele me fitou, com os lábios entreabertos, clamando por um beijo enquanto lágrimas desciam em abundância por seu rosto.

Segurei sua nuca e o trouxe. Provavelmente eu dei o melhor beijo da minha vida enquanto sentia meu namorado desfazer-se em minha mão e eu preencher-lhe o interior. Nos fitamos e nos beijamos mais, rolando pela cama, um buscando ao outro. Naruto chorava com os lábios presos aos meus, abraçando-me com força.

— Shiii… — sussurrei, afundando-o na curva do meu pescoço. — Eu estou aqui por você, não precisa chorar… — engoli em seco. Foi uma noite de sinceridades, não é? — Eu também te amo. — sussurrei, para que ficasse gravado em sua mente, mesmo que Naruto ressonasse baixo, vencido pelo sono que as lágrimas trouxeram.

Fitei-o aconchegado em meu corpo.

— Eu te amo. — repeti, acariciando seu rosto. — De verdade… Eu te amo muito… — beijei sua testa e recostei meu rosto no travesseiro, sentindo meu corpo pesar. — Amanhã… — eu fitava seu rosto serenar aos poucos. — Ainda estarei contigo.

Notas finais
DiAngelo: #LendoDoChão E essa declaração q ainda num deu para cair a ficha? Gente, cs num tão entendendo, o capeta agora tá amando! AMANDO o Naruto! E essa zuera com Kurama? E esse limão maravilhoso? :3 O q mais falta para eles finalmente terem o seu happy ending? *joga essa no ar e sai* Já sabem, né? Comentem, favoritem, recomendem, curtam a page e divulguem a fic! Até o fds, seus lindos e continuem torcendo pela nossa abiguinha Nonna! :*