Cores do Meu Coração

35 Teme 13.1 - Titãs? Não, apenas homens - Parte 1


Notas iniciais
DiAngelo: Alô alô, pessoinhas! Como foi a semana? Sobreviveram as descobertas do último cap? To começando a achar q ñ, pq uma tuia de gente veio nos perguntar qual era a treta entre Sasuke e Naruto quando a gente conta, o povo num aparece nem pra mandar um emoticon -> :O Como assim? Sério, to preocupada, ñ tá nos meus planos matar meus leitores! Será mesmo? muahahahahahaha Tenho uma notícia pra vcs: hoje é cap duplo, mia gente! o/ Enfim, no cap de hoje o capeta tá com o cão nos coro, ou seje, escondam-se! Vai ter zuera, indireta, treta, o diabo a quatro. Então preparem o ♥ e vamo simbora, pq eu quero mesmo ver é o circo pegando fogo! *aquela carinha* Nonna: SOOOOOOOLLLLTAAAA NEGADA!!! Adivinha quem tá de volta com o pc que voltou da guerra? Eu mesmo! Muahahahahahaha! E o cap passado, hein? As revelações e as facadas nos corações alheios, como foi que vocês lidaram? Eu estou lidando na base da pressão :') Mas tudo bem, vamo q vamo. O cap de hj tá carregado, mais carregado que gente com encosto. Preparem seus escudos e suas barricadas, porque o capítulo já começa na treta medonha! *se escondendo num abrigo anti-bombas* Capeta hoje tá pronto pra invocar suas legiões. Saí de baixo que o papo é sinistro!

Eu estava crente de que iria viajar com a minha filha para alguma ilha paradisíaca que me aparecesse aleatoriamente no mapa do mundo, mas parece que ninguém quer me ver relaxando ou me divertindo, ou passando um tempo com a pouca família que eu tenho. Num segundo eu estava terminando de preparar as minhas malas e as de Maiko, vestido como um verdadeiro turista, observando a minha pequena balançando as pernas em minha cadeira de descanso e abraçada ao Puppy. No outro eu descubro que algum nojento quer implodir o prédio onde está o meu apartamento do centro para construir algum projeto idiota, detalhe: metade daquele prédio me pertence, por ser propriedade da Rebú, como setor residencial de alguns funcionários importantes, como Hinata e Shikamaru, além de Kakashi.

Devem está imaginando que eu estou dando o nó na minha gravata como se estivesse fazendo o nó de uma corda para enforcar alguém. A outra metade do prédio pertence aos acionistas de várias empresas diferentes, que fazem de cada apartamento o que bem entendem. Não me importo com isso, o que me irrita é o fato do meu conselho pensar que pode tomar decisões sobre detalhes que vão além da alçada deles.

Minha sorte é que eu passei o fim de semana “ocupado” com algumas “moças” e alguns “rapazes” e pude descarregar boa parte da minha tensão. Então eu não estou tão estressado quanto eu pensei que estaria ao ter conhecimento dessa notícia “adorável”.

— Não vamos mais viajar, papai? — Maiko me perguntou, desfazendo-se de seu vestido que um dia fora rosa e agora era um tom especial de cinza claro.

— Não, meu amor, porque alguém mexeu nas coisas do seu pai.

— Que pena… — ela suspirou triste e deu de ombros — Tudo bem.

Terminei de me vestir, fui até Maiko, peguei-a nos braços e recostei minha testa na sua.

— Eu deixo você escolher o próximo destino, certo? — ela assentiu e eu vi seus olhos brilharem de lágrimas querendo cair. Abracei-a com carinho. Mais um momento roubado por causa do trabalho. Agora conseguem entender por que quase sempre estou furioso? — Não fique assim, meu amor, por favor, eu prometo que vou recompensá-la.

Coloquei-a no chão e pedi para sua babá arrumá-la para ir a escola. Dei uma rápida ligação para o diretor da escola de Maiko, informando que não seria mais necessário as aulas extras para recuperar o tempo perdido. Suspirei. Eu só queria que uma certa pessoa morresse para que eu pudesse me livrar do maldito conselho da Rebú.

Agora vem o fato que explica, justifica, esclarece o meu humor terrivelmente perigoso hoje, bem como o fato de eu estar armado. Eu passei pela porta do quarto de Maiko, estava apenas entreaberta, ela e a babá conversavam aos sussurros. Parei um instante para ouvir.

— Seu pai te ama, sabe disso, então tem que entender, certo? — a senhora dizia enquanto a ajudava a vestir o uniforme da escola.

Maiko assentiu e acabou por chorar contidamente.

Isso partiu o meu coração. Ver o amor da minha vida daquele jeito era aterrador demais, era horrível e me deixava com um peso nos ombros que sabia que não podia retirar. De todas as pessoas no mundo, a única que eu me recuso a ferir é Maiko.

— Vai ficar tudo bem, querida, só tenha paciência. Seu pai sempre arruma um tempinho para você, certo? Ele sempre dá um jeito de ficar com você… Oh, por favor, não chore, querida.

Maiko levou as mãos ao rosto e chorou copiosamente, apesar de não fazer sons altos.

— Eu só queria o meu papai… Eu prometi que se meu papai ficasse mais comigo, eu seria uma boa menina o ano todo… Sempre tiraria boas notas, eu… eu… — ela se curvou, abaixando-se, e escondendo o rosto entre as mãos e os joelhos — Eu só queria ficar com o meu papai….

Conseguem entender por que eu estou com muita vontade de matar alguém? Consegue entender porque troquei meu terno de linho cinza por um mortal preto fosco com um sobretudo pesado, só para esconder melhor a minha arma? Eu já devo ter gritado mil vezes dentro do meu carro enquanto dirigia para o centro.

O velho Hiruzen me ligara avisando dessa catástrofe e pedira ajuda com isso, visto que eu participo como um dos conselheiros do setor financeiro da Konoha’s Enterprise, a empresa pública que praticamente cuida de tudo aqui em Konoha, de cada esfera e setor da sociedade.

Cheguei soltando fogo pelos olhos, se é que isso é possível. Bem, é possível. Eu sou o diabo, posso soltar fogo pelos olhos sempre que estou furioso.

— Sasuke, por todos os deuses, que bom que veio, me perdoe por…

Era Konohamaru, com sua cara de perdão envolvida num cachecol que eu descobri ser azul, mas que agora é cinza, correndo atrás de mim.

— Cale a boca. — falei indo direto para a sala de reuniões, passando por tanta gente que eu tenho certeza que derrubei uns dez. — Cale a maldita boca ou vou arrancar sua língua.

— Desculpe, Sr. Uchiha, isso aqui está um inferno e…

— Quando é que essa porcaria de cidade não está um inferno? Se chamam o diabo, é porque está um inferno! — falei, fitando-o de relance e no ato, sem querer é claro, eu acabei esbarrando em cheio em alguém.

Girei meu corpo com as mãos abertas em garras de águia pronto para saber quem fora o demente que fizera a gentileza de derrubar o meu cappuccino quase em cima de mim. Somem comigo: furioso por não estar com minha filha, irritado por ter magoado-a, irado por quererem mexer no meu patrimônio, indignado por não ser tratado como o salvador e agora raivoso porque derrubaram o meu café, sendo que eu estou com fome! Dá para esse dia ficar pior?! Eu sinceramente espero que não, ou vou passar duas semanas na cadeia e de polícia, eu já paguei a minha cota desse ano. Se continuar assim, eu vou precisar de umas vinte ordens de restrição!

Por sorte, o café derrubado e fumegante só sujara a mão que eu sustentava o copo. Eu nem senti minha mão arder com o líquido quente, minha ira era tão intensa que eu sentia meu corpo tremer, mas eu impunha meu autocontrole, eu não posso surtar de raiva. Não aqui e nem agora.

Havia um projeto de gente no chão, assustado e ofegante, os óculos escuros estilo Jonh Lennon quase saindo da cara, o suposto terno todo amarrotado e papéis por todo o lado. O enorme salão que servia de entrada para o prédio da Konoha’s Enterprise, um gigante cubo com os lados de vidro e preenchidos por escadas e elevadores, lotado de pessoas, parou para observar o que iria acontecer a seguir. Todos me encaravam e o mínimo ruído de respiração era ouvido.

— Uchiha Sasuke?! — por um segundo ele pareceu deslumbrado e depois retornou ao medo anterior — M-M-Me perdoe… Sr. Uchiha, eu juro que não tive... — ele foi se levantando, tentando se ajustar a situação, enquanto eu o encarava suprimindo meus ímpetos assassinos. — Eu só… Estou tentando… Encontrar o-o-o…

Respirei e soltei o ar furioso, como um touro de rodeio, pronto para dar-lhe uma chifrada, minhas mãos ainda abertas em garras.

— É o meu primeiro dia. — ele falava como um maldito adolescente recém-saído de algum filme universitário de merda — Sabe como é, Sr. Uchiha, o nervosismo faz a gente ficar meio… Enfim, você sabe como é, não é? Até mesmo o grande Uchiha Sasuke pode ter seus momentos de nervosismo e acabar cometendo algumas gafes…

Ele não parava de falar. Eu murmurava para ele se calar, mas a porra do moleque não me ouvia, continuava tagarelando indefinidamente sobre assuntos que eu nem sabia mais o que era por estar com a cabeça em um turbilhão autodestrutivo de pensamentos. Eu não aguentava mais ouvir aquela voz, que algo dentro de mim estalava dizendo que eu já ouvira antes, que eu a conhecia de algum lugar remoto da minha vida. Então eu me recordei: era o tal amigo de Naruto, Aburame Shino, que pediu a minha ajuda para estagiar. Um arrepio sombrio percorreu meu corpo e eu abri meu olhos, eu os sentia arder.

Aquele moleque não parava de falar e eu tremia os dedos como se fossem aranhas, buscando calma onde já não havia mais. Era o mar recuando antes do tsunami vir.

— Então, agora que nos vimos, eu gostaria de te agradecer por…

— Cala a porra da boca!!! — falei alto o suficiente para todos ali suspirarem de medo, abaixando os meus braços. — Se não calar essa merda, eu vou arrancar sua língua fora!!!

— Sr. Uchiha… — murmurou Konohamaru.

Eu me virei para ele e sorri doentiamente.

— Silêncio. — eu disse baixo e o rapaz assentiu.

Me afastei de Shino, pisando firme e em tudo o que estivesse pelo meu caminho. Eu preciso me acalmar urgentemente ou vai dar merda! E não vai ser pouca.

Ouvi uma risada debochada, quebrando todo aquele silêncio sepulcral que se instaurara com a minha presença. Abri meus punhos em forma de garra de novo e me virei devagar. Era o tal, rindo como um idiota retardado pedindo para morrer.

— Então é isso o que faz: grita com as pessoas e depois foge? — aproximei-me dele. Se ele puder ver cores, vai perceber que meus olhos ardem em chamas. — Isso é ser poderoso e intimidador? Isso é… Muito patético, sabe? Não consigo imaginar como Naruto se apaixonou por um cara patético como você.

Ouvi um zumbi passando por meu ouvido e quando eu pisquei de novo, havia dois seguranças diante de mim, agarrados ao meu corpo, e Juugo pendurado em meu braço, segurando meu punho. Franzi o cenho e fitei a minha frente: Shino estava todo encolhido, assustado, a face vermelha de uma marca de cinco dedos. Eu batera nele. Merda! Caralho! Cacete! Eu bati na porra do novo amigo de Naruto. Que inferno! Arfei e os três homens foram me soltando.

— Calma, Sr. Uchiha. — Juugo falou — Não vale a pena… Infelizmente, senhor, essa pobre criança não tem culpa de sua irritação… Por favor, não se exceda mais.

Assenti e esfreguei meu rosto, suspirando pesadamente.

— Perdão. — falei esticando uma mão para Shino e o ajudando a ficar de pé — Eu não tive a intenção de atacá-lo, só estou tendo um dia infernal. — disse ao vê-lo de pé.

Shino me encarou, suspirou e então socou a minha barriga. Me curvei, não de dor, mas de surpresa. É o quê?! O MOLEQUE ME BATEU?!

— Isso é por ter feito Naruto sofrer. — disse-me e começou a catar seus papéis.

Pisquei algumas vezes, arrumei minhas roupas e fitei Shino.

— Aproveite bem o seu estágio, Sr. Aburame. — falei gravemente. — Que você só conseguiu graças ao fato de Naruto ter te conhecido. — olhei-o de cima abaixo, dando-lhe meu mais profundo olhar de desprezo — Gostaria de saber como estão chamando os amigos oportunistas e interesseiros atualmente. Safados? Mentirosos? Filhos da puta? — ajeitei meu paletó. — Aburame Shino?

Ele me encarou e arregalou os olhos. Era só o que me faltava. Realmente esse dia está… Vou nem comentar mais nada.

Sai da recepção sentindo aquele peso maldito de novo. Pensar naquele moleque me fez temer que Maiko crescesse e ficasse assim, rebelde e sem princípios éticos/morais. Eu nunca fui assim e nem me lembro de Itachi ter sido assim, um maluco sem noção. Entrei no elevador e suspirei, extremamente cansado e com a cabeça pulsando de dor. Era como se uma pessoa estivesse sentada nos meus ombros, de tão pesados que eu os sentia.

Logo eu estava no andar e entrei na sala indicada pelos seguranças do velho.

A reunião fora rápida e conturbada, por causa do bate boca infernal que rolou por causa dos gêmeos e os problemas que Nagato e sua empresa Akatsuki poderiam causar para Konoha. Hiruzen contara comigo para burlar os votos da maioria do conselho. Como membro majoritário do conselho financeiro de Konoha, eu não permiti que Nagato invadisse Konoha e deixasse-a na falência, como ocorreram em outras cidades. Minha cabeça ficou latejando quando a reunião terminou e eu precisei de umas três aspirinas e dois analgésicos para diminuir a minha dor de cabeça. Precisava tirar meus pensamentos dessa merda.

Minha filha merece todo o meu tempo, ela precisa de todo o meu tempo, ela precisa de mim. Voltei para o meu escritório, para pensar em Maiko, mas minha mente estava um caos.

Eu tinha que me concentrar em um evento muito mais importante que viria em duas semanas. Em duas semanas minha Maiko faria oito anos e eu tinha que me concentrar nela. Comuniquei ao meu irmão minha intenção, mas ele me avisara que não teria tempo. Caso parecido com Shisui, que dissera estar envolvido em projetos demais e por isso só enviaria um presente para Maiko. Mais uma vez, e isso me sorrir durante uma madrugada em que eu me colocara a planejar o aniversário dela, seríamos só eu e ela.

A questão era o que eu poderia fazer para Maiko? Tudo o que minha menina quer é ficar com o pai, mas eu não queria simplesmente passar o dia com ela, eu queria diminuir aquela aflição que se apossara de seu coração puro. Minha cabeça estava tão lotada de coisas que eu não conseguia pensar numa forma de comemorar seu aniversário. Passei uma semana e meia num jogo de tentativa e erro, falhando miseravelmente em tudo o que eu pensara para fazer com ela, nada parecia dar certo.

Eu precisaria de ajuda e eu só conhecia mais uma pessoa que gostava de Maiko o suficiente para entendê-la e me ajudar nessa empreitada. Quem diria que eu cobraria tão rápido o favor?

Numa noite, enquanto eu tomava um café, ainda em meu escritório, observando algumas anotações, eu decidi ligar para Naruto, a única pessoa que talvez quisesse me ajudar.

Ouvi o celular chamar até a ligação cair. Liguei de novo. Só na terceira chamada, ao que parece, Naruto lembrou que tinha celular e me atendeu.

— Boa noite. — folguei minha gravata. — Estou interrompendo algo?

— Meu encontro… — bufou — Quer dizer, quase interrompeu. Acabei de deixá-lo em casa.

— Encontro? — agradeci com um aceno de cabeça a Hinata ter entregue o café. Que bom que Naruto seguiu em frente, isso me deixa feliz. — Mas você não me parece satisfeito. Minha culpa?

— Não. Minha mesmo. Ele já era apaixonado por mim… — suspiro. — Não sei o que estou fazendo.

— Saindo com alguém? — sugeri o óbvio. Tomei um gole de café. — Mas e aí, você está feliz, pelo menos? — vou já descobrir quem é o cara, afinal esse retardado é meu amigo e eu sou uma leoa com quem machuca os meus amigos de verdade.

— Não sei... Mas ele é legal. Bem, estou empolgado. Isso serve?

Sorri de lado. Esse Naruto. Sempre indeciso sobre si mesmo.

— Claro que serve, little bitch. — algo me diz que sua expressão facial demonstra derrota nesse segundo. Espero poder animá-lo. — Quem é o felizardo de ter sua ilustríssima companhia?

— O garoto que você deu na cara! — respondeu, levemente irritado. — A propósito, você pode me explicar o que diabos foi aquilo? Pensei que eu era a única pessoa que conseguia te tirar do sério. — falou, curioso e preocupado ao mesmo tempo. — O que aconteceu?

Esfreguei meus olhos e pisquei algumas vezes. Eu não acredito. Não pode ser.

— Você está saindo com o Aburame? — perguntei cansadamente, já sentindo o peso da bagunça que eu causara.

— Se ele não sair correndo por você ser meu amigo… — suspirou. — Sim, provavelmente ainda estarei.

— Só um segundo, Naruto… — deixei o celular sobre a mesa, me levantei, peguei um travesseiro e abafei um grito que veio tão forte e tão alto que eu sei que Naruto ouviu.

Idiota, idiota, idiota, idiota!!! Mas como eu ia adivinhar que Naruto estaria gostando daquele projeto de gente desaforado? Andei de um lado para o outro, nem percebendo o quando estava andando de forma barulhenta. Deuses, eu bati no cara e agora Naruto deve estar me odiando, para variar, e com razão, porque eu quase descarreguei nele uma ira da qual Shino não tinha culpa. Realmente… Eu ando fazendo muita besteira. Mas por que, Sasuke, por que você está agindo assim? Porque terminou com Naruto, é isso? Mas não faz o mínimo de sentido.

Esfreguei meus olhos e depois meus cabelos, sentindo o couro de minhas luvas esquentarem o meu couro cabeludo. Mas eu estava vivendo um dia infernal, Shino só foi a última gota para o meu copo transbordar, não foi de minha total culpa. Suspirei e voltei para a mesa.

— Eu não tive a intenção de bater no seu namorado, Naruto, eu estava tendo um dia de cão… E Shino me apareceu todo arrogante, me chamou de patético, aí… Eu sei que não justifica eu ter estourado nele, mas naquele momento realmente eu estava sem controle total de mim… — falei, esfregando minha testa. — Desculpe por mais essa.

— Namorado?! — guinchou. — Por Kami, eu só sai com o cara uma vez! Ele não é meu namorado. — ouvi ele falar sozinho do outro lado, algo como: Por que eu estou dizendo isso? — O que aconteceu para você estar tão estressado? Está tudo bem com você? — nem parecia que há alguns segundos ele estava irritado, de tão preocupada que sua voz soou.

Eu acabei rindo fracamente.

— Estou como sempre estou: irritado e ocupado. Mas não esquente sua cabecinha sonhadora com minhas brigas de cachorro… — suspirei. — Não foi nada, já passou, não importa mais. — notei que minha voz realmente estava soando cansada. É, eu estou precisando me distrair. — Lembra? Somos amigos, mas certas coisas você não precisa… — o que é que eu estou dizendo? Sacudi minha cabeça. — Negócios, Naruto. — disse por fim.

Realmente eu não preciso envolver Naruto nos meus engalfinhamentos pessoais, menos ainda as pessoas do seu convívio. Deuses, eu nem consigo lembrar do momento que acertei Shino de tão louco que estava, e isso é horrível até para um homem da minha laia. É demais até para o meu conceito de Diabo.

— Olha, você pode tentar enganar qualquer um, mas não eu. Negócios não te deixam assim, Sasuke. — bufou. — Vamos, deixe de ser ridículo e me conte o que aconteceu!

— Ridículo é o seu passado, seu idiota. — resmunguei de olhos fechados. Era só o que me faltava agora. Eita que esse ano está uma merda até agora. Não vou atormentar Naruto com as minhas dores, ele é minha soulmate e meu amigo, mas nunca precisou saber de mim mais do que eu queria que ele soubesse — Já lhe disse, não foi nada. Esqueça. — acabei falando mais firme, sem necessidade devo dizer. — Eu só te liguei porque… — suavizei meu tom e respirei fundo. Naruto também não é culpado do caos que minha vida está ultimamente. — Pode não acreditar, mas preciso de sua ajuda… Só me restou você.

— Nada… Sei. — ironizou. — É muito chato saber que eu confio cegamente em você, mas você… — resmungou, num tom magoado. — Quer saber, dane-se, não vou mais insistir, se você quiser falar, fale. — respirou fundo e murmurou mais calmo. — Ajuda em que?

Odeio quando ele faz isso. Quando ele me faz me sentir culpado. Culpa é um sentimento perigoso para alguém como eu, muito perigoso.

— É Maiko, Naruto, por causa dele eu quase matei seu namorado na porrada. — eu disse sem sentir, observando o fio de fumaça que saía da xícara. — Eu tenho andado ausente demais por causa de um cartel problemático que os Hyuugas querem implantar em Konoha para me atingir… Pediram a minha ajuda, por eu ser accionista majoritário, para evitar um rombo catastrófico na cidade e isso me está roubando tempo… Tempo precioso com a minha filha. — senti o aperto na minha garganta e então minha voz saiu rouca, não de excitação, mas de tentar evitar que aquele sentimento de tristeza tomasse conta do meu ser. — Eu a vi chorar, Naruto, chorar copiosamente de saudades de mim… Nenhum pai deveria passar por isso. — suspirei. — Eu sei o quanto você é ligado a ela, por isso eu não queria dizer nada...

— Ah, Sasuke… — ouvi um estalo de língua. — Que merda! Do que você precisa? Faço qualquer coisa pela pequena.

— O aniversário dela é nesse fim de semana e eu quero mostrar para ela o quanto eu a amo… Mas eu estou com a mente em caos e nada do que planejei deu certo… — afaguei meus cabelos, sentindo o peso em minhas costas aumentar. — Nem Itachi e nem Shisui podem me ajudar, então eu estou de mãos atadas… Eu preciso de você.

— Idiota, dá próxima vez não vem me procurar por último! — resmungou, num tom emburrado.

Eu ri baixo, cansado.

— Eu sempre uso os meus melhores recursos por último, Naruto… — fitei a foto de Maiko. — Se eu te procurei no fim das contas, é porque eu cheguei ao meu limite e, até onde me lembro, você foi o único que suportou o meu limite. — sorri. — Eu não podia simplesmente te procurar logo de cara.

Minha real vontade? Agora, repentinamente, é beijar Naruto até eu sentir essa angústia se dissipar. Beijá-lo como antes e então desaparecer no mundo com a minha filha. Essa é a minha vontade agora e, se eu pudesse, eu a realizaria sem pensar duas vezes.

— Agora vem me bajular! — voltei a ouvir ele resmungar sozinho: Por que esse idiota tá sendo fofo agora? Assim não dá! — Tudo bem, pode contar comigo.

Eu acabei rindo mais.

— Naruto, você sabe que não sabe sussurrar, não é? — eu abri mais meu sorriso e senti o peso diminuir. Esse moleque provoca esse efeito calmo em mim. Deve ser coisa de soulmate. — Vou precisar do seu dom de fazer as pessoas felizes para tirar essa angústia da minha filha, porque… Não estou conseguindo… — nossa, como estou sincero hoje, e muito aberto. Que estranho. — Então, eu quero dar um presente especial para a minha filha, não material, mas algo que seja sentimentalmente importante para Maiko e você é a melhor pessoa que conheço que sabe desse tipo de tema. O que me diz? — perguntei, girando a colher dentro da xícara para então tomar um gole breve, algo mecânico.

— Você está perturbado mesmo, hein! — brincou. — Nem está pensando direito. Eu vou adorar fingir que sou mais esperto que você. Quando vamos nos encontrar? — perguntou, empolgado.

— O diabo nunca vai se equiparar a um anjo, Naruto. Sempre haverá coisas em que o diabo será superado, querendo ou não. — sorri — Posso passar na sua casa na quarta? — abri minha agenda e vi os compromissos da quarta. Franzi o cenho, arranquei fora a folha e joguei no fogo da lareira. Foda-se o mundo, minha filha em primeiro lugar. — O aniversário dela é na sexta.

— Pode e não me apareça com cara feia, se não faço tudo sozinho e te deixo de fora. — bufou e depois riu.

— E por algum acaso meu tempo fecha contigo, Naruto? — eu ri de novo. — Nos vemos quarta… Eu ainda… — pisquei e parei, engoli minha fala. Não posso falar isso de novo. Droga, esse excesso de trabalho está me fazendo perder as estribeiras. — Boa noite. — disse por fim.

— Er… Boa noite, Sasuke. — respondeu, sem jeito.