Cores do Meu Coração
14 Dobe 7 - Conhecendo o inimigo
Notas iniciais
Ah, liberdade! Finalmente estou saindo do hospital, após 3 longas semanas de uma estranha trégua com Sasuke, embora ainda tenha mais um mês de sessões de fisioterapia para fazer. O que já estou planejando diminuir para metade, porque? Ora, porque eu mesmo posso me exercitar em casa… É, eu sou um gênio!
— Pode tirando essa ideia da cabeça! — falou Shisui, que tinha vindo me buscar e já me ajeitava no banco do passageiro do carro.
— Que ideia? — perguntei fingindo inocência.
— Sua expressão te denuncia, mocinho. Fique sabendo que alguém sempre vai te acompanhar até as sessões de fisioterapia. Inclusive falei com o Kiba e a Kurenai, vamos revesar… — ele me olhou com aquela velha expressão Uchiha: “não me contrarie se você tem amor a sua vida”. Bufei exasperado, porque meus planos tinham ido por água abaixo.
— Podemos, por favor, ir para casa? Kurama deve está com muitas saudades… Ou não! O que é mais provável. — a última parte falei mais baixo, porque era uma vergonha admitir que eu tinha zero moral com meu bicho de estimação.
Shisui me levou até em casa e ainda passou algum tempo me fazendo companhia. Pelo menos foi o que ele disse que estava fazendo, mas suspeito que ele só estava preocupado que eu fizesse alguma "narutice", ele que inventou essa expressão. Eu sabia que era melhor me comportar. O gesso já havia sido retirado da minha perna, sendo substituído por um suporte com uma tala, mas eu ainda usava muletas e devia fazer o mínimo esforço possível. Os hematomas do meu rosto e corpo já tinham um tom de amarelo claro, e logo minha pele estaria completamente restaurada. Resolvi passar o resto do dia assistindo série e vendo Kurama fingir que não estava se esfregando em mim.
Meus dias eram mais divertidos nos dias que eu estava no hospital e isso era algo preocupante, porque Sasuke passava 95% do tempo me fazendo companhia e nossa trégua silenciosa provavelmente havia acabado no momento que coloquei meus pés fora do hospital. Bem… acho melhor me concentrar no que a Blair falava, alguma coisa que a Gossip Girl tinha aprontado, de novo.
E meus dias eram assim, séries, Kurama, fisioterapia — arrastado por um de meus amigos -, pedir comida por telefone. No terceiro dia da minha volta para casa, percebi que meu mundo estava desbotando aos poucos, quero dizer, as cores. E eu não estava gostando nada disso, leia-se eu estava arrancando meus cabelos desesperadamente. Que porra era essa?! O que aquele bastardo fez? Porque isso só podia ser obra do capeta! Me traz as cores para depois as tomar de volta… Ah, mas eu vou quebrar a cara dele! DE NOVO!
Era melhor eu me acalmar, podia ser algo passageiro… Podia, não podia? Suspirei derrotado. Eu não sabia o que estava acontecendo e nem sabia o que isso significava. Me assustei de repente, será que tinha algo a ver com Sasuke ser a alma gêmea da sua filha? Argh… tentar achar alguma lógica era inútil. Acabei lembrando que no dia que fiz essa descoberta, Iruka não tinha me explicado nada. E talvez, ele fosse a única pessoa que soubesse o que estava acontecendo comigo.
De repente o telefone toca. Até Kurama se assombrou e caminhou para perto de mim, olhando para o aparelho. Eu ouvi dizer que os animais pressentem certas coisas sobrenaturais, de modo que fiquei meio receoso de atender, mas atendi.
— Alô? — perguntei temeroso.
— Bom dia, Naruto! — a voz branda de Iruka fez eu me arrepiar de medo. Eu acabei de pensar no cara e agora ele liga? Sério, está me assustando.
— Bom dia… — resmunguei baixinho.
— Poderia me encontrar nessa praça que tem a dois quarteirões da sua casa? — ele disse calmamente, eu até poderia visualizá-lo sorrindo — É perto, pode ir até a pé, mesmo com seu estado. Gostaria de conversar um pouco com você, se quiser.
— Você tem noção do quanto você é assustador…? — falei, levemente irritado. — E sim,é claro que eu quero conversar com você.
— Tenho. Várias pessoas me dizem isso. — falou rindo. — Então nos vemos daqui a pouco. Não tenha pressa de vir. Diga a Kurama que não é de mim que ele tem que ter medo, existe gente com uma carga negativa muito pior. Até mais. — então ele desligou e eu fiquei da cor da parede e puxei o gato para o meu colo.
Pela primeira vez na minha vida, Kurama se enroscou em mim e eu vi em seus olhos que ele estava com medo. Eu acho que vou levar meu gato comigo, porque eu também estou morrendo de medo da conversa que terei com Iruka. E pensando nisso, fui trocar de roupa para seguir até a praça e já que a mídia aparentemente resolveu me deixar em paz, não me preocupei em exatamente me esconder, só coloquei um moletom escuro de capuz. Peguei minhas chaves e chamei o gato e pasmem! Ele veio de primeira, isso ‘tá ficando pior a cada momento.
Fui andando devagar e Kurama me seguia de perto, se a situação não fosse tão assustadora, eu acharia seu comportamento muito fofo, principalmente depois de conseguir ver a sua cor, laranja, que descobri ser minha favorita. E olhar para ele, naquele instante, me deixava em um estado de angústia alarmante, seu laranja não era mais tão chamativo, era de um tom nauseabundo e enjoativo. Vou acabar chorando se continuar assim… Se recomponha, Naruto! Você não é mais aquela criança revoltada!
Já estava chegando no local marcado e percebi que algumas cores eu podia ver com mais clareza, outras já estavam quase cinzas. Olhei para frente e vi que algumas flores, banquinhos, pessoas passando e outros objetos pelo caminho tinham um brilho acentuado, como se me mostrasse o caminho. E no final da trilha brilhosa, vi Iruka sentado em um banco. Fui me aproximando, com o coração na boca, principalmente depois que Kurama pulou em meus braços.
— É estranho, não é Naruto, como as coisas são? — ele começou ao afastar para o lado e me dar espaço para sentar — Acho que seu gato já percebeu.
— Percebeu o que? Uma assombração? Porque ‘to achando que você é uma... — olhei desconfiado para ele.
Ele bateu no banco para eu me sentar.
— Se confirmar uma coisa para mim, eu poderei dizer do que seu gato tem medo. De acordo? — ele ainda sorria gentilmente.
— Tudo bem. — me sentei o mais distante possível do Gurú.
— Diga-me: as cores estão sumindo? — ele perguntou, respeitando a distância que eu havia estabelecido entre nós.
— Como você sabe? — arregalei os olhos.
— Me confirme e eu direi, pois o que assusta o seu gato é o que causa o sumiço de cores. — ele falou um pouco mais sério.
As pessoas passavam por nós, era como se nem estivéssemos ali, tranquilas, seguindo suas vidas sem se importar com duas pessoas importantes e famosas sentadas conversando. Eu notei que realmente algumas coisas estavam perdendo suas cores. Um prédio alto e brilhante estava com a parte mais alta sem a cor azul, meio prateada, meio escura, que a parte mais baixa tinha.
O que estava acontecendo comigo? Será que algo deu errado ou isso é coisa de Sasuke?
— Começou hoje, consigo ver algumas cores mais claramente que outras, inclusive algumas já se tornaram completamente cinza. — falei triste e angustiado.
Iruka sorriu, meio suspirando em conformidade e depois assentiu, como se alguém tivesse dito algo em seus ouvidos. Kurama estava entre nós, quase deitado completamente em meu colo, ronronando e olhando para o caminho por onde nós viemos. O Gurú olhou na direção que Kurama olhava e depois me fitou. Sério, eu estou com muito medo.
— Seu gato está com medo de uma sombra que atualmente está bem ali. — ele apontou para uma árvore grande, que os galhos faziam um arco por cima do caminho de pedra cinza por onde eu passara. O caso é que eu não vejo ninguém! Kami-sama é o diabo de verdade! — Ele é bem conhecido seu, se quer saber.
— Co… Co… Conhecido? — meus dentes já estavam batendo a algum tempo. — Eu não conheço o diabo!
O Gurú riu. Mas não de deboche, nem de desprezo, apenas por achar algo engraçado.
— Claro que conhece. Você conversou com ele várias e várias vezes. Inclusive já tentou matá-lo. Duas vezes. — ele mostrou dois dedos para mim.
— Não ‘to falando do bastardo, ‘to falando do capeta de verdade! — disse irritado por ele estar achando a situação engraçada, enquanto eu estava tremendo que nem vara verde.
Iruka retirou de dentro de sua camisa branca larga, um colar com um anel feito de um material tão transparente e brilhante que eu tive certeza que era diamante. Ele retirou o colar e me entregou. O anel deveria ter dez centímetros de diâmetro e era um pouco pesado.
— Olhe para a árvore através do anel. — ele disse com calma.
Levantei o anel com a mão trêmula e vi o diabo, mas não o de verdade, era o bastardo! Quer dizer, não podia ser ele… Sasuke estava no hospital, não estava? A questão era que eu via uma sombra muito parecida com Sasuke, ela usava roupas pretas e um sobretudo longo, também de cor preta, mas ela, a sombra, estava de costas. E se distanciava mais a cada instante. Caminhava devagar e num momento sutil, seu rosto se virou para trás, no ato de dar um passo, e eu vi aqueles olhos vermelhos que eu vira na briga do bar. Brilharam intensos. A sombra virou numa árvore, entrando para o gramado e sumiu.
Maluco!!! Isso está muito assustador! Sério, parei de chamar o cara de diabo. Ou devo continuar chamando depois dessa aparição sinistra?
— É isso o que seu gato e eu vemos. — ele falou me tirando do meu momento terror do caralho — Por isso seu gato está com medo. Quero dizer, quem não tem medo de Sasuke? Eu acabei tendo medo dele quando fui conversar com ele...
— Mas o que isso tem a ver com as cores estarem desbotando? — eu não estava entendendo aonde o Gurú queria chegar, como sempre, devo ressaltar.
— Notou que ele está se afastando? — ele perguntou recebendo o anel de volta.
— Notei que isso é muito, muito, muito assustador… Ele sumiu na verdade, depois de se distanciar, claro. — eu quero minha mãe! Kushina que está no céu santificado seja vosso nome… Me protege pelo amor que a senhora tinha por mim.
— Então não vai demorar muito para que seu mundo volte a ser monocromático completamente. — ele falou guardando o colar de volta em seu corpo.
— Como é? Quer saber, agora estou irritado. O que porra isso quer dizer… e aquela história de ver as cores depois que tiver contato com sua soulmate? Era tudo mentira? Isso tem prazo de validade? Que putaria é essa?! — foda-se o medo, agora eu estava puto.
— Não, calma! Perdoe-me não ter lhe esclarecido tudo antes! É que eu não poderia ter dito até você descobrir sobre Maiko.
Maiko? É verdade! Eu esqueci-me dela. Que Sasuke é a soulmate dela. Como isso é possível? Eu não sabia que duas pessoas podiam ter uma soulmate só. E para mim, era bizarro ter seu próprio pai como soulmate, se bem que eu já tinha visto casos parecidos. Até porque as soulmates não precisam se apaixonar, ter um relacionamento amoroso, precisamente falando.
— Ouça, Naruto, não só você é especial, como a sua soulmate também é. Existem casos raros em que mais de duas pessoas estão interligadas como soulmates, eu tive a honra de conhecer um trio que eram soulmates entre si, entende? Mas uma alma como a de Sasuke… É a primeira vez que eu vejo. — ele se virou para mim — Todas as soulmates convergem para suas metades espirituais, como se fossem peças de um quebra-cabeças que se encaixam perfeitamente, no entanto, a alma de Sasuke é redonda.
— Eu não tenho certeza se estou entendendo o que você está me dizendo. O Sasuke já é completo? Então para que ele precisa de mim? — Hein? Não consigo me situar nessa conversa.
Iruka sorriu e buscou um caderno na sua bolsa. Retirou de lá, também, um pedaço de carvão e começou a desenhar algo no papel em branco. Primeiro um círculo perfeito. Depois uma estranha peça de quebra-cabeça e depois um círculo feito de traços, um círculo meio torto, meio parecido com o símbolo do Nirvana. Aquela carinha sorridente.
— Vê o círculo perfeito? — assenti — Essa é a alma do Sasuke. — ele pintou todo o círculo até ficar um buraco negro no meio do papel — Completa, perfeita, sem precisar de nada, de nenhuma cor, com uma solidez que eu nunca vi na minha vida. No entanto, ele abriu parte de sua alma para acolher sua filha. — ele disse apagando uma pequena parte do círculo e redesenhando a peça de quebra-cabeça naquela parte. Ele aumentou o círculo negro, de modo que a peça pareceu flutuar num céu negro. — Está entendendo?
— Agora sim.
Ele assentiu e apontou para o círculo torto pontilhado.
— Essa é a sua alma.
— Você ‘tá tirando uma com minha cara, não é? Porque a dele é toda bonitinha e a minha é essa coisa torta? Enquanto ele é o diabo, sou chamado de anjo. Tem alguma coisa errada aí! — eu estava irritado novamente.
O que aquele vidente de meia tigela — literalmente, bem, ele tem uma tigela, não é? — estava dizendo? Que o Sasuke era melhor que eu? Iruka riu meneando a cabeça para os lados. Kurama miou alto e tocou o papel, depois me fitando e eu vi em seu olhar que ele concordava com o que Iruka dissera. Até tu, Brutus?
— Sua alma é maleável, Naruto, não torta. Significa que você pode aceitar qualquer pessoa como sua soulmate, pois você nasceu com a rara habilidade de aceitar as pessoas ao seu redor como elas são. Sua alma pode tomar a forma que você quiser, pode assumir a cor que quiser. A de Sasuke está para sempre petrificada nessa forma arredondada e é muito difícil para ele fazer o que fez pela filha.
— Quer dizer que eu sou perfeito para qualquer um? Mas isso é maravilhoso, tá vendo Kurama, você deveria me tratar melhor. — falei olhando para o gato. Mas percebi algo. — Se eu sou “adaptável”, por que minha soulmate é o Sasuke? Não poderia ser qualquer pessoa? — estou confuso de novo. Argh… minha cabeça já estava começando a doer.
De certa forma, eu me senti muito feliz em saber que eu podia fazer isso com a minha alma, que ela era livre enquanto a do diabo era presa. Isso quer dizer que sou raro, que sou especial.
— Você será perfeito para todos, mas quase ninguém será perfeito para você e assim você vai se sentir sempre incompleto. Sempre buscando por algo. Não é, Naruto? Você não sente um vazio inexplicável em sua vida? Todos os dias, ao acordar e ao dormir, como se por um momento, toda a felicidade do mundo lhe fosse roubada.
— Imagino que você tenha visto na água… — ele assentiu — Piorou depois que meus pais morreram… — não consegui falar muito. Aquele assunto sempre seria muito doloroso.
— E por que pioraria com a morte de seus pais? — Iruka franziu o cenho — Eles não eram suas soulmates e na sua adolescência você era um delinquente que fugia de casa. — sua voz me soou levemente severa.
— Você não os conheceu. — mesmo com o seu tom, não consegui evitar o sorriso tristonho. — Eles eram a definição de soulmates. Seus olhos brilhavam só em ouvir o nome um do outro. Mesmo quem estava por fora conseguia sentir a calorosa sensação que emanava deles. — uma lágrima solitária descia pela minha bochecha.
Um vento frio soprou nossas roupas e foi como se aquele vento tivesse levado mais das cores que estavam pelo parque. De repente, aquele mundo preto e branco, a qual eu crescera, parecera horrivelmente triste e desolador. Não gosto de falar de meus pais, por que Iruka quer falar deles agora? E o que tudo isso tem haver com eu estar voltando ao meu mundo cinza?
— Claro que eu os conheci! Quem você acha que garantiu que eles ficassem juntos? — eu o encarei com os olhos absurdamente arregalados — É, foi um dos meus primeiros trabalhos e de certa forma foi difícil, porque sua mãe era orgulhosa. Mas não teve como evitar: os dois eram as duas metades de um círculo perfeito. — Iruka soltou o ar lentamente e fitou-me — O caso, Naruto, é que, exceto Sasuke, todas as soulmates procuram algo que as complete… O seu caso é extremo, porque a única coisa que chegou perto do que você precisa foi o amor de seus pais e ele lhe foi roubado por uma tragédia. Por isso você tem essa sensação de vida roubada todos os dias. Mas me responda uma coisa.
— Fale o que quer saber. Respondo qualquer coisa depois de saber que foi você que ajudou meus pais a ficarem juntos, não estaria aqui se você não o tivesse feito, não é mesmo? — sorri docemente para ele.
— De certa forma. Quando você estava com Sasuke, no hospital, você sentiu essa sensação de novo? De vazio dentro do seu coração? — ele sorriu — Seja sincero. Saberei se mentir.
— Agora que você falou... De fato, era quase inexistente. — franzi as sobrancelhas.
Iruka deu um sorriso sapeca de lado.
— Sua alma, Naruto, não precisa de algo pela metade. Precisa de algo por inteiro. Sua soulmate nunca seria sua cara metade, tampouco sua alma gêmea, sua soulmate seria seu extremo oposto, um reflexo seu no espelho.
— Eu estou entendendo. Mas e as cores? Vão sumir? O que tenho que fazer?
— Se quiser continuar nesse mundo colorido, você deve fazer o que todas as outras soulmates fazem: ficar perto da sua soulmate. — ele ergueu um dedo — Aliás, querer ficar perto da sua soulmate. Não é uma questão física, mas espiritual. Você tem que desejar estar com aquela pessoa que lhe completa.
— Hum… Não acho que isso vá ser muito fácil. Mesmo que eu quisesse, e ele? Deveria querer o mesmo? — Cara, em que encrenca me meti?
— Aí é que está o interessante das almas de vocês. Você é regido pelo espectro negro de Sasuke, aquilo que você viu. Quanto mais perto ele estiver, mais as cores conectadas estarão a você. Digamos que ao invés de um anjo protetor, você tem um diabo protetor.
— Essa história de diabo pegou mesmo, hein? — ele assentiu rindo — Falei tanto que acabei invocando para a minha vida. — neguei com a cabeça. — E o Sasuke? Vê algum espectro meu andando por aí? — Iruka negou convictamente, apesar de sorrir.
— Sasuke é fechado para essas coisas. Ele é negro. Pode parecer que tudo orbita ao redor dele, mas a verdade é que ele repudia tudo ao seu redor. Você é branco, Naruto, atrai tudo e todos para si. Por isso tem uma sombra te seguindo de vez em quando. No hospital, quando eu entrei, pude vê-la de pé, do outro lado da cama, olhando para você sempre que Sasuke te olhava.
Iruka se levantou, esticou seu corpo e deu uma olhada ao redor.
— Acho que é isso o que eu tinha para lhe dizer. — ele suspirou virando-se para mim — A menos que tenha alguma pergunta, nossa conversa se encerra por aqui, Naruto.
— Você fala que uma sombra me persegue e depois vai embora? — olhei para ele como se ele tivesse um chifre no meio da testa. — Espero que você esteja se referindo ao espectro do Sasuke!
— É claro que é o dele. — ele riu — Até porque se algum espírito maligno aparecesse perto de você, o espectro de Sasuke afastaria. Mas… Do jeito que as coisas andam, só com vocês se tocando de novo para a conexão se restabelecer, porque o espectro já foi embora. — ele disse olhando para o caminho por onde eu viera. — É bom se decidir se quer as cores em sua vida, ou não Naruto, porque Sasuke já aceitou sua condição há muito tempo. — ele começou a se afastar, indo pelo caminho oposto — Tenha um bom dia! Ah! — ele se virou só para jogar algo que eu peguei no ar — Fique com isso. Vai precisar.
Era o anel de diamante.
Puta que pariu! Esse cara me diz essas coisas maravilhosas de espectros, espíritos malignos e vai embora assim? Antes eu tinha um protetor de malassombro, agora eu tenho o que? Porra nenhuma!!! Acho que vou para o hospital agora mesmo e me jogar em cima daquele bastardo… Ok, o medo ‘tá foda, entretanto não posso surtar agora. Mas que eu vou parar naquele hospital ainda hoje, eu vou. Só não vou me jogar em cima dele… Eu acho.
Levantei-me do banquinho, e comecei a voltar para casa. Kurama, dessa vez, não parecia tão empolgado para me seguir e acabou ficando para trás, tive que parar no meio do caminho várias vezes para esperar ele se aproximar de mim. Levamos o dobro de tempo para chegar em casa. Assim que chegamos, fui direto para cozinha, na porta da geladeira tinha o número de um serviço de táxi, liguei e solicitei um. Esperei o carro na porta de casa mesmo. Nem mudei de roupa.
Coloquei o anel numa corrente de prata e usei-o como um acessório por dentro da minha camisa. De vez em quando, olhando pela janela, eu buscava pela tal sombra, mas eu não a vi mais.
Quinze minutos depois eu já entrava no táxi e logo que o carro partiu, meu celular tocou, estranhei, era meu advogado. Atendi e ouvi a sua fala breve, mal respondi e desliguei. Uma luz se acendeu na minha cabeça. Eu já tinha a desculpa certa para o motivo da minha visita.
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