Cores do Meu Coração
15 Dobe 8 - Minha vontade é fraca
Notas iniciais
Assim que cheguei ao hospital, vi que Sakura passava pela recepção. Perguntei por Sasuke e ela disse que ele estava na fisioterapia, mas que em poucos minutos sairia. Perguntei se podia esperar por ele no quarto, pois tinha um assunto muito importante para tratar com ele. Ela disse que não tinha problema nenhum, até brincou, falando que soulmates tinham prioridade na hora da visita, principalmente se fossem pessoas importantes como eu e ele. Tive que rir de gentileza, porque na verdade eu senti raiva daquela piada. Droga, por que Sasuke tem que ser minha soulmate? Tudo bem que Iruka me explicou, mas, porra, por que ele?!
Segui até meu antigo leito, abri a porta e vi o lugar tranquilo, meio frio por causa da central de ar e bem organizado, limpo. Eu fiquei esperando ele, sentado na poltrona ao lado da sua cama. Não sei porque, mas eu conseguia sentir o cheiro de Sasuke naqueles lençóis.
Pensei comigo mesmo: “quanto mais perto, mais fácil” e sorri com o caminho tortuoso dos meus pensamentos. Não sei se é minha ansiedade ou se ele realmente está demorando. Comecei a ficar impaciente, mas logo eu escuto barulho vindo de fora.
Passou. Não era ele. Meu coração voltou a bater normalmente, mas não houve tempo para eu pensar em me tranquilizar, pois assim que afundei relaxado na poltrona, a porta se abriu e por ela passou Sasuke mancando de uma perna, vestido completamente de preto, como sua sombra, e isso fez com que eu sentisse um arrepio na espinha.
Ele usava um estranho aparelho na perna direita e algo no tronco. Parecia uma espaldeira, mas eu tive a impressão que não era. Ele veio andando sozinho, nem contou pela minha presença, com alguma dificuldade fechou a porta e foi para a cama. Sentou-se devagar e retirou o imobilizador de seu pescoço para beber água.
Nenhuma palavra e meu coração nos galopes.
— Veio… Fazer… O… Que… Aqui? — sua voz saiu rasgada e muito rouca, como se estivesse com um gato sibilando dentro da garganta.
Quase infartei de susto quando ele falou sem me olhar.
— Temos assuntos a tratar. — falei firme, demonstrando uma confiança que eu não sentia no momento.
— Da… Última.... Vez que… — ele se levantou e se virou para mim, colocando as mãos na cintura — Disse…. Isso… Eu vim… Parar… Aqui… Todo…. Fudido.
— Se acalme, vim em paz. Fiquei sabendo do processo agora. Meu advogado acabou de me ligar e disse que já tinha entrado em contato com Itachi. Por que não me contou? É claro que isso não foi obra minha. Por que eu te processaria se fui eu que comecei a briga? Não sou idiota! — falei de uma vez, pois tive medo que ele se exaltasse e desse em merda, e isso ia estragar meus planos.
Sasuke fechou a cara por dois segundos. De certa forma eu fiquei apreensivo, vai que de algum jeito ele consegue me dar uma surra? Depois de dois segundos ele abriu um largo sorriso e começou a rir com muita dificuldade, talvez por causa da recuperação da fratura no peito. Ele menou a cabeça negativamente e cruzou os braços, ainda sorrindo.
— Eu… Sabia… Que não… Tinha…. Sido… Você.... Provavel… Mente… Seu… Advogado… Fosse ficar… Com toda… A grana… — ele disse indo buscar mais água.
— Você não deveria estar forçando tanto a voz! — falei, verdadeiramente preocupado.
— Não… Estou… É… Assim… Que… Falo… Por… Enquanto. — ele falou antes de tomar um gole de água.
— Tudo bem. De qualquer forma, não vou entrar com nenhuma ação. Não faz mais sentido… Quer dizer, fui eu que provoquei. — me corrigi assim que percebi o que tinha acabado de falar.
Ele veio até mim mancando sem pressa. Sentou-se na poltrona que ficara no lugar da minha cama e me fitou. Seu sorriso estava por demais sacana e eu sinto que tem alguma coisa haver com o que eu acabei de dizer. Sasuke retirou seu celular do bolso, obviamente era novo, já que o outro “morreu”, deslizou o dedo pelo visor e me mostrou o que estava buscando.
Era uma foto minha, mas não uma foto minha de publicidade, como as que eu tiro nos estúdios, era uma foto recente de uma situação bem constrangedora. Lembram-se que eu caí quando tentei me levantar para ir no banheiro? Quando eu ainda estava internado e só com aquela camisola escrota que é aberta atrás? O que Sasuke me mostrou fora justamente o momento eu que eu fiquei estatelado no chão e com uma visão privilegiada da minha bunda. Quase que o meu céu da boca aparecia, se é que vocês me entendem.
— Desde… Que… Você... Me mostrou… Sua bunda… Que tem… Ficado… Bonzinho… Para o…. Meu… Lado. — ele guardou o celular antes que eu pudesse tomar de sua mão e riu contidamente — Parece… Que ser… Minha… Soulmate… Te… Deixou… — ele me olhou de cima a baixo — Mansinho.
— Kami-sama está vendo que dessa vez, para variar, foi você que começou. — falei com os dentes trincados.
Puta que pariu, eu ia tocar nele, mas seria para quebrar a cara dele de novo.
— Não… Fiz… Nada… — ele falou erguendo os braços. — Não… Se… Preocupe… Ninguém… Viu… Essa… Foto.
Sasuke se levantou com dificuldade e caminhou até perto da janela. Buscou de seu bolso um objeto metálico e uma caixa preta pequena. Ele abriu-a com o polegar e bateu de leve a caixa na soleira da janela. Saiu um cigarro dali e ele capturou-o com a boca, abriu o objeto metálico, uma chama surgiu e eu entendi que era um isqueiro. Sasuke empurrou a janela com o cotovelo e abriu-a, então acendeu o cigarro e colocou a caixa preta na soleira.
— Veio… Só… Para… Isso…? — ele falava enquanto soltava a fumaça do cigarro.
— Cara, você realmente está fumando? Se bem me lembro, seu pulmão foi perfurado. — olhei para ele sem acreditar no que estava vendo.
— Eu… Podia… Ser… Rude… Com você… Mas… Aprecio… Sua preo… Cupação… Comigo… — ele deu uma tragada — Se… Continuar… Assim… Vão pensar… Que… Você… Me ama… Little Bitch.
Ele virou o rosto, sem parar de me olhar, e lançou a fumaça do cigarro para fora. Esse cara está pedindo. Mas ele está pedindo!
— Ah claro, não suporto viver sem você! — ironizei. Por hora resolvi ignorar o xingamento, eu tinha ido ali por um motivo. — A propósito… er, hum… como anda sua visão? — eu falava das cores, mas não quis ser tão direto. Do jeito que o bastardo é, vai perceber logo minhas intenções.
— Boa… Vejo… Tudo. Por… Quê?
— Tudo mesmo? — insisti.
E nesse momento percebi que o vermelho era uma das poucas cores que eu via quase nitidamente. Os olhos dele. E isso me intrigou.
— Seja… Específico… Naruto. — falou em tom de comando.
— Iruka me falou algo sobre cores… — ah, mas eu não ia entregar os pontos mesmo. — Encontrei com ele mais cedo. Ele me falou um pouco sobre você, algo sobre você ser completo, uma doidera assim. — testei.
Ele revirou os olhos, como se ouvisse notícia velha.
— Enxergo pouco… — falou e apontou para mim com os dedos em que o cigarro estava encaixado — Só vejo…. A cor… Do seu… Cabelo… E dos… Seus… Olhos. — ele deu outro trago — Qual... O … Problema?
Achei aquela informação peculiar, dos meus olhos? Estávamos quase na mesma situação. Imaginei que se tocasse nele de novo, o choque que sentimos no bar se repetiria e isso não era bom. Sasuke ia surtar, disso tenho certeza. Sinto que estou pisando em ovos.
— Não tem problema, só achei interessante o que o Gurú me falou. Ele disse que você tinha uma alma peculiar, que ele nunca tinha visto ninguém como você. Estou tentando entender o que ele me falou. — olhei fixamente para ele.
— Eu… Sei… — Sasuke jogou pela janela a ponta do cigarro e guardou a caixa e o isqueiro no bolso. Caminhou de volta a cama e buscou mais água — Ele… Pensou… Que… Eu era… Igual… A você… Mas… Descobriu… Que não… Sou.
Ele tomou um gole e trouxe uma garrafa para mim, oferecendo-me. Sasuke segurava no gargalo e apontou-me os fundos da garrafa de água mineral. E fiquei internamente irritado com isso, porque essa teria sido uma chance e tanto para tocá-lo.
— Iruka… Disse… Que eu… Sou negro… E você… Branco. — completou ao me entregar a garrafa e se afastar para se recostar nas grades da cama, ficando de frente para mim.
— Ele me falou um pouco de Maiko também. Você não tem medo dela não encontrar a pessoa certa, já que a soulmate dela é você? — mudei de assunto propositalmente, ele sempre deixava uma brecha em sua guarda quando o assunto era sua filha.
— Certa… De… Que? — ele sorriu com deboche e deu de ombros — Eu… Vou… Ser… Para… Sempre… O homem… Da… Vida… Dela. — Sasuke arqueou uma sobrancelha, ficando com um semblante meio cafajeste — Isso… Significa… Ser… A soulmate… De… Alguém...
— Cara, você é mais protetor do que minha mãe foi, e isso é quase impossível. Sei que Maiko é só uma criança hoje, mas um dia ela vai crescer e pode muito bem se apaixonar. Você sendo ou não a soulmate dela. Você é o pai dela, só está sendo ridículo. — revirei os olhos, porque ele era muito babaca por pensar que sua filha não cresceria.
— É… Disso… Que… Está… Falando? — ele riu rouco — Não… Me… Preocupo… Com isso… O cara… Que… Ficar… Com ela… Que tem… Que se… Preocupar. — e aí está o diabo. Tá vendo? Ele existe.
Isso me assustou. Ele se referia a ele mesmo como perigoso ou a linda da Maiko? Pela cara dele fica difícil dizer com exatidão.
— Ok, isso não é preocupação para mim, o pai é você.
— Diz… Logo… Naruto. — ele falou depois de alguns segundos de silêncio entre nós.
— Odeio isso em vocês, Uchihas, nada passa sem que vocês percebam, não é? — falei desgostoso, eu sabia que minha farsa não ia durar por muito tempo. O diabo é perspicaz.
Ele só sorriu sem mostrar os dentes.
— Minhas cores… estão sumindo. — olhei para baixo, não queria o encarar e ver sua expressão, provavelmente de superioridade.
Esperei e nada. Então levantei meus olhos e não vi nenhum olhar de deboche, nem de desprezo, nem de nada que indicasse o diabo. Sua expressão era suave e de certa forma… Gentil? Parei. Sério, parei. Sasuke está muito diferente do que eu conheci quando eu era criança. Ele suspirou, cruzou os braços abaixo do peitoral e se colocou pensativo. Então me fitou.
— Pode… Me… Tocar… Se… É isso… O que… Quer. — Eu simplesmente não acredito. Estou até com medo de chegar perto e ele me aplicar algum daqueles golpes ninja. — Não… Se preocupe… É só… Encostar… Um dedo… Na minha… Testa… Foi assim… Que… Aconteceu… Não foi? — seu tom era sério.
Ele está falando sério. Vou ou não vou? Vou ou não vou? Dúvida cruel.
— A verdade é mais complicada que essa. Iruka me disse que preciso querer estar perto de você. E sinceramente Sasuke, eu não sei se quero e sei que você me entende, porque o sentimento é recíproco. — suspirei.
— Só vai… Saber… Se… É… Verdade… Se… Me tocar. — ele deu de ombros com uma cara de quem não queria muito ser tocado, mas que era o jeito.
— Eu odeio quando você está certo. — taquei o foda-se e me levantei da poltrona, me aproximando lentamente dele. Levantei o braço direito e fiz exatamente como ele disse.
Mas sabe qual é o problema de se confiar no diabo? É que ele te pega de surpresa. Sasuke agarrou rapidamente o meu braço estirado e me puxou para perto dele, descruzando suas pernas e me encaixando entre elas. Senti sua outra mão envolver gentilmente a minha cintura, como se estivéssemos numa posição de dança de salão. Eu fiquei paralisado. Era como no meu sonho: seus olhos vermelhos e sua boca fina se abrindo num sorriso de lado.
A distância entre nós estava diminuindo. Eu temi resistir e piorar seus ferimentos, mas a minha mente estava ficando em branco, eu não conseguia pensar em mais nada, exceto em seus olhos e na sua boca. Naquele momento, percebei que ele era poucos centímetros mais alto que eu e para ficarmos na mesma altura, Sasuke reclinou levemente sua cabeça para o lado, como se estivesse se ajustando para me receber.
Demorou para tomar o passo seguinte. Ele assistia o meu atordoamento, se divertindo com isso, porém sem uma conotação maligna, como eu esperava. Sua respiração quente mais perto do meu rosto me arrepiou inteiro e sua risada baixa, ainda mais rouca, me fez apertar os punhos e os olhos. Droga, eu estou com medo do que vai acontecer!
Agora eu sei o que Kiba quis dizer com uma pessoa te fazer gozar só com o olhar. Eu senti meu corpo inteiro queimar. A outra mão dele subiu para minhas costas, tocando de leve a linha da minha coluna, seguindo meu arrepio interno. Arfei.
Mal eu abri a boca, e senti algo quente se encostando nela e se afastando. Apressadamente eu abri os olhos, assustado com o que acontecera. Sasuke sorria de lado, com aqueles olhos intensos me queimando, mais vermelhos que nunca. Sua outra mão chegou até os meus cabelos e me fez ir até ele, eu já não era senhor do meu corpo, sua boca recebeu a minha. Numa tentativa de manter a minha sanidade, eu ainda repuxei meus lábios para dentro da minha boca, o que só fez Sasuke rir, provocando outro arrepio em mim. Que merda, eu estou agindo que nem uma virgem. Ele veio, firmou sua mão que estava na minha cabeça e eu não pude mais me afastar, eu estava preso em sua armadilha.
Nos beijamos. Primeiro só um toque de lábios, depois senti sua língua trafegar entre meus lábios e no automático eu a abri. Era uma serpente fazendo a dança do acasalamento com a minha língua, explorando cada mínimo centímetro da minha boca.
Droga, esse cara beija muito bem.
Ele soltou o meu braço e eu acabei instintivamente enlaçando o seu pescoço, sem jogar meu peso sobre seu corpo, aproveitando para aprofundar o beijo. Sasuke apertou a minha cintura com a mão que antes segurava a minha e eu me senti tomado. Merda! Merda! Merda! Um milhão de vezes merda! Eu estou quase gemendo por causa desse maldito beijo bom para caralho!!! Eu vou matar Kiba por não ter me dito que era o Sasuke o cliente dele. Senti meus lábios serem chupados e meu corpo ser puxado para trás, na direção dele.
Eu tenho certeza que estamos quase caindo em cima da cama.
Sasuke apertou meus cabelos entre seus dedos e me puxou na direção contrária a sua cabeça, obrigando-me a soltá-lo. Eu cambaleei para trás, recuperando o meu fôlego que fora roubado por ele. Meu coração estava a mil por segundo, eu estava ofegante e simplesmente não conseguia parar de olhar para seus olhos vermelho sangue.
Ele me fitou sério, com uma sobrancelha arqueada.
As cores estavam de volta. Não houve choque, não houve explosão, pelo menos no estilo da briga do bar, porque foi um choque ser beijado por ele e aquela porra de beijo é uma explosão! Ele lambeu lentamente os cantos dos lábios e endireitou a sua postura.
— E… Aí… Melhorou… Naruto? — sua voz me chamava de volta para aqueles lábios.
Quem é Naruto?
Levantei um dedo para ele, pedindo um tempo. O QUE PORRA EU VOU RESPONDER PARA O INCÚBUS? Porque agora já até classifiquei o tipo de demônio que ele é. Tentei controlar minha respiração e meu coração, mas estava difícil demais.
— Quer… Mais? — ele perguntou. Sério, a voz dele está me provocando. Fitei-o.
Sasuke penteou levemente seus cabelos para trás, num movimento puta sensual.
— Melhor parar por aqui. — finalmente falei. Eu preciso lembrar como sentir raiva dele. Quer dizer, por que eu sentia raiva dele mesmo?
— Vem… Cá… Deixa… Eu… Garantir… Que… Seu… Mundo… Seja… Colorido… Pelo resto… Da semana. — ele moveu um dedo e fez uma cara muito sacana.
Raiva não, mas eu estava ficando muito chateado. Eu não estava gostando daquilo, não do beijo, isso é impossível não gostar. Não estou gostando da forma como ele faz isso parecer banal. Dúvida cruel de novo. Vou ou não vou? Eu não vou. Não desse jeito, não com ele me tratando que nem uma puta.
— Você está sendo um babaca de novo, Sasuke. Assim como na hora que você me jogou sobre aquele carro, e eu não gosto disso. Se você quer brincar, tudo bem, mas não vai ser comigo! — falei sério enquanto o encarava.
Sasuke revirou os olhos, negando com a cabeça.
— Acha… Que… Eu… Estou… De… Brincadeira? — ele apoiou os braços na grade onde ele estava encostado — Acha… Que eu… Sou… Homem… De… Sacanear…? — ele tentava alterar a voz, mas sem conseguir.
— Sasuke, vamos encarar a situação como ela realmente é: nós não nos conhecemos e nos odiamos. É óbvio que não sei se você é homem de sacanear, como você diz, mas posso ver nos seu olhos que isso tudo não passa de uma brincadeira de mau gosto. — continuei olhando em seus olhos.
Ele arqueou as duas sobrancelhas, numa cara estranha de admiração. Sasuke suspirou, coçou um pouco os cabelos e me fitou.
— Realmente… Você não me… Conhece… Então vai… Ser… Simples… Naruto… Porque… Você é… Simples… O que… É… Bom. — ele inspirou fundo e soltou o ar devagar — Ou… Você vem… Aqui e… Agora… Ou sai… Por… Aquela… Porta… E vai… Se… Ferrar… Na casa… Do caralho. — sua voz rouca estava num tom de comando diferente do Sasuke que manda pelo simples prazer de mandar — Você… Escolhe… Naruto.
— Okay, deixa só eu te fazer uma pergunta antes, seu imbecil do caralho. O que você pretende? Porque você 'tá todo fudido. — olhei para ele com uma sobrancelha arqueada. Dois podem jogar o mesmo jogo.
— Eu… Quero… Deixar… Sua boca… Da cor… Do meu… Sangue. — ele falou com convicção e suas palavras me causaram o mesmo arrepio de antes. Sasuke cruzou as mãos na frente do corpo e fechou a cara — Como… É? Vai… Agir… Feito… Homem… Ou feito… Moleque?
Dei as costas e não disse nada. Andei até a entrada do quarto e… vocês sabem. Minha vontade é fraca. Fechei a porta e voltei para aquele bastardo. Não foi bruto, nem foi que nem uma coisa de puta, ele simplesmente recebeu-me num abraço na altura da minha cintura, segurei seu rosto entre as minhas mãos e nos beijamos. Foi mais forte do que eu esperava. Eu sentia a mesma sensação de sede depois de uma ressaca do caralho. Eu não conseguia parar de mover meus lábios em resposta aos seus.
Era como se tudo finalmente fizesse sentido na minha vida, como se eu tivesse vivido tudo o que eu vivi para aquele momento. Nossos lábios estalavam a cada novo beijo intenso. Ah, sim, eu gemia baixo, completamente satisfeito com sua boca, por ser beijado de forma tão intensa, tão ardente, tão diabólica. Minhas pernas estavam bambas dado ao poder que ele exercia sobre mim. Não posso negar: que homem, Kami, que boca!
Eu só queria que ele não estivesse com as costas fudidas para melhorar essa situação desconfortável. Sasuke foi se levantando devagar e dando um jeito de beijar o meu pescoço enquanto se movia. Não chupões, como eu pensei, era de leve, só para me fazer arrepiar até os cabelos do… Não vou comentar.
O que realmente era chupado, e sem um mínimo de pudor e piedade, eram os meus lábios. Eu só afundei meus dedos em seus cabelos macios e fartos, como única forma de mostrar que eu realmente estava envolvido naquela prática, porque se fosse uma outra ocasião, com Sasuke em perfeito estado, digamos que eu agiria de outra maneira. Seus braços compridos estreitaram a distância entre nossos corpos, como se me dissesse que dali eu não fugiria.
Mas quem, em sã consciência, fugiria?
Seus braços eram como serpentes circundando-me, envolvendo-me, apertando-me, num abraço fatal, suas mãos investigavam cada centímetro das minhas costas e da minha cintura.
Outras pessoas dariam aquela apertada marota na bunda, mas ele não, ele, que é o diabo, ficou só me tentando, fazendo minha mente acreditar que a qualquer momento seus dedos chegariam aos músculos rígidos do meu traseiro.
Aliás, todo o meu corpo, cada fibra de cada músculo, estava rijo com seus toques hábeis e quentes, com sua boca possessiva e faminta. Uma vez ouvi um padre dizer que uma vez que se é tocado pelo diabo, nunca mais a pessoa se vê livre dele, pois o diabo sempre procurará por essa pessoa. Agora eu entendendo perfeitamente o que ele quis dizer.
Finalmente ele estava de pé e foi me afastando, abraçando a minha cintura com mais calma. Ele aproximou os lábios do meus ouvidos, deu uma lambida leve para depois mordiscar e riu baixo.
— Naruto… — ele chamou rouco.
— Hum…? -resmunguei.
Eu não penso, só sinto. Quer dizer que Naruto sou eu? Interessante essa informação. Porque eu já tinha esquecido quem eu sou e o que vim fazer aqui.
— Eu… Acho… Que você… Precisa… Ir… Para o… Banheiro. — ele disse beijando a minha bochecha e descendo de volta para o meu pescoço. Sem chupar, só beijando mesmo.
— Não… — respondi manhoso.
Sasuke riu em resposta a minha manha, enquanto eu afundava meu rosto na curva de seu pescoço. Aproveitei que ele estava ocupado com a minha orelha e beijei aquela pele pálida, tornando-a um pouco tensa com o toque da minha boca, que provavelmente deve estar como se eu estivesse usando batom cor de carmim.
— Então quer… Que eu… Te… Masturbe… Aqui… Mesmo? — eu senti sua mão tocar de leve a minha virilha, num esfregar que ia do meio das minhas pernas, apalpando meu testículos com os dedos, até o cordão que amarra a minha bermuda, afagando o começo da minha virilha e então percebi do que ele falava.
Para meu azar, eu senti a “situação” piorar com a sua voz rouca e sua mão quente em cima.
Kami-sama, não diz que é verdade! Não diz que eu estou tendo uma ereção só com dois beijos, Kami-sama! Cadê Kurama quando eu preciso dele? Tive vontade de chorar, o que eu estava fazendo? E não sei porque, mas lembrei de uma coisa que Iruka me disse, algo sobre eu não resistir as forças da natureza. Okay, decidimos o impasse.
— Argh, vamos logo com isso. — a natureza clamava naquele momento.
Um sábio bêbado uma vez me disse: o que é um peido na mão de quem já está todo cagado? O que fazer, não é mesmo?
Sasuke sorriu de lado e me puxou para o banheiro. O lugar era de certa forma grande. Sasuke me empurrou para cima da pia, iniciando aquela onda intensa de beijos. Suas mãos agilmente subiram por minha barriga, por dentro do meu moletom, enquanto seus lábios ocupavam-se ora da minha boca, ora das minhas orelhas. O tecido veio subindo e então eu tive minha visão coberta pelo pano negro. Eu gemi inconformado. Porra, eu quero ver! Sasuke riu e foi lentamente empurrando o tecido para trás da minha cabeça, sem retirar a peça.
Nos beijamos de novo. Sua outra mão foi para minha virilha e ele começou a me massagear de leve. Quente, sua mão é muito quente. Ou sou eu?
— Não… Vá… Gozar… Só… Com… Isso. — ele apertou meu membro dentro do tecido enquanto sua mão livre abarcava as minhas bem acima da minha cabeça.
— Vou tentar… — ri de mim mesmo, meio desesperado.
Sasuke sorriu e me beijou de novo.
— Perdoe-me… — ele sussurrou escorregando as duas mãos para a minha bermuda e baixando-a um pouco — Você vai… Me odiar… Depois… Mas… Vai… Valer… A pena… — me vi livre parcialmente da peça de roupa — Vai ter… Que fazer… Força… Porque minhas… Costas… Não… Podem… Receber… Muita… Pressão.
De repente me vi sendo içado no ar pelos braços de Sasuke e guiado até o box. Vi os olhos de Sasuke sorrirem maliciosos para mim quando senti os ferros onde se penduram as cortinas passarem por minha cabeça. Ele fez um gesto com a cabeça e eu apoiei minha mãos naqueles ferros, meio sem entender o que ele faria.
Sasuke apoiou minhas pernas em seus ombros e me engoliu de uma vez, movendo sua língua ao redor do meu membro repentinamente. Ele começou logo de cara com uma sucção forte, apertando com muita força as minhas coxas. Eu não sei se sua expressão era de dor ou de de concentração, pois todos os músculos do seu rosto ficaram completamente rígidos. Meus quadris começaram a se mover involuntariamente, rebolando contra seu rosto, e Sasuke ajudava usando as mãos para dar mais apoio para a minha bunda.
Ele agarrou a minha cintura e me empurrou para trás, retirando-me de dentro da sua boca.
— Está… Gostando… Little… Bitch?
Eu não tinha voz para responder, porque se eu abrisse a boca eu gemeria como uma vadia, pode ter certeza. Apenas assenti rapidamente e arfei quando ele começou a me lamber lentamente, numa tortura sacana. De vez em quando ele ria dos meus resmungos. Como “brinde”, ele dava umas succionadas sinistras em mim.
— Por favor, Sasuke…
— O… Que… Foi?
— Eu…
— Vai… Ter que… Aguentar… Estou… Só… Começando.
Sasuke me engoliu de novo e foi indo para trás, raspando os dentes de leve em toda a minha extensão. Eu não aguentei. Gemi alto. Isso deve ter deixado ele satisfeito, porque Sasuke voltou a me chupar com vontade, me empurrando para cima, como se eu estivesse sendo fodido por ele. Tive que fazer força, como ele disse, para não cair de seus braços.
Bom. Diabolicamente bom com a boca. Mas que merda dos infernos, eu não consigo parar de gemer e quanto mais alto eu gemo, mais forte e rápida fica a sucção. Desse jeito não vai demorar muito. Que humilhante. Eu sempre me gabei de fazer os outros penarem aos meus pés, e agora estou penando nas mãos desse diabo delicioso do caralho!
Droga! Kami-sama, maldita hora que Kiba teve razão!
Ele foi lentamente me retirando quando eu achei que ia gozar. Aí é desespero! Encarei-o quase chorando de indignação e implorando que continuasse.
— Só… Vai… Gozar… Quando… Gemer… O… Meu… Nome.
— Só… isso? ‘Tá!
Nem esperou eu respirar. Foi logo me empurrando para dentro da sua garganta de uma única vez. Eu senti sua língua se mover, me imprensando completamente, me apertando, me estimulando. Seu pombo de Adão subia ritmadamente, chocando-se contra minha glande. Eu não aguento mais. Apertei os ferros entre meus dedos e o encarei fixamente.
Nossos olhos se conectaram. Ele estava sério, desejoso, esperando pacientemente que eu terminasse, pois seus olhos me diziam que eu iria dizer seu nome. Quase chorei ao gozar.
— Saaaasuke. — gemi longamente e da forma mais sensual que consegui. Vi que o vermelho dos seus olhos ficaram mais intensos.
Derramei-me em sua garganta. Sasuke só me retirou quando teve a certeza que não havia mais nada para engolir. Levou-me de volta para pia, colocou-me sentado ali, bem perto de si, e se apoiou na cuba, arfando de cansaço. Só agora eu o vi suado, as gotas de água caindo de seu nariz para a minha barriga, mas eu não conseguia ver seu rosto por inteiro.
— Bela… Tatuagem… — sua cabeça estava na altura no meu queixo, abaixada, com os cabelos da franja cobrindo os olhos.
Ele se referia a tatuagem envolta do meu umbigo, formada por uma espiral e kanjis. Lembrava muito o formato de um sol. Acabei a fazendo depois de um ensaio fotográfico meio underground, onde foi necessário que uma tatuagem igual, mas de henna, fosse desenhada no mesmo local. Gostei e resolvi mandar tatuar de verdade.
— Obrigado. — tive vontade de acariciar seus cabelos, mas me contive.
Já deu de viadagem por um dia.
Sasuke assentiu e foi mancando para a porta sem me olhar. Abriu-a e saiu do banheiro. Tem algo errado. Ele está cambaleando. Desci da pia e me vesti rapidamente, o seguindo quarto a dentro. Sasuke se apoiou apressadamente na grade da cama, ainda de costas para mim. Me apressei em chegar perto e ver o que estava acontecendo.
— Chama... O… Médico. — ele disse com a voz ofegante e apontou para o botão vermelho do lado da cama.
Andei o mais depressa que consegui, já que a minha própria perna não estava 100%, e apertei o botão. Depois voltei até ele e perguntei se ele queria ajuda para se sentar. Sasuke sorriu e negou devagar. Como ele pode estar tranquilo quando está mais pálido que o normal?
— O que faço, então? — olhei para ele muito preocupado.
Não acredito nessa situação. Uma hora o odeio, outra hora estou me pegando com ele, outra hora estou me preocupando… com o diabo.
— Respira fundo… — ele disse e eu respirei — Conta… Até cinco… — contei — Se… Acalme. — ele endireitou sua postura e transpassou um braço por meus ombros — Me… Leve.. Até a… Cama.
— Tudo bem, vamos devagar, minha perna direita não está com toda sua força. E uma queda agora não vai ser tão legal quanto a minha última, que rendeu até fotos. — tentei melhorar o clima.
— Relaxa… — ele sussurrou enquanto caminhávamos — Acabou… De… Gozar. — consegui deixá-lo na cama, mas ele não se sentou. Sasuke sorriu para mim de maneira gentil e tranquila — Eu… Vou… Desmaiar… Agora… Acalme-se… — ele me deu um beijo nos lábios e então eu vi seu corpo desfalecer sobre a cama.
Caiu surdamente estirado sobre as almofadas. A boca meio aberta e os olhos abertos, como se estivesse morto. Quando pensei em fazer algo, os médicos chegaram. Nem me perguntaram nada, simplesmente me levaram para outro quarto, numa cadeira de rodas e se trancaram lá pelas próximas duas horas. Droga, será que eu matei ele?
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