Cores do Meu Coração
10 Dobe 5 - O Dia D
Notas iniciais
Desde que minhas “férias” começaram, há duas semanas, minha rotina tem sido a mesma, dormir, me empaturrar de comida, ir pra academia (eu tinha que fazer alguma coisa com toda aquela comida), passar um tempo com o Kiba e fazer sala para Kurama. Mas a minha vida estava pronta para virar de cabeça para baixo com o barulho da campainha que tocava neste exato momento.
— JÁ VAI! — Gritei da cozinha, pois o interfone não servia para nada quando se tratava de Uzumaki Naruto. Fui atender a porta enquanto esfregava um pedaço de gelo na parte interna do antebraço, onde uma recente queimadura ardia, resultado da minha última tentativa de cozinhar.
Abri a porta e vi um senhor vestido em um terno esquisito, parecia aquele carinha do filme do Tim Burton, o Jack Skellington, mas o senhor a minha frente usava um chapéu preto, além de ter uma máscara cirúrgica no rosto. Ok... porque, em sã consciência, ele está usando isso? Alguma doença? Porque se for, melhor eu me distanciar uns 10 metros. E se não for, melhor manter a mesma distância, não me dou muito bem com gente louca.
— Bom dia. Com quem gostaria de falar? — perguntei com uma careta de confusão.
— Com você, Naruto. Sou Hatake Kakashi, advogado do Sr. Uchiha. Prazer. — Ele estendeu a mão para mim e tive medo de a apertar, mas não podia deixar o cara no vácuo, então a apertei.
— Entre Sr. Hatake, do que se trata? — perguntei, mas acho que tinha ideia do porque dele ter vindo a minha casa. Coisa boa não era, disso eu tinha certeza. — Fique a vontade. — apontei o sofá para que ele se sentasse.
— Creio que você já tenha ideia do que vim fazer aqui… — ele falou num tom sereno.
— Suspeito, mas prefiro não deduzir nada, por isso você vai ter que me explicar os pormenores. — ele balançou a cabeça lentamente, concordando.
— Sasuke está processando você por danos morais… — ele testou, esperando alguma reação minha, mas eu não faria nada.
Oh não! O advogado estava ali a trabalho, o verdadeiro filho da puta era o chefe dele, que eu teria o prazer de quebrar os dentes no nosso próximo encontro. E só em imaginar essa cena linda, sorri como há anos não fazia, diabolicamente, parecia que minha tendência a delinquência voltaria em algum momento.
— Certo, imaginei que ele não deixaria nosso pequeno desentendimento passar em branco. — continuei com meu sorriso diabólico.
Kakashi abriu sua maleta e retirou alguns papéis de dentro, entregando-me.
— Acho que sabe que a culpa do processo é sua, certo? — falou com um tom brincalhão.
— Olha, se é minha ou não, eu realmente não dou a mínima, na verdade, se tiver mais alguma oportunidade, terei todo o prazer em repetir a dose. E isso, é um recado para seu patrão. — Kami, o sorriso foi esculpido no meu rosto. Não vai sair mais.
— Se eu fosse você, não pensaria em revidar. — ele falou seriamente.
— Querido Kakashi, se é que posso te chamar assim, se seu patrão pode ser venenoso e vingativo, eu posso ser o pior pesadelo dele e acredite no que digo, ele sabe bem disso. — falei tranquilamente. Vi que ele arqueou uma sobrancelha e tive a certeza que ele sorriu por baixo da máscara.
— Não acha que está se precipitando em julgá-lo e julgar-se? E, por favor, sem o querido. — Vi que seus olhos brilharam em desafio.
— Precipitado? Hum… Não sei e não ligo. Por mim, Sasuke teria tido uma morte muito bonita há mais de dez anos atrás. — pisquei inocentemente.
O advogado assentiu e fez uma breve anotação. Parecia tranquilo e inabalável. Um homem da estirpe nojenta dos Uchihas (isso não inclui Shisui, que com toda certeza deve ser adotado, porque seu sangue não pode ser Uchiha), com certeza. Ele continuou escrevendo e alguns segundos depois me encarou inexpressivo.
— Eu espero que isso nunca se concretize. Essa coisa dele morrer. — Kakashi sorriu por baixo da máscara — Muita gente ficaria desempregada sem ele. O que seria um grande problema, além de que Konoha perderia… — ele piscou — Deixa para lá, você é um modelo de passarela, não precisa se preocupar com esse tipo de realidade.
— QUERIDO Kakashi, é o seguinte, é melhor você ter cuidado com o que fala, meu advogado pode ser muito eficiente quando necessário. Não dei liberdade para você está fazendo pouco da minha profissão e não sei se você lembra, mas meu patrão é um Uchiha também, e apesar de não parecer, nosso estilo de vida vai muito além de roupas e maquiagem, sugiro você se informar melhor. — falei, sentindo minha raiva subir a níveis alarmantes.
Ele riu baixo e ergueu as mãos em defesa.
— Perdoe-me! Não quis fazer caso de sua profissão! O que eu quis dizer é que não é necessário que você esquente a cabeça com o futuro da Rebú e de todos os seus envolvidos, caso Sasuke morra antes do tempo. Perdoe-me se eu me expressei mal. — ele baixou as mãos e conteve seu riso — Bom, quanto ao Shisui… Eu não devia te dizer isso...
— Shisui? Começou, termine! — exigi.
— É que… Eu não devia dizer… Sasuke pode me degolar se ficar sabendo que eu abri a boca. E olha que ele manda degolar mesmo. — ele falou com uma naturalidade incomum.
— Homem, fale logo! — me impacientei.
— Bom, só não vá espalhar. — ele baixou o tom de voz — Sasuke só está lhe enviando uma pequena multa para ser depositada na conta que consta nos documentos que lhe entreguei. Não é bem um processo, porque ele não quer causar problemas a você.
— A mim…? Hein? Ou ele resolveu admitir a loucura ou você que ficou louco. — olhei desconfiado para ele, minha suspeita inicial daquele homem estava se mostrando verdadeira. Era um maluco de primeira!
De repente, o advogado retirou sua máscara cirúrgica e não havia nada de assombroso em seu rosto, exceto um sinal sutil no queixo, perto dos lábios. Ele abriu um sorriso misterioso e retirou o chapéu de sua cabeça, pôs a maleta de lado e recostou-se melhor em meu sofá. Cruzou as pernas e apoiou as mãos nelas. Aquele sorriso me dizia que havia mais coisa por trás.
— Ele não é louco. Porque se o fosse, não estaria no cargo de diretor-geral há tanto tempo. — ele falou pacientemente. — Sasuke sabe que você é o melhor investimento de Shisui, além de ser um bom amigo. Se outro escândalo lhe envolvesse, você sairia prejudicado e isso prejudicaria diretamente o primo dele. Acho que não sabe, mas os Uchihas prezam muito pelos laços familiares. — Kakashi guardou seus papéis na maleta, buscou seu chapéu, ajustou a máscara e se levantou, se encaminhando para porta. — Com isso, eu me retiro. Tenha um bom dia. — ele fez um aceno com o chapéu.
Passei os olhos rapidamente pelos papéis e dois pontos me chamaram a atenção.
— Treze mil? O que é isso? Uma esmola? Ganho isso em 5 minutos! — achei o valor ridiculamente pequeno. — Uchiha Maiko? Quem é essa? — estranhei, nunca tinha ouvido falar nessa mulher.
— É para não passar em branco. — ele brincou — Meu patrão me disse que vai devolver o favor de outra forma. Quanto a Maiko… — seus olhos brilharam sagazes — É a mulher mais importante da vida dele. Nem a mãe dele se equipara. Eu diria, ainda, que por ela, Sasuke mata e morre.
— UAU! Ele se importa com outra pessoa que não seja ele mesmo! Isso sim é novidade. — falei sarcasticamente.
Kakashi abriu a porta e antes de sair completamente para fora, me deixou essa:
— Sabe… Eu nunca ouvi dizer que Uchiha Sasuke só pensasse em Uchiha Sasuke. Ele é bem babaca, talvez o maior babaca de todos, mas egoísta? Não. Pelo menos é o que eu acho, depois de trabalhar vinte anos para ele. — então a porta se fechou e segundos depois ouvi seu carro partindo. Fiquei com cara de idiota.
O resto do dia se passou sem mais novidades. E para não quebrar a rotina, Kiba apareceu na minha casa, dizendo que tínhamos que sair, porque ele estava de saco cheio de ficar vagabundeando. Eu me arrumava quando meu celular tocou, era Shisui, então atendi logo.
— Resolvi tirar uma folga hoje e sei o lugar certo para irmos!— ele falou sem mesmo dizer oi. Quanta educação!
— Como assim folga? E você estava trabalhando, seu doente? — reclamei. — De qualquer forma, o Kiba já está aqui, porque você não vem nos buscar?
— Chego aí em quinze minutos.— E desligou na minha cara! Assim, do nada. Esse homem com certeza não é um Uchiha. Estou pensando seriamente em pedir um teste de DNA.
Avisei a Kiba que Shisui estava chegando para nos pegar e me apressei em terminar de me vestir. Antes que nos déssemos conta, ouvimos uma buzina na porta da frente. Chamei meu amigo e nos dirigimos até o carro, comigo parando para fechar a porta da casa.
— Boa noite Sr. Educação. — falei irritado para o estilista. Ele só fez rir e acenar com a cabeça para eu e Kiba. Entramos no carro para logo em seguida meu chefe dar a partida.
— Para onde está nos levando? — perguntou meu amigo de presas.
— Um lugar que costumo frequentar… — respondeu Shisui distraidamente.
— Hum… espero que não seja um atêlie! — falei brincando. Era impossível passar muito tempo com raiva dele.
— É um bar, Naruto! — ele revirou os olhos, sem tirar os olhos da rua.
Batemos um papo amistoso durante o caminho, que foi razoavelmente curto. Chegamos no dito bar e eu acabei gostando muito do ambiente, não era do tipo: Bitch, I’m rich!, estava mais para aqueles bares beira de estrada, calma, não tanto, era até arrumadinho. Havia um letreiro discreto, sem ironia nenhuma, com ares de anos 70, que diziam “Bola 7”. O local ficava afastado do centro, um pouco perto da minha casa, havia um estacionamento antes, a céu aberto, onde Shisui deixou o carro, e alguma mesas do lado de fora. Realmente um lugar com um vibe boa.
A iluminação era quente, dava um ar aconchegante para o local, as mesas eram pequenas e a decoração era toda em madeira. Era o tipo de lugar perfeito para se relaxar tomando alguns drinques gelados e jogar o papo fora. Havia um barman preparando os pedidos atrás de um balcão que ficava em frente a uma estante feita de espelhos, lotada das mais famosas bebidas que se tinha notícia. No lado oposto ao barman, havia duas mesas de sinuca onde pessoas jogavam animadamente, talvez tenha sido essa inspiração para o nome do bar.
Não entendi porque, mas uma música alta tocava, uma música envolvente, boa de se ouvir, além de muito animada. Era alta o suficiente para me fazer alterar a voz para falar com os outros. Talvez fosse jazz, ou blues, ou algo com cornetas e trompetes.
— Por que você nunca me trouxe aqui? — olhei indignado para Shisui.
— Geralmente quem me acompanha é o Itachi. — suas bochechas escureceram. Que fofo, ele corou.
— Acho que você virou o estepe, Naruto! — Kiba gargalhou, chamando a atenção das pessoas próximas.
— Já chegou a hora que começamos a beber? — falei revirando os olhos para meu amigo de tatuagens.
— Vocês sabem que o motorista da noite sou eu, né? — falou Shisui.
— O que? Mas não foi você que falou em folga? — esse cara não é normal.
— Não preciso me embebedar para relaxar, Naruto. — ele sorriu e deu uma piscadela.
— Enfim… menos papo e mais álcool. — Kiba já se sentava em uma mesa e chamava o garçom com um aceno de mão. O acompanhamos. Ele pediu um dose de whisky, enquanto preferi começar com vodka.
Shisui? Pediu uma garrafa de água com gás. Cara, alguém me esconde. Quem bebe isso em um bar? Alocka.
— Só saio daqui arrastado, que fique bem claro isso. Vocês não sabem o que me aconteceu hoje de manhã! — comecei a descarregar a tensão do dia.
Bebíamos, eu e Kiba, muito rapidamente devo dizer, enquanto eu narrava o ocorrido. Falei que Sasuke estava me multando em treze mil reais por causa do escândalo da noite de duas semanas atrás e detalhei minuciosamente o sujeitinho que veio me dar a notícia. O advogado do diabo. Deixei claro que eu não acreditava naquela história de bom samaritano, que o Sr. “essa desgraça não morre” não era um egoísta de primeira qualidade e que não passava de um babaca egocêntrico, e pelas minhas palavras, provavelmente o álcool estava se achegando ao meu cérebro. Vi que Shisui fez careta o tempo inteiro, mas ignorei completamente, Kiba só ria histericamente devo ressaltar, do meu linguajar. Aparentemente não é só eu que já estava alterado pela bebida.
— Cadê esse garçom que chamo há um século? — Falou o tatuado com a voz soando de forma engraçada. — Foda-se! Vou eu mesmo buscar a garrafa! — ele se levantou repentinamente e assim que virou esbarrou em alguém, que só não caiu porque se segurou na cadeira da mesa ao lado.
— Ops… — gargalhei alto. Não me atentando a muita coisa.
Era um homem alto, cujo rosto escondido pela boina escura foi logo apresentado quando ela caiu de sua cabeça. Kiba demorou-se olhando para aquele homem. Esfreguei meus olhos e simplesmente não pude acreditar na coincidência maldita que estava diante de mim. Eu, que passara horas falando no diabo, acabei invocando o condenado.
Notei Shisui apreensivo, mas nada aconteceu, simplesmente a criatura buscou o chapéu no chão, fez um aceno breve de cabeça para Kiba, como se já o conhecesse e foi para o balcão, sentar-se na banqueta perto da porta. Não se virou, nem dedicou um mínimo olhar, vestido de pulôver preta e calça jeans de mesma cor, usando coturnos e aquelas luvas malditas de couro preto que brilhavam na meia-luz. Talvez aqueles fossem os acessórios que eu mais odiasse na minha vida.
Num movimento gracioso, ele retirou cada uma das luvas, revelando dedos finos e compridos, e tornou a beber com uma concentração inabalável. Como sempre, ele agia como senhor de tudo e de todos, como se estivesse acima de tudo e de todos. Não sei se é por causa do álcool ou por causa da minha raiva, mas meu corpo esquentou rapidamente só por vê-lo. E tudo o que se passava na minha cabeça era a cena que imaginei mais cedo. Um belo soco certeiro no meio da sua boca. E seus dentes perfeitinhos caindo como flocos de neve. Senti minha visão escurecer, e era a isso que eu me referia… Taquei o foda-se.
— Ora ora, se não é o Sr. Uchiha que nos presenteia com sua ilustre presença. — falei alto enquanto me aproximava do capeta.
— Problema com isso? — ele se quer se virou, continuou bebendo.
— Problema com você? — perguntei inocentemente. — Jamais! Mas tenho uma coisa muito engraçada para te contar. Hoje, o seu advogado me visitou e me falou coisas muito interessantes sobre você... — dei o meu melhor sorriso felino.
— Hn. — foi o tudo o que disse enchendo seu copo. Ele continuava sem me olhar. E isso estava me irritando DEMAIS!
— Olha para mim quando eu estiver falando com você, seu babaca. — empurrei seu ombro como um incentivo.
Nada. Eu me sentia tratado como um homem invisível. Era como se ele estivesse num mundinho de merda que eu não conseguia alcançar.
— Por quê? — foi o que ele me disse.
— Porque temos antigos assuntos a tratar, não pense que me esqueci como você tratou o Kiba e meus outros amigos há mais de 10 anos atrás? Eu me arrependo amargamente de não ter conseguido enterrar essa sua cara arrogante. Uma pena você não ter morrido… — destilei meu veneno para cima dele.
Ouvi-o suspirar, provavelmente revirasse os olhos.
— É o que todos dizem. — falou com um tom cansado — Que eu deveria estar morto, mas no fim das contas, são esses mesmos que me procuram implorando por ajuda. — ele se levantou bruscamente e eu acabei dando um passo para trás — Quer saber? Boa noite. — Sasuke colocou o dinheiro no balcão e foi andando em direção a porta.
— Depois sou eu que fujo… Isso Sasuke, volta para sua puta! Como é mesmo o nome dela? — dei um incentivo para que ele prosseguisse seu caminho, leia-se o empurrei com força, o que o levou ao chão. — Ah, lembrei. Maiko, estou certo?
Sasuke apoiou-se nos punhos e se colocou de pé lentamente, virou-se e me fitou. Aqueles mesmos olhos selvagens de quase dez anos atrás, como um animal feroz prestes a engolir sua presa. Em outras épocas, eu teria medo daquele olhar, mas os tempos são outros. Aquilo alimentou minha raiva.
— O que foi que você disse? — sua voz soou baixa, severa, mas eu podia ouvi-la bem.
— Tenho certeza que você não é surdo, mas eu repito, não se preocupe. — sorri de lado. — Está voltando para sua puta? — fui bem enfático na última palavra.
Ele abriu um sorriso estranho, um sorriso perigoso, ergueu uma mão no ar e involuntariamente eu a fitei, porém não vi o soco forte que ele deu na minha barriga. Assim que me curvei de dor, senti a sola do seu coturno se chocar contra a minha cabeça. Eu tenho certeza que eu voei, pois senti os copos e a madeira fria de outra mesa se chocar contra as minhas costas. Movi-me sobre a mesa, todos se afastaram dali para dar espaço para Sasuke vir até mim.
— Se essa sua boca de merda cuspir mais uma palavra sobre Maiko, eu mato você, seu merda. — ele falou baixo, mas furiosamente.
Ele se virou e foi para a porta de novo. Ergui-me de vez, trazendo comigo a primeira coisa que minha mão alcançou. Joguei-a contra suas costa. Uma garrafa cheia de whisky desperdiçada nesse idiota. Sasuke parou e foi a minha deixa para eu correr, pegar duas garrafas de cerveja e acertar em sua cabeça, derrubando-o. Montei em seu corpo e me preparei para socá-lo, mas Sasuke me impediu acertando uma cotovelada na minha cara.
Cambaleei para trás, foi o tempo para ele se levantar. O diabo sacudiu a cabeça e tocou-a de leve, com a ponta dos dedos. Sangrava. E eu só podia sorrir com a visão do sangue negro.
— Cara, é tão bom ver que os tempos mudam, né? Não ache que dessa vez você vai sair com o rosto perfeitinho como da outra vez, se bem que não fui eu que passei três meses em coma no hospital. — dei uma gargalhada sinistra. — Espero que dessa vez o serviço seja completo. É uma pena. Acho que Maiko vai sentir sua falta. — pisquei os olhos para ele.
Ele estreitou o olhar. Jogou um copo contra mim, mas eu desviei rindo. Ele se abaixou, deu um mortal para frente e no giro acertou a minha cabeça, fazendo-me cair sentado. Sasuke agarrou a minha camisa e me jogou contra outra mesa. Ele não gritava, não rosnava, não bufava, agarrou minhas pernas, girou meu corpo, me colocando de costas e eu senti um soco poderoso em minha coluna. Aí eu gritei de dor. Porque doeu para cacete.
Eu meio que dei um coice nele. Levantei-me já levando a mesa comigo e a lancei contra Sasuke, que deu um salto para trás do balcão para desviar. Esse filho da puta é o que? Um sapo? Um gato? Fica quieto para eu te matar, pensei pegando uma garrafa, quebrando a ponta na parede e indo até ele. Alguém me segurou.
— Naruto, não faça isso!!! — era Shisui.
— Isso o que? Matar esse bastardo? Mas é claro que não, vou só rasgar esse rosto perfeitinho! — meus olhos arderam em fúria.
— Pelo o amor de Kami, Naruto. — ele não me soltava por mais que eu forçasse — Não faça isso consigo mesmo! Não vale a pena!!!
— Tudo bem, você tem razão, no que estou pensando? — fingi arrependimento e Shisui me soltou devagar, meio temeroso, mas me soltou. Foi a deixa.
Corri feito um touro bravo na direção do balcão, mas Sasuke não estava lá. Tentei me virar, mas fui pego de surpresa pelo mata leão que o diabo aplicou em mim com força. Eu podia vê-lo sorrir, enquanto Shisui gritava para que ele me soltasse. Minha sorte foi Kiba, que agarrou Sasuke pela cintura e se jogou no chão, levando-me de todo jeito no embalo.
Levantei-me para atacá-lo, mas parei no ato, pois Kiba já se atracara com ele, tentando socar a todo custo o seu rosto, mas sem conseguir.
— Você pode fazer o que quiser comigo!!! — ele gritava — Mas com Naruto não!!! De novo não!!! — o que ele quis dizer com isso?
Sasuke aproveitou que Kiba parara e no ato acertou um soco assustador na cara dele. Eu ouvi o som horrível de seu nariz quebrando. Que porra de soco foi esse? Kiba caiu de lado, desmaiado, com sangue escorrendo pelo nariz e boca. Não, Kiba não, de novo não.
— Sasuke!!! — gritou Shisui — Por tudo que é mais sagrado…!!!
— Quer apanhar também? — ele falou com uma calma anormal ao se levantar. Eu o encarava atônito, sem acreditar no que minha mente percebera — Que foi? — ele me fitou sorrindo de lado, sadicamente — Vai me dizer que não sabia que eu comia seu amigo?
— Não me importo com quem o Kiba anda trasando, mas de uma coisa eu sei, ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM! — eu ia matar aquele filho da puta nem que fosse a última coisa que eu fizesse em vida.
— Vai fazer o quê? — ele disse vindo mais para perto — Explodir meu carro? Acertar essa garrafa em mim? — ele veio me socar, mas eu desviei.
No ato esmurrei sua barriga numa sequência de três socos. Sasuke foi ao chão de novo, mas me derrubou com uma rasteira. Eu vou estrangular ele. Arrastei-me apressadamente e montei-o, prendendo-o no chão, tentei amassar a cara linda dele, mas não consegui porque ele continuava se defendendo com os braços cobertos. No segundo que parei para respirar, Sasuke acertou uma cabeçada forte em mim. Nossas testas se tocaram e eu senti um choque tão forte contra meu corpo, que eu caí de lado, semelhante a ele.
Sasuke veio para cima de mim e ergueu o punho no ar. Minha vista estava embaçada, minha cabeça doía, eu sentia meu corpo pesado, mas consegui fitá-lo. Kami… Os olhos dele. Kami, os olhos dele! São… Diferentes de todos os olhos que eu já vi. Não é preto, nem cinza, nem branco, nem nenhuma variação dessas cores. São… Lindos... Seu punho havia parado no ar, ele parecia atordoado. Sasuke sacudiu a cabeça e socou o chão com força, pois eu desviara.
Empurrei-o com as mãos e chutei suas pernas, afastando-o de mim. Nos levantamos e nos fitamos. Eu estava assustado. O mundo parecia diferente. Ele parecia… Colorido. Fitei minhas mãos, minhas roupas, fitei Kiba e Shisui. Os olhos de Shisui… Eram da mesma cor dos de Sasuke, com um brilho cor de sangue. Não me diga que…?
— De todas as pessoas no mundo… — Sasuke murmurava e aos pouco foi aumentando o tom de voz — Por que tinha que ser justo você, Naruto?!
As palavras de Iruka retornaram a minha mente como se fantasmas sussurrassem aquelas palavras. Uma pessoa inesperada, do meu passado, que não seria meu amigo, próxima de mim, um encontro conturbado, nossos destinos já haviam se encontrado, há mais de dez anos. Por Kami, por que Uchiha Sasuke é a minha soulmate? E por que eu estou achando ele lindo com esses olhos vermelhos ferozes?
— Seu filho da puta!!! — ele gritou e com um giro rápido de pernas, chutou o meu rosto. Acabei indo para fora do bar por causa do impacto. — Eu vou te foder, seu merda, só porque você é a minha soulmate!!! Eu vou te foder tanto que você não vai servir nem para ser puta de rua!!! Eu te poupei para te proteger. — ele falou lentamente — Eu poupei essa sua cara de puta mal comida só para garantir seu emprego e do meu primo, mas agora… — Sasuke agarrou meus cabelos e me arrastou para o estacionamento. Eu gritei de dor — Eu vou devolver todos os favores que você me fez Naruto, todos eles.
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