Cores do Meu Coração

54 Dobe 21 - Porque o fim é sempre incerto


Notas iniciais
DiAngelo: Hello, pessoinhas! Vcs tão aí né? Pq teve gente q disse q ia abandonar a fic, isso faltando dois caps pra terminar... ¬¬ Bem, para essas pessoas só posso dizer o seguinte: lamento por vc... '-' Mas enfim, vamos as notas. Gente, a era do lencinho continua e só pra alertar: nem sempre lágrimas são de sofrimento *solta esse no ar* Ñ vou falar mais nada para ñ dar spoiler do cap, mas queria lembrar a vcs a coisa mais triste do dia: esse é o penúltimo cap! :'''''( Para finalizar, dedico este cap a leitora Violet, q tbm favoritou a fanfic. Espero q vc curta o amadurecimento do nosso herói loiro! *-* E repasso o calendário de postagens, pra vcs ñ esquecerem: dia 18 ou 19 de junho: dobe 22 (último cap de NMD) dia 22 de junho: filler comemorativo dia 29 de junho: epílogo de NMD (SURPRESAS! muahahahahaha) dia 2 de julho: entrevista com as autoras (curtam a page, saspestes!!!) https://www.facebook.com/sociedadeprovadoresgaspacho/?ref=bookmarks Nonna: Eu não vou comentar o que chegou aos meus ouvidos esses dias em relação a fanfiction. Já passei por tudo com as minhas historias e não esperaria menos dividindo essa experiência com DiAngelo. So posso dizer que é uma pena. Enfim, não foram os primeiros, não serão os últimos, isso sempre acontece, não é, DiAngelo? Enfim... Cap de hj. Se liguem no titulo. Digo que, de minha parte, nossa vida é quebrar paradigmas e fazerem vcs perderem as estribeiras. Que bom que estamos conseguindo. So quero ratificar o que DiAngelo disse: Acho que agora vcs verão um Naruto mil vezes mais maduro em relação ao do começo do cap e isso é muito bom. Vamo que vamo, negada!

As duas primeiras semanas foram as piores. Eu ficava encolhido na cama, entorpecido, sendo vigiado de perto por Kurama. A vida passava e eu não sentia absolutamente nada, exceto nos momentos que eu me entregava de corpo e alma a dor lancinante de saber que ele não estava mais aqui. Dor. Muita dor. Eu nem havia me casado e já estava viúvo. Kami, como doía, minha soulmate, o amor da minha vida, morreu em meus braços e eu não pude fazer nada para impedir.

O bastardo sabia que ia morrer, Maiko nos disse.

Eu sentia um vazio horroroso no peito, não o mesmo de antes, aquele era uma deformidade, uma imperfeição, um defeito e ele havia sido consertado pelo meu diabo, meu amor. Esse novo vazio era uma parte minha que havia morrido junto com Sasuke, uma parte do meu coração. Até parece que quem foi atingido por balas fui eu, não ele.

Era tanta dor, que eu me abraçava, encolhido, gritando, soluçando, chorando como um bebê. Desespero. Terror. Angústia. Aflição. Desalento. Nesses momentos, eu era feito apenas disso. Shisui tentava me consolar de todo o jeito, mas nada faria aquela dor sumir, exceto a presença de Sasuke. Somente ele podia me salvar. O problema era que ele não pode nem se salvar. Ele não voltaria. Não dessa vez.

Quando eu não conseguia mais gritar e chorar, o entorpecimento voltava, e todos falavam que isso era bem mais assustador de se ver. Eu preferia assim, a dor latejava fracamente, num leve pulsar. Eu podia voltar a respirar.

No fim da segunda semana após a morte de Sasuke, num raro momento de lucidez, eu ouvi Sui e Itachi conversando aos sussurros quando eu saia do meu novo quarto (Maiko e eu estávamos morando provisoriamente com Itachi e Shisui), através da porta entreaberta da suíte deles. Eles verbalizavam o medo que sentiam em deixar eu cuidar de Maiko sozinho, pelo menos do jeito que eu estava.

E esse foi o tapa na cara que a realidade me deu. O que eu estava fazendo? Eu era pai agora!

Escorreguei pela parede, me sentando no chão e tampei meu rosto com as mãos, tentando esconder a minha vergonha. O que ele pensaria de mim? Ele confiou seu bem mais precioso a mim e eu estou negligenciando o seu desejo. Maiko não pode perder mais alguém, eu não posso deixar ela passar por isso sozinha. Por Kami, ela é só uma criança! Ela precisa que alguém lhe dê sustentação, apoio. E Sasuke queria que esse alguém fosse eu. E eu NÃO vou decepcioná-lo. Não mais.

Me levantei, decidido a me manter forte por Maiko e fui atrás dela, com a intenção de me desculpar por a estar negligenciando. Ela estava na lavanderia, sozinha, como sempre ficava, sempre sentada embaixo da pia, cabisbaixa e de olhos fechados, as vezes chorando, as vezes conversando sozinha. Maiko sorria, diferentemente de mim, mas eu sentia que por dentro não restara nada, ela era menos do que havia em mim depois da perda.

— Maiko? — chamei baixinho, entrando devagar pela porta.

Lá estava ela, abraçando os próprios joelhos, encolhida embaixo da pia, Puppy, seu leão que quase não era leão mais, estava ali, servindo-lhe de travesseiro. Ela vestia uma enorme camiseta preta de Sasuke que havia estampada bem na frente uma foto, que não pude ver por causa de seus joelhos. Seus olhos estavam escuros, vazios, perdidos.

Maiko só ergueu um pouco o rosto e deu um sorriso dolorido, franzindo as sobrancelhas, para então baixar o rosto e encostar a cabeça em Puppy.

— Ô meu amor, me desculpe… — corri até ela, sentando no chão e abri meus braços, convidando-a. — Eu sou um idiota. Ele teria vergonha de mim se visse o quão fraco fui. Desculpe, desculpe… — repeti baixinho, sentindo as lágrimas banharem meus olhos. — Prometo que nunca mais farei isso. Não vou te abandonar mais nunca. Darei meu sangue se preciso para que você seja feliz. — funguei enquanto sorria de leve, me sentindo miserável.

Maiko não veio, ficou ainda mais encolhida, abraçando sutilmente o leão de pelúcia. Ela ficou ainda mais ao fundo da pia, baixando o olhar. Respirava fundo, quieta, me olhando de baixo.

— Kami, o que eu fiz? — tampei os olhos com uma mão e solucei, sentindo a vergonha aumentar drasticamente. — Ele pediu para que eu cuidasse de você… — fui interrompido pelo aumento do choro. — Eu não cuidei nem de mim! — ri amargamente. — Eu sou tão fraco...

Senti duas mãozinhas no meu rosto e ergui meu olhar. Maiko estava de joelhos entre as minhas pernas, os olhos brilhantes de lágrimas, afagando meus cabelos. Seu cabelo amarrado alto na cabeça a fez ficar tão parecida com Sasuke.

— Papai me disse, esses dias, que você sofreria… Porque não confia em si mesmo… Então ele me pediu para te mostrar isso. — ela puxou o tecido da blusa para cima e então pude ver a estampa.

Era uma foto, eu não conseguia ver muitas cores, mas podia entender que era uma foto. Sasuke abraçava carinhosamente um bebê. Era óbvio, pelo sorriso doce de Maiko, que aquele bebê era ela, nos seus primeiros meses de vida, dormindo confiante no ombro do pai. Sasuke foi pai solteiro a vida inteira e sempre se manteve forte pela filha, pelo bem dela, sempre pensando nela.

— Ele me pediu para ler isso também. — ela tirou um pedaço de papel amassado do bolso da saia coberta pela camisa gigante e veio sentar-se no meu colo. Assombroso! Era a letra dele! — “Naruto.” — ela lia em voz alta e eu senti algo em meu peito se remexer. — “Se Maiko está lendo isso, é porque você está cavando um túnel dentro do fundo do poço”. — riu, apesar de suas lágrimas caírem. — “Pode voltar para superfície, seu bastardo!” — Bufei. Até morto ele me repreende! Maiko me fitou, enxugando as lágrimas com as costas das mãos e me olhou com real dúvida. — O que é bastardo?

— É a forma carinhosa que nos tratávamos… Mas não repita isso por aí. Não é uma palavra muito bonita. — dei um sorriso amarelo. O que dizer para uma criança numa situação dessas?

Ela franziu o cenho, tentando entender.

— É como Mai-chan? — perguntou. — Papai dizia que só ele podia me chamar de Mai-chan. É assim?

— Não exatamente. — esfreguei minha nuca desconfortavelmente. — Eu o chamava assim quando ele me irritava, sabe? É um tipo de xingamento, mas não repita por favor, é capaz de seu pai puxar meu pé de noite! — estremeci, enquanto imaginava a cena.

— Ah! — ela abriu os olhos. — Como criatura! — riu. — Papai sempre dizia assim, quando ia brigar comigo. — Maiko fez uma de suas imitações de “Sasuke com raiva”, engrossando a voz. — Uchiha Melody Maiko, eu disse para comer os vegetais! Venha aqui agora, criatura! — e riu-se. — Sempre que eu fazia algo de errado, ele me chamava de criatura.

— Sim, algo do tipo. Pode continuar a ler? — perguntei, ansioso.

Ela assentiu e se ajeitou em meu colo para tornar a ler com eloquência.

— ”Não ouse deixar minha filha sozinha na superfície e se enterrar vivo no fundo do poço! Cadê o homem orgulhoso por quem eu me apaixonei? Cadê o cara que com treze anos enfrentou o Diabo Uchiha Sasuke que estava em plena separação?” — ela me fitou para saber se eu acompanhava. Apenas assenti. — “Acha mesmo que eu estou gostando de ver meu segundo amor chorando pelos cantos? Vou repetir de novo o que eu disse, e sinta isso como uma tapa na sua cara, animal!” — ela riu de novo e fingiu bater na minha cara, quando na verdade afagou a minha bochecha. Acabei rindo disso. — “Eu poderia ter confiado Maiko a Itachi, a Shisui, a Hinata ou a Shikamaru, mas eu escolhi você e se Uchiha Sasuke confia em alguém, essa pessoa pode virar presidente do mundo, se quiser!”. — Maiko franziu o cenho e virou a cabeça lentamente. — Vai virar presidente do mundo, Naruto? — gargalhei. Ouviram? Dei uma longa risada, após DUAS semanas de melancolia e luto.

— Não, meu amor. É só o seu pai sendo engraçadinho. Ele adora fazer isso. — puxei de leve seus cabelos e sorri, me sentindo mais leve.

Maiko riu um pouco e deu de ombros.

— ”Você vai conseguir, meu amor, não se preocupe. Maiko é uma garota esperta e vai te ajudar a seguir em frente. Eu me apaixonei pelo seu sorriso, então onde quer que eu esteja, não me prive dele mais, eu quero te ver sorrindo, pois você é lindo assim. E pela centésima vez, Naruto...” — ela fez uma cara de “ai que saco” só para ilustrar aquela parte e depois sorriu. — “Amanhã, eu ainda estarei contigo. Vê se não esquece. Amor de soulmate é para sempre.”. — assim terminou o bilhete endereçado para mim.

Maiko levantou-se do meu colo, guardou o bilhete e esticou uma mão para mim. Peguei sua mão e me levantei, pensando no quanto Sasuke me conhecia. Ele sabia exatamente o que e como eu faria. Como não amar aquele idiota? E pensar que até nisso ele pensou para mim.

— O que acha de ir comigo conhecer o lugar que seu pai treinava capoeira? Meu pai treinou lá também. — perguntei, torcendo que ela me acompanhasse, não sei se conseguiria fazer isso sozinho.

— Ver o vovô Zé? — ela perguntou, buscando Puppy para sairmos da lavanderia.

— Amanhã. Topa? — estendi minha mão, para que ela a segurasse.

Maiko entrelaçou a mão na minha e se aproximou de mim. Ela assentiu com veemência e soltou um suspiro cansado, como se tivesse passado o dia chorando e por fim tivesse se acalmado. Ela encostou o rosto na minha mão e eu abri a porta para sairmos da lavanderia.

Corajosamente, dei um grito fino, pois Itachi e Shisui apareceram simplesmente do nada do outro lado da porta. Maiko gritou também, largando Puppy e se agarrando a minha perna com força. Eu tenho certeza que meu coração voltou a bater depois disso.

— O que diabos vocês pensam que estão fazendo? Tentando nos matar? — falei, irritado, com uma mão sobre o peito, que batia acelerado, e a outra apertando levemente o ombro de Maiko. Ela respirava fundo, engolindo em seco, tremendo.

— Ouvimos você rindo e eu quis ver o que estava acontecendo — defendeu-se Shisui.

— Eu achei que você tinha enlouquecido de vez e vimos correndo para saber se algo tinha acontecido com Maiko! — Itachi arfava. — Por Kami, o que aconteceu?

— Não aconteceu nada, seus malucos! Vocês que assustaram a menina! — falei na defensiva e peguei Maiko no colo. — Você está bem? — perguntei para ela, preocupado, a fitando.

Ela assentiu e fitou os tios. Deu língua para eles e escondeu o rosto na curva do meu pescoço.

Shisui me olhou com a boca aberta, chocado. Sorri enquanto piscava o olho para eles, depois imitei Maiko e dei língua também. Dei as costas para os dois e fui-me embora. Passamos o resto do dia no quarto de Maiko, com ela me mostrando seu álbum de fotos de quando era bebê e outras mais recentes.

No outro dia fomos até o centro de treinamento do Mestre Zé. Por incrível que pareça, Maiko foi me ensinando o caminho, me contando histórias que aconteceram por ali envolvendo seu pai: histórias engraçadas, algumas assustadoras e outras esquisitas. Quando finalmente chegamos ao centro, me deparei com um local a céu aberto. Eu imaginei algo como um ginásio, mas na verdade era só uma antiga e larga mangueira de rama arredondada que delimitava com sua sombra a região de treino.

Sentado perto do tronco, num banco feito de alvenaria, fumando um cachimbo longo, soltando anéis de fumaça branca, sozinho e olhando o mundo, talvez, havia um senhor de pele escura, talvez queimada pelo sol, com a cabeça raspada e brilhante, a barba mal feita branca que contrastava com sua pele morena, usando roupas brancas de linho e de chinelos de couro surrados. Na outra mão, encostado em seu joelho, havia um estranho instrumento que parecia um arco com um coco amarrado nele e perto de seu joelho havia um tipo de tambor pequeno.

Para um centro de treino, não havia mais ninguém ali e, se me recordo bem, aquele era um dos dias em que Sasuke ia treinar pelo horário da manhã.

Seu rosto transparecia uma paz, uma serenidade palpável, gentil, e quando seus olhos encontraram os meus, ele sorriu, repuxando os lábios para o alto, enrugando a pele enrijecida do rosto.

Maiko correu na frente e parou diante do senhor, as mãos atrás do corpo, sorrindo.

— Bom dia. Sou Uzumaki… — comecei, esticando a minha mão para ele.

— Naruto, não é? — ele falou, apontando o cachimbo para mim, me interrompendo. Ele me conhece? Seria por causa dos meus pais? — Você tem os olhos dele, mas com certeza você é a cara da sua mãe. — comentou, voltando o cachimbo para a boca, fumando lentamente. — Uzumaki Naruto… A raça dos Uzumaki é inconfundível... — ele parecia pensar em algo. — Tudo bem?

— Estou tentando ficar. — sorri de forma triste. Era bem pior sentir falta de Sasuke e meus pais ao mesmo tempo. — Você é Mestre Zé, estou certo?

— Sim, ao seu dispor. — me cumprimentou com um aceno de cabeça. — O que o traz aqui com a filha do Corvo? — falou, sorrindo para Maiko.

Maiko sentou-se ao lado dele e ficou balançando as pernas, quieta, sorrindo e tocando de leve a cobertura que fazia o tambor. Estranho ela não dizer nada, geralmente Maiko é bem tagarela, falando com todo mundo que conhece sobre todo tipo de assunto. Talvez ela esteja como eu, se resguardando por causa do luto.

— Ela é minha filha agora. — mostrei minha mão esquerda e apontei o anel, que Sasuke me deu antes de morrer, com o indicador da outra mão. — Achei que estava mais que na hora de o conhecer. Foi através do senhor que meu pai conheceu Sasuke.

Ele franziu o cenho, puxando os lábios para baixo.

— Eu sei de tudo isso… Minato e Sasuke eram bons amigos, compadres.— falou com um sotaque espanhol. — Como o Corvo costuma dizer. Mas… Maiko ser sua filha é novidade. — ele riu como só os velhos conseguem rir e afagou gentilmente os cabelos de Maiko. — Então Sasuke se casou com outro Uzumaki, mas dessa vez com um homem? — riu novamente. — Curioso.

— Não deu tempo… — senti minha voz sair rouca, por causa do nó na garganta. Aquela dor pulsando forte novamente.

Ele coçou a barba e se levantou. Deu uma olhada em volta, inspirou o ar profundamente e soltou o ar devagar, para depois dar um trago no cachimbo. Estreitou o olhar.

— Mas você está de anel no dedo e tudo… — de repente seus olhos se abriram um pouco. — O que houve com o Corvo?

Olhei para Maiko, atônito, sem saber como falaria aquilo sem me acabar de tanto chorar.

— Papai… — ela engoliu em seco e se levantou de onde estava, vindo até mim. — Se foi… — Maiko abraçou a minha perna e escondeu o rosto na minha cintura. — Ele se foi para sempre… Mataram o meu papai!!! — ela começou a chorar.

Senti um nó na garganta por ver Maiko daquele jeito, peguei-a no colo e a abracei enquanto afagava seus cabelos. Fitei Mestre Zé com aquela conhecida angústia revolvendo-se dentro de mim. O homem arregalou os olhos e franziu a testa, duas lágrimas escorreram de seus olhos, mas foram rapidamente enxugadas. Maiko deitou o rosto em meu ombro e suspirou, tentando se acalmar e me abraçou com carinho.

— Eu sinto muito… — ele sussurrou. — Deuses… Sasuke está… — o homem se afastou de nós, indo sentar-se no banco. — Mas… — o vento soprou com força em nós. — Eu não sei o que dizer… Perdoe-me, Naruto. O que posso fazer por você?

Maiko ergueu o olhar ao sentir o vento contra nós, olhou em volta e respirou fundo. Eu vi-a sorrir de lado e assentir, como se tivesse ouvido algo. Ela me pediu para ir ao chão e eu a coloquei, a menina foi para o banco, retirou uma caderneta de seu casaco e uma caneta.

— Tudo bem, só vim para ver o treino. Acho que talvez isso me faça bem. Se era um hobbie para Sasuke, gostaria muito de conhecer mais à fundo. — sorri fracamente, para que ele visse que eu não estava tão mal assim.

— Claro, claro, eu lhe mostrarei tudo… Acreditamos que com a luta podemos conversar com aqueles que já foram. — Mestre Zé me abraçou e sorrimos. — Será uma honra ajudá-lo a superar essa dor… Afinal, duas pessoas importantes para você foram meus alunos.

— Fico muito agradecido. — fiz uma reverência.

Ouvi Maiko conversando sozinha. Fitei-a. Ela olhava para o alto, como se conversasse com alguém, enquanto sua mão movia-se sobre a caderneta, fazendo alguma anotação. Então minha filha olhou para baixo, leu mentalmente o que escrevera e sorriu. Veio até nós.

— Papai me pediu para ler isso. — ela respirou fundo e disse. — “Não sei exatamente como expressar a minha gratidão por tudo o que fez por mim, por ter ensinado todos esses anos a não me temer, nem ao meu destino. Você foi o pai que nunca tive, Mestre Zé, e por isso eu só posso lhe dizer muito obrigado.”. — Maiko fitou o homem. — Acabou.

Mestre Zé chorou, sorrindo. Pegou o pedaço de papel entre os dedos e respirou fundo, indo sentar-se de novo. Esfregava lentamente a cabeça ao ler e reler várias e várias vezes o papel. A felicidade escorria de seu rosto e seu sorriso brilhava.

— Foi você que escreveu…? — sussurrei para Maiko, achando aquela atitude estranha. Quer dizer, não podia ter sido Sasuke que falou com ela, ou poderia?

— Não. — ela me mostrou a caderneta. — Foi o papai que escreveu. — era a letra de Sasuke. — Eu só escuto o que ele diz e minha mão escreve. — Maiko deu de ombros. — Só acontece, Naruto.

Senti minha respiração acelerar drasticamente. Pode ser isso, não pode? Peguei o pingente de cristal pendurado em meu pescoço com a mão trêmula, levantando-o lentamente. Por favor, Kami, que eu não esteja enganado. Coloquei o cristal na frente de um olho e fechei o outro.

Meu coração parou de bater por alguns segundos, depois resolveu funcionar em velocidade dobrada. Não era nítido, mas eu reconheceria esse bastardo até no escuro. A silhueta de Sasuke, com seu cabelo de asa de corvo, dois reflexos de luz vermelha correspondendo aos seus olhos, todo vestido de negro, como sua sombra, encostado na grande árvore, perto de Mestre Zé. Braços cruzados, o pé apoiado no tronco, observando o velho.

Parecia um borrão, como uma mancha feita de tinta guache preta, como aqueles espíritos que vemos em fotos sobrenaturais espalhadas na internet.

Sua promessa. Sasuke nunca quebrou uma promessa sua. A de ficar comigo a cada dia não fora diferente, ele estava ali e cada vez que o vento soprava mais forte, a silhueta ganhava mais nitidez. Então, alguns minutos e um cumprimento depois, o vento transformou-se numa brisa e Mestre Zé disse adeus para Sasuke.

Maiko e eu fomos embora assim que o treino de capoeira acabou. Almoçamos fora, sem trocar palavras, eu ainda estava anestesiado com aquele momento. Minha dor fora tão intensa, profunda, horrível, que eu esquecera suas palavras finais. “Amanhã eu ainda estarei contigo”.

Depois desse ocorrido, fiquei meio obcecado, procurando Sasuke por todo lugar, mas claro que ele não aparecia. Eu sabia que ele estava ali, porém não conseguia vê-lo. No fim, acho que ele só estava tentando me ajudar a ser independente. Ele morreu. Não posso viver a procura de uma sombra ou espírito. Por mais que ele esteja comigo, não é a mesma coisa e eu sabia que ele estava certo em não colaborar com minha obsessão.

Dois meses após sua morte, Kakashi marcou uma reunião conosco — Itachi, Maiko e eu. O testamento de Sasuke ainda não havia sido lido e precisávamos saber como as coisas funcionariam dali em diante. Nossa maior preocupação era em relação a Maiko. Antes de morrer ele havia a confiado a mim, mas perante a justiça, não sabíamos como as coisas se dariam.

— Agradeço que todos os interessados estejam aqui. — Kakashi iniciou.

Estávamos no escritório do apartamento de Sasuke, sentados em um sofá de frente para a poltrona onde o advogado do diabo estava. Ele abriu sua pasta de executivo e tirou dali um documento de uma página, outro de duas páginas e um terceiro que era um maço de folhas. Eu necessariamente não sabia qual era a razão daquela reunião, mas Kakashi informara que era importante, então eu fora.

— Sasuke me avisou previamente que se caso realmente ele fosse assassinado, a entrega desses documentos deveria ser feita dois meses depois do seu “óbito”. — ele fez aspas com os dedos, o que eu estranhei. — Muito bem, sigamos com isso. Primeiramente, Naruto. — ele empurrou o documento de uma página para mim. — Essa é a certidão de casamento civil de Sasuke com você. — fitei lentamente o papel.

— Certidão de casamento? Kakashi, desculpa pela pergunta idiota, mas como assim? — o fitei, confuso.

Ele sorriu por baixo da máscara.

— Bom… Eu sei que não teve cerimônia e tal, mas Sasuke decidiu que iria casar com você, inclusive ele achava que iria sobreviver e se casar numa cerimônia de assinatura dos papéis. — suspirou, dando de ombros. — Mas ele tinha que ter sempre razão, não é? Ele tinha que acertar nos palpites. Enfim... — apontou para meu dedo com a caneta. — Ele te deu um anel de noivado e Uchiha Sasuke não foi homem de dar um presente desse sem pensar em casamento. — aquele aperto no peito, que já virou uma constante na minha vida, ficou pior com essa afirmação.

No papel, o nome dele já estava assinado e com todos os conformes prontos, só faltava a minha assinatura, o que não demorou, pois assim que recebi a caneta, eu escrevi meu nome ali. Devolvi-o, Kakashi conferiu, fez algumas anotações em sua agenda e carimbou, devolvendo-me.

Olhei para o papel e senti uma vontade intensa de me encolher e chorar. Como aquele vazio podia se manter da mesma forma que há dois meses atrás? A sensação que eu tinha era que não havia se passado nem um minuto desde a morte dele. A dor era a mesma, com a mesma intensidade. A única diferença era que agora eu estava aprendendo a lidar com ela, ou pelo menos achava que estava aprendendo.

— Está oficialmente casado com Uchiha Sasuke. — Kakashi falou, sorrindo. E tudo que pensei foi: “sou oficialmente um viúvo agora. Quanta ironia!”. — E como esse documento é anterior a morte dele, é válido em todas as suas instâncias. O que nos leva ao documento seguinte que eu devo lhe entregar. — ele buscou o de duas páginas. — A guarda de Maiko. — fitei a menina e ela me fitou. Apertamos as mãos entrelaçadas. — Diz “Por ventura de minha morte por homicídio, ou por qualquer outra razão, e com a oficialização da minha união com Uzumaki Naruto, portador do RG Nº XXXXXXXXXXX-XX, atual residente na cidade de Konoha, com estabilidade financeira garantida por seu ofício de estilista e por reservas feitas por mim, Uchiha Sasuke, portador do RG Nº XXXXXXXXXXX-XX, decreto que a guarda de Maiko ficará sob custódia de Uzumaki Naruto. Se por razões externas for do desejo do mencionado que a criança fique sob os cuidados de outra pessoa, esta deve ter, no mínimo, laço de sangue em primeiro grau e um nível aceitável de afetividade com Uchiha Melody Maiko”. — Kakashi me fitou. — Não preciso perguntar se quer a guarda de Maiko, então apenas assine aqui.

Assinei onde ele indicara. Itachi assinou como testemunha e agora eu era oficialmente esposo de Sasuke e pai de Maiko. Era legal, além de ser a vontade do diabo, portanto inquestionável. Por mais que isso não fosse surpresa para mim, eu senti uma alegria imensa. Maiko me entendia, ela perdeu sua soulmate, assim como eu. Éramos o pilar um do outro. E se Sasuke disse que ela deveria ficar comigo, eu não aceitaria menos que isso. Eu tinha orgulho de poder dizer que Maiko era minha filha. Ela era uma pessoa incrível e eu não queria que outra pessoa tivesse sua guarda, eu não confiaria em mais ninguém com ela.

Kakashi continuou com a leitura do documento. A Rebú ficaria sob orientações precisas deixadas com Hinata e com Shikamaru até o momento que o testamento oficial fosse liberado. O fundo financeiro doado ao Hospital Geral de Konoha ficaria sob a supervisão de Itachi. O apartamento do centro foi colocado em meu nome e os projetos sociais seriam assumidos pelo governo. Mas houve outra parte que fora estranha no testamento.

— “Fica assim decidido e, portanto não deve ser violado, a restrição total de entrada de pessoas na Mansão Uchiha, bem como seus arredores, e no Monte Uchiha e seus limites territoriais. A pena para a violação dessa máxima é de prisão somada ao pagamento de uma multa que será avaliada pela quantidade de metros avançados pelo atuante. Somente aqueles mencionados nesse documento terão permissão para entrar nas mencionadas propriedades, que estarão completamente seladas.”. — Kakashi respirou fundo e continuou. — São esses os nomes: Uchiha Melody Maiko, Uchiha Itachi, Uchiha Shisui e Uzumaki Naruto.

Meio que me desliguei para pensar sobre essa restrição. Por que mais ninguém poderia entrar ali? Talvez fosse por causa das posses de Sasuke. Faz até sentido, muito sentido. Não podia ficar aberto ao público, pessoas poderiam mexer no patrimônio pessoal dele: quadros, estátuas, joias, carros, entre outras tantas coisas.

— Ainda diz que... — ele continuou. — Mesmo com as permissões dadas a vocês, só poderão entrar nas propriedades de Sasuke depois de quatro meses contando a partir de sua morte. Diz que é o tempo que todas as “situações se ajustam a nova realidade”.

Tentei chegar a alguma conclusão acerca dessas restrições e não cheguei a lugar algum. Depois pensei em algo que deixou uma sensação engraçada no meu estômago, Sasuke mandava, eu obedecia, afinal, eu era seu submisso, não? A euforia que senti com esse simples pensamento, por algum motivo, melhorou meu dia e aliviou um pouco a dor, o vazio.

Três meses do meu luto.

Shisui já havia voltado a trabalhar, mas me deixou afastado por quanto tempo eu quisesse e precisasse. Eu não estava bem, aliás, tenho medo de nunca estar totalmente bem, mas pelo menos eu não vivia mais naquele entorpecimento, agora conseguia focar as coisas a minha volta, comecei a prestar atenção nas pessoas de novo. Eu estava quase vivo por completo.

Perdi cinco quilos nas primeiras semanas de luto, mas desde minha primeira visita a Mestre Zé, decidi dar um rumo a minha vida. Voltei a academia, definitivamente dessa vez, por indicação da minha nutricionista e comecei a treinar capoeira. Não sei exatamente definir o que sinto a respeito disso. Meu pai e meu esposo praticavam e os dois não estão mais comigo, tem hora que acho que vou me jogar na frente do primeiro carro que passar em alta velocidade, mas aí lembro que ele está sempre comigo e que tenho uma filha para criar e que para minha felicidade, é a cópia dele. Nesses momentos, sinto aquela velha chama arder dentro de mim.

Quando a dor é muito grande, a ponto de eu não suportar, desconto toda a raiva e agressividade, por os deuses terem me dado tão pouco tempo com minha soulmate, em um saco de areia. Quem imaginou que eu começaria a lidar melhor com minha raiva? Pois é, acabei virando uma pessoa menos irritável. Os treinos de capoeira me ajudam muito nisso também.

Ah sim, Maiko e eu nos mudamos.

Agora moramos no apartamento de Sasuke.

Os primeiros dias após a mudança foram os mais dolorosos, o cheiro dele ainda está por aí, no travesseiro, nos lençóis de cama, no seu closet cheio de roupas, por eu não ter coragem de me livrar delas, enfim, em todo lugar. Tudo era Sasuke: o escritório todo organizado, as fotos espalhadas pela casa, as lembranças, tudo, absolutamente tudo me lembrava ele e eu estava a ponto de enlouquecer. Doía tanto. Tanto. Eu só queria ele de volta. Só isso.

— Pai? — pisquei e percebi Maiko do meu lado com uma escova de cabelo na mão e um semblante sério e indignado na cara. Droga, até assim ela me lembra Sasuke!!!

— O que tem, Sasuke? — olhei para ela extremamente atormentado.

Hoje não era um bom dia.

— Eu estou chamando você, Naruto, faz tempo! — ela cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha. Quando ela aprendeu a fazer isso? — Você é ou não é meu pai? — pisquei os olhos, finalmente entendendo o que acontecia.

— Você aquece meu coração! — senti aquela chama arder de novo. Fechei os olhos e sorri com todo o meu ser, aproveitando aquela sensação morna. Eram poucas vezes que eu podia usufruir de algo tão… Tão… Não sei nem como descrever.

Ouvi Maiko rir e jogar-se em cima da cama.

— Você é pai. Meu papai é papai! Simples assim. — ela deu de ombros, mostrando que sua lógica era realmente simples. — Pai disse que ia fazer uma trança no meu cabelo!

Senti as lágrimas chegarem, mas dessa vez eram agridoces. Como eu ainda conseguia chorar, isso eu não sei. O estoque deve ser muito grande...

— Vem cá, então. — me ajeitei na cama, me encostando na cabeceira e indiquei o espaço entre minhas pernas para que ela sentasse. — Quem imaginou que Uzumaki Naruto teria jeito com cabelos, não é? — brinquei, me sentindo muito melhor depois de ser chamado de pai. Ela veio engatinhando e se sentou como eu indicara.

Comecei a pentear seus longos cabelos negros, ajeitando as mechas com a escova.

— Pai… — ela me chamou e eu senti aquela sensação gostosa de novo.

Será que era assim que Sasuke se sentia sempre que Maiko o chamava de papai? Se for, entendo porque ele se dizia tão feliz. É enervante!

— Sim, querida? — falei, enquanto começava a separar as mechas de seus cabelos.

— Posso dormir com você hoje de novo? — sua voz soou envergonhada, baixa, meio tímida.

— Claro que pode. Sempre que quiser. — falei carinhosamente e me inclinei para frente, a olhando de lado, com certa preocupação. — Ainda com pesadelos?

Ela só assentiu sem me olhar, apertando o tecido da calça que eu usava entre os seus pequenos dedos. Ela apertou os lábios e me olhou de leve, então, surpreendentemente, saltou nos braços, agarrando-se a mim como ela fizera com Sasuke no hospital. Não houve o mesmo desespero do momento, mas era a mesma forma forte de abraçar, como se nunca mais fosse me soltar.

— Eu tenho medo, pai. — ela sussurrou, abraçando o meu pescoço. — Eles querem me pegar...

— Está tudo bem, meu amor. — a apertei de leve em meus braços e afaguei seus cabelos com carinho. — Eu estou aqui. E sabe quem mais? — ela negou. — Você sabe que Sasuke sempre vai estar te protegendo, mesmo quando eu não estiver por perto, né?

Maiko demorou pensando e me fitou, suspirando.

— Se eles vierem de novo, pai chama o papai? — ela me perguntou inocentemente. — Porque se vocês dois estiverem comigo, eu não vou ter medo.

— Claro, princesa. — beijei sua bochecha e sorri para ela. — Ninguém mexe com nossa filha! — apertei a ponta do seu nariz, piscando um olho. Maiko riu, praticamente me derrubando por cima dos travesseiros, beijando o meu rosto várias vezes e com carinho.

Desde esse dia, comecei a me sentir melhor morando no apartamento de Sasuke. As lembranças não eram um tormento, mas alimento para o meu amor. Não me importo de passar o resto da vida amando alguém que não está mais aqui. É minha soulmate, fomos feitos um para o outro, então não faz sentido, pelo menos para mim, eu tentar me desapegar totalmente dele. Jamais amarei alguém como o amo.

Devo comentar também que faz mais de dois meses que minhas cores sumiram, as de Maiko também, mas o fato de as ter conhecido nos conforta, mesmo que nunca mais as veremos de novo. Pelo menos temos um ao outro para nos apoiar. Tem sido mais complicado para Maiko, ela nunca experimentou o mundo sem cores antes. Foi como Sasuke me dissera: eu seria um bom pai quando chegasse a hora. Ela precisava de mim e eu dela, e assim seguíamos, um dia de cada vez.

Bem, após quatro meses de luto, eu já havia voltado a trabalhar, continuava na capoeira e na academia e todo meu tempo livre era totalmente devotado a Maiko. A dor continuava na mesma intensidade, mas para minha felicidade, surgia em raros momentos. Eu estava quase em meu estado normal de humor e isso me dava esperanças.

Acho que eu poderia ser o mesmo Naruto de sempre.

E finalmente a restrição havia acabado. Eu queria que Maiko conhecesse uma pessoa muito importante e que “morava” no monte Uchiha. Pois é, a vovó Mikoto. Mas claro que eu não daria uma de louco como Sasuke, que criava lobos…

Eu hein! E ainda vem falar do meu gato, vê se pode!

Voltando ao foco, vamos de helicóptero, porque eu não enfiaria minha filha no meio do mato e ainda a jogaria tirolesa abaixo, está me ouvindo, Sasuke? EU sou responsável, ao contrário de você, seu doido varrido! E agora eu estou falando com meu finado marido… Talvez seja indícios da idade chegando… Ou não.

O helicóptero nos deixou no pátio principal da casa onde acontecera o encontro assombroso entre Chiyo e eu. E olha, tenho que admitir, eu estava com medo de encontrar a babá de Sasuke e a velha tentar me matar. O que eu faria? Ela é uma senhora de idade, com uma bengala mortal, mas ainda sim idosa e eu não tinha mais Sasuke para me defender. Eu espero sinceramente que Maiko consiga amolecer o coração da mulher, como faz com todo mundo.

Todo o local estava coberto por grossas camadas de neve. A floresta assombrada, lá no sopé da montanha, nem parecia assustadora como antes, parecia pequenas nuvens flutuando sobre um campo de grama preta. O lago estava congelado. Mesmo assim, com toda essa neve e esse frio, aquele lugar parecia mais vivo do que da última e única vez que eu viera. Parecia mais belo, mais incrível de se ver, mas não perdera seu tom de filme de terror.

Chiyo estava na varanda, tomando chá pacientemente e em seus pés estava Lady. As duas nos viram. A loba ergueu-se e veio correndo me cumprimentar, saltitando e balançando a cauda, animada como sempre. Maiko escondeu-se atrás de mim. Talvez fosse a primeira vez que ela visse um lobo na vida.

— Tudo bem, Maiko. Essa é Lady. Pertence ao seu pai. — cumprimentei a loba esfregando carinhosamente seu focinho. — Lady, essa é Maiko, ela é filha de Sasuke. — trouxe Maiko para minha frente, com meu braço apoiado em seu ombro.

Lady deitou-se, quietinha, na neve e se deixou ser afagada por mim nas costas. Maiko a olhou com curiosidade e acariciou o pelo macio da loba onde eu passava a minha mão. Quem diria? Depois de tanto tempo, Lady ainda se recorda de mim.

— Ora, ora, se não é o noivo do meu pequeno babaca! — Chiyo falou de lá, depois de tomar um gole de chá. — Veio mais rápido que o meu Sasuke.

— Marido. — corrigi-a. — Sou marido dele. — dei um sorriso convencido, num surto de coragem.

— Marido? — franziu o cenho e fitou a minha mão. — Casou-se com ele?

— De certa forma sim. — dei de ombros, não me importando em explicar a situação.

Chiyo assentiu e nos convidou a tomar chá. Ela passou uns cinco minutos conversando com Maiko, matando a saudade que sentia dela, ao que me parece.

Eu tomei o primeiro gole de chá quando um vento forte, muito forte, frio, cortante, passou. Olhei em volta. O vento manteve-se forte. Era ele? Será que ele está aqui, igual a mãe? Bom, Kakashi me disse que o corpo de Sasuke foi “escondido” aqui, no antigo cemitério da família. Não pude conter um sorriso esperançoso. A floresta uivou longamente, primeiro um, depois dois, três, até que seis uivos melodiosos ecoaram e Lady, que estava deitada perto de nós, uivou também, balançando a cauda.

Pareciam uivar de felicidade. O vento parou e eu olhei em volta. Levantei-me, caminhando por ali por perto, retirei meu pingente em forma de anel discretamente e comecei a investigar o lugar. Eu sei que deveria ter superado, mas não posso perder a oportunidade de vê-lo mais uma vez para continuar seguindo em frente.

Nada. Pisquei algumas vezes e fitei as árvores perto de nós, um punhado de neve caiu e revelou um galho. Só folhas verdes escuras. Olhei em volta de novo e algo me ocorreu, algo que fazia tempo que não me ocorria. Tornei lentamente meu olhar para aquela árvore, cuja brisa fria balançava os galhos. Folhas… Verdes? Oi?!

Notas finais
DiAngelo: To sofrida! :'''''''( A única coisa q tenho a perguntar é: o q cs acham q vai acontecer? COMENTEM pq eu sei q vcs ainda estão aí! :3 Até o fds! :* Nonna: Agora sim. Soooooooooooolta negada!!! Para a porr@ do mundo que eu já to tonta. Como assim? Eu num falei que é pra nego perder as estribeiras?! E agora? Fds promete!!! Té negada o/