Cores do Meu Coração

33 Dobe 13 - Kurama me dá um empurrãozinho


Notas iniciais
DiAngelo: Boa tarde, povão! O filler deu pra acalmar os ânimos pós-término? Ficou todo mundo pra baixo, né? Mas fazer o q? É assim mesmo, vida q segue. Nesse cap vcs vão ter o resuminho na versão do Naruto de tudo q aconteceu e de como ele se sentiu depois de ter levado uns tabefe na cara! kkkkkkkkkk Espero q as coisas fiquem melhores esclarecidas, caso ñ, PERGUNTEM, suas peste! Pq o clarividente aqui é o Iruka, ñ eu! As palavras q definem esse cap: Zuera e Surpresa. Quero mesmo só vê vcs rindo q nem uns doido/a enquanto leem as aventuras do gato mais tretoso do universo. Mas enfim, vamo simbora. Nonna: adivinha quem voltou, sobrevivendo aos trancos e barrancos, meus amores e minhas amoras! Euzinha! Sentiram saudades? E sim, ainda estou sem computador ainda, sofrendo profundamente com um tablete zuero e um celular faz-tudo. Eu agradeço a todos vocês pelas palavras de carinho e quero saber se o filler deu uma amenizada? Se não, eu espero que esse capítulo faça isso, porque vocês sabem que o que não é verdadeiro, não dura para sempre. O cap reconciliadores de hoje é dedicado a leitora Linda - uma das minhas mais antigas e assíduas leitoras de fica - beijo, querida e espero que goste. E no cap de hj teremos quem? Quem? Quem? O dono do universo, o filho do capeta, o gato mais tretoso do mundo, ele mesmo: Kurama! Aproveitem, negada!

Hum… acho que posso morar aqui. Sim, posso! Seria uma boa, não? Você não está entendendo nada, né? Neste exato momento estou totalmente mergulhado, só com o rosto de fora, na minha banheira, minha segunda soulmate, pois a primeira é minha cama. Meu celular está em cima da meia parede da quina da banheira, tocando “The Lazy Song” do Bruno Mars. Ele me compreende com certeza. Melhor que muita gente no mundo.

Eu havia chegado de uma viagem no dia anterior, dessa vez fui para a Inglaterra, tudo o que eu queria era descansar e de preferência com minhas soulmates. Acho que já faz mais de uma hora que estou aqui e a água já está ficando fria, não que eu me importe, devo dizer.

Fechei meus olhos e acompanhei a música.

— I just wanna lay in my bed… — me empolguei e segurei o shampoo, como se ele fosse um microfone imaginário. — Don't feel like pickin up my phone...

Parei, assim que ouvi Kurama miar pela centésima vez.

— Eu já te disse que você vai ter que esperar, estou MUITO ocupado agora. Se está com tanta pressa porque você mesmo não coloca sua comida? — dei língua para o gato.

Ele sibilou com raiva.

— Não adianta fazer chilique, não sou obrigado a ir agora. — virei a cara, o ignorando. — Tomorrow I wake up… Do some P... — continuei a cantar.

Ele chiou de novo e saiu do banheiro. Dei de ombros. Vocês acham que acabou, não é? Ledo engano. Kurama foi possuído pelo espírito da gota serena e voltou correndo para o banheiro, pulou agilmente em cima do vaso e com um impulso, caiu diretamente na meia parede, jogando meu celular dentro da banheira, depois, o que ele fez? Saiu andando lentamente, enquanto balançava o rabo, e fez questão de o passar no meu rosto.

— KURAMA, SEU FILHO DO CAPETA. — gritei, enquanto tentava achar meu celular dentro da água. — QUER SABER? FODA-SE, NÃO VOU MAIS TE DAR COMIDA! — resgatei o aparelho e o sequei com a toalha. Ele ainda estava funcionando, quer dizer, a tela acabou de ficar preta.

E agora, Naruto? Acabou? O que vocês acham? O infeliz voltou correndo de novo e arranhou meu braço, devido ao susto, o celular caiu novamente na banheira.

— PUTA QUE PARIU, VOU MANDAR O IRUKA TE EXORCIZAR, ENCAPETADO! EU VOU AGORA, DESGRAÇA! — peguei o celular de novo e levantei da banheira.

Me enxuguei rapidamente e fui colocar comida para o filho do demônio. E adivinhem! JÁ TINHA COMIDA NO POTE DE RAÇÃO DAQUELA PRAGA! Olhei em volta, o procurando. Nada.

— O QUE PORRA TU QUER, KURAMA? — gritei, com raiva.

Voltei ao banheiro e fui cuidar do arranhão no braço, que saia um pouco de sangue. Terminei de me enxugar e me vesti. Em seguida fui examinar os danos ao celular. Pingava água com sabão e ele não ligava de jeito nenhum. Nem tentei enxugar, ia ter que comprar outro, mas eu não podia perder os dados que tinha nesse aparelho. Suspirei.

— Vou sair e não volto nem tão cedo. Vê se morre durante esse tempo. — falei ao gato, que estava sentado na porta do banheiro. Ele lambeu a pata, me ignorando totalmente.

Passei pelo gato com uma vontade desgraçada de chutá-lo, mas me controlei. Peguei as chaves do meu carro, sai de casa e me dirigi ao centro da cidade. Fui até a primeira assistência técnica que encontrei e o que me disseram? Não tem jeito. Lixo! Mas eu não ia desistir, passei em outra. Nada. Comecei a me irritar, maldito gato infernal!

Na terceira assistência? A mesma coisa. Comecei um bate-boca com o senhor que estava no balcão.

— Não é possível que ninguém nessa cidade consiga recuperar os dados da porcaria desse celular. — falei, não conseguindo mais controlar meu nervososismo.

— Moço, não posso fazer nada. O aparelho sequer para de derramar água! — ele tentava a todo custo ser paciente.

— Isso é uma assistência técnica! Como vocês não conseguem dar jeito em um problema tão simples? — bati no balcão, porque ou era o balcão ou era a cara do senhor. E definitivamente eu não bato em idosos indefesos.

— Moço, compreenda, não somos salva-vidas e seu celular se afogou! — o senhor me fuzilava com os olhos.

Ouvimos um pigarreio interrompendo a conversa. Vinha do meu lado direito. Era um homem alto e forte. Ele vestia um moletom preto, cujo capuz cobria seus cabelos pretos e curtos, calça jeans azul marinho e nas costas, uma mochila pendurada em um ombro só. Sua pele era muito clara e seus olhos estavam cobertos por um óculos escuro. Hein?! Porque Sasuke estaria de moletom numa assistência técnica em pleno dia da semana? E quando foi que ele cortou os cabelos?

— Dependendo do problema, eu posso consertar o seu aparelho, Sr. Uzumaki. — ele falou brevemente, sem me olhar ainda. Aquela não era a voz de Sasuke. Franzi o cenho.

— A praga do meu gato o derrubou dentro da banheira… Quem é você?

— Meu nome é Aburame Shino. — ele se virou, estendendo a mão para mim depois de ajustar suas lentes no rosto — Sou um T.l. e seu celular tem jeito.

— Sério? — segurei sua mão com minhas duas, num aperto de mão frenético. — Tem jeito mesmo?

— Claro que tem. — ele sorriu minimamente — Se foi só isso o que aconteceu, tem jeito sim.

— Uau! Essa já é a terceira assistência que vou e que me mandam jogar o aparelho no lixo. — entortei a boca, numa expressão de desgosto.

— É que são raros os profissionais que topam um desafio, Sr. Uzumaki. — ele ajustou novamente as lentes no rosto, depois que soltou a minha mão.

— Você não me parece alguém que acompanhe o mundo da moda, não o ofendendo. Como me conhece? — franzi as sobrancelhas.

Ele sorriu enquanto pegava uma revista que estava em cima do balcão, na qual eu era a capa e tinha, além do meu rosto sorridente estampado nela, o meu nome logo embaixo.

— Claro! Você me pegou. — sorri.

— Bom… — ele me entregou seu cartão — Pode me ligar, se for preciso. Eu trabalho em casa, de modo que terei que levar seu aparelho, mas em dois dias eu devolvo no local em que julgar melhor, com todos os meus honorários. — ele continuava sorrindo minimamente.

Que cara simpático! Como foi que eu pensei que ele era Sasuke? Eu devo estar com a cabeça nas nuvens, só pode. Entreguei o celular a ele e olhei feio para o senhor que ainda estava parado atrás do balcão.

— Obrigado mesmo, Aburame. Foi muita sorte ter te encontrado aqui. — dei meu melhor sorriso para ele.

— Disponha sempre. — ele guardou o celular enrolado em um lenço dentro da bolsa e antes de sair, ainda me disse — Ligue-me avisando onde devo deixar o aparelho, Sr. Uzumaki.

Saiu caminhando porta afora. Tive a sensação que algo divino acontecera, algo misterioso demais. Exatamente o tipo de pessoa que eu estava precisando para o meu problema apareceu, todo na simpatia, e foi embora do mesmo jeito?

Resolvi ir comprar outro aparelho, até porque eu ainda estava em temporada de anúncios e campanhas, Shisui podia me ligar a qualquer momento. Fui andando mesmo, pois tinha uma loja de eletrônicos ali perto. Foi mais rápido do que eu imaginava para comprar outro celular e recuperar o número antigo. Voltei para meu carro e resolvi ir até a Rebú, eu precisava esclarecer as coisas com Sasuke a muito tempo. Não podia mais adiar aquela conversa.

A verdade era que ele sempre esteve certo, eu estava confuso sobre nosso relacionamento. Sasuke me fazia muito bem, mas eu estava exigindo algo que ele não podia fazer, substituir meus pais. Ele é pai, mas não o meu e jamais poderá ser.

Assim que ele saiu da minha casa, há dois meses, eu me vi sem chão. Não só por ele ter me deixado, mas por suas palavras, que me magoaram profundamente. Hoje não guardo mais rancor, porque sei que ele não falou aquilo para me ferir, só queria abrir meus olhos para a verdade que estava bem em frente ao meu nariz. Eu precisava enfrentar a realidade: eu era orfão, mas isso não significa que minha vida acabou, tenho um emprego gratificante, pessoas que me amam muito e que vivem preocupadas por eu não saber lidar muito bem com esse tipo de situação, por ser muito imaturo. De todas as pessoas que já me disseram que eu precisava mudar para melhorar a minha vida, ninguém foi tão convicto quanto Sasuke. Não teve piedade de mim, porque a verdade é que a vida não tem piedade de ninguém. Bem, espero que isso tenha mudado um pouco durante esse tempo sem Sasuke.

Foi uma época sombria, posso afirmar. Mas é o que dizem, só crescemos quando passamos por crises, quando sentimentos o sofrimento na pele. Tive que tirar uma licença forçada do trabalho, por não estar em condições psicológicas de conseguir fazer qualquer coisa que Shisui solicitasse. Se não fosse por Kiba, provavelmente eu passaria dias sem comer ou sequer tomar banho, ele já estava achando que eu estava entrando em depressão, mas foi aí que Sui apareceu na minha casa e me deu um de seus famosos sermões.

Basicamente ele me chamou de “Criança Tola” e perguntou o que diabos eu tinha na cabeça. Me disse que Sasuke só fez aquilo porque nosso relacionamento estava sendo construido com base em uma mentira, ele estava se anulando em prol da minha necessidade e daí eu percebi meu maior erro: Eu estava deixando Sasuke ser uma pessoa que ele não era e não era isso que eu queria. Eu nunca disse a ele que não gostava de quem ele era, mas também nunca disse que gostava.

Sasuke também sempre fora franco comigo. Respeitava-me, tratava-me bem, mas isso não significa que ele sentia algo por mim da mesma forma que eu sentia/sinto por ele. Ele estava comigo porque estava me ajudando, assim contou-me Shisui. Sasuke cuidara de mim, porque eu precisava de alguém cuidando, mas isso não era certo. Ele não queria que eu dependesse de si, eu tinha que ser forte por mim mesmo.

Depois desse dia, voltei a trabalhar e me esforcei para me tornar alguém que meus pais e as pessoas a minha volta se orgulhassem. Não mudar completamente, só amadurecer. Pôr em prática as qualidades que eu mais admirava em meu pai, que sempre foi meu herói, e que eu sabia que havia herdado, mas nunca me esforcei muito para as desenvolver.

Eu sabia que precisava de Sasuke na minha vida, mas talvez não da forma que eu havia pensado inicialmente. Só a presença dele na minha vida deixa tudo melhor. Sasuke afasta a minha dor. Ele é minha soulmate e me completa, é a única pessoa que consegue me trazer paz, então nem adianta tentar dá uma de orgulhoso e continuar me fazendo de vítima, porque no fim das contas quem se machuca sou eu mesmo.

E eu sinto falta dele. Muita falta. As vezes tenho vontade de ligar para ele só para ouvir sua voz, ou se não, me pego olhando por horas para as fotos que Shisui havia me dado meses atrás, só para ver seu rosto naquela expressão relaxada de quem não tem problema nenhum. Sasuke é um homem muito bonito e para mim, o fato dele ser tão bem resolvido é o que faz dele um ser fascinante.

Enfim, cheguei a Rebú e pedi a Hinata que avisasse a Sasuke que eu queria conversar com ele. Ela hesitou inicialmente, o que eu achei muito engraçado, até parece que ela não conhecia o próprio chefe. O que ela acha que ele faria? Se negaria receber minha visita e depois ligaria chorando para o irmão mais velho? Fiquei comovido com o nervosismo dela e disse que ela podia avisar a ele que eu estava disponível na hora do almoço, caso ele não pudesse me atender naquela hora. Ela respirou um pouco mais aliviada e finalmente passou o recado para Sasuke.

— Ele vai recebê-lo agora, Sr. Uzumaki. — disse-me, sorrindo docemente — Ele pede que entre. — só pelo tom de voz dela eu senti que seria muito bem recebido por Sasuke.

Entrei e lá estava ele, sorrindo, com aquele olhar preocupado para comigo. Lindo, como sempre foi, porém mais gentil e sincero do que antes.

Foi uma conversa rápida e amigável. Ele ainda continuava com aqueles joguinhos digno do diabo. E me pediu até um beijo. Aceitei de bom grado. Nem se eu fosse louco eu negaria um beijo a Sasuke. Mesmo que fôssemos só amigos agora, provavelmente sempre existiria aquela tensão sexual, que nunca foi resolvida, diga-se de passagem. Mas o beijo que trocamos foi bem inocente, não senti nenhuma segunda intenção vinda da parte de Sasuke. O que me encantou, pois parece que nunca vou conhecer todas as suas facetas.

Foi um alívio saber que Sasuke não guardava nenhum sentimento negativo em relação a mim, mesmo que eu tenha dado motivos para isso. Na verdade, acho que ele só torce para que eu consiga ser feliz. Sorri com esse pensamento. O diabo até que podia ser bem doce quando queria ser. Gargalhei sozinho, pensando em como Sasuke reagiria se eu dissesse isso a ele, assim que sai de sua sala. Hinata olhou para mim, meio confusa e depois acabou escondendo uma risadinha por trás de sua mão. Me despedi e finalmente pude voltar para casa.

Dois dias depois, como fora o combinado, liguei para Shino e pedi para me encontrar com ele no shopping, pois eu precisava resolver umas coisas por lá. Marcamos um horário no local e ele chegara cinco minutos depois do horário combinado.

Vinha tranquilo, parecendo um universitário. Quantos anos será que ele tem? Parece ser novo, mas a cara engana, certo? Ao se aproximar, sentou-se na mesa do café, que fora o local combinado antes.

— Boa tarde! — sorriu. daquele jeito mínimo — Aqui está, Sr. Uzumaki. — ele me entregou o celular junto com a nota fiscal. — Pronto para ser usado.

— Boa tarde, e é só Naruto. Não sou tão velho para ser chamado de senhor. — peguei o aparelho e de fato ele funcionava perfeitamente. Olhei para nota e achei o valor absurdamente pequeno. — Só isso? Você não deveria cobrar mais pelos seus serviços? — arqueei minha sobrancelha.

— Sou um freelancer. Trabalho só para pagar a faculdade e as minhas despesas. — ele deu de ombros — Quando eu me formar terei minha marca patenteada e uma clientela boa, já terei um bom negócio, por isso os preços tão… — ele sorriu — Gentis.

— Faz sentido. O que você está cursando, se não for intromissão? — coloquei meu rosto na mão que tinha o cotovelo apoiado na mesa.

— Análise de Sistemas. — ele pegou o dinheiro e o guardou na carteira, para então ajustar os óculos — Estou tentando conseguir um estágio, mas está difícil…

— Não entendo o porque, me pareceu que você é muito habilidoso. — não sei porque estou puxando conversa. Acho que a simpatia dele me contagia.

Ele suspirou e apoiou as mãos na mesa.

— Você é gente boa, então posso te dizer. É que eu não tenho uma pessoa de respaldo da área que me indique para alguma empresa que trabalhe com sistemas operacionais e aceite estagiários. — falou com alguma vergonha — Esse é o problema de ser freelancer.

— Shino, posso te chamar assim? — ele assentiu. — Você acha que a indicação de Uchiha Sasuke seria suficiente?

Ele escancarou a boca e quase deixou os óculos cair.

— U-Uchiha… Sasuke?! El Diablo?! Aquele monstro dos negócios?!

— Esse mesmo. — sorri, me divertindo com sua surpresa.

— Com a indicação desse cara eu virava presidente, Naruto! — ele falou, sorrindo com bastante sinceridade — Quem é doido de questionar o que ele diz?!

Realmente eles não se parecem em nada. Shino tem… Brilho, como Sasuke diz, tem luz própria, seu sorriso quebra todo o mistério que seus óculos escuros representam. Tudo bem que ele tem a pela clara e o cabelo escuro, talvez sendo japonês que nem os Uchihas, mas não é nada parecido com o diabo. Aliás, não há nada de diabólico nesse rapaz, na verdade ele se parece mais… Comigo. Ainda não sei como foi que eu confundi Shino com Sasuke, sinceramente eu não sei. Shino é bem mais espontâneo e bom de conversa.

— Me dá só um minutinho. — mostrei o indicador a ele e levantei, já ligando para Sasuke enquanto me afastava.

Nem sei o que diabo está fazendo, nem sei se é uma época boa para ligar, afinal ele pode estar resolvendo um trilhão e meio de problemas de uma só vez, invocando todo os sete círculos do inferno por causa disso. Como também, ele pode estar tranquilo, tendo um momento divertido com Maiko, que, aliás, faz tempo que a vi. Sasuke é mais imprevisível que um dado de cassino.

Cinco toques depois, ele atendeu.

— Se for para almoçar, está atrasado, eu já comi. — ele falou, em tom de brincadeira. Parece que alguém amanheceu de bom humor hoje.

— Espero que não tenha sido um dos seus inimigos! — brinquei. — Porque provavelmente você os almoçaria. — gargalhei.

— Não como porcaria. Você sabe que só como o que é bom, gostoso e saudável. — aquele tom que faz a pessoa arrepiar, oh tom miserável. — Como você está, Naruto?

— Como sempre, lindo e maravilhoso, obrigado por perguntar. — respondi, ignorando o arrepio que a voz dele havia me provocado.

— Não me diga o óbvio. — ele riu baixo — O que quero saber é como você está? Se está bem, se anda sentindo… — ele baixara o tom de voz nessa parte. Eu sei a que ele se refere, apesar de eu nunca ter dito o que era. O vazio dentro de mim, em minha alma.

— Não precisa se preocupar. Eu estou bem, de verdade. — falei sinceramente, sentindo aquela sensação morna no peito que Sasuke sempre me fazia sentir quando cuidava de mim.

— Que bom… As vezes eu sinto… Sei que não sou eu… Mas sei que ficará bem. Pode contar comigo, sabe disso não é? — esse jeito de falar, era como se ele me abraçasse em seu colo. Não me julguem, meu coração bate forte por esse homem.

— Sei sim e é justamente para isso que estou ligando. Preciso de um favor. — anunciei de uma vez. — Mais especificamente da sua influência.

— Hn. — eu tenho certeza que ele está sorrindo — E para que você quer usar a minha autoridade?

Acho que é a primeira vez que peço algo a Sasuke e ele se propõe a fazer. Não pude conter um sorriso ao pensar assim. Ele é realmente um homem bem maduro, apesar de ser o diabo e de vez em quando tocar o foda-se no mundo.

— Tenho um amigo que está cursando faculdade na área de TI, muito habilidoso por sinal, mas não consegue estágio sem uma boa indicação.

— Um amigo? Sei. Põe o celular no viva-voz para eu falar com ele e com você.

— Só não tenta intimidar o cara. Porque nisso você é expert! — resmunguei.

— Quer que eu seja um príncipe para ele? — sua voz soou sugestiva demais para o meu gosto, eu podia até vê-lo sentando em seu trono de negócios, me olhando com aquela cara nem um pouco sacana, ironicamente falando.

Eu retornei para a mesa. Shino estava lá, ansioso, olhando de um lado para outro, mexendo os dedos. Parecia uma criança. Acabei sorrindo ao vê-lo dessa forma.

— Não foi o que eu disse, teme! — revirei os olhos, mesmo que ele não pudesse ver.

— Não revire esses olhos para mim, little bitch. — falou, meio indiferente. Nossa! Como ele sabe? Será que sua sombra ainda me vigia? — Agora vamos ao que interessa. Você ligou para mim pedindo a minha ajuda, vamos ver se esse cara é merecedor da minha ajuda, afinal, é meu nome que estará em jogo.

Me sentei na mesma cadeira e coloquei o celular no viva-voz.

— Shino, o Sasuke está na linha e quer falar um pouco com você. Tudo bem? — sorri, encorajando-o.

Ele engoliu em seco e assentiu.

— Boa tarde, como você se chama? — a voz de Sasuke soou tranquila.

— Aburame Shino, tenho 21 anos e meu sonho é ter meu próprio negócio! Estou no último ano de Análises de Sistemas e…

— Calma, Sr. Aburame, isso não é uma entrevista de emprego. — eu imagino que Sasuke esteja sorrindo — Como conheceu Naruto?

— Erh… Bom… Nós encontramos casualmente numa Assistência Técnica. Ele me disse que o celular dele estava com problemas e eu o consertei.

Ansioso e suando. Essa é a descrição de Shino. Imagine o que aconteceria se ele se encontrasse pessoalmente com o diabo? Então é assim que pessoas normais reagem quando estão na presença de Sasuke? Isso significa ou que eu não sou normal ou que sou exceção à regra.

— Kurama derrubou meu celular dentro da banheira. Passei em três assistências, todas disseram que eu deveria jogar o aparelho fora. Shino não só recuperou todos os dados, como consertou o celular. — complementei a fala do rapaz, tentando o ajudar.

— E do que você precisa, Sr. Aburame? — ele perguntava de modo sério.

— Indicação para estágio.

— Já tem uma empresa em mente?

— Tinha… — ele riu — Todas me recusaram!

Sasuke passou alguns instantes em silêncio, então ouvimos ele conversando com outras pessoas sobre assuntos que eu sei que não são dessa realidade. Mais alguns instantes em silêncio, os dedos teclando rapidamente no computador. Ele conversou com mais alguém para só então voltar a falar conosco:

— Conhece Sarutobi Hiruzen? — ele perguntou.

Eu não conheço, mas a cara de admiração que Shino fez era a afirmação.

— O Mestre Hiruzen?! O Velho Supremo?! O Terceiro Presidente da Konoha’s Enterprise? Claro que sim! É o sonho de todo nerd trabalhar para aquele homem.

— É seu sonho também?

— Sim, Sr. Uchiha.

Então considere realizado. Ele sabe que está indo na segunda para confirmar os pormenores do estágio. Você não vai poder falar com o Velho Supremo, mas vai poder falar com o neto dele, Konohamaru. É o responsável pelo serviço de estágios. Diga que eu te mandei e nem vai precisar da entrevista. Era só isso?

— Só isso? Só isso?! — Shino não cabia em si de felicidade — O senhor fez tudo por mim! Eu nem sei como agradecer! Por Kami! Eu... Eu...

— Certo, certo. — Sasuke assumira um tom quase paternal — Você pode me agradecer sendo um bom amigo para Naruto e já está de bom tamanho. Preciso desligar agora, tenho um processo judicial para vencer. Boa sorte, Shino. Até mais, Naruto.

E desligou.

— Acho que é melhor você se preparar para virar presidente. — sorri para Shino, que parecia que tinha ganhado na loteria.

— Me belisca para eu saber se isso foi real! — ele estirou o braço para mim.

— Deixe de besteira! Você acabou de ganhar uma indicação do próprio diabo. — sorri.

Ele riu e buscou de sua bolsa seu tablet. Ligou-o e me mostrou uma página da internet.

— Esse é o motivo da minha incredulidade! — ele falava sorrindo — Segundo esses especialistas em Uchihas, você tem que esperar dois anos para ter uma hora marcada com o próprio diabo e de repente eu descubro que o modelo mais famoso do mundo pode fazer isso em dois minutos! E ainda me arrumou uma indicação! — ele se levantou e veio me abraçar — Obrigado, Naruto, muito obrigado mesmo!

Acho que vou montar uma tabela mental de discrepâncias entre Sasuke e Shino. Sasuke nunca me abraçou assim e com certeza nunca vai me abraçar de forma tão inesperada e alegre. Quero dizer, eu não tenho certeza, o diabo é louco.

— De nada. Só estou retribuindo o favor. Eu trabalho para o primo e cunhado de Sasuke, não tinha como evitar, somos amigos hoje. — dei de ombros.

— Amigos? — ele sentou-se perto de mim — Cara, os especialistas estão atrasados. Porque dizem que vocês são namorados.

— Fomos. — respirei fundo. — Já faz dois meses que terminamos.

— Oh, desculpe. — ele se resignou, ajustando os óculos no nariz — Não tive a intenção, mas… Parece que tudo terminou bem! O jeito que ele falou para eu ser seu amigo… Ele gosta de ser seu amigo, não é? — sorriu de uma forma muito bonita, agora que vejo de perto.

— Ele se preocupa muito comigo, mas não conta a ele que eu te disse isso. — dei uma piscadela para ele.

Se o diabo souber que gosto de ser cuidado por ele, eu virarei motivo de suas brincadeiras de primeiras, segundas, terceiras, quartas e quintas intenções para sempre ou enquanto eu tiver vida, o que demorar mais.

— Vai por mim: essa é a primeira e última vez que falo com El Diablo. — ele riu folgadamente.

— Eu não diria isso, minha história com ele é a comprovação disso. — falei, simplesmente.

Ele se apoiou na mão e sorriu de lado.

— Você acharia ruim se eu dissesse que prefiro saber sobre você do que sobre ele?

— O que você quer saber? — o encorajei a prosseguir.

— Você é gay ou bissexual? — perguntou com o tom baixo, mas com aquela normalidade que eu só via em Sasuke.

— Uau! Existe alguém mais direto que eu no mundo. — meu queixo caiu. Então é assim que as pessoas se sentem quando questionadas por mim? Isso é interessante.

Ele tomou um gole do café que pedira e sorriu, esperando a minha resposta.

— Bi, mas tenho uma preferência por homens. — dei de ombros.

— Interessante. Sempre te achei hétero. Aí quando soube do seu relacionamento com o diabo, eu entendi que tem doido para tudo nessa vida e que você também dá uma chance para os mal-amados. — outro gole no café — Você não parece ser o tipo de pessoa que se envolve com gente feito o diabo.

— Sasuke é uma caixinha de surpresas. Não acredite em tudo o que falam. — escondi minha irritação com um sorriso enigmático. Por que todo mundo fala mal de Sasuke?

Eu sei que o conheci há dois dias e que ele é como a maioria das pessoas que só conhecem aquilo que Sasuke deseja, mas não creio que precise falar assim dele. Não que esteja defendendo-o depois de termos namorado por alguns meses, mas é de domínio público que Sasuke é pai, um ótimo pai, não podem simplesmente chamá-lo de mal-amado.

Shino assentiu, como se refletisse seriamente sobre o que eu dissera.

— Foi o meu pai que me disse isso. — ele revelou tranquilamente — Que dos filhos de Fugaku, o único sem salvação era o caçula, porque, segundo a lenda, ele arrancou o coração fora e transformou-o numa menina, chamando-a de Maiko.

— Sim, mais ou menos isso. — concordei, mas no intuito de encerrar aquele assunto. Não estava gostando do caminho que aquela conversa tinha tomado.

Ele fitou o relógio, pareceu entender a minha indireta.

— Nossa tenho que ir! Tenho aula agora! Obrigado Naruto e se eu puder fazer qualquer coisa por você, pode me ligar! — ele me deu um beijo no rosto, que quase pegou nos meus lábios por causa da minha virada brusca.

O que foi isso? Pensei comigo com as sobrancelhas franzidas.

Shino saiu correndo, sorrindo e acenando para mim, desaparecendo pelos corredores do shopping. Realmente, esse rapaz não tem absolutamente nada haver com Sasuke. De nenhuma forma e em nenhum momento que eu já tenha visto o diabo.

Voltei para casa e fui recebido na porta por um Kurama extremamente dócil, o que achei muito estranho. Alguma coisa esse gato estava aprontando. Eu podia ver pelo seu olhar esperto.

Para minha sorte eu não trabalharia naquele dia, por isso passei o resto dele em casa. Tentei descansar o máximo que eu podia, pois meu fim de semana seria movimentado. Eu desfilaria no sábado — amanhã — e no domingo.

Antes do jantar, Kiba me ligou para saber como eu estava, desde que meu relacionamento com Sasuke acabou, ele não larga do meu pé. Falei com Kiba por alguns instante. Ele comentou algo de encontrar uma nova cliente na segunda e por algum motivo lembrei que nesse dia Shino iria se apresentar na empresa que Sasuke o indicou. Lembrei como ele ficou nervoso de saber que trabalharia para uma empresa famosa na área dele, e acabei tendo uma ideia louca.

Assim que desliguei o celular, mandei uma mensagem para Shino.

Naruto: Que tal uma descontração? Domingo vou desfilar. Você poderia ir me ver. Quem sabe na segunda você fique mais tranquilo para seu primeiro dia como estagiário...

Alguns instantes depois eu recebi a resposta.

Shino: Naruto! Só reconheci seu número porque é o único modelo que eu conheço! Eu adoraria ver você em ação, mas creio que sem o ingresso seria meio impossível para um universitário como eu! Mas vou dar um jeito de comparecer!

Revirei os olhos com sua resposta.

Naruto: Se eu estou convidando, é óbvio que deixarei tudo acertado. Você só tem que aparecer, mais nada!

Demorou um pouco, mas a resposta veio.

Shino: Aposto que aprendeu isso com o Sasuke. Muita gente diz que ele é ignorante. Estarei lá então, tenho que ir de trajes formais?

Qual a dele com Sasuke? Um maníaco obsessivo? Um fã incondicional que tenta copiar o seu estilo? Um doido apaixonado por ele, que é o que eu acho? Vou acabar perguntando! Argh!

Naruto: Na verdade aprendi com Shisui, meu chefe e primo de Sasuke. Formal? Não é um baile, bobo. Casual. Essa é a palavra!

Foi mais rápido dessa vez.

Shino: Ah, entendi. Tenho trajes para esse estilo então. Sei lá… Um evento de moda é meio tenso para um nerd… Mas se é por você, eu passo por essa vergonha sorrindo!

Revirei os olhos de novo e acabei sorrindo com o garoto. Eu era assim quando não era rico, isso só me fez simpatizar mais com ele.

Naruto: Pensei que era por você, a proposta era você se distrair...

Shino: Fez isso pensando em mim? Nossa, Naruto, você é mesmo uma pessoa incrível… Acabou de me conhecer e já me trata tão carinhosamente bem que eu corei aqui!

O pirralho era descarado! Pior que eu estava gostando do flerte amigável. Se fosse com outra pessoa… Não, eu não quero nem pensar sobre isso.

Naruto: Dizem que eu sou tão amigável que chego a ser inocente. Mas faço isso porque você merece, meu celular, que estou usando para digitar essa mensagem, estaria no lixo se não fosse você! :P

A resposta demorou a vir de novo.

Shino: Ué… Você pagou pelo serviço. Isso é meio ilógico, sabia? Mas e daí! O que importa é que vou ver vc desfilar XD. P.S. — quem disse que vc é inocente é um babaca

Eu tentava conter meu sorriso mordendo meu lábio.

Naruto: Melhor você deixar os óculos em casa dessa vez! ;)

Shino: Por quê? Eu fico feio de óculos escuros?

Naruto: Claro que não! Eles te deixam enigmático, mas me refiro ao fato de você poder ver com mais clareza a minha atuação...

Demorou a responder de novo.

Shino: Agora eu não sei se vou ou não com os óculos… Eu vou, pq vc é tão incrível que até no escuro eu te veria desfilando! Já ouvi dizer que vc emana luz própria, como um sol

Naruto: Você acredita em tudo que dizem mesmo, não é? Bem, meu cabelo é da mesma cor que o sol, se quer saber.

Shino: Como sabe disso?! O_o Vc já tem soulmate? Que sorte a sua! Sempre quis achar a minha para ver as cores do mundo!

Hum… Acho melhor não revelar que Sasuke é minha soulmate. Demorei um pouco a responder e decidi ser obtuso.

Naruto: Minha soulmate é um amigo! :)

Shino: É um cara? Nossa, que legal! Que bom que não é um estranho ou alguém que você não gosta!

Naruto: É sim. Mas você ainda é muito novo, tem toda uma vida pela frente. Quem sabe sua soulmate não aparece um dia...

Shino: Isso vai ser impossível… T~T. Na verdade eu não queria te dizer isso, mas você é bastante confiável, então eu direi. Eu já achei minha soulmate, mas não posso ver as cores

Naruto: E porque não? Quer dizer, se você quiser e puder falar :/

Ele demorou.

Shino: É a mulher que eu mais odeio na minha vida. Ela só me ferrou. Daí, resolvi abrir mão disso para seguir em frente… nem sei se ela é viva hoje em dia… Enfim, dei azar. Mas eu estou bem com isso, gosto de ouvir quem já viu as cores e ficar imaginando.

Pensei sobre aquilo. Minha historia com Sasuke não era a única daquele jeito no mundo, mas tivera um final diferente, pois realmente a minha soulmate é meu amigo. Sorri e respondi sua mensagem, já com um plano em mente.

Naruto: Tenho uma história para te contar, mas não por aqui. Podemos sair depois do desfile. Topa?

Shino: Na hora, Naruto. Vou para onde você quiser ir ;)

Naruto: Até domingo então. Depois te passo uma mensagem com os detalhes :*

Shino: Certo. Até. Salvando contato. kkkkk

E não recebi mais mensagens naquela noite. Pelo menos dele.

Bem, parece que alguém finalmente vai ficar sabendo da minha história com Sasuke. Espero que isso ajude ele em algo.

Notas finais
DiAngelo: E aí, gostaram do cap? Ficou tudo explicadinho? E esse Shino todo todo pro lado de Naruto... IMPORTANTE: Perceberam q no próximo cap a maior dúvida de vcs vai ser respondida?!!! Se ñ, o aviso foi dado! Agora morram de curiosidade! :3 Até mais e comentem! :* Nonna: o que acharam desse Naruto maduro? Ainda furiosos com Sasuke ou dá para entender porque ele fez o que fez? E para deixar as coisas mais interessantes, Shino aparece se parecendo com Sasuke para deixar Naruto abalado! Digam, meus povos, o que será que Naruto vai contar a Shino? Fico só no observo. Té!