Cores do Meu Coração

34 Dobe 14 - Um passeio pelo passado


Notas iniciais
DiAngelo: Boa noite, pessoinhas! Falando aqui diretamente do cyber da faculdade, de novo! Então sejamos breves, até pq sei q vcs estão super curiosos pra finalmente descobrir o maior segredo de NMD. Bem, esse cap conta a historinha de como nosso OTP se conheceu, mas caso surgir dúvidas acerca, ñ se preocupem, pois ainda falaremos mais sobre esse passado conturbado deles. Dito isso, vamos as dedicações do cap: Biia Lightwood Potter, por ter feito uma recomendação q fez nossos ♥ chorarem, moça, como assim vc ñ consegue passar todos os sentimentos? Eu senti TUDO! *-* ThalitaMegaCrazy e dark Ghost por ter favoritado a fic e Ledinha pelo review da semana! Espero q vcs gostem do cap e obg pelo carinho de todos! ♥ Agora fiquem com Nonna... Nonna: pq? Por que vcs fazem isso comigo?! :') Eu sei que vcs se viciaram num filler, e eu me viciei em escrever juntamente com DiAngelo, então recomendem! Estamos trabalhando num filler novo em comemoração à nova recomendação, então fiquem no aguarde. Ao capítulo de hj, o título diz tudo: quem sempre quis saber da treta do passado entre Sasuke e Naruto, o motivo do ódio entre os dois, a hora é agora! Leia com atenção, segura na mão de Deus e vai! Hj é dia de história, então sente em sua cadeira, deite na sua cama, estique-se na sua rede e divirta-se desbravando o passado!

Para variar, dessa vez fiz tudo que Kurenai pediu. Permiti que ela me maquiasse assim que ela me chamou, o que a deixou muito espantada, em troca pedi para ela avisar aos seguranças acerca do meu convidado e ir buscar Shino. O desfile começaria em breve e Shisui já tinha vindo ver como eu estava. Ele estava preocupado porque eu desfilaria para a marca de um amigo dele, não para a Fashion Walker, então não seria nossa usual parceria.

O tranquilizei, eu trabalhava no ramo há mais de 10 anos. Eu sabia o que estava fazendo. Suspeito que seu nervosismo não tem nada a ver com o desfile, por isso perguntei se ele estava com algum problema. Ele sorriu de lado e disse que eu era muito perceptivo. Depois disse que queria fazer uma surpresa para Itachi, pois em alguns dias eles fariam 4 meses de casados. Eu ri e dei-lhe um soquinho no peito. Afirmei que ele não precisava se preocupar com nada, qualquer coisa que ele fizesse Itachi faria a mesma cara de idiota de sempre e depois diria que o amaria para toda a eternidade. Sui só concordou e riu também.

Uma pessoa nos avisou que o desfile iria começar e tomei meu lugar, aguardando minha vez. Eu vestia uma calça de alfaiataria dobrada na bainha, de cor caqui, camisa de botões azul claro com as mangas dobradas até os cotovelos e mocassins marrons — desde que voltei a falar com Sasuke eu via as cores muito desbotadas, entretanto ainda as conseguia definir, mal, mas conseguia.

Assim que chegou minha vez, ajeitei minha postura e segui passarela adentro, procurando Shino com os olhos, pois Kurenai não havia voltado para me avisar se ele tinha aparecido ou não.

O vi num fim de fila, ele tirava fotos e sorria. Senti que ele queria acenar, mas evitou, talvez pensasse que isso fosse me prejudicar, me distraindo de alguma forma. Acabei abrindo um sorriso divertido por causa disso. Assim que cheguei ao fim da passarela, dei uma piscadela em sua direção para que ele visse que eu já o tinha percebido.

Eu o vi estremecer e corar com o meu gesto. Acho que senti falto disso, de estar no controle, de seduzir e fazer as pessoas pirarem com o mínimo gesto meu. Porque com Sasuke, isso não acontecia. Eu era um boneco em suas mãos. Não que fosse de todo ruim, mas é bom estar no controle de vez em quando. Mesmo que estar no controle me faça perder aquela sensação boa de estar sendo protegido por alguém que aguenta o tranco mais que eu.

Ainda desfilei com mais três looks antes do evento acabar, sempre dando um jeito de jogar um pouco de charme para Shino e notei que ele sorria, tirava foto, mas deixava um olhar diferente sempre que eu me virava, um olhar que me lembrava, de certa forma bem remota, a forma como geralmente Sasuke me olhava. Aquele olhar faminto, mas o de Shino não era voraz como o de Sasuke, eu poderia até chamar de mais tranquilo, apesar de eu saber que estava comparando-o com o próprio Incúbus.

Argh, eu tenho que parar de compará-lo com Sasuke. São duas pessoas completamente diferentes e eu nem sei que tipo de interesse eu tenho em Shino ainda, por hora só posso chamar de amizade, então não tenho que ficar comparando. Quer dizer, em hipótese nenhuma eu posso os comparar!

Nos bastidores, troquei de roupa, tirei a maquiagem e corri até onde pedi para Kurenai levar Shino, ele me esperava há uns vinte minutos.

— Oi, desculpa a demora. Kurenai as vezes exagera na maquiagem. — fiz uma careta de desgosto enquanto dava um rápido abraço nele.

— Tudo bem. Ficou ainda mais lindo, sabia? — ele tocou de leve meus cabelos, estava levemente corado nas bochechas — Nossa. Se você é lindo preto e branco, o que dirá em cores… Deve ser como uma visão divina.

E como se percebesse o que acabara de dizer, Shino encolheu os braços, envergonhado, e se afastou dois passos, com o rosto completamente escurecido, eu consegui definir muito mal o vermelho. Ele bateu no rosto duas vezes, respirou fundo e voltou a sorrir, mas aquela escuridão mais leve abaixo de seus olhos não sumira.

— Obrigado. — sorri, me divertindo com seu acanhamento.

— É a verdade! — ele disse, colocando as mãos nos bolsos.

— Tudo bem, tem um café aqui perto, ele é bem discreto. Temos quer ir logo, antes que os repórteres me encontrem. — disse, enquanto o puxava pelo pulso, arrastando o pelo caminho.

— Sim, senhor! — ele se apressou, rindo, para a saída, desviando habilmente de todas as pessoas que se colocavam em seu caminho. Shino segurou a porta e me esperou. Enfim, estávamos do lado de fora, feito dois fugitivos da cadeia.

— Não ri, não é engraçado! Eles parecem abutres quando encontram carne para comer! — tentei fazer uma cara de susto, mas falhei miseravelmente, graças a minha própria risada.

— Não se preocupe! — ele piscou um olho para mim — Abutres só comem carne podre. Isso não se aplica a você.

Já estávamos a caminho da cafeteria, que por acaso eu já conseguia ver na próxima esquina. Era um lugar bem simples, mas estava um pouco movimentado, talvez porque fosse domingo. Não acho que seja ideal para contar a minha história com Sasuke. Não quero que isso vá para em algum tabloide. Como ele disse, já chega de estar nos jornais por esse ano.

— Você é sempre tão transparente assim? — arqueei minha sobrancelha.

— Quem, eu? — ele deu de ombros, empurrando as mãos para os bolsos, deixando sua bolsa de lado — Não… Não sou de conversar muito, quase não tenho com quem falar na verdade, eu sou mais na minha.

— Hum… Vamos só comprar um café. Tem uma praça aqui perto. O que vou te contar não é uma história para se contar para qualquer um, até porque não envolve só a minha pessoa. — resolvi não dar muita corda por enquanto, por isso mudei de assunto rapidamente.

Ele não disse nada, mas estava claramente curioso e interessado no que eu dissera. Manteve-se discreto todo o tempo, talvez tivesse percebido as minhas intenções. Compramos rapidamente nossos cafés e fomos para a tal praça. Estava vazia e com pouca movimentação de carros.

Apenas um homem encapuzado passou correndo, talvez estivesse treinando, algo assim. Isso me fez lembrar que era um hábito de Sasuke correr também, dentre tantos hábitos que ele tinha para descarregar sua energia e seu estresse. O homem passou sem nos notar e foi embora, sem virar o rosto ou se desconcentrar de sua atividade.

— O que queria me falar, Naruto? — ele perguntou, abrindo o copo de café e mexendo com a colher descartável que recebera.

— Eu odiava minha soulmate também. Quero te contar essa história só para você ver que nem sempre as coisas são como pensamos. — sorri para ele. — Não estou tentando te fazer mudar de ideia quanto a sua soulmate, só quero que você me ouça. Tudo bem?

— Se você confia tanto assim em mim para me contar algo do tipo, tudo certo. — ele tomou um gole breve do café — Pode falar.

Respirei fundo e me preparei, tomando do meu café também.

— Para começar você precisa saber que minha soulmate é ninguém mais, ninguém menos que o próprio diabo — o encarei e ri de sua cara de pânico. — Eu também sou a soulmate dele.

— Isso explica muita coisa… — ele murmurou, demorando seus olhos sobre o copo e voltou a me fitar, esperando que eu continuasse.

— Nos conhecemos há anos, mas só descobrimos recentemente que somos almas gêmeas. Enfim… — tomei um pouco do meu café. — A primeira vez que o vi, eu tinha 13 anos. Pode não parecer hoje, mais eu era um delinquente juvenil… — esperei sua reação.

Ele somente assentiu, bebericando seu café, com um olhar ansioso.

— Eu participava de uma gangue na época, coisa de moleque mesmo, e estávamos vadiando pela cidade, procurando alguém para importunar. Assim que passamos pela Rebú, vimos o diabo, ele ainda nem era conhecido por esse apelido, mas vou te contar, já fazia jus a ele. — acabei rindo um pouco, me sentindo nostálgico, lembrando da surra que levei de Sasuke. — Acho que Sasuke estava indo para o estacionamento quando o abordamos...

— Posso fazer uma pergunta? — ele indagou, um pouco baixo, apertando o corpo entre os dedos. Parecia nervoso com algo.

— Vá em frente.

— Por que chamam ele de Diabo, ou de El Diablo, ou de Capeta… Enfim, você me entendeu. — ele me fitou, o rosto levemente corado.

— Sasuke não mede esforços para conseguir o que quer. É o que dizem, mas vejo muito mais do que só isso nele. — as pessoas não sabem como ele trata a filha, seu bem mais precioso. Sorri com esse pensamento. Aquela pequena conseguia o que quisesse do pai.

— Isso não explica o fato de ele ter um apelido tão sombrio. — perspicaz, esse moleque é perspicaz. Espera, eu chamei ele de moleque? Quem isso me lembra? — Ninguém te chama de diabo por ser determinado.

— Isso é verdade. Mas você nunca o viu pessoalmente. Se visse entenderia na hora. — franzi o nariz. Eu não gostava dessa fixação de Shino por Sasuke. Eu não acho que ele seja tão ruim quanto quer parecer, por isso não gosto da forma que Shino fala dele.

— De toda forma… — ele deu de ombros — Prossiga com a história… Ele fez o que quando vocês o encontraram? Ele estava sozinho? Você… — Shino engoliu em seco — Se machucou muito?

— Se eu me machuquei muito? — gargalhei. — Sasuke faz uns quatro tipos de artes marciais. Tente imaginar o que ele não fez! — sua cara de admiração era muito cômica — Mas prosseguindo. Ele estava sozinho sim, quer dizer, se for ignorado os dois seguranças que o acompanhavam, mas que não fizeram nada.

— Agora eu entendo porque ele é o diabo! — fez uma careta de indignação — Cacilda… E todo mundo apanhou? Aliás, por que vocês apanharam?

— O abordamos mandando ele entregar sua carteira. — ri de novo. — Eram 6 adolescentes. Sabe o que ele fez? Antes de começar a gargalhar como se tivesse saído do inferno, ele jogou a carteira para cima, eu fui o único que olhei, quando ela caiu de volta, três dos meus companheiros já estavam desfalecidos no chão. — ele parou de respirar por um segundo. — Depois foi tudo muito rápido, uma hora eu estava correndo com meu melhor amigo, na outra eu estava no chão, apanhando feito criança, mas aí eu tentei revidar, o que me rendeu um dos socos mais fortes que eu já levei na barriga. Antes de desmaiar eu o vi se afastar como se nada tivesse acontecido, entrou em seu carro e desapareceu das minhas vistas, que eu julguei na época, para sempre.

Shino se levantou e foi jogar o copo no lixo, retornou arrastando os pés, parecia pensar seriamente em algo, talvez se recordasse de alguma coisa, algo parecido com o que eu vivera.

— E mesmo assim… — comentou com a voz pesarosa, se sentando ao meu lado, seus olhos perdidos na imensidão da rua — Ele é a sua soulmate…

— Isso é só o começo de nossos desentendimentos. O líder da gangue não ficou nada satisfeito em saber do ocorrido, pois isso iria acabar com a reputação da gangue. — estremeci quando falei em Yahiko,o tiroteio no boliche ainda era bem vívido na minha mente. — Ele quis revidar e eu como a mula teimosa que sou, apoiei. Tinha um moleque na gangue que mexia com explosivos e teve a ideia de colocar alguns no carro de Sasuke. — suspirei e neguei com a cabeça. — Ficamos de vigília, esperando ele chegar na Rebú. Depois que ele chegou e entrou no banco, fomos até o estacionamento na surdina e implantamos a bomba no seu carro.

— Ouvi falar desse acidente. — ele piscou, como se retornasse de uma realidade alternativa. — Deu o que falar nos jornais. Foi a partir daí que saíram os boatos que ele era ameaçado de morte… Quer dizer que, meio que, foi você?

Dei de ombros. Não me orgulho nem um pouco de tentar matar minha soulmate, mais de uma vez, devo dizer, mesmo que na época eu não soubesse disso.

— Não sei como, mas ele saiu do carro antes da explosão, mesmo assim os estilhaços e o impacto o atingiu. Ele passou três meses em coma e boa parte do seu prédio foi destruído — suspirei, um pouco chateado. Sasuke não mereceu nada do que fiz/tentei fazer a ele. — Depois disso, já com 15 anos, fui contratado por Shisui, o primo de Sasuke para ser modelo de sua marca. E por incrível que pareça, nunca mais nos vimos depois disso. Nosso reencontro aconteceu no Festival de soulmates do ano passado.

— Ah, essa foi demais! Eu vi na televisão e te aplaudi de pé! Porra, ele mereceu! — pensei em responder que desde o início fui eu que provoquei Sasuke, mas achei melhor deixar passar. Acho que no final, só eu, parentes e amigos íntimos entendíamos Sasuke.

— Bem, depois do festival, teve o incidente no bar. Provavelmente você também viu na TV. — ele assentiu, meio emburrado — Não foi tão bonito como mostraram. Naquele dia o advogado de Sasuke tinha ido até a minha casa para informar que eu estava sendo processado e que eu deveria depositar 13 mil na conta de Uchiha Maiko. Até aí tudo bem, mas adivinha quem eu encontro no bar de noite...

— O capeta… E não me diga! Você estava bêbado e pensou ser a hora do acerto de contas final? — ele falou, com uma cara divertida.

— Exatamente. E eu consegui o irritar, acredite! Xinguei a filha dele, eu juro que não sabia que Maiko era sua filha, na minha mente insana achei que ela fosse amante ou algo do tipo. Ele deu aquele mesmo sorriso diabólico de anos atrás e partiu para cima de mim. Não minto quando falo que foi a pior surra que já levei na vida. Depois que Kiba, meu melhor amigo, tentou apartar a briga e teve o nariz quebrado por Sasuke, ele partiu para cima de mim disposto a me matar, mas não esperávamos pelo que aconteceu. Sasuke só tinha me acertado por cima da minha roupa até aquele instante, e em certo momento ele me deu uma cabeçada, foi aí que descobrimos o inevitável. Somos soulmates… — baixei meu olhar e sorri, me sentindo estupidamente orgulhoso. O que posso dizer? Eu gosto de ser a soulmate de Sasuke.

— Que triste… — ele suspirou, entortando levemente o lábio.

— Ele ficou mais furioso ainda, me arrastou até o estacionamento pelos cabelos, continuamos a nos atacar e em certo momento eu furei sua barriga com uma garrafa quebrada, ele mal conseguia ficar de pé, mas Kami sabe como ele conseguiu forças para nos jogar na frente daquele caminhão. Ele disse que morria junto, mas me matava. — sorri, já pensando na minha próxima fala. — Não sei porque, mas de última hora ele me salvou. Se não fosse ele, provavelmente eu teria morrido naquele acidente.

— É porque pessoas como ele precisam de constante atenção. — ele disse de vez, sem me fitar — Eu sei como é. Eu sei exatamente como é. Ele precisa dos holofotes sobre si porque provavelmente não teve nada disso na infância, o negócio do mistério é só uma casca para separar ele da realidade por ter medo de enfrentá-la. Eu sei como é porque eu sou assim… Apoio-me nessa do homem misterioso e sedutor para não ter que me expor ao mundo e ser julgado por ele. Sasuke tentou te matar, mas se arrependeu porque isso seria demais até para alguém que precisa de atenção.

Não pude mais ignorar. Por mais que eu simpatize com Shino, não admito a forma que ele fala de Sasuke, depois de meus pais, ele é a melhor pessoa que já tive o prazer de conhecer. Ele me perdoou mesmo depois de tudo o que fiz a ele nos últimos meses e sinceramente, acho que eu nem merecia tal ato bonito de sua parte.

— Não gosto da forma como você fala do Sasuke! — murmurei, rangendo os dentes. — Você não o conhece, não pode o julgar!

Ele apertou os lábios, parecia ponderar suas palavras.

— Posso ser sincero? — assenti, mesmo que eu estivesse com muita raiva. — Só diz isso porque ainda gosta dele.

— Independente de gostar ou não dele, eu o conheço melhor que você. Ele pode ser até o diabo, mas ele sabe amar como ninguém. E é justamente por isso que ele faz o que faz. Ele protege os seus com unhas e dentes. — tentei conter minha irritação, mas não consegui. Não quando Shino falava de Sasuke daquele jeito.

— Perdoe-me a minha ignorância, Naruto, mas nem todos tiveram a suposta sorte que você teve de conhecer esse lado quase impossível de se acreditar que existe em Uchiha Sasuke. — ele se levantou e deu dois passos para frente — Desculpe, é que… É meio bobo o que eu vou dizer, mas… Me irrita saber que você gosta de tipos como ele.

Tipos como ele? Como assim? Que tipos? Maravilhosos? Determinados? Que coloca a felicidade de sua família acima de tudo?! Sério, não entendi.

— Shino, ele é meu amigo. Não gosto que falem de meus amigos nem pelas costas, quanto mais na minha frente. Entendo que poucas pessoas o conhecem, mas aprendi com essa experiência que não posso julgar quem não conheço. — suspirei, um pouco mais calmo.

Ele só assentiu, de costas, os ombros um pouco arqueados e de vez em quando eu podia o ver mexendo os dedos na frente do rosto, como se movesse um óculos imaginário. Shino se virou e eu vi um olhar frustrado. Eu já vi esse olhar antes. Eu já o dera várias vezes diante do espelho quando namorava Sasuke, angustiado por pouco entender de suas ações.

— Desculpe, Naruto. — sua voz parecia embargada — Eu não quero parecer um perseguidor, mas eu já gostava de você antes de te conhecer, eu sempre acompanhei o seu trabalho e você sempre foi a minha inspiração pessoal para nunca desistir dos meus sonhos. Quero dizer, o garoto de rua que se tornou uma pessoa importante! — ele suspirou, como se tentasse conter as suas lágrimas — Eu só tinha ido naquela assistência técnica para pedir trabalho, mas aí, como se fosse um sinal dos deuses, você apareceu… Eu tentei parecer um cara cool e tal, então… — Shino esfregou apressadamente os cabelos — Droga… Eu estou… Desculpa, Naruto, eu estou apaixonado por você, essa que é verdade! E quanto mais você me trata com esse carinho e essa confiança, mais eu me apaixono!

Era como se eu estivesse me vendo, porém com aquela coragem que eu não tive e aquele esclarecimento que me faltou para enfrentar devidamente Sasuke.

— Calma. — suspirei. O que falo para ele Kami? — Senta aqui vai, não gosto de pensar que estou te intimidando. Eu nem sei como se faz isso! — ri e acenei para o meu lado, indicando que ele deveria sentar.

Shino riu, meio sombrio.

— Não está me intimidando, Naruto. — aquele tipo de sorriso... Eu já o vi em algum lugar, porém mais corriqueiro. — Uma pessoa como você não consegue intimidar. A luz que você emana acolhe as pessoas, as atrai, e não as repele.

— Ótimo, isso deixo para os outros fazerem. Você É um cara cool Shino. — sorri para ele — Seu jeito misterioso é bem interessante, causa curiosidade. Você deveria se aproveitar disso. Desculpa se fui rude com você, e só que você apertou o meu calo. — dei de ombros.

Ele começou a caminhar lentamente de um lado para o outro.

— Temos uma descoberta interessante nesta noite. O tendão de Aquiles de Uzumaki Naruto é Uchiha El Diablo Sasuke. — eu corei com seu tom divertido. Nem eu tinha me tocado dessa veracidade — Eu já desconfiava… Mas, o misterioso não funciona comigo, todos olham para mim e só veem o nerd da informática. Não tive tanta sorte quanto o seu amigo e nem tive sorte de nascer com luz própria, como você…

— Você está falando isso para o ex-delinquente! — apontei para mim mesmo — Não se esqueça. Você não sabe o trabalho que Sui teve para me colocar na linha, não vou nem falar na parte de aprender a ser sedutor. Não se aprende isso da noite para o dia. Sou uma criança comparado a ele, você deveria ver o jeito como o marido dele fica perto dele. — gargalhei.

— Quem é Sui? — ele pergunta lentamente. Notei que havia uma leve tristeza em seu rosto, uma sombra em seus olhos, algo que eu não sabia definir o que era.

— Meu chefe. Uchiha Shisui. Desculpa, é força do hábito chamá-lo pelo apelido.

Ele assentiu, buscou algo no chão que não achou e me fitou.

— Bom… Se… Era só isso que tinha para me contar, eu… Vou para casa. Não estou menosprezando as suas palavras, claro que não! — ele falou apressadamente — É só que… Eu não... — aquela sombra aumentou, mesmo que ele sorrise — Não importa. Tenha uma boa noite. — e foi se afastando para o fim da praça.

— Ei, ei! — me levantei e o chamei.

Shino parou. Deveria estar a uns cinco metros de distância de mim. Suas mãos ainda estavam nos bolsos e aquela sombra ainda cobria seu olhar.

— Para com esse drama. Vem, eu te levo em casa! — revirei os olhos. — O que eu disse no início da nossa conversa? Você só tinha que ouvir, não disse que você deveria mudar suas atitudes!

— E eu te ouvi, eu te escutei, cada palavra. — ele sorriu docemente — Mas você não me ouviu. — ele deu de ombros — Tudo bem, eu moro aqui perto. Não precisa me fazer essa gentileza. — ele sorria docemente apesar daquela sombra.

— Então deixa eu te acompanhar. — tentei.

Ele deu de ombros e fez um aceno com a cabeça, permitindo a minha ação e me indicando o caminho, tudo de um jeito só. Tal e qual, chegamos a sua casa. Ele mora nos fundos de uma pensão, num quarto que me pareceu ter sido uma garagem e foi transformada num quitinete. Tudo era muito arrumado e limpo, bem cuidado, dividido em banheiro, quarto e uma pequena sala de estudos que me pareceu ser seu local de trabalho.

— 'Taí, a minha Caverna da Solidão. — falou, depois de ter me permitido entrar — Pronto.

Vendo mais de perto, aquela sombra parecia cobrir toda a sua região ocular.

— Eu achei bem aconchegante. — sorri e em seguida o encarei sério — Olha Shino, vou ser bem direto. Eu gosto de você. Você é um cara legal e fiquei muito lisonjeado em saber que eu seja inspiração para alguém… — suspirei. Afinal, o que eu estava tentando? — Gostaria de sair com você.

Ele caminhou para a cama e tirou o blazer, lançando-o em cima de uma cadeira, depois afrouxou sua gravata e se sentou no colchão. Se fosse Sasuke, não posso deixar de pensar nisso, eu já estaria em chamas só por causa dessas duas ações, mas com ele, com Shino, tirar a gravata e o blazer eram coisas normais.

Shino arfou, apoiando o rosto na mão.

— Eu deveria me sentir a pessoa mais incrível do mundo por saber que Uzumaki Naruto disse que vai sair comigo… — ele sorriu tristemente — Que bom.

— Eu sou uma pessoa normal, Shino. Muito simples, na verdade. — Eu não entendo esse garoto, sinceramente. — E você não parece muito empolgado… — eu preferia que ele falasse o que pensava, não entendo indiretas.

— Ah… Desculpe. É só que… Isso não vai dar certo, essa que é a verdade, Naruto. — Shino falou como se ouvisse os meus pensamentos — Você acaba de vir de um relacionamento intenso com o diabo, e não precisa ficar admirado de como eu sei porque é claro que seria intenso, e eu estou apaixonado por você. Não estou falando de relacionamento sério, mas... Em que mundo isso daria certo?

— Respeito sua decisão. Mas posso garantir que ainda na semana passada eu e Sasuke deixamos as coisa entre nós muito bem resolvidas. A verdade é que não damos certo. Eu estou seguindo em frente. — me justifiquei, antes que ele pensasse que eu estava me aproveitando de sua paixonite.

Ele suspirou, sorrindo, a sombra diminuíra um pouco.

— Tudo bem então… Como queira… O que quiser está bom para mim. — falou dando de ombros e se colocando de pé. — Eu estou feliz em poder ficar mais um pouco com você.

— A última vez que escolhi o lugar do encontro a noite não terminou muito bem. — franzi o nariz — Preferia que você escolhesse, assim se algo der errado posso te culpar. — falei, brincando.

Ele se forçou a rir.

— Mas para quando seria isso? Digo, esse encontro? — a sombra estagnara em seu rosto.

— Quando é melhor para você? — tenho a impressão que estou fazendo tudo errado.

Shino deu de ombros, claramente confuso.

— Eu não… Não sei. — apertou as mãos juntas — Quando você pudesse estaria bom para mim, afinal você é um homem muito ocupado.

Suspirei e ignorei o alerta que soava em minha cabeça, me aproximei dele e sentei do seu lado. Peguei uma de suas mãos e a apertei na minha.

— Você pode ignorar por um momento que eu seja famoso e rico? Isso é bem irritante, sabe? — sorri de lado.

— Desculpe. — nos fitamos.

Os rosto estavam próximos. Seria a distância ideal para Sasuke tomar-me como lhe aprouvesse ou me torturar com aqueles olhares intensos. Mas tudo o que vejo é Shino e seus olhos margeados por um sentimento que não consigo saber qual é.

— É só que fui pego de surpresa. — ele sorriu, sincero — Nunca imaginei que isso poderia me acontecer, nem nos sonhos mais loucos que eu tive.

— Não sei o que se passa na sua cabeça, mas quero deixar uma coisa clara. Nunca fui de me aproveitar de ninguém, e não vai ser dessa vez que farei isso. Se eu digo que gosto de você é porque gosto. — falei o mais sério possível.

Seus olhos brilharam e, finalmente, se iluminaram. Aquele Shino do shopping retornara. Então, de repente, sem aviso, nossos lábios se tocaram bem rápido. Eu o vi corar até as orelhas quando percebeu o que fez e se levantou apressadamente, voltando a caminhar de um lado para o outro meio desorientado. Oi? Eu acabei de ser beijado?

— M-M-M-M-Me desculpe… — ele gaguejou — E-E-E-Eu não sei o que deu em mim…

— Shhhh, calma. ‘Tá tudo bem! — o parei, segurando seus ombros. — Eu não mordo, quer dizer, não se você não quiser! — dei uma piscada de olho.

Ele soltou o ar e estremeceu. Então é assim que Sasuke vê suas vítimas do ponto de vista do sedutor? Interessante. Muito interessante.

— Você não sabe quantas vezes eu sonhei com você me mordendo… — ele falou sem sentir, tremendo entre minhas mãos. Ele piscou duas vezes, voltando para a realidade, e corou furiosamente, desvencilhando nos meus braços.

E o que houve? Um filme repetido. Shino caiu lindamente no chão, estatelado, com braços e pernas afastadas, entre uma pilha de pápeis. Não pude evitar e acabei rindo, achando aquela cena muito engraçada.

— Me desculpe, geralmente eu sou uma pessoa normal. — ele falou, se sentando e suspirando entristecido. — Não caio com frequência.

— Pois eu devo ser anormal, vivo caindo por aí — isso era verdade, meu sobrenome era desastre. Dei de ombros e sentei na cama de novo, chamando-o para me acompanhar.

Ele veio e obedientemente sentou-se ao meu lado. Seriamente, acho que já vi isso antes, só não me lembro onde. Shino pós as mãos entre as pernas e respirou fundo, se recuperando parcialmente da vergonha que o consumira.

Eu vi seus lábios se mexerem para dizer algo, mas ele desistiu. Shino ficou quieto pelo que me pareceu os segundos mais longos da minha vida. Ele parecia muito nervoso. Se Sasuke estivesse aqui, diria que Shino estava agindo como um garota de quinze anos prestes a perder a virgindade. Que pensamento mais escroto, esse.

— Só tenta não desmaiar, ‘tá? — dei um sorriso de lado.

— C-C-Como é…? — seus olhos se arregalaram estratosfericamente.

Peguei seu rosto em minhas mãos e me aproximei, passando meus lábios em sua bochecha, dando um beijo leve, para logo em seguida expor meus dentes e o morder com um pouco de força, passando por seu maxilar e fazendo o mesmo ali, subi para sua orelha e suguei o lóbulo, apertando-o em meus dentes em seguida, desci para o seu pescoço e o mordi com força, passando minha língua no local logo após.

Suas mãos vieram para o meu peito, ele tremia como uma vara verde.

— Por… Por… Por favor, não… Não faça isso. — ele tentava conter as lágrimas — Eu… Eu… Não…- Shino me abraçou, praticamente subindo em meu colo — Eu não…Não vou conseguir me controlar...

Nos fitamos e ele me beijou. A boca estava molhada por causa das lágrimas. Beijou-me sofregamente, deixando-se levar completamente. Ele arfou e me fitou.

— F-Faz… — ele engoliu em seco, fechando os olhos — Faz amor comigo.

PORRA! Que merda é essa agora? O que eu faço? Não posso fazer isso com ele. Ele nem está pensando direito! Não posso fazer sexo com Shino sabendo que ele é apaixonado por mim, quando o sentimento não é recíproco!

Então algo assustador aconteceu. Enquanto Shino beijava o meu pescoço, eu vi a porta de sua casa se abrir lentamente, sem emitir o mínimo de ruído, e fechar em seguida. Um fantasma? Por Kami, um fantasma e num momento desses? Isso é um filme de terror? O que eu faço, o que eu faço?

Acabei fitando-me no espelho e através dele eu podia ver a porta e algo mais. Uma silhueta encostada na parede, olhando para mim. Pisquei algumas vezes e fitei a porta de novo. Quase infartei ao ver Sasuke com a pele completamente negra e de olhos vermelhos me encarando. Não me diga que… Essa é… A sua sombra?

Ela levou um dedo aos lábios, em sinal de que eu silenciasse. Ergueu uma mão e girou-a lentamente, como se tirasse alguma coisa de sua posição inicial e a colocasse em outra. Assenti, sem entender seu objetivo, e num movimento rápido, lembrando-me de todas as vezes que Sasuke me submetera, eu coloquei Shino esticado na cama. Ele me fitou com lágrimas nos olhos e arfou. Olhei para frente vi que a sombra estava lá, exatamente como eu.

Fez movimentos lentos de ajustar a roupa no corpo e eu a imitei. Curvou-se para frente e beijou o nada. Eu fiz do mesmo jeito, apesar de eu ter demorado mais que a sombra. Vi-a se afastar devagar, meio que fazendo charme, indo para a porta. Segui-a do mesmo jeito.

— O-O-O que foi, Naruto? — Shino indagou, se sentando.

Ouvi uma voz baixa e sussurrante. Era a voz de Sasuke. Me parecia distante.

— Não costumo transar no primeiro encontro. — nem acredito que essas palavras saíram da minha boca, vindas de uma sombra! — Eu gosto de conhecer primeiro, para saber exatamente o que fazer. — dei uma piscadela, tal como a sombra mandara.

Shino estremeceu e respirou fundo. Parecia atordoado, mas não chateado, parecia até animado com o que eu dissera. Quer dizer que eu não o magoei?

— Vou estar livre na sexta. Escolha um lugar discreto, não seria bom chamarmos atenção. Isso estragaria o encontro.

Ele assentiu velozmente.

— Eu… Te ligo? — foi o que pode dizer, depois de se recuperar.

— Quando quiser. — sorri e mandei um beijo para ele.

Eu vi a sombra bater palmas e indicar a porta, sumindo ao se aproximar dela. Fiz o mesmo e saí confiante, sem olhar para trás. Andei por um quarteirão antes de finalmente a realidade cair sobre a minha cabeça e eu entender que acabara de escapar de uma enrascada graças a uma sombra e sem perder o gingado ou a oportunidade.

Olhei em volta. Lá estava ela, parecia fumar a luz de um poste, observando os próprios pés, as mãos nos bolsos, se é que sombra tem bolso! Me aproximei dela lentamente, eu sei que ela nunca me faria nenhum mal, mas esse tipo de coisa sempre vai me assustar.

— Você sempre aparece nos momentos mais oportunos, não é? — falei baixinho, enquanto olhava para os lados. Vai que alguém vê eu conversando com o nada e ache que eu sou maluco.

A sombra se virou para mim, como se tirasse o cigarro da boca, e sorriu de lado. Aquele maldito jeito Sasuke de sorrir. Olhei em volta. O mundo parecia absolutamente vazio. Ele estirou a mão para me tocar, mas parecia longe demais para isso. Realmente eu estava fora do seu alcance. O que ela queria? Franzi o cenho e me aproximei mais, tentando a alcançar.

Senti sua mão em meu rosto, aquele calor gentil e agradável. Seu polegar afagou as minhas cicatrizes faciais devagar, seus olhos vermelhos me contemplavam com carinho. Era como se eu estivesse voltando no tempo, antes da separação, da briga, da viagem.

— É inevitável… Acho que no fim você sempre vai tentar me proteger. — sorri, mas senti meu peito apertar. Eu não deveria sentir essas sensações. Eu estava seguindo em frente. Estava… Não estava?

— Estamos… Ligados… Para… Sempre… — era como se eu estivesse falando com o Sasuke do hospital, aquele que me tomara, com sua voz baixa, rouca, quase forçada, se não fosse por sua expressão natural. — Eu… Ainda… Estarei… Contigo… Amanhã.

Senti minha garganta fechar. Eu não conseguiria o responder, então tentei manter o sorriso no rosto. Ele sorriu de igual maneira e encurtou a distância, me enlaçando gentilmente num abraço, que eu sentira em tantas noites que não podia estar com o Sasuke real.

— Tudo… Bem… Naruto… Continue… Caminhando...

Sumiu, sumiu como fumaça no vento. E eu fiquei lá, pensando em como diabos eu faria para sentir apenas um carinho fraternal por Sasuke. Como faço para não sentir meu coração acelerar diante de sua presença? Como faço para esquecer que um dia fui apaixonado por ele?

Notas finais
DiAngelo: Quem esperava por essa? Foi treta de início até o fim! E esse Naruto loko pelo Sasuke, mas inventado de sair com os ôto boy? Vamo ver no q vai dar. Comentem, pessoinha! Até o/ Nonna: Já estou esperando os comentários de Sasuke bipolar. Só observo vcs aí lendo as coisas sem pegar a essência. Eu particularmente espero q esse capítulo tenha sanado algumas dúvidas de vcs e só observo Naruto saindo com Shino, mas ainda gostando de Sasuke.