Notas iniciais
Hum, está aí mais um... desculpem a demora! Só não me matem, por favor D:

Mike chegou próximo ao carro e desferiu um soco, nervoso. Por que tinha que ser ela? Por que seu coração resolvera bater mais forte pela garota errada? Ela já tinha namorado! Esforçara-se muito para não quebrar o pescoço daquele branquelo no meio do Double Dutch. Soltou um longo suspiro, passou a mão no rosto e cruzou os braços. Beth ainda não tinha saído de lá e não poderia ir embora sem ela, por mais que quisesse. Caso ficasse ali mais meia-hora, entraria lá dentro e daria uma surra no idiota, mesmo sem motivo algum. Tinha consciência de que era ele próprio quem merecia uns bons socos, mas isso não vinha ao caso. A imagem dela não saia de sua mente e muito menos a voz com um forte sotaque francês.

— Olá. – Mike ouviu uma voz feminina ao seu lado e observou a figura.

Uma loira com roupas curtas o encarava.

— Oi. – Respondeu, fazendo uma careta de descaso.

— Eu vi o que houve lá dentro. – Ela o rondou e parou em sua frente. Não podia negar que ela tinha belos olhos e era... Sexy. – Você quase brigou com o Tom por causa daquela garota. – Ela disse as ultimas duas palavras demonstrando asco.

Mike revirou os olhos.

— O que você quer? – Indagou à ela, alterando o tom de voz. Já não possuía um só pingo de paciência. Toda sua calma foi embora no instante em que conversava animadamente com Anne e aquele cara aparecera estragando tudo.

— Calma garotão. – A mulher deu uma risadinha e tocou os músculos de Mike. – Eu quero aquele cara pra mim. Do mesmo jeito que você quer a garota.

Mike ficou desconfiado. Aquela loira o deixava com os pêlos eriçados. Os olhos azuis eram bonitos, mas ele conseguia ver a frieza neles e isso o deixava com o pé atrás.

— Você os conhece então?

— Só o Tom. Ela eu não conheço e pouco me importa. – “Preferia ela morta.” Acrescentou em seu íntimo. – Ele é meu ex-namorado, terminamos por uma briguinha besta e ele arrumou essa aí. Eu só o quero de volta.

— E como você pretende ter ele de volta? Pelo que percebi ele está com a Anne e aparentemente apaixonado.

— Ué, eu vou conseguir ele com a sua ajuda. – Ela sorriu, passando a ponta dos dedos pelo peitoral do moreno. Como era firme...

— Ah, eu vou te ajudar? Não estava sabendo.

— Vai, claro que vai.

— E o que te faz acreditar nisso?

— Você quer a garota. É visível.

Mike se deixou raciocinar por alguns segundos. Sim, queria Anne. Era seu maior desejo no momento.

— Sim.

— Então pronto. Você vai me ajudar. – Ela deu um sorriso triunfante.

Ele deu de ombros. “Ajudaria” ela, mesmo que uma voz lá no fundo lhe mandasse recusar.

— Ainda não me disse seu nome.

— Emily Pember, e o seu?

— Michael Mountbatten.

Beth saiu do pub e foi em direção ao irmão. Encontrou-o junto de uma garota. Tinha certeza que a conhecia de algum lugar, mas não lembrava da onde a tinha visto. Deu de ombros.

— Beth... Vamos embora? – Ele a chamou, ignorando a mulher ao seu lado.

— Ahm... Eu não estou a fim de ir agora, Mike. – Beth passou a mão nos cabelos. – Eu vou mais tarde. Encontrei Fred e Jeff lá dentro, vou com eles depois. Ok?

Ele concordou e entrou no carro. A garota se debruçou na janela e puxou um papel do decote. Beth riu por dentro e deu meia-volta. Mike sempre tinha garota disposta a estar com ele... Mas parecia que os Mountbatten adoravam escolher as pessoas erradas. Voltou para dentro do pub. Não conseguia entender a estranha vontade de permanecer ali.

Mike puxou o papel da mão de Emily e encarou-a com raiva. Ainda se sentia incomodado com ela, mas ignorava isso. Olhou para o papel. Ali continha um endereço e um telefone e o nome dela. Quando ela gesticulou para ele fazer o mesmo, ele anotou seu endereço e telefone também e entregou à ela. Sem dizer uma palavra, afastou-a do carro e saiu em disparada. Alguma coisa lhe dizia que aquilo não estava certo, mas não se importava.

Emily guardou o papel no decote e quase deu pulos de alegria. Fora sorte encontrar Tom Keifer naquele pub e a vadia junto com ele. E fora melhor ainda ver a desavença entre aquele bonitão e Tom. Com aquele grande pedaço de mau caminho tiraria Anne de seu caminho muito fácil. Não o conhecia, mas a beleza daquele cara fazia qualquer uma cair de quatro por ele. Seguiu para o lado oposto do que ele fora. Não tinha mais o que fazer naquele lugar. Agora, tinha que maquinar um plano para pegar Keifer de volta.

Beth acabou se perdendo de Jeff e Fred dentro do pub. Evitou Eric a todo momento dentro do local. Assim que o via, ia para o outro lado. Que mania aquele idiota tinha de ficar beijando-a. Aquilo machucava Beth cada vez mais. Resolveu ir embora no momento em que Heaven’s On Fire do Kiss tinha acabado. Teria de ir embora sozinha. Praguejou. Sua casa não ficava perto dali. Inferno. Assim que se dirigiu para a porta, notou que Eric também saía do Double Dutch e um cara o olhava fixamente. Beth observou-o. Viu-o acenar com a cabeça para o loiro que estava de costas e ficou em alerta. Aquele homem não tinha uma cara muito boa.

Depois de o cara sair, Beth foi atrás. Tinha certeza que ele queria assaltar Eric. Quando notou que ele seguia o loiro cambaleante que ia para o carro, tentou pensar rápido no que faria. Várias coisas lhe passavam pela mente, mas nenhuma boa. Como chamaria a atenção do infeliz para si? Não podia simplesmente pular nas costas do cara e socá-lo na cabeça até Eric ir embora. Mesmo bêbado, era óbvio que o imbecil ficaria ali e reagiria também. Suas mãos suavam. Não sabia o que fazer. Manteve-se na calçada e observando o homem tentando atravessar a rua para ir à outra calçada, onde Eric estava tentando abrir a porta do carro, praguejando alto por não conseguir. Tinha que fazer alguma coisa... Nem que fosse algo bobo. Apegou-se a primeira idéia que lhe passou pela cabeça e mandou se danar se fosse idiota demais. Era isso e acabou. Se desse certo, tudo bem. Se não desse...

Pegou em seu bolso algumas notas de dólares que tinha e colocou no meio do seio. Abaixou a regata, deixando os seios parcialmente à mostra e assoviou. O homem a olhou com interesse. Agradeceu por ele continuar no mesmo lugar. Chamou-o com o indicador. Era melhor não gritar. Eric a ouviria. O cara olhou uma vez para Eric e demorou apenas alguns segundos para vir ao seu encontro. Era óbvio. Beth tinha muito mais utilidades que uma vitima caindo de bêbada. Arrepiou-se só de imaginar no que aquela loucura poderia resultar para ela. Mas era seu coração que a mandava salvar a pele de Brittingham, e no momento o ouvia e ignorava a razão. Antes de o homem asqueroso chegar perto dela, Beth concluiu em pensamento: O amor é uma merda. E estava certa disso.

Acontecera de uma forma que ela não havia imaginado. O cara jogou o cigarro no chão e a pegou pelos dois braços, empurrando-a para uma parte sem iluminação da rua. Com certeza ele havia visto primeiramente o dinheiro. Praguejou quando foi jogada e prensada contra a parede. Suas costas estalaram tamanho foi o baque. Com o canto dos olhos viu que Eric já estava dando partida. Dois segundos mais tarde, ele fora embora. Suspirou aliviada, mas logo foi sacudida pelo homem.

— Hum, vadiazinha. Me chamou? – Ele indagou com um riso. O bafo fedorento de bebida chegou às narinas de Beth, que sentiu ânsia de vomito. – CHAMOU? – Ele a chacoalhou.

— Sim, chamei. – Falou num fio de voz.

— Pra que? Quer dar sua boceta pra mim é? – Ele prensou sua feminilidade e com o joelho afastou uma das pernas de Beth.

Ela não conseguia se mover. Além de ele a estar prendendo por completo, estava apavorada.

— Não... Eu...

— Você tentou se fazer de puta agora, mas você acha que eu não percebi você e o loirinho cheio da grana lá dentro? – Riu novamente quando ela arregalou os olhos. – Acha que eu sou besta? Só quis salvar a pele do riquinho e conseguiu. Agora está fodida em minhas mãos... – Ele aproximou o rosto do de Beth e começou a beijá-la no pescoço.

O coração de Beth acelerou e o pavor tomou conta dela por completo. Começou a se debater com todas as suas forças. Não pensava mais, não tinha noção de nada. Só queria se livrar daquele imundo que a tocava. Por mais que tentasse, não conseguia se livrar dele. Queria gritar, mas ninguém a ouviria. Começou a se xingar, por ter sido tão idiota. O que aquele idiota poderia fazer com Eric além de tirar o dinheiro que o loiro tinha? Nada. Agora com ela... Poderia fazer muitas coisas e era bem isso que ele queria. Seu pavor se transformou em raiva ao pensar em seu corpo ser tocado por um nojento daquele. Ah não. Tentaria ao máximo, até não ter mais forças... Mas se livraria daquela situação.

Conseguiu chutá-lo na canela, o homem apenas praguejou e jogou-a contra a parede mais uma vez. Beth bateu a cabeça com tamanha força que ficou zonza. Recuperou-se rápido e continuou a tentar chutá-lo, mas na hora em que ia desferir mais um chute, ele a jogou no chão, fazendo-a bater a cabeça mais uma vez. O filho da mãe era alto e se defenderia muito melhor que ela, que era muito baixa e magra. Ele se colocou por cima dela e começou a apertar-lhe o pescoço. Beth arregalou os olhos, sem fôlego, lutando contra o homem quando viu que ele aproximava a boca imunda de seu rosto. Fechou os olhos com força e tentou empurrá-lo com os antebraços e incrivelmente conseguiu. O cara saiu de cima dela por completo. Sentiu a liberdade e abriu os olhos ao ouvir um som de ossos quebrando. Se ergueu com um pouco de dificuldade e viu o cara do outro lado da calçada e um homem alto em sua frente. Cabelos bagunçados e arfando, de costas. Com ele havia mais um. Os músculos do homem subiam e desciam e assim que o outro foi de encontro ao seu agressor, ele se virou para ela. Beth arregalou os olhos mais uma vez e suspirou aliviada.

— Beth! – Ele a ajudou a se levantar.

As pernas de Beth não se firmaram e ela quase caiu, porém foi amparada pelos braços de Dean.

— Obrigada, Dean... — Ela sussurrou.

Ele nada falou, apenas lhe beijou o topo da cabeça. Beth olhou para o outro lado da rua onde estava jogado o corpo do bandido e o outro cara que estava com Dean. Parou por um momento. O que aquele cara estava fazendo? Algemas?

— Vamos embora. Eu te levo pra casa.

— Pode ir Dean. Eu me viro com esse aqui. Levo ele pra delegacia e depois passo pela sua casa amanhã. – O rapaz alto e moreno falou quando chegou próximo à Dean carregando o homem. – A garota está bem?

— Sim, eu a conheço, Bryan. É a irmã do Mike. Dá um jeito nesse filho da mãe antes que eu o quebre inteiro. – Dawson falava num tom de pura fúria.

Beth conseguia sentir o conforto dos músculos rígidos dele, mas no momento a dor tomava conta dela por inteiro. Sua cabeça parecia pesar cem quilos e suas costas estavam lhe matando.

Bryan disse mais algumas palavras que Beth não escutou e foi embora, levando consigo o homem desacordado. Ele devia ter quebrado muita coisa ao ser jogado para o outro lado. Ela quis rir mas só de pensar, tudo lhe doía.

Dean sentiu seu peito molhado e afastou Beth com cuidado. Assustou-se ao ver sua camiseta branca com uma grande mancha de sangue. O cabelo dela estava ensopado na parte de trás. Pegou-a no colo e foi para seu carro. Fora uma sorte Bryan o chamar para irem ao Double naquela noite. Não queria nem imaginar o que aconteceria caso não tivesse chego ali a tempo. Colocou-a no banco do passageiro e tirou sua camiseta. Mandou ela segurá-la no local onde sangrava e fechou a porta. Levaria ela para sua casa.

— Dean, me leva pra minha casa, por favor. – Ela pediu, num fio de voz enquanto ele seguia caminho contrário.

— Depois que eu der uma olhada nisso eu levo. Não vou fazer nada com você, Beth. Calma.

Ela não falou mais nada. Seria melhor mesmo ele ver o que tinha acontecido com sua cabeça. Tinha consciência de que fora muito burra por ter feito aquilo. Uma estúpida, idiota. Eric não merecia seu amor e muito menos o que fazia por ele. O que fizera por ele. Não queria pensar nisso. Esvaziou sua mente e não foi difícil. Queria fechar os olhos e dormir, mas Dean a cutucava o tempo todo para ela não adormecer.

Assim que chegaram, Beth foi direto tomar um banho. Assim que saiu Dean a deitou no sofá e começou a tratar do ferimento de Beth. Não era grande e logo cicatrizaria. Qualquer machucado naquela região fazia verter muito sangue, mas não era de se preocupar. Lutando para mantê-la acordada, limpou e fez um pequeno curativo no ferimento. Depois de terminar, verificou se ela tinha mais algum outro e não encontrando sentou-se no sofá de frente.

— Você estava indo embora quando ele pegou você?

— Não... Eu livrei o Eric dele. – Contou de uma vez.

— O que? – Dean ficou indignado. – Você é boba, Elisabeth? Imaginou o que poderia ter te acontecido se eu não tivesse aparecido ali?

— Eu sei, fui burra, idiota... Não precisa me dar sermão, Dean. Eu sei de tudo isso... – Suspirou triste. – Obrigada por me livrar.

Ele passou a mão nos cabelos e apenas concordou com a cabeça, ainda indignado.

— Quem era aquele tal Bryan? – Beth perguntou depois de um longo silêncio.

— Um amigo meu. Ele é policial. Você teve sorte, Beth. Você não tem noção dessa sorte. Meu Deus.

— É.

Minutos depois, Beth adormeceu. Dean ficou a observá-la. Ela amava muito aquele cara... Nenhuma mulher se exporia a esse risco para salvar a pele de um homem. Sentia inveja de Eric. Queria que ela nutrisse esse amor por ele e ao contrário de Eric, daria o devido valor a esse sentimento e a trataria da melhor forma possível. Suspirou e se levantou. Nunca teria esse amor e muito menos Beth. Tinha de se conformar com isso. Porém, continuaria tentando.

Pegou-a no colo e deitou-a em sua cama. Cobriu-a e foi tomar um banho. Vestiu uma calça e uma camiseta e deitou-se também. Ficava incomodado em dormir de roupas, mas era necessário. Demorou a adormecer, pois imagens do que poderia ter acontecido com ela lhe viam à mente com freqüência.

Depois que chegaram do pub, Tom não deu uma única palavra. Ele estava bravo, mas Anne não entendia. Não fizera nada além de conversar com aquele cara. Nem ao menos encostara nele. Por que Tom estava tão nervoso? Nem tinha motivos para começarem uma briga. Realmente, não entendia os homens. Sabia que o tal Mike estava interessado nela e se esquivara com delicadeza de todas as indiretas – e diretas – dele. Não queria ninguém além de Tom Keifer. Respirou fundo e soltou o ar lentamente quando ele saiu do banho e veio para a cama. Não dissera nem uma única palavra, apenas se cobriu e virou-se para o outro lado. Anne quis chorar de raiva. Ele nem ao menos a abraçaria ou daria boa noite, já que não se amariam? Se apoiou no antebraço e cutucou-o. Tom se virou e encarou-a.

— O que foi?

— O que foi, digo eu! O que deu em você, hein?

— Nada.

— Tom, é sério. Não fiz nada de errado... Ele veio falar comigo, a culpa não foi minha. Não teve nada demais, eu estava te esperando e você demorou e... – Apressou-se em explicar.

Parou de falar quando o indicador de Tom pousou em seus lábios. Ele se ergueu um pouco e continuou a fitá-la.

— Eu entendi, Anne. Não estou nervoso com você, estou com ele. Estou puto porque não dei alguns socos naquela cara de idiota dele. Só isso. – Ele passou a mão em seu rosto. – Eu não consegui suportar quando o vi perto de você. Agora... Vamos dormir, por favor. Tive um dia cheio hoje. Boa noite. – Ele apenas colou seus lábios aos dela, voltou a se deitar e virou-se de costas para ela.

Anne demorou mais alguns segundos para deitar-se também. Não sabia o que fazer e muito menos o que pensar. Talvez amanhã Tom estivesse melhor.


Notas finais
Eu não gostei muito desse capítulo... Ficou muito desconexo? D: Ah, o que vocês acharam???? Podem xingar a Beth, eu deixo ;D (e o Mike também... sei que Srta.Dany vai xingá-lo! haha)
Beijos!