Corações Rendidos
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Já havia se passado dois dias desde o incidente que ocorrera com Beth. Ryan e Mike deram seus devidos sermões e ela se manteve quieta. Sabia que estava errada e prometeu a si mesma que nunca mais faria algo do tipo de novo, ainda mais por quem não merecia, e tentaria controlar seus impulsos. Decidiu passar alguns dias em Salisbury e ficou feliz quando Loren dissera que também iria. A ruiva estava carente, pois Ryan trabalhava o tempo todo e pouco ficava com ela. Compraram as passagens no mesmo dia para embarcarem no vôo do dia seguinte. Beth queria ficar o mais distante possível de Eric e na casa de seus avós tinha certeza que não ouviria nem sequer o nome dele. Se controlaria ao máximo para não pensar no loiro e manter-se-ia ocupada todo o tempo com qualquer mínima coisa. Tinha que curar aquele amor de qualquer jeito. Conseguira esquecer Ian, então com certeza conseguiria esquecer Eric.
Dean e Ryan as acompanharam até o aeroporto e aguardavam a chamada do o vôo para Salisbury, Maryland. Loren estava triste por deixar Ryan e ficar alguns dias fora, mas não deixaria Beth sozinha.
Beth se mantinha afastada de Dean e não falava com ele desde o momento que acordara na cama ao lado dele. Ficou sentada de costas para o loiro e com a mão no queixo. Era muito cedo e estava morrendo de sono. Sua cabeça ainda doía um pouco e durante aqueles dois dias tivera dores de cabeça fortes. Ryan a examinou e constatou que tudo estava normal e que Dean fizera tudo certo quando cuidara do ferimento. Suas costas estavam boas, mas também ainda doíam pouco. Suspirou. Caso não tivesse a infantil idéia de bancar o anjo da guarda de Brittingham, não estaria naquela situação. Coçou a cabeça e arrumou os cabelos, nervosa. Aquilo estava demorando demais.
— Não está atrasado não? – Ela perguntou à Ryan.
Ele apenas meneou a cabeça, negativamente e continuou à falar com Loren sobre algum assunto. Talvez, Ryan estivesse relembrando como era Paulina, sua avó, pois ambos davam risadas com freqüência. Fechou os olhos e encostou a nuca no encosto do assento. Se tirasse alguma soneca, seria ótimo. Sentia-se tão cansada!
— Oi. Beth? – Ela ouviu uma voz masculina.
Abriu os olhos imediatamente e encarou a figura à sua frente, com evidente surpresa. Como ele sabia seu nome se nem ao menos tivera algum contato com ele durante o tempo em que ficara naquela turnê?
— Sim, sou eu. – Ela deu um sorriso de canto e se levantou. – Como me reconheceu Richie? – Ela indagou.
— Ah, o Jon me ajudou um pouquinho. – Ele apontou para trás e ela viu Jon conversando com outros dois. – Você pode não ter ficado ao nosso pé na turnê, mas era difícil não olhar pra você a todo o momento.
Então, os caras do Bon Jovi a olhavam enquanto estava fugindo de Eric, almoçando com os caras do Cinderella, e em todo o momento em que ficara com eles? Isso não era legal de saber. Ela ficou sem graça e sentiu as bochechas queimarem. Afastou o cabelo do rosto num ato de nervosismo.
— Ah sim... – Deu um sorriso sem graça. – Que sorte nos encontrarmos aqui, não é... Vocês estão indo pra onde?
— De volta pra New Jersey e você? Achei que morava em Nashville. – Ele notou a cara de surpresa dela e resolveu explicar como ficara sabendo. – Fred me contou isso.
Beth xingou Fred em pensamento.
— É, o Fred é um... Boca aberta. – Riu – Estou indo pra Salisbury...
— Hum. Você e o Eric conseguiram se acertar? – Ele cruzou os braços e encarou-a com malicia no olhar.
Beth praguejou em pensamento e quando abriu a boca para responder que eles não tinham para acertar, ambos ouviram um grito e segundos mais tarde, olharam para Jon e viram uma garota agarrada no pescoço do rapaz. Beth riu e olhou para Ryan que ria, de braços cruzados. Era ótimo seu irmão ter ciúmes muito bem controlado. Ficaram a observar Loren quase chorar de felicidade por estar frente a frente com Jon Bon Jovi e o mesmo tentando cantá-la, dando autógrafo e sorrisos sedutores para a ruiva.
Ryan de fato não se importava com aquilo. Quando se casara com ela, já sabia do fanatismo que Loren tinha por aquele cara. Mas acima de tudo, sabia que ela o amava e Jon era apenas um ídolo de sua mulher. Não tinha que se preocupar com a presença dele, mesmo com sua esposa pendurada no pescoço dele. Sentou-se de novo, ao lado de Dean.
— Ryan, você vai deixar? — Dean começou. – Ele tá cantando no ouvido dela.
Ele deu de ombros.
— É o máximo que ele vai fazer. Até onde sei esse cara é casado, assim como ela é. E eu confio o suficiente em Loren para deixá-la ao lado dele. Gosto quando ela sorri desse jeito. – Ele continuou a observá-la com Jon.
Dean se impressionou com a confiança de Ryan. Ele não demonstrava nem um pingo de estar incomodado e sim estava feliz.
Por fim, cinco minutos depois, o vôo de Beth e Loren foi anunciado e ambas se despediram de Richie e Jon primeiro e depois de Dean e Ryan. Loren se despediu calorosamente do marido e Beth apenas deu um aceno para Dawson.
***
— Quem será que vem me importunar à essa hora? – Disse Paulina ao ouvir a campainha soar.
Amarrou seu robe azul-marinho e foi atender a porta. Assim que a abriu, arregalou os olhos de surpresa e deu passagem para as duas garotas cheias de malas.
— Bom dia, vó. – Beth deu-lhe um beijo no rosto.
Loren fez o mesmo.
— Ah, por favor, me sinto tão velha quando vocês me chamam de “vó” – Disse ela fechando a porta.
Beth deixou suas malas na ponta da escada e ficou a olhar a casa. Já fazia muito tempo que não voltava à aquela casa. A sala com dois ambientes era muito espaçosa, assim como a casa toda. O piano de cauda ficava em um canto um pouco isolado. Adorava quando seu avô a ensinava à tocar. A escada levava ao andar superior que também era muito grande, até onde se lembrava. Beth se sentia bem em Salisbury. Tinha ótimas lembranças daquele lugar.
— Onde estão seus irmãos? Aqueles netos desnaturados? Já faz anos que não os vejo. – Paulina disse, indo para a cozinha e sendo acompanhada pelas duas.
— Nos vimos no casamento de Ryan, vó. – Beth respondeu sentando-se na mesa.
— Ah tanto faz. É apenas nessas ocasiões que vocês lembram-se de nós.
— Paulina, pára com isso. Ryan e Mike apenas trabalham demais. – Loren disse, comendo uma torrada. – E além de tudo eu tenho uma boa notícia. – Ela se encostou no balcão onde Paulina estava.
— Que notícia? – Ela distribuiu as xícaras de chocolate quente para as duas e se serviu de uma de café.
— Eu estou grávida! – A ruiva contou com um sorriso.
— Oh meu Deus, que horror! Me sentirei mais velha ainda! – Paulina brincou, fazendo as duas garotas rirem. – Estou brincando. Parabéns!
Depois de conversarem mais um pouco sobre a gravidez de Loren e terminarem de tomar café, Paulina subiu para chamar Konrad e Beth foi para a sala. Não tinha mais amigos para visitar ali, para rever, nem nada. Antes de se sentar no sofá, ouviu seu nome ser chamado por Loren, que estava próxima a uma cômoda dourada e sofisticada. Como todos os outros móveis da casa dos Kowalkowski. Sua avó adorava decorar a casa, com os melhores e mais bonitos móveis.
— Que foi, Loren? – Perguntou assim que se juntou à ruiva.
Ela lhe mostrou algumas fotos que estavam em portas-retratos ali. Beth pegou uma a uma e começou a olhá-las, muitas vezes rindo com a amiga do jeito como eram “estranhas” e como Mike e Ryan eram esquisitos e toda a turma que ficava com eles ali em Salisbury. Tinham saudades daquela época, mas como não podiam voltar atrás e parar no tempo, só restavam as lembranças e as fotos.
— Beth! Olha essa aqui. – Ela mostrou um outro porta retrato que estava atrás de todos. – Olha como o Ryan tá esquisito com esse cabelo! – Ela riu.
Beth observou a foto. Nela tinham quatro garotos. Ryan era o mais velho de todos eles, aparentemente, e estava no lado esquerdo, rindo e ao lado estava Mike. Sim, seu irmão mais velho estava esquisito com aquele cabelo de tigela. Ela riu baixo. Observou mais uma vez a foto colorida. Apenas Mike tinha os cabelos negros. Olhando atentamente o garoto mais baixo que estava no meio, o coração de Beth começou a bater forte. Conhecia aqueles olhos e aquele sorriso. Mas não podia ser quem estava pensando.
— Paulina quem é esse garoto na foto com os meus irmãos? – Beth perguntou assim que Paulina e Konrad pararam no primeiro degrau da escada.
Beth mostrou a foto, apontando para o garoto do meio, e Paulina pensou por apenas alguns segundos. Não tinha como esquecer aquele moleque. Vivia na sombra de Ryan e Mike! Não tinha um dia em que eles não estivessem juntos.
— Ah, como esquecer! Ele vivia em sua casa, Beth. Não se lembra dele? É o Eric Brittingham. Ah e esse outro é o irmão dele. Vocês eram vizinhos e ele estudava na mesma sala que o Michael. – Ela recordou. –Era um garoto muito bonito quando pequeno... Hoje ele deve estar uma loucura de rapaz. – Ela deu risada. – Pena que foi embora daqui faz um tempo... Seria bom se ele e seus irmãos se encontrassem de novo. Não se desgrudavam por nada... – Ela saiu para a cozinha, ainda falando.
Konrad passou a mão nos cabelos brancos que até alguns anos atrás eram loiros e deu uma leve risada.
— Essa sua avó, não tem jeito. – Ele disse e deu um beijo no topo da cabeça de Beth, que parecia uma estátua. – Minha querida, você está bem?
Konrad a observou. Beth estava pálida, olhando para o nada com os olhos marejados. Estranhou. Loren continuava olhando todas as fotos da casa.
Beth não podia acreditar. Mas como aquilo poderia ser possível? Eric e Ryan eram melhores amigos? Eric era aquele garoto com quem ela brigava sempre? Conhecia Eric Brittingham desde pequena? Nem percebeu seu avô pegar o retrato de sua mão e sentá-la no sofá. Estava chocada demais.
— Elisabeth, o que houve? – Ele indagou .
— Ah, nada vovô. Eu só estou um pouco cansada... Vou subir. – Ela se levantou e foi para um dos quartos de hóspedes.
Beth entrou no primeiro quarto vazio que encontrou. Levaria suas coisas mais tarde. Fechou a porta e deitou-se na cama, em posição fetal. Estava errada quando pensara que ali não poderia nem ao menos ouvir o nome de Eric. Ele estava bem presente naquele lugar. Ele praticamente vivera com os Mountbatten. Fechou os olhos e deixou algumas lágrimas rolarem por seu rosto. Estava começando a acreditar que não nascera pra ser feliz.
Flashback on
“ Se sentia muito sozinha naquele lugar. Não tinha nada para fazer e nem com quem brincar. Sua única amiga, Loren, havia viajado com os pais para a Irlanda e não sabia quando voltariam. Ela apenas disse que ia visitar os avós.
A menina suspirou e se levantou da calçada. Ficar olhando a rua só aumentava seu tédio. No mesmo instante em que ia entrar em casa, ouviu seu nome ser chamado. Se virou e encarou um garoto loiro. Colocou as mãos na cintura e encarou-o de cabeça erguida.
— Ryan e Mike não vão poder sair por aí com você hoje, Eric. Mamãe mandou eles ficaram estudando. – Disse, imponente.
Ela e Eric nunca se deram bem. Em momento algum. Beth odiava aquele garoto e a chatice dele.
— Cala a boca. Você nem sabe o que eu quero. – Ele disse se aproximando. – Vim mostrar uma coisa pro Ryan.
Antes de xingá-lo e dizer que não chamaria seu irmão, notou que ele trazia uma caixa na mão. Ficou curiosa. O que teria dentro da caixa?
— O que tem ai? – Ela ficou na ponta dos pés, tentando olhar pra dentro, porém só conseguiu ver furos, pois a caixa estava fechada.
Eric afastou a caixa rapidamente.
— Não te interessa! Pára de ser intrometida, Beth!
— Vai te matar se você me falar? Só quero saber o que tem aí, seu chato!
Ele bufou e colocou a caixa no chão. Abriu-a e lá dentro Beth viu uma bola de pêlos negros. A menina se encantou quando seus olhos se encontraram com os do filhotinho de cachorro.
— Que lindo! – Exclamou – Posso pegar?
— Não! – Ele tirou de perto dela. – É meu! Eu que achei. – Eric pegou o filhote e segurou-o.
— Eu só quero segurar um pouco, por favor.
Eric lentamente deu o cachorrinho para ela segurar, no momento em que viu os olhos azuis dela se encherem de lágrimas.
Beth segurou a pequena bola de pelos com cuidado e abriu um sorriso. Adorava animais.
— Eric, dá ele pra mim? – Pediu.
— Mas você é muito folgada! – Tomou o filhote dela – Já disse que ele é meu. Fui eu que achei na rua e sou eu que vou cuidar!
Beth começou a chorar, ainda olhando para ele. Não era uma menina mimada, mas queria aquele animalzinho. Ele era tão lindo!
— Por favor, Eric... Dá pra mim...
— Não!
— Pode ser meu e seu... – Ela passou a mão no rosto para limpar as lágrimas que desciam.
Ela percebeu o garoto hesitar um pouco.
—Beth... – Ele estalou a língua. – Beth não chora. Tudo bem, você pode ficar com ele, mas não chora. – Ele entregou o filhote à ela.
Beth segurou o pequeno e sorriu para Eric. Ambos se sentaram na soleira da porta dos Mountbatten.
— Como vamos chamar ele? – Ela indagou, secando o rosto com as costas da mão.
— Bob. “
Flashback off.
Beth suspirou. Aquela tinha sido a única vez em que se sentaram juntos, conversaram sem brigar e foram gentis um com o outro.
Lembrava-se muito bem que na noite daquele mesmo dia, seu pai comunicou à todos que iam ter de se mudar para New York. Foi um choque para todos, ainda mais para Ryan e Mike, que iriam se separar da turma de amigos e de Eric.
Sentia falta daquele cachorrinho. Bob morrera dois anos depois de chegarem à New York, pois fora atropelado e não resistira. Chorara muito naquele dia e durante um bom tempo não conseguira ter outro animal, até ganhar Thor de seu pai. Mas como não se lembrara de Eric assim que o vira? Ele fora muito presente em sua vida. Só fazia apenas 16 anos que não se viam. Riu de seu destino imbecil. Quem diria que anos mais tarde encontraria o amigo de seus irmãos, o garoto com quem mais brigara durante toda sua infância e se apaixonaria perdidamente por ele? E não seria correspondida? Era um fato que nascera pra sofrer.
— Entra! – disse ao ouvir batidas na porta.
Loren entrou e fechou a porta com o pé, pois as mãos estavam ocupadas com uma bandeja cheia de coisas. Ela depositou a bandeja numa mesinha ao lado da cama onde Beth estava e se sentou na cama.
— Como soube que eu tava nesse quarto? – Indagou quando se sentou e recebeu um pedaço de bolo de chocolate.
— Esse era o único fechado. – Lambeu os dedos que estavam sujos de chocolate derretido. – Posso parecer burra, mas não sou. O que aconteceu com você? Por que ficou daquele jeito quando viu a foto? – Perguntou comendo um grande pedaço de bolo.
— Loren... Você lembra do Eric?
— Claro que sim. Até agora não sei como você ainda pensa nele, meu Deus. Tá na cara que ele é um cretino, filho da mãe, salafrário e só quer te levar pra cama como se você fosse qualquer uma! E...
— Não esse Eric, Loren! – Encarou a amiga que ficara quieta. – Lembra daquele garoto que vivia com o Ryan e o Mike, e nós dois brigávamos o tempo todo?
Loren se deixou pensar por poucos segundos. Apesar de ter-se passado muito tempo, era lógico que se lembrava daquele garoto loiro.
— Claro. Aqueles idiotas não deixavam a gente brincar com eles. – Ela distribuiu mais pedaços de bolos para ambas. – O Eric era o mais chato. Concordava com Ryan em não nos deixar ficar junto com eles e quando Ryan resolvia deixar, vocês dois acabavam brigando feio.
— Então, ele é o Eric cretino, filho da mãe que você diz.
Beth quase riu da cara de espanto de Loren. Enfiou mais um pedaço de bolo na boca, deliciando-se com o sabor. Amava os bolos que sua avó fazia!
— Espera. – Loren fechou os olhos por um segundo e abriu-os novamente. – Você está me dizendo que o “Eric” é o ERIC?
Beth confirmou com um aceno.
— Não acredito nisso! Mas como? Beth, como? – Ela perguntou, inconformada. Era muita coincidência. Sua amiga estava apaixonada pelo garoto que ela mais odiara!
— Não sei Loren... Não sei. Mas é ele. Paulina confirmou quando eu mostrei a foto e ela me disse o nome dele e eu me lembro agora. Eric não mudou tanta coisa assim desde a ultima vez que eu o vi. Ele tinha o quê... – Ela fez algumas contas rápidas de cabeça. – Uns doze anos...
— Que coisa de louco, Beth... – Ela disse, pensativa e enfiando um pedaço de chocolate na boca. – Vocês se odiavam. – Loren olhou-a fixamente.
Beth concordou.
— O que o Jon tava falando pra você? – Indagou, mudando de assunto. Ainda estava surpresa com o assunto de Eric e queria esquecê-lo por um momento. Além de estar curiosa sobre Jon. – Vi que ele falava algo no seu ouvido...
Os olhos de Loren brilharam e ela suspirou, dando um sorriso. Loren não sabia descrever o que sentira ao vê-lo tão próximo. Mas sua reação fora óbvia: Voar no pescoço de Jon.
— Ele estava cantando pra mim. Uma música do novo disco... I’ll Be There For you...
Beth riu da reação de Loren e continuaram conversando sobre o encontro inesperado dela com Jon Bon Jovi. Seria ótimo passar o tempo ali em Salisbury com Loren.
Notas finais
Merece Reviews???
Beijos!
Fale com o autor