Corações Rendidos
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Já fazia quatro dias que Eric não via Beth, mas pensava nela constantemente. A todo o momento se pegava pensando nela e os lindos olhos azuis e o sorriso lhe vinham à mente com freqüência. Queria sentir novamente o mesmo ódio que sentira por ela quando a vira com o homem. Queria muito não pensar nela, não se sentir necessitado dela, mas para seu desgosto sentia tudo isso. Ansiava sentir o toque das mãos dela em seu rosto de novo e do cuidado daquela garota. Balançou a cabeça, afastando os pensamentos pela enésima vez.
— Eric! A gente tá falando com você! – Jeff deu-lhe um tapa no braço.
O baixista se desligou de seus pensamentos e prestou atenção nos companheiros de banda, Fred e Jeff que estavam com ele no carro.
— Ah, eu tava tentando imaginar onde o Tom foi parar. – Inventou rapidamente uma desculpa para sua distração.
Jeff bufou. Já ia fazer quase uma semana que não viam Tom e ele muito menos atendia as ligações que faziam. Tinha desaparecido literalmente do mapa. Foram até a casa do vocalista e tocaram várias vezes a campainha, sem receber resposta. Não era possível Tom sumir bem no momento em que conseguiram o que mais queriam. Ele não era burro o suficiente para isso.
— Nem tente imaginar. Daqui a pouco eu queimo meu cérebro. Ele sumiu sem deixar um rastro sequer. – Jeff falou, suspirando e colocando o braço para fora do veículo.
— Queimar o resto de cérebro que você tem, quer dizer não é? – Fred brincou. – Acho que perdemos um vocalista. – Ficou entre o banco do passageiro e do motorista.
— Se eu frear a sua cara vai parar no vidro. – Eric disse.
— É bom que você freie então. – Jeff riu.
A situação de amizade entre Fred e Eric já havia melhorado bastante nos quatro dias que se seguiram depois da briga entre ambos. Eric confessara à Fred, quando estava bêbado em sua casa, que não conseguia tirar Beth de sua cabeça, mas pedira para ele não comentar sobre coisa alguma com a garota, nunca. E Fred aceitara. Para o bem de todos os membros da banda, foi o melhor.
Eric no momento que virou uma esquina, quase perdeu a direção do carro. O que viu o fez frear o veículo imediatamente, mandando Fred para frente e ouvindo um berro do lado de fora. Seu peito arfava. Estava assustado. Saiu do carro e foi em direção à mulher que estava parada no meio da faixa de pedestres com dois cães.
— Você é maluco? – Ela estava tentava recuperar o fôlego que perdera com o susto.
— Não, eu não te vi. Você que deveria olhar para os lados quando for atravessar a rua!
— Ah, jura? Faço isso da próxima.
Os cachorros dela começaram a latir e Eric deu um passo para trás.
— Espero que faça. – Falou, encarando o labrador e o pastor alemão que ela segurava – Eu não gostaria de saber que você morreu atropelada, Elisabeth.
Beth riu nervosa.
— Ah não? Acho que você preferia saber que eu morri de AIDS, já que me chama de puta para Deus e o mundo.
Eric olhou para ela, com mágoa no olhar. Já se arrependera muito por tê-la chamado desse jeito, não preferia lembrar-se de suas palavras. Se aproximou de Beth e instintivamente estendeu o braço, tocando-a no ombro.
— Não. Eu... Beth...
Ouviram uma buzina soar. Eric olhou para trás. Jeff tocava a buzina várias vezes, rindo dentro do carro. Os animais começaram a latir de novo. Eric mostrou o dedo do meio para o guitarrista e o baterista e voltou a olhar para Beth.
— Eric, não fala mais nada, o.k?
— Me escuta, garota por favor! – Falou mais alto e pegou no braço dela com um pouco de força.
O pastor alemão sentiu o tranco no braço em que Eric pegara e avançou no loiro, que no mesmo instante se afastou com receio. Não era legal ter dois cães daquele tamanho latindo para si.
Beth se esforçava para domar Loki, o cachorro de Mike, que queria avançar em Eric, mas não estava conseguindo. Sua mão doía. Caso Thor não acompanhasse Loki nos latidos e nas tentativas de se livrarem das correntes que os prendiam à mão dela, iria ser bem mais fácil.
— Pára Loki! Pára! – Começou a gritar com o cachorro, em vão.
No instante seguinte, Beth não agüentou mais segurar os animais. Ambos saíram atrás de Eric, que passou a correr como um louco pela rua, fugindo dos dois cachorros enormes.
Fred e Jeff se divertiam, vendo a cena enquanto Beth não sabia o que fazer. Loki era muito nervoso. Não seria bom, caso ele conseguisse pegar Eric. Já Thor, ela sabia que o máximo que faria era derrubar Eric no chão e dar uma bela lambida na cara do loiro. Os dois que estavam no carro, vieram para junto dela.
— Hey, Beth! – Jeff cumprimentou-a e Fred fez o mesmo. – O que será que vai acontecer? – Indagou com um sorriso, tentando encontrar Eric com os olhos.
— O máximo que pode acontecer é ele levar umas boas mordidas do Loki. – Ela falou, cruzando os braços.
— Ia ser ótimo. – Fred disse.
Beth não estava com nenhuma vontade de ir atrás dos dois cachorros e de Eric, mas não podia deixá-los à solta, pois Eric não iria agüentar correr tanto.
— Eu vou procurar por eles...
No segundo seguinte, ouviram um berro masculino e alguém correndo em direção à eles, pelo outro lado da rua, com dois cães atrás de si.
Eric conseguiu alcançar o carro e se enfiou dentro do veículo, prendendo-se. Thor e Loki começaram a pular, tentando pegar Eric pela janela e entrar dentro do carro junto com o loiro.
— Beth! Tiras eles! Tira! Porra! Caralho! – Eric xingava enquanto os três do lado de fora riam da cara dele.
— Vem Loki, vem! Thor! – Ela chamou os cachorros, que vieram de pronto. Pegou nas coleiras dos animais, prendendo-os mais uma vez.
— Ah, que pena, acabou a graça... – Jeff lamentou. – Mas valeu a pena. Nunca vi o Eric correr tanto. HAHA
Beth acompanhou os três numa risada. Despediu-se de todos com um aceno e foi embora, levando os cães consigo.
Será que agora iria encontrá-lo sempre? Seu destino estava brincando com seus sentimentos. E isso não era bom. Seguiu para sua casa, com os pensamentos em Eric, como sempre.
Assim que entrou, libertou os cães das correntes e deixou-os livres. Procurou em todos os cantos da casa. Mike ainda não havia chego. Decidiu tomar um banho para tirar o suor do corpo. Tinha dado muitas voltas com aqueles dois. Enquanto deixava a água morna cair em seu corpo, pensava em Brittingham. Tentava imaginar o que ele queria falar à ela, antes dos cães avançarem. Estava curiosa. O que será que ele queria? Provavelmente ofendê-la de novo. Não queria vê-lo nunca mais, mas estava se tornando difícil. Como queria voltar a Nashville... Assim nunca mais saberia ou veria Eric.
Terminou o banho e vestiu uma roupa qualquer. Seu estômago roncou assim que saiu do quarto. Seguida por Thor e Loki, foi para a cozinha pegar algo para comer. Não tinha feito almoço nenhum e provavelmente Mike comeria fora, como sempre. Abriu a geladeira e encontrou uma torta de maçã que sua mãe havia mandado na noite anterior por Mike. Pegou um prato e serviu-se de um pedaço da torta e de um pouco de sorvete de baunilha que encontrara no freezer. Sentiu água na boca ao olhar para o prato. Amava as tortas que sua mãe fazia desde que se entendia por gente. Tinha saudades de seu passado, menos de uma parte claro. Uma parte chamada Ian.
Balançou a cabeça, quando imagens do garoto tomaram sua mente. Ele era mais um que não valia a pena ser lembrado. Ian fora pior que Eric. Realmente, não tinha sorte no amor. Pegou o prato e uma latinha de refrigerante que também estava na geladeira. Os animais a seguiam, para todo o canto. Foi para a sala e colocou o prato e a latinha em cima da mesa de centro. Havia se esquecido pela primeira vez de alimentar os cachorros. Depois de lhes deixar água fresca e bastante comida, voltou para a sala. Evitava ligar a televisão. Não gostava muito. Ficou a pensar, deitada no sofá, comendo a torta de maçã com o sorvete. Era horrível ficar em casa o dia inteiro, sozinha. Odiava isso, mas não tinha mais nada para fazer.
Tomou um susto quando o telefone tocou. Se levantou e atendeu o telefone, sentando-se na bancada da cozinha.
— Alô?
— Hey, Beth... Sou eu, Dean. Tudo bem?
Ela suspirou, fechando os olhos.
— Ah, Dean... Sim, estou bem e você?
— Estou ótimo. Beth... Eu tenho algo pra falar com você.
— Pode falar.
— Eu gostaria de saber... Se você não quer voltar a trabalhar. Ryan conseguiu uma vaga aqui pra você...
Beth ficou em silêncio. Uma parte dela gostaria de voltar para aquela vida, mas a outra não desejava nem um pouco. Tinha muito que pensar sobre o assunto.
— Não sei, Dean. Tenho que pensar. – Respondeu por fim.
— Compreendo. Fora isso, tenho um convite pra te fazer.
— Que convite? – Indagou, mesmo já imaginando o que seria.
— Quer jantar comigo essa noite?
Sabia que era algo do tipo.Mais uma vez, Eric veio em sua mente. Como sairia com um homem, amando outro? Gostaria de ir, mas seu coração não queria.
— Dean...
— Tudo bem, eu entendo se não quiser. Apenas... Pense. Se quiser, pode me ligar.
— Obrigada. Eu vou pensar sim.
— Estarei esperando. Tchau.
Murmurando um “tchau”, Beth desligou o telefone, logo após colocando as mãos no rosto. Sua vida tinha virado de cabeça para baixo de uma hora para outra. Por mais que quisesse que seu sentimento por Eric acabasse, ele apenas se tornava mais forte a cada dia. As palavras que saíram da boca dele não saiam de sua mente. Bastava se lembrar dele, que elas vinham fortes e arrebatadoras, machucando-a. Caso ela tivesse ficado com Eric até ele acordar no maldito dia em que resolvera se enfiar no quarto dele, teria sido melhor? Não sabia a resposta. Naquele momento, só vira solução em sumir de perto dele antes que ficasse pior. Só que essa opção não tinha sido a melhor pelo visto. Ele a acusava de tê-lo largado sozinho. Eric queria que ela ficasse lá para ser rude, ou não dar uma palavra, ou até mesmo para chutá-la de seu quarto? Só conseguia pensar isso. Por mais que ele tivesse sido maravilhoso com ela enquanto faziam amor, Beth não tinha motivos para pensar que Eric seria mais amigável depois daquilo. Como Brittingham mesmo havia dito, ela não significava nada para ele.
Não iria jantar com Dean Dawson.
Desceu da bancada da cozinha e voltou para a sala. Preferia ficar sozinha e amando Eric, que dar falsas esperanças à Dean.
Tom estava impaciente na sala do apartamento de Anne. Ela havia ido trabalhar pela manhã e o deixara lá, sozinho. Não gostava de ficar longe da garota. Passou a mão no rosto e resolveu ligar para alguém e avisar onde estava. Tinha se negado a fazer aquilo desde que chegara em Paris, pois queria aproveitar o máximo de tempo que podia com Anne e tinha certeza que no momento em que ligasse, exigiriam sua presença. Só de pensar sobre uma separação longa de Anne, ficava chateado. Mas já era hora de dar as caras.
Pegou o telefone e discou os primeiros números que lhe veio à mente. Depois de quase seis toques, uma voz bem conhecida soou do outro lado da linha.
— Fala.
— Hey, Eric! É o Tom. Como vai, cara?
Tom ouviu um “Aleluia!” Do outro lado e riu. Então, realmente deram falta de sua presença.
— Até que enfim, idiota! Estávamos te procurando feito loucos! Você tá querendo ferrar a gente? Tá cheio de compromisso aqui, infeliz! Como você some assim, do nada? Sem nem ao menos avisar aonde vai, nem deixar um bilhete... ONDE VOCÊ ESTÁ?! – Eric falou, berrando no telefone.
Tom gargalhou.
— Calma, amor... Eu não quis te deixar preocupada! – Riu de novo. – Relaxa, Eric. Eu quis dar uma desaparecida mesmo. Queria descansar depois da turnê que fizemos, não posso?
— É, pode.
— Então, e acho que você deveria fazer o mesmo.
— Também acho. Quem sabe desaparecer pra sempre? Por que é o que eu desejo no momento.
Tom estranhou. Por que Eric desejaria uma coisa daquela? O baixista não tinha motivo algum...
— Por que? – Indagou, curioso.
— Por nada. Esquece. Onde você está? Me responde.
— Estou em Paris. Eu vim procurar uma pessoa... – Contou, com um suspiro e se irritou ao ouvir as risadas do amigo do outro lado da linha.
— Ah, que coisa mais romântica! Tom Keifer encontrou o amor em Paris...
— Cala a boca.
— Enfim, pois trate de voltar hoje mesmo, por que temos coisas a fazer. Não é sempre você que quer fazer tudo certo? Então trate de voltar nesse instante. Seja lá o que esteja acontecendo de bom pra você aí.
Tom coçou a cabeça. Não se lembrava de nenhum compromisso, mas deveria ter surgido alguma coisa enquanto ele estava fora.
— Eu sei... Tchau, Eric.
— Tchau, Tom.
Keifer desligou o telefone e colocou as mãos na cabeça. Não queria sair dali sem falar com Anne, mas ela só chegaria de noite do trabalho. Talvez, se arrumasse suas coisas e fosse até o serviço dela avisá-la... Não. Tom não sabia nem como dar “oi” em francês e muito menos chegar onde ela trabalhava, sozinho. Sem chances. Respirou fundo e soltou o ar devagar. Só pelo fato de ter que deixá-la, ele já sentia um grande vazio. Passar dias sem estar nos braços daquela garota seria o cúmulo. Perguntava-se se agüentaria. A reposta era óbvia: Não.
Seria melhor arrumar suas coisas e deixar um bilhete para ela. Era horrível, mas não podia esperar até a noite ou até o outro dia. Levantou-se e no instante que ia para o quarto pegar sua mala, ouviu um barulho na porta e depois uma voz doce.
— Tom?
Sorriu largo e chegou próximo à ela, pegando-a no colo e dando-lhe um beijo apaixonado. Decididamente não conseguia ficar sem ela. Só de tocá-la, seu desejo crescia.
Anne riu quando parou o beijo.
— Nossa, sentiu tanto a minha falta assim?
— Senti e muita. Isso aqui é só o começo. Você ainda não viu nada. – Ele sorriu e carregou-a para o quarto.
Antes de ir, queria estar nos braços dela de novo, amando-a. Fazendo a coisa que mais lhe agradara todos os dias em que estivera em Paris.
Jogou Anne em cima da cama assim que entrara no quarto, fazendo-a quicar no colchão. Retribuiu quando ela lhe sorriu. Retirou rapidamente suas roupas e ela fez o mesmo, ambos encarando um ao outro com luxúria no olhar. Ele a queria mais que tudo no mundo e era recíproco. Surpreendeu-se quando Anne lhe atirou algo. Pegou ainda no ar e agradeceu em silêncio. Quase se esquecera de novo da camisinha. Vestiu-a e se deitou por cima dela, acariciando-lhe os cabelos e beijando-a intensamente. Só de saber que não sentiria aqueles lábios macios nos seus durante um tempo, seu coração doía. Deslizou a ponta da língua pelo lado esquerdo do pescoço dela, descendo para os ombros. Anne ofegava de olhos fechados. Tom chegou rapidamente aos seios e sugou-os, um de cada vez, até ouvir um gemido alto dela, implorando para penetrá-la logo. Não. Iria bem devagar. Queria aproveitar cada segundo com ela, cada pedacinho de seu corpo antes de partir.
Beijou-a por inteiro, caprichando nas coxas, segurando-a pelas mãos, prendendo-a. Chegou, depois de longos minutos torturantes, ao pedaço do paraíso. Do seu paraíso. Amou-a com a língua durante um bom tempo, arrancando gemidos de Anne. Seu membro pulsava quando resolveu dar fim à agonia de sua garota, e à sua própria. Colocou ambas as pernas roliças e macias em seus ombros e penetrou fundo em Anne, fazendo-a gritar e segurar-lhe pela nuca. Tom não começou com estocadas leves, mas sim rápidas e fortes.
Anne chamava pelo nome de Tom diversas vezes. Aquele homem era um gigante! Daquele jeito iria sair toda quebrada daquela cama... Mas por ela, queria sair mais que quebrada dali. Sentir-se-ia feliz até mesmo se não pudesse andar. Não esperava aquela recepção calorosa de Keifer e agradecia aos céus por ter saído mais cedo do trabalho.
Não demorou muito para que chegassem ao ápice do prazer juntos, num orgasmo violento. Tom caiu sobre Anne, escondendo seu rosto na curva do pescoço dela, ofegante, cansado. Mas saciado. E sorriu de leve ao perceber os tremores do corpo da garota e seu nome ser pronunciado quase que inaudível. Ergueu-se e caiu de costas ao lado dela. Era difícil de concluir que teria que deixá-la naquele momento. Não queria ir embora... Só Deus sabia o quanto não queria.
Passado alguns segundos, ela se virou e se deitou sobre seu peito, sorrindo e com os olhos brilhando, olhar fixo no seu. Retirou com a ponta dos dedos uma mecha do rosto de Anne, acariciando-o logo depois. Não conseguia sorrir e ela pareceu perceber, pois a bela imagem do sorriso de Anne desapareceu do lindo rosto dela.
— O que foi, Tom? Não gostou? – Ela perguntou, tensa.
— Claro que gostei! – Apressou-se em dizer. – Eu só... Não tenho uma boa notícia pra te dar. – Suspirou decepcionado. Antes não tivesse ligado para Eric.
— O que? Fala logo. – Anne se sentou sobre seu corpo.
Seu corpo reagiu novamente ao ter a visão dos seios dela em sua frente e estar numa bela posição... Tentou se concentrar na resposta, porém não conseguiu. Era óbvio que não conseguiria. Se ergueu e a beijou, puxando-a para junto de seu corpo novamente. Voltaram a fazer amor, naquela mesma posição, freneticamente chegando logo à mais um orgasmo.
Sem dizer uma palavra, depois de recuperar-se, Anne se levantou sem olhá-lo e seguiu para o banheiro. Precisava de um banho. Ele a seguia, mesmo sem ter pedido que o fizesse. Parou na porta do banheiro e se virou para ele, quase batendo o rosto no peito de Tom.
— Conta logo. Que notícia é essa? – Cruzou os braços e aguardou por uma resposta. Tinha a impressão que não gostaria nada do que ele tinha a dizer.
Tom deu um pequeno soco no batente da porta e respirou fundo. Doía-lhe profundamente ter que sair daquele apartamento.
— Eu liguei para o Eric pouco antes de você chegar.
— E?
— E eu tenho que voltar hoje mesmo para a Filadélfia, Anne. A banda tem compromissos... Eu sou o frontman, tenho que estar lá. – Não pôde evitar de olhar para ela.
Naquele céu negro que eram os olhos de Anne, via claramente tristeza. Lágrimas vieram aos seus olhos azuis e aos dela também, mas ambos as reteram.
Anne não pode deixar de sentir em seu coração uma tristeza. Não teria mais Tom todo o tempo, junto dela, em sua cama... Mas por mais que desejasse que ele ficasse com ela, entendia que era egoísmo de sua parte. Tom tinha uma carreira começando, uma banda e fora assim que o conhecera. Além de saber que música era o que ele mais gostava. Se ele tivesse que ir, não o impediria de forma alguma. Segurou as lágrimas e encarou-o, forçando um sorriso.
— Eu entendo. Pode ir.
— Anne...
— É sério, Tom. Eu vou ficar triste, mas eu sei que é o que você mais gosta. Não vou te impedir. Aliás, existe telefone! E contanto que você me deixe detalhadamente seu endereço na Filadélfia, pode ir. – Sorriu largo. Além do mais, tinha uma idéia. Não desistiria do amor de Keifer. Faria o que fosse para ficar com ele.
Tom sorriu e beijou-a. Não sabia o que dizer à ela. Imaginara uma briga, um escândalo... Mas não, Anne era diferente. Ela era inteligente e confiava nele. Ao contrário de Emily. Murmurou um obrigado à ela e foi puxado para debaixo do chuveiro. Mais uma transa, mais uma despedida.
Arrumou suas coisas, deixou seu endereço como ela pedira, Anne levou-o ao aeroporto, comprou sua passagem e aguardou o embarque com ela. Junto dele todo o tempo. Tom estava feliz e queria se manter assim com ela para o resto de seus dias. Aquela francesa lhe fazia bem, lhe dava amor e o completava em todos os sentidos. Assim que seu vôo foi anunciado, despediu-se dela e embarcou. Mal sentou-se em sua poltrona algumas palavras vieram em sua cabeça, e logo foram passadas para um papel que tinha no bolso da jaqueta.
“I’m coming home, where your love tonight can shine on me, where your lovin’ arms can set me free…”
Era seu sentimento por Anne. Queria voltar para a casa dela e se perder de novo, como todos os dias em que ficara ali, nos braços quentes, amorosos e convidativos dela.
Trabalhou na canção durante a maior parte do vôo e o resultado lhe agradou. Mostraria para Eric assim que chegasse à Filadélfia.
Beth cansou de pensar. Rapidamente pegou o telefone e discou os números que decorara com dificuldade.
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