Corações Rendidos
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Tom acordou mas não abriu os olhos. O que tinha sido aquilo? Ainda se perguntava. Tudo acontecera tão rápido que ainda estava impressionado. Já tinha se dado conta de que aquela garota sentia algo por ele, mas ouvir da boca dela era outra sensação. Agora, realmente acreditava em tudo o que ela falava pelo telefone. Tinha experimentado muito mais do que só os lábios de Anne que tanto desejara. O sabor dela ainda estava em sua boca, podia senti-lo. Instintivamente, passou a ponta da língua pelos lábios. Queria ela de novo. E de novo... E de novo. Até não conseguir mais.
Quando ia abrir os olhos para procurá-la na cama, pois ela já não estava mais em seus braços – O que o deixava com uma sensação estranha, como se estivesse vazio – Foi surpreendido por uma mão delicada, tocando-o onde menos esperava. Seu corpo reagiu no instante seguinte. Abriu os olhos, se apoiou nos cotovelos e fitou-a. Ela estava com seu membro rígido na mão, massageando-o para cima e para baixo, passando o polegar na glande. Tom fechou os olhos novamente e tombou a cabeça para trás, desfrutando do prazer que ela estava lhe dando com a mão delicada. Sentia-se um pouco envergonhado, mas como ela não se importava, deixou aquela sensação de lado. Se Anne gostava, estava bom para ele.
De repente, sentiu um calor envolver-lhe o membro. Abriu os olhos de novo, atônito. Observou-a por um momento, antes de cair no prazer que ela lhe dava. Amava beijar os lábios dela, eram macios contra os seus, mas tê-los em volta de seu membro era mais delicioso ainda. Ela fazia aquilo muito bem, concluiu com um sorriso. Que bela maneira de acordar, pensou. Ela continuava acariciando-o com a mão delicada e dando-lhe prazer com a boca, sugando, lambendo, mordiscando, tal como fizera com ela na noite anterior. Anne estava lhe devolvendo o prazer que tinha dado à ela.
Os minutos em que ficara ali pareceram horas, até que Tom não conseguiu agüentar mais. Explodiu, derramando todo seu prazer. Seu rosto ficou rubro. Tombou na cama, fechando os olhos, ofegante. Aquela garota... Estava fazendo-o ter delírios! Seu desejo no momento era nunca mais sair daquela cama. Ficar com ela ali, o tempo todo. Depois de longos segundos, conseguiu parar de ofegar e se levantou, ficando sentado na cama. Anne o olhava, com aqueles lindos diamantes negros, brilhantes e um sorriso, limpando o canto da boca com a ponta dos dedos. Por um momento pensou que ela havia engolido tudo, mas notou que ela apenas limpava a parte que havia respingado perto da boca.
Com um movimento rápido puxou-a para cima de seu corpo e beijou-a, apertando-a contra seu corpo. Era uma delicia ter aquele corpo esguio e macio em cima do seu. Em minutos, seu corpo reagiu novamente, lhe dando uma nova ereção. Não esperou muito. Instantes depois, já estava dentro da francesa novamente. As pernas roliças apoiadas em seus ombros, seu membro entrando e saindo dela em movimentos ritmados, rápidos. As mãos dela segurando-lhe na nuca. Ambos arfavam loucamente e Anne gemia alto, gritando por vezes seu nome. Se moveu um pouco para a esquerda e encontrou a parte áspera dentro dela. O pedaço que tanto queria. Continuou as estocadas, até Anne começar a berrar seu nome, as unhas cravando em sua nuca, fazendo-o sentir uma leve dor. Os olhos dela não desgrudavam dos seus. Em segundos, ela explodiu num orgasmo violento e Keifer se lembrou que não estava usando camisinha. Puta que pariu. Tinha se esquecido! Se retirou de dentro de Anne instantes antes de explodir também. Sem pensar, derramou todo seu prazer na barriga e seios dela.
Mesmo com os olhos pregados nela, que estava trêmula pelos espasmos violentos, se preocupou. Como podia ter esquecido da merda da camisinha?! Ficou observando-a, até Anne se acalmar. Quando ela abriu os olhos e parou de gritar seu nome, Tom a beijou, ainda atormentado pelo esquecimento do preservativo.
— Você é muito imbecil, Eric! – Fred gritou, assim que entraram na casa do loiro.
Eric bateu a porta com toda a força. A cabeça de Brittingham estava a mil e ainda doía por causa da ressaca. Acendeu um cigarro. Era o sexto desde que saíra do maldito Café. Ver Beth desregulara todos seus sentimentos. Não sabia se a amava. Só conseguia odiá-la no momento, por ter feito seu coração se esquentar de novo e por ter tido a prova de que ela nunca, em nenhum momento, pensara nele. Tinha até um novo idiota!
— Imbecil por que? Não fiz nada de errado! – Se jogou no sofá, nervoso. Deu uma longa tragada e segurou a fumaça por uns segundos, soltando-a pelo nariz depois. Cruzou as pernas.
— Você não devia ter se metido na vida dela! Pra que foi lá falar aquelas coisas?
— Porque me deu vontade! E nada disso te diz respeito! – Evitava olhar para Fred. Tudo o que avistava lhe causava ódio. Sentia vontade de quebrar tudo.
— Eric, você fez ela chorar. Beth estava feliz até você ir falar com ela! Que merda! Você não te nada a ver com ela! Devia ter ficado na sua!
— Eu quero que ela chore mais! Por mim, aquela vadia pode morrer de chorar, que se mate logo! Não estou nem aí praquela puta! – Disse, controlando o tom de voz para não gritar. Tragou mais uma vez o cigarro, nervoso.
Fred olhou incrédulo para Eric. Ele tinha chamado Beth de quê? Sentiu vontade de meter um belo soco na cara daquele infeliz. Não agüentou mais. Se ficasse ali mais um segundo, faria isso. Arrebentaria a cara daquele filho da mãe. Ele não conhecia nem um pouco Beth, não podia dizer aquilo sobre ela. Saiu da casa do baixista sem falar mais uma palavra e bateu a porta com todas as suas forças. Se arrependia profundamente de ter apresentado Beth à Eric.
Eric passou a mão no rosto e afastou os cabelos do rosto. Estava com ódio. Puro ódio dela. Sua vontade de estourar a cara daquele imbecil que estava com ela era enorme e de xingá-la de todos os nomes possíveis era maior ainda. O ódio o consumia de uma maneira que Eric não conseguia controlar. Se levantou do sofá e jogou a bituca do cigarro no chão, pisando em cima dela. A cabeça parecia querer sair de seu pescoço e isso só o deixava com mais raiva.
Fora carinhoso com ela quando transaram, fora diferente com aquela garota. Mas ela era uma puta como todas as outras! O largara sozinho na cama e fora embora! Pra que? Pra dar pra outro! Ele era o bobo da história toda. Elisabeth o fizera de idiota. Essa conclusão causava-lhe uma revolta imensa. Pegou uma garrafa de whisky e um copo. Que se danasse sua dor de cabeça, que se danasse seu estomago ou qualquer outra merda. Iria encher a cara. Queria esquecer aquilo outra vez. E as únicas coisas que o faziam esquecer era álcool e cocaína.
Fred assim que virou a esquina da rua de Brittingham, deu de cara com uma pessoa muito conhecida. O rapaz colocava algo dentro do carro e vestia roupas brancas, tendo na mão um jaleco branco também. Olhou para a placa que continha o nome da rua. Bainbridge Street. Lembrou-se imediatamente. Era a rua em que Beth morava. Praguejou baixinho. Eric e ela eram praticamente vizinhos!
— Mike! Mike! – Correu, se aproximando do amigo.
Michael se virou e encarou o rapaz que vinha em sua direção chamando-o pelo nome, sorrindo logo depois de reconhecê-lo. Fred. Fazia muito tempo que não se viam, mas ele não mudara muita coisa.
— Hey Fred! Como vai? – Cumprimentou-o com um aperto de mão.
— Eu estou bem. A Beth está em casa? – Torcia para que ela estivesse. Assim poderia falar com ela.
— Não, até agora ela não chegou. – Mike colocou o jaleco dentro do carro , antes de terminar de falar — Saiu com um amigo meu e...
— Sim, eu sei. Eu vi. – Pensou por um momento. Deveria falar para Mike o que acontecera? Talvez, fosse o melhor. – Olha cara, vai atrás dela. Por favor.
Mike intrigou-se. Por que Fred falaria aquilo? E desde quando ele estava ali e tinha contato com Beth? Como ele havia visto os dois? Por que deveria ir atrás dela? Se Dean fizera algo com Beth, acertaria as contas com seu amigo. E muito bem acertadas.
— Por que? – Indagou, por fim.
Fred contou tudo o que ocorrera no café em detalhes, e notou raiva nos olhos azuis de Mike. Como aquele infeliz podia falar aquelas coisas para Beth?
— Então esse Eric voltou pra ferrar minha irmã de novo... – Mike pensou por um momento. – E é seu amigo?
Fred bufou. Gostava de Eric, mas no momento odiava ser amigo dele e estar na mesma banda.
— Sim, é meu amigo. Tocamos juntos...
— Onde esse infeliz mora? Me passa o endereço, agora Fred. – Michael mantinha um olhar feio e os olhos azuis ficaram mais escuros. A face do moreno transformada numa carranca. Pegaria aquele filho da puta.
— Na 7th Street... Aqui do lado.
Mike perguntou mais algumas coisas para Fred e o mesmo respondeu tudo o que sabia. Minutos mais tarde, entrou no carro de Mike e ambos foram procurar por Beth. Primeiro, iriam ao HUP. Talvez ela ainda estivesse lá.
Dean foi direto para o hospital assim que saiu do café. Seria melhor avisar Ryan do que acontecera. Assim que o encontrou em sua sala, o colocou a par de tudo o que ocorrera no café e ambos saíram a procura dela. Ryan foi direto ao estacionamento, sem nem ao menos se lembrar de tirar o jaleco branco. Que se danasse. Caso o carro dela não estivesse ali, pegaria o seu e procuraria por sua irmã até no inferno.
Ficou aliviado ao ver o carro de Beth estacionado e os cabelos negros dela aparecendo na janela. Conseguia ver uma fina fumaça dentro do veículo também. Sabia o que era aquilo.
Os dois se adiantaram e Ryan bate no vidro, fazendo Beth levantar a cabeça do volante lentamente e olhá-lo. O rosto molhado por lágrimas e os olhos azuis estavam avermelhados. Ryan abriu a porta do veículo e tirou Beth de dentro. Segurou-a em seus braços e afastou uma mecha de cabelos do rosto dela. Um cigarro descansava na mão delicada da garota, já na metade. As cinzas espalhadas no interior do carro. Beth voltara a fumar à um tempo, mas era a primeira vez que a via com o vicio na mão. Não tinha o que dizer e ela chorava baixinho. Levou-a para dentro do hospital, acompanhado ainda por Dean Dawson. O melhor que poderia fazer por sua irmã no momento, era dar-lhe um bom calmante.
***
Dean aguardava ansioso, Beth acordar. Ryan havia dado uma quantidade pequena de calmante forte para a garota, pois ela não conseguia parar de chorar e não conseguia nem menos falar. Desde que saíra daquele café, imaginara o que acontecera entre ela e o tal Eric. Fazia sentido apenas algumas coisas. Perguntaria para ela quando Beth acordasse, mas não forçaria nada caso ela não quisesse. Só quando ela já estava no quarto e dormindo, Dean se deu conta de que Eric o denominara como “namorado” dela. Até gostaria de ser sim, mas duvidava que conseguiria algo com ela algum dia. Beth era muito linda e já tinha alguém atrás dela. Além de não ter beleza suficiente para conquistar aquela garota e ser desengonçado para isso. Duvidava literalmente de sua capacidade de conquista, mas mesmo assim tentaria. Afinal, não custava nada tentar. O máximo que receberia era um Não bem grande e um belo fora.
Valia a pena. Elisabeth Mountbatten valia a pena.
A porta do quarto em que Beth estava foi aberta e três homens entraram. Dois médicos e um rapaz baixo, com cabelos enrolados no famoso corte poddle hair. Vestia roupas simples, apenas uma regata, jeans e tênis. Dean se recordou de quem era. O vira no café junto com o loiro. O que ele estava fazendo ali? Soltou a mão de Beth e levantou-se. Caso Eric estivesse ali, arrastaria o vagabundo para fora do centro médico e o estouraria lá fora. Somente por ele ter dito aquelas coisas.
Mike passou a mão no rosto e afastou os cabelos negros e compridos. Ainda possuía ódio em seu olhar. Ódio por Eric. E Ryan não estava diferente.
Os três entraram e encararam Dean. Fred fechou a porta, sem fazer barulho.
— O que esse aí tá fazendo aqui? – Dean indicou Fred com um aceno de cabeça.
— Ele é nosso amigo de infância, Dean. – Mike explicou.
— Mas ele estava com o tal Eric.
— Sim, ele é amigo do infeliz. Mas é amigo nosso também.
Ryan começou a andar de um lado para outro. Tinha muito trabalho a fazer ali no HUP. Não só ele, mas Dean também. Só que aquilo tinha que ser resolvido. E ainda tinha algum tempo livre.
— Mike, você está com o endereço dele? – Ryan indagou, coçando o queixo.
Michael concordou.
— Dean, você toma conta daqui pra mim por alguns minutos?
— Sim. Pode deixar. Mas o que vocês vão fazer?
— Vamos ter uma conversinha com ele. Apenas.
— Não, vocês não vão fazer nada com ele. – Ouviram a voz de Beth.
Os quatro olharam para a garota, que estava sentada na cama com a mão na cabeça. Beth ainda se sentia um pouco zonza, mas ao menos estava calma. Acordou a tempo de ouvir tudo o que falavam e tinha que interferir. Por mais que Eric a tenha feito sofrer com suas palavras agora e com a falta delas no dia em que saíra de vez de perto dele, não podia deixar seus irmãos ou Dean chegarem perto de Brittingham. Não podia deixá-los encostar um dedo no cara que amava. Sabia muito bem que tipo de conversa Mike e Ryan teriam com ele, tinha que impedir aquilo.
— Beth, volte a descansar. Vamos dar um jeito nisso. – Ryan falou, preocupado com ela.
— Não preciso de descanso nenhum! Vocês vão esquecer esse assunto. Acabou. – Encarou todos os presentes no quarto. Assim que seus olhos encontraram os de Fred, sorriu de leve para ele.
— Não vamos não. E você não vai impedir nada. Chega. – Mike disse – Vamos logo Ryan. – Abriu a porta.
O loiro acompanhou o irmão. Fred deu um rápido abraço em Beth e saiu também. Iria com eles. Dean foi o último a deixar o quarto. Tinha que cuidar das coisas de Ryan – que não eram poucas — Por alguns momentos. Queria interrogar Beth naquele instante, aproveitar aquela oportunidade que estavam sozinhos e ela acordada. Mas não. Para ele, o trabalho vinha em primeiro lugar. Teria tempo suficiente para indagar à Beth sobre o que Eric estava falando e fazê-la contar tudo o que havia acontecido entre ambos.
Elisabeth aguardou todos eles saírem. Minutos depois, colocou seus sapatos e saiu do quarto, olhando para os lados, afim de não encontrar Dean ou alguém que a impedisse de sair. Ryan e Mike não iam falar nada com Eric. Não iriam se intrometer no assunto que estava disposta a deixar de lado. Mesmo doendo, iria deixar Eric de lado.
Entrou no carro e ligou-o. Antes de ganhar as ruas, acendeu um cigarro e deu uma longa tragada. Por sorte, Mike ainda estava saindo do estacionamento. Iria segui-lo discretamente até a casa de Brittingham.
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