Corações Rendidos
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Mike ouviu a campainha tocar e acordou assustado. Olhou para Beth e ela dormia profundamente. Nem vira quando ela pegara no sono, pois estava tão cansado que com certeza havia adormecido antes. Levantou-se e foi atender a porta. Com certeza era seu irmão que tinha chego.
Ryan entrou com uma mala em cada mão e atrás dele veio Loren, sua esposa, com a inseparável Marissa e sua gaiola. Ela nunca se separava daquela coelha e nem deixava alguém maltratá-la, mesmo que Ryan tentasse colocá-la na panela várias vezes. Depois que ambos entraram sem dar um palavra, Mike fechou a porta e cruzou os braços. Ryan o olhou. Não tinha motivos para se cumprimentarem como sempre, felizes.
— Ela está no quarto? – Ryan perguntou, largando ambas as malas próximo ao sofá.
— Sim, Beth está dormindo. Pouco ela faz isso, desde que eu vim pra cá.
Ryan suspirou e passou a mão nos cabelos loiros, nervoso. Era médico, mas não podia resolver o problema de sua irmã. Sua especialidade era outra, bem diferente do que ela estava passando. E sabia que medicina nenhuma curava machucados causados por amor. Sentou-se no sofá e Loren fez o mesmo, prendendo antes Marissa na gaiola. Ela confortou seu marido num abraço. Sabia o quanto ele ficava preocupado com a família e se sentia horrível quando não podia fazer algo para ajudar. Mas ela podia. Antes de ser esposa do irmão de Beth, era a melhor amiga dela. Daria um jeito de tirar sua amiga daquela. Nem que isso tomasse todo o seu tempo.
— Ryan, ela parece pior que antes...
— Michael, você não está ajudando! – Loren falou. – Deixa, quando ela acordar ele vai ver como ela está.
— Certo. Já tomaram café?
—Não, eu estou sem fome. – Ryan disse, ainda pensativo.
— Que merda... Eu não sei fazer café. – Mike fez uma careta. Não sabia fazer nada mesmo, por isso vivia do expresso da padaria próxima a casa de Beth.
— A coitada deve estar faminta então! – Loren se levantou, dirigindo-se a cozinha. – Eu vou fazer algo para vocês e para ela comer quando se levantar. Homens... – Ela fechou a porta da cozinha e parou de falar.
Mike quase riu. Aquela ruiva era maluca.
Beth acordou ouvindo barulhos na cozinha. Sentia-se fraca, mas sorriu ao pensar que Mike poderia estar tentando fazer algo. Ele não sabia fritar um ovo! Se levantou, cambaleante e foi tomar um banho. Minutos depois, colocou apenas um shorts branco e uma camiseta básica. Mal secara os cabelos e se olhou no espelho. Estava com olheiras enormes e olhos vermelhos. Deu de ombros ante sua feiúra. Não tinha ninguém para olhá-la, mesmo. Pegou uma blusa de moletom marrom que estava jogada numa poltrona e vestiu-a, saindo do quarto. Queria ver o que Mike estava aprontando.
Beth se assustou assim que virou o corredor e deu de cara com um loiro sentado em seu sofá de couro preto. Esboçou um sorriso. Não via seu irmão há tempos!
Ryan se levantou e olhou Elisabeth da cabeça aos pés. A magreza de sua irmã denunciava que ela não estava se alimentando corretamente. Profundas olheiras diziam noites mal dormidas e os olhos vermelhos, choro. E tudo por um cara. Se pegasse o infeliz, não sobraria nada dele. Tal vontade fez seus músculos ficarem rígidos.
Se adiantou e abraçou-a. Magra daquele jeito, Beth se tornava ainda menor em seus braços, pois como Mike, ele tinha 1,90 cm, enquanto Beth era desprovida de altura.
— O que você está fazendo aqui, Ryan? – Ela indagou assim que soltou-a.
— Vim ficar com você. Tirar você disso de novo.
Beth bufou. Ryan não podia estar ali por uma coisa simples como aquela. Melhoraria sozinha, com o tempo. Sabia disso.
— Mas e seus pacientes?! Você não pode ficar aqui por uma bobeira como essa!
— Beth, eu deixei alguém no meu lugar enquanto estou aqui. Existem mais dois neurologistas formados em Harvard ali, além de mim. Não se preocupe com o meu trabalho e sim com a sua saúde, o.k.?
Ela concordou, mesmo não querendo. Por mais que Ryan fosse novo, ele já era o médico-chefe do hospital e não queria prejudicá-lo no trabalho. Não por um caso tão idiota quanto o seu. Maldito dia que encontrara Fred naquele hotel. Poderia ter se livrado fácil de Eric e saído com o coração limpo. Mas não, claro que não. Tinha que ter entregue seu coração e transado com ele. Só para a praga ficar em sua cabeça o tempo todo, como um câncer. Sim, Eric era um câncer que ela agora possuía.
— Beth? – Ouviu alguém chamá-la.
Quando se deu conta, estava nos braços de seu irmão mais velho, chorando. Se afastou e secou as lágrimas com a manga da blusa.
— Vamos, você precisa comer alguma coisa.
Ryan levou-a para a cozinha. Cumprimentou Mike e Loren com um aceno. Beth não sentia vontade alguma de comer, mas sabia que Ryan a forçaria.
Comeu devagar e a contragosto tudo o que lhe deram e tentou ao máximo segurar tudo no estomago, mas não conseguiu. Correu para o banheiro e jogou tudo para fora. Após escovar os dentes, deitou-se na cama de novo. Não queria sair dali nunca mais. Sentia-se fraca. Uma questão passou em sua mente: Como Eric estaria no momento? Já tinha uma reposta para aquela pergunta estúpida: Devia estar comendo alguma vagabunda. Só de pensar, seu sangue subiu de tanto ódio e as lágrimas quase tomaram seu rosto.
Loren entrou no quarto, sem bater, fazendo-a segurar a nova onda de choro.
— Elisabeth... – Ela chamou, sentando-se na beirada da cama. – Me conta o que realmente está havendo. Por que só o que eu sei é que Mike e Ryan querem matar um cara.
— E ele merece.
— Mas o que ele te fez? Conta pra mim.
Beth contou tudo. Desde o começo e nos mínimos detalhes para Loren, que no final estava pasma. Como o tal Eric era um cachorro! Sua amiga não tinha razões nenhuma para ter se apaixonado pelo infeliz. Mesmo ele sendo lindo como ela havia descrito. E tinha menos motivos ainda por estar sofrendo por um ser como ele. Agora apoiava o marido e o cunhado em quererem acabar com o tal Eric Brittingham.
— Amiga, que cara cachorro!Cretino! Não duvido que existam homens como ele, porque o Ian é igualzinho!
Beth sentiu uma pontada de tristeza quando ouviu aquele nome. Ian. Antes de Eric, ele a havia magoado. E muito.
Apenas uma coisa preocupou Loren. O enjôo de Beth. Se ela estivesse grávida de Eric, não seria boa coisa.
— Beth, você anda tendo muitos enjôos?
— Não, Loren. E também não, não estou grávida. Está tudo certinho por aqui e ele usou camisinha.
— Ufa. – Loren suspirou aliviada. – Ainda bem!
Menos um problema. Agora, só tinha que tirá-la daquela situação. Conversaria com Ryan e falaria que apoiava levar Beth para a Filadélfia o quanto antes. Lá, seria mais fácil. E sabia muito bem quem poderia ajudar sua amiga a melhorar e esquecer Eric.
***
Meses depois.
A turnê havia acabado. Enquanto Tom tentava se desculpar com Anne durante o restante dos shows, Eric se perdia cada vez mais em mulheres, álcool e drogas. Ele não queria pensar em Elisabeth nem um segundo sequer. Não queria gostar dela, e de fato não gostava, pois pouco pensava nela e tudo o que sentia parecia morto novamente. Para Eric, Beth nem ao menos se lembrava dele.
Os quatro retornaram para a Filadélfia. Com o dinheiro ganho com a turnê, cada um usou para comprar um imóvel e saciar alguns desejos. Como motos e carros. Tom precisava compor músicas para o próximo disco, pois a gravadora já estava caindo em cima do vocalista. Além de tudo, estavam felizes com o rumo que tudo estava ganhando. Era ótimo. Tudo o que Tom sempre quis. Mas faltava algo na vida de Keifer. Faltava uma mulher e era atrás dela que queria ir, mas não tinha como. Os compromissos eram muitos. Reuniões, ensaios. Tempo pra compor algo. Não encontrava um tempo para pegar um vôo para Paris. Iria aguardar mais um pouco, continuaria ligando para Anne todos os dias.
Ryan, Mike e Loren convenceram com muito custo Beth a voltar para a Filadélfia. Ela resolvera morar sozinha do que com seu irmão mais velho ou com seus pais de novo. Mike ficara com ela, já que também não queria voltar para a casa dos pais. Ambos dividiram o valor do imóvel e o compraram, tudo justo. Todos tentaram convencê-la a voltar a trabalhar, já que ela se sentia melhor. Mas Beth não estava com vontade de voltar a fazer nada. Muito menos à cuidar de doentes. Não por enquanto. Loren havia lhe apresentado um amigo, para ver se ela esquecia um pouco Eric, só que não quisera vê-lo em nenhum momento. Soubera apenas que o rapaz era mais próximo de Mike, mesmo trabalhando com Ryan. Eric nunca sairia de sua mente e muito menos de seu coração. Mesmo se o cara mais lindo do mundo tentasse conquistá-la.
Elisabeth já não chorava mais como antes. Eric ainda era dono de seu coração. Tinha se conformado em não conseguir arrancá-lo de sua mente. Conviveria assim mesmo. Ainda o amava, com mais intensidade, mas viveria sua vida. Enquanto acariciava Thor seu Labrador, sentada no sofá, olhou para o telefone. Onde Fred estaria? Na ultima ligação avisara-o que voltaria para a Filadélfia e passara-lhe o endereço de sua casa. Devia estar muito ocupado e não tinha tempo de ligar ou visitá-la.
Tomou um susto quando o aparelho tocou. Seria Fred? Correu para atender, fazendo o cachorro descer de seu colo rápido.
— Alô?
— Oi, Beth. – A voz que saiu do outro lado fez o coração da garota parar por um instante.
Não era a voz de Fred, nem de Mike, Ryan ou seus pais. Não sabia quem era. Eric havia conseguido seu telefone? Não, também não era ele.
— Quem é?
— Dean Dawson.
Beth mordeu o lábio inferior, tentando se lembrar. Quem era Dean Dawson mesmo? Já tinha ouvido aquele nome em algum lugar.
— Amigo do Mike e da Loren. Trabalho com o seu irmão Ryan. Se lembra?
— Ah, sim. Claro. Loren me falou sobre você esses tempos.
— Isso. Seu irmão me passou seu telefone. – Ele fez uma pausa – Liguei para saber se você gostaria de tomar um café comigo hoje.
Ela hesitou um pouco. Seu interior não queria aceitar. A fazia pensar em Eric. Só que não viveria assim. Tinha prometido a si mesma que viveria sua vida, mesmo amando-o.
— Pode ser. Onde eu te encontro? – Sim, iria. Sem arrependimentos.
— Aqui no hospital mesmo. 17:00 hrs, está bom pra você?
— Está ótimo. 17:00 hrs. O.k.
— Certo. Então... Até mais.
— Até. – Desligou.
Suspirou longamente, olhando para Thor em sua frente. Não morreria por um cara que nem sequer se lembrava de sua existência. Não pensaria nele naquele café. Conheceria o famoso Dean Dawson e ficaria feliz caso ele se interessasse por ela. Se levantou e pegou o controle da TV. Largou-o no mesmo lugar. Não estava a fim. Um livro seria melhor para passar o tempo.
Tom, sem nem ao menos falar com alguém, ou algum amigo, arrumou uma pequena mala com roupa suficiente para uma semana. Não agüentava mais a espera. Precisava ver Anne de novo. Comprara a passagem no dia anterior e embarcaria dali algumas horas. Suas mãos suavam. Estava nervoso. As horas pareciam não passar. Sentou-se no sofá de sua casa e esperou o maldito relógio.
Beth tomou banho e se arrumou, deixando os cabelos soltos e vestindo roupas confortáveis. Estava pronta para sair com o tal médico. Riu. Tomar um café não era sair com uma pessoa. Pegou as chaves do carro e ao abrir a porta para sair, se deparou com Mike.
— Aonde a senhorita vai? – Ele perguntou sorrindo e dando-lhe um beijo no rosto.
— Vou ao hospital.
Mike fez uma careta.
— Você tá doente?
— Não... Vou... Dean Dawson me chamou pra tomar café com ele.
Mike quase explodiu em uma risada, mas limitou-se a um largo sorriso. Ryan mal tinha passado o telefone de Beth para Dean e ele já estava agindo. Ele não perdia tempo. Agora teria que agüentar telefonemas do amigo todo dia para sua irmã.
— O.k. se cuida.
Beth saiu e ligou o carro. Demorou alguns minutos pensando no que estava fazendo e em Eric. Mas tão logo parou de pensar nele, o carro ganhou as ruas.
Ao chegar no Hospital of the University of Pennsylvania, entrou e procurou na recepção pelo Dr. Dawson. A garota apenas fez uma ligação e a mandou para a sala do médico. Beth não quis. Respondeu que o esperaria ali mesmo. Mais uma ligação da recepcionista e minutos mais tarde um homem alto e sem jaleco branco, parou ao seu lado com um sorriso encantador.
— Elisabeth? – Ele falou seu nome, sorrindo.
— Isso...
— Vamos?
Ela concordou e saiu com Dean, olhando uma ultima vez para a garota da recepção e vendo fúria estampada no rosto da menina. Aquele cara devia derreter o coração de todas naquele hospital.
Enquanto seguiam em silencio, Beth observava-o discretamente. Ele era alto, tinha braços fortes e cheios de músculos. Não conseguia ver, mas devia ter os ombros largos, com certeza. Era loiro, os cabelos cortados na altura da nuca. Um corte diferente do que normalmente usado. Era mais curto na frente, fazendo um bico-de-viúva e descendo mais longo. Conseguiu apenas ver a cor dos olhos dele quando Dean lhe lançou um olhar e mais um sorriso. Eram azul-prateados.
Quais riu de seu destino imbecil. Será que seria apaixonada por Dean se o encontrasse antes de Eric?
— Loren e Ryan me falaram bastante sobre você. Além de Mike também. Fiquei no lugar de Ryan quando ele teve de ir a Nashville por sua causa.
— Ah sim. Eu... Não estava muito bem.
Ele abriu a porta do estabelecimento para ela e ambos entraram. Sentaram-se na mesa mais próxima da janela e um garçom veio atendê-los.
— O que desejam?
— Ahm... Eu quero um cappuccino, por favor. – Dean pediu primeiro.
— Pra mim, apenas um chocolate-quente.
O garçom deu um breve sorriso e saiu. Beth estava ficando sem jeito com a presença de Dean. Só por ele estar ali, sentia-se envergonhada. Mas agiria normalmente.
— Então... Você é neurocirurgião também?
— Sim, sou. Me formei junto com o seu irmão em Harvard. Eu ia ficar em Londres quando acabasse a faculdade, mas decidi voltar para a Filadélfia. Foi o melhor no final. – Deu um pequeno sorriso. Beth era linda. Se ficasse em Londres, talvez nunca conhecesse a irmã de Ryan.
— Ah...
O garçom voltou com os pedidos e deixou o de cada um rapidamente, indo atender novos clientes.
— Me fala um pouco sobre você. O que você faz... Onde trabalha... – Ele bebericou o cappuccino.
Beth respirou fundo, quando olhou-o nos olhos. O olhar de Dean era lindo, assim como ele, e sexy. Com certeza, amaria ser apaixonada por ele. Só Jesus sabia o quanto! Mas não. Eric tinha que ter tomado seu coração primeiro. Vida filha da puta, pensou.
— Eu costumava trabalhar no Thomas Jefferson University Hospital como enfermeira, mas parei. Quis viajar um pouco, sair do stress que é um hospital.
— Ah, eu queria poder fazer o mesmo! Mas não posso. Parece que o HUP é minha casa as vezes! – Ele riu. – Não sabia que você também atuava no ramo da saúde...
— Pois é. Minha família toda é dessa área, fora meu pai. O Mike trabalha no Thomas Jefferson como Fisio... Você sabe...
Continuaram conversando e rindo. De fato, aquele Dean Dawson era muito interessante. Beth conseguiu esquecer por momentos de Eric, envolta pelos assuntos de Dawson. Ele parecia ser um cara bem animado, assim como Mike. Não admirava eles serem mais amigos do que Ryan e Dean.
Fred a contragosto aceitou o convite de Eric para sair. O baixista estava com uma ressaca horrível. Seu cérebro parecia lutar por um espaço maior em sua cabeça, de tanto que doía. Precisava de café, mais que tudo. Qualquer coisa que curasse aquilo. Menos de álcool de novo. Só de pensar em whisky, seu estômago revirava. No dia anterior além de tomar quase dois litros de Jack, misturou-o com cerveja, drinks, cocaína e... Não se lembrava do resto. Só sabia que além de ter se afogado em bebidas, se afogou ainda mais em mulheres. Sorriu ao se lembrar. Uma melhor que a outra.
Entraram no primeiro café que encontraram na Spruce Street e pegaram a primeira mesa na janela. Eric pediu café e Fred não quis nada. Não se sentia bem na presença de Eric. Não no momento. Pois ele lhe lembrava Beth e o que ele fizera com ela.
— Nossa, essa dor tá me matando! Cara, eu vou morrer! – Falou, apertando a cabeça com as mãos.
— Claro que vai. – Disse o baterista com descaso. – Um dia todos nós vamos.
— HAHA, engraçadinho.
O garçom deixou o café do loiro, que tomou-o no ato e pediu mais um. Eric fechou os olhos por um momento para não ver a cara feia de Fred e no instante em que os abriu para perguntar o que tinha acontecido com ele, viu o sorriso nos lábios dele e os olhos brilhando, como se fosse uma criança com um brinquedo novo. Virou-se e olhou na direção onde Fred estava bobo, mas nem teve chance de concluir seu raciocínio. O baterista o fez primeiro.
— Beth! É a Beth! – Disse, todo feliz.
Eric nem viu o garçom colocar o café em sua frente e aguardar um instante por um novo pedido. Seus olhos pareciam não querer se desprender daquela mulher, de novo. O horrível e ridículo aperto no coração novamente. A palpitação forte ao ver o sorriso dela. Cacete! Xingou-se por dentro. Estava curado de todas aquelas merdas! Ela não tinha que aparecer agora que estava bem!
Ficou vidrado no sorriso e no riso que ela dava. Só foi perceber o motivo quando este passou a mão no rosto dela e o sorriso sumiu da face da garota, deixando as bochechas dela tingidas de vermelho. Um flash passou pela mente de Eric: Ela, embaixo dele, também com as bochechas avermelhadas. Baixou o olhar, apagando aquela imagem de sua cabeça. Não valia a pena lembrar. Voltou a analisar o idiota que estava com ela. Só o via de costas. O sujeito não era tão mais alto que ele e também era loiro. A única coisa que mudava era que Eric não tinha tantos músculos quanto o infeliz. Aquele parecia ser o tipo que Beth gostava. Loiros e altos. Ela que se danasse com ele então. Sabia que ela não pensava mais nele. Aliás, nunca pensou. Ele foi o único trouxa que deixara o coração naquela jogada. Beth estava feliz e sorridente com outro.
Eric pensou por um segundo. Tomou o café e jogou uma nota de dólar na mesa, levantando-se.
Fred sem entender nada acompanhou-o. O loiro ia diretamente para a mesa onde Beth estava com o rapaz. O baterista tentou puxar o braço de Eric para ir embora dali, mas já era tarde.
— Oi pombinhos! – Eric disse, ao parar do lado da mesa dos dois e encará-los com um sorriso sarcástico. Acendeu um cigarro.
Todo o sangue de Beth sumiu de seu rosto e mãos. O corpo todo gelou, enquanto encarava o homem ao seu lado. Não conseguiu mover um músculo, apenas olhava-o. A vontade de chorar vindo novamente. O que Eric fazia ali?
— Quem é você? – Dean se adiantou.
— Eric, vamos embora cara. – Fred chamou-o baixo. Brittingham era louco. Não queria deixá-lo perto de Beth. Ainda mais com outro cara ao lado dela.
— Eu? Ahm... – Soltou a fumaça, pensativo. – Por que você não me apresenta pro seu namorado, Beth? Você me conhece muito bem, não é mesmo? – Falou, olhando diretamente nos olhos da garota.
O gosto do ciúme invadiu a boca de Eric e o coração apertou novamente.
— Dean... – Ela balbuciou baixinho. Não podia deixar Eric estragar sua amizade com o médico. Não podia deixar ele acabar com sua vida de novo...
— Não, não... – Eric tragou o cigarro e soltou a fumaça para o alto. Voltou a olhar para ela – Já está trocando nomes? Eu sou o ERIC... Não se lembra? O que você brincou de gato e rato em hotéis da Europa, o que comeu você e acordou sozinho... Não se lembra?
Beth estava perdendo o fôlego. Arriscou uma olhada para Dean Dawson. Ele a encarava. Olhou para Fred, que estava com um olhar triste. Seus olhos enchiam de lágrimas. Voltou o olhar para Eric. Ele mantinha o sorrisinho enquanto fumava e olhava dela para Dean e vice-versa.
Tudo o que Beth lutara para se esquecer, voltou à tona em sua mente, como um turbilhão. Dean continuava a encará-la. Beth não conseguiu segurar mais. Explodiu num choro sofrido. Pegou sua bolsa rapidamente e saiu daquele lugar como se fugisse de um bandido. Por que ele fizera aquilo? Por que? Nem ao menos ouviu a voz de Dean chamando por seu nome. Foi embora o mais rápido que pôde.
Dean se levantou e encarou o loiro à sua frente, que gargalhava. Sua vontade de torcer aquele pescoço magro não era pouca.
— Espero que eu a encontre. – Foi a única coisa que Dean disse.
Enquanto deixava uma nota na mesa para pagar o cappuccino e o chocolate-quente, ouviu uma risadinha irônica do tal Eric. Cerrou o punho, nem ao menos o olhou e saiu em direção a porta, mas antes de sair ouviu o cara dizer:
— Cuidado, cara! Ela gosta de transar e cair fora logo cedo! Não durma! – E riu novamente.
Dean bateu a porta. Iria procurar saber daquela história quando encontrasse Beth. Não porque o cara falara aquelas coisas, mas queria saber o porque ela ficara daquela forma.
Tom chegou em Paris pela madrugada. Avisara Anne e disse que a encontraria pela manhã, mas a garota não quis. Alegou que seria sua folga no dia seguinte e o esperaria no aeroporto. Ainda não tinha se desculpado como queria com ela sobre o incidente com Eric, e o faria agora. No portão de desembarque seus olhos procuraram os dela, sem sucesso. Ela não fora esperá-lo.
Quando a decepção iria tomar conta de Tom, ele sentiu as mãos macias cobertas por luvas em seu braço.
— Estou aqui atrás, Tom. – Ouviu a doce voz dela. A voz que tanto desejou ouvir pessoalmente de novo.
Keifer se virou e abriu um largo sorriso, assim que viu o dela. Anne tinha um sorriso lindo.
— Eu achei que você não tinha vindo.
— Ah! Até parece né?! – Anne o abraçou.
O que mais queria no mundo era ver Tom mais uma vez. Nunca que o largaria no aeroporto. Conseguira folga no dia seguinte com muito custo e conseguiu trocar com uma amiga. Agradeceria à ela imensamente depois.
Soltou Keifer e riu nervosa. De tudo o que ela falara pra ele – O que não fora pouco, pois sempre que atendia as ligações dele bebia algum tipo de álcool – Tinha certeza que Tom sabia sobre o que sentia por ele.
— Que tal... A gente ir, hein?
— Acho ótimo! – Tom falou. Como estava frio naquele lugar! Santo Cristo!
Tom queria ir para um hotel, mas Anne Danielle falou mais rápido com o motorista do táxi e disse tudo em francês. Tom não sabia para onde estava indo, mas deu de ombros. Com certeza ela indicara um hotel para o taxista ir.
Se assustou quando ele parou em frente à um apartamento. Anne desceu e Tom fez o mesmo, um pouco atormentado. O que fazia ali? Que lugar era aquele? Pagou o taxista e continuou no mesmo lugar, imóvel.
— Não vai entrar?
— Isso não é um hotel. – Falou, observando o prédio.
— Claro que não! É minha casa. Vem, Tom! Entra, por favor.
Tom sem graça, entrou no prédio com a garota. O que aconteceria dali pra frente? O que Deus quisesse, pois ele não sabia de mais nada.
Anne fechou a porta e um gelo passou por sua espinha. Não podia perder tal oportunidade. Tom Keifer estava ali todo para ela. O cara que ela descobrira ser apaixonada estava ali. A Anne de seu interior pulava, dançava de felicidade, mas ela estava estática. Sem saber o que fazer, falar e muito menos agir.
Se virou para ele, que tinha colocado a mala no chão.
— Anne... Eu queria pedir desculpas sobre aquele dia... O Eric estava brincando, eu...
Tom foi calado por um beijo repentino. Mesmo assustado com a atitude de Anne, respondeu com a mesma urgência e intensidade. Como aqueles lábios eram macios! Quando ela parou o beijo e olhou-o, Tom conseguiu sorrir de leve, pois nenhuma palavra saia de sua boca.
— Tom, acho que eu já deixei bem claro pra você que... Que eu gosto de você. Que eu te amo. Dane-se o que aconteceu aquele dia, eu pouco me importo.
Tom ouviu até o “Te amo”. Não podia crer que aquilo era verdade. Mesmo ela tendo dado indiretas todo o tempo que passavam pendurados no telefone.
— Espera aí. – Ele custava a acreditar – Você o que?
— Não me importo. – Anne repetiu.
— Não, antes disso.
Anne ficou vermelha. Olhou para todos os lados e por ultimo para ele. Tom tinha que a fazer repetir tudo mesmo?
— Eu disse que te amo.
— Você tem certeza disso, Anne Danielle?
— Sim, tenho...
Tom sorriu. Também a amava. Amava aquela francesa linda, que possuía tão belos olhos negros. Pegou-a no colo, fazendo-a soltar um pequeno grito e tratou logo de procurar uma cama.
— Tom! O que você está fazendo?! – Ela indagou, surpresa.
— Eu também amo você.
Quando encontrou o quarto, Anne ainda estava surpresa com as palavras dele. Mas acreditava, sim. Ninguém viajava aquilo tudo simplesmente para conversar com um amigo.
Tom a jogou na cama e Anne puxou-o pelo pescoço, dando-lhe um beijo e o fazendo deitar-se por cima dela. Ficaram longos minutos experimentando o saber dos lábios um do outro, até Anne puxar a camiseta de Tom e tirá-la. Observou o tórax nu e a pele muito branca de Tom. Nunca se sentira daquela forma com ninguém. Como se tivesse milhões de borboletas no estômago.
Em pouco tempo, ambos estavam nus e os lábios grandes e grossos de Tom passavam em seu corpo. Primeiro em seu pescoço, depois para os seios, fazendo uma trilha de beijos até ali. Como a pele da garota era gostosa! Lhe lembrava pêssego. Pele aveludada como pêssegos... Sugou o primeiro mamilo que seus lábios encontraram e ouviu um pequeno gemido de Anne. Continuou a sugar com calma, mas ao mesmo tempo com paixão, enquanto sua outra mão acariciava o seio direito. Poderia se perder naquelas caricias. Poderia morrer ali, que nem se importaria. Fez o mesmo no mamilo direito, sugando e lambendo com delicadeza e vontade. Os seios de Anne eram volumosos e lindos. Queria aquela mulher para si. Queria-a o tempo todo.
Avançou um pouco mais as caricias, fazendo uma nova trilha de beijos até chegar no ponto em que queria. Sua língua trabalhou no sexo de Anne por um bom tempo, arrancando gemidos e gritinhos de prazer e surpresa dela. Anne possuía um gosto tão bom, que parecia impossível sair dali. Não queria, mas logo ela lhe arrancaria os cabelos. Beijou toda a extensão daquele pedaço do paraíso e depois levantou-se. Quase se esquecera da camisinha. Pegou uma no bolso de sua jaqueta e colocou. Quando se deitou novamente sobre Anne, ela o olhava atordoada. Tom sabia o motivo e se envergonhou.
Era aquele tamanho todo que tinha visto mesmo? Tom devia ser um delírio com aquilo. Ele a observou um pouco sem graça e para a vergonha não estragar o momento tão gostoso que estavam tendo, Anne puxou-o para junto dela e deu-lhe um beijo. Quase não aguentara segurar um orgasmo quando ele lhe acariciara com a língua, depois de ter aquela visão, o que mais queria era ele dentro dela.
Segurando-a pela cintura, Tom penetrou-a fundo, fazendo Anne arfar e cravar as unhas em suas costas. Os movimentos no inicio foram leves e Keifer foi os intensificando aos poucos.
Suas mãos passeavam por todo o corpo da garota, sentindo aquela pele quente e macia. E as dela não eram diferentes. Explorava-o. Tom amava cada toque de Anne, cada gemido, cada movimento. Estava sendo maravilhoso tê-la.
Os olhos negros possuíam um brilho lindo, que não o deixava desviar seu olhar em nenhum momento e nem tirar o sorriso idiota do rosto.
Tom começou a ouvir barulhos comprometedores. A cama batia contra a parede. Anne sorria, se divertindo e gemendo. Ambos os corpos já suados. Trocaram a posição, Anne ficou por cima para tentar cessar os barulhos, mas não adiantou. A garota cavalgava em cima de Tom, dando-lhe sensações maravilhosas e tendo mais ainda, continuando a bater a cama na parede. Aquele homem... Era perfeito!
Trocaram de posições várias vezes, até chegarem ao prazer juntos. Tom, ainda em cima de Anne, encostou sua testa na dela e procurou por ar. Era o que mais precisava no momento. Se não fosse o cansaço que tomava conta de seu corpo, acreditaria que tudo aquilo era um sonho. Só que tudo estava sendo muito real. Seu coração batia frenético contro o peito e sentia o dela da mesma forma.
Nenhum conseguia falar nada. Keifer encostou a cabeça nos seios de Anne. Enquanto ela fazia carinho em seus cabelos ensopados de suor, adormeceu ouvindo as batidas rápidas e ritmadas do coração de sua garota e respirando fundo. Sim, sua garota e de mais ninguém.
Anne não demorou muito a adormecer. Com certeza, aquilo tinha sido mágico.
Fale com o autor