Corações Feridos

48 Vingança ainda mais doce


Notas iniciais
Espero que gostem! Desculpe a demora de postar, minha rua ficou sem luz esses dias.
Mais tarde vou responder os reviews, amei todos! Adoro vocês! *O*
Achei esse capitulo bem legal. ^^

Enquanto voltava para casa, o rosto de Thalita veio em sua mente. Daniel se assustou. Fez a escolha errada, aceitou voltar com ela mesmo não sentindo mais nada pela loira. Agora se via em um abismo. Como ia conseguir sair desse problema? Estava com duas garotas.



Chegou em casa, só uma pessoa ia ajuda-lo naquele momento. Entrou no quarto de Beatriz depois de bater na porta umas três vezes e não receber respostas. Ela não estava sentada na cama e nem assistindo TV ou no Notebook. Como de costume.


Daniel percebeu que a porta do banheiro estava fechada, ele abriu, dessa vez sem bater. — Bia?

Ela estava de joelhos no chão. Vomitava dentro do vaso. — Vem, levanta... Chega. — Ele a ajudou a levantar, ela tossiu um pouco e foi lavar sua boca na pia. — Quer que eu chame alguém?

– Não se preocupe, é normal... Foi o bife que comi agora pouco, estava muito temperado. — Aproveitou para lavar seu rosto, estava um pouco fraca.

Daniel levou a irmã para o quarto.

Bia se sentou no colchão, abraçada com um travesseiro de coração que Félix lhe deu. — O que houve? — Perguntou, notando o rosto triste do Daniel.

– Eu disse que ia terminar com a Thalita, lembra? — Bia assentiu. — Então...

– Você não terminou. — Sua irmã interrompeu.

– É complicado.

– Não é a primeira vez que você tenta terminar com ela. E ela sempre dá um jeito de manipular você.

– Eu fiquei com pena dela, ela estava tão desesperada. Me pediu uma segunda chance e disse que ia mudar. Eu pedi para ela parar de implicar com você e ela disse que ia parar. Que faria isso por mim.

– Aposto que é tudo mentira! Te garanto que ela só vai fingir ser uma pessoa boa enquanto você estiver por perto. Conheço essa garota. — Reclamou.

– Mas não é dela que eu quero falar, Bia. E-eu estou apaixonado.

– Pela Thalita? Quanto mau gosto. — Revirou os olhos.

– Não... Não é por ela, irmã. — Respirou fundo. Sorriu. Era um sorriso verdadeiro, um sorriso que Bia já não via a oito meses. — É pela Julie...

– Julie? — Ela sorriu também, lembrou das vezes que conversaram pelo facebook e do conselho que Julie deu à ela. — Poxa, finalmente. Sabe, ela é minha amiga. É uma pessoa muito legal.

– Eu sei. — Suspirou. — E o melhor é que ela também gosta de mim. E somos ficantes agora... Bom, eu acho. — Se sentou. — Só que... Eu... Estou com ela e com a Thalita. Estou com as duas!

– Ficou louco???

– Acha que eu quero passar por isso? E-eu... Só quero a Julie.. — Passou a mão por seus cabelos, desesperadamente.

– É só terminar com a Thalita.

– Não é tão simples. Ela vai querer continuar comigo... Vai insistir para continuarmos juntos e eu prometi que daria uma segunda chance a ela, contanto que ela não venha mais implicar com você e com a Juh. — Explicava. — E... Por enquanto ela está se comportando bem.

– Termina com ela do mesmo jeito.

– Ela não vai querer. Eu não posso chegar do nada e terminar. Você sabe como a Thalita é.

Bia suspirou: Daniel tinha razão. — Eu preciso dar um jeito nisso...

– É verdade. Porque se a Julie descobrir...

– Não fala! E-ela... Não vai descobrir, eu não vou magoa-lá assim... Eu... Amo ela.

Beatriz sorriu. Conhecia muito bem o seu irmão e sabia quando ele estava sendo verdadeiro... Acontece que Bia nunca tinha escutado palavras tão sinceras vindo dele.

– Estou decidido. — Ele se levantou. — Amanhã mesmo vou contar toda a verdade para a Thalita. Ela não vai aguentar o fato de saber que me perdeu para a Julie, ela vai querer terminar comigo. — Sorriu. — É isso, é isso mesmo... Obrigado Bia! — Deu um beijo no rosto da irmã. — Você é a melhor conselheira do mundo!

Ela apenas riu. — Tá né. — Falou baixinho, assim que viu seu irmão sair animado pela porta e ir para o seu quarto. — Huh... — Sentiu uma turbulência no estômago e uma ânsia de enjoo. — Porcaria de bife.

[...]

No dia seguinte. Daniel chegou na classe de Thalita, chegou cedo e infelizmente Julie ainda não estava. Ele aproveitou a ausência dela para dar logo um jeito no seu problema e tirar esse peso da sua consciência.

Novamente, Thalita fofocava com as amigas.

Quando ele tocou no seu ombro, ela virou o rosto. — Oi. — O tom de voz dela foi seco.

– Oi. — Ele respondeu do mesmo jeito. — Precisamos conversar.

Thalita se virou para as amigas de novo. — Estou ocupada.

– Não está mais. — Puxou o seu braço.

– Me larga! Seu bruto! — Ela se soltou. — Eu não quero falar com você.

– Se você não quer falar, então vai ter que me ouvir. — Daniel conseguiu arrasta-lá para o fundão da classe.

Thalita cruzou os braços, viu que suas duas amigas não tiravam os olhos deles. Talvez tentando escutar ou pelo menos ler os lábios dos dois para entender melhor a conversa. Ela estava aborrecida com Daniel desde ontem, quando viu ele presentear outra garota. ‘’ Nunca fui tão humilhada. Você me paga, Julie. ‘’ — O que você quer?

– Quero que saiba a verdade. — Ele respirou fundo e fechou os olhos, imaginou o rosto de Juliana e sorriu. — Estou apaixonado pela Julie. — Disse abrindo os olhos, não esperou Thalita ter uma reação, completou. — E nós estamos juntos.

– O que? — Ela não acreditava naquilo. — AQUELA GAROTINHA RIDÍCULA?!

– Não fale assim dela! — Apertou o braço da loira com força.

– Isso não é verdade! Eu sei que não é! Ontem você passou o recreio inteiro com a sua irmã e os seus amigos, aposto que eles fizeram a sua cabeça contra mim e mandaram você criar esse planinho ridículo e inventar que está apaixonado por aquela garota só para me deixar triste. Não é a primeira vez que você cai na pilha deles e tenta armar algum conflito comigo...

– Pense como quiser. Acontece que eu e a Julie estamos juntos e eu não... Sinto mais nada por você. Nem sei se algum dia senti.

Ela o encarou boquiaberta. — Eu sou sua namorada!

– Não, você não é.

– Eu sou! Eu decido isso e eu sei que é mentira sua! — Agora ela gritava, deixando Daniel visivelmente preocupado, ele sabia que não suportava ver ninguém nervoso, principalmente a Thalita pois ela acaba conseguindo o que quer. — Estou passando mal. — Disse pousando a mão na sua cabeça. No fundo, sabia que aquilo poderia ser verdade, afinal, ultimamente Daniel e Julie passavam muito tempo juntos, ela só não queria acreditar. — Vou para casa. — Completou passando por ele, quase tropeçando com o salto.

Pegou sua bolsa pink. — Amiga, o que houve?

– Nada. — Thalita respondeu. Passando por todos, alguns colegas entravam na classe. Era um grupo de meninos. — E Daniel. — Ela apontou o dedo. — Não ouse mudar seu relacionamento no facebook. — Ela ia protestar, mas Thalita continuou. — Eu sempre fui sua namorada! Sempre! E eu sempre mandei em você. Não vai ser você que vai decidir o futuro do nosso relacionamento. E-eu... Já até comprei o seu presente de oito meses juntos.

– Acontece que para mim nós não temos mais nada.

– Não importa! — Gritou. — Eu não vou te perder assim, principalmente por uma garota com o nível bem abaixo do meu.

Bateu forte a porta da classe, fazendo todos se tremerem com o susto.

Daniel ficou ainda mais tenso. Esperava uma outra reação, pensou que Thalita se sentiria chateada com aquela noticia e terminaria com ele na hora... — Droga... — Sussurrou.

Esperou um tempinho ali para não encontrar Thalita no pátio e então saiu da classe.

Caminhava pelo corredor, cabisbaixo, deprimido. Tinha muitos pensamentos em mente quando levantou a cabeça e viu ao longe uma pessoa que o fez sorrir. Ele apertou seus passos e Julie parou no corredor, também sorrindo. Jogou seus livros e seus cadernos no chão, abriu os braços e Daniel veio em sua direção.

Ele a abraçou fortemente, a levantando do chão, ela pousou a mão nos seus cachos e soltou uma risada alegre. Daniel a rodou. — P-pa-ra. — Disse entre risos e ele a colocou no chão. Julie ainda brincava com seus cachos, enroscando seus dedos entre eles.

– Você não sabe o quanto eu amo isso... — Daniel disse sorrindo, ela continuou brincando com os seus cabelos até que ele pegou a sua mão. A beijou lentamente. Enquanto via aquele sorriso tímido nascer no rosto da amada. Percebeu que ela estava diferente. Usava o cabelo meio preso com umas partes soltas, as pontas se enrolavam, formando perfeitos caracóis, ela usava uma maquiagem leve e bem menos gritante que as maquiagens de Thalita. — Está linda. — Disse levantando o queixo da garota.

Avançou.

– Éeer... — Julie se afastou novamente, ele apenas suspirou. — Sabe as regras do colégio?

– Não ligo para regra nenhuma.

– Ah, m-mas... Tem uma regra que diz que não podemos beijar no colégio.

– Acontece que eu já beijei várias vezes a Thalita aqui mesmo, no colégio, e nada aconteceu.

Ela respirou fundo. — Ainda pensa nos beijos da Thalita?

– Prefiro muito mais esquecer. — Balançou a cabeça.

– Olha... Você pode achar isso, m-mas... Eu tenho medo de nos beijarmos e alguém ver e contar para os diretor. — Pausou. — Por falar na Thalita. Eu vi ela.

– V-viu?

– Vi. Ela estava entrando no carro e quando me viu escondeu o rosto. Acho que estava chorando. Sinto que você tem algo a ver com isso.

– Você costuma sentir muitas coisas... — Ele a abraçou pela cintura. — É. Eu tenho a ver com isso, falei com ela sobre nós dois. Ela... Deve ter ficado triste ou com raiva. E foi embora.

– Não quero que ela pense que eu estou com você só por vingança. E-eu... Não pretendo me vingar dela.

– Acontece que você é uma pessoa boa de mais. — Tocou no seu rosto, balançando a cabeça. — Queria ter te conhecido antes... Parece que perdi muito tempo da minha vida com ela.

Julie não tinha resposta para aquilo, só sorriu. De todas as palavras que ouviu de Daniel, essa era uma das mais lindas. Com certeza anotaria isso em um dos seus livros. Julie só o abraçou. Tocando nos seus cachos, ambos gostavam disso. — E isso... É por me fazer sorrir. — Ela lhe deu um selinho rápido.

– Juliana. — Uma voz grossa os separou.

Era o diretor. Ele segurava um papel.

Julie se desesperou, já imaginando-se sendo expulsa a ponta pés do colégio.- Não! P-por favor... Foi só um ato de carinho! Não precisa me expulsar por isso!

O diretor a olhou sem entender. Balançou a cabeça. — Você é Juliana?

– S-sou... P-por fav-or eu prometo que não vou quebr-ar mais nen-huma re-- Ele lhe entregou um papel. — O que é isso?

– Encontrei caída no chão. É uma prova de inglês e é sua, deve ter caído sem você perceber. — Passou por eles.

Julie e Daniel se entreolharam quando começaram a rir. — Nossa, eu acho que esse foi o maior susto da minha vida! — Admitiu.

O sinal tocou. — Hm, mas um beijo antes de irmos para as classes? — Daniel perguntou se aproximando.

– Nada disso. — Ela deu um passo para trás. — Quase fomos pegos. Não quero me arriscar. — Dobrou cuidadosamente sua prova e passou por ele.

[...]

No dia seguinte, Daniel estava na sua classe. Distraído. Pensava muito em Julie e um pouco mais na Thalita, afinal, dentro dele sentia algo ruim... Sabia que a Thalita não estava feliz com aquela novidade. E ela disse para ele que ia falar com Julie a respeito disso.

Ele estava com medo. Thalita poderia ser capaz de qualquer coisa e poderia até estragar tudo.

‘’ Eu não posso deixar isso acontecer. Eu preciso dar um jeito das duas não se cruzarem... Até eu ajeitar tudo isso. ‘’ — Pensava. Rabiscando no seu caderno. Olhou para a janela. Viu uma garota sentada no gramado do colégio.

Lia um livro.

Daniel tinha certeza de que era Juliana, porém, estava longe e não dava para ver direito. Mas eram muito parecidas: Cabelos lisos, pretos, usava calça jeans e all-star...

– Rapaz. — A professora bateu na sua mesa com uma régua. De repente, todos os alunos da classe voltaram a atenção para ele. — Está me ouvindo?

– Oi?

Os alunos começaram a rir da distração de Daniel. — Silêncio! — A professora ordenou e todos obedeceram. — Qual é o valor de pí, Daniel?

– Pí? Éerr... Quanto custa esse pí?

– Eu sabia. — Balançou a cabeça. — Não está prestando a atenção na aula! Vejam alunos! Ele é um exemplo de pessoa desinteressada nos estudos! — Apontou para o rapaz.

– Martim, me ajuda ai... Que pí é esse? — Cutucou o amigo ao seu lado, aproveitando a distração da professora.

– E eu vou saber? Acha que estou prestando a atenção na aula dessa velha?!

– O que disse, Martim? — A professora se virou.

– Bem... Eu disse que... O Daniel só conta piadas velhas, já perdeu até a graça!

– Por que ao em vez de fazer piadas com seus amigos não presta a atenção na minha aula?

– Obrigado, Martim. — Disse entre dentes.

– Vou te dar uma dica, Daniel. Estamos na aula de matemática!

– E o que isso tem a ver com o tal de pí?

Ela abaixou a cabeça. — Já chega. Desça. Anda! Desça! — A professora berrou, impaciente. Enquanto os de mais alunos riam da situação.

Daniel prendeu a risada, juntou suas coisas. — É 3,14. — Disse antes de sair. — Pí é 3,14. Eu já sabia. Não precisei prestar a atenção na sua aula para descobrir isso. Eu só queria... Tirar a sua paciência e claro, eu queria descer. Boa aula para vocês ai.

Ele caminhou até o gramado. A garota estava apoiada em uma árvore, lia um livro. Era o livro que ele tinha comprado. Agora Daniel tinha certeza de que era Julie. Ele chegou por trás dela, tampou seus olhos, ela riu. — Eu sei que é você. — Disse sorrindo e Daniel soltou seu rosto aos poucos. — O que faz aqui? Não tinha aula?

– Dei um jeito. — Se sentou no gramado. — Está com o cabelo solto hoje. Ficou linda. — Ela corou enquanto ele aproximava seus rostos.

Mas Julie virou para o outro lado. — Sabia que já estamos juntos a três dias e eu só ganhei um selinho rápido? Foi ontem e no corredor.

– Me desculpe. — Disse se aproximando. — É que eu não me sinto muito a vontade te beijando aqui. — Olhou em sua volta. — Tem... Muitas pessoas. — Tinha alguns alunos na grama, outros no pátio... E um grupo jogando futebol na quadra.

– Tudo bem. — Daniel era muito compreensivo. E pela Julie, esperaria o tempo que fosse necessário. — Posso ficar aqui, com você?

– Claro. — Sorriu.

Ele deitou a cabeça no ombro de Julie, aproveitou para ler um pouco do livro também. Ela mexia nos seus cabelos. Dando atenção a ele e ao livro.

Daniel virou o rosto para o outro lado, viu Thalita ao longe, parada. Ele não escondeu a tensão.

– Vem cá... — Ele puxou Julie, e ela deitou sua cabeça no peito dele. Daniel tentava esconder o rosto de Julie para que Thalita não a visse ali. Mas foi em vão.

A loira os viu e caminhou em direção deles. Julie ainda estava focada na leitura quando Thalita parou na frente dos dois. — Oi Dani. Oi Julie. — Deu um sorriso falso.

Juliana levantou o rosto, agora seu coração batia acelerado. Lembrou da vez em que Thalita a sujou de lama, estava com medo de acontecer algo pior. — V-vai embora. — Ela pediu, agora abraçando Daniel, que carinhava seu rosto e seus cabelos.

– E porque eu iria ir embora? — Revidou. — Eu posso ficar onde eu quiser. Né Dani? — Piscou para ele.

– Vem Juh, então vamos sair daqui...

– Ah! Não. — Thalita interrompeu. — Podem ficar a vontade vocês dois. Mais tarde eu falo com você Juh.

– Porque não fala agora? — Aquela pergunta deixou Daniel tenso.

– Bom, digamos que é assunto só nosso. — Acenou com a mão. — Tchauzinho queridos. — Se afastou lentamente deles, mas antes, virou o rosto e jogou um beijo para Daniel.

O mesmo apenas abaixou a cabeça.

– O que será que ela quer falar comigo? — Julie fechou seu livro. — E porque ela jogou beijo pra você?

– E-eu não sei... Não é nada. N-não se preocupe. — Sua voz estava fraca. Julie o achou um pouco nervoso mas deixou para lá. Ele passou sua mão pela cintura de Julie, tentou mudar de assunto. — Você parou na página 27. — Disse abrindo o seu livro. — Vamos, leia. — Sorriu.

– Hm. — Ela o olhou torto. Ainda o achava um pouco estranho, não parecia calmo. Mas se limitou a ler, afinal, ela também estava um pouco nervosa com a Thalita e queria esquecer esse assunto.

[...]

O sinal tocou, o tempo vago da turma de Julie tinha terminado. Ela juntou suas coisas, deu um abraço e um beijo no rosto de Daniel e foi para a sua sala.

Era aula de literatura e o professor já estava na classe. Ela abaixou a cabeça ao ver que Thalita e as cachorras dela a encaravam. Passou por todos e se sentou no fundão. Como só tinha aula de literatura uma vez por semana, o professor passou muitos deveres para os alunos. Era o ultimo tempo de aula e disse que só poderiam sair quem terminasse tudo.

Alguns alunos saiam da classe depois de mostrar o trabalho para o professor. — Marcos. — A inspetora entrou na sala de aula. — Você recebeu um telefonema, é sua esposa.

Ele assentiu, juntando sua pasta. — Fiquem ai, vou na secretária e já volto.

Thalita aproveitou a ausência do professor para se levantar. Julie ainda escrevia no seu caderno, levantou levemente o rosto e viu que Thalita se aproximava. Respirou fundo e dessa vez a encarou. — Quer conversar comigo? — Perguntou em um fio de voz. No fundo sentia medo. Já que Thalita demonstrava raiva por ela depois do ‘’acidente’’ com a lama.

– É sim, Julie. Eu quero. — Se sentou em cima da mesa, cruzou suas pernas. — Sei que nós duas não somos amigas. — Pegou o livro que Julie ganhou do Daniel, abriu e passou as páginas.

– Hm. — Juliana pegou de volta. — Eu não quero discutir com você.

– Oh, nem eu querida. — Sorriu. — Só quero abrir o seu olho.

– …

– Sobre o Daniel. — Pausou, agora o assunto se tornava mais interessante para Julie. Afinal, ela deixou de pensar no trabalho de literatura para dar mais atenção as palavras de Thalita. — Quero que saiba que ele está te enganando. — Julie levantou uma sobrancelha. — É. Está. Na verdade, está querendo me fazer ciúmes com você.

– Como assim?

Thalita riu fracamente. — Percebeu que sempre quando eu chego perto de você ele também chega? Te abraça... Te faz carinho... E tenta nos afastar?

– É porque ele está me protegendo.

– Essa é a desculpa dele?! Ele faz isso porque não quer que você descubra a verdade.

– Porque ele ia querer fazer ciúmes em você? Nem estão mais juntos.

– De onde tirou isso? Ele te disse?

Julie pensou bem: Para ser sincera, ainda não tinha perguntado sobre isso para Daniel. Afinal, já tinha certeza que os dois não estavam juntos. — E-eu me lembro que na quarta ele veio aqui na classe e disse que queria falar com você. E ele te arrastou para o corredor. — Sua voz estava fraca. — Vocês... Terminaram.

– Não não... Pelo contrário, ele me deu mais uma chance. Acontece que ele sabia que você gostava dele. E ele tem pena de você. — Passou a mão pelos cabelos de Julie, mas a mesma se afastou. — Por isso que ele finge que gosta de você. Por isso e porque ele queria me fazer ciúmes. Pense bem, você acha que ele ia terminar comigo na semana do nosso aniversário de namoro? Oito meses juntos, querida.

– Por isso ele estava tão estranho quando você chegou, queria até sair dali... Estava fugindo. — Sussurrou.

– Viu como você é inteligente. Entendeu tudo.

– Tá. — Ela se levantou. — Eu entendi Thalita. E-eu... Não quero ficar aqui. — Pegou suas coisas.

Passava apressada pelos corredores. Desceu as rampas, quase escorregando. Chegou no pátio e infelizmente o portão da frente ainda estava fechada. Ela precisava esperar.

Se sentou no chão do pátio, apoiando suas costas na parede, abraçou seus joelho e abaixou a cabeça, seus cabelos escondiam seu rosto. Só assim ela conseguia chorar em paz.

Ficou ali por quinze minutos, chorava de soluçar, como nunca chorou antes. ‘’ Eu não devia ter me envolvido com você Daniel... Você me machucou... ‘’ — Ela sentiu uma mão alisar seus cabelos.

– Vai embora! Daniel! Vai! — Gritou, sem levantar o rosto.

– Julie? Sou eu.

Ela reconheceu aquela voz, levantou o rosto, de olhos fechados, passou a mão por suas bochechas limpando as lágrimas. — Bia? Ai... Bia! — Ela abraço a amiga com força. Voltou a chorar como antes.

– O que aconteceu? — A amiga perguntou, alisando suas costas e retribuindo o abraço.

– Aco-nt-ec-eu qu-e o Da-aniel é a pi-or pess-oa do m-undo.

– Calma, me explica isso direito. O que ele te fez?

Julie respirou fundo, tentou não gaguejar, mas ainda estava muito triste e nervosa. — Ele me usou!

– O que? N-não Julie... Tem certeza?

– Ele me usou para fazer ciúmes na Thalita porque ele gosta dela...

– Não é possível... — Segurou os ombros de Julie. — Por favor, me escute. Você está enganada.

– Não, eu não estou! E-eu... Estava quando pensei que ele e a namoradinha não eram parecidos! Eu estava enganada quando pensei que ele era legal e que ele... gostava de mim.

– Sch, não diz isso... Ele gosta muito de você.

– Não gosta!

– Gosta! Eu conheço ele! Sou irmã dele, lembra?

Ela abaixou a cabeça. — Confia em mim Juh, eu sei do que estou falando. Na noite passada ele chegou em casa tão feliz... Disse que estava apaixonado por você.

– Ele também te enganou! Não percebe?

– Não! Não enganou ninguém! Julie! 16 anos que eu conheço o Daniel. Ele não é uma pessoa perfeita, é cheio de defeitos mas ele... É sincero. É muito sincero, jamais mentiria. Muito menos para você. Ele é completamente louco por você.

– … — Riu pelo nariz. — V-vocês estão me confundindo...

– Então procura ele. — Bia respondeu. — Ele vai ser sincero com você. Vai tirar todas as suas dúvidas.

– Cadê ele? — Beatriz sorriu com aquela pergunta.

– Ele estava jogando futebol, deve estar no vestiário agora. Vai lá.

– Mas é proibido! Garotas não podem entrar no vestiário masculino.

– Anda Julie, levanta e vai!

– É... E-eu tenho que ir. — Sussurrou. Precisava tirar essa dúvida de uma vez por todas.

Se levantou e mais uma vez aceitou o conselho de Bia. Se sentia dividida, confusa... E só o Daniel conseguiria esclarecer as coisas.

Foi até o vestiário, a porta estava aberta e isso lhe deu coragem para entrar.

Entrou. Era grande... Estava vazio... Pelo menos uma parte. Ela andou um pouco mais, se virou e viu Daniel se olhando no espelho, estava com a calça jeans, mas sem blusa. Ele ajeitava seu cabelo molhado, tentava dar um jeito nos cachos. — Daniel?

Ele se virou, sua expressão mudou. Ele sorriu. — Oi Juh. — Mas viu que ela não retribuía o sorriso, e que seus olhos... Estavam marejados. — O que houve?

Ela suspirou. — Acontece que eu não devia ter aceitado o seu conselho de... Me arriscar! E-eu... Nem pensei duas vezes antes de dizer tudo o que eu sinto por você. E você me enganou! Pisou nos meus sentimentos!

– …

– A Thalita me contou tudo. — Explicou.

– Espere, o que essa garota disse pra você?

– A verdade! Q-que você só estava comigo por pena!

Ele mordeu seus dentes com força, vestiu uma blusa regata, tento passar pela Julie, mas ela o impediu. — Onde vai?

– Vou falar com a Thalita, ela vai ter que me explicar tudo.

– Está fugindo de mim? Né?

– Tudo bem. — Pausou. — Eu não vou atrás dela. Seria perda de tempo.

– Eu só quero uma explicação. — Se sentou no banco largo do vestiário. — Porque se aproveitou assim de mim?! Porque?! — Levou a mão ao rosto.

Voltou a chorar. Chorava de soluçar, nunca tinha sido tão magoada.

– N-não... — Ele sussurrou, sentiu seu coração se partir ali ao ver as lágrimas escorrer do rosto de Julie. Daniel se aproximou, se agachando na frente dela. — Não chora por favor. Você não pode acreditar no que ela te disse... A verdade é que no mesmo dia que nós andamos de moto, de manhã, eu fui falar com a Thalita. Eu ia terminar com ela, mas ela me implorou para conseguir uma segunda chance. Eu fiquei com pena dela Juh. — Nada do que ele falava a fazia parar com o pranto. — Então eu dei mais uma chance, só que eu cometi o maior erro da minha vida porque eu já estava apaixonado por você, e nesse mesmo dia descobri que você também se apaixonou por mim. E-eu admito que quando tentei de beijar, quando estávamos na moto, eu estava... ‘’namorando’’ a Thalita. Mas ai... No dia seguinte eu contei toda a verdade para ela. — Pegou as mãos de Julie. — Olha para mim. — Julie olhou. — Eu disse para a Thalita que eu estava apaixonado por você e nós dois estávamos juntos. E eu queria terminar com ela e foi o que eu fiz, só que ela não aceitou. E não importa a opinião dela! Eu e ela não temos mais nada! Nem sei como eu gostei dela algum dia...

Juliana abaixou a cabeça novamente, as lágrimas quentes passavam pelo seu rosto. — Não chora Juh. — Seus olhos se focaram um no outro. E no mesmo momento os olhos de Daniel se enxeram de lágrimas. — Se você chorar eu choro junto. — E as lágrimas desceram.

Ela as limpou. Segurou a mão de Daniel e o fez se sentar ao seu lado. — Acho que... Eu não posso acreditar nas coisas que a Thalita me diz. — Suspirou. — A Bia também me disse que você jamais mentiria para mim.

– Nunca, nunca faria isso. — Pegou na sua mão. — Eu te amo.

Se abraçaram. Julie aproveitou para sussurrar no seu ouvido. — Eu também te amo.

E em meio as lágrimas, os dois sorriram ao mesmo tempo. Daniel alisou seus cabelos, os colocando atrás da orelha, segurou o rosto de Julie. Ela sentiu seu hálito fresco e quente. Ele colocou suas mãos na nuca dela, enquanto acariciava seus cabelos negros.

Julie fechou os olhos e seus lábios se tocaram, com uma certa pressão e delicadeza. O Beijo tinha doçura e sentimentos, depois de um tempo, o selinho se transformou em um beijo de língua. Um beijo lento e delicioso. Daniel desceu suas mãos para a cintura dela, já Julie abraçou a sua nuca. Suas línguas batalhavam por espaço e o beijo se tornava mais intenso e desesperado a cada segundo. Era como se estivessem esperando esse beijo desde que se conheceram.

Eles sorriram depois que se afastaram um pouco para recuperar o fôlego, ainda estavam com os narizes encostado quando os dois avançaram ao mesmo tempo. Dessa vez não começou com um simples selinho, já era um beijão, ainda melhor do que o primeiro. Os dois movimentavam seus lábios. Viraram seus rostos ao mesmo tempo, ainda se beijando, ela apertou seus cachos e ele apertou sua cintura. Os dois suspiraram entre o beijo.

Enquanto isso, Thalita desceu as rampas do colégio. Foi até o pátio, tinha quase que certeza de que Juliana estava chorando e ela não perderia isso por nada nesse mundo.

Mas quando chegou no pátio, encontrou apenas alguns estudantes que não conhecia e... Beatriz. Que agora estava sentada no lugar de Julie, ouvia música pelo celular encarando as nuvens enquanto passava a mão pela sua barriga.

Ela se aproximou. — Vadia. — Cruzou os braços. — Cadê a Julie?

Bia suspirou, ainda olhando para as nuvens ''Apenas ignore.'' — Pensou a morena.

– Estou falando com você! Sua vadia! — Puxou com força o fone de ouvido da Bia. — Cadê a Julie? Ou melhor... Cadê o Dani? RESPONDE!

Bia achou melhor responder, assim se livrava logo dela. — Ele está no vestiário. — Pausou. — Já a Julie, eu não sei. — Na verdade, ela sabia sim. Só não queria contar.

– Hm. — A loira sorriu. — Eu vou lá. — Anunciou.

Beatriz também se levantou. Tinha quase que certeza de que o Daniel e a Julie estavam conversando. Ela não queria que Thalita atrapalhasse...

– Você não vai até lá. — Puxou o braço da garota.

– Me larga vadia, você não manda em mim! — Se soltou. — Eu preciso falar com o Daniel, ele precisa perceber que somos perfeitos juntos. — Foi andando.

'' Que droga... '' — Beatriz pensou, mas resolveu deixar. A seguiu também e as duas foram até o vestiário.

Thalita abriu a porta e na hora se arrependeu.

Via Daniel e Julie se beijando. Não era como os beijos que Daniel lhe dava na época que estavam juntos. Era um beijo com sentimentos. Qualquer um conseguia sentir isso.

Era um beijão. E nenhum dos dois se separou ao ouvir a porta se abrir, pelo contrário, se abraçaram e aprofundaram ainda mais aquele beijo.

Se soltaram, Daniel colocou as madeixas negras de Juliana atrás da orelha. A mesma estava de costas para Bia e Thalita. Já Daniel, conseguia ver a irmã e a ex paradas.

Ele a beijou de novo. — CHEGA! — Thalita berrou, batendo o salto com força no chão.

Juliana se virou e viu as duas ali. Sorriu apenas para Bia. Enquanto abraçava Daniel.

– Eu não estou acreditando nisso! — A ex estava revoltada. — Daniel! Você... Você não pode ficar com ela! Logo com ela! NÃO!

– Psiu. — Bia cutucou a loira. — Sabe Thalita, eu não sou vadia, mas conheço uma pessoa que é chifruda.

Ela ficou ainda mais raivosa depois daquilo. Puxou seus cabelos loiros com força, seus olhos se enxeram de lágrimas. Eram lágrimas de tristeza misturadas com raiva. — Você me paga Juliana! — Berrou, mordendo seus dentes.

Saiu do vestiário antes que os três vissem as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

Bia também se foi, queria deixar os dois a vontade.

Julie e Daniel se olharam de novo. — Eu não vou deixar a Thalita fazer nada com você... — Disse Daniel, alisando carinhosamente o seu rosto.

Ela sorriu e os dois recomeçaram com os beijos.

~Flash Back Off. ~

Julie acordou daqueles pensamentos profundos. Foi para o seu quarto. Ainda aérea com tudo aquilo... O passado dos dois era lindo, isso não tinha como negar.

Pegou a caixa que estava em baixo da cama. Assoprou, retirando o pó que estava sobre ela.

Abriu.

Tinha tantas coisas... Tantas cartas... Flores já murchas...

Ela sentiu um vazio dominar o seu peito quando pegou o livro que Daniel tinha dado... Há um pouco mais de cinco anos atrás.

A culpa é das estrelas. – As páginas já estavam amareladas, tinha aquele cheiro de coisa antiga. Ela abriu, indo até a última página.

Com carinho, Daniel. – Ela leu aquilo. Sorriu fracamente e adormeceu abraçada ao livro. Ao único livro que teve paciência de ler.



Notas finais
E ai? Alguém gostou? Poxa, é uma pena que agora os dois estão separados...