Corações Feridos

78 Queria apenas uma segunda chance


Notas iniciais
Capitulo feito ontem de noite, eu estava morrendo de sono então ignore qualquer erro de português. Definitivamente ontem eu não estava bem. :P

Já era noite. Juliana terminava de dar um banho morno no bebê dentro da banheira. Ela lavava todo o seu corpo, estava cansada com o choro alto dele. Ela lhe deu um patinho de borracha que costumava ser do Diego, Julie só não jogou esse brinquedo fora porque sabia que era o favorito do seu verdadeiro filho. Bryan se inquietou um pouco, agora que mordia o patinho para coçar suas gengivas e o apertava com as mãos. — Você é muito lindo, sabia? — Julie tocou no narizinho do bebê.

Ele olhou para ela e deu um sorrisão, Julie conseguiu ver até os dois dentinhos de baixo dele. — Mas que coisa gostosa! — Ela queria apertar o seu rostinho mas se controlou.

Continuou com o banho. Só terminou depois que teve certeza de que o bebê estava limpinho.

O tirou da banheira envolvido por uma toalha cor de creme. O colocou em cima do colchão do quarto, o secou e o vestiu, secando seus cabelos cuidadosamente com a toalha. Ele continuava com o patinho de borracha nas mãos. Julie terminou de colocar a frauda e uma roupinha quente para dormir. Enrolou seus cabelos com os dedos para formar alguns cachinhos.

Daniel entrou no quarto. Ele deu um leve sorriso e Julie retribuiu, os dois não olharam um para o outro. — Não vai dormir? — Ele pergunta.

– Só depois que o bebê dormir. — Suspirou. — Eu estou cansada.

– Eu cuido dele para você. — Daniel esticou os braços.

– Não. — Ela segurou o bebê, afastando o mesmo. — Não precisa. — Deu um sorriso forçado, estava nervosa. Sabia que Daniel precisava dormir para por fim, entregar o bebê a Bia.

– Mas não disse que estava cansada?

– A-ah… E-eu estou bem.

– Hm. — Ele a olhou torto por alguns segundos, esse olhar foi o suficiente para Julie ficar ainda mais nervosa. Ela sabia que Daniel tinha escutado toda a conversa com a Bia. Tinha medo dele começar a suspeitar das coisas.

Daniel se sentou no colchão ao seu lado. Pousou sua mão na coxa de Julie. Ela deu um pulinho com o susto, ainda segurando o bebê nos braços. Daniel alisou sua coxa. Enquanto Juliana corava. — O que… Est-á fa-azen-do?

Ele percebe seu nervosismo. — Nada. — E para com o carinho. — Eu não estou com sono. — Pausou. — E eu queria… Não sei, ver algumas fotos ou coisa do tipo, talvez eu me lembre de algo do passado.

Aquilo a deixava feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por ver que Daniel queria se lembrar das coisas e triste porque tinha medo dele se lembrar do pior momento de suas vidas: A morte do bebê. — Julie?

– Oi?

– Me escutou?

– Ah. — Sorriu. — Sim. M-mas porque a gente não deixa isso para outro dia, está tarde. — Estava louca para ir dormir e também para entregar o bebê pra Bia.

Ele não respondeu, apenas abaixou a cabeça. Julie sabia que ele queria se esforçar para lembrar das coisas, ela precisava ajudar, mesmo sentindo medo.- Então tá. — Ela acabou cedendo.

Entregou o bebê para Daniel, se levantou e foi até o guarda-roupa. Em baixo de algumas pilhas de roupas muito bem dobradas, havia uma caixa de papelão. Ela a pegou com as duas mãos, estava pesada e para conseguir tirar de lá precisava fazer esforço.

A arrastou pelo chão. — Aqui. São alguns albuns de fotos. — Explicou. E escolheu alguns albuns cuidadosamente, tentava pegar os albuns que não tinham muitas fotos do Diego. — Pode ver todos esses.

– Hm. — Ele abriu um. — Sch… Não… Não pode… — O bebê tentava pegar. Julie riu ao ver Daniel embolado com a criança. — Aqui, brinca com o patinho. — Pegou o patinho de borracha babado que estava sobre o colchão. O bebê agarrou o brinquedo com as duas mãos e se esqueceu completamente do album. Levou o bico do pato a boca. — Obrigado. — Ele disse depois que Julie pegou o bebê de seus braços.

Agora podia ver as fotos sossegado. — Vem. — Ele bateu no colchão e Julie se sentou do seu lado.

Ele abriu o album e foi passando as fotos. Era uma festa na piscina, na casa da Bia. — Eu já estava grávida de dois meses ai. — Julie explicou sorrindo.

– Hm. Quem é esse aqui?

– É o Félix. Seu cunhado. Não conheceu ele?

– Ah… Conheci. Só que tinha me esquecido… — Pausou, ainda passando as fotos. — A Bia é mesmo a minha irmã?

– É sim. — Pausou, confusa. — Porque pensa que não?

– Porque pra mim ela não é. — Respondeu frio. — Eu a detesto profundamente. — Disse passando as fotos, viu muitas fotos junto com a irmã.

Se irritou e fechou o album. — Quero ver fotos de nós dois juntos.

– Tem muitas nesse album que você jogou ai! — Ela revidou. — Porque não termina de ver? Só por causa da Bia? Ela é minha melhor amiga e sua irmã.

– Ela não é minha irmã.

– Porque tem tanta raiva da Bia?

– Eu não sei. Não fui com a cara dela. Ela me trata mal e eu trato ela do mesmo jeito.

– Vocês não eram assim. — Julie balançou a cabeça. — Ela era muito boa com você e você também era muito bom com ela. Esse foi um dos motivos pelo qual me apaixonei por você. Você era muito bom com a sua família, com as pessoas que você amava.

– Só que eu não amo a Bia. Então eu não sou bom com ela.

Julie suspirou. — Você sabia que foi ela que juntou nós dois?

– Isso não faz diferença. Porque não sei o que eu sinto por você. — Julie abaixou a cabeça com aquelas palavras. — E se eu ainda não surtei aqui com a minha perda de memória se eu ainda não quebrei tudo na minha frente é só por causa do bebê. Ele é a única coisa que eu amo aqui. Não amo mais ninguém, nem meus pais, nem você e muito menos a Bia.

– Está bem. Eu já entendi. — Ela o cortou. — Aqui. — Jogou alguns albuns nele. — Tem muitas fotos para você recordar. — Disse seca.

Foi se levantando junto com o bebê.

Quando sentiu um braço a puxar. Julie se virou e seus rostos ficaram próximos. — Onde vai? — Daniel pergunta a olhando profundamente.

Ela hesita um pouco em falar, estava hipnotizada com seus olhos. — V-vo-u… L-á em bai-xo, f-aze-er um lei-te par-a o be-bê.

Eles continuaram se olhando. Daniel aproximou seus rostos e beijou a bochecha dela. — Está chateada? — Perguntou alisando o seu rosto.

– C-chateada? E-eu… — Suspirou. — Só queria que você voltasse a ser como antes. — Fechou os olhos. — Sabe, há um ano atrás você ia se casar com a minha prima. — Abriu seus olhos depois das suas palavras, Daniel a olhava pedindo explicações. Era isso que ele queria. Se lembrar das coisas que fez no passado. — M-mas… Você não sabia que ela era minha prima.

– Eu não sabia? M-mas… Se nós fomos casados como eu não sabia? — A interrompeu. — Eu tinha que saber, porque ela fazia parte da sua família.

– É. Mas você não sabia, ela era do interior e vocês não se conheciam pessoalmente. — Explica. — Ela veio para Campinas e por pura ‘’sorte’’, você e ela se conheceram e começaram a sair, porque nós dois já estávamos separados.

– Você não disse que ainda estamos em processo de divórcio?

Ela se enrolou. — É… Mas…

– E como agora nós já estamos separados?

– Não, foi porque… Eu quis dizer que… Não morávamos mais juntos! — Suspirou aliviada em pensamentos, conseguiu escapar. — Então vocês dois fizeram uma festa de noivado. E claro, ela convidou a família.

– Convidou você. — Deduziu.

– Isso. — Ela confirmou balançando a cabeça. — E quando você descobriu que eu era a prima da sua noiva e eu descobri que você era o noivo da minha prima nós brigamos. Passei a festa toda escondida pelos cantos e só continuei na festa porque meu pai ia lá e eu queria ver ele…

– E o que aconteceu na festa?

– Você pediu ela em noivado, até se ajoelhou.

Daniel ficou calado por um tempo, Julie esperava ele responder. — Porque? — Mas ele não respondeu, ele perguntou. — Isso magoou você? Porque eu fiz isso?

– Eu não sei, talvez você gostava dela.

– Não. — Interrompeu.

– Não o que?

– Eu acho que não. Ainda mais depois que eu descobri que vocês eram primas, eu não seria capaz de fazer isso… — Balançou a cabeça. — Isso te deixou triste?

– Muito. Eu até passei mal naquela noite. Você e a Bia me levaram para o hospital.

– Não me fale sobre a Bia…- Sussurrou. — Mas porque você passou mal? E… Onde estava o bebê?

– Ah… Hm…- Quase se enrolou novamente, mas pensou rápido. — E-estava com a minha mãe.

– Mas eu seria capaz de fazer isso? Deixar você cuidar do bebê sozinha e ir ficar com outra?

‘’ Não… ‘’ — Julie pensou. ‘’ Eu não cuidaria do bebê sozinha, até porque ele estava morto. ‘’

– Só sei que depois, você me levou pra casa, eu tomei um calmante no hospital porque minha pressão saltou. — Daniel ouvia atentamente. — E você ficou aqui em casa cuidando de mim.

– E o que houve depois?

Ela hesitou um pouco em falar, sentiu suas bochechas queimarem. — D-depois… Você foi até o meu quarto e dormimos juntos.

– Só dormimos?

– C-claro que não… — Sussurrou.

Eles se olharam e Daniel sorriu. — Mas em fim… Eu fui para um intercâmbio lá na Noruega. — Ele desfez o sorriso. — Fiquei lá por… — Ia falar meses. — Algumas semanas. — Mas não queria dar a impressão de que muito tempo se passou. — E depois voltei para cá porque descobri que eu te amava.

– Entendo. — Tocou no seu rosto. — Não é justo dizer que não sinto nada por você, Julie.

– Não. — Ela soltou sua mão do seu rosto. — É justo sim. — Suspirou. — Não cheguei na conclusão.

Daniel se calou. — Eu amava você. Mas… Quando ainda tinha memória e uma personalidade formada. Eu amava você, o seu caráter. Entende? E agora… Você está completamente diferente.

– Então me ajuda, por favor. — Pediu com os olhos marejados. — Eu quero voltar a ser o mesmo de antes. Quero que você continue me amando.

– Esse é o problema. — Pausou. — Não sei como você vai conseguir ser o mesmo. Não tem como eu te ajudar com isso. — Se soltou e os dois perceberam que o bebê dormia. — Me desculpe… — Ela passou por ele e desceu as escadas.

Foi para a sala segurando o bebê adormecido.

O colocou deitadinho no sofá enquanto carinhava sua barriguinha. Sorriu involuntariamente com isso.

Mas lembrou de Beatriz, já tinha passado de uma hora da madrugada.

Pensou em pegar o telefone para ligar.

Mas se esqueceu dos pensamentos quando encarou o bebê de novo. Viu que ele sorria enquanto dormia. — Será que está sonhando com o seu priminho, hein? — Julie sorriu. — Que está lá no céu. — Riu. — Como pode ser tão lindo? Hein? — Estava toda boba com a criança. — A tia te ama muito… Muito. — Tocou no seu rostinho.

Ele abriu os olhos mas os fechou imediatamente. Julie riu. — A tia te ama muito… — Repetiu, ainda olhando para ele. Parou um pouco, hipnotizada. — A mamãe te ama muito, meu filho. — Disse séria.

– Julie? — Daniel desceu as escadas, ela balança a cabeça interrompendo seus pensamentos, volta para a realidade e percebe que o bebê era seu… Sobrinho.

Sentiu uma agonia no coração, nem percebeu que Daniel estava ali até que o mesmo tocou no seu ombro.

Ela levantou a cabeça. Agora lhe dava atenção. — Vamos subir, não quero que você fique sozinha. — Julie sorriu com suas palavras.

– Claro. — Acabou aceitando, pegou o bebê adormecido em seus braço e o deixou deitadinho enquanto o segurava.

Era como se o pegasse pela primeira vez, para ela, Bryan não tinha um ano. Para ela tinha meses, era uma coisinha frágil que necessitava de muitos cuidados e amor, principalmente amor dela. Sim, era um amor de mãe. Um amor que Julie não experimentou por muito tempo.

Tocou no rostinho dele, alisando suas bochechas gordas e avermelhadas. O bebê abriu os olhos de novo. Dessa vez enxergou Julie e Daniel. Ela beijou sua testa, sentindo um perfume suave de morango nos seus cabelos. O bebê levantou um dos bracinhos e pousou sua mãozinha no rosto de Julie, entre os lábios e o nariz. Ela sorriu com isso, e beijou a palma da sua mão. — Vamos… — Daniel sussurrou e segurou seu braço. Viu que Julie estava tão distraída com o seu ‘’filho’’ que a guiou.

Subiram as escadas. Daniel não conseguia entender como Julie não tropeçou nos degraus, pois ela não conseguia tirar os olhos do bebê em seus braços nem se quisesse.

Chegaram no quarto, Daniel segurou o seu braço. Eles se sentaram na cama. — Ah, eu ia ligar para a Bia.

Ele fez uma expressão feia. — Deixe ela para lá. — Rosnou. — Fique aqui comigo. — Disse puxando sua mão.

Entrelaçou seus dedos, Julie sentiu algo estranho invadir seu peito.

Olhou para o lindo homem a sua frente. Lembrou que havia lhe dado mais uma chance de recomeçar…

E era o que estava acontecendo, literalmente. Daniel começou do zero. Os dois estavam juntos, mas eram como se não se conhecessem. Ele não conhecia a Julie, e ela não conhecia ele. Estava tudo tão diferente… Como se fossem o inicio de tudo, era como se eles voltassem para o tempo…

Ela sorriu. Era seu primeiro pensamento otimista naquele dia.

Tocou no seu rosto com uma mão, não pensou direito antes de beijar sua bochecha, quase perto dos lábios. Daniel sorriu com isso e eles se olharam, mas Julie cortou o olhar olhando para baixo.

– Vamos continuar vendo as fotos. — Ela pediu apenas para cortar aquele clima. Ainda segurando o bebê, conseguiu pegar um album.

Deu nas mãos dele.

Ele voltou a ver as fotos. Julie se concentrava apenas no brilho dos seus olhos. — Lembra de alguma coisa? — Ela perguntou.

– N-não… Não lembro de nada. Mas… — Continuou passando foto por foto. Era uma viagem dos dois para Veneza, ainda não eram casados. — Parece que passamos momentos lindos juntos. — Julie apenas sorriu. — Sabe? Eu não vou parar enquanto não me lembrar de alguma coisa. Quero me lembrar de você.

– Hm, e se isso demorar?

– Não me importo. — Passava as fotos, as olhava com atenção. Concentrado. Julie se levantou e colocou o bebê (que a essa altura, dormia profundamente) no berço.

Voltou e se sentou ao lado do rapaz. Ela o ajudou com as fotos. Dizia cada momento, de cada fotografia.

[...]

– Porque na foto o nosso filho parecia mais magro? — Daniel começava a notar as ‘’diferenças’’ — E o cabelo dele estava mais claro aqui… — Ele dizia. Ainda observando muito bem a foto. — Juliana? — Abaixou a cabeça.

Ela dormia em cima do seu peito. Já era mais de três horas da madrugada. Ele nem percebeu quando ela pegou no sono.

Hesitou um pouco, mas deixou o album em cima do colchão para alisar seus longos cabelos negros.

Não esperava ter ela tão perto assim… Se sentia estranho. Poderia toca-lá de todos os jeitos que ela não notaria, estava em um sono profundo, teve um longo e cansativo dia.

Ele alisou seu rosto. Era tão delicado. Desceu sua mão para pegar na dela. Era tão pequena…

Daniel sorriu com isso. Pousou a mão dela em cima do seu peito, queria ter a sensação de que ela o tocava também. Ficou pensativo por alguns segundos, lembrava das palavras de Julie.

A olhou, ela estava serena.

Beijou sua testa. Ela abriu os olhos e levantou a cabeça, Daniel quase riu do seu rosto, estava com uma cara de sono e seus cabelos levemente bagunçados. — Deita… — Ele pediu tocando no seu rosto.

– Hm… — Julie continuava sonolenta. — N-nã-o po-demo-s do-rmir j-unt-os. — Seus olhos estavam pesados de sono.

– E porque? — Ele sussurrou.

– É e-err-ado… — Mal conseguia falar. — N-não es-tamos c-casados. — Deitou sua cabeça no peito dele novamente. — S-e fiz-er alg-o comig-o eu t-e proc-ess-o.

– Está bem… — Ele assentiu um pouco chateado. — Não vou fazer nada. Eu te garanto… Vamos dormir. — Esticou seus braços, tentando alcançar o abajur sem acorda-lá.

Desligou a luz e deixou o quarto escuro. Julie continuava por cima dele quando Daniel puxou um lençol grosso para a cobrir. — Hm. — Ela sorriu enquanto sonhava, abriu seus braços e o abraçou pela nuca. Ele sentiu aquele abraço e envolveu sua cintura, retribuindo.

Dormiram abraçadinhos, e isso era melhor do que o beijo que Daniel recebeu no hospital. Ele não percebia o quanto se sentia bem ao lado daquela moça até agora.

Ele torcia para que essa noite durasse mais do que a eternidade.

[...]

Julie rolou na cama, estava coberta por vários lençol finos, e o edredom grosso estava no chão. Era sete horas da manhã quando Daniel acordou confuso. Ele sempre acordava assim desde que perdeu a memória. Era sua terceira noite com amnésia e…Sua primeira noite em uma casa nova, com Juliana.

Ele acordou tentando ao máximo não se mexer no colchão para não acorda-la, percebeu que dormiam em forma de conchinha e ele a abraçava por trás. Mudaram muito de posições naquela noite. E ele nem se lembrava de todas elas.

Deu uma olhada no berço antes de descer as escadas, lá estava seu sobrinho, que ainda dormia, todo esticado no berço. Os braços estavam para cima e as pernas abertas, seu travesseiro estava nos pés e o lençol cobria apenas metade do seu corpo. Ele pensou em ajeitar seu ‘’filho’’ mas tinha medo de acorda-lo e o que Daniel queria mesmo era passar um tempo sozinho.

Desceu as escadas e foi até a cozinha. Ia abrir a geladeira quando encontrou uma receita médica presa a um imã. Não entendeu o porque daquilo. Era uma receita de injeção e alguns comprimidos. ‘’ A Julie está doente? ‘’ — Pensou preocupado, mas em seguida ignorou seus pensamentos. Abriu a geladeira, pegou um suco fresco de goiaba.

Estranhou ver a geladeira tão… Vazia. Tinha apenas leite em caixa e algumas frutas. Ele não encontrou papinha ou nenhum tipo de comida para o bebê.

Balançou os ombros, isso não importava agora.

Se sentou bebendo um copo cheio de suco de goiaba. Mas seu sossego não durou muito.

Ouviu alguém tocar a campainha. Revirou os olhos e como não queria que Julie acordasse, resolveu atender.

Caminhou lentamente até a sala, conseguia ver a silhueta da pessoa. Viu que era uma mulher. Não veio ninguém em mente, até abrir a porta.

Era Bia.

Ela deu um sorriso forçado e ele retribuiu. — Ei, ei… O que pensa que está fazendo? — Daniel perguntou ao ver Beatriz entrando. — Não dei permissão nenhuma.

– Cadê a Julie? — Ela ignora.

Ele cruzou os braços, Bia continuava parada na sala. — Vá embora.

– Não. Eu quero falar com a Julie, quero ver ela e o meu… — Abaixou a cabeça. — Meu sobrinho.

– Ainda estão dormindo. — Disse puxando o seu braço. — Vá embora!

– Me larga! — Ela tentava se soltar, mas Daniel a apertava fortemente. — Droga, está me machucando. Me solta! — Ele só a apertava mais. Ela trincou os dentes. — Daniel! — Bia pisou com força no seu pé.

Conseguiu se soltar enquanto seu irmão gemia de dor. Ela subiu as escadas correndo. Daniel não conseguiu a impedir, ele até subiu as escadas, mas ainda sentia dores na perna e não conseguiu correr.

Bia entrou no quarto de Julie, fechou a porta e trancou. Não queria que Daniel entrasse.

A viu no colchão. Estava deitada de barriga para baixo. — Que lindo. — Bia sussurrou. — Preferiu transar a noite interia com ele do que devolver o meu filho. — Correu até o berço. Suspirou depois que viu Bryan respirando. — Pelo menos ele não está morto! — Pegou um chinelo que encontrou no chão.

Tacou com força nas costas de Julie. A mesma acordou assustada. — Nossa… — Olhou para os lados antes, tentava entender de onde surgiu aquele chinelo, mas não olhou para trás. — Dormi… Aqui… — Estava incrédula. Não pretendia dormir com o Daniel. Na verdade, planejava dormir no sofá durante esses três meses. — Bia?! — Finalmente se virou, encontrou Beatriz a olhando com cara de poucos amigos. Ficou calada, pensativa, estava com tanto sono na noite passada que nem se lembrou de algo importante. — Ai, eu esqueci mesmo! — Passou a mão pelo rosto. — Me desculpa! Fiquei de te ligar!

– Você não ficou apenas de me ligar, você ia me devolver o MEU FILHO!

– Bia… Por favor… — Julie sussurrou nervosa. — Se o Daniel escutar… Ele…

– Olha, o Daniel é o que menos me importa agora! — Esticou seus braços e pegou o bebê do berço.

Bryan acordou ao sentir que estava nos braços de Bia. Ele deu um sorrisão. Maior do que qualquer sorriso que deu para Julie. — Meu príncipe! — Bia beijou seu nariz. Ele afundou seu rostinho no pescoço da mãe.

Julie continuou parada ali, sentada no colchão.

Aquela cena partiu seu coração. Conseguia sentir o carinho do bebê com Bia. Ele tinha consciência de que ela sim, era sua mãe. Juliana sentiu um aperto no peito, uma vontade grande de chorar. Era por isso que não deveria se apegar a criança, porque era da Bia…

– Isso não vai dar certo. — Beatriz quebrou o silêncio. — E-eu… Estou com saudades! O Félix também, e a Nanda! Julie, ele é o meu filho! Você não pode roubar ele de mim!

– Me dá só mais uma chance, eu vou fazer certo dessa vez.

– Não é questão de fazer certo ou errado… — Suspirou. — Eu… Não confio em você.

– Do que está falando? — Perguntou fraca.

– Existem mulheres que não estão preparadas para serem mães. Você é uma delas.

Julie abaixou a cabeça. — Me surpreende você dizer isso, logo você. Minha melhor amiga. — Ela secou as lágrimas. — Isso me decpeciona de mais.

– Eu sei. É por isso que eu sempre guardei esse pensamento só para mim, mas… Não aguentei. Eu sou uma pessoa sincera. — Passou por ela.

– Onde vai? — Juliana se levantou. — O bebê fica aqui.

– Não fica não. — Balançou a cabeça. — Vou passar um tempo com o meu filho, depois decido se ainda deixo ele com você ou não.

– Bia por favor. — Julie segurou seu braço, a impedindo de passar. — Eu quero mais uma chance de ser mãe de novo… Tive tão pouco tempo para isso… Por favor, não faça isso comigo.

– Não é o bebê que vai te fazer ser mãe de novo. — Rosnou. — É o Daniel. Fale com ele.

– Não Bia… — Voltou a chorar. — P-pelo menos me diz que… O bebê vai voltar. Por favor. Eu tenho um carinho muito grande por ele. Quando eu estou com ele, eu sinto como se… O meu filho estivesse aqui, comigo. Me diz que vai me devolver o bebê. Por favor, eu te…. Te imploro.

Beatriz ainda a olhava com indiferença. — Não sei se é uma boa ideia. — Abriu a porta.

Ela descia as escadas com o bebê. Julie a seguia. — Bia, me responde!

Daniel estava sentado no sofá da sala, assistia a cena sem entender nada. Porque Bia carregava seu ‘’filho’’? E porque Julie estava chorando?

– O que está acontecendo aqui? — Ele se levantou, tentou barrar a irmã, mas Bia foi rápida, passou facilmente por ele e saiu pela porta. Correu para o carro.

– Julie… O que houve? — Ele segurou os braços de Juliana.

– Não! Bia! N-não! — Seu rosto estava completamente vermelho. Julie chorava de soluçar. Mas suas esperanças se acabaram quando viu ela acelerar com o carro e virar a esquina. — Não… Meu bebê… — Se lamentava. — Não… — Se jogou nos braços de Daniel. — Não… N-não… Por quê? POR QUÊ?

– Calma… — Ela se soltou de Daniel e se jogou no chão. Ele se agachou. — Juliana… Calma…

– Ela pegou o bebê… Pegou ele de mim. Pegou de mim…

– Eu vou atrás dela. — O loiro se levantou. — Julie? — Mas Juliana se deitou no chão. Seu rosto e pescoço já estavam encharcados de lágrimas. Daniel estava com medo de sua reação, tinha medo de deixar ela sozinha.

E sabia que ir atrás da irmã seria em vão, afinal, ele não se lembrava onde era a casa dela.

Se agachou de novo. Tentou acudi-la. Mas Julie parecia estar em outro mundo, seus pensamentos estavam longe… Seus olhos estavam fixos nos de Daniel e ela repetia a mesma coisa ‘’ Ela pegou o meu bebê… Meu bebê… ‘’ Julie parecia doente. Ele estava preocupado. — Ela vai voltar. Ela é tia dele… — Suspirou. Se esforçava para dizer as palavras. — Ela é uma pessoa boa, o bebê vai estar em ótimas mãos… Julie… — Segurou seus braços e a balançou. — Por favor, você está me assustando. — Ela continuava com os olhos fixos nos dele.

Até que avançou. O abraçou pela nuca. Ele retribuiu. — Sch… — Deu algumas batidinhas fracas nas costa dela, ao ver que Julie voltou a chorar… — Vamos… Interpretar isso como uma folga! — Ele disse. — Ser mãe deve ser muito trabalhoso.

– Mas o que eu mais quero nessa vida é ser mãe… Eu quero ser mãe… — Soltou do abraço. — Ela pegou meu bebê…

Daniel tocou no seu rosto, limpou algumas lágrimas. — Está tudo bem. A Bia vai voltar, ela… Não sequestrou nosso filho. — Pausou. — Vamos, aproveitar o tempo livre. Que tal? — Agora conseguiu a atenção de Julie. Ela deu um sorriso fraco e apagado, tão fraco que Daniel nem percebeu. — O que acha?

– Parece que eu preciso mesmo de um tempo para relaxar. — Lembrou de todos os problemas.

– E então… — Veio a cena dos dois dormindo juntos na mente de Daniel. Foi a melhor noite de sua vida. O que ele mais queria era passar mais tempo com ela. Sabia que se sentia diferente. Queria descobrir qual era seu sentimento pela Julie. Acabar de vez com essa confusão na sua cabeça. — Quer sair comigo?

Notas finais
O que estão achando da ''amizade'' da Julie e do Daniel? A Julie deveria contar mais fatos do passado para ele? E a Bia? Ela vai devolver o bebê ou não? Fiquei com pena da Julie. rs