Corações Feridos

41 Noite de fim de semana.


Notas iniciais
Estou surpresa! Ganhei mais uma recomendação! *o*' Da minha querida leitora e amiga Vivian Sweet. Obrigada por recomendar minha história. Fico contente em saber que você está gostando ;)) Amei a recomendação, beijos!
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Espero que curtam o capitulo, está grande porque eu estou inspirada, só não sei se está bom. haha. '

Julie caminhava pelas ruas, era sete horas da noite. A partir da semana que vem ela ia começar a trabalhar e na mesma empresa que Daniel. Seu ex-marido. Aquilo lhe causava uma sensação de borboletas no estômago. Ainda estava na dúvida, as vezes pensava em desistir do emprego sem nem ao menos tentar, outras vezes pensava que era seu dever aceitar o novo trabalho.

– Promete que vai continuar me amando. Eu te amo.

A morena sorriu. — Também te amo Dan...

– É bom saber disso, mas eu tenho medo... que... depois você venha me deixar... porque eu não vou aguentar isso.

– Eu não vou.

– Promete?

– Prometo, não vou te deixar.

Ela sentia um forte aperto no coração, não cumpriu aquela promessa: E essa promessa também era uma das suas metas... Uns dos seus planos. Continuar com o Daniel, ama-lo por toda a sua vida. Até a morte.

‘’ Tá. Eu admito que não peguei esse emprego apenas para me distrair... Eu... Também queria passar mais tempo com o Daniel... Cuidar dele... Sei que não existe mais nós, mesmo assim... Tenho medo de que algo venha acontecer com ele. ‘’ — Lembrou do exame dele, que constatava hemofilia. ‘’ Sei que não devo pensar assim, mas tenho medo de te perder para sempre. ‘’

Julie afastou esses pensamentos, ainda angustiada. Depois de sua separação, ela não conseguia parar de pensar no Daniel...

Suspirou.

E bateu na porta. Julie ouviu um ‘’Já vai’’ lá dentro e esperou. Não demorou muito para atenderem a porta.

– Oi. — Bia disse sorrindo. — Obrigada por me fazer esse favor.

Juliana apenas assentiu com a cabeça enquanto Beatriz abria mais a porta. — Pode entrar.

Julie entrou.

Bia havia lhe pedido para tomar conta da filha dela essa noite, pois ela e Félix iam sair para comemorar o aniversário de casamento. O clima entre as duas não estava muito legal, elas quase discutiram no telefone, mas mesmo assim, Julie aceitou cuidar da Nanda. — Cadê o Félix?

– Está ajeitando o carro, o motor não está muito bom. — Fez uma careta. — Mas ele já vem.

– Ah, tá.

As duas se calaram, até que Bia quebrou o silêncio. — Me desculpe. — Julie a encarou sem acreditar. Não pensou que Bia daria o braço à torcer tão rápido. — A gente anda discutindo muito sobre a sua separação. — Pausou. — Eu só acho que, vocês dois não mereciam isso. Deveriam se dar uma segunda chance. Mas... Já que decidiram se separar... Quem sou eu para me meter, né? Só quero ver... Minha melhor amiga e o meu irmão felizes.

– Então ainda sou sua melhor amiga? — Juliana não escondeu o sorriso.

– Bom, não é mais minha cunhada... Só que continua sendo minha... Melhor amiga.

– Ah Bia... — Elas se abraçaram. — Eu não quero mais brigar com você.

– Nem eu. — Se soltaram. Julie abaixou a cabeça. — O que foi?

– Eu não sei como consegui esquecer isso... — Sussurrou.

– Esquecer o que Juh?

– Lembra quando eu tinha dezessete anos? Eu estava namorando o Daniel a dois anos. — Bia assentiu, atenta. Julie continuou. — Esses dias me lembrei de uma coisa importante... Uma coisa... Importante de mais para ser esquecida... Acho que eu só esqueci por causa da formatura, o noivado, casamento, lua-de-mel e o meu filho. M-mas... Não deveria ter esquecido. E agora eu estou tão triste.

– Me conta, o que é?

– Você sabe. É sobre o Daniel. — Pausou. — Lembra do exame dele? — Bia assentiu. — Na época ele me disse que tinha hemofilia.

– Você leu o exame?

– Até hoje não li. Nem sei onde deixei...

– Juh. — Bia se levantou. — Não é que ele tenha, ele tem... grandes chances de ter. E não é que ele se esqueceu disso, pelo contrário, ele se lembra disso quase todos os dias. Mas, ele tenta esquecer. Tenta.

– Espere. Então ainda não foi confirmado isso?

– Não. — Respirou fundo. — Julie, vou te contar o que eu sei. Desde que Daniel era pequeno, meus pais tinham um cuidado extra com ele... Poucas vezes eu via ele com os joelhos ralados, os cotovelos sangrando ou qualquer outro ferimento que toda a criança tem. Não sei, até hoje acho que eles sabiam sobre isso e tentaram ocultar de mim e até mesmo dele. Até que ele descobriu. Ele fez o exame e constatou que ele tem 70% de chances de ter hemofilia. Foi na época em que vocês estavam juntos, ele ficou muito assustado com isso e também tentou esconder essa doença. Ele nem queria contar para você, mas acontece que Daniel te amava muito e ele não ia conseguir te esconder nada.

– M-mas não foi confirmado, isso é bom.

– Não muito. Ele não quis ir fundo nos exames para descobrir.

– Porque?

– Porque ele tem quase que certeza de que tem essa doença. E é grave. Por isso ele toma o maior cuidado para não se machucar. Se ele se ferir, nem que seja só um pequeno corte. Ele pode perder litros e litros de sangue, entende?

– Acho que entendi. Mas tem tratamen--

– Bia. — Félix chegou, limpando suas mãos de graxa com um pano branco. — Estou pronto. — Sorriu. — Oi Julie.

– Oi. — Ela deu um sorrisinho fraco.

Beatriz se levantou. Segurando a mão do marido. — Então Juh, você toma conta da Nandinha? Ela está assistindo TV no quarto.

– Ah, claro. Cuido sim.

– Qualquer coisa é só me ligar, vamos amor. Obrigada Juh. Boa noite. — Ela abriu a porta.

– Boa noite. — Julie disse antes dos dois saírem.

Juliana suspirou, olhou em sua volta. Se sentou no sofá, era fofo e confortável. Pegou o controle da TV. Pensou em ligar, mas desistiu. Preferia o silêncio.

Fechou os olhos, pensativa com as palavras de Bia. ‘’ Então ele pensa na sua possível doença todos os dias. Mas... Como EU pude esquecer isso? Me lembro que conversávamos pouquíssimas vezes a respeito disso... ‘’

Cenas lhe veio na cabeça, como um filme. Lembrou da ultima conversa que teve com o Daniel sobre a hemofilia.

Era uma manhã fria. Julie estava na sua casa, na cozinha, bebia um chocolate quente enquanto mexia no seu celular, na tentativa de se distrair da noite passada.

Daniel sempre passava na sua casa para irem juntos ao colégio. E como ele fazia isso todos os dias, já nem precisava mais bater na porta.

Quando Julie percebeu, o namorado estava parado em pé na cozinha. — Já chegou? — Secou suas lágrimas e tentou disfarçar.

Mas isso não adiantou, preocupado, ele veio em direção dela. — O que aconteceu? — Segurou seu rostinho, secando suas lágrimas. — Amor, o que foi? Fala!

– Pesadelos. — O abraçou, encaixando suas cabeças e misturando seus cabelos.

Daniel riu fracamente. — E está chorando por causa disso? São só sonhos.

– Acontece que eu... — Deu um selinho rápido. — Tenho medo. Sonhos tem muitos significados, dizem que sonhar com ovo é fofoca, sonhar com dente é morte.

– Sonhou que você quebrava o dente enquanto comia ovo?

Ela balançou a cabeça. — Não, e-eu sonhei com você. Sonhei que estava no hospital e precisava de doadores de sangue. — O beijou de novo, um beijo trêmulo. Julie realmente sentia medo. — Isso tem haver com o que você descobriu com aquele exame.

Daniel se soltou. — Foi só um sonho. — Disse de um modo meio grosso, porém, ainda secava suas lágrimas delicadamente. — Acho que eu não deveria ter te contado sobre isso.

– A gente precisa conversar.

– De novo? — Tentou não gritar. — Eu devia ter pensado duas vezes antes de te contar. Não quero que se preocupe com o que eu tenho ou deixo de ter. — Foi se afastando, pegou a mochila da namorada que estava em cima da mesa da cozinha e colocou no seu ombro. — Sabe, eu não quero mais tocar nesse assunto. Vamos fingir que nada disso aconteceu.

– Você não pode simplesmente esquecer isso! É sobre você mesmo!

– Tem razão. — Balançou a cabeça. — É sobre mim mas... Isso está te deixando triste, e eu te amo, não quero te ver assim. Por isso acho melhor esquecermos esse exame. Isso está te abalando, então... Me abala também. Esquece.

Ela só suspirou, se levantando também, mordeu a metade que sobrava do biscoito, pegou na mão de Daniel e eles saíram.

– Tia Julie. — Ouviu uma voz, Juliana acordou dos pensamentos.

– Oi Nanda.

– Cadê a mamãe?

– Ela foi sair para jantar com o seu pai.

– Ah, m-mas e eu? — Cruzou os braços e emburrou a cara.

– Você fica aqui... Brincando comigo! — Sorriu. Tentando agradar a garota.

Mas Nandinha era muito apegada a mãe. Detestava ficar sozinha em casa com ‘’babás’’. Julie sabia disso e tentava diverti-lá. Mas não teve sucesso. — Então, quer brincar de que?

– Eu quero a minha mãe!

– Ai, Nanda. Ela volta só mais tarde.

– Eu quero ela agora!

– Vamos tentar nos dar bem, tá? Eu sei que você e eu... A gente não conversa muito e poucas vezes eu cuido de você. — Lembrou que a única vez que cuidou de Nandinha foi quando ela ainda estava noiva. — Mas hoje vai ser muito legal! — Concluiu animada.

Mas Nandinha não mostrava a mesma animação. — Mamãe disse que tem pizza na geladeira.

Julie entendeu e se levantou. — Então eu vou descongelar e colocar no microondas. — Sorriu e dessa vez a criança retribuiu o sorriso.

Pegou a pizza da geladeira, era brotinhos então dava para por uns três pedaços no microondas e ainda sobrava espaço. Aproveitou e fez um suco de laranja bem forte para a garota tomar.

– E depois da pizza vamos brincar de quê? — Nanda chegou na cozinha.

– Não sei, de qualquer coisa.

– Video game!

– Hm. — A morena fez uma careta. — Não sou muito boa em video-games.

– Então um jogo de caminhada?

– Viu, bem melhor. — Sorriram juntas.

– Tá, vou buscar!

– Não corre! — Julie gritou ao longe, mas a menina correu pela sala, apenas de meia, subiu as escadas ‘’voando’’. — É, acho que já dá para colocar no microondas. — Sussurrou desembrulhando as pizzas. Ligou o microondas e programou direitinho.

Ouviu a campainha tocar. Colocou as pizzas no microondas e foi atender.

Quando abriu a porta. Teve uma surpresa. — Mas não é possível! O que faz aqui?

– Espere, essa não é a casa da Bia? Ou você também tomou a casa dela?

Julie se preparou para fechar a porta. — Calma. — Mas Daniel colocou a mão entre a porta, empurrando a maçaneta. — Não sabe levar as coisas na esportiva?

– Não estou com paciência para brincadeiras. — O cortou. Daniel abriu mais a porta e entrou. — A Bia não está, saiu com o Félix e eu estou cuidando da Nanda.

Nisso, a menina desceu as escadas. — Tio! — Gritou sorrindo.

Ele abriu os braços e a menina pulou em cima dele. Ele a levantou no colo, enquanto Nandinha gargalhava. Julie cruzou os braços. Sempre quando tentava ganhar a confiança da ‘’sobrinha’’ vinha alguém para atrapalhar. — Huh, gorda!

– Cabeludo!

– Tampinha! — A colocou no chão, a menina ria. Daniel também, até que se virou para Julie e viu a mesma séria. — É só uma brincadeira que a gente inventou.

– Muito bonito o jeito como você chinga essa criança! — Foi andando até a cozinha.

– Não estou chingando, estou brincando! Ela sabe disso!

Tirou as pizzas do microondas e se virou para ele de novo. — O que veio fazer aqui?

– Vim falar com a minha irmã. — Abriu a geladeira.

– Bom, agora você já sabe que ela não está. Vai pra casa, mexer na sua geladeira.

Ele entendeu e fechou a portinha, pegou apenas um pouco de água para beber. — Eu já vou. — Balançou a cabeça. — Só diz pra Bia que eu quero falar com ela.

– Tá bom. Dou o recado agora vai porque eu quero ganhar a amizade da minha sobrinha.

– Sobrinha é? — Ele sussurrou rindo. — Não faz mais parte da família.

– É de consideração. Considero a Bia como uma irmã, então a filha dela se torna minha sobrinha.

– Hm. — Se aproximou, deixando sua mão sobre a dela na mesa da cozinha. — Sou seu irmão também? — Julie se calou. — Então acho que rolou incesto... — A puxou, agarrando sua cintura.

– O que... o que está fazendo?! — Nervosa, tentou se afastar. Quase derrubou as pizzas quentes que estava sobre o prato. — Viu, viu o que você fez! — Ela se virou, observou que Daniel apenas ria. — Vai ficar ai parado rindo! A toalha de mesa manchou de mostarda e é culpa sua... — Daniel a puxou pela cintura novamente. — M-me solta. Me solta! — Ela lhe dava alguns socos no peito, socos fortes, enquanto tentava se soltar.

Jamais pensou que Daniel a pegaria desse jeito, pelo menos não agora, depois da separação deles. Sempre foi o tipo de cara ‘’calmo’’ e sempre a respeitou. — Eu vou pisar no seu pé! Estou te avisando! Me larga!

– Porque faz isso comigo, Julie? Porque me deixa enfeitiçado assim por você? — Agora ele beijava seu rosto. No inicio ela tentou se esquivar, mas achou melhor ficar com o rosto parado, assim os beijos nas bochechas não se transformavam em beijos nos lábios.

Porém, ele foi descendo os beijos chegando no pescoço, sua pele se arrepiou com o toque, seu coração disparou e Julie sentiu uma adrenalina incomum dentro de si. Fechou os olhos e sem pensar pousou suas mãos na nuca dele. Brincando com os seus cachos dourados. Daniel sorriu fracamente, ambos estavam sendo guiados pelo desejo. Agora os beijos se aprofundaram, ele mordia e marcava seu pescoço com chupões. Subia os beijos até o rosto, as bochechas, nariz, testa, queixo e... Seus lábios se encontraram. Sentiram um colapso quando suas línguas se tocaram. Aquele simples toque foi o suficiente para Julie abrir os olhos, percebeu naquele beijo o que não sentia nos outros.

Se afastou.

– Você bebeu. — Disse com certeza. Limpando seus lábios com a manga do casaco. Tentando, sem sucesso, tirar o gosto amargo da bebida na sua boca. — A Nanda. — Julie estava atordoada, pensava no beijo que acabou de acontecer. — A-as pizzas. — Pegou o prato com os pedaços de pizza, já um pouco mornas. Passou trêmula pelo rapaz que não tirava os olhos de Julie, como se quisesse ler sua alma.

Felizmente a menina estava na sala, distraída com a TV. Julie sorriu com isso. — Aqui está suas pizzas. — Julie lhe entregou o prato. — Vou pegar um refrigerante para você, tá?

Voltou para a cozinha. Viu que Daniel ainda estava lá, parado, no mesmo lugar. Com um sorriso torto estampado nos lábios.

Isso a causou arrepios. — O que ainda faz aqui? — Perguntou em sussurro. — Vai pra casa e aproveita sua ressaca amanhã.

– Só bebi seis latinhas.

– Já é o suficiente para ficar bêbado, te conheço.

– Foda-se. — ‘’Viu, está até chingando. Com certeza está bêbado. ‘’ — Pelo menos, quando eu fico bêbado. — Segurou seu rosto. — Eu tenho mais atitude e você gosta.

Ela se soltou. Sentiu raiva. — Gosto? Aqui que eu gosto! — Pisou com força no pé do ex. Com tanta força que sentiu seus dedos se estalarem.

Daniel engoliu o grito. Mas fez uma expressão de dor. Levou a mão ao rosto. — Filha da... M-mãe.

Julie pegou o refrigerante na geladeira, voltou para a sala e deu a lata para Nanda, que ainda estava na primeira pizza. — Come tudo. Eu já volto. — A menina só assentiu, completamente enfeitiçada pelo desenho infantil.

Ela retornou a cozinha. Puxou a mão de Daniel. No fundo, se sentiu triste com o beijo, afinal, descobriu que ele estava bêbado e amanhã pela manhã ele já não lembraria disso... Mas ela... Não poderia dizer o mesmo, ia pensar nesse beijo. Talvez chegaria a pensar que os dois ainda se amavam. Julie o levou para os fundos. Estava frio, ela cruzou os braços, mesmo usando casaco, não a aquecia completamente. — Vem cá... — Daniel tirou seu blazer. Apesar de estar bêbado, ainda era um cavalheiro.

– Não. — Se afastou. — Não quero seu blazer, só quero que você vá embora.

– Eu vim falar com a Bia.

– Eu digo à ela que você veio aqui.

– …

– Vá embora.

Daniel abaixou a cabeça. Ela suspirou, não gostava de gritar ou ser grossa com ele. — Só acho que você não deveria beber e... — Olhou para a calçada. — Você está de moto?!

– Qual é o problema?! Você não gosta de moto mas eu gosto!

– Você bebeu! Não pode dirigir uma moto! É perigoso!

– Não posso mas já dirigi! Vim da casa da Thalita até aqui! É um percusso perigoso mas consegui! Vim aqui só para falar com a Bia mas não encontro ela, encontro você! E você me trata com a maior ignorância! Eu te beijo! Eu te abraço! Tento te dar o meu blazer! Eu cuido de você!

A gritaria cessou assim que Julie perguntou. — Thalita?

– Eu disse outra coisa. — Coçou a nuca.

– Ouvi muito bem o que disse! Entendi porque ela estava tão alegre esses dias. Estão juntos.

– Na verdade, não! E-ela tem tudo em mente, fala mal de você, me coloca pilha e me faz beber, eu aceito as bebidas e depois ela me leva pra cama.

Julie o encarou boquiaberta.

Os homens poderiam mostrar todos os defeitos quando estão bêbados, mas... Eles sempre são sinceros. Ela sabia que aquilo era verdade. Afinal, sua versão sóbria não diria nada disso... Ela caminhou em direção a porta. A fechou e trancou com as chaves. A porta era de vidro. Dentro da cozinha, Julie ainda via Daniel. O loiro bateu no vidro da porta. — Abre! — Pediu, mas ela apenas cruzou os braços. — O que eu e ela temos é só um rolo. Não é amor! Está me escutando? NÃO É AMOR! — Batia com força na porta, em tempo de quebrar o vidro temperado.

‘’ E se cortar com os vidros... ‘’

– PARA DE BATER NA PORTA! — Julie gritou de volta. — Daniel, PARA! — Ele continuou batendo mais, até que parou aos poucos, agora não tirava os olhos da sua mão esquerda. — Você se cortou?! — Julie ver, pelo lado de dentro, se tinha algum corte. — Daniel! Responde! Se cortou?!

Daniel engoliu em seco. Deu mais uma olhada para a morena antes de descer o degrauzinho e ir em direção a calçada.

Julie destrancou a porta, correu e pegou sua mão. Eles se encararam. — Estou bem, só o vidro que é bem duro e minha mão está dolorida. — Respondeu sério.

Ela deu mais uma olhada nas mãos dele, realmente, estava tudo bem. O soltou. — Tá. — Suspirou. — Vai pra casa, dirige com cuidado e descansa.

– Sei o que fazer. — Sussurrou.

Se olharam novamente antes de cortar o olhar. Julie cruzou os braços, sentindo o frio da noite, caminhou lentamente até a porta de vidro dos fundos e entrou.

[...]

– Viu. — Ela ajeitava Nandinha na cama, a cobria com o edredom. — O jogo de caminhada foi muito divertido, não foi?

– Foi sim tia! Gostei muito da parte que nós falamos algo juntas e você bateu na madeira! — A menina riu. — Porque isso?

– Não liga não. — Sussurrou. — É só besteira.

– Queria que o tio Daniel ficasse também, ia ser muito legal. — Sorriu, animada. — Ele sempre perde na caminhada da Hello Kitty. — Sussurrou.

Riram juntas.

Até que ouviram uma voz. — Oi minhas lindas. — Era Bia.

– Oi mamãe!

– Oi amiga, como foi o jantar?

– Ah, foi ótimo. — Sorriu. — Mas o Félix bebeu de mais.

– Ai... — Julie balançou a cabeça. — Ele não foi o único que enxeu a cara hoje.

– Como assim?

– Daniel veio aqui. Ele estava bêbado.

– N-não... De novo?

– E ele veio de moto.

– Ele é louco?!

– Eu falei que era perigoso. Ele disse que queria falar com você.

– Tá bom. — Bia assentiu. — Mais tarde dou uma ligada para ele. Obrigada amiga, por cuidar da Nanda.

– Agora só falta a história de dormir! — Nandinha sorriu.

– Fernanda! Filha, não seja mau educada! Devia agradecer pela Julie ficar aqui com você. Brincaram muito?

– Muito mamãe! Obrigada tia!

– De nada. — Julie sorriu. — Bem, já está tarde, acho melhor eu ir...

– Eu te levo Juh, o carro ainda está lá fora.

– Tia, antes de ir. Pode me fazer um favor? — Fernandinha pediu.

– Huh, claro. O que?

– Me conta como você e o Daniel se conheceram! Sempre quis ouvir essa história, mas a mamãe nunca me contou!

Julie e Bia se entreolharam. — Filha, isso não é certo. Eles não estão mais juntos, não é bom relembrar o passado. — Sussurrou. — Não é Juh?

– É. — Suspirou, mas as duas viram Nanda triste. — M-mas... Qualquer dia desses eu te conto! Até porque... Você está na história!

– Estou? — Dessa vez sorriu. — Eu não me lembro.

– Claro, você ainda estava na minha barriga. — Bia explicou. — Agora está tarde, é hora da mocinha ir dormir. — Ela apagou as luzes.

As duas saíram do quarto. Desceram as escadas. E entraram no carro.


Notas finais
oooi, e ai? Gostaram? O próximo capitulo já vai ser sobre a história deles, como se conheceram e porque toda essa rivalidade entre a Thalita e a Julie.
Comentem! Beijos!