Corações Feridos
42 Como tudo começou.
Notas iniciais
Juliana chegou em casa por volta das três da madrugada, por alguma razão não conseguia esquecer o desejo de Nandinha. Ela queria ouvir a história de como ela e Daniel se conheceram.
A morena suspirou, indo até o seu quarto e se deitando na cama, porém, não dormiu. Não conseguia. Apenas pensava na história do seu grande amor.
~ Flash Back: On ~
Tinha seus quinze anos de idade quando passou do ginásio para o segundo grau. Uma nova escola. Pior... Uma escola particular. Era como um campos de faculdade. Era enorme, tinha campo de futebol, quadra de basquete, piscina, armários...
Na sua nova escola, Juliana tinha tudo. Menos amigos.
Como o colégio era particular, Julie achou todos os alunos muito ‘’metidos’’. A maioria das garotas eram patricinhas, do tipo que andava sempre com um lixador de unha nas mãos.
Ela se sentia sozinha por não ter amigos. Também... Nunca tentou conquistar a amizade de ninguém naquele colégio. Estava na sua adolescencia. Época de pensamentos e rebeldia. Nesse tempo, Julie se perguntava sobre a separação dos seus pais. Desde pequena sentia falta da sua família unida, apesar de ter sempre sua mãe ao seu lado, e ver seu pai só de vez em quando...
Era por isso que não fazia amigos, preferia se isolar do mundo a ter que se magoar por perder alguém que ama, afinal, sabia que amizade não era eterno, tão pouco o amor...
Já tinha se passado um bimestre, e desde então, Julie não achou amigos. Era a mais ‘’destacada’’ da sala por se sentar no fundão e não falar com quase ninguém.
As meninas da sua sala não a suportavam e Julie retribuía esse sentimento, também não gostava delas mas preferia ficar na sua... Sabia que as colegas de classe sempre fofocavam sobre ela e o seu jeito... ‘’diferente’’ de ser. Mas ela simplesmente não ligava. Não se importava com nada.
- Porque não tenta falar com ela? — As garotas comentavam sobre Julie, a mesma ouvia, apesar de estar afastada.
Aquele era o pior grupinho da classe. Três meninas, todas patricinhas. Duas morenas e uma loira.
- Eu? Eu conversar com ela? Para quê? — A loira riu. — Hello, eu sou a garota mais popular do colégio, não preciso fazer amigas. As amigas vêem até mim. — Dizia se vangloriando. — Acha que eu, Thalita Fortuna, andaria com uma garota dessas?
A amiga que lhe fez a pergunta já se sentiu arrependida, viu que Juliana olhava em direção delas. — Thalita, fale mais baixo. — Ela sussurrou.
- Pra quê falar mais baixo? Eu quero mesmo é que ela escute! — Pausou. — Eu jamais me vi andando com ela. Minha reputação ia se acabar! — Se aproximou das duas amigas e dessa vez, sussurrou. — Ela é a garota mais estranha do colégio. — Bom, pelo menos ela achou que estava sussurrando.
Mas na verdade, a metade da sala ouvia a conversa. Inclusive o professor, que se levantou de sua mesa e caminhou em direção as três meninas. — Thalita, tem algo para dividir com a classe? — O professor perguntou sem nenhum pingo de paciência.
A loira apenas balançou a cabeça, negando.
Se livrou de uma bronca assim que o sinal bateu, segundos antes do professor lhe chamar a atenção.
Todos da classe se levantaram, pegaram suas mochilas e suas coisas e saíram para o recreio.
Mais uma vez, Juliana optou em ficar dentro da sala. Aproveitava a paz e o silêncio para ler o livro que pegou na biblioteca semana passada, ainda estava no capitulo vinte e nove.
Nos primeiros dias ela não se importava tanto com os comentários das garotas, mas agora passava a ligar mais... Afinal, já se passou o primeiro bimestre, chegaram no segundo, ou seja, quase no meio do ano... Até quando vão continuar? Quando vão parar? Quando ela fará amigos?
O tempo passou rápido, Julie suspirou e fechou seu livro quando ouviu o sinal bater.
As primeiras a chegarem na classe foi Thalita e suas amigas, que mais pareciam suas servas. Elas gostavam de chegar primeiro, gostavam do silêncio também, gostavam pois poderiam fofocar em paz.
- Ah, ela tá aqui... — Julie ouviu Thalita resmungar ao entrar na sala, sabia que era sobre ela, mas não respondeu. Continuou calada.
As três se sentaram distante da garota. Voltaram a conversar e sobre o mesmo assunto do recreio: Daniel.
- Ainda não sei que presente vou dar a ele, meninas. — A loira suspirou. — Vamos fazer oito meses de namoro e eu estou tão feliz. — Sorriu. — No mês passado ele me comprou um mp4, ele não é de mais? — As duas amigas concordaram com a cabeça.
Thalita levantou o olhar para a morena no canto da sala. — É incrivel como essa garota é tão anti-social, não sai da classe, não faz amizades, passa o dia todo lendo... — Revirou os olhos. — A vida dela é uma porcaria, não tem amigos, nem namorado... Não tem ninguém que se importe com ela.
‘’ Já chega. ‘’ — Juliana pensou, se levantando. Alguns alunos entravam para a sala, enquanto Julie recolhia seu material, passou por todos.
- Onde vai? — O professor perguntou, segurando seu ombro.
- Não me sinto bem, professor. Vou para casa. — Disse sem lhe da muitas explicações, ela passou por ele e saiu...
Corria apressada pelos corredores. Estava chateada com a sua vida... — Porque tanto bullying? D-etesto esse colégio... — Reclamava, ainda passando pelos corredores. — Ainda tá para nascer garota mais insuportável que essa Thalita Fortuna...
- Oi? — Um rapaz parou na sua frente.
O coração de Julie disparou, era ele. Sua paquera secreta... Infelizmente ele era um ano mais velho... E não era da sua classe.
Ela acordou dos pensamentos e viu o rapaz rindo. — Não ouviu? Estou te perguntando? Acorda.
- A-ah. — Sorriu fracamente. — O q-que?
- Porque acha a Thalita insuportavel?
- Ué... P-porqu-e... — Ele a encarava com um olhar fixo na sua expressão. Ele olhava bem no fundo dos seus olhos, a deixando nervosa. — Po-rq-ue eu a-cho.
- Hm, tudo bem que ela não é muito simpática, mas não gosto que falem assim da minha namorada. — Disse e continuou andando.
Já ela, ficou parada no corredor.
Aquilo foi um choque... ‘’ Já vi que vou precisar de uma nova paquera. ‘’ — Pensou, angustiada. ‘’ Do que adianta ter tanta beleza, se no fundo é um arrogante... ‘’ — Sentiu uma vontade de chorar, mas se controlou.
[...]
- E então ela virou pro professor e disse ‘’ Não me sinto bem professor, vou para casa. ‘’ — Thalita gargalhou. — Amor, a cara dela foi a melhor. — Continuou rindo.
- Até hoje você não me mostrou quem é essa garota. — Daniel comentou.
- Você deveria me agradecer por isso, não ia gostar de conhece-la.
- Porque não?
- Dani... — Disse meio que o repreendendo. — A garota é muito estranha.
- Porque é estranha? — Perguntou, sem esperar resposta. — Tem três olhos? Quatro pés?
- Lógico que não. — Riu.
- Porque não me apresenta a ela? Queria saber quem é a esquisita.
- É da minha sala, se chama Juliana.
- Hm.
- E... Eu não te apresento a ela porque... Mesmo ela sendo estranha... É... bonitinha... — Pausou, levantando o rosto para o namorado. Pegou seu braço e o fez abraça-lá pela cintura. — E eu não sei se gosto de concorrência.
- N-não entendi.
A loira revirou os olhos. — Ai, Dan. Estou falando que outro dia vi ela olhar muito para você... Não sei, talvez ela goste de você... E como ela é bonita... Você... Pode gostar dela. — Thalita sempre teve ciúmes do namorado, até mesmo com suas melhores amigas.
- Eu acho que a estranha do colégio é você. — Pausou. — Porque acha que eu ia gostar de outra? Ainda mais essa... Garota aí. — Beijou seu rosto, mas Thalita se virou e trocaram um selinho no corredor.
Desceram as rampas do colégio, foram para o campos. Era o recreio e aproveitaram o dia bonito e ensolarado para passarem a manhã juntos.
Faltava só três semanas para o aniversário do namoro deles e para Thalita aquela era a melhor noticia do mundo. Estava feliz. Completamente feliz.
Passaram a maior parte do recreio juntos. Andavam de mãos dadas, abraçados. Se sentaram no gramado do campos, um pouco afastados dos de mais alunos para trocar carinhos.
Mas o namoro não durou muito. Logo Thalita avistou suas amigas correrem em direção ao campos, quase tropeçando em seus próprios pés, já que só andavam de salto alto.
- Thalita, você não sabe! — Uma delas disse, eufórica.
Aquelas quatro palavras fizeram a loira arregalar os olhos. ‘’ Fofoca! ‘’ — Pensou.
- Falem logo! Falem! — Pediu ansiosamente, Daniel só revirou os olhos.
- A gente tem um babado fortíssimo sobre a Bia! — Dessa vez Daniel arregalou os olhos. — Estão falando que ela está grávida! E o Félix é o pai!
- Nossa! — A loira estava de queixo caído. — Mas que vac-- Ia xingar Beatriz, porém Daniel estava por perto. — Que vacilo...Dan! — Disfarçou. Ele sabia que as duas não se bicavam muito bem. — Nem pra me contar né? Você sabia disso?
- Lógico, mas não gosto de fofocas. Muito menos sobre a minha irmã. — A cortou.
A loira deu um sorrisinho sem graça. — Amor. — Ela lhe deu um beijo rápido. — Mais tarde a gente se fala, preciso ir... — Se levantou, quase tropeçando com o salto também. Correu com as amigas, se afastando do namorado.
Ele bufou. Não gostava quando Thalita falava mal da própria cunhada. Bia não ia muito com a cara da sua namorada. ‘’Queria que elas fossem amigas... ‘’ — Pensou, se levantando.
Não sabia muito bem para onde ir, deixou de jogar futebol para ficar com a namorada e acabou que ficou sem os dois.
Resolveu ir beber água. Detestava o gosto de anil do gloss da Thalita.
Julie desceu segurando seus livros, passou quase o recreio inteiro dentro da sala de aula, apenas lendo. Mas decidiu dar uma decida para molhar a garganta com uma água bem gelada do bebedouro.
Ela se engasgou com a própria saliva ao ver que alguém já ocupava o seu lugar. Ficou parada ali, só observando. Até que Daniel se virou.
Viu a garota atrás dele, séria. — Que susto. — Ele sussurrou.
- Obrigada. — Rosnou. — Dá licença, quero beber água.
- Hm, a vontade... — Se distanciou do bebedouro. — Você... Não é aquela garota que não gosta da minha namorada?
Julie terminou de beber e se virou para ele. — E você é o namorado da garota que não gosta de mim. — Pausou. — Para sua informação, ela é quem não gosta de mim. Até hoje não entendi o por quê. Nunca fiz nada contra ela... — Se virou, já andando.
Mas Daniel segurou seu braço. — Você é aquela garota estranha?
Seu sangue ferveu, ela se soltou bruscamente. — Para de achar que sou estranha, DROGA!
- Ui, mas que esquentadinha.
- Não sou esquentadinha, não sou estranha. Pare de me julgar sem me conhecer.
- Não sou eu quem digo isso. É a Thalita. — Pausou. — Nem sei se ela está falando de você... — Ainda não conhecia a garota. Por isso, Daniel não tinha certeza.
- Sim, é de mim. Ela me detesta sem motivo algum! A única coisa que eu faço é me sentar na cadeira e prestar atenção na aula, ou ler um livro! Nunca falei com ela, nunca! E se parar para pensar, ela que é a estranha! Fica implicando com pessoas que não conhece!
- Você é bonita. — Interrompeu.
Julie se acalmou, não acreditava naquelas palavras... Talvez tenha escutado mau. — O que?
- Você é bonita. — Pausou, ela o encarava tentando não sorrir. — É só... Soltar o cabelo, passar mais maquiagem... Que... fica mais linda ainda. — Daniel balançou a cabeça. — É por isso que ela implica com você. Ela... Detesta concorrência.
- Então você... — Dessa vez ela sorriu, deu um sorriso lindo, que encantou Daniel. — M-e... Ach-a bonita? É isso? Me acha mesmo bonita?
Ele ia responder, mas viu Thalita se aproximar, Julie estava de costas, por isso não a viu. Certamente Thalita escutou a pergunta de Juliana. — Hein? — Ela insistia. Enquanto Daniel não tirava os olhos de Thalita, a loira apenas cruzou os braços. Também esperando a resposta.
- Não. Não acho.
Julie desfez o sorriso. Já Thalita fez o contrário. Sorriu alegremente com a resposta do namorado. Daniel se virou e entrou no banheiro masculino.
Notas finais
Em fim, comentem para eu ter inspiração e escrever o próximo! Beijos!
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