Seu mundo desmoronou ao ouvir a resposta da namorada. Daniel se esforçou para conseguir comprar duas alianças de ouro e estava realmente surpreendido com a resposta tão fria de Julie. Ainda não tinha acreditado naquilo, seu coração se partiu ali. Afinal, ele gostava muito dela.

– Hã? — Daniel guardou a caixinha. — Não quer se casar comigo?

– Claro que eu quero, é o que eu mais desejo. — Ela disse imediatamente. Mas Daniel continuou intrigado.

– Então porque não aceitou? V-você... Nem ao menos olhou para a aliança.

– Desculpa amor. — Carinhou seu rosto. Ele voltou a dirigir calado, felizmente a casa de Julie era perto do colégio. Apesar de ser maior de idade, ela ainda morava com os pais.

Daniel saiu do carro, Julie saiu junto e o abraçou imediatamente, conhecia seu namorado e sabia que quando Daniel estava muito calado é porque não estava bem. — Eu sei que você não quer se casar comigo não é... É um passo muito grande... E... De repente você ainda não está preparada.

– Não diga isso, eu já falei que quero me casar sim com você. — Segurou sua mão. — Vem, entra... — Ele entrou e os dois se sentaram no sofá, Julie ligou a TV e assistiram um filme. No meio do filme ela se levantou e pegou uma coberta. A chuva estava forte e o frio, intenso. Ela se sentou no colo do namorado e cobriu os dois com o edredom, Daniel a abraçou. Ele a amava muito, a amava mais do que qualquer coisa. Mas do que a si mesmo.

Juliana ria, distraída com o filme de comédia romântica. — Se quer se casar comigo porque não aceitou? — Daniel perguntou novamente, ansioso por uma resposta e uma explicação melhor.

– Arg. — Revirou os olhos, se deitando no peito do namorado, ainda no seu colo. — Quer a verdade?

– Quero.

Ela suspirou. — É que estava chovendo...

Ele a olhou intrigado. — E daí?

– Ah... Minha mãe diz que isso trás... Tipo... Má sorte. — Respondeu corando. Julie sabia que Daniel achava isso tudo uma grande besteira.

– Olha Juh, eu adoro a minha sogra. Mas... Ela é completamente paranoica! Você não deveria acreditar nessas coisas, é tudo bobagem.

Ela ficou calada, Julie também achava isso, mas... — O casamento dos meus pais não durou muito tempo, eu pensava que não tinha dado certo porque os dois se casaram muito cedo. — Pausou, se deitando mais sobre ele. — Mas ai a minha mãe disse que foi a chuva que estragou. — Olhou para Daniel. — Eles fizeram a cerimônia ao ar livre, ela molhou o vestido... E o bolo... — Suspirou. — Sei lá, parece que faz sentido.

– Vocês duas me fazem rir. Isso não tem absolutamente nada a ver, nada.

– Só acho que é tipo... Coincidência de mais.

Ele a abraçou, Julie afundou seu rosto mais no peito dele, sentindo o cheiro delicioso do seu perfume, o cheiro que ela mais amava. Daniel lhe deu um beijo na testa. — Preciso ir.

– Tá bom. — Suspirou.

– E olha. — Segurou seu queixo. — Não quero que acredite nessas coisas, foi apenas coincidência. Nada disso vai acontecer. Se aceitar se casar comigo seremos felizes para sempre. — Lhe deu um rápido selinho e se levantou.

[...]

No dia seguinte os dois andavam pela rua de mãos dadas. Daniel beijava a mão da namorada a cada cinco minutos, Julie sorria, com suas bochechas vermelhas como tomate. — O que foi? — Perguntou rindo.

– Nada, só estou feliz. — Olhou para ela e lhe deu um beijo no rosto. Julie realmente estranhava o seu jeito já que Daniel não estava muito carinhoso, nem muito romântico esses dias.

Na verdade Juliana estranhava a atitude do namorado a duas semanas atrás. Ele saia mais de duas vezes na semana com ela, estava sempre elogiando seu cabelo ou sua roupa e até mesmo pediu em casamento. — Fala logo. — Pediu.

– Tá. — Ele cedeu. — A duas semanas fui procurar um emprego, e ontem quando eu estava chegando em casa, abri a caixa do correio e encontrei uma carta. — Julie ouvia com atenção. — Arrumei meu primeiro emprego!

– Ah! Sério?!

– Sério amor!

Ela não conteve a felicidade, abraçou Daniel pela nuca, ele retribuiu na mesma hora, mesmo sendo na rua. Os dois estavam felizes com a noticia. — E olha que não é um emprego ruim, vou ter meu próprio escritório!

Ela desfez o sorriso. — É aqueles empregos que você precisa passar o dia todo na sua sala, usando um terno e teclando no computador?

– Basicamente isso. — Ainda sorria. — Porque?

– Geralmente esses empregos exigem mais uma pessoa ajudando, uma... Secretária. Aquelas mulheres elegantes de terno feminino, cabelinho preso, sutiã de enchimento e salto alto. — Amarrou a cara.

Mas aquela frase só fez Daniel sorrir ainda mais. — Juliana Castellamare de Almeida, está com ciúmes?

– Castellamare? Não tenho o seu sobrenome.

– Mas vai ter assim que nos casarmos. — A abraçou de novo. — Vamos, não fique com ciúmes. Fique feliz, já vou ter um emprego. Vou poder te sustentar.

– Tá. — Sorriu com a ideia. — Eu estou feliz. — Pegou o braço de Daniel e envolveu no seu ombro. Entrelaçaram seus dedos e continuaram caminhando. — Estou ansiosa também, você não foi o único a ir atrás de um emprego.

– Você foi também?

– Claro! Mas a minha carta ainda não chegou. — Disse chateada, Julie esperava por isso a mais ou menos duas semanas também, se preparou para a prova e estava confiante de que acertou todas as questões.

Os dois continuaram passeando, até que chegou a hora da Julie ir para casa. Daniel foi com ela, mas não poderia ficar por muito tempo já que prometeu que cuidaria da sua irmã mais velha, Bia. Que estava doente. Os dois caminhavam, Juliana viu o correio guardando algumas cartas na caixa de correspondência dos seus pais. Ela correu, soltando-se dos braços de Daniel. Atravessou a rua sem ao menos olhar. Estava ansiosa. Abriu desesperadamente a caixa de correspondência, procurando uma carta com o seu nome.

Daniel atravessou a rua e parou na sua frente, o mesmo também estava animado com o resultado.

Julie sonhava com o seu primeiro emprego. Sorriu para Daniel e agarrou sua nuca, o beijou com vontade. Ele ficou surpreso com o selinho demorado, mas retribuiu. — Só para dar sorte. — Ela disse e foi abrindo a carta.

Começou a ler, porém, suas esperanças foram destruídas nos primeiros versos. — E ai? — Daniel perguntou ansioso.

Ela guardou a carta no bolso. — Não consegui o emprego. — Disse completamente desanimada. Deixou Daniel ali e entrou dentro de casa, sorte que sua mãe ainda não tinha chegado, já que Julie odiava compartilhar noticias tristes, sempre fora uma pessoa muito alegre. Apesar de ser pessimista e acreditar na tal sorte ou azar.

– Julie! Espera! — Daniel entrou também, viu Juliana indo em direção a cozinha. Ele a seguiu. — Não fica assim. — A abraçou por trás.

– Impossível não ficar chateada, sabe o quanto eu me dediquei? Aquele emprego ia me ajudar muito! — Reclamou.

– Talvez na próxima você consiga...

Ela abaixou a cabeça. — Você não entende, sou maior de idade e ainda moro com a minha mãe. Queria ter uma casa.

– Eu tenho uma casa, vem morar comigo. — Pediu segurando delicadamente seu rosto.

– Daniel, você tem um apartamento, e ainda é alugado. Eu quero uma casa própria e com o meu salário eu ia conseguir... Que droga. — Balançou a cabeça. — Não sei em que errei, estudei tanto para a prova, estava até fácil...

– Não se torture assim...

– Diz isso porque já tem um emprego. Eu pretendia receber os resultados essa semana, mais precisamente hoje.

– Não gosto do seu jeito calculista.

– Como assim?

– N-não gosto como você controla sua vida. Pretendia receber o resultado essa semana, se não fosse nessa semana você ia pirar... — Ela ficou calada. — Acho que você não deveria ser tão controladora.

Ela bufou. — Do que está falando?

– Eu sei que você tem uma lista de tudo que faz ou pretende fazer. Aposto que o emprego estava na lista.

– Claro que estava.

– Viu, você tem uma lista. — Cruzou os braços.

– Só sou muito organizada. — Revidou, mas não gostava quando Daniel tocava nesse assunto. — Vai cuidar da sua irmã, vai, ela está doente... — O empurrou.

– Não, a Bia pode esperar. Vou ficar aqui com você. — Segurou seu queixo.

– Não sei porque... Não gosta de mim. — Revirou os olhos.

– Eu não disse isso, só disse que não gosto de quando você controla seus próprios passos. — Pausou. — Acho que você é a única pessoa que troca sua escova de dentes a cada duas semanas e três dias.

– Isso... Faz parte da minha higiene, só isso. — Abaixou a cabeça.

– E o dia que você anotou na sua lista que compraria um vestido azul no dia cinco do mês passado? — Dizia. — Você tinha anotado isso a cinco meses atrás, mas quando chegou no dia cinco você comprou um vestido azul.

– Isso não está me fazendo sentir melhor. — Cruzou os braços.

– Desculpe. O que eu quero dizer é que você não pode controlar tudo, as coisas tem que acontecer naturalmente. — Segurou sua mão e beijou seu rosto. — Me diga, eu te faço feliz? — Perguntou.

– Claro que faz. — Juliana respondeu sorrindo. — Porque?

Ele soltou sua mão e pegou a caixinha de camurça, o sorriso da garota foi aumentando. O dia estava ótimo e o momento estava perfeito para o pedido. — Quer se casar comigo?

Suas bochechas coraram. — Claro que quero.

Daniel sorriu e pegou a aliança. Tinha até o nome dos dois gravado. Era uma aliança de ouro. Pegou e colocou no dedo de Julie, ela fez a mesma coisa com ele e os dois se abraçaram.

Notas finais
Me digam oque estão achando, é a primeira fic que faço já com os dois sendo um casal. Está ruim?