Corações Feridos
3 Confiança é tudo.
Três meses depois, Julie e Daniel eram noivos.
Ambos estavam felizes com o casamento, principalmente Julie. Ela não parava de pensar que sua vida estava perfeita. Afinal, se casaria com o homem que mais amava no mundo. — Estou tão feliz. — Ela dizia enquanto caminhava. — Mas tão nervosa também. — Quase roeu suas unhas feitas.
Julie e Bia andavam pelo shopping. Além de ser sua cunhada, Beatriz também era sua melhor amiga. O que deixava as duas mais livres para falarem de Daniel. Bia sabia muita coisa do irmão mais novo, sempre contava para Julie. As vezes era coisa boa, outras vezes nem tanto. — Então ele não gosta da sua comida? — Julie perguntou. — Mas você cozinha tão bem amiga.
– É, mas ele não gosta. O Daniel é muito exigente. Principalmente com as coisas que eu faço.
– Se ele reclamar da minha comida, eu mato ele.
Bia riu de nervoso, sabia que Julie não estava brincando. — Relaxa, talvez ele não goste da minha porque é coisa de irmão... Ele te ama, vai gostar de tudo que você faz.
– Hum, tudo bem Beatriz, você me convenceu. — As duas riram, ainda andando pelo shopping. — Vou me casar daqui a um mês e ainda não comprei meu salto e meu vestido.
– É por isso que estamos no shopping. — Avistou uma loja de marca. — Vem. — Puxou o braço de Julie e as duas entraram.
Elas estavam encantada com os vários vestidos, cada um era mais lindo do que o outro. Juliana estava indecisa, a cada dois vestidos gostava de três. — São lindos, mas muito caros. — Observou lendo a etiqueta.
– Mas não é alugado. É comprado. É bem melhor.
– É, você está certa. — Pausou. — Mas não sei se me sinto bem gastando o dinheiro do Dan. Ele trabalha tanto...
– Ah Julie, para! O Daniel vai fazer uma festança de casamento, acha que ele está economizando?
– Tá bom então. — Sorriu e foi procurando um vestido. Acabou encontrando vestido perfeito. Seus olhos brilharam ao vê-lo, Beatriz também estava quase babando com aquele vestido de noiva.
'' Queria me casar de novo com o Félix só para usar esse vestido. '' — Bia pensava, encantada. — É esse, não é Juh?
Ela ainda olhava boquiaberta para o vestido. Era todo branco, tinha detalhes de pedras nas costas e no busto, dando um toque especial. Era longo atrás, mas encurtava na frente. Deixando as pernas à mostra. As duas quase babavam em cima do vestido. — Leva. — Bia incentivava. — É perfeito.
– E caro. É mais de 800 reais.
– O Daniel não vai nem ligar para o dinheiro quando te ver usando esse vestido. — Disse Beatriz, tocando nas pedras incrustadas.
As duas voltavam para casa, Julie dirigia o carro enquanto Bia colocava as sacolas de compra no banco de trás. O trânsito estava intenso, e as duas acabaram presas entre os outros carros e o engarrafamento. Estava um tédio, até mesmo com o rádio ligado as duas não conseguiam se divertir. — E ai, me conte mais sobre o Daniel. — Julie se virou para a Bia. — Como foi os outros relacionamento dele?
– huh, quer mesmo saber? — Bia perguntou fazendo uma careta.
Juliana nunca tinha feito essa pergunta para a Bia. Mas sempre quis fazer. — Quero muito.
– Bom, ele só teve duas namoradas. Você... E...
– E??
– Quando ele tinha dezesseis anos... Ele namorou a Thalita.
– Dezesseis anos? Mas foi nessa época que nos conhecemos e começamos a ficar!
– É, ele namorava a Thalita.
– Espera. — Pausou. Pensativa. Na sua mente veio o rosto de uma garota loira, patricinha e petulante. — Aquela mulherzinha? Ele já namorou aquela mulherzinha eu sei... Mas... ENQUANTO ESTAVA COMIGO?!
– Calma Juh. Respira. E-ele... Terminou com ela depois. Ele se apaixonou por você.
Ela continuou de cara feia, nunca gostou da Thalita. Thalita era muito atirada e sempre teve inveja de Julie, por ter ganhado o amor do Daniel. — Porque ele nunca me contou? — Sussurrou chateada.
– Ah Julie, naquela época ele andava muito com o Martim... Sabe como o Martim era né, pegava todas.
– Tá, tá bom... — Voltou a dirigir assim que o trânsito melhorou.
[...]
Enquanto isso, Daniel estava em casa arrumando suas coisas para o trabalho de amanhã. Enquanto arrumava, também pensava na Julie que passeava com sua irmã. Estava tenso, sabia que Bia não tinha papas na língua e falava tudo para Julie. Estava com medo de Julie descobrir algo ruim sobre ele e eles acabarem brigando. Ele detestava brigar com a namorada, afinal, ele a amava mais do que tudo.
Mexia em alguns papéis até que sentiu o bolso da sua bermuda vibrar. Era seu celular: Ele o pegou, viu no visor um número que não conhecia. Mas atendeu. — Alô?
– Oi, e ai Daniel! – Mas a voz ele reconhecia. Até ficou em choque, não falava muito com essa pessoa e estava surpreso com a ligação.
– Oi Nicolas. — Disse depois de um tempo. — Como é que vai?
– Vou ótimo. — Pausou. — E eu nem preciso perguntar como você vai... Não é?
– Hum. Como assim?
– Você sabe... Vai se casar, fiquei sabendo pelo Félix. Vai casar com a Julie.
– É, vou sim. Algum problema nisso?
– Não. Pelo contrário, quero que vocês dois sejam muito felizes.
– A tá, obrigado. — Respondeu com uma certa indiferença. — Eu estou um pouco ocupado agora...
– Ah, claro. Eu posso falar com a Julie?
– Ela não está.
– Então mais tarde eu ligo.
– Hum. — Daniel desligou.
Continuou arrumando seus documentos na sala, até que ouviu algumas risadas femininas vindo do corredor do apartamento. As duas abriram a porta carregando algumas sacolas de compras. Mas assim que viram Daniel pararam de rir, Julie foi a primeira a ficar séria. Ele se levantou sorrindo, pegou as sacolas de compras das mãos de Julie. E se aproximou para beija-lá, porém, ela virou o rosto. — Como foi as compras? — Daniel perguntou para Bia, ele percebeu o jeito estranho de Juliana mas tentou disfarçar.
– Foi boa, gastamos 850 no vestido. — Beatriz respondeu.
– SÓ NO VESTIDO?! 850 REAIS?!
– Você não gostou? — Julie se intrometeu. — Eu vou lá e troco agora.
– Não amor. — Ele sorriu. — Não precisa trocar, tenho certeza que comprou o vestido mais lindo. — Pausou. — E eu pago até um milhão só para ver esse sorriso lindo.
– Hum. — Julie foi para cozinha beber água.
Nisso, Daniel puxou Beatriz para um canto. — O que você falou pra ela? — Perguntou entre dentes.
– Nada de mais.
– Eu te conheço Beatriz, sempre que vocês saem juntas eu e a Julie brigamos.
– Mas ela não brigou com você.
– Mas vai brigar. — Cruzou os braços.
– Tá... Eu só disse que você... Ficou com a Thalita uma vez, enquanto estava com ela.
– Porque disse isso?! — Estava indignado. — Ela não gosta da Thalita.
– Eu disse porque ela me perguntou. O que queria que eu fizesse?
– Calasse a boca.
– Olha, ela é minha melhor amiga. Considero a Juh como uma irmã também... Não ia conseguir mentir para ela...
– Sch. — Julie voltava da cozinha. Daniel sorriu para ela enquanto a mesma o olhava de cima até embaixo.
– Bom, já vou indo. — Bia anunciou. — Tchau Juh, tchau mano.
– Depois que me coloca na merda... tira o cú da reta. — Sussurrou. Enquanto Bia saia pela porta.
Assim que a porta se fechou, Julie começou. — Você está encrencado.
– ...
– E eu até hoje pensava que você se apaixonou por mim pela primeira vez que me viu... Mas não... Você namorava a Thalita.
– Mas eu terminei com ela. — A abraçou.
– Eu não acredito que o meu noivo nunca me contou isso! Me solta! — Tentava se soltar dos braços dele, mas era em vão. — Eu vou te morder, Daniel!
– Morde, morde que eu gosto.
Ela socou seu peito. Ele viu que Julie não estava brincando e a soltou. — Sabe quem me ligou?
– Não quero saber... — Foi andando.
– O Nicolas.
– O que? — Se virou, tentando esconder o sorriso.
– Me ligou agora pouco.
– O que ele queria? — Perguntou de um modo delicado, até jogou seus cabelos para o lado.
– Queria nos dar o parabéns pelo nosso casamento. — Olhou para a noiva, que agora sorria. — Porque sempre fica feliz quando falo do Nicolas?
– Nunca mais tive noticias dele, fiquei sabendo que ele viajou... Éramos amigos.
– Oh, amigos. Entendi.
– Hum, sinto um certo cheiro de ironia... Não acredita em mim?
Ele suspirou. — Eu não acredito nele. Esse cara é muito falso. Veio me ligar para desejar felicidades.
– E o que isso tem de mais?
– Ele não gosta de mim.
Julie cruzou os braços. — É você que não gosta dele. — Disse enquanto pegava o celular da bolsa. Ligou e olhou para Daniel. — Cadê seu celular?
Ele não entendeu muito bem o motivo da pergunta, mas lhe deu o celular que estava no bolso da bermuda. Viu Juliana mexer e colocar nas chamadas atendidas. — O que vai fazer?
– Vou pegar o número do Nicolas.
– Não! — Ele pegou rapidamente seu celular, deixando quase cair no chão. — Pra quê?
– Pra convida-lo pro nosso casamento.
– Nada disso, ele vai é rogar praga pra gente...
– Para! — Tentou pegar o celular novamente. — Me dá Daniel. — Viu que ele estava sério e não devolveu o celular. — Você não confia em mim, não é? Acha que eu vou convida-lo pra... Jantar... Ou alguma coisa assim?
– Eu confio em você. Acho que quem vai convidar é ele. Ai vocês saem junt--
– Então não confia em mim. — Interrompeu. — Acha que eu ia aceitar. — Pegou as sacolas de compra. — Confiança é a base de tudo em um relacionamento.
– Do que está falando? — Viu o rostinho triste de sua noiva. Julie tirou a aliança do dedo de olhos fechados, deixando algumas lágrimas caírem. — N-não...
– Não o que? — Abriu a mão dele e lhe deu a aliança balançando a cabeça.
– Aqui, toma meu celular, pode ligar pra ele e convidar. S-só... Só não me devolva a aliança... — Ela ignorou, já com o rosto ensopado de lágrimas. Sentiu seu coração se quebrar, pois o amava de verdade. — Julie, espera! Volta aqui! — Tentou impedi-lá, mas ela saiu.
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