Corações Feridos

76 Esquecendo o que se passou


Notas iniciais
Ounnnt! Ganhei mais uma recomendação e de uma leitora nova! Felicidade em dobro aqui, rsrs. Obrigada Amanda Souza! Gostei muito, continue acompanhando a fic. *----*

Espero que gostem, estou indo escrever mais um capitulo, aproveitando minha inspiração, depois eu volto para responder os reviews. :)

Julie balançava seu corpo na cadeira acolchoada do corredor do hospital, Bia tentava acalma-la, ainda segurando Bryan em seu colo. Depois de duas horas e meia a porta do quarto de Daniel se abriu e o médico saiu de lá.

As duas olharam para ele tentando encontrar respostas, ele parou na frente das duas.

– Ele já acordou. — As duas suspiraram com a noticia. Já estavam bem melhores e o peso da consciência de Julie passou. — Mas, fiz uns exames no local onde ele bateu, fiz raios-x… Vocês precisam esperar o resultado antes de entrar no quarto. — Afirmou.

– Mas porque? Ele está bem? — Julie se levanta.

– Ele acordou um pouco atortoado, estranhamos isso, mas tirando esse detalhe, sim, ele parece bem. Só que ainda temos que fazer outros exames, só para ter certeza. — Disse retirando suas luvas. — Não se importam em esperar um pouco, certo?

Juliana se senta novamente, calada. — Não tem problema. — Bia resolve falar pelas duas. O médico passa por elas. — E ai, Juh? Se sente melhor?

– Mais ou menos, ainda me sinto culpada… E-eu… Preciso ir falar com ele. — Se levantou.

– O que vai fazer?!

– Bia, eu tenho que ir lá!

– O médico disse…

– Eu sei. M-mas… Estou cansada de obedecer tantas regras. — Sem mais nem menos, Julie atravessa o corredor e abre a porta do quarto de Daniel.

Não havia mais ninguém além dele. Daniel usava usava uma faixa branca na cabeça, perto da testa, tinha uma marca de sangue, porém, já coagulado.

Eles se olham. Daniel junta suas sobrancelhas e faz uma expressão confusa e assustada.

– Oi. — Ele diz.

Julie se aproxima lentamente, lembrando que o que causou sua volta para o hospital foi apenas um beijo. Um beijo que ele não recebeu. — Oi. — Ela responde de volta, dá um sorriso fraco. Ainda se aproximando.

Daniel abraça sua coberta. Seu coração estava acelerado, mas por alguma razão ele não conseguia tirar os olhos daquela linda moça a sua frente.

Os dois percebem que Julie já estava bem próxima, ela faz carinho no seu rosto. Daniel continuava sério, só a encarando enfeitiçado.

– Está melhor? — Pergunta docemente.

Ele balança a cabeça para cima e para baixo, ela sorri. Desce sua mão para os lábios finos e bem desenhados do rapaz. Seus olhos se encontram novamente enquanto ela passava seu polegar pelos lábios dele.

Julie avança com rapidez e seus lábios se tocam. Ela começa com um selinho, os dois ficaram assim por um tempo. Daniel tentava entender aquilo, estava confuso, mas nem por isso deixava de retribuir aquele beijo. Os dois aprofundaram o beijo ao mesmo tempo, sentiram suas línguas se tocarem e seus rostos se mexerem para cima e para baixo. O estalo de seus beijos ecoavam pelo quarto, Julie desceu sua mão para o peito dele, debaixo daquela roupa do hospital. Sentiu o coração dele disparando e sorriu entre o beijo.

Aquela era a melhor sensação para Daniel. Nunca sentiu algo assim antes, pelo menos era o que pensava.

Ela cessou o beijo, eles se olharam mais uma vez, sorriram ao mesmo tempo e deram mais um selinho, foi quando ela se afastou, passou a mão por seus cabelos negros, sentindo seu rosto corar, queria disfarçar sua timidez.

– Quem é você?

Julie desfez o sorriso com aquela pergunta. ‘’Ele se esqueceu de mim?’’ — Se perguntava, ainda encarando Daniel. A expressão dele mostrava que Daniel estava um pouco assustado, porém, muito satisfeito com o que aconteceu há poucos minutos atrás.

Quando ela pensa em responder, o médico entra no quarto. — Eu disse para ficar lá fora. — Ele reclamou.

– D-de-sc-ulpe. E-eu, p-rec-isei ent-rar… — Gaguejou nervosa, não com o médico, e sim com a pergunta de Daniel. — Ele… Perguntou quem sou eu.

O médico olhou para Daniel, o mesmo continuava confuso com tudo isso, ele não entendia onde estava e quem eram aquelas pessoas, se lembrava muito mal do seu nome. — Venha Juliana, vamos conversar lá fora… — Ele puxou seu braço.

Os dois saíram deixando o rapaz ali. — Juliana… — Ele repetiu o nome da moça ‘’desconhecida’’. Ainda pensava naquele beijo.

No lado de fora, o médico chamou Bia e Julie. Ele segurava uns exames e o raio-x que fizeram da cabeça dele. — Daniel perdeu a memória. — Ele foi direto. — Está com amnésia.

As duas se espantaram, não esperam aquilo. — Foi uma pancada fraca, mas… Forte o suficiente para ele desmaiar e perder a memória. Porque foi justamente no lugar da cabeça onde ele teve o traumatismo.

– Ele vai ficar bem? — Bia perguntou.

– Bom, por enquanto ele está bem, tirando a amnésia.

– Isso vai passar? — Foi a vez de Julie perguntar.

– Sim, mas deve demorar uns dois ou três meses. — Pausou, ainda explicando. — Não é bom ele forçar a memória, pode causar alguma dor na cabeça dele. Também não é bom ele receber noticiais ruins.

– Como assim?

– Ruins do tipo… O que aconteceu com ele, que ele passou um ano e cinco meses da sua vida dormindo. Que, ele perdeu o filho e a esposa. Essas coisas…

– Eu não deveria ter feito aquilo… — Julie sussurra.

– O que você fez? — Beatriz acaba ouvindo.

– Eu… — Ela hesitou em dizer, se sentiu corada. — Beijei ele. E… acho que deixei uma foto do Diego quando era bebezinho bem em cima da mesa, perto da cama dele!

– Ele não pode ver aquela foto… — Bia sussurrou. — Ele perdeu a memória, é… Assustador. — Julie e o médico concordaram com a cabeça.

– Já que você entrou no quarto e beijou ele. Vai ter que inventar alguma história. — O médico a olha sério. Sabia que se Julie não entrasse no quarto nada disso ia acontecer.

– Eu digo que beijei ele por acidente.

– Não. — Ele balançou a cabeça. — Isso não vai adiantar, ele vai te encher de perguntas e você vai acabar se embolando. Ele não é o primeiro paciente com amnésia que eu cuido, e acredite, quando eles querem lembrar de algo eles perguntam, perguntam, perguntam até conseguir todas as respostas…- Pausou. — Não é bom mentir para eles. Venham. — Gesticulou com as mãos.

As duas seguiram o médico e entraram no quarto de Daniel de novo. Se depararam com o rapaz segurando uma foto, Julie suspirou, era a foto do filho deles.

Ele olhava sorrindo. — Doutor, me lembro… Dessa criança.

– Se lembra? Ótimo. Me diga o que lembra. — O doutor pediu.

– Eu lembro… Dele… No meu colo… No carrinho… — Fechou os olhos. — Ai… — Mordeu seus dentes. — Minha cabeça dói.

– Calma. — O médico pegou a foto de suas mãos. — Por hoje já está bom. Não se esforce muito. Fez um ótimo progresso.

– Onde está esse bebê? — Daniel perguntou.

Os três se entreolharam com aquela pergunta, o médico sabia que se tratava do filho dele, sabia também que esse bebê estava morto. Só não sabia o que responder. Não poderiam lhe dar esse tipo de noticia, com certeza o deixaria muito abalado.

Ele ainda os olhava, esperando uma resposta. — Está aqui. — Julie não pensou direito.

Respondeu apontando para o bebê da Bia. A mesma arregalou os olhos, sem esperar aquela atitude da amiga. — É, esse é o bebê! — Bia confirmou só para não contraria-la, mas não estava gostando daquilo.

– Vamos por partes. — O médico interrompe. — Vou te apresentar as garotas. — Daniel assentiu. O médico apontou para Bia. — Essa é a sua irmã, Beatriz. — Bia sorriu. Depois apontou para Julie, ela e Daniel se olharam, Julie suspirou, com medo do que o médico iria dizer. — E essa é Juliana, sua… Esposa.

Julie corou e abaixou a cabeça, já Daniel sorriu torto com isso.

– E… O bebê é o meu filho? — Ele pergunta sem hesitar, os três dão uma rápida entre olhada. — Porque… Eu me lembro que… Eu chamava de… Filho. É isso? Ele é meu filho, não é? Qual é o nome dele? — Pergunta ainda um pouco assustado com tanta informação.

– Diego. — Julie responde. Dá uma olhada para Bia, percebe a expressão furiosa da mesma e sussurra. ‘’ A gente tem que dar um jeito. ‘’

– Entendi. — Ele balançou a cabeça, porém, era nitido que Daniel ainda estava confuso. — Tem mais alguém da minha família? Aqui?

– Não.

– Minha mãe? Meu pai? Onde eles estão?

– Nossa mãe não veio com a gente. — Beatriz respondeu. — E o papai… Se mudou para os Estados Unidos quando você era adolescente.

– Porque?

Beatriz revirou os olhos, estava chateada com tantas perguntas e também porque não gostava de entrar no assunto ‘’Pai’’ — Porque ele quis! Droga, chega de perguntas!

Daniel abaixou a cabeça, o médico tocou no ombro dela e sussurrou. ‘’ Calma. ‘’

Bia revirou os olhos, ainda chateada com todas essas coisas que estavam acontecendo. Como ela explicaria para Félix que o filho deles agora era filho da Julie e do Daniel? — Aqui. Fique com o seu bebê. — Bia entregou Bryan para Julie. Passou por eles e saiu batendo a porta com força, o bebê ameaçou chorar com o susto, mas estava de chupeta.

– Espera, Bia… — Julie tentou ir atrás mas o médico balançou a cabeça. Ela parou, entendendo que deveria ficar aqui e dar um tempo para a amiga.

– Vou deixar os dois sozinhos. — O médico anunciou.

– O que? — Ela ficou nervosa. — N-nós dois? N-não… Eu… Não sei o que dizer… — O médico ignorou, tinha outros pacientes para cuidar, não podia ficar o dia todo ali.

Ele saiu.

Julie suspirou, olhando para o bebê em seus braços. ‘’O que eu faço agora?’’ — Ela se perguntava sem conter o nervosismo. Virou para Daniel.

E ele sorriu, Julie continuou séria, com os pensamentos longe.

– Oi. — Ele disse, ainda sorrindo.

Ela reparou o sorriso dele e sorriu também, fracamente. — Oi. — Disse suspirando.

– Eu posso me levantar?

– Não, não pode. Só vai sair dai quando o médico permitir.

– Hm. Quem é o médico?

– Aquele senhor de roupa branca que estava aqui! — Já perdia a paciência porém, respirou fundo. Não queria agir como Beatriz. — Ele é o médico. — Concluiu mais calma.

– Ah, entendo. — Balançou a cabeça. — Você é… Juliana??

– Spinelli.

– Então eu me chamo Daniel Spinelli.

– Não. Castellamare.

– M-mas… Não deveríamos ter sobrenomes iguais?

Ela se embolou. — Éeer…Eu tinha…

– E essa tatuagem? — Mostrou seu pulso. — Quem é Julie?

– Julie sou eu.

– Você não era Juliana?

– Julie é abreviação de Juliana.

– Abreviação? Você tem dois nomes?

– Não. — Suspirou. — Me chamo Juliana.

– Então porque disse que se chamava Julie?

– Chega! — Ela gritou. Daniel se calou na hora. Ela respirou fundo, um pouco arrependida com o grito.

– Porque está me tratando mal?

– Porque eu não aguento suas perguntas!

– Mas se eu tenho dúvida, eu preciso perguntar… Não é assim que funciona? — Rebateu.

– Não! Se você tem dúvida você tem que calar a boca e pensar na resposta sozinho! Se estivesse em uma prova e lesse uma pergunta, ia sair perguntando para as pessoas a resposta ou ia pensar sozinho?! — Julie foi bem mais grossa que Bia. Ela fechou os olhos. ‘’Preciso ter calma…’’ — Desculpa.

– Você é muito esquentadinha. — Ele reclama.

Julie acaba rindo. ‘’Esquentadinha’’ foi uma das primeiras coisas que ele disse quando se conheceram.

Ela percebeu que ele olhava muito para a tatuagem, deveria estar cheio de dúvidas, mas agora, depois disso, estava calado. — Essa tatuagem você fez para mim. — Ela quebrou o silêncio.

Daniel virou seu rosto para ela. Sorriu torto. — Eu não me lembro, mas é muito bonita. — Julie balança a cabeça concordando.

Ouviram um choro fraco, vinha do bebê. — Não, não chora… — Ela o balançou no seu colo. O deixou deitadinho e ele parou de chorar, foi fechando os olhos aos poucos. — Schh… Dorme… — Sussurrou.

– O nosso filho é muito bonito. — Daniel afirmou. Julie revirou os olhos, sabia que não era o filho deles. — Qual é mesmo o nome?

– Bryan… Q-quer dizer… Diego.

– Quem é Bryan?

– Ninguém. — Corou.

– Se não é ninguém porque falou o nome dele? — Daniel tentava entender. — Quem é Bryan?

– Ah… Um…Humm... Amigo meu. — Ela responde sem pensar direito.

– E você fica pensando nele pra falar o nome dele assim do nada?

– É, fico… N-não… Não fico. — Se enrolou.

– Fica sim! Quem é esse Bryan?

– Você não conhece… Era… Era do colégio. Meu… Amigo.

– Só amigo?

– É.

– Não parece. Está nervosa porque?

– Por causa das suas perguntas.

– Eu quero saber quem é Bryan. — Ele estava sério, o que deixava Julie mais nervosa. — Isso é um pouco humilhante. — Admitiu. — Você falar nome de outro homem, pensar em outro homem.

Ela riu fracamente. — Como assim? — Não entendeu. Bryan era só um bebezinho.

– Você é minha esposa, deveria pensar em mim, não nesse Bryan.

– Ah, então é isso?! Ciúmes? — Riu. — Você não muda nem com amnésia.

– … — Ele abaixou a cabeça. Olhou para a tatugem. — É normal sentir ciúmes.

– Não é normal. Bom, tecnicamente você me conheceu a vinte minutos atrás.

– Então como já estamos casados?

Ela revirou os olhos. — Eu quis dizer que você perdeu a memória! Eu sou tipo uma estranha para você. Uma estranha que se diz ‘’sua esposa’’ entende? — Ele balançou a cabeça. — Você não lembra das coisas, isso pode mexer com seus sentimentos.

– E meche. Eu estou muito confuso. — Admitiu. — Você é minha esposa, mas eu não sei direito o que eu sinto por você. Você me beijou e foi… A melhor coisa que experimentei.

Julie suspirou com aquelas palavras. Não sabia o que fazer, não queria engana-lo. — Nós… Não somos casados.

– Como? — Levantou seu rosto para ela. Agora estava com uma expressão de dúvida.

Ela precisava modificar um pouco a verdade, afinal, o médico tinha razão, não era bom mentir para ele. — Estamos… Em um processo de divorcio. — Acabou mentindo, já que tinham se separado a muito tempo.

– Porque? — Ele pergunta sem esconder sua voz fraca e triste.

Agora ela não sabia o que responder, o real motivo para a separação deles foi a morte do filho. Mas ela não poderia dizer isso.

Daniel continuava cabisbaixo, ainda tentando encontrar uma resposta. — Porque nós… Eu não sei. — Balançou os ombros. — É dificil explicar, nosso… Relacionamento não estava indo muito bem.

– Mas porque me beijou então? Se… Não gosta de mim?

– Eu gosto.

– Eu não entendo. — Balançou a cabeça. — Porque então? Eu… Não consegui te sustentar? Somos pobres? — Ela negou. — Tem algo de errado comigo? — Seus olhos estavam marejados. — Porque estou no hospital? Eu sou doente e você não me quer, é isso? — Ela negou de novo. — Não consegui te amar?

– Daniel. — Corou. — Não é nada disso, por favor… — Pausou. — Você me amava muito.

– Então o que aconteceu? Porque tudo isso? Juliana… Não sei se estou apaixonado por você, ou se eu te amo mais. — Ela se sentiu triste com aquelas palavras. — Mas eu só queria uma chance para descobrir. Por favor.

– Chance, como assim?

Ele esticou seu braço, puxou sua mão, beijando a mesma. Julie corou. — Me dê mais uma chance de ser seu marido. Por favor.

– Marido? Isso é loucura. — Corou.

– Por favor.

Seus olhos se focaram. Daniel estava quase chorando e Julie não se sentia diferente. — Por favor… — Ele sussurra. — Só mais uma chance. — Ele ainda segurava sua mão. Daniel olhou para o bebê nos braços de Julie. — Pelo… Nosso filho. Olhe, como ele é lindo.

Julie olhou para Bryan, mas pensou em Diego. Isso tudo que aconteceu era por alguma razão. Ela segurou as lágrimas, respirou fundo. — Está bem. Pelo… Diego.

Daniel sorriu torto. Entrelaçou seus dedos, Julie sentiu seu rosto corar.

Um silêncio pairou na sala, os dois se olhavam, Daniel ainda pensava naquele beijo, que para ele foi seu primeiro beijo. Não conseguia pensar em nada melhor do que isso…

– Bom… — Julie começou, ainda tímida com a conversa deles. — Eu vou sair para procurar a Bia.

– Quem é Bia?

Julie riu fracamente. — A sua irmã, a moça que estava aqui.

– Ah. Lembrei. — Daniel sorriu. — Então, você vai deixar o Diego comigo?

– Diego? — Só ai que ela lembrou que Bryan agora seria chamado de Diego. — N-não. Eu… Vou levar comigo.

– E quando eu vou poder segurar o meu filho?

Ela sorriu com aquela pergunta. — Logo. Assim que você… Sair do hospital. Deve ser daqui a um ou dois dias. — Explicou. — Preciso ir…

Julie caminhou até a porta, antes de abrir deu mais uma olhada para Daniel. Ainda se sentia assustada com todo esse problema, sabia que se não o beijasse naquela hora, nada disso estaria acontecendo. Daniel deu um sorriso torto, ela apenas abaixou a cabeça, abriu a porta e saiu.

Procurou Beatriz pelo hospital inteiro, subiu e desceu andares, já estava desistindo de procurar, ainda mais porque Bryan não parava de chorar no seu colo e isso lhe causava dor de cabeça.

– Bia! — Suspirou aliviada, finalmente a encontrou, ela estava sentada no murinho na entrada do hospital, perto de algumas plantas coloridas do jardim. Julie passou pela porta de vidro. Assim que Bia a viu se levantou.

– Meu bebê… — Ela disse beijando e carinhando seu neném, Julie lhe entregou. — Desculpe amiga. Eu não deveria ter reagido daquela maneira, não fique chateada.

– Eu te entendo. — Julie balançou a cabeça. — Sei que é dificil perder um filho. No seu caso você não perdeu… Mas… Vai ter que emprestar ele pra mim, por uns tempos. — Torceu os lábios.

– É, agora ele vai ter quatro papais. — Bia brincou.

As duas riram.

Julie se sentou no murinho e Bia a imitou. O bebê já estava mais calmo, agora no colo da mãe, Julie pensava em uma maneira de fazer Bryan se acostumar com ela e não sentir tanta falta da Bia, pelo menos por alguns poucos meses.

– O Daniel gostou dele. — Julie quebrou o silêncio. — Ele trata o bebê como se fosse mesmo o filho dele. — Bia riu. — Me sinto um pouco estranha mentindo assim.

– É para o bem dele.

– Será mesmo? — Duvidava. — E quando a memória dele voltar?

– A gente tem outras coisas mais importantes para pensar agora.

– Como o que?

– O Bryan! — Bia balançou seu filho. — Como vamos fazer agora? Ele vai ficar com você?

– E com o Daniel. — Julie completou, Bia a olhou com dúvida. Juliana respirou fundo, precisava explicar tudo. — Acabei contando para ele que nós não somos casados. Eu disse que estávamos em processo de divórcio.

– Julie, você não podia falar isso para ele… Acho que… Ele gostou de você, eu vi ele sorrindo muito para você.

– É, também acho. Ainda mais porque eu fui a mulher louca que entrou no quarto dele e roubou um beijão! — Revirou os olhos. — Viu, eu não deveria me arriscar fazendo essas coisas, só me traz problemas. — Reclamou. — Mas… Na hora eu me arrependi de dizer que não éramos casados, ele fez uma carinha triste e me fez várias perguntas.

Bia riu. — E você disse o que?

– Eu não consegui dizer nada. Só falei que nosso relacionamento não estava indo bem. Ele me perguntou o porque e eu disse por que sim. Eu não podia contar sobre o Diego, não podia dizer que o Diego estava morto, ia embaralhar toda a mente dele.

– Isso é verdade… E depois?

– Depois ele… Disse que se sentia confuso, não sabia o que sentia por mim, mas… — Corou. — Ele gostou muito do nosso beijo. E… Ele me pediu uma loucura. — ‘’Uma loucura linda’’. — Pediu… Mais uma chance. De… Ser meu marido. — Abaixou a cabeça só para a amiga não reparar seu rosto vermelho.

– Meu Deus! — Bia sorriu. — Não acredito! — Não escondia sua felicidade, esperava aquilo por muito, muito tempo. — E você??? O que respondeu???

– Ah. — Balançou os ombros, ainda envergonhada. — Ele insistiu tanto que eu aceitei.

Beatriz se prendeu para não gritar. — Então vocês estão juntos?!

– Não sei, é um pouco complicado. Digamos que sim e não. — Fez uma careta. — E-eu… Só aceitei por causa da falta de memória dele. Eu causei tudo isso e eu tenho que arcar com as consequências.

Notas finais
Gostaram? o que acham que vai acontecer agora? Será que o Daniel já gostou da Julie ou ele se sente confuso?