Corações Feridos

68 Entre razões e emoções


Notas iniciais
ooi, postando um capitulo adiantado aqui. Eu ia postar só amanhã, mas já que amanhã é domingo e poucas leitoras entram no Nyah, resolvi postar logo agora e aproveito o tempo para terminar um trabalho chato de história.
Então é isso, espero que gostem. ^^

- Eram namorados? — Daniel pergunta para ter certeza.

Julie abaixa a cabeça. — Eu não me lembro muito, eu era pequena… Foi só uma paquera boba. — Disse pegando a mão de Daniel, que continuava confuso. — Amor, não quero que fique chateado com isso.

Ele balançou a cabeça. — E-eu… Acho que não estou. — Responde um pouco seco. Julie dá um sorriso fraco. — Agora está mais do que óbvio de que ele gosta de você.

- Nem tanto… — Pausou. — Ele disse que ainda queria descobrir o que sente por mim.

- Hm. — Beijou a mão de Julie. A encarou profundamente, tentando encontrar a resposta dentro dos olhos dela. Era só o que Daniel queria… Uma resposta. Sentia dúvida sobre a amizade dela com o Nicolas. — E você? Sente algo por ele?

Ela torceu os lábios. Segurou seu rosto com as duas mãos e encostou seus narizes. — Não. E nunca vou sentir.

Daniel sorriu, acreditando naquelas palavras. Sempre confiou na Julie. ‘’Mas em quem eu não confio é nele… ‘’ — Pensava em tirar satisfação com o Nicolas.

~Flash Back Off~

Juliana acorda dos pensamentos quando chega na frente do seu apartamento. Ela suspira, sabia que deveria parar de pensar tanto no Daniel. Mas era impossível.Ela pega as chaves da porta e entra. Joga seus livros no sofá com força e se senta na poltrona abraçando seus joelhos. Ainda sentia aquela horrível sensação. Seu coração batia mais forte. Ela abraçou a almofada em forma de flor.

Se sentia angustiada.

[...]

Sete horas da manhã.

Bia alisava os cabelos de Daniel. Ela reparava a respiração calma e lenta dele, quase parando… Ela desceu sua mão para o rosto dele. Ela queria sorrir por ver que ele já estava ‘’melhor’’ o médico conseguiu aplicar uma injeção que fez parar o sangramento. Mas Beatriz simplesmente não conseguia disfarçar sua dor. — Você vem tomar um café? — Félix pergunta.

Bia negou com a cabeça. Continuava com os olhos fixos no irmão. — Eu só saio daqui quando ele acordar.

- Então te trago algo para comer, tá bem?

- Estou sem fome… — Ela suspira.

- Mas você precisa se alimentar. — Félix estava preocupado. Se aproximou de Bia, ele não gostava de chegar muito perto, se sentia mal ao ver Daniel ali… Imóvel. — E-ele vai sair dessa. V-você… Precisa se distrair um pouco.

- Não dá!

Ele suspirou. — Então eu te trago o café… — Disse se virando e saindo.

Só restou ela no quarto. Sua mãe desceu para levar a neta para um pequeno playground atrás do hospital, à pedido dela. Pois Beatriz não queria que sua filha se sentisse mal com o estado de Daniel.

Bia pegou a mão dele, viu a tatuagem que ele fez no pulso e se lembrou de um detalhe importante.

- Será que devo contar para a Julie? — Se perguntava, ainda na dúvida, sabia que sua mãe não queria que contasse nada. Mas Julie merecia saber.

Porém, Beatriz também não queria preocupar a amiga. Julie estava em outro país, nada poderia fazer… E se contar sobre o estado de Daniel, só iria deixar Juliana preocupada com ele e desmotivada para o intercâmbio.

A porta se abriu, Bia revirou os olhos, imaginando ser Félix ou sua mãe…Ninguém de tanta importância — Olá. — Mas era o médico.

Ela se virou.

Sorriu fracamente, queria mesmo falar com ele. — Oi doutor. — Soltou a mão do irmão, a colocando delicadamente em cima da barriga dele. — Porque ele ainda não acordou? — Perguntou preocupada, Daniel… ‘’dormiu’’ a noite inteira, nem ao menos se mexeu.

O médico suspirou, balançando alguns papéis que segurava.

- São os exames que fiz… — Pausou. Entregando os exames para Bia. Ela deu uma olhada rápida, não estava muito interessada naquilo pois não entendia nada mesmo… — Ele teve traumatismo craniano.

Beatriz levou a mão à boca. Sabia que isso era grave. — Onde está seu marido? — O médico pergunta.

- Ele… Desceu para buscar café. Por quê?

- Alguém precisa ficar com você.

- Como assim?

- Você está grávida. — Disse sério. — Não pode receber noticia ruim, mas eu também não posso deixar de te informar…

- Ai meu Deus, diga logo… — Pediu nervosa. Ela se sentou no sofá acolchoado, já sentia seu coração disparar e sua garganta seca. — O que vai acontecer com ele? Ele vai ficar bem?

- Por causa do traumatismo… Ele pode entrar em coma, se é que ainda não entrou, precisamos fazer mais exames...

- Em coma? M-mas… N-não… Não pode ser. — Não controlava as lágrimas. Ela se levantou indo em direção a cama. — Daniel, acorda! — Batia no rosto dele. Deu uns quatro ou cinco tapas seguidos. Mas ele não reagia à nada. — Acorda! — Segurou seu rosto e o balançou.

- Acalme-se… — O médico a segurou, a afastando de Daniel. — Ele tem que acordar sozinho. Isso não adianta nada…

- Mas e se ele não acordar?! Até agora ele não acordou!

- Vou procurar seu marido e sua família. Você está muito nervosa. — Ele soltou Beatriz, ela suspirou secando suas lágrimas.

Viu o médico abrir a porta do quarto e sair. Ela se virou para o irmão novamente. Agora entendia o porque de Julie ser tão pessimista, de ser tão calculista, perfeccionista e calculadora. — A Julie está certa… — Ela murmurou, ainda olhando para Daniel. — A gente precisa controlar as coisas, justamente para… Não acontecer essas tragédias. — Alisou os cachos de Daniel. — Débora… — Sussurrou.

Apesar de não gostar de Débora, ela achou que seria certo informar sobre o acidente. Afinal, mesmo depois de tudo. Ela ainda era a noiva dele. Era isso que Bia pensava.

Ela pegou o celular, infelizmente tinha o seu número gravado.

Não demorou muito para Débora atender, estava com uma voz de sono. Acabou de acordar. — Alô? — Respondeu confusa, sabia que já tinha visto aquele número em algum lugar, mas não lembrava que era da Bia.

- Oi Débora. — Ela responde um pouco seca.

- Bia? — Débora responde do mesmo jeito.

Depois da ultima conversa no telefone, as duas passaram a não se bicar muito bem. — Me ligou para pedir desculpas? — Débora pergunta sorrindo fracamente.

- Isso nunca. — Pausou. Fechou os olhos e respirou fundo. A ficha de Bia ainda não tinha caído… Mas toda vez que se lembrava disso, sentia uma forte tristeza invadir seu coração. — O Daniel sofreu um acidente de moto. Te liguei só pra te informar.

- Um acidente?! — Se assustou. — Nossa… Ele… Está bem?

- Lógico que não! Se quer mesmo saber, ele pode até entrar em coma! Foi um acidente muito grave. — Sussurrou a última frase, em um fio de voz.

‘’ Pra quê vou querer conquistar alguém que corre risco de vida? É mais fácil eu procurar outro cara...‘’ — Foi o primeiro pensamento de Débora depois da noticia que recebeu.

Ela fez uma expressão de nojo. — Se quer saber Bia, eu não sou mais a noiva do Daniel… Não me interesso mais por ele. Eu acho que mereço alguém melhor, tá bom, ele era legal mas… Pensando bem, não sei se quero casar com uma pessoa… Doente. E se isso passar para os nossos filhos, ou para mim?!

- O que? — Aquilo a surpreendeu. — M-mas… Há dois dias atrás você estava toda grudenta com ele! S-ua… Interesseira!

- Ahhh Beatriz… Me chame do que quiser. Eu não ligo. — Ela desligou o telefone.

- Vadia! Invejosa! — Bia xinga entre os dentes. — E o que me dá mais raiva é que… — Passa a mão pelo rosto e se vira para Daniel. — A única mulher que ama ele de verdade está lá na Noruega. — Suspira. — DANIEL?! — Ela sorriu. — Daniel! — Segurou a mão dele. — Fala comigo! Fala! — Seus olhos brilhavam.

Mas Daniel continuava calado, porém, seus olhos estavam fixados nos dela. Bia repetia várias vezes para ele falar com ela. Mas Daniel continuava do mesmo jeito.

A porta se abriu com força, Bia deu um pulinho com o susto, virou-se e se deparou com sua família ali e o médico. — Ele abriu os olhos! — Ela gritou com um sorriso grande, de orelha a orelha. Todos se animaram com aquela noticia, exceto o médico, que continuava com a expressão séria e preocupante no rosto.

Rodearam a cama de Daniel. Félix ficou ao lado de Bia enquanto sua mãe ficou do outro lado, perto do médico. — É assustador. — Afirmou a menininha nos braços de Félix. E ela estava certa, era realmente assustador. E o pior era que Daniel continuava com os olhos fixados na irmã o tempo todo.

Ela abraçou Félix, ainda sorrindo. — Isso é bom doutor, ele acordou!

- Não. — O médico respondeu e ela desfez o sorriso. — Vou explicar para vocês. O coma é um estado profundo de inconsciência. — A família inteira prestava a atenção. — O paciente afetado está vivo sim, mas não é capaz de reagir ou responder à vida ao redor de si. Ele perde as funções cerebrais mais elaboradas, mas as funções do tronco cerebral, como a respiração e o controle do aparelho circulatório continuam intactas. Movimentos espôntaneos podem acontecer e os olhos podem sim se abrir em resposta dos estímulos externos, mas o paciente não fala e nem obedece comandos enquanto não sair do coma. Eles podem até fazer caretas, rir… Chorar… Isso é muito curioso. — O médico balança a cabeça. — Olhem! — Aponta para Daniel e eles se viram.

Seus olhos voltaram a se fechar.

[...]

Julie chega na sua cozinha, pega um pouco de chá para se acalmar, ainda sentia aquela sensação estranha, mas queria ignora-la. Subiu as escadas segurando o chá quente que queimava levemente seus dedos. Se virou e abriu a porta de madeira para entrar no seu quarto. Era um quarto pequeno, havia apenas uma cama de solteiro, um guarda-roupa e uma mesinha pequena onde se encontrava um notebook programado apenas para fazer pesquisas pela internet.

Ela se senta na cama cruzando as pernas, pensa em deixar o chá sobre a janela que estava em cima da sua cabeça. Mas tinha medo do chá derramar e cair nela.

Deixou no chão e quando abaixou a cabeça, encontrou a caixinha em baixo da sua cama. Ela pegou, colocando sobre o colchão. Com a manga do casaco, ela limpou a poeira que começava a se juntar.

Abriu e encontrou as cartinhas que recebeu do namorado há muito tempo atrás…

Ela não se desgrudava dessa caixinha, para onde viajava precisava levar junto. Mas quando lia as cartas se sentia triste, lembrava que tudo o que passaram acabou.

- Não posso ficar viajando… Preciso voltar para a realidade. — Pensava alto. — Tenho duas pesquisas para fazer e ainda nem comecei. — Reclamava, parece que além dos pensamentos, Daniel tomava seu tempo também. — Tá…Depois de terminar o chá eu começo os trabalhos. — Deitou sua cabeça no colchão e ficou olhando para o teto.

Julie já não tinha mais aquela coisa controladora dentro de si, pois assim que fechou os olhos sua mente viajou para o passado.

~Flash Back On~

No dia seguinte, Julie e Nicolas conversaram pelo telefone e o moreno pediu desculpas por ontem. Julie aceitou e os dois continuaram amigos.

Na verdade, mais amigos do que antes. Passaram quase a aula inteira juntos, Julie sentou ao lado de Daniel, claro. Mas Nicolas sentou atrás dos dois. — Amor, não converse muito. Vamos prestar a atenção na aula. — Daniel pediu alisando sua coxa.

- Tá Dan, relaxa. A professora saiu para tomar café, qual é o problema de conversar um pouco? — Segurou sua mão e entrelaçou os seus dedos.

- Mas me conta, como se conheceram? — Nicolas perguntou se fingindo de interessado.

- Hm. — Daniel revirou os olhos e se virou para frente.

- Nos conhecemos ano passado.

- Ah, então estão juntos só há um ano? — Ele interrompe. — Não é muita coisa.

- Na verdade, vai fazer dois anos daqui a sete meses e treze dias e… Trinta e dois minutos. — Respondeu depois de olhar para seu relógio de pulso.

Os dois a encararam, ela sorriu levemente. — O que foi? — Perguntou corada.

- Para mim era só há sete meses e alguns dias… — Daniel respondeu mau humorado.

- O que? E você não liga para a data que conheceu a sua namorada?! — Nicolas se intromete.

- Eu não quis dizer isso.

- Não… Quis sim! Não é Juh?

- É… — Ela acabou caindo na pilha. — Parece que não liga.

- Isso não é verdade. — Ele tentou se defender. — Todos os meses eu te dou flores e chocolates. Só para comemorar o nosso relacionamento.

- Só flores e chocolates? — Nicolas cruzou os braços. — Podia dar um anel…

- Um anel seria muito romântico. — Julie sorrir, sem reparar o olhar de raiva do Daniel para o Nicolas. — Mas ele não é romântico não Nicolas. Ele nunca me deu anel nenhum.

- Se quer saber Juh, um dia eu vou tatuar seu nome em alguma parte do meu corpo.

- Eu não gosto de tatuagens! — Ela reclama. — E você não vai fazer isso porque eu não vou deixar! Prefiro mil vezes ganhar um anel!

- Meu amor, anel é caro e se não for verdadeiro vai deixar o seu dedo verde. — Daniel segurou sua mão. — Mas se você quer um anel eu te dou.

- Ele só vai te dar o anel porque você insistiu. — Nicolas pausou. — Se você não falasse nada ele não ia te dar.

Daniel bufou ‘’Minha paciência está acabando...’’ — Se virou para frente, pois se olhasse para o Nicolas de novo era capaz de voar em cima dele.

- Ah, mas o Dan me deu muitas outras coisas também… — Julie responde carinhosa, brincando com os cabelos do namorado. Ele sorri e se acalma com isso. — Ele já me deu um livro, é o meu presente favorito. Me deu quando nos conhecemos. — Sorriu e beijou o rosto dele.

- Isso foi há um ano atrás… Muitooooo tempo…- Nicolas interrompe.

- Hm, achei que fosse pouco tempo. — Julie rebateu.

- Que nada, é pouco tempo. — O moreno balançou a cabeça, Daniel apenas mordia com força seu maxilar. Tentando ao máximo se controlar. — E aquela loirinha ali. — Ele aponta com a cabeça para Thalita, que lixava as unhas e fofocava com suas amigas lá na frente. — Disse que ela era a ex do Daniel e que ele já deu um anel para ela.

- Pois é, para a Thalita ele dá anel, já pra mim ele nunca deu.

- Acho que ele gosta mais da Thalita do que de você. — Nicolas sussurrou.

Com isso Daniel se levanta, lançando sua cadeira com força no chão, os alunos levam os olhares para os dois. Daniel avança no Nicolas, mas Juliana se coloca na frente deles.

- Para! — Ela grita com os olhos cheios de lágrimas, odiava brigas e odiava ainda mais quando Daniel estava envolvido. — Não liga para o que ele diz! — Julie segurou sua nuca.

Seu rosto estava vermelho de raiva, ele também não escondia seu nervosismo. — EU NÃO LIGO, MAS VOCÊ SIM! — Ele berrou com tanta força que até ecoou pelo corredor. Julie soltou o loiro abaixando seus ombros, estava com medo.

Thalita observava tudo, ela sorriu com aquela discussão. Daniel nunca gritou assim com ninguém, muito menos com a Julie. — Seu idiota, se não calar essa boca eu te pego no intervalo! — Daniel ameaçou apontando o dedo para Nicolas.

E assim que ele terminou a frase o sinal tocou. Julie suspirou, visivelmente nervosa. Era a hora do intervalo.

Todos juntaram suas coisas, alguns alunos ainda encaravam Daniel. Ele virou seu rosto para Julie e abaixou a cabeça, ainda mordendo seu maxilar com força. — É m-melh-or a ge-nt-e fic-ar aq-ui na cl-asse… — Ela pediu. Não queria mais encrenca e achou que seria mais seguro ficar com Daniel aqui e deixar o Nicolas bem longe dele.

- Não. — Ele balançou a cabeça. — Vamos descer. — Parecia um pouco mais calmo, porém, Juliana ainda duvidava. — Quero ver se encontro o Martim por ai, quero falar com ele.

- Então tá. — Já não havia mais ninguém na classe além dos dois. — Vamos meu amor… — Pegou sua mão e fez Daniel segurar sua cintura, eles passaram pela classe, já iam sair quando ela segurou o seu braço e se apoiou na mesa. — Antes de ir… — Ela suspira. Daniel estava sério, só olhando para ela. — Quero te pedir desculpas.

- Não precisa se desculpar. Não entende?! Ele estava colocando pilha! — Reclamou. — Ele queria que a gente brigasse, mas eu não tenho que brigar com você. Eu tenho que brigar é com ele!

- Você não vai brigar com ninguém. Por favor… — Alisou seu rosto. — Você está certo, ele estava mesmo colocando pilha. — Pausou, sorrindo. — E você não precisa me dar anel nenhum…

- Não… Eu vou te dar um anel…

- Dan, eu não preciso de presentes. — Balançou a cabeça e avançou para um beijo rápido. — Eu não quero…

- Ah. Mas a tatuagem eu vou fazer. Pode anotar na sua lista. — Ele segurou seu rosto e deu mais um beijo, ela pousou sua mão no seu peito. Eles sorriam juntos entre o beijo que pouco a pouco começava a se esquentar, viraram seus rostos mudando de posição. Ela sentiu a língua de Daniel aprofundar aquele beijo, fechou os olhos. Ele segurou sua cintura e puxou a namorada, fazendo com que ela se sentasse em cima da mesa. Ela leva suas mãos para os cachos de Daniel. Enquanto ele alisa sua coxa com uma mão. Ela segura seu rosto, torcendo mentalmente para não sentir falta de ar, afinal, os dois não queriam terminar aquele beijo tão cedo… Agiam pelo desejo e pelo amor que sentiam. Julie percebeu que suas mãos estavam dentro da blusa dele. Ela nunca o tocou assim antes e ao pensar assim sentiu seu rosto corar como um tomate. Ele também sentiu as mãos da namorada tocando seu tórax, ele apertou sua cintura e fez Julie suspirar entre o beijo. Daniel a puxou e ela saiu de cima da mesa. Continuavam com o carinho, o beijo parecia não ter fim, mas o fôlego dos dois já estava se esgotando. Ele desce suas mãos e dá uma apertadinha no seu bumbum.

- Nossa. — Foi quando Julie se soltou, escondendo seu rosto no peito dele. Ele desceu os beijos para o pescoço dela, e a morena se afastou. — A gente nunca se beijou assim antes… — Sussurrou rouca.

- E qual é o problema, hein? — Ele sorri tirando uma madeixa negra de cabelo do rosto de Julie. — Nunca te vi tão vermelha assim…

Ela ri fracamente. Dá mais um selinho nele. — Vamos descer… — Segurou a mão dele e os dois finalmente saíram da classe.

Depois daquele beijo Daniel se acalmou mais, desceu para o intervalo com a namorada. Ficaram no pátio, Julie fazia de tudo para afastar Daniel do Nicolas, sabia que mesmo depois das desculpas, ele ainda não estava se bicando muito bem com o Nicolas.

Ela se sentou ao lado dele e o abraçou. Tocou no seu rosto, carinhando o mesmo. — Acho que eu deveria ficar nervoso mais vezes… — Daniel comentou.

- Hã? Por quê?

- Porque assim eu ganho mais atenção… Sua. — Sorriu torto.

Ela sorriu também. — Ah, seu bobo. — Beijou seus lábios. Ele retribuiu mas cessou o beijo rapidamente. Suspirou.

- Julie. Me diz a verdade… Você gosta dele?

- Não amor, não gosto. — Pausou. — Por quê?

- Ah… Vocês já… Foram namorados.

- Nem é pra tanto, foi só uma paquera… Não significou nada para mim, tanto que… Eu nem lembrava direito.

- Hm. Tudo bem amor, vamos mudar de assunto. — Daniel pediu envolvendo seu braço no ombro dela. A morena se acomodou no seu peito e ficaram assim por alguns segundos. O silêncio falava pelos dois, Julie sentia uma grande vontade de ir lá falar com o Nicolas e pedir explicações para ele, afinal, depois da quase briga entre ele e o namorado, ficou mais do que claro para ela que Nicolas queria por pilha para os dois brigarem.

- Aquele não é o Martim? — Juliana pergunta olhando para o longe e Daniel segue seu olhar, os dois encontram Martim conversando com três garotas. — Você não queria falar com ele?

- É, eu queria sim. Mas não gosto de te deixar sozinha no intervalo.

Ela sorriu tentando ser agradável. — Não tem problema, Dan. Não quero te prender.

- Então eu vou lá, é importante. — Daniel disse sorrindo de lado, ela o imitou. Trocaram alguns beijos antes dele tomar coragem e se levantar. — Vai ficar aqui?

- Não. — Fez uma careta. — Acho que vou pra classe, estou com um pouco de frio. — Cruzou os braços.

- Eu acho que trouxe um casaco, está na minha mochila. Pode pegar amor.

- Obrigada. — Julie se levantou também.

- Quer que eu te leve até lá?

- Não precisa. — Balançou a cabeça. — É capaz de você ir e perder ele de vista. — Aponta para Martim.

Os dois desceram o gramado junto, porém, tomaram seu próprio caminho. Julie foi para a direita e Daniel foi para a esquerda. Viraram seus rostos para trás e pararam de caminhar por um momento, apenas para se olharem. Sorriram juntos e continuaram.

A morena subiu as rampas. Chegou na classe e sorriu ao ver que estava vazia. Se aproximou da mesa deles, abriu a mochila de Daniel e pegou o casaco azul escuro dele.

Vestiu. — Nossa… Me engole. — Riu fracamente, precisou dobrar a manga umas três vezes para conseguir achar suas mãos.

Se sentou na mesa, pegou seu celular para ouvir algumas músicas, porém, seu momento foi interrompido assim que Julie abre os olhos ao ouvir passos.

Era Nicolas.

Ela se levanta da mesa. — Oi. — Tira os fones do ouvido e o encara com uma expressão furiosa nos olhos. — Eu queria mesmo falar com você. — Cruzou os braços.

- Eu também preciso falar com vo… — A observou. — Que casaco é esse?

- É do meu namorado. — Deu ênfase a ultima palavra. — O que queria falar comigo? — Perguntou, Nicolas abriu a boca para responder mas Julie o interrompeu antes. — N-não! — Gritou afobada. Lembrou de uma coisa importante que Daniel disse. — É que... — Pegou seu celular, estava um pouco embolada para explicar. — Eu vou chamar o Daniel antes... De conversarmos.

- Porque?!

- Porque sim. — '' Ele não quer me ver sozinha com você. '' — Eu vou mandar a mensagem e a gente vai esperar ele chegar.

Juliana digitou no seu celular poucas palavras Amor, venha aqui na classe... E mandou.

Se recostou na mesa olhando para os lados, estava ansiosa e torcia para que Daniel chegasse à tempo.

Ele conversava com Martim. — Então... Eu não sei o que eu faço, eu... Estou possesso de ciúmes. Mas não consigo admitir isso para ela... — Foi quando sentiu seu bolso vibrar. Ele pegou o celular e leu a mensagem. — É a Julie. Eu já vou indo, ela quer ficar comigo lá na sala...

- Vai lá cara, e olha. — Tocou no ombro de Daniel. — Não diga que sente ciúmes, as mulheres acabam achando bonitinho... Fofo... E ai elas nos fazem sentir mais ciúmes ainda.

Daniel concordou com a cabeça e foi andando.

- Eu não vou esperar por ele. — Nicolas quebrou o silêncio se aproximando.

- Sai de perto de mim, e-eu... estou brava com você. — Ela se afastou, acabou se virando de costas para a porta.

- Calma Juh. — Ele pegou sua mão.

Se olharam mas Julie cortou o olhar imediatamente. — Vamos acabar logo com isso, me fala o que quer! — Ela pede sem paciência.

- Eu só quero... Um beijo seu. — Nicolas agarra sua nuca e surpreende Julie com um beijo na boca.

Ela bate com força no seu peito com as duas mãos, deixou até seu celular cair sem ler a mensagem que recebeu Já estou indo amor...

Ela continua socando com força o seu peito. Seus olhos estavam arregalados, Juliana continuava surpresa com aquele beijo. Era um beijo completamente sem química, sentia como se beijasse uma parede.

Com a outra mão, Nicolas segurou sua cintura, conseguiu aprofundar aquele beijo. Ela sentiu suas línguas se tocando, pensou em Daniel e por um segundo fechou os olhos, agarrou sua nuca sentindo seus cabelos e imaginando ser cachos, ela começou a retribuir.

Daniel chega na porta e acaba presenciando uma das piores cenas da sua vida. Ele engoliu em seco, abaixou a cabeça, não conseguia ficar nem mais um segundo ali.

Deu as costas e foi embora.

Julie abriu os olhos ao sentir que os cabelos que tocavam com as mãos eram lisos e escuros. Seu coração acelerou. Não acreditava que beijava outra pessoa!

Se soltou. — Seu safado! — Limpou seus lábios com a manga do casaco de Daniel. — S-seu... S-seu... — Não encontrava xingamentos forte o bastante para usar contra o Nicolas.

Ela pegou seu celular do chão e leu a mensagem. Balançou a cabeça. — Se o Daniel chegasse aqui e visse isso... E-eu... — Ainda estava atordoada. — Não sei o que teria feito.

Notas finais
O que acham que vai acontecer?! Comentem! ^^